21.12.06

Bruma

Cercados por uma fumaça branca e perfumada, esbarraram-se no meio de uma rua bonita, bucólica, envolta de árvores altas e floridas. Olharam-se e só um dos dois sorriu. Do outro lado, apenas lágrimas. Muitas, de um pranto sofrido, doído; tão intenso que impedia qualquer explicação, que tornava qualquer palavra inviável.
Olharam-se e aquele olhar foi suficiente para demonstrar todo carinho que ainda existia ali.
Aproximaram-se em silêncio. Frente a frente, abraçaram-se. Carinho nos cabelos - sempre macios, sempre gostosos de tocar - carícias na nuca. A mesma que tantas vezes tinha beijado, mordido; a mesma que tantas vezes tinha percorrido com sua língua, num caminho imaginário que terminava dentro da orelha, ou onde mais seu desejo mandasse ir...
E então se beijaram e o beijo teve o mesmo gosto de todos os outros, a mesma paixão do primeiro de todos eles; como se tanto tempo não tivesse passado desde a última vez em que seus lábios haviam se encontrado. E não tinham vontade de interromper aquele novo encontro.
Só pararam de se beijar quando as lágrimas tinham dado lugar a um sorriso. Ou melhor, dois belos sorrisos. E, ainda sem que uma palavra sequer fosse dita, deram-se as mãos e saíram dali, andando em meio à fumaça cheirosa, certos de que aquele era um encontro diferente de todos os outros...
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