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17.8.08

Da série: Pequim é aqui! 9

Considerações sobre a manhã em que a medalha não veio...ou, carta a um campeão...


Passei a noite em claro. Queria ver o vôlei feminino, mas, no fundo, tinha era medo de dormir e não conseguir acordar cedo pra ver as estrelas brasileiras brilharem nas finais da Ginástica Artística.
Quando o romeno Marian Dragulescu caiu feio durante a rotina, abri um sorrisão e cheguei a ver a medalha dourada brilhando no pescoço do nosso Diego Hypólito. Embora o ginasta brazuca tenha exibido um certo excesso de confiança no próprio taco em algumas entrevistas - sim, vez ou outra ele me pareceu um pouco presunçoso pra quem está diante de uma pedreira chamada Olimpíada - é claro que a minha torcida era dele.
E continua a ser.
Porque os gigantes também caem, Diego. Os fortes também têm suas fragilidades e, por mais que nos revolte, é a capacidade de errar - e aprender com base nessas falhas - é que nos faz diferentes das máquinas. A tua cara de dor e desespero, tuas lágrimas e o choque diante da própria queda dão a exata dimensão da seriedade, do esforço e da batalha que você tem travado para estar no lugar em que está. No alto. No topo da Ginástica Artística Mundial.
Mas hoje não foi seu dia, como também não foi o de Jade, nem o de Daiane. Como não foi o do Dragulescu. Hoje, o brilho estava reservado para o chinês Zou Kai, irretocável, diante de todas as pequenas imperfeições. Irretocável, mas sem o peso do favoritismo que pode ter pesado sobre o nosso campeão mundial.
Acho o esporte - em geral - belíssimo. E cruel. Ver alguém frustrado, diante de um detalhe que pode lhe custar quatro anos de empenho é algo que me parece muito pesado; um peso que não sei se suportaria carregar. Por isso, ver o Diego chorar, e, mais que isso, pedir desculpas aos brasileiros, é triste. É sinal de que há nele um compromisso que falta a muitos dos heróis do futebol, a tal paixão nacional. E é sinal, sobretudo, de que estamos diante de um campeão que sabe da importância de seu exemplo para toda uma nação.
Diego, cabeça erguida, rapaz! Nos vemos em Londres!

10.8.08

Da série: Pequim é aqui! 3

Ana Cláudia Santos: graça, força, fragilidade e superação na ginástica artística...

A imagem mais forte desse domingo nos Jogos Olímpicos de Pequim, pra mim, foi a da ginasta brasileira Ana Cláudia Silva nas barras assimétricas. A apresentação, até então quase irretocável, foi afetada pelo estouro do calo de uma das mãos da atleta. A pele que encobria a bolha se soltou e deixou fragilizada a mãozinha da menina - que até então parecia tão firme, sustentando aquele corpo em todos aqueles movimentos impensáveis para os "normais". Sangrando no corpo e na alma (de atleta) depois de finalizar mal sua série, Ana Cláudia saiu do centro do ginásio meio tristinha. Mas deu a todos nós uma prova de dedicação, força, superação e amor ao esporte!
Dá-lhe, Ana Cláudia!

17.7.07

Dia de glória no Pan


Terça-feira trouxe um mar de de medalhas para o Brasil. Os destaques foram Thiago Pereira, Jade Barbosa e Diego Hipólito: os mais novos ídolos do esporte brasileiro

Esporte que traz tantas alegrias e enche de orgulho os corações de mais de 180 milhões de brasileiros. Um povo que grita "Vai, Thiago", junto com a mãe de nosso ídolo das piscinas. Que chorou junto com a menina Jade ontem, e hoje, fez vibrar a Arena Multiuso ao som de "É campeã!". Que se curvou ao talento majestoso de Diego Hipólito, hoje consagrado o rei absoluto da Ginástica Artística. Brasileiros como eu e como você que torcem, se emocionam e acompanham, minuto a minuto, cada conquista de nossos heróis vestidos de verde e amarelo. Para eles, todas as homenagens. E a torcida para que as empresas se sensibilizem e patrocinem também esses e tantos outros desportistas cheios de talentos e habilidades. E para que esse Pan seja mesmo um marco, um divisor de águas na história do esporte olímpico brasileiro!