14.3.07

I've found an angel

Sempre achou que a pureza contida naqueles olhos - de uma cor que ninguém mais tem - era uma pureza única, diferente. Quando dormiu naquele início de dia, lembrou-se daqueles olhos puros - e tão bonitos, e tão diferentes. Uma ponta de saudade fez nascer um aperto no peito. Uma vontade de estar em outro lugar naquela hora. Vontade de estar em outros braços naquela hora...
Fechou seus olhos pensando naqueles outros olhos. Como num close de filme, apenas aquele olhar aparecia na tela em que sua mente havia se transformado. Aos poucos e sem pressa, a imagem ia se afastando. Enxergou, então, os cabelos, o sorriso - e toda a paz que sempre existia nele. Um pouco mais longe, viu os braços, abertos como se esperassem o momento do abraço que, agora sabia, seria adiado uma vez mais. De tanto esperar, não cansava. Queria mais e mais que chegasse a hora de se aninhar ali e sentir todo o calor, todo o carinho e um pouco daquela mesma paz que podia sentir quando estavam juntos.
A imagem se afastou mais. E mais. Estavam num campo verde, claro, lindo. Céu azul, sem nuvens. Silêncio e um aconchego que lhe fazia livre de todas as agruras, de todos os tormentos. De repente, olhou para aqueles olhos. A cor que só eles tinham era agora ainda mais bela. Notou que os olhos falavam e "vem cá" era o que diziam. Foi e, chegando mais perto, notou algo de que, até então, apenas havia desconfiado. Sorriu ao ter a certeza.
O abraço foi o melhor dos abraços, o mais terno, o mais amoroso abraço de que já se soube. E não tinha mais dúvidas: as asas que pendiam daquelas costas eram o sinal definitivo...
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