8.10.10

Silas Malafaia e a "liberdade de expressão"...


Religião a serviço da intolerância: campanha que está nas ruas do Rio de Janeiro desrespeita as diferenças

Essa é a foto de um dos outdoors que estão espalhados pela cidade do Rio de Janeiro. A mensagem clara é uma crítica (?!?!?) a padrões afetivos que rompam com a ideia da heteronormatividade. Ou seja: é uma campanha contra a homossexualidade e, consequentemente, contra os homossexuais.
É claro que nada disso é dito assim, de forma direta. Afinal, dizem que "Deus condena o pecado, mas ama o pecador". Fato é que, em nome de Deus, muita gente estimula crimes de ódio. Insulflando a ideia de que "o normal é ser hetero, pois Deus fez macho e fêmea", setores religiosos mais radicais agem preconceituosamente, incentivando a homofobia e implantando na mentalidade de alguns dos mais vulneráveis grupos da sociedade o desrespeito ao que é diverso.
Por que resolvi escrever sobre isso? Porque acho a hipocrisia é deplorável! Porque acho o preconceito - qualquer que seja ele - algo detestável! E porque um país que pretende ser grandioso - e não apenas grande - não pode seguir em frente dando espaço a discursos que maquiam suas verdadeiras intenções. Manipulando as massas, lideranças pra lá de contestáveis escondem suas reais pretensões. Criticam gays, lésbicas, transexuais e transgêneros sob o argumento de que devem ter garantida a liberdade de expressão. E dizem que isso nada tem a ver com preconceito.
Ora, que argumento mais falho! Então, seguindo a cartilha de Silas Malafaia & afins, em nome dessa tal "liberdade de expressão", poderemos, no futuro, tecer críticas aos negros? Ou aos judeus? Ou aos deficientes? Poderemos dizer que não concordamos com os rituais indígenas? Com os preceitos espíritas? Com o estilo de vida pregado em algumas ramificações do cristianismo? Em nome dessa louca "liberdade de expressão" poderemos voltar a chutar santas?
É isso?
E qual seria o próximo passo? Apedrejar mulheres que não usam saias até as canelas?
Porque, partindo desse princípio, os arianos poderiam voltar a agir. Hitler teria todo o direito de empreender nova caçada aos judeus e, consequentemente, a propagar a ideia de que a "raça ariana é superior". E todos deveríamos respeitar sua "liberdade de expressão".
Os racistas poderiam ganhar força. Poderiam seguir xingando e destratando negros. Afinal, a "liberdade de expressão" estaria garantida.
Já pensaram nisso?
A sociedade brasileira precisa discutir seriamente essas questões. Precisa discutir a presença das lideranças religiosas na política, na televisão, nas nossas vidas! E não me refiro apenas ao infeliz outdoor espalhado pela igreja do Malafaia - que até outro dia pedia dinheiro para manter um canal de televisão. Falo, também, do espaço que as questões de fé têm ocupado, por exemplo, na campanha presidencial. Quando um país como o Brasil - com todos os problemas que enfrenta em áreas como Educação, Saúde e Segurança Pública - deixa de lado essas questões para falar de dogmas religiosos, é sinal de que o alerta vermelho deve estar aceso. Aceso nas consciências de todos que queremos um país mais justo, mais ético e, sobretudo, mais correto no tratamento com seus cidadãos. De todos e todas os brasileiros e brasileiras!
Se chegarmos a esse ideal, não tenho dúvidas de que Deus - seja lá como ele for ou que nome tenha - terá a certeza de que estaremos no caminho certo.
O que vocês pensam sobre essa história, turma? Taí um debate que realmente importa. E não importa apenas aos gays e aos cristãos. Creiam: um debate como esse pode dizer muito sobre os rumos do país que iremos construir para nossos filhos e netos.
Comentaê!!!
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