30.4.10

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 43

Não é de hoje que as operadoras de telefonia importunam seus clientes. Isso não me espanta. O que me espanta é o fato de que essas empresas parecem se empenhar - e muito - para deixar clara sua completa incompetência de gerir os relacionamentos com seus clientes. Isso sem falar na qualidade dos serviços prestados. Ontem, protagonizei um desses momentos que chegam a ser engraçados, de tão absurdos. De um lado da linha, uma funcionária do setor de cobrança da Vivo. Do outro, eu.
Vamos aos fatos: a operadora me ofereceu 50% de desconto na fatura do meu modem 3G. E abril seria o último mês da promoção. Só que, mostrando que realmente é bem viva, a empresa me enviou uma fatura sem qualquer indício de abatimento. Como também não tô morto, liguei há duas semanas, reclamei e uma atendente me alertou que uma nova fatura, com os valores corretos, seria enviada pra mim em cinco dias úteis.
Como cumprir prazos não é o forte dessas companhias telefônicas - é impressionante!- a nova fatura não chegou. E eu também não liguei...
Ontem, a atendente ligou para o telefone da minha casa:
- Senhor Murilo, aqui é Leââândra, da Central de Cobrança da Vivo. O senhor poderia estar me confirmââândo a data de vencimêêêinto de sua fatura?
Atendi à solicitação. E Leâââândra prosseguiu:
- Senhor Murilo, é que eu estou verificââândo aqui no meu sistema que sua fatura do mês de abril se encontra em aberrrto.
- Sim - concordei - eu tenho direito a um desconto e vocês me enviaram a fatura sem considerar esse abatimento. Liguei, reclamei e vocês ficaram de me enviar uma nova fatura. Mas não chegou...
- Só um momêêêinto, senhor Murilo.
Milagrosamente, vejam vocês, esse momêêêinto foi, de fato, só um momento. E logo Leââândra retornou à ligação:
- Senhor, não há registro dessa sua ligaçããão em nosso sistema...
Aí meu humor passou a fazer companhia às araras azuis e aos micos-leões-dourados: entrou em extinção:
- Leandra, então você pode ouvir a gravação da ligação que eu fiz. Foi há umas duas semanas.
- É que não há registro...
- Olha, vocês não dizem que gravam as ligações sempre que a gente liga praí? Então, tem que ouvir! Porque só gravar não serve de nada! Uma gravação que não é escutada não tem sentido, né?
Pressionada, Leââândra recorreu a saída utilizada por 10 entre 10 operadores de telemarketing em momentos de tensão:
- Só um momêêêinto, senhor Murilo.
Ela foi novamente rápida. Nem botou aquela musiquinha intragável pra eu ouvir.
- Senhor, eu vou estar registrââândo aqui no meu sistema a pendência de envio da fatura com o valor correto pro senhor, com os cinquêêêinta por cêêêinto de desconto. Mas seria interessante que o senhor ligasse novamente pra nossa central para reforçar o pedido...
Aí foi demais pra mim:
- Leandra, você não trabalha na Vivo?
- Sim, senhor.
- E a sua solicitação não basta?
- Senhor, seria interessante que o senhor fizesse a solicitação.
- Sim, eu entendo. Tão interessante que eu já fiz, há 15 dias. E vocês a ignoraram. Olha, eu não vou ligar! O atendimento da Vivo anda péssimo e ninguém consegue ser atendido com menos de 30 minutos de espera. E eu não tenho esse tempo pra fazer de novo uma solicitação que eu já fiz e vocês resolveram desprezar!
Leââândra era educada. Soube me ouvir com tranquilidade. Mas sempre apoiada na técnica do "momento lexotan", achando que ia me acalmar na base das interrupções...
- Eu entendo - ela disse - Só um momêêêinto.
Pra quê tanto momento, gente? Eu acho que esses operadores de telemarketing pedem um momêêêinto, tapam o fone, e fazem a terapia do desabafo! Uma espécie de sessão de descarrego, xingando o cliente com os palavrões mais cabeludos. Depois, tranquilos, eles voltam como se nada houvesse acontecido. Foi exatamente o que Leââândra fez:
- Senhor Murilo, eu fiz o registro.
- Ah, que bom!
Eu já estava achando que o final seria feliz, mas a atendente da Vivo deu o tiro de misericórdia...
- Além desse telefone, o senhor teria algum outro pelo qual poderíamos estar fazêêêindo contato?
- Ãhn? - questionei, sem palavras.
- Um outro número de telefone, senhor Murilo.
Ela não sabia que eu tinha entendido perfeitamente. Só não estava acreditando na pergunta.
- Leandra, eu sou cliente de vocês há 10 anos! Você está me dizendo que o sistema não tem o meu celular?
- É, não consta aqui, senhor.
- Bom, se você não tem meu telefone aí na Central de Cobrança, isso ao menos mostra que eu não sou caloteiro! Anota aí, vai...
Desliguei e ri. Pra não chorar, claro.
Ou melhor, vivo...
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