16.1.07

Corredor

Toda a luz que havia estava lá, dentro da jaula. Jaula-mansão, mas, ainda assim, jaula. Caixa fechada, clarão, com pessoas fazendo as vezes de animais. Gente disposta a se deixar encaixotar, trancafiar. Gente que confia em espelhos, mesmo sabendo que eles revelam - sempre - muito mais do que refletem.
Do lado de cá, breu e espanto. Vê-los ali, como ratos de experiência de laboratório, é algo que não dá pra descrever. E, de repente, você dá de cara com uma bela mulher escovando os dentes. Não há um metro de distância entre vocês. Apenas o vidro. E lá está ela, a pasta, escorrendo pela boca da morena de olhos fascinantes. E lá está a língua, toda branca. E lá está você, de cara pra tudo aquilo.
Na saída, a claridade da vida real faz os olhos arderem um bocado. Vida real. Doida. Breve. Pouco tempo que a gente usa pra pensar em coisas tão esquisitas...
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