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21.1.08

"Por você faria isso mil vezes" *

Escolha do elenco principal, só de afegãos, é um dos principais acertos da versão cinematográfica de "The Kite Runner". Só no Brasil, o livro já vendeu mais de 1 milhão de exemplares

Quando li "O Caçador de Pipas", fiquei impressionado com a sensibilidade do autor, Khaled Hosseini, e dos tipos que ele criou em sua obra de estréia. Fiquei impressionado com a doçura e a dedicação do menino Hassan, sempre capaz de qualquer coisa para agradar seu "patrão", Amir. E com uma sabedoria deliciosamente simples. E lindíssima, como geralmente acontece com as coisas simples.
O best-seller me emocionou bastante, e fiquei ansioso quando soube que uma adaptação seria levada às telas dos cinemas. Hoje, chegou o dia de conferir a leitura do diretor Marc Forster para a obra de Khaled Hosseini. Saí de casa tentando me preparar para uma decepção, sabendo das dificuldades que cercam a transposição - para as telas - de livros bem sucedidos.
Felizmente, não encontrei razão para me decepcionar. Vi - e adorei - o filme, e deixei o cinema mais uma vez sob o impacto da história criada por Hosseini, que nasceu no Afeganistão e, em tempos de notícias de guerra, mostrou ao mundo tantas e tão diversas faces do seu país e de sua gente. Ou melhor, de suas gentes...! Aliás, um dos pontos positivos dessa versão cinematográfica é o rigor com a produção de arte, com a escolha das locações, do elenco e do idioma em que se conta a história - o persa. Sem falar dos diversos momentos em que nos deparamos com os costumes da cultura afegã, sonegados do mundo ocidental desde que Bin Laden passou a ser quase um sinônimo usado para se referir ao país de Amir e Hassan. Costumes como o da bela cerimônia de casamento, que vemos já na segunda metade do longa...
Hassan continua sendo símbolo do que pode haver de mais bonito, mais doce e mais leal. E a escolha do ator que deu vida ao "hazara" foi perfeita! Em alguns momentos, a gente chega a pensar que o personagem do livro foi escrito para o pequeno Ahmad Khan Mahmidzada.
A espinha dorsal da trama está no filme mas, é claro, em alguns pontos é inevitável atribuir vantagem à versão impressa. A atitude de Amir que desencadeia sua separação de Hassan fica muito mais explicada no livro; assim como o horror da invasão soviética ao Afeganistão, que obriga o pai de Amir a levá-lo para o Paquistão. Lacunas que, no entanto, não comprometem a compreensão do espectador e que, muito provavelmente, são percebidas apenas pelos mais aficcionados fãs do livro. Como o blogueiro aqui...
Fica, então, a dica: veja "O Caçador de Pipas". Surpreenda-se com a envolvente história pensada por um afegão que soube levar para o papel as porções de amor e de horror que fazem parte de todos nós!
Recomendadíssimo!

* Frase do personagem Hassan. Dispensa mais explicações, né?

11.12.07

Mais um belo livro de Khaled Hosseini

No post anterior eu falei de banzo de fim de livro mas, felizmente, eu tenho um ótimo livro nas mãos e estou apenas começando. Mas, ansioso que sou, não poderia deixar de dividir a dica com você, fiel leitor do B@belturbo. "A cidade do sol" (A Thousand Splendid Suns), de Khaled Hosseini, é um primor! Delicado como já tinha mostrado no best-seller de estréia, "O caçador de pipas", Khaled agora conta as histórias de duas mulheres que têm seus destinos cruzados.
Fico impressionado com o talento do autor e com o potencial imagético de suas narrativas. Digo isso porque ao ler as páginas da história de Mariam - uma das protagonistas de "A cidade..." - a gente se pega imaginando um Afeganistão tão distante e que, graças à força das palavras escolhidas por Khaled, acaba nos parecendo próximo demais - e até familiar!
Belíssimo livro! E uma ótima dica para os que não sabem o que dar ou o que pedir no tradicional amigo-oculto de final de ano...