7.10.14

Não sou PT...


A gente vive um período muito curioso. Todos somos rotulados seguindo uma lógica muito cartesiana: se não é isso, é aquilo. Pois bem. Escrevo isso pra dizer que acho curioso que vários amigos me rotulem de "petista". Não sou PT - e digo isso não por achar que seja algo desabonador sê-lo. Apenas não o sou, como não sou vascaíno, não sou casado e nem sou vegetariano.
Não votei num candidato do PT para a assembleia legislativa. Não votei num candidato do PT para a câmara dos deputados. Não votei num candidato petista para o governo do estado e tampouco votei num candidato do PT - ou apoiado por ele - para o senado. Não sou PT e nem acredito nessa lógica em que um partido parece estar acima de tudo.
Acontece que, embora eu não seja PT, também não sou cego e muito menos insensível. Também não sou "desinformado", como os eleitores do PT foram (des)qualificados pelo ex-presidente FHC, em quem, aliás, já votei. Petista vota em tucano?
Pois bem, não sou PT, mas conheço o Brasil que está além dos telejornais e das páginas de revistas e jornais. Conheço um Brasil que a mídia tradicional não cobre e que está longe dos grandes centros. Um Brasil em que os sonhos e as oportunidades estão chegando a lugares que o restante do país só costumava associar à miséria e à fome. Vejo um país que assistiu a uma expansão do ensino superior inédita. Que assegurou - e segurou - trabalho e renda em meio a uma das piores crises internacionais de todos os tempos. Um país que não é mais tutelado pelo FMI. Esse novo Brasil, no qual quem nunca sonhou em sair da própria cidade viaja de avião; em que filho de pedreiro faz mestrado e em que manicures podem ver seus filhos fazendo intercâmbio no exterior; em que há cada vez mais negros nas universidades; esse país, meus amigos, me parece muito mais nosso - de TODOS - do que o país de antes. E, sinto muito, foi num governo petista que tudo isso se tornou possível.
Há problemas? Há. Muitos. E não só aqui: no mundo todo. Mas ainda acho os avanços muito mais consistentes. E, por eles e diante deles, vesti vermelho e votei com gosto ontem para manter Dilma na presidência. Para que mais brasileiros e brasileiras possam ter mais oportunidades. E para que assim, no futuro, ninguém possa usar a classe social como justificativa para tentar desmerecer a escolha democrática de cada um de nós.
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