17.1.12

Aquele abraço...


Ao contrário do que diz a canção famosa, tudo não continuava lindo. Pelo contrário: tudo estava cinza, amargo, triste. Não havia sorrisos iluminando o lugar e, sim, lágrimas que pendiam daqueles dois rostos. Uma cena estranha, já que sempre foram tão habituados a rir juntos...
Pedidos de desculpas, palavras secas, gargantas unidas por um mesmo nó. Não havia dúvidas: tudo anunciava o fim. Mesmo assim havia cordialidade, carinho, até. Talvez, algum resquício de tudo o que puderam viver antes. Talvez, receio de tornar ainda mais dolorido aquele momento. Talvez, a certeza de, em instantes, tudo viraria apenas memória.
De pé, na penumbra, abraçaram-se. Soluçavam, e o ruído parecia traduzir a agonia daquele amor. Sim, eram aqueles os momentos finais de uma longa história, de idas e vindas, escrita por algum autor que não conseguiu criar um fim melhor que toda aquela mágoa. Poderiam ter dito muita coisa e seria tudo verdade: as saudades que já sentiam, a torcida para que fossem felizes mesmo distantes, as dificuldades para viver com a lacuna que um deixaria na vida do outro, o desejo de que tudo fosse diferente, a esperança de que um dia, quem sabe, as coisas voltassem a ficar bem...
Pensavam e sentiam tudo isso. Mas nada disseram. Afastaram-se e, ato contínuo, puseram-se a secar um o rosto do outro. Havia muito afeto ali e era difícil demais perceber tão entristecidos os olhos que sempre desejaram ver cheios de alegria. Olhos que, por tanto tempo, viveram repletos de amor.
Ligados por esses olhos úmidos, despediram-se sem testemunhas. Era fim de madrugada, hora em que sequer sol e lua têm definidos seus lugares no céu. Momento perfeito para encerrarem uma história que também não tivera plateia.
A luz entrou apenas quando a porta foi aberta. E foi embora quando ela se fechou, levando consigo metade de tudo aquilo. À outra metade coube mergulhar na escuridão, esperando o momento em que o sol voltasse a iluminar seu caminho. 
Por ora, sabia apenas que isso não aconteceria ao amanhecer...
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