15.7.14

Memórias de uma Copa inesquecível...



Nos últimos 30 dias, cheguei ao cúmulo de me surpreender buscando alguma emoção em Irã e Nigéria - sem encontrá-la, claro! Disse "adíos"aos campeões da Espanha na primeira fase; sequei as pimenteiras da Itália e da França, vibrei com o progresso da seleção dos Estados Unidos e me diverti com a alegria contagiante da torcida do Chile - até o jogo em que eles enfrentaram o Brasil e promoveram um teste gratuito de 200 milhões de corações pentacampeões. Foi um mês de múltiplas descobertas, em que percebi, por exemplo, que Argélia e Costa Rica têm seleções com uma raça que a gente se acostumou a ver na turma que consagrou a amarelinha...
Por falar na seleção canarinho, fui torcendo, aos trancos e barrancos, empolgado pelos passos vacilantes que nossa equipe dava nos campos. No começo, disseram que restavam sete degraus. Chorei com o hino cantado por aquelas torcidas anêmicas - no tom da pele e no comportamento. Seis degraus. Vibrei com os pênaltis agarrados por Júlio César e também me emocionei quando ele, depois do jogo que valeu por um check-up completo, deu uma entrevista em que pareceu, enfim, respirar livre das culpas carregadas desde a África do Sul. Cinco degraus. Procurei Fred em campo, torci por um gol dele, mas jamais consegui avistá-lo. Quatro degraus restantes. Fui contagiado pela cara de guerreiro medieval do David Luiz, que entrava em campo como os gladiadores que precisavam matar leões no Coliseu. Três degraus. Xinguei juiz ladrão, fiz figa contra o time adversário. Faltavam só dois degraus. Sofri com a fratura do Neymar e, no dia em que aconteceu o inimaginável, morri de rir! Degraus? O Brasil se estabacou escada abaixo, num tombo histórico pra videocassetada nenhuma botar defeito! Metralhada, nossa seleção virou piada. Aliás, virou um Zorra Total inteiro, só que engraçado! Uma edição antológica, cheia de anedotas inspiradíssimas que chegavam sem parar pelo whatsapp e pelas redes sociais. Vi de um tudo! Ri como nunca! É, a #copadascopas teve o #micodosmicos...
Restou secar a Argentina na final. E vibrar como se tivesse nascido em Berlim com o gol tardio da Alemanha. Torci pro Galvão gritar "é tetra", tranquilo por saber que, nessa história - apesar da goleada imposta pela seleção vencedora - ainda somos os maiores campeões...
Pra mim, sem dúvida, foi uma copa inesquecível! Deixou muitas lembranças deliciosas, de reuniões muito divertidas com amigos, de farra nas areias de Copacabana, das interações com visitantes das Filipinas, do Chile, da Argentina, do Irã, da Alemanha...! Uma gente que abria um sorriso típico de quem se sente em casa. Uma gente surpreendida com a beleza do nosso país e do nosso povo. Povo plural, que viu sua diversidade reconhecida na "dança pataxó" da seleção alemã, em pleno gramado do Maracanã. E, como não acredito em coincidências, vale lembrar que Maracanã é uma palavra de origem... indígena! 
Eu acho que o Brasil ficou muito bem nessa foto! E o mundo reconheceu a nossa alegria como a maior riqueza que temos. Que possamos aproveitar todo esse potencial para fazermos um país melhor a cada dia, agora que a vida vai voltando ao normal. 
Já sinto saudades da Copa!
Já espero pelas Olimpíadas de 2016! 
E aposto que a gente bota pra quebrar de novo!!!


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