6.2.15

Sobre o meu convívio com os velhinhos atletas...

Uma velhice leve: colegas de academia mostram que, sim, é possível...

Venho de uma família grande, cheia de tias e tios avós e lembro bem de sempre ter gostado de conversar com eles, ouvir suas histórias deliciosas, aprender o que achava interessante e, às vezes, aprender como não queria ser. Ou seja: velhinhos sempre me sensibilizaram muito. Talvez até mais que crianças...  
Há duas semanas, mudei de academia e passei a fazer algumas atividades físicas novas. Entre as novidades está uma aula chamada hidro power. À primeira vista, ainda na borda da piscina, fiquei meio cismado. Muitas vovós e alguns vovôs dentro d'água; pulinho pra lá, levanta a perna pra cá, simula uma corridinha acolá. Enfim, parecia um exercício menos puxado do que aqueles aos quais eu estava habituado.
Pois bem! Comecei a primeira aula e, lá pela metade, já estava pra lá de ofegante. Meus companheiros, vovós e vovôs, também pareciam exaustos - embora realizem os movimentos com menor intensidade. Mas notei em todos uma alegria imensa, um prazer inquestionável por estarem ali, fazendo a aula e colocando o corpo em movimento.
Terminei a aula cansado - e seduzido o bastante para repetir a dose: fiz a segunda aula, a a terceira e, no fim da quarta, já no vestiário, notei que um dos meus companheiros de piscina assobiava uma melodia familiar: "As pastorinhas", que ouvi minha vó cantarolar algumas vezes na minha infância... 
No meio da minha chuveirada, dei risada. De início eu achei a situação um tanto quanto inusitada: não esperava terminar a noite com aquele senhorzinho cantando "lindos versos de amor" no vestiário. Mas logo me senti feliz por aquele senhor; feliz por sua alegria e feliz por ver que a velhice pode ser leve, produtiva, saudável e cheia de música. Depois, passado aquele impacto inicial, fiquei pensando na força daquela canção. Resolvi pesquisar um pouco quando chegasse em casa - o fiz e descobri que "As pastorinhas" foi gravada pela primeira vez há quase 81 carnavais! Que potência! O senhor que a cantarolava no chuveiro ao lado, aparentando uns 70 anos, certamente não era nascido na época. Herdou a canção dos pais, talvez. Como eu herdei da minha vó. E como talvez os netos dele também a tenham herdado.   
Terminando meu banho, sorri. Achei graça. Senti saudades.
E decidi: quero ser um velhinho como ele! 
Postar um comentário