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22.8.08

Da série: "agora a coisa vai!!!" 7

Fazer piada com o Horário Eleitoral é mais velho que andar pra frente. Pudera...o programa é uma fonte inesgotável de graça para os espectadores mais atentos...
Nessa temporada, uma novidade: todos os programas, independentemente de partido e/ou candidato, apresentam legendas. Bacana, a iniciativa é de fundamental importância para os eleitores surdos. O problema é que a velocidade das legendas é pautada pelo tempo (sempre ele!!!) que cada candidato tem na TV. Ou seja: candidato nanico tem aquela legenda-foguete, que passa correndo pela tela, deixando o eleitor sem ler nadinha! E olha que hoje foi a propaganda dos prefeitáveis. Imagina no programa dedicado aos candidatos à Câmara Municipal...
Outro ponto que me chamou a atenção foi a repetição de um mesmo modelo de campanha / discurso. Algo estabelecido há muitos anos, há muitas campanhas e que, a menos ao meu ver, não deu certo. Apresentar, cada um de um jeito, propostas mirabolantes para a trinca saúde-educação-segurança é um lugar-comum que todo mundo já conhece. E que estimula um questionamento: se todos sempre têm uma solução para os males da cidade, porque esses males permanecem? Por incompetência de TODOS os que já passaram pelo cargo ou porque esses problemas não têm solução-mágica-colorida-e-em-computação-gráfica?
Aliás...alguém já viu o tal do veículo leve sobre trilhos passar por algum lugar aqui do Rio? Ele já foi astro numa dessas campanhas. Não era feitiçaria, era tecnologia! Tecnologia pra vender candidato e não pra transportar o povo. Pura magia dos marqueteiros!
Mágica, aliás, é o que os candidatos a vereador mais fazem. Com pouquíssimo tempo (sempre ele!!!) para darem seus recados - curiosíssimos, muitas vezes - esses candidatos são um caso a parte. A, digamos, falta de ineditismo que paira na campanha para a prefeitura também assola os que sonham em representar o povo na Câmara. E aí, meus caros, é um tal de "segurança, saúde e educação; fulano de tal é a solução!" que ninguém aguenta!!! Sofrível mesmo! Sem falar nos candidatos que exibem uma ampla, total e irrestrita falta de habilidade com a câmera - e/ou com a leitura do texto. Assusta!
Aliás, assustado mesmo eu fiquei ao saber que o senhor que vende pipoca na frente do meu trabalho é candidato. Nenhum preconceito, mas juro que ainda vou tentar ouvir dele quais são as propostas para um suposto mandato. Só espero não me deparar com algo como: "pelo bacon mais barato e pelo fim das pipocas de microondas!!!"
Aí seria demais pra mim...

20.8.08

Da série: "agora a coisa vai!!!" 6

Ontem teve início, nas emissoras de rádio e TV, o famigerado horário político. Não posso dizer que gosto de conferir as atrações do programa, mas procuro dar uma olhada pra ficar a par do nível dos candidatos.
Foi o que fiz ontem. E, pelo visto, os programas humorísticos terão que rebolar pra não perderem a audiência pros postulantes aos cargos públicos...
Só pra citar um exemplo:
Candidato sério, de frente pra câmera. E diz seu texto:
- Sou o 007! XX-007!
Desculpa, mas não dá pra levar a sério alguém que gasta o tempo que tem para se apresentar o eleitor pra fazer uma piadinha infame dessa com o blockbuster hollywoodiano. Não dá mesmo!
E você, leitor? Tem visto muitas pérolas na eleição de sua cidade? Bote a boca no mundo, sem citar nomes e números dos candidatos, ok? Vamos socializar as pérolas, porque é melhor rir do que chorar...

7.5.07

Com barba ou sem barba...

Mais do que homem público e político, o deputado Eneás Carneiro se tornou um exemplo de como a política pode, também, nos fazer rir. Seu tom raivoso, sempre falando com os eleitores como quem, de fato, parecia dar-lhes uma bronca, rendeu muita piada e muitas imitações. O "meu nome é Eneás", bordão lançado pelo fundador do extinto Prona nas eleições de 1989, acabou entrando para a história do horário eleitoral gratuito. Tinha nove anos na época, mas lembro de aguardar ansiosamente a aparição do homem emburrado e barbudo que, ao fim de um discurso quase incompreensível, vociferava: "Meu nome é Eneás!"
Ontem, quando soube da morte do deputado, comecei a pesquisar na rede sobre ele. E descobri, lendo o Querido Leitor, de Rosana Hermann, que ele era amigo da turma do "Pânico". Não me surpreendi, e logo lembrei que, nas últimas eleições, ao aparecer no horário político sem sua indefectível barba, o deputado bradou: "Com barba ou sem barba, meu nome é Eneás!". Só poderia mesmo ser alguém de muito bom humor...
Fui até o YouTube e me deparei com uma pérola: um pronunciamento do Dr. Enéas, também no horário eleitoral, que começa com a quase indecifrável frase: "Miasmas pútridos emanam do Congresso". Ri, imaginando as famílias de eleitores ouvindo tais pérolas na hora do jantar. E continuou o deputado: "Meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia". Hilário, né?
Enéas sai de cena e deixa marcas na história política do Brasil. Bateu recordes de votação e deixou seu nome gravado na história recente do país como o candidato de partido nanico a alcançar a maior votação nas eleições para a presidência, com 4.671.457 votos recebidos no pleito de 1994, vencido por Fernando Henrique Cardoso. Pode ser ignorância minha, mas não me lembro de nenhum feito do deputado. Não tenho notícia de nenhum projeto de lei, de nenhuma iniciativa que tenha conquistado espaço na mídia. Portanto, pra mim, ficará sempre a imagem do político excêntrico, que arrancou risadas, cunhou um bordão, e abriu as portas para tantos candidatos "cômicos" no meio da chatice do horário eleitoral.
Que descanse em paz...