13.8.06

Sonho no ônibus...*

Um dia, aquele molequinho de nariz escorrendo me chamou de pai, saindo do escorrega e pedindo pra que eu o colocasse no balanço. Seu olhar trazia todo o amor do mundo, espremidinho ali no meio daquela íris esverdeada. Olhava pra mim, pedia que empurrasse o balanço 'mais forte, mais forte', e podia perceber que, pra ele, eu era o herói.
Pra mim, ele era tudo. A razão de cada passo, de cada sorriso, de todo o meu esforço na vida. Para ele iam os meus sentimentos mais verdadeiros, mais puros; com ele eu vivia os momentos mais felizes da vida. E aquela criaturinha risonha sabia como ninguém transformar cada momento num momento único, inesquecível...
Num dia como aquele, no meio dos brinquedos do parquinho, sorriu e me disse aquela frase linda e inesperada. Feliz da vida no sobe e desce da gangorra, instantes depois de dispensar minhas mãos e ousar um "vôo livre", gritou:
- Pai, eu te amo!
Aquela era a risada mais linda que já pude ver. Tudo nele ria, seus olhos, suas mãos segurando a gangorra, seus pezinhos chacolhando no ar. Retribui o sorriso e agradeci a Deus por aquele momento tão pleno, em que o mundo pareceu parar; em que só parecia existir nós dois: meu filho e eu. O filho que tantas vezes eu tinha projetado nas crianças que já entrevistei, com uma carinha que tantas vezes tentei imaginar...agora estava ali. Agora era mesmo meu filho dizendo que me amava...
Pisquei os olhos e vi a gangorra vazia. Meu olhar ainda o buscou por perto, entre a meninada que corria pra lá e pra cá no meio da pracinha. Em vão. O ônibus arrancou assim que aquele velho senhor desceu com suas sacolas de supermercado. E, mesmo sem saber da companhia, levou também consigo meu velho sonho...
* esse post foi o meu jeito - meio torto - de desejar um feliz dia dos pais a todo mundo...
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