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19.5.08

Sobre a boboca polêmica do beijo gay...

Faz pelo menos umas quatro novelas das oito que, quando o fim da trama se aproxima, começa a mais chata das polêmicas: vai ter ou não um beijo gay?
A história começou com "América". Na novela de Glória Perez, a cena chegou a ser gravada e, horas antes de ir ao ar, a Globo optou por não mostrá-la. Isso depois de a seqüência ter sido amplamente divulgada pela imprensa.
Mais recentemente, "Paraíso Tropical" também tinha lá seu casal de homens. Mas, dessa vez, a polêmica partiu da mídia e os autores nunca demonstraram interesse em mostrar a carícia em horário nobre. E o "fim" apareceu na tela sem que os personagens de Carlos Casagrande e Sérgio Abreu se beijassem.
Agora, chega a vez de "Duas Caras". E Aguinaldo Silva já anunciou: escreveu a cena do beijo entre Bernardinho e Carlão. Desde então não há um único dia em que as colunas sobre televisão não publiquem uma, duas notas especulando sobre a exibição ou não da seqüência. Um saco!
De uns tempos pra cá, toda novela que se preze tem que ter um par gay. Dizem que é a era do politicamente correto. Só que esse suposto avanço esbarra nessa falta de tato na hora de lidar com a questão de um beijo. Na mídia, lemos que a emissora tem medo de chocar o público. Chocar? Quer dizer que os homossexuais podem ser alvo de chacota no "Casseta e Planeta", no "Zorra Total"; podem ser exibidos como caricaturas em vários programas - dentre eles, algumas novelas - e não podem ter uma conduta normal, de casal que são? Cá pra nós: o que o público pensa que Bernardinho e Carlão fizeram na cama? Aliás, Carlão chegou a gritar que tinha sido o "ativo" no colóquio carnal entre os dois, lá pelo início da história. Isso não chocou?
Essa discussão revela, sim, uma tremenda hipocrisia. Os gays na novela são chamariz de audiência, nada mais que isso. Viram moeda de troca, usada para capitalizar e mobilizar platéias. É claro que a existência de personagens homossexuais nas tramas ajuda na diminuição de preconceitos - quando há uma abordagem séria do tema - mas essa polêmica boboca revela um despreparo total para o encaminhamento dessa questão na televisão brasileira. Afinal, se o fim de uma novela é modificado porque um beijo gay pode chocar o público, será que também é levado em conta o que pode vir a chocar o público homossexual?
Não tenho as respostas. Mas acho que o preconceito idiota sobre a orientação sexual alheia só vai ser quebrado no dia em que olharmos com naturalidade para essa diversidade. No dia em que os gays não precisarem se esconder para namorar, no dia em que seus direitos forem amplamente respeitados e, também, no dia em que um beijo fictício deixe de ser razão de polêmica nacional. E acho que se a televisão já avançou tanto desde "A Próxima Vítima", quando o primeiro casal de homens foi mostrado de maneira séria e aberta na televisão, já passa da hora de dar mais um passo e provar que, talvez, a cabeça do telespectador já esteja muito mais aberta que a dos executivos da TV...

16.1.08

Duas Caras: da Mortícia Loira à favela-de-um-beco-só...

Que o Aguinaldo Silva não me leia, mas, com todo respeito ao histórico desse autor, "Duas Caras" é de doer! Quando encarada com seriedade, claro. Porque, se estivermos dispostos a rir, a novela das nove é um programão! Exemplos? Ei-los:
No capítulo de ontem, José Wilker dava aulas na Universidade Pessoa de Moraes. Um curso interessantíssimo sobre algo que não me dei ao trabalho de decorar. E lá estava Renata Sorrah, grande atriz, respondendo "Presente!" quando chamada pelo "amado mestre". Creiam: o DNA da cena tem forte carga da "Escolinha do Professor Raimundo".
Segunda-feira, a pedida era a inaguração do restaurante de Bernardinho. E aí, meus caros, a verossimilança foi pra muito além do escambau. Bernardinho prometera a presença de uma celebridade "do Projac" na festa e nada do tal artista chegar à Portelinha. Os convidados reagiram do jeito que alguém deve imaginar ser o "padrão de comportamento dos favelados": batendo nas mesas, tacando coisas nos funcionários do estabelecimento, gritando e fazendo o maior auê. Bernardinho suava, tremia e, ao encarar as "feras", saiu correndo pelo meio da comunidade. A seqüência só pode ter sido inspirada nos desenhos de "Tom & Jerry", como lembrou meu amigo Gustavo Tito, uma vez que a câmera mostrava apenas um beco da favela e o personagem de Thiago Mendonça corria pra lá e pra cá, tentando fugir dos algozes. Bom, nesse caso, o melhor é mesmo imaginar que a cena foi baseada no desenho animado, pois, do contrário, terei que acreditar que a favela cenográfica da Globo tem apenas uma viela...
Semana passada, Betty Faria estava em cena, descobrindo que seu filho, Alexandre Slaviero, é um pilantrinha. Grita pra cá, grita pra lá, tabefe na cara do malandro e uma cena forçada de cabo a rabo. Só se salvou a filha do Manoel Carlos, correta no papel de irmã compadecida.
E a dona Setembrina, que virou Ghost? E a Marília Gabriela, coitada, tendo que encarar a concorrência da Flávia Alessandra? Será que, pra faturar o Juvenal, ela acaba dançando no poste também?
Ah...e por falar em poste: o que é o tal "Sufocador de Piranha", turma? Pra mim, deve ser uma mistura de Sérgio Cabeleira com o Cadeirudo, passando por uma pitada do Professor Astromar, que virava Lobisomem em Roque Santeiro. Deprimente...
Mas o supra-sumo mesmo, o melhor do pior, foram as seqüências da invasão à comunidade. Fagundes com a bazuca do Rambo, cá pra nós, tá mais praquele velhinho da série "Corra que a Polícia vem aí". Sem falar que o tiro da bazuca fez um estrondo danado e não acertou nenhum inimigo. Aliás, pontaria não era o forte mesmo: o que tinha de gente atirando pra direita e acertando o alvo da esquerda não tá no mapa! Pior que isso, só mesmo o coração do hair dresser que criou o visual de "Mortícia Loira" para a Susana Vieira. Sei não, dizem que ela é meio superstar e tal...já começo a achar que foi vingança! Se o Dalton Vighi me convencesse um pouquinho só como vilão, poderia até suspeitar dele. Mas, como já disse aqui em outro post, não é o caso! E se você está aí argumentando: "Ah, mas o autor disse que a grande vilã da novela é a Alinne Moraes", encerro com uma frase do meu amigo Gustavo: "Se bico fosse sinônimo de vilania, a Angelina Jolie só seria escalada para fazer mulheres malvadas!".
Tá falado!