19.6.13

Manifesto meu sobre o #vemprarua

1. Sou Dilma, já disse aqui antes. Portanto, acho que as vaias à presidenta em nada nos engrandeceram como nação. Quem estava no estádio - e pagou caro para estar lá - embora tenha todo o direito de se expressar, não traduz os anseios da maioria. E, além das questões ideológicas, acho que as vaias sempre são uma demonstração de covardia e falta de educação;

2. Votei em Eduardo Paes. Acho que a cidade experimentou avanços interessantes, investimentos relevantes em áreas como a saúde (clínicas da família) e a conservação (asfalto liso) em seu primeiro mandato. Porém, acho que o fato de ter votado no prefeito não tira de mim o direito de cobrar para que sua administração avance em outras áreas. Pelo contrário: eu me sinto ainda mais forte para fiscalizar, criticar e exigir para o Rio as melhorias que a cidade merece. E não para mim apenas, para todos os cariocas;

3. Sou favorável às manifestações populares. Creio que elas trazem vigor para a nossa democracia e seduzem jovens a discutirem política. Não a política partidária, que já deixou de nos representar há tempos, mas a política cotidiana, que nos toca diretamente no dia a dia;

4. Sou e serei sempre contrário a qualquer forma de violência e vandalismo. Mas entendo que esses são ônus envolvidos em circunstâncias como essa em qualquer parte do mundo. O que nos cabe é condenar, coibir e reforçar que esses atos criminosos não traduzem as convicções e os desejos da maioria;

5. Sou um democrata. Por isso, fico particularmente incomodado ao ler nas redes sociais mensagens de pessoas que culpabilizam os manifestantes por suas escolhas políticas. Também acho pobres os argumentos de quem diz que o Brasil "é uma merda" e sinto nojo ao ver vídeos como o que via dia desses, de um cara, nos Estados Unidos, dirigindo um carro e lamentando o fato de precisar voltar ao Brasil. Brasileiro de quinta, ele critica o fato de o povo só gostar de carnaval. Deve estar com a língua enfiada no rabo depois de ver o que tem acontecido nos últimos dias;

6. Sou jornalista e amo a minha profissão. Nos últimos dias tenho estado elétrico, acompanhando o desenrolar dos fatos o tempo todo, buscando entender melhor o que está nos dizendo o tal gigante desperto. E é como jornalista que alerto: os meios de comunicação terão, sempre, interesses. Terão seus conteúdos perpassados por suas ideologias, banhados por seus acordos comerciais e/ou institucionais. Todos os meios são assim; não apenas esta ou aquela emissora de TV, este ou aquele jornal. Por isso as redes sociais têm contribuído tanto para dar vazão à pluralidade de vozes, relatos, sons e imagens que chegam dos quatro cantos do país. Os tempos são outros, não há uma única lente a nos mostrar como a realidade é ou deveria ser. Nós somos autores dessa história. Protagonista da maior superprodução da história recente do Brasil. E se não lideramos a audiência na TV, somos trending topic nas redes sociais. Who care?

7. Tenho medo de boatos. E se as redes sociais oferecem diversas perspectivas do que tem acontecido no Brasil, também podem colaborar muito para propagar mentiras. Cuidado com o que compartilham! Não houve rádio retirada do ar e muito menos pode passar pela cabeça da presidenta a loucura de retirar do ar a internet. Ah! O juiz que queria deixar o Facebook inoperante teve essa ideia há quase um ano! É preciso ter critério para ler e interpretar o que os posts nos trazem;

8. Não participo de campanha de dia sem TV Globo ou sem qualquer outra rede. Acho uma bobagem! Respeito os profissionais que trabalham lá - alguns, amigos queridos - e acho que, embora haja equívocos na cobertura, tem havido, também, um interesse em corrigir o rumo da prosa. E se ainda há pontos questionáveis - e sei que os há - prefiro assistir para poder me posicionar;

9. Não concordo com os que condenam a realização da Copa e das Olimpíadas! Em absoluto! São eventos que podem trazer dividendos e prestígio para o país. Acho que todos devíamos questionar os fatores que contribuem para que os custos se desviem tanto dos orçamentos iniciais. E aí, meus caros, não falaremos apenas de obras de estádios. Infelizmente! O mal vai muito além das tais "arenas" da FIFA. E talvez venha desde antes da primeira copa brazuca, realizada em 1950;

10. Por fim: a luta por um Brasil melhor não me opõe à seleção brasileira. Sigo torcendo, achando que Neymar fez pouco ou quase nada com a amarelinha. E sigo sem grandes esperanças com o grupo. Confesso: no momento, tenho mais esperança na promessa de um país melhor que essas manifestações anunciam.
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