23.4.10

Eu vi: Kiko, do Chaves, no palco do Programa do Ratinho...

Ator mexicano esteve no palco do programa caracterizado como o personagem que lhe rendeu projeção internacional...
Vi há pouco o humorista Carlos Villagrán, intérprete do Kiki, no palco do Programa do Ratinho. Aos 66 anos, o ator mexicano fazia todas as caras, bocas e trejeitos do personagem que marcou minha infância. De tempos em tempos, Ratinho exibia VTs com as tradicionais imagens desbotadas do Chaves, um clássico que já caminha para a marca de três décadas ininterruptas na telinha do SBT.
Confesso nem ter prestado muita atenção ao programa. Mas fiquei ali, diante da TV, pensando em como o tempo passa rápido. Reconhecendo imagens de episódios que - de uma forma que eu nem imaginava - ainda permanecem vivos na minha memória. E lamentando o fato de deixarmos de ser crianças tão rapidamente...

22.4.10

Vingança de Figurinista - parte 12

Na verdade, esse post devia integrar uma categoria especial dentro dessa série sobre os desatinos dos figurinistas. Porque, olhando para a imagem abaixo, não dá pra não se questionar sobre o que motivou o oculista de Jô Soares a convencê-lo a usar óculos, digamos, tão...verdes!!!

Ou não???

19.4.10

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 42

Recentemente, Ricky Martin assumiu publicamente sua homossexualidade. E, desde então, a mídia tem dado espaço a uma infinidade de tipos que afirmam terem vivido tórridos romances com o ex-Menudo. Até aí tudo bem: os famosos são vítimas desse tipo de exposição desde que o mundo é mundo.
Maaaas, como tudo o que é ruim sempre pode piorar, hoje a coluna Retratos da Vida, do Extra, publicou uma reportagem - repleta de fotos - sobre um suposto caso que uniu Ricky e um ritmista da bateria da Portela, há mais ou menos 10 anos.
Até aí, morreu Neves. E não, não me refiro a uma fã do astro latino que tenha esse sobrenome. O detalhe sórdido é o sujeito, além de expor a intimidade de uma personalidade pública dessa forma, a troco de nada, ainda  revelar, lá pelas tantas, que até hoje liga de vez em quando para o celular de Ricky Martin. A cobrar!!!
Uêpa!!!
A julgar pelas revelações da reportagem, Ricky Martin escolheu seu parceiro brasileiro a dedo. Podre, claro...

Bethânia e a Balada de Gisberta...

Música boa para começar uma boa semana...
E vamo que vamo!!!

16.4.10

Polêmica: Rio veta "pulseiras do sexo" nas escolas...

Além das pulseiras coloridas, decisão também veta o uso de bonés e de telefones celulares
Li na coluna de ontem do amigo @fernandomolica, Informe do Dia, sobre a decisão da Secretaria Municipal de Educação do Rio de proibir o uso das chamadas "pulseiras do sexo" nas escolas públicas da cidade. O motivo alegado é a sucessão de episódios violentos que, de uma forma ou de outra, aparecem associados ao uso do acessório. Na maior parte dos casos, meninas são violentadas em decorrência de um "jogo" envolvendo as tais pulseiras...
Não duvido da boa vontade dos responsáveis pela medida. E sou a favor de tudo o que pode ser feito para proteger crianças e adolescentes de qualquer tipo de violência. Mas me questiono sobre a eficácia da decisão. Primeiro, por um motivo simples: crianças e jovens podem deixar de usar a pulseira na escola. Mas SÓ na escola. E fora dos muros escolares? Tudo pode acontecer?
Também me pergunto sobre a pertinência de uma proibição. Ela é mesmo adequada? E será que, em alguma medida, esse veto ao uso das pulseiras pode acabar contribuindo para jogar ainda mais luz sobre o polêmico acessório? Sim, estou pensando no velho clichê de que "tudo o que é proibido é mais gostoso".
Não tenho as respostas. Mas creio que as escolas poderiam se unir em torno de discussões sobre essa temática. Sexualidade ainda é um tabu muito forte entre professores, gestores escolares e demais funcionários do corpo escolar. Os pais, por sua vez, também não se mostram - de modo geral - muito simpáticos quando o assunto aparece inserido à prática pedagógica. E, assim, opta-se por um silêncio. Joga-se um manto de invisibilidade sobre algo que desperta a curiosidade de crianças e jovens, como se não houvesse outras fontes nas quais eles pudessem buscar informações. E poucos são os que parecem interessados em discutir a qualidade dessas informações que chegam aos alunos. No geral, falta mediação.
Ao deixar de falar de sexo, a escola - impulsionada pela família - acaba deixando crianças e jovens entregues à própria sorte. E todos acabam vítimas de um jogo de azar que vai muito além das pulseirinhas da discórdia...

Da série: "Versos & versões..." 7

Antes de mais nada, devo assumir aqui uma dívida eterna com o Calcinha Preta. Afinal, meus caros, não fosse o incansável esforço desse grupo em produzir pérolas como essa, convenhamos, essa série de posts perderia parte considerável de sua graça.
Portanto, aumentem o som e curtam "Paparazzi" segundo o Calcinha Preta:
"Eu sou sua maaaaior fã, eu quero só uma foooooto"
Bom demais, não é?
Não, eu sei. Era retórica...

14.4.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 85

Hoje, depois de suar a camisa na academia, peguei meu carro no estacionamento e, antes de dar a partida, liguei pra minha operadora de telefonia celular. Tinha algumas dúvidas para esclarecer. Completada a ligação, botei o telefone no viva-voz, ganhei as ruas da Lapa e zarpei pra casa.
O primeiro contato com a Vivo é a voz de um homem, gravada, saudando o cliente. Gentil, ele pede que, ao fim da ligação, uma nota seja atribuída ao atendimento prestado, à fim de "aprimorar" os "serviços" da companhia.
Depois do homem, uma música. Repetida à exaustão, duas, três, cinco, sete, infinitas vezes. Uma música irritante que, suponho, só tem razão de ser se seu objetivo for irritar o cliente e fazê-lo desistir do contato. Afinal, sabemos, ninguém liga para empresas prestadoras de serviço para dizer que tudo está correndo às mil maravilhas; quem liga, liga porque tem problemas. Quer se queixar...
Quer, mas nem sempre consegue...
Mas sou paciente. Quer dizer, eu me esforço para ser paciente. E, vejam vocês, depois de 20 minutos ouvindo música, eu fui atendido. Lembram que tinha feito a ligação enquanto deixava a Lapa? Pois bem, caros leitores, só fui atendido quando já estava em Irajá! Pra quem não conhece o Rio de Janeiro, eis a imagem:
O ponto A sinaliza a localização do bairro da Lapa, no Centro da cidade. B indica a posição de Irajá, na Zona Norte. Em azul, o trajeto percorrido entre os dois pontos, enquanto a Vivo deixava sua musiquinha tocar...
Percorridos quase 28km desde o início da ligação, vejam vocês que a atendente que passou a conversar comigo, já diante da minha primeira pergunta, fez o pedido mais indecente que pode ser feito a um sujeito na minha situação. Insensível como ela só, pediu que eu "aguardasse um instantinho". Passados três minutos de musiquinha - A MESMA INSUPORTÁVEL MUSIQUINHA!!! - deixei minha paciência de lado e desliguei. Desisti de reclamar. Fiquei me sentindo um babaca, mas, cansado depois de um dia cheio de atividades, precisava me manter acordado ao volante. E a sinfonia da Vivo, além de irritar, só faz ter vontade de dormir...
Talvez agora você esteja se perguntando: "mas, afinal, cadê a pergunta que não quer calar???!!!"
Pois então...eu guardei a indagação pro fim. Pensem comigo: se a Vivo pede que seus clientes avaliem a qualidade dos atendimentos prestados por telefone com o objetivo de "melhorar seus serviços" e, ainda assim, atende tão mal e porcamente os consumidores que a sustentam, fica a pergunta: será que as notas dadas têm sido tão altas à ponto de nada precisar ser melhorado? Ou será que a "melhoria" é oferecer uma trilha sonora para sufocar os consumidores reclamões?
Fala sério, hein!

Sobre a tragédia das chuvas no Rio, a responsabilidade dos jornalistas e o Profissão Repórter...

Dia desses, Renata Ceribelli escreveu sem seu Twitter que a imprensa tem uma parcela de culpa em tragédias como a do Morro do Bumba. Retuitei a mensagem de Renata por concordar com ela. Vendo as dimensões dessa tragédia anunciada - que sequer são totalmente conhecidas até o momento - eu me pergunto como uma bomba relógio como aquela permaneceu armada, sem que ninguém ouvisse seu ameaçador "tic-tac". Sem que a imprensa percebesse o pavor da história de vida daquelas centenas de pessoas vivendo sobre um lixão.
E fico me perguntando o porquê de tamanho absurdo não ter sido notado. Talvez porque estejamos todos - inclusive a minha classe, a dos jornalistas - insensíveis ao fato de que os pobres, nas periferias das grandes cidades, serem tratados como lixo. E se assim são vistos, passa a ser natural que habitem sobre um lixão.
Talvez as condições de vida no Morro do Bumba jamais tenham sido denunciadas porque a imprensa anda elitista demais, porque as redações estejam repletas de coleguinhas habituados ao mundinho Zona Sul, que sequer sabem as cores e os cheiros da cidade que há depois do túnel.
Talvez aquela triste realidade jamais tenha encontrado o merecido espaço em sites, jornais, revistas e programas de rádio ou TV porque estamos, todos - jornalistas ou não - cada vez mais focados em nossos umbigos...
Uma pena....
Hoje, no fim do Profissão Repórter, Caco Barcellos foi abordado por um morador de uma das comunidades atingidas pelo rastro de destruição e morte deixado pelos temporais da semana passada. Sofrido, o homem pedia "um favor": que Caco voltasse ao local dentro de seis meses, para ver como aquela comunidade estará vivendo. Experiente, o repórter respondeu: "Não é um favor, é nossa obrigação". Concordo com Caco. É mesmo obrigação de todos nós estar em comunidades como aquela; denunciar situações como aquela. E, sobretudo, alertar para que tragédias daquelas proporções jamais se repitam.
No Morro do Bumba, falhamos todos...

11.4.10

Silvio Santos e a carroceria de Ângela Bismarchi...

O Homem do Baú soube no palco da quantidade de procedimentos estéticos que a loira já fez...
Um post reunindo duas daquelas personalidades adoradas aqui no B@belturbo. Sim, meus caros, unidos a nomes como Michael Jackson e Ana Maria Braga, o dono do SBT e Ângela Bismarchi estão no Hall da Fama do blog. E muito me orgulho, inclusive, de ter recebido um autógrafo da loira plastificada, como já contei aqui.
Hoje, Silvio Santos e Ângela Bismarchi surgiram juntos na televisão. Fui avisado do encontro por minha mãe, fiel telespectadora dos programas do Homem do Baú. E logo pude imaginar que a coisa ia render.
Mas foi minha mãe a testemunha de uma daquelas pérolas que a gente adora. Dono de um senso de humor que a cada domingo demonstra desconhecer limites, Silvio fez rir ao ser avisado por um dos assistentes de que Ângela já passou por 43 intervenções estéticas - entre cirurgias plásticas e outros procedimentos mais simples. Surpreso com os, digamos, números da loira, Silvio Santos se saiu com o seguinte desabafo:
- Então você está no programa errado! Devia ir ao Lata Velha, do Luciano Huck, pra acabar de reformar a carroceria!
Pode-se dizer tudo, menos que não faça sentido...

Quem tem medo da vacina contra a Gripe A?

Li em Época que o Ministério da Saúde está preocupado com a baixa adesão popular à campanha de vacinação contra a Influenza H1N1. Até esse fim de semana, foram imunizados apenas pouco mais de 22% do total do público esperado pelos organizadores da campanha.
Tomei a vacina na segunda-feira passada e não tive nenhuma complicação. Há uma certa indisposição, mas algo muito leve, que não me impediu de executar minhas tarefas diárias. O que me espanta é o número de pessoas que se mostram reticentes ou mesmo contrárias à vacinação.
Já ouvi alguns dos boatos mais escabrosos, já ouvi histórias de médicos que estão advertindo seus pacientes para que não tomem a vacina. E, enquanto isso, os índices de contágio voltam a crescer aqui no Brasil, como comprova o trecho da matéria de Época que reproduzo abaixo:
"O número de casos confirmados de gripe suína no país chega a 361 neste ano, com 50 mortes. As mulheres são as principais vítimas da doença: 38 óbitos, sendo 32% de gestantes. O boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, com dados até o dia 3 de abril, mostra que a maior parte dos casos está concentrada na região Norte, com 56,2% das infecções. Dos pacientes graves internados, 20% são gestantes."
Portanto, se você ouviu boatos sobre a vacina, esqueça-os. Concentre-se nos fatos. E lembre-se de que, no ano passado, muita gente morreu em decorrência dessa gripe.
Vacine-se!

10.4.10

Sobre a tragédia no Morro do Bumba...

Jorge Roberto da Silveira: incredulidade
na própria negligência?
A expressão do prefeito de Niterói nas entrevistas concedidas depois do desastre no Morro do Bumba é a mais perfeita tradução da incredulidade. Jorge Roberto da Silveira parece não crer na dimensão do próprio erro. Parece não crer que sua omissão pode ter ocasionado a morte de centenas de pessoas. Parece não crer que teve todas as condições para dar dignidade àquelas tantas pessoas e, mesmo assim, não o fez.
Agora, apático, não tem respostas a dar. E, ainda que as tivesse, não faria diferença. Ainda mais depois de assumir ter feitos "melhorias" no Morro do Bumba. Ainda mais depois que uma moradora afirmou à imprensa que os moradores da comunidade pagavam IPTU à administração municipal. Pagavam para morar sobre uma montanha de lixo. Pagavam para o prefeito não dar assistência à comunidade.
Pagaram com a própria vida por uma série de equívocos típicos de quem só se interessa em pisar o chão de comunidades como aquela quando o objetivo é caçar votos.
Fiquei muito triste com tudo o que vi sobre essa tragédia. E hoje, em particular, fiquei muito tocado ao saber que o amigo de uma amiga teve a casa destruída no desmoronamento do Morro do Bumba. A casa não ficava na comunidade, mas foi atingida pela avalanche de terra, lixo e pedra, que arrasou tudo o que encontrou pela frente. Uma tia dele está entre as desaparecidas.
O pingo de esperança veio à tarde: o cachorro de estimação da família foi resgatado, vivo, dos escombros. Torço muito para que essa seja apenas a primeira boa notícia...

9.4.10

SBT põe no ar um mico: Ratinho entrevistando Guilherme de Pádua

Ao contrário do que dizia a tarja colocada no ar pela produção do Programa do Ratinho, Guilherme de Pádua não contou nada...
Antes de mais nada, preciso dizer que não vejo problemas na entrevista. Não seria a primeira e nem a última vez em que um condenado por um crime bárbaro seria entrevistado por uma grande emissora de televisão. E Ratinho lembrou disso, ao citar entrevistas dos canais concorrentes com o Maníaco do Parque, por exemplo. Guilherme de Pádua, julgado, condenado e livre depois de cumprir a pena que lhe foi imposta, portanto, seria apenas mais um.
Questionar a duração do tempo que ele e sua ex-mulher passaram na cadeia é outra coisa...
Mas o que se viu foi um mico. Gigante! Quase um King-Kong! E para os dois! Para Ratinho, o mico se explica porque ele não parecia preparado para entrevistar Guilherme. Habilidoso, o ex-ator disse apenas o que quis. E foram poucos os instantes em que parecia que apresentador e entrevistado estavam falando sobre o mesmo tema, tal o descompasso entre o que Ratinho indagava e o convidado respondia.
Para Guilherme - que justificou a falta de novidades em seu discurso com o medo de ser processado - a entrevista também foi um grande mico. Se ele se diz feliz, se está satisfeito com a vida que leva, se já cumpriu sua pena e, acima de tudo, se sentia medo de contar a "sua versão do crime", que diabos foi fazer na televisão? Mordido pela mosca da vaidade, se expôs de uma forma desnecessária. E ainda ouviu do apresentador, irritado com a modorrenta "entrevista": "Se eu fosse a Glória (Perez), também não perdoava você!".
Um capítulo deprimente na história da televisão brasileira...
Sei não...mas tem pinta de forte concorrente ao Mico do Ano, hein?

PS.: Antes que alguém me critique por "ver" o Ratinho, explico: vi a entrevista online, no YouTube, horas depois de ter sido exibida. E acredito que os profissionais de televisão devem, sim, tomar conhecimento do que se está fazendo por aí. Daí a gostar do que se assiste em ocasiões como essa, são outros quinhentos...

PS2.: Ao contrário do que costumo fazer, optei por não publicar os links para a entrevista. E apenas por um motivo: é ruim demais!

7.4.10

Chuvas no Rio: desabafo de um carioca...

Pai carrega o corpo do filho, uma das vítimas fatais da tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro
Desde terça pela manhã, quando cheguei em casa depois de passar a noite da tempestade na TV, acompanho as notícias sobre a calamidade que se abateu sobre o Rio. Dormi pouco, agitado com tudo o que tinha visto pelo caminho; um rastro de desgraça espalhado pelos quatro cantos da cidade.
Até o momento, são 138 mortos. Número que pode aumentar substancialmente, visto que ainda há muitos desaparecidos e que, há pouco, mais um grande deslizamento de terras atingiu casas em um morro, em Niterói. As primeiras informações colocam ao menos 60 pessoas soterradas.
Toda essa tragédia me deixou muito triste. Lembro especialmente de um motoboy que escapou do desabamento da própria casa por um buraco, mas sem conseguir salvar a mulher e o filho. Lembro da mãe que perdeu os dois filhos. Da mãe que foi resgatada e viu que o filho, deficiente, não teve a mesma sorte. Lembro da história da criança de 8 anos que, prestes a ser resgatada pelos bombeiros, foi coberta por mais escombros, frutos de um novo desabamento. Foi encontrada no dia seguinte, sem vida. Sem falar na expressão de dor do pai que escolhi para publicar sobre esse post. Carregando no colo, pela última vez, o filho...
Vejo toda essa dor e me sinto impotente. Pequeno demais diante de tamanha tragédia. E sinto, meus amigos, muita revolta. Não de Sérgio Cabral, Eduardo Paes ou Lula. Sinto revolta contra toda a sucessão de culpados, que, há décadas, viraram as costas enquanto todo esse cenário assombroso que estamos vendo hoje começou a se desenhar nas encostas dos morros. São esses os culpados pelo caos e pela dor que tantos cidadãos cariocas e fluminenses estão amargando.
E antes que alguém me acuse de defender Lula, Cabral e Eduardo Paes por eventual afinidade política ou eleitoral, advirto: para os três, tomar qualquer atitude diante de um cenário construído ao longo de décadas de permissividade com o uso da terra é muito mais difícil. Como todo problema, esse deveria ter sido atacado na raiz. Mas não foi o que os responsáveis, à época, optaram por fazer. Afinal, uma atitude firme e não-popular não rende votos...
Nessa hora, todos somem. Mas ontem, um desses senhores teve a pachorra de surgir no Twitter para dizer que o volume de chuvas não "justifica" o caos carioca. Fui obrigado a respondê-lo que, talvez não justifique. E que, talvez, tenha faltado dinheiro. E que, ainda talvez, esse dinheiro tenha sido gasto por ele numa obra faraônica chamada Cidade da Música.
Fosse esse um país sério, gente desse tipo estaria banida da vida pública. Afinal, sobre a tal Cidade da Música, que ele inaugurou sem sequer estar pronta - como ainda não está - pairam grandes suspeitas de irregularidades.
Fosse esse um país sério - e fosse nossa gente consciente de suas responsabilidades - gente dessa laia jamais seria eleita em qualquer tipo de pleito. Pelo simples fato de carregar, na testa, o rótulo de co-responsável por uma tragédia de tamanhas proporções em nossa tão amada Cidade Maravilhosa...

Da série: "agora a coisa vai!!!" 15

Hoje cedo, no Mais Você, Ana Maria Braga comentava os estragos da chuva no Rio de Janeiro. E, num momento de plena inspiração poética, a Loira observou as águas que corriam do lado de fora de sua casa de vidro e cravou a seguinte pérola:
- A água é mesmo um bicho lindo!!!
Uma bela frase pra começar o dia, não?
Mas...água? Bicho???!!!
Melhor não discutir. Afinal, pra quem não sabe, lá vai a bomba: Ana Maria Braga é bióloga!
 
PS.: A antológica frase da apresentadora - e o contexto em que ela foi dita - chegaram à mim via MSN. Roberto, valeu pela dica! :)

6.4.10

Os barracos das nossas estrelas - Netinho x Dr. Marcelo...

O cantor baiano Netinho concedeu uma entrevista à última edição do Fantástico. O objetivo da matéria era repercutir o fato de outro cantor, Ricky Martin, ter assumido sua homossexualidade na semana passada. E a partir daí, estabelecer um paralelo com a sexualidade de Netinho, que já declarou ter vivido relações com pessoas do mesmo sexo.
A matéria foi ao ar. Netinho falou pouco na edição. E criticou, em seu Twitter, o que viu no ar:
Além de se queixar no microblog, Netinho publicou um texto sobre o assunto em seu blog pessoal, e difundiu o link entre seus seguidores. E como os pios emitidos no Twitter ecoam, o comentário do cantor baiano caiu na timeline de Marcelo Arantes, que ficou conhecido como Dr. Marcelo, numa das edições do Big Brother Brasil. E Marcelo, que é Psicólogo, mostrou também ser doutor em deboche:

O comentário do ex-BBB desagradou o cantor, que fez uso da réplica:
Foi a deixa para que Marcelo Arantes seguisse em frente:
Marcelo encerrou a série de tweets com uma típica cyber-gargalhada. E Netinho não voltou a discutir com o ex-BBB.
E você, o que acha dessa história:

a) Netinho tem razão, a matéria foi mesmo uma bobagem;
b) Dr. Marcelo tem razão, Netinho pirou na batatinha ao reclamar da matéria;
c) Ninguém tem razão. E nem o blogueiro, que colocou os dois numa série de posts que enumera barracos vividos por ESTRELAS.

Comentaê!!!

Inusitadas companhias numa noite de cativeiro na TV...

Estávamos eu e Thiago Lage na ilha, editando reportagens do Salto nessa madrugada chuvosa quando, de repente, avisto um animal cruzando os corredores da TV Brasil, bem perto da redação do jornalismo. E não se tratava de nenhum foca - apelido dado aos repórteres novatos na profissão. Saquei o celular, segui o bichano e fiz a foto:
Esses olhos brilhantes são efeito do flash. Apesar da vibe maligna, o bichinho era simpático...
Morri de rir da companhia inusitada nessa noite de infortúnio. Segui o felino e, no meio da redação, avistei outros dois gatunos. Miando sem parar, coitados. Solidário, larguei-os pra lá: afinal, eles são tão vítimas do fenômeno de oceanização da Lapa quanto eu...

Chuva deixa o Rio submerso...

Cena carioca: cidadãos diante do caos em mais um dia de chuva forte no Rio de Janeiro...
Passa das três da manhã dessa terça-feira. E continuo na TV. E não é o fato de estar na ilha de edição que faz de mim, nessa madrugada, um cidadão ilhado: fui mais uma das milhares de vítimas do temporal que castigou a Cidade Maravilhosa nessa segunda-feira, em pleno horário do rush.
A chuva foi tão intensa que fiquei preso com colegas de trabalho no café em frente à emissora. Quase uma hora se passou até que pudéssemos atravessar a rua e voltar ao trabalho. Era o começo da noite. E aquela foi apenas a primeira pancada de chuva a cair sobre a cidade.
O dilúvio foi tão intenso sobre a Lapa que eu e dezenas de companheiros permanecemos presos na sede da TV Brasil por toda a noite. E, ao que parece, assim será por toda a madrugada. Neste momento, a Avenida Gomes Freire é a imagem de um rio: sacos de lixo boiando, correnteza, água suja. E nem sinal de que o sistema de esgoto será capaz de escoar esse aguaceiro tão cedo. Pelas demais localidades da cidade, o trânsito segue interrompido, pessoas abandonam seus carros, veículos são arrastados pela correnteza, bombeiros fazem resgates marítimos em vias públicas e encostas desmoronam. Infelizmente, já há mortes confirmadas depois do temporal.
O que dizer diante desse caos? Apenas que, uma vez mais, os governantes deviam se envergonhar de suas obras faraônicas que estão longe de servir aos cidadãos. Será que o cenário seria o mesmo se o dinheiro da Cidade da Música tivesse sido empregado na reforma do sistema de esgotos do Centro? Será que estaríamos novamente reféns das águas se a atual prefeitura trabalhasse para resolver esse problema em vez de tentar criar um parque para pedestres numa das principais vias do Centro da cidade, a Rio Branco? Será que nenhum gestor pensa em resolver esse problema que se repete há tantas e tantas chuvas na Lapa, na Praça da Bandeira, na Tijuca, na Lagoa...nos quatro cantos da cidade?
Três perguntas e uma só resposta: não!
A justificativa? Ao que parece, nossos homens públicos confirmam a teoria de que obras de saneamento não são prioritárias. Afinal, canos e tubulações passam sob a terra, ninguém vê. E, assim, fica difícil contabilizar votos por tais "invisíveis" realizações...
Uma vergonha!!!

4.4.10

Sobre as séries do B@belturbo...

Nesses quase cinco anos, algumas linhas temáticas de posts se tornaram tão recorrentes aqui no B@belturbo que acabaram por dar origem a séries do blog. Hoje, contando, vi que são sete oito:
- Crise de Riso?
- Os barracos das nossas estrelas
- Vingaça de Figurinista
- Mico do Ano
- A pergunta que não quer calar
- A luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá
- Versos & Versões
- Agora a coisa vai
Ok, novidade nenhuma até aqui. Mas a boa nova é que, a partir de agora, todas as séries têm links específicos, listados no menu do blog, ali do lado direito. Cada uma com sua própria logomarca e com uma breve descrição do conteúdo. Um jeito fácil de organizar essa bagunça e de ajudar aos que, eventualmente, tiverem vontade de ler de novo.
E nem precisa dizer que suas sugestões são sempre bem-vindas, né? Nos comentários ou na HotLine.
E vamo que vamo!!!

UPDATE: No post original, tinha esquecido, vejam vocês, da série mais acessada no blog: Os barracos das nossas estrelas. A falha já foi reparada e o respectivo ícone devidamente acrescentado ao menu.

Olhar caribenho...

Os pés apressados levantam poeira da terra seca. Chão batido, seco. Árido como o coração daquele corredor desesperado. Ansioso para ver novamente aqueles olhos caribenhos, pintados com o mais puro verde que pode haver.
E por que corre o rapaz?
Corre para mergulhar de novo naquele amor, para encher daquele perfume os pulmões, para tocar aquelas mãos macias e provar uma vez mais o gosto daquela boca; mistura perfeita de inocência e devassidão. Boca-convite ao mais puro dos beijos e aos mais insólitos delírios de prazer.
Corre desembestado, qual boiada solta no pasto verde sem comando. Corre desesperado, na ânsia de deixar para trás, imerso na poeira, um passado de solidão e angústia.
Corre para um amor que nem sabe ao certo onde está. Mas segue na corrida pensando que, se possível fosse escolher, seria bom demais viver mais um amor em que pudesse mergulhar num olhar translúcido, sincero, puro e belo. Como aquele olhar de tons caribenhos...

3.4.10

Sobre Chico Xavier - O filme...

Filme que conta a vida do maior médium brasileiro de todos os tempos promete se tornar um campeão de bilheteria...
Conferi o novo longa de Daniel Filho na noite de ontem, dia de estreia da produção nos cinemas de todo o país. E pelo que vi - dentro e fora da sala de exibição - vem aí mais um grande sucesso para a griffe do diretor que está envolvido com algumas das maiores bilheteriais de filmes nacionais desde a chamada retomada do cinema. As salas abarrotadas, os ingressos esgotados com três horas de antecedência e muita, muita procura por tudo o que está relacionado ao filme demonstram que Daniel Filho, definitivamente, foi feliz ao levar para a telona a vida do maior médium brasileiro de todos os tempos.
O roteiro é costurado a partir de participações de Chico Xavier no programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi. As respostas do entrevistado dão a largada para que sejam contadas na telona passagens da vida do médium mineiro, como a infância sofrida e o início do contato com seu guia espiritual, Emmanuel. O recurso não é original, mas não compromete o desenvolvimento da história.
Enquanto Chico Xavier conta suas histórias e fala de sua doutrina, o público se vê representado no personagem de Tony Ramos. Diretor de TV do programa que tem o médium como convidado, ele é um ateu às voltas com um drama familiar que vai testar sua capacidade de crer. O mesmo teste que, de forma bem sutil, é colocado diante de quem entra no cinema disposto a duvidar de Chico Xavier.
O elenco é estelar. Tony Ramos faz um trabalho brilhante e a cena em que seu personagem muda de postura é primorosa. Cristiane Torloni também faz uma bela participação e emociona, sobretudo, ao confrontar a personagem de Cassia Kiss - esta, em um pequeno e comovente papel.
A missão de dar vida ao protagonista foi encarada por dois grandes atores. Ângelo Antônio e Nelson Xavier. Nelson se vale de uma impressionante semelhança com o médium em sua fase madura, fato que contribui para que seu desempenho seja convincente. Mas é Ângelo Antônio que consegue a façanha de personificar Chico Xavier em sua fase mais jovem, emprestando expressões, posturas e uma docilidade ao personagem, numa fase em que ele ainda não era tão conhecido do grande público. O Chico Xavier de Ângelo Antônio "explica" o Chico mais velho, interpretado por Nelson Xavier.
Emmanuel, o guia espiritual que acompanhou o médio brasileiro por toda a vida, é interpretado por André Dias. Irônico, questionador e firme com o médium, o espírito de luz arranca risadas e faz pensar. Bem em mais esse personagem, André se destaca. E o mesmo acontece com Charles Fricks, que dá vida ao jornalista David Nasser. Quando Chico Xavier já era nacionalmente conhecido, o repórter empreendeu uma reportagem de denúncia. Surge na tela quase como um vilão. Mas não teve grande sucesso em sua empreitada...
Chico Xavier - O filme faz pensar. Faz sentir. E faz admirar a bela história de vida desse brasileiro que nasceu e morreu na simplicidade, sem jamais tirar proveito do dom divino, dividido com milhares de irmãos de fé.
Ter ido ao cinema ontem , dia 2 de abril de 2010, foi uma bela forma de celebrar esse homem de fé, no dia em que seu primeiro centenário foi lembrado. 
Recomendo!

31.3.10

Cenas de uma academia...

Já tive diversas fortuitas passagens por academias. E, invariavelmente, elas eram abreviadas por uma equação fatal que tinha como elementos a minha preguiça de fazer exercícios pela manhã (elevada ao quadrado) e uma certa intolerância aos tipos comuns nesse tão específico ambiente. Uma gente egocêntrica, narcisista e, em boa medida, dona de uma conversa bem fútil. Combinação explosiva que jamais me fez durar mais que um semestre malhando ininterruptamente.
Dessa vez tem sido diferente. Malho depois do trabalho, à noite, e a preguiça simplesmente deixou de ser uma variável. Motivado pelos quinze quilos eliminados, sigo com mais humor para a malhação e nem me importo com a curiosa fauna de marombeiros e tchutchucas saradonas que disputam halteres e aparelhos comigo.
Mas, por vezes, é difícil não rir desses tipos. Hoje, vi uma senhora como cabelo no melhor estilo Xororó anos 80. Até aí, tudo bem. Sim, ok...nem tão bem, mas não me diz respeito. O fato é que a sósia do pai de Sandy & Jr parecia meditar sobre os rumos da economia mundial enquanto eu esperava para dar sequência aos exercícios no mesmo aparelho. E como a gente não comanda a mente o tempo todo, acabei soltando uma gargalhada ao imaginar a sertaneja malhadora matutando sobre as ofertas de amanhã no supermercado. Ou sobre o que faria pro maridão no jantar. Surreal!
Quando Xororó me deu a vez, fui lá carregar meu peso e, no descanso entre as repetições, avistei um daqueles marombeiros típicos. Todo bombado, todo suado. Aquele tipo clássico. Mas o curioso foi notar que, enquanto malhava, o cara se observava no espelho com aquele típico olhar de ave aprisionada. De modo que não foram precisos mais que dez segundos pra que eu sacasse que aquela lagarta musculosa está malhando pra virar uma resplandecente borboleta...
Mas em matéria de personagens curiosos, nada se compara ao instrutor. Gente boa, já deixou escapar mais de uma vez uma certa aversão aos "ratos de academia". E hoje, quando eu e uma amiga reclamamos do frio na sala de musculação, ele revelou: "Fui eu que abaixei a temperatura do ar. É pra ver se esses marombeiros vão embora logo!".
Estranho? Talvez seja porque a academia fica na Lapa...

Vingança de Figurinista - parte 11

Coitado do Jô! Faz dieta, antecipa o retorno das férias...e volta a ser assombrado pelo vilão de todas as noites! Olha isso:

A foto não revela toda a "riqueza de detalhes" do visual: as listas da gravata são amarelas. E a camisa também tem listas vermelhas...
É muita cor pra ver em high definition, turma! Dá até vontade de fazer como o pessoal do CQC e usar óculos escuros!!!
Bom, tenho cá meus palpites sobre a razão de ser desse figurino nada sutil:

1. Merchandising de alguma embalagem de catchup;
2. O lançamento de uma nova versão do extrato de tomate do elefante;
3. Jô quer demonstrar como seria bacana ter uma poltrona nova - e vermelha - para dar uma "esquentada" no cenário velho.

E você? Tem alguma hipótese?

E Dourado vence o BBB 10...

Colocar o programa na mídia e, mais que isso, na boca do povo, é um grande mérito de sua produção. Goste-se ou não do BBB, ninguém pode negar a competência e o êxito de sua realização. Não é por menos que a versão brasileira da franquia é tida, hoje, como um exemplo a ser seguido pelo mundo. Mantendo convenções do formato e acrescentando ingredientes apimentados como a melhor das culinárias brasileiras, Boninho e sua equipe criaram o um Big Brother com a cara do Brasil. E que apaixonou os brasileiros.
Sobre o resultado desta edição, serei breve: dia desses fiz um post perguntando "Será que eu vejo o BBB que você vê?". Pois bem, a final do BBB 10 me provou que não. Embora, cá entre nós, essa foi uma edição em que ninguém parecia ter grandes méritos para faturar o prêmio.
Por ora, viremos a página...
E você, o que achou?
Comentaê!!!

30.3.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 84

Sou cliente do mesmo banco há 12 anos. Recentemente, ele foi adquirido por um grupo internacional. E, posteriormente, esse grupo internacional que o havia adquirido foi anexado por um mega-grupo internacional. Ou seja: a instituição financeira que escolhi para confiar meus níqueis é praticamente um corrimão de escada de desembarque de avião vindo de um voo internacional: qualquer gringo que chega, passa a mão!
Já imaginaram como é louco saber que suas economias mudam de mãos assim, da noite pro dia? A gente pode não perceber ou evitar se preocupar com o assunto, mas que é esquisito, é! E se não bastasse esse sentimento de cornitude - já que os correntistas, nessas operações, são sempre os últimos a saber - fiquei meio intrigado com a atual situação do banco. A empresa, que foi uma das pioneiras a se valer do discurso da sustentabilidade, usando materiais impressos em papel reciclado, passou a me mandar incontáveis cartas! Toda semana!
É carta pra dizer que o banco vai mudar de nome, é carta pra dizer que o telebanco agora é mais seguro, é carta pra dizer que eu vou notar que as agências ficarão com novo layout...é carta pra tudo! E, cá entre nós, meu Deus, se eu vou notar que a cor das paredes da agência vai mudar, por que diabos me avisar por carta???
Tudo bem que o papel continua sendo reciclado, mas...não é pra sair desperdiçando assim, certo?
É ou não é pra achar que meu banco saiu da real???

Uêpa: Ricky Martin assume homossexualidade...

De Menudo a popstar internacional, o cantor Ricky Martin passou parte considerável dos seus 38 anos diante dos holofotes. Sob as luzes, cantando, dançando e representando, virou símbolo sexual e conquistou o topo das paradas como cantor. Mas ontem, o artista deixou de lado um incômodo papel e assumiu, em texto publicado em seu blog, que gosta de homens.
Embora ninguém pudesse provar nada antes, a revelação de Ricky não chegou exatamente a pegar muita gente de surpresa. Ao menos, não pelo conteúdo. E isso não faz a menor diferença. O que faz diferença é a coragem do cantor em tocar num assunto tão delicado publicamente. E Ricky fez isso de forma igualmente delicada. O texto é muito bonito e demostra como a vida pode ser pesada e sofrida para quem precisa esconder parte tão fundamental dela.
Dando um tapa na cara do preconceito, Ricky Martin mostrou que é um grande homem.
Mandou bem!

29.3.10

Sobre os benefícios das dúvidas...

Guardado em mim mesmo, vou levando a vida em frente. Gastando os dias, acumulando saudades e esperanças. Saudades do que se foi, esperanças do que pode vir a ser...
Vou aprendendo a me conhecer, a me reconher. E, também, a me desconhecer. E vou desconhecendo certezas. Aliás, como são incômodas as certezas! Invariavelmente a vida nos prova que elas não eram nada certas e nós, cheios de pretensão, acabamos decepcionados.
O bom mesmo é ter dúvidas! Dúvidas sobre o amanhã, sobre os sentimentos, sobre o que pedir no almoço, sobre a hora certa pra se falar que se ama alguém. Dúvidas sobre a sinceridade dos outros - que nem sempre estão tão dispostos a ser sinceros quanto dizem - e, mais que tudo, dúvidas sobre nós mesmos.
O certinho, cheio de certezas, é um inabalável candidato à prepotência. E a ser tachado de insuportável por todos...

28.3.10

Mensagem subliminar na votação do BBB?

Entrei no site do BBB pra dar uma votadinha - pra tirar Lia da casa, claro - e eis a palavra que o sistema de aprovação do voto exibiu:
Gente, é real! Não tem adulteração alguma nessa imagem! Mas que esse computador é espertinho, isso é...

E o BBB da diversidade reitera a intolerância...

Capitão da Nave BBB, Pedro Bial manda rivais se cumprimentarem antes de anunciar a eliminação de Dicesar...
Ontem, quando Bial pediu que Dourado e Dicesar, rivais no paredão, ficassem frente a frente e se cumprimentassem, o Brasil estava diante de um castigo de escola sendo imposto a dois marmanjos. Aquela saudação oriental soou patética, é bem verdade, e parecia um pedido desesperado de uma professora primária para que os dois coleguinhas ficassem de bem para dar o "bom exemplo" aos demais companheiros de classe. Soou caricato porque, sabemos, Dourado e Dicesar estão longe de ser coleguinhas. E porque os companheiros de classe são milhões e milhões de brasileiros que, ao longo de 75 dias de confinamento, repetiram aqui fora os erros e acertos de seus dois ídolos confinados.
Quando um conceito absurdo como o da heterofobia ganha força - e é propalado em rede nacional - nota-se que o BBB da diversidade atrapalhou bastante os avanços no combate à homofobia. E não culpo aqui os realizadores do programa: culpo a boçalidade de muitos dos confinados. Afinal, a única que parecia ter propriedade para discutir esse assunto foi Elenita, eliminada logo nas rodadas iniciais.
Se Dourado pode ser criticado por, entre outros absurdos, dizer que os "heterossexuais não pegam Aids", Dicesar, Serginho e, em menor escala, Angélica também merecem críticas por terem se deixado engolir a ponto de não conseguirem argumentar com o oponente. Eles foram lá pra faturar o prêmio, e, muito provavelmente atitudes mais ostensivas teriam contribuído para que o jogo ganhasse outras cores. E atitudes.
A tal Máfia Dourada, torcida que andou tocando o terror em blogs, no twitter e no orkut de Dicesar, é um belo exemplo de intolerância. E, em certa medida, de falta de habilidade para ler o jogo. Com Dourado favorito ao prêmio, é muito prejudicial que manifestações, ameaças e posicionamentos violentos surjam associados ao nome do jogador.
Manifestações como essa demonstram que, depois do BBB 10, a intolerância está mais viva do que nunca...

27.3.10

Casal Nardoni é condenado pela morte da menina Isabela...

Zapeando entre a Bandeirantes e a Globonews, parei na emissora aberta. E nela assisti ao anúncio da pena atribuída ao pai e à madrasta de Isabela Nardoni. Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e 10 dias de prisão em regime fechado. Por ser o pai da vítima - e por ter, assim, praticado um crime contra descendente - recebeu pena maior do que a da mulher. Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão. Pelo crime de fraude processual, os dois cumprirão ainda 8 meses de prisão em regime semiaberto e pagarão 24 dias multa.
A sensação de que, enfim, a justiça foi feita, é apaziguadora. Mas, por outro lado, deixa uma sensação horrível no ar. Imaginar que, caso a promotoria e os jurados estejam certos, o próprio pai tenha agido de forma tão covarde contra a criança é revoltante, assustador.
Mas, comentários sobre a pena deixados de lado, confesso que fiquei indignado com as manifestações na porta do fórum. Que tipo de gente é esse que leva câmeras fotográficas e fica pulando diante das câmeras de TV num momento como esse? Transformar esse anúncio da sentença numa espécie de micareta mostra o quanto ainda somos imaturos como sociedade. E o quanto parte da nossa gente ainda está distante do ideal de justiça. Essa foi uma noite triste, na qual um pai foi punido pelo assassinato da filha, uma criança de cinco anos. Uma noite em que duas outras crianças pequenas também foram condenadas a uma vida sem o convívio dos pais, que, agora, passam a viver oficialmente como condenados pela Justiça. E uma noite em que uma mulher, Ana Carolina, mãe de Isabela, deve estar sofrendo como nunca. Pra mim, essa foi uma noite de luto.
No mais, resta apenas lamentar o caminho do espetáculo que, mais uma vez, algumas emissoras de TV optaram por trilhar na noite de hoje. E lastimar pelos profissionais de Direito que se prestam a participar de palhaçadas televisionadas que em nada ajudam a esclarecer a audiência. Uma vergonha!
E você, o que achou dessa história toda?
Comentaê!!!

26.3.10

Sobre o julgamento dos Nardoni...

Acompanho as notícias sobre o julgamento do caso Isabela com a mesma ansiedade que tantos outros milhões de brasileiros. Cercado de mistério e com uma aura de crueldade, esse crime chocou a sociedade e isso explica, em parte, tamanha mobilização em torno do desfecho do caso.
Sobre fatos e versões, creio que haja pouco a ser dito. Se a opinião pública parece já ter condenado o casal, a defesa não parece ter sido hábil ao cunhar a tese de que uma terceira pessoa pode ter invadido o apartamento e cometido o crime. Ou seja: sobre os jurados paira a decisão de concordar com a opinião pública, condendando os réus, ou absolverem os dois e deixarem no ar um crime insolúvel - já que nada comprova a hipótese redentora de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Um ponto que tem me incomodado um pouco nesse caso é o clime de final de campeonato na frente do fórum. É imperdoável que as pessoas gritem, xinguem e - pior - tentem agredir fisicamente o advogado de defesa. Ele é um profissional no pleno exercício de sua função. E esse tipo de comportamento selvagem em nada contribui para que o caso seja elucidado.
A condução dos trabalhos parece equilibrada, pelo que tenho ouvido e lido, inclusive no Twitter. E me refiro ao juiz, que fique claro. Por outro lado, creio que o clima de torcida na porta do fórum teria sido minimizado se a Justiça tivesse autorizado a transmissão do julgamento. Se não pela TV, ao menos pela internet. Por mais que se possa criticar tanto interesse público, é fato que as pessoas estão ansiosas por informações e, em pleno século XXI, parece um retrocesso evitar que as novas mídias possam ajudar a saciar essa sede por notícias. Alguns poderão dizer que uma eventual transmissão poderia transformar o julgamento num espetáculo. Sim, poderia. Mas isso também seria uma bela forma de analisarmos a maturidade dos profissionais da Justiça.
No entanto, de todos os fatos relacionados ao julgamento, nada me chocou mais que o isolamento imposto à mãe de Isabela, Ana Carolina Oliveira. Deixá-la sozinha numa sala, sem poder assistir ao julgamento que pode condenar os principais suspeitos da morte de sua única filha, embora uma solução legal, foi, também, uma grande crueldade. Sofrimento duplo pra essa jovem mulher.
Enfim, que a justiça se faça.

Breve no Salto: Sérgio Britto e Barbara Heliodora...

Repórter e fã: clique com Sérgio Britto depois da entrevista...
Ontem eu tive um daqueles dias de ouro na carreira de um jornalista: entrevistei dois grandes nomes ligados ao teatro brasileiro e tive o privilégio de ter aulas privativas com eles. Falo de Sérgio Britto e Barbara Heliodora.
Sérgio é colega de emissora. Sempre cortês nos corredores e elevadores, era naturalmente mais próximo. Eu já o tinha entrevistado há uns seis, sete anos. Mas, na ocasião, o papo tinha sido curtinho. Ontem, falamos longamente sobre o início da carreira desse grande ator e sobre a grandeza do ofício de representar. Aos 86 anos, Sérgio Britto parece um garoto apaixonado pela primeira vez ao descrever sua relação com o teatro. Um dos maiores profissionais da história do teatro brasileiro, ele demonstra uma memória impecável: cita datas, autores, locais e detalhes de grandes montagens de que já participou. Ou que assistiu.
Entre outras coisas, Sérgio me contou que nunca fez um curso de interpretação. O que sabe, aprendeu fazendo. Criticou o "o exacerbado desejo de estar na telinha", tão comum entre os atores mais jovens, e, com brilho nos olhos, disse: "Não consigo ver outra profissão melhor e mais bonita que a do ator". Difícil não acreditar...
Da casa de Sérgio Britto, fomos para a de Barbara Heliodora. Respeitada crítica teatral - uma das maiores referências da área no país - essa senhora de quase 90 anos tem fama de durona. E, confesso: isso mexeu comigo. Cheguei ao local da gravação preparado para fazer uma entrevista difícil. Mas, logo ao entrar, fui surpreendido com um largo sorriso daquela senhora incomodada com o desconforto trazido por uma tarde de outono bem mais quente que o desejável. "Esse calor é insuportável!", ela disse. E rimos...
Foi apenas a primeira risada de muitas que viria a dar durante toda a gravação. Igualmente apaixonada pelo teatro, Barbara Heliodora me contou que já viu mais de 3.200 peças em sua vida! O recorde foi em Londres: 27 peças em 22 dias! Uma maratona que só poderia ser cumprida por alguém que se auto-define como uma "tarada por teatro".
Barbara Heliodora já viu mais de 3.200 peças de teatro
Generosa, dona Barbara - como a chamei durante a conversa - contou qual a estrutura que procura seguir em suas críticas e revelou que muito raramente toma nota de detalhes enquanto está na plateia. Quando perguntei sobre o mito do "crítico que amedronta autores, diretores e elenco", ela disse que isso é uma grande bobagem. E com os mesmos olhos brilhantes que vi em Sérgio Britto, esclareceu: não vai ao teatro em busca de defeitos! "Não há nada melhor do que ver um bom espetáculo de teatro", contou.
E, novamente, sou obrigado a dizer: difícil não acreditar!
Pena que, de tão entusiasmado com a conversa, nem pedi a alguém para registrar o momento. Mas pego um still do vídeo e publico aqui assim que possível, certo? UPDATE: A imagem já está no devido lugar. E ficou bem bacana!!!
Voltei à redação feliz da vida. Com boas entrevistas gravadas e, mais que isso, feliz por conhecer mais de perto dois apaixonados pelo que fazem. É essa paixão que quero conservar em mim também...

Quem quiser conferir as entrevistas, pode ficar ligado no Salto para o Futuro em maio. A gente está preparando uma bela série sobre Teatro. Clique aqui e saiba mais.

A Bad Performance de Claudia Leitte...

Quando um amigo me falou do mico que a baiana pagou ao fazer uma interpretação do sucesso de Lady GaGa, jurei que não postaria nada a respeito. Afinal, artistas também são seres humanos e, obviamente, é claro que estão sujeitos a esquecer letras no palco. Taí a Vanusa que não me deixa mentir...
Mas aí, meus caros, eu vi o vídeo. E, contrariando minha decisão anterior, resolvi tocar no assunto. Mas antes, vamos ao trecho da apresentação:

Agora me digam, é ou não é caso de processo? Porque, além de esquecer a letra, Claudia Leitte ainda interpreta os versos que sabe num inglês, digamos, muito peculiar. É Bad Romance, mas parece mais o embromation-tion, o embromation-tion...
A loira não precisava pagar um mico desses. Precisava?

24.3.10

Será que eu vejo o BBB que você vê?

Na noite de ontem, diante do resultado do paredão entre Lia e Anamara, uma pulga pesada como um rinoceronte passou a me incomodar aqui atrás da orelha. Uma pulga ainda mais estranha porque, creiam, aproveitou-se da proximidade para me cochichar algo. Sua voz era de desenho animado e, irônica como ela só, sussurrou:
- Otário! Esse programa que você tá vendo, ninguém tá vendo!
Tentei afastar a visitante indesejada de mim, mas o recado já estava dado! E a semente do mal, plantada e germinando dentro dessa cabeça tão confusa diante dos números que o Bial tinha dito instantes antes na TV. Mais de 92 milhões de votos! E 57% deles para a baiana Anamara!
Sacodi a cabeça repetidas vezes. Não era fã da conterrânea de Ivete Sangalo, muito pelo contrário. Mas lamentei particularmente a permanência de sua oponente no jogo...
À essa altura já tinha despejado de minha orelha a tal pulga obesa e, aliviado, voltava a gozar do meu pleno juízo. Certo de quem sou, do que gosto e do que não suporto. E, de volta à realidade, constatei: nada pode ser mais insuportável que alguém que está sempre a apontar o dedo para os outros, a julgar-lhes os defeitos e a duvidar das qualidades. Alguém que se acha no direito de dizer tudo o que pensa sem, jamais, considerar ou cogitar a possibilidade de um outro ponto de vista. Nada pode ser mais chato do que alguém que se acha no poder de todas as verdades do mundo e, pior, nada mais pretensioso que os que se julgam no direito de tentar impor essas suas verdades aos que lhe cercam.
Bonita, sexy e, por vezes, engraçada, Lia é, também, a soma de todas essas características enumeradas no parágrafo acima. Brigou com boa parte da fauna que passou por esse BBB - inclusive com Dourado, a quem agora trata como um amigo de infância. Fez fofoca e falou mal de todos os jogadores - à exceção de Cadu - e passou a criticar um dos adversários - Dicésar - como se fosse ele o único maledicente no jogo.
Lia venceu Anamara e segue no jogo. E, a partir de agora, qualquer coisa pode acontecer no reality show mais assistido do país. Sim, porque não há um único brother realmente carismático dentro da casa. Dourado lá está para cumprir o seu papel e polemizar bastante. Cadu e Fernanda abriram mão de criar e/ou revelar suas próprias identidades: tornaram-se coadjuvantes de uma história sem protagonistas. Lia conspira, não respira. Tenta se mostrar lutadora mas convence mais como barraqueira. E Dicésar, que entrou no jogo como favorito, acabou se perdendo no papel de vítima que, convenhamos, também não lhe cabe.
Pra mim, vai dar zebra no páreo do BBB 10. E essa zebra apática, que não viveu nenhum grande conflito, não beijou ninguém e nem esteve no centro de qualquer polêmica, é carioca. E, desde janeiro, é conhecida em todo o país como Cadu.
E você? Torce para alguém? Tem uma aposta?
Comentaê!!!

23.3.10

B@belturbo entrevista: Oscar Filho

Os limites do humor em debate no B@belturbo...



Desde os 13 anos Oscar Filho mostrou vocação para o teatro. Premiado já no início da carreira, saiu do interior e foi para a capital de São Paulo em busca de oportunidades. E elas brotaram no solo fértil do humor. Em 2005, o ator participou da fundação do Clube da Comédia Stand Up, antecipando uma onda que invadiria os palcos da maior cidade brasileira e se espalharia por todo o país rapidamente. Figurinha fácil em shows de humor como o Terça Insana e o Comédia em Pé, Oscar também estrelou campanhas publicitárias e participou de diversas montagens teatrais.
Aos poucos, ficou conhecido na internet, por meio dos vídeos postados no YouTube. Mas a fama nacional viria em 2008, quando passou a integrar o time de homens de preto do CQC, o irreverente humorístico de formato argentino exibido pela Band. No programa, debochando de celebridades ou pegando no pé de políticos, Oscar Filho ganhou de Marcelo Tas a curiosa alcunha de Pequeno Pônei. Nesta entrevista, concedida pouco depois da estreia de seu solo de comédia em São Paulo, o ator e humorista analisa os rumos do humor.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Oscar Filho: Cada um impõe o limite que quer no seu humor. Tem certos temas que eu nunca fiz, mas outro sim e vice versa. Acho que há limites pra tudo e se alguém passa deste limite sofre as consequencias, tanto pra bem quanto pra mal. A questão é que o humor em si já é uma superação de limite. A gente ri de uma piada muitas vezes porque ela é proibida e teve alguém com coragem de dizê-la. Certos assuntos há 50 anos nem poderiam ser tocados. Aos poucos um ou outro humorista foram extendendo o campo de alcance do tema. Por exemplo, hoje em dia podemos falar mal do país sem sermos presos.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmica? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Oscar Filho: Acho que os de sempre: sexo, raça, religião... Tomara que eles continuem sendo pra nós podermos fazer cada vez mais piadas em relação a isso. Uma piada que fiz no twitter por exemplo causou uma polêmica, mas pra mim é só uma piada e não quer dizer nada. Era ela. "Jesus: mãe, o que eu vou ser quando crescer? Maria: Crucificado." Muitos disseram que eu desrespeitei a fé de muita gente. Onde? Não vejo desrespeito aí. Seria desrespeitoso se eu falasse sobre as pessoas que acreditam no catolicismo, aí sim. Outros me jogaram uma praga do tipo "você vai pagar por isso". Aí, se eu vou ou não, é um problema meu.
Sexo é um tabu que já não é mais tão tabu quanto antigamente. As pessoas até gostam de ouvir sobre isso, mas ainda existem os puritanos. Raça é um troço louco. Eu chamo preto de preto. Se eu sou branco, ele é preto. Isso não é uma afronta ou algo pejorativo. Isso está na cabeça dos outros. E é incrível a quantidade de pessoas que não são da raça tomarem partido. Se eles tomam partido mostram que a raça preta não sabe se defender. Nos EUA eles sacaneiam os brancos hoje em dia, fazem piadas. Os brancos tem que se sentir acuados? Temos que prestar atenção das nossas atitudes do presente e não no que aconteceu lá atrás. E religião é um assunto que poderia ser mais tratado também. O George Carlin fazia muito isso. Através dele, por exemplo, passei a pensar um pouco mais sobre toda essa coisa de Deus, Jesus e igreja católica.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Oscar Filho: Quando vou escrever uma piada não penso: Bom, vamos ver o que eu não vou falar. É justamente o contrário. O que vem na minha cabeça é o que é passado pro papel. Não lembro de ter feito uma piada e ter pensado: Nossa, essa não vai agradar.

"Piada é pra rir. Algumas você ri e pensa sobre logo depois, mas existem coisas mais importantes para se preocupar", afirma o integrante do CQC
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Oscar Filho: Claro que pode cobrar. Cada um pode fazer o que quiser. Só acho que levam humor muito a sério! Piada é pra rir. Algumas você ri e pensa sobre logo depois, mas existem coisas mais importantes para se preocupar. O Sarney taí ainda.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Oscar Filho: Sim assim como inúmeras outras coisas. O politicamente correto é um saco. Quando era criança via o Pica Pau dando tiro na cara do Zeca Urubu. Nem por isso tenho uma arma em casa. Sequer sou violento, então até onde influencia? É uma questão de personalidade. Hoje em dia "não pode, não deve, é melhor não, será"?

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Oscar Filho: Ser honesto consigo. Se tem vontade de fazer o que quer que seja, faça um troço que seja você. Sendo assim, você vai seguir seus princípios. E se você passar dos limites, muito provavelmente estará se relacionando com o seu próprio limite.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Oscar Filho: Kastinguera!

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia os posts anteriores da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Entrevista com Fábio Rabin
Entrevista com Paulo Cursino

A primeira leva de posts da série Crise de Riso? chega ao fim hoje. O B@belturbo se orgulha de ter trazido para esse debate alguns dos mais importantes humoristas e redatores de humor do país. E, claro, agradece a todos pela participação e pelo bom humor mantido até na hora de levar a arte de fazer graça a sério.
E se você, leitor, tem sugestões de mais humoristas, escreva nos comentários ou envie para a HotLine do blog.
A série passará a ser fixa aqui no blog e vai figurar nos links, ao lado direito da página. Portanto, se você ainda não leu todos os posts - ou se quer indicá-los para alguém, sinta-se em casa!

Quando o que devia ser regra vira exceção...

Parte do meu dia de ontem foi dedicado à solução de problemas com operadoras de telefonia. Até aí, dirão vocês, morreu Neves. Ou Inês é morta. Ou qualquer outro dito popular de tom funéreo. Mas o fato é que a coincidência de descascar dos abacaxias telefônicos me fez pensar bastante na qualidade dos serviços prestados pelas duas companhias: a Oi e a Vivo.
Nem preciso dizer que usar a palavra qualidade numa mesma frase que a expressão "atendimento das empresas de telefonia" parece um tanto quando descabido. E é. Mas daí veio a minha surpresa...
Depois de três dias com telefone mudo em casa - e sem banda larga - Fernando, o técnico da Oi, chegou quando eu me preparava para sair de casa. Educado, gente boa, bem humorado e dedicado a solucionar o defeito, o funcionário da problemática empresa de telefonia fixa é tudo aquilo que a companhia devia ser e não é. Inclusive no que diz respeito à eficiência. Solucionou o defeito e saiu daqui de casa me desejando bom dia. Impossível alguém deixar melhor impressão...
Já no fim do dia, lá fui eu para a loja da Vivo. A missão era resgatar pontos e trocar meu celular. E eis que entra em cena Patrícia. Bonita, inteligente, espevitada, ágil, simpática e, vá lá...sedutora! A garota fez minha tarde parecer mais leve e menos estressante - mesmo estando dentro de uma loja abarrotada de gente alterada e falando alto. Empenhada em me ver satisfeito, Patrícia bateu um bolão. E, cheia de charme, ainda me pediu pra voltar na loja qualquer hora dessas...rs!
Enfim...Patrícia e Fernando são grandes exemplos para as empresas nas quais trabalham. Precisam ser multiplicados algumas milhares de vezes para que os índices de satisfação dos clientes dessas companhias, um dia, figurem como aceitáveis. Se servir de consolo, esses dois demonstram que, havendo vontade, pode haver uma luz no fim do túnel.