17.3.13

RESENHA: "Amour"

Num dia, à mesa, em meio a uma conversa trivial, instala-se a ameaça derradeira. Silêncio, ausência e inércia se apoderam daquela companhia de toda uma vida, anunciando que nem sempre os finais são felizes...
Esse é o início do conflito que testemunhamos em "Amour", longa francês que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. Na tela, acompanhamos a história de um casal de aposentados, Anne e Georges, que têm suas vidas transformadas depois que ela sofre uma complicação numa cirurgia e acaba com um lado de seu corpo paralisado. Em casa, sob os cuidados do companheiro, Anne exige que Georges prometa nunca mais levá-la de volta ao hospital. O que ninguém poderia imaginar é que, pouco tempo depois, ela passaria a sofrer as consequências de uma severa doença degenerativa...
A história é dura e o filme é cru, seco. Apesar do drama, não há sentimentalismo, não há trilha incidental para sublinhar a tragédia vivida pelos personagens. Há poucas lágrimas. O que se impõe é a história, os diálogos e todas as sutilezas usadas pelo diretor para nos levar para dentro do apartamento do casal. Confinados com Anne e Georges, sentimos suas dores, testemunhamos seu sofrimento e nos colocamos diante do que buscamos sempre enxergar como uma perspectiva longínqua: a finitude.
Emmanuelle Riva oferece ao espectador, aos fãs de cinema e aos admiradores de grandes representações uma primorosa construção (ou desconstrução?) de sua Anne. É comovente ver como, com o avançar da narrativa, ela consegue nos tocar apenas com um olhar perdido, com um grunhido lancinante ou com a contorção dos lábios, desfigurados na tentativa de pronunciar os versos de uma inocente canção infantil. Que grande atriz! E que patacoada saber que ela perdeu o Oscar para uma pretensa nova namoradeira de Hollywood. Ah, as premiações e suas históricas injustiças...
"Amour" é má bela história. De vida, de companheirismo. Uma istória de amor como não estamos mais habituados a ter por aí.
Recomendo!


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