14.11.09

Carta de um carioca para Deus...

Senhor,

Há tempos venho postergando o desejo de lhe enviar essa correspondência. Confesso que nem sei se chegarás a ler estas mal digitadas linhas, mas preciso tentar. Sei que tens mais de 6 bilhões de filhos a lhe amolar com toda sorte de pedidos, e igualmente entendo que, embora grande, sejas apenas um para atender à tamanha demanda. Portanto, em verdade lhe digo, Senhor, compreenderei caso não me possas atender.
Mas, se me permites advogar em causa própria, digo que o que peço não servirá apenas para atender à minha vontade. O que peço alegrará, sim, alguns milhões de irmãos meus. E creio que seja uma solicitação simples, que não vai exigir grandes esforços do Senhor ou de sua equipe...
É o seguinte: se for possível, ó Deus, peça a alguém para auxiliar São Pedro no controle do termostato que regula a temperatura aqui da minha cidade. Talvez São Pedro esteja influenciado pelo estereótipo do verão, pelas imagens que a mídia mostra das praias lotadas nessa época do ano e, com todo o respeito, pelas moças que vão à olra para bronzear suas intimidades e, para isso, tornam público o que, em outras épocas, o Senhor sabe, era comum esconder. Sim, talvez o guardião do clima e da chave dos céus se tenha deixado levar pela beleza dourada dessas novas Evas e, para vê-las cada vez menos cobertas, esteja calibrando o sol com intensidade muito elevada. Se continuar assim, todo o trabalho que o Senhor fez lá atrás, durante quase uma semana, vai por água abaixo! Imagine que absurdo: o Senhor se esforçou tanto para criar climas e paisagens tão diferentes e vem São Pedro, atraído sabe-se lá por quê, e faz tudo virar um enorme deserto! Não pode, Senhor! Aqui em minha cidade não há camelos e, no meio de todo esse caos, certamente se tornará dificílima a tarefa de encontrar um oásis que seja caso o termômetro não seja reconfigurado.
Senhor, o calor anda tamanho que há quem diga ter visto, dia desses, a estátua de seu filho com apenas um dos braços aberto. Com o outro, dizem, o Redentor se abanava arduamente...
Imagine o Senhor que andam até dizendo que, nesse quase-verão, o - com o perdão da má palavra - inferno é aqui!
Será que podes me ajudar, ó Pai?
Aguardo o retorno.
Sua benção,
Um carioca.
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