6.4.10

Chuva deixa o Rio submerso...

Cena carioca: cidadãos diante do caos em mais um dia de chuva forte no Rio de Janeiro...
Passa das três da manhã dessa terça-feira. E continuo na TV. E não é o fato de estar na ilha de edição que faz de mim, nessa madrugada, um cidadão ilhado: fui mais uma das milhares de vítimas do temporal que castigou a Cidade Maravilhosa nessa segunda-feira, em pleno horário do rush.
A chuva foi tão intensa que fiquei preso com colegas de trabalho no café em frente à emissora. Quase uma hora se passou até que pudéssemos atravessar a rua e voltar ao trabalho. Era o começo da noite. E aquela foi apenas a primeira pancada de chuva a cair sobre a cidade.
O dilúvio foi tão intenso sobre a Lapa que eu e dezenas de companheiros permanecemos presos na sede da TV Brasil por toda a noite. E, ao que parece, assim será por toda a madrugada. Neste momento, a Avenida Gomes Freire é a imagem de um rio: sacos de lixo boiando, correnteza, água suja. E nem sinal de que o sistema de esgoto será capaz de escoar esse aguaceiro tão cedo. Pelas demais localidades da cidade, o trânsito segue interrompido, pessoas abandonam seus carros, veículos são arrastados pela correnteza, bombeiros fazem resgates marítimos em vias públicas e encostas desmoronam. Infelizmente, já há mortes confirmadas depois do temporal.
O que dizer diante desse caos? Apenas que, uma vez mais, os governantes deviam se envergonhar de suas obras faraônicas que estão longe de servir aos cidadãos. Será que o cenário seria o mesmo se o dinheiro da Cidade da Música tivesse sido empregado na reforma do sistema de esgotos do Centro? Será que estaríamos novamente reféns das águas se a atual prefeitura trabalhasse para resolver esse problema em vez de tentar criar um parque para pedestres numa das principais vias do Centro da cidade, a Rio Branco? Será que nenhum gestor pensa em resolver esse problema que se repete há tantas e tantas chuvas na Lapa, na Praça da Bandeira, na Tijuca, na Lagoa...nos quatro cantos da cidade?
Três perguntas e uma só resposta: não!
A justificativa? Ao que parece, nossos homens públicos confirmam a teoria de que obras de saneamento não são prioritárias. Afinal, canos e tubulações passam sob a terra, ninguém vê. E, assim, fica difícil contabilizar votos por tais "invisíveis" realizações...
Uma vergonha!!!
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