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29.8.08

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 21

Peço licença para, desta vez, fazer mais que uma pergunta:
Se a mídia internacional quer tanto, não seria mais sincero estampar nas manchetes que o Obama já é o novo presidente dos EUA?
Por que, meu Deus, tudo nos Estados Unidos cheira a espetáculo?
O que é essa convenção dos Democratas, exibida ao vivo pro mundo todo, direto de um estádio lotado?
Até a Globonews transmitiu, ao vivo, na íntegra, com tradução simultânea. Fiquei com a sensação de que a qualquer momento alguém iria subir ao palco e entregar o Oscar para o Obama. Over and over...
Sabe, fico impressionado com essa incrível (?) capacidade americana de fazer eventos tão grandiosos e, ao mesmo tempo, grandiosamente fakes...
Deve ser muito chato viver num país assim! Mesmo!

18.4.08

Bom exemplo...

Ainda sobre o mesmo assunto do post anterior, acho bacana citar um exemplo de cobertura bem feita do caso da menina Isabella Nardoni: a do "Jornal das Dez", da Globonews. Com matérias bem feitas, sem rame-rame e sem encher lingüiça pra prender a atenção do telespectador, André Trigueiro e Mônica Waldvogel comandam os trabalhos sem afetação, sem escorregar no sensacionalismo e, de quebra, ainda realizam boas entrevistas em estúdio, que ampliam o foco das discussões e levam a história para além do maniqueísmo que impera em (boa) parte da mídia que trata do assunto.
A explicação para o acerto é simples: além, é claro, do talento da equipe; num canal fechado não existe a pressão pela audiência em tempo real e, com isso, não há motivo para nivelar (por baixo) os trabalhos para brigar (e derrubar) a concorrência.
Bom para o assinante que, afinal, paga para ter uma informação mais elaborada.

18.7.07

A TV na cobertura do acidente com o vôo da TAM

Estou chocado, como todos estão nesse dia cinzento e frio depois da tragédia com o vôo da TAM, ontem à noite, em São Paulo.
Acompanhei a cobertura televisiva até a madrugada, dividindo-me entre Bandnews e Globonews. E posso dizer que o trabalho das equipes da emissora de São Paulo foi muito mais ágil. A Band foi a primeira a colocar no ar a entrevista do governador José Serra, que traduziu a dimensão exata do acidente - agora, já sabido por todos, o maior do mundo nos últimos cinco anos.
Na TV Globo - que também assisti - notei um William Waack tentando conter a emoção no Jornal da Globo. Mais cedo, outro William, o Bonner, ancorou o JN sozinho e, a meu veu, se saiu bem num momento em que o calor dos acontecimentos ainda dava o tom da cobertura; já que as informações chegavam desencontradas e as equipes de reportagem não conseguiam se aproximar.
Já na Band, Ricardo Boechat e Joelmir Beting comandaram a transmissão também naquele início de trabalho das equipes de resgate. A dupla do Jornal da Band levou ao telespectador as imagens mais próximas do local do acidente e os primeiros relatos de testemunhas da tragédia. Confesso que, na minha opinião, a transmissão da Band perdeu quando esteve sob o comando de José Luiz Datena.
Muitos questionam o fato de a TV Globo não suspender a sua programação para cobrir apenas o acidente. Algumas emissoras fazem isso. Mas, nesse caso, eu defendo a postura da rede carioca. Transmitir direto do local da tragédia, por vezes, dá a impressão de que a cobertura acaba virando chamariz de Ibope.