5.5.11

Quando é com a nossa mãe...

Desde quando soubemos da necessidade da cirurgia, eu me mantive confiante. Dava força quando você fraquejava, confortava seus medos, explicava o pouco que sabia e não me negava a informar nada - mesmo que o pedido fosse para vermos um vídeo esquisito no Youtube. 
Os dias passaram e chegou o grande dia. E, confesso, acordei diferente. Se é que posso chamar de acordar aquilo que fiz depois de cochilar por duas horas. Sim, acho que só sé acorda depois de dormir. E isso é algo que pouco tenho feito.
Partimos para o hospital e eu procurava pensar em coisas boas; falar de assuntos leves. Não sou de rezar, mas pedi muito que minha vó não deixasse que nada de ruim acontecesse. Sabia que ela estaria do nosso lado o tempo todo.
Entramos no quarto e esperamos até que chegasse a hora. Então, dei um beijo em sua testa e te entreguei naquelas mãos desconhecidas. Você estava gelada, nervosa. Senti um aperto no peito, um nó danado me apertando a garganta. É duro demais esse momento em que mandamos o que há de mais valioso nas nossas vidas para um caminho incerto! Controlei a vontade de chorar e te vi sumir naquele corredor branco. Fechei os olhos e respirei fundo. Tudo tinha que dar certo. Acho que eu devo ter ainda algum crédito com o povo lá de cima, e, se estiver certo, não seria bacana da parte deles que algo errado acontecesse.
Amigos ligaram, mandaram torpedos, mensagens carinhosas no Facebook. E, na companhia deles, passei a hora mais angustiante da minha vida. Até você surgir novamente, sonolenta e inteira, pra que eu pudesse dar um novo beijo em sua testa.
E para que, finalmente, eu pudesse voltar a respirar...

PS.: Aproveito o post pra, mais uma vez, agradecer a todos os que - de um jeito ou de outro - se mostraram presentes. Vocês realmente fizeram a diferença. :)
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