18.12.06

E Ivete abalou...


Quatro horas de show: lágrimas, agradecimentos e tecnologia jogando pró e contra a mega-festa de Ivete Sangalo no Maracanã... Posted by Picasa

Sábado lindo, depois do dilúvio que caiu sobre o Rio na última sexta. Dia perfeito para uma praia e tanto! Mas meu programa - como não poderia deixar de ser - foi o Maracanã. E a diversão foi mesmo garantida: já na fila, um belga muito do intrometido se encantou pela Mariana, tadinha. O cara fazia cara de simpático, rindo de tudo o que falávamos. Mesmo quando esse "tudo" era ele. E não falávamos bem, é claro: o "turista-sem-noção" furou a fila na maior! Não dava pra fazer amizade, né?
Entramos no Maraca mais de três horas antes do início do show. O papo mais recorrente era sobre o tamanho da responsa de fazer um show naquele templo. Lotar um estádio daquele é sinal de muito prestígio, mas naquele momento ainda dava pra duvidar se Ivete teria essa marca em sua carreira. Essas dúvidas só ficavam de lado na hora das "olas", um espetáculo muito bonito que a galera apresentou várias vezes ao longo da noite...
A luz caindo, o gramado lotando. Lanches. Água. E ansiedade. Até que, nove e meia da noite, os telões começaram a exibir depoimentos dos amigos da cantora. Zezé & Luciano, Xuxa, Sandy&Jr, Gil, Elba e Faustão - o único vaiado da noite! Era a contagem regressiva...e logo surgiram os acordes iniciais de "Abalou".
E Ivete chegou abalando mesmo! Num elevador, vestida num macacão de vinil - muito sexy, se é que alguma roupa ainda pode deixá-la mais sexy - a cantora fez uma entrada triunfal, que logo deixou claro que se tratava mesmo de uma mega-produção. O gigante sacudiu ao comando da cantora, que pediu forças a Deus e à sua "mainha" pra fazer daquela uma noite muito especial.
Pra mim, o repertório foi o ponto fraco. Tudo muito parecido com o show do Dvd anterior - o MTV Ao vivo. Lá estavam "Sorte Grande", "Festa", "Empurra-empurra", "Canibal", "Pererê", "Tô na rua", "Arerê", "Levada Louca", "Flor do Reggae", "Chupa Toda", "Carro Velho". Todas contagiaram o público, mas acredito que já estão pra lá de saturadas.
Das novidades, "Berimbau Metalizado" chama atenção pelo suingue. No show, a canção foi antecedida por um grupo de capoeira em bela evolução no palco. O refrão-grude de "Ilumina" - com direito à xa-lá-lá-lá - e a romântica "Deixo", com Ivete tocando guitarra acústica, também renderam bons momentos. Assim como a leitura da baiana para "Não quero dinheiro", eterno hit de Tim Maia. Um pequeno medley com "Chorando se foi" e "Preta" - lembra do Beto Barbosa??? - também levantou a massa, assim como "Não me conte seus problemas", já gravada anteriormente em dueto com Saulo da Banda Eva.
Um dos momentos mais bonitos do show foi o das baladas. Sentada num piano, a cantora surge no palco e apresenta "Quando a chuva passar", com direito a um coro emocionado de mais de cinqüenta mil vozes. Em seguida, ela é erguida por uma plataforma e, sobre a platéia, canta "Se eu não te amasse tanto assim" e "Eu sei que vou te amar". Bonito demais mesmo!
Os duetos foram cinco. Com Samuel Rosa, "Não vou ficar", de Roberto Carlos. Saulo Fernandes, da Banda Eva, dividou a nova "Não precisa mudar" com a conterrânea. O espanhol Alejandro Sanz a acompanhou no sucesso "Corazon Partio" - momento em que o Maracanã mostrou ter um coro bilíngüe prestigiando a apresentação. Acompanhada de Durval Lelys, do Asa de Águia, Ivete relembrou "Bota pra ferver", de seu primeiro disco solo. E com MC Buchecha - o convidado que mais entrou no clima da festa - a cantora trocou o axé pelo funk em "Nosso Sonho", "Sabe" e "Poder". A energia do público era tanta que suportou até mesmo a pane no som e nos telões do palco. Vinte minutos de pausa. Balde de água fria na turma que estava em transe com tudo que acontecia no palco...
Alguns foram embora - já exaustos pelas quase quatro horas de show. Quem ficou viu a homenagem que Ivete fez à amiga Xuxa, segundo ela, responsável pela venda de 40.000 ingressos. Quem diria que o Maracanã iria cantar junto "Doce Mel", como nas velhas chegadas de Papai Noel de vinte anos atrás? Pois a baiana fez o tempo voltar. E fez a galera pular ao som de "País Tropical", que encerrou a apresentação. No bis, "Mega Beijo", foi a pedida do público.
Em suma: sábado foi um dia muito feliz para uma menina que começou do nada, entregando quentinhas em Salvador. E que, ao que tudo indica, parte para o mundo com um mega-show registrado num dos maiores cartões-postais da mais bela cidade do planeta. Ela merece! Mas deve ficar atenta: se lá fora tudo ainda é novidade, aqui no Brasil, certamente, seus fãs já já vão começar a pedir coisas novas também.
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