4.6.07

À deriva...

Mar azul sob o casco, o sol ainda brilhava de fazer doer as vistas quando sentiu os ventos o abandonarem. Foi quando as velas murcharam e, mesmo sabendo pra onde deveria rumar, parou. Traído pelo velho motor, fraco demais para fazê-lo andar. Traído pelos bons ventos que até ameaçaram, mas nunca chegaram a soprar de fato. Parou. Ali, no meio do tudo. No meio do nada.
Olhou para além da proa e viu aquelas ondinhas pequenas, razão do sacolejar de sua embarcação. De onde vinha a força para aqueles movimentos incessantes? Que força era aquela, insistente, incansável, invejável? Força que lhe faltava: nas velas, no motor...e, também, dentro de si mesmo...
Mas a força - e os (bons) ventos - viriam, era questão de tempo. Só esperava que fosse antes de resolver pular no mar azul e rumar em outra direção. Não há calmaria que dure eternamente. Mas também não se imaginava esperando muito mais por um vento que não dava o menor sinal de estar disposto a soprar...
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