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5.3.15

Xuxa na Record: o fim de uma era

Depois de dois anos de negociação, Xuxa mostra contrato assinado com a Record
A televisão brasileira, sobretudo a Rede Globo, foi forjada tendo como base o ‪#‎StarSystem‬ de Hollywood. Se lá os grandes astros e estrelas eram exclusivos dos grandes estúdios, por aqui a Globo cresceu segurando seus maiores nomes em longos contratos que os impediam de ser roubados pela concorrência. Salários polpudos, mesmo para aqueles que passavam longos períodos fora do ar, sem trabalhar. Sim, por muito tempo a Globo pagou caro para ter aqueles que considerava os melhores valores do mercado em seu elenco. Por isso, não dá pra imaginar Cid Moreira narrando o "Fala que eu te escuto", nem a Glória Maria fazendo um programa qualquer de viagens na Rede TV. Por isso a gente estranharia ver o Bial apresentar "A Fazenda", o Tarcísio Meira sendo vovô das órfãs de Chiquititas, no SBT, ou a Glória Pires interpretando Paulina e Paola num remake de A Usurpadora, na mesma emissora. Também por isso pareceria bizarro ver Roberto Carlos apresentar seu especial de fim de ano na TV Cultura. Todos são astros da Globo; e vale dizer que, não por acaso, "global" é um adjetivo que identifica o vínculo do artista com a emissora carioca.
Outros canais seguiram o exemplo dos artistas exclusivos e, nas vezes em que esqueceram de rezar pela cartilha, se arrependeram. Foi o que aconteceu ao SBT, quando perdeu Hebe para a Rede TV e acabou sendo criticado por virar as costas para uma de suas maiores estrelas. Também é por isso que ver a ‪#‎XuxaNaRecord‬ desperta tanta curiosidade, tanto estranhamento. 
Hebe sendo recepcionada na Rede TV,
depois de sair do SBT
De uns anos pra cá, a estratégia de ter numerosos artistas contratados por valores exorbitantes vem sendo revista tanto pela Globo quanto pelas demais emissoras. Os tempos são outros, bem mais difíceis. Aliás, de volta ao caso da Hebe, foi essa a razão que impediu Silvio Santos de mantê-la sob contrato com vencimentos considerados estelares. Sugeriu reduzir o salário, o staff de Hebe não aceitou e ela acabou assinando com a Rede TV - que viria, aliás, a atrasar o pagamento da contratada pouco depois. Com Xuxa o processo foi semelhante: salário alto e pouco retorno comercial e de audiência. E um agravante: a direção da Globo não via mais espaço para a loira na grade de programação. Assim sendo, a única saída foi mesmo a concorrência.
Em 2009, Gugu deixou o SBT e
assinou com a Record
A ida de Xuxa para a Record parece sinalizar para o fim definitivo da era em que o artista era a cara de uma emissora. Nem a saída de Gugu para a mesma Record, anos atrás, rendeu a mesma repercussão. E vale lembrar que, no SBT, ele era apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Talvez, o único paralelo com essa mudança de emissora da Rainha dos Baixinhos fosse uma eventual saída de Silvio Santos do SBT o que, sabemos, é impossível. 
A contratação de Xuxa pela Record, celebrada hoje, já desponta como uma das mais caras da história da televisão no Brasil. Foram muito raras as vezes em que um artista tão identificado com a emissora líder de audiência foi para a concorrência. E, no caso em questão, a despeito de ter permanecido na geladeira global ao longo do último ano,  Xuxa segue como um dos rostos mais identificados com a Globo, onde esteve por quase 30 anos. Desconfio que Boni e Roberto Marinho jamais concordariam com a saída de uma estrela desse patamar do cast do canal. E, a julgar pelo imenso barulho causado nas redes sociais hoje, acredito que a Record pode ter feito um grande negócio. O público, deu pra ver, segue fiel à estrela. Resta saber quais as outras mudanças que ela prepara para surpreender os fãs. Resta saber como o público vai reagir à mudança quando o novo programa de Xuxa estrear. E resta saber como a Globo vai se armar para enfrentar a ex-estrela... 

15.12.14

Sobre a possível saída de Xuxa da Globo...

Xuxa fora da Globo? Emissora e assessoria da apresentadora ainda não confirmam a informação


A notícia da não renovação do contrato de Xuxa pela TV Globo sacudiu a internet nesta segunda. Ainda não confirmada, a informação gerou enorme repercussão nas redes sociais e Xuxa é trending topic no Twitter desde a publicação da nota, pelo Notícias da TV. Tanto barulho já permite supor que - se confirmada - a decisão da emissora pode não ser a mais acertada. Mesmo fora do ar desde o início de 2014, Xuxa é uma das artistas mais populares - e queridas - do país. Tem carisma, fãs e atrai anunciantes. Faltou, até aqui, competência para colocá-la à frente de uma atração que se encaixe ao seu perfil - e ao perfil desse imenso público.
A história da TV demonstra que falta tato ao lidar com grandes ídolos tidos como "ultrapassados". Chacrinha e Dercy Gonçalves já foram dispensados pela Globo, lá atrás, depois de ajudarem a consolidar a liderança do canal, por serem considerados popularescos demais para o chamado "padrão globo de qualidade". Hebe, mais recentemente, teve seu vínculo interrompido com o SBT - a despeito da sua enorme identificação com a rede de Silvio Santos - por não dar mais a audiência dos áureos tempos. Nos casos de Chacrinha e Dercy, a Globo se arrependeu anos depois e repatriou os artistas, trazendo-os de volta à telinha; oportunidade que o SBT não teve, dado o avançado estágio do câncer de Hebe Camargo, morta um dia depois de assinar um novo contrato com a emissora que era a sua cara. Outro astro de grandeza inquestionável, Chico Anysio também ficou na geladeira global até o fim da vida. Xuxa, ao que parece, será a protagonista de mais um capítulo dessa história...
Acho que há uma clara falta de posicionamento de Xuxa no atual contexto da televisão brasileira. Num momento em que as grandes redes investem cada vez menos em programas para as crianças, não faz sentido insistir em falar para o público infantil. Por outro lado, afastada de adolescentes e jovens dede que deixou o comando do Planeta Xuxa, a apresentadora perdeu o poder de influência sobre o público mais maduro. Xuxa ficou numa espécie de limbo: não fala mais para as crianças e se afastou dos "altinhos" que cresceram com ela. Um problema? Sim. Só há comunicação com interlocução - e se não há quem ouça, não há a necessidade de alguém que fale. Mas esse é um problema que pode ser solucionado reposicionando a apresentadora e criando para ela um formato capaz de atrair e reconquistar a audiência. O sucesso do Planeta Xuxa, que vem sendo reprisado pelo Viva, é prova mais do que clara de que há, ainda, muito espaço para a loira na TV. Ela só precisa soar interessante para a plateia, coisa que seus últimos programas jamais foram capazes de fazer. E aí, justiça seja feita, a culpa não é só da estrela.
Fica aqui um palpite: se a notícia for confirmada, aposto: Xuxa vai fazer barulho e sucesso onde quer que vá. 
A conferir... 

EM TEMPO: acabo de descobrir que fui bloqueado pela Xuxa - ou pela sua equipe - no Twitter. Alguém deve ter ficado xatiado com alguma piada que fiz por lá. Bobagem. Não dá pra se levar a sério o tempo todo. Mas esse pequeno incidente (diplomático) não me faz mudar minha opinião. Xuxa é estrela de alta grandeza da televisão brasileira. Merece respeito e reconhecimento. Seja qual for o caminho que estiver pela frente, toda a sorte do mundo pra loira...

1.2.14

Sobre aquele beijo de Niko e Félix...

Sinal dos tempos: dois homens se beijaram em horário nobre pela primeira vez no Brasil ontem
Walcyr Carrasco é um grande autor. Em seu currículo estão sucessos como "Xica da Silva", "O Cravo e a Rosa", "Chocolate com Pimenta", "Alma Gêmea" e "Caras e Bocas". Êxitos que o credenciaram a entrar no rol seleto dos autores que escrevem para o principal horário de novelas da Globo. A estreia foi morna. Não fosse pelo absoluto acerto na construção de Félix e pelo estupendo desempenho de Mateus Solano na defesa do personagem, talvez a novela tivesse se perdido num mar de tramas um tanto quanto frágeis. Mateus Solano levou a novela e deixou na história da TV brasileira um grande tipo, uma criação que será lembrada por muito tempo.
Com 221 episódios, depois de esticada em quase dois meses - o usual é que as novelas das nove tenham 180 capítulos - "Amor à Vida" conseguiu o improvável: promover a conversão de um vilão em protagonista! Detestável ao longo de 80, 85% da trama, Félix se arrependeu dos seus pecados e se tornou ainda mais querido pelo público. Ganhou um amor e, outrora conservadora, a audiência comprou a ideia e passou a torcer pelo happy end do ex-vilão. A pergunta que pairava no ar, no entanto, era: haverá beijo gay?
Horas antes da exibição do último capítulo de "Amor à Vida", ontem, críticos de televisão já especulavam sobre a exibição da cena envolvendo os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso. Mais que isso: alguns apontavam que a direção da TV Globo estava decidida a romper esse paradigma, derrubando o tabu que ganhou força desde 2005, quando uma cena de beijo da novela "América", entre os personagens de Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro foi surprimida por ordens dos executivos do canal horas antes da transmissão do episódio, frustrando a autora, Gloria Perez, e os demais envolvidos na produção.
Ontem, o Brasil viu um beijo gay em horário nobre. De casa, ouvi gritos de uma torcida anônima, da qual sequer poderia imaginar a existência. Postei isso no twitter e recebi mensagens relatando episódios idênticos em várias partes do Rio, do Brasil. Por telefone, minha mãe contou que foi assim também perto da casa dela. Vejam vocês! Em tempos de tanto preconceito, em tempos cheios de crimes de ódio, há um Brasil que torce pelo amor! E que não se importa se ele une pessoas do mesmo sexo ou não.
Mais do que um desfecho coerente para uma história bem construída entre dois personagens carismáticos, o beijo tem um relevante papel social: ele naturaliza a expressão de uma outra forma de amor, de uma outra possibilidade de ser, de existir e de amar. Há um Brasil que já sabia de tudo isso. Há um Brasil que fingia não ver isso. E há um Brasil que quer negar isso. Ontem, simultaneamente, esses três Brasis viram isso. Hoje, crianças não amanheceram gays. Maridos não largaram suas esposas para ficar com outros homens. Não houve registros de episódios de depravação em locais públicos. Houve, sim, muita gente enaltecendo a beleza do amor, do respeito e da aceitação. Gente impactada pelo beijo sim, mas também - e talvez ainda mais fortemente, pela linda cena final de "Amor à Vida", quando César, o pai homofóbico, aceita e declara seu amor pelo filho gay, fazendo Félix chorar copiosamente. Uma cena antológica, das mais delicadas que a teledramaturgia brasileira já conseguiu produzir. Aliás, vale dizer que quando Walcyr Carrasco apresentou à direção da TV Globo a sinopse de "Amor à Vida" a trama se chamava "Em nome do Pai". Ontem, terminada a exibição do desfecho da novela, percebi que o título original fazia muito mais sentido que o definido para substituí-lo. 
Depois da exibição da cena entre Félix e Niko a Central Globo de Comunicação divulgou uma nota afirmando que a cena acompanha o momento histórico que vivemos. Taí uma verdade: com atraso, sobretudo em relação ao que já vemos nos canais fechados, o beijo de ontem retrata outros tempos, de maior entendimento sobre a diversidade. Um entendimento que está relacionado aos avanços das políticas de Estado, às recentes decisões judiciais e à luta árdua dos militantes sociais, abnegados defensores dos direitos humanos e do respeito à pluralidade. 
O Brasil de 2014 é muito, muito melhor que o de 2005! E quero crer que o Brasil do futuro, daqui a 10, 20, 30 anos, será infinitamente superior ao país que temos hoje. 

27.10.13

Ivete Sangalo e Silvio Santos: encontro de gigantes no Teleton 2013




Noite de sábado, em casa, sozinho. Troco de canal e me deparo com o Teleton. Parei pra ver na hora, claro. Como disse no Twitter, acho que essa campanha é um dos maiores acertos do SBT. O programa é um formato importado, criado por emissoras latinas - o que torna ainda maior sua identificação com a emissora de Silvio Santos. Aqui a causa é pra lá de nobre: o dinheiro das doações vai para a AACD,  mantenedora de centros de reabilitação para o tratamento de pessoas com deficiência.
A madrinha do projeto foi Hebe Camargo, como Silvio sempre faz questão de lembrar. Contratada do SBT, ela convenceu o patrão a embarcar na iniciativa. Hebe e Silvio acreditaram na solidariedade do povo brasileiro e, hoje, o tempo mostra que estavam certos...
Nesta noite, no entanto, o show foi de uma outra dupla. Se tradicionalmente Silvio Santos e Hebe encerravam a maratona televisiva juntos, desta vez o previsto era um desfecho em família: ao lado do dono do SBT estavam a filha, Patrícia, e o neto, Tiago Abravanel. E a atração musical era Ivete Sangalo. Mas bastaram poucos minutos em cena para Ivete e Silvio tomarem conta palco. Num bate-bola afiadíssimo, fizeram o auditório e o público de casa gargalhar. O carisma dos dois é incontestável, e resultou num espetáculo que deixou Tiago e Patrícia relegados à figuração. Teve de tudo: Silvio pisando no pé de Ivete durante uma dança, a cantora segurando dálias para o eterno Homem do Baú ler seus textos, poses para fotos do Instagram e muitos momentos hilários. Ao autografar as sandálias doadas para o leilão da campanha, Ivete ouviu Silvio criticar sua assinatura. "Não me venha cobrar caligrafia bonita que eu sou cantora, não preciso!". Ele também fez graça: "Ivete, até que você ainda tá bem...", brincou, pra logo elogiar a forma da baiana.
Mas o momento mais engraçado da noite - além da hora em que Silvio confundiu a marca de cosméticos Nívea com uma suposta convidada, perguntando: "Quem é Nívea? Cadê a Nívea?" - foi quando Ivete, num número digno dos melhores espetáculos de stand up comedy, imitou vários quadros de programas eternizados por Silvio Santos. Às gargalhadas, o dono do SBT não fez questão de esconder o quanto estava gostando da farra. Em um determinado momento, chegou a dizer: "Ivete, além de cantar você pode ser apresentadora".  Ela logo devolveu: "É só você me dar um programa aqui..."
Foi um programa memorável. Ivete Sangalo, goste-se ou não de suas músicas, é uma das personalidades mais carismáticas e versáteis do showbizz brasileiro. Hoje, na minha opinião, ela fez uma de suas melhores apresentações na televisão - e lá se vão 20 anos de carreira. Deixou o maior apresentador do país sem palavras, convertido ao papel de espectador. E comandou a festa da solidariedade com irreverência e alegria, suas marcas registradas. Antológico!
Em tempo: com Ivete no palco, o Teleton permaneceu na liderança da audiência. Por volta de uma da manhã, o SBT marcava 11 pontos. Sinal de que o público entendeu que o momento era mesmo único...  

7.5.13

Fantástico mostra a caçada a traficante e acende polêmica na internet

Reportagem expõe fragilidades da operação da polícia carioca na favela da Coreia 

Habituado a jogar games de tiros desde os tempos do Counter Strike, até os recentes Battlefield e Call of Dutty; vi bastante espantado as imagens exibidas pelo Fantástico ontem. Na tela, em ritmo frenético, policiais a bordo de um helicóptero da Polícia Civil caçavam o traficante Matemático. Sobrevoando uma favela, a força do Estado disparou uma enxurrada de tiros para deter o inimigo.
Fiquei chocado. Não com a morte do traficante - fato rotineiro e que, nesse caso, pareceu-me até menos impactante. Fiquei chocado ao ver o volume espantoso de disparos desferidos contra uma área residencial, civil, no meio de uma noite. Por mais que os envolvidos na operação neguem, é impossível afirmar que a população não tenha sido exposta a um enorme risco. E mais: é impossível dizer que os responsáveis por aquela ação tivessem segurança de que não haveria baixas entre os cidadãos que habitam a área. O que vimos foi um vale-tudo, em que, embora sem que isso tenha sido dito, a polícia assumiu os riscos de ferir e/ou matar inocentes em troca da cabeça do alvo da vez. 
"Mas não houve vítimas", podem dizer os defensores da operação. Sim, ao que parece, não houve vítimas. Mas não acho leviano afirmar que se ninguém morreu foi por obra da sorte. Ou da Graça Divina. Ou de um ou outro Anjo da Guarda de prontidão. Porque os tiros cravados nas residências da favela não deixam dúvidas: de precisa aquela caçada não teve nada!
Não bastasse o susto com o flagrante despreparo da força policial, fiquei novamente espantado ao ver a repercussão das imagens mostradas pela TV Globo nas redes sociais. Enxergando na reportagem uma defesa à vida do bandido, vi vários amigos descerem o pau na matéria. "Deixem a polícia trabalhar", dizia um. "Quantos inocentes morreriam se ele ficasse vivo?", questionava outro. Mas não vi ninguém, absolutamente ninguém, questionar o risco ao qual todos aqueles moradores, inocentes, estiveram expostos naquela noite. Calados ou, pior, defendendo a ação da polícia, o que todos fazem, ainda que de modo inconsciente, é legitimar uma polícia que trata de modo desigual pobres e ricos. Uma polícia que age com prudência e cautela nas áreas nobres e "larga o dedo" quando o alvo está escondido em favelas. É como se dissessem que "favelado pode acordar com tiro de fuzil furando suas casas". É como se achassem justo que, para proteger ricos e classe média, pobres sejam sacrificados por uma rotina de incursões policiais atabalhoadas e que, não raro, acabam por vitimar crianças, mulheres, velhos e cidadãos inocentes, moradores de comunidades dominadas pelo tráfico e massacradas por uma polícia que, quando surge, parece fazê-lo com o único objetivo de espalhar medo e insegurança por todos os lados.
É só refletir: alguém já viu um helicóptero dar rasantes sobre Ipanema, distribuindo tiros de modo quase aleatório? Quando foi capturado Nem, apontado como liderança do tráfico na favela da Rocinha, ouviu-se algum disparo? Respondo: não! À ocasião, aliás, cabe dizer que a polícia usou a mesma tecnologia de imagens para localizar e capturar o bandido na Gávea. Ali, sim, a precisão esteve presente. E os moradores da Zona Sul não ouviram um único estampido. Por que será?
O fato é que construímos, ao longo do tempo, uma polícia que trata de modo discrepante quem já é vítima da desigualdade. Quem mora numa favela não quer correr o risco de ser alvejado por uma bala de fuzil. Esse risco já está imposto pelo tráfico. A polícia, em suas operações, deve primar pelo zelo com a segurança dos moradores inocentes. É claro que aqui, como em qualquer parte do mundo, acidentes podem acontecer. Comunidades como a que foi mostrada na reportagem do Fantástico são densamente povoadas, a ocupação do terreno é irregular e esses são fatores que complicam as incursões do Estado. Mas, a julgar pelo que vi, acidente é uma operação como aquela transcorrer sem que nenhum inocente seja vitimado. Acidente é disparar trocentos tiros, acertar prédios e casas e, ainda assim, não matar moradores honestos.
Não sei quanto a vocês, mas o mínimo que eu posso esperar de uma polícia é que ela não conte com a Graça Divina, com a sorte ou com a benevolência de Anjos da Guarda ao fazer suas operações. A vida do cidadão – no asfalto  ou na favela – é bem maior, que deve ser garantido e preservado pelo Estado em quaisquer circunstâncias, seja onde for. E não há “remédio amargo” que justifique que a sociedade continue a tomar veneno e esperar se curar de toda essa violência.

26.2.13

Salve nós!

Novela das nove tem a menor audiência dos últimos 12 anos
Li no UOL que a autora da novela das nove anunciou que vai reparar, num dos próximos capítulos, mais um furo de sua narrativa, prontamente captado pelos telespectadores. 
Glória Perez já fez belos trabalhos na TV. São parte da história da teledramaturgia obras como "Desejo", "Hilda Furacão", "Carmen" (da extinta TV Manchete); e mesmo trabalhos mais recentes, que não têm minha predileção, mas tiveram grande repercussão e audiência, como "O Clone" e "Caminho das Índias". Em "Salve Jorge", a autora demonstra estar numa baita entressafra. A trama não é das mais inspiradas, os personagens, pouco carismáticos e tudo parece inverossímil demais. Gloria desaprendeu a escrever novelas? Claro que não! Mas acho que o público aprendeu a acompanhar esses folhetins de outros modos... 
Com a internet, um furo numa cena, que antes poderia jamais ser notado, fica eternizado com um print screen. Com tudo online, é fácil dar uma busca e ver se o milionário já conhecia a protagonista ou não. E, sobretudo, em tempos de vida real tão inacreditável, algo que fuja do razoável soa como uma agressão ao espectador, que gosta de se sentir "malandro", caçando furos. "Avenida Brasil", de tom tão realista, também não escapou dessa armadilha: todos ficamos indignados com a ausência de um pendrive para que Nina armazenasse as fotos comprometedoras de Carminha e Max. A diferença é que foi um fato isolado. Um deslize. "Salve Jorge", ao menos até aqui, tem parecido um amontoado deles...

20.5.12

Sobre o que Xuxa viu da vida...




Há tempos uma atração do Fantástico não repercutia tanto. Em uma longa edição, o quadro "O que vi da vida" exibiu depoimento de Xuxa Meneghel. A loira falou da infância no subúrbio, do começo da carreira como modelo, do  namoro com Pelé, do romance com Ayrton Senna e do preço da fama. Nenhuma novidade. Mas a loira guardou um desabafo para a parte final da entrevista e revelou ter sido vítima de abuso na adolescência.
O depoimento foi marcante. A história, triste como são todas as histórias de violência. E Xuxa pareceu um tanto perturbada. Não demorou até que aparecesse nas redes sociais muita gente duvidando do depoimento exibido no Fantástico. Cada um no seu direito, claro. Mas o fato é que muitas vítimas de abuso sexual passam a vida inteira sem conseguir revelar suas histórias de violência. Por isso, não me surpreende o fato de Xuxa falar do assunto somente às vésperas dos 50 anos. Muita gente também tá associando o tal depoimento à busca pelos holofotes. Ok, Xuxa não é mais o mesmo fenômeno, não rende mais o Ibope dos anos 90, mas...peraí...a loira tá milionária faz tempo, gente! Tem contrato longo em vigor, ou seja: não tem motivo algum pra chamar a atenção pra si com uma história desse tipo. 
Como postei no Facebook assim que acabou a entrevista, acho que ela precisa de um analista. E não é de hoje. Mas, em última análise, todos precisamos. Ficar atribuindo às declarações da loira sentidos incertos e suposições pretensamente críticas é bem esquisitão também! Acho que há uma grande diferença entre ser crítico e ser paranóico, querendo enxergar uma conspiração atrás de tudo o que acontece na TV.

23.3.12

Obrigado, Chico!

Alberto Roberto: meu personagem preferido, o "símbalo sescual" da incrível galeria de tipos criados por Chico Anysio
Quando eu era moleque, as caretas de uma das aberturas do "Chico Anysio Show" me metiam medo. Pudera! Esse cearense, célebre por criar tantos tipos, surgia na tela esticando orelhas e nariz, arregalando olhos e deformando a testa. Obras dos efeitos de edição da época, claro! Mas o susto provocado pela vinheta do programa logo dava lugar às crises de riso propiciadas por tantos personagens, tão ricos e diversos. Tão plurais e tão singulares. 
Obras de gênio!
Obras de Chico!
Eu ria de Haroldo, o hetero mais gay que a televisão brasileira já mostrou. Ou seria o gay mais hetero? Ria das mentiras de Pantaleão e das gírias do Jovem. Dava risada das peripércias de Bento Carneiro, vampiro brasileiro - e de sotaque mineiro! Tinha verdadeiras crises de riso com o "símbalo sescual" Alberto Roberto, galã de redinha nos cabelos e pai da canastrice. Das loucuras do Coalhada e das eternas rusgas de Nazareno com sua mulher, sempre maquiada de modo pouco ortodoxo.
Mas Chico não me fez apenas rir. Também aprendi muito com esse grande mestre do humor, que foi descansar hoje, depois de lenta agonia. Com Chico eu aprendi muito sobre generosidade, ao vê-lo servir de escada para tantos colegas, apesar de toda a sua genialidade, quando se  travestia  de professor Raimundo. O Bozó, o global mais orgulhoso que já existiu, me fez ver como o deslumbramento é algo que não quero para a minha vida. Por trás dos vastos bigodes de Justo Veríssimo, descobri, ainda criança, que a maior chaga do meu país é aquele tipo de político que tem total desprezo pelo povo. Nos cultos de Tim Tones, vinte e tantos anos atrás, Chico me ensinou como pode ser perigosa a mistura entre fé, fanatismo e dinheiro. Alguém quer lição mais atual?
Hoje, a morte de Chico Anysio me fez lembrar de tudo isso. E dos discos dele que meu pai tinha lá em casa. Da minha infância, da minha família, das brincadeiras com amigos - onde tantas vezes e pelos mais diversos motivos repeti e ouvi repetirem seus bordões inesquecíveis. Chico é peça sem reposição. 
E a esse grande artista, cabe apenas o meu muito obrigado...

21.3.12

BBB: o estupro que foi sem nunca ter sido?

Na tarde desta terça-feira, fui surpreendido com notícia publicada no UOL. O texto informava que a Justiça determinou o encerramento das investigações no inquérito que apurou a suposta violência sexual que marcou as primeiras semanas do Big Brother Brasil. O fato, vocês lembram, agitou as redes sociais e gerou uma interferência direta nos rumos da casa "mais vigiada do Brasil": o participante investigado pela denúncia foi expulso do reality e, desde então, seu paradeiro é ignorado.
Daniel saiu rotulado como estuprador, não tem jeito. Isso mesmo depois do depoimento de Monique, apontada como vítima no caso, no qual qualquer possibilidade de violência foi derrubada pela moça.
Com Monique eliminada do programa, e com mais negativas da parte dela, nada restou se não a ordem para arquivar a investigação.
Diante disso, pergunto: como os danos gerados à imagem de Daniel serão reparados a partir de agora? 
Fiz a pergunta no Twitter, mais cedo, e rendeu pano pra manga. A mensagem foi muito retuitada e recebi vários replys de pessoas que culpam a TV Globo pela mancha ora impressa no currículo - e na vida - do ex-participante do programa.
Bom, é claro que a Globo tem o seu quinhão nessa história. E nem preciso dizer que ele é grande. Daniel foi exilado e sequer pode usar o espaço que a emissora dedica a todos os ex-BBBs pra se explicar. À essa altura, não há dúvida, a emissora já deve estar ciente de que um processo pode estar a caminho ou, quem sabe, um belo acordo com o rapaz.
Mas acontece que a Globo não é a única implicada na história. Muitos programas de TV - de emissoras concorrentes - usaram a abusaram da polêmica na corrida pelo Ibope. E sapecaram o rótulo de estuprador em Daniel. E, além das pessoas jurídicas, muitas pessoas físicas também replicara a história indiscriminadamente. Sim, meus caros! Muitos internautas apregoaram na tribuna livre da web um veredicto sobre o qual ninguém poderia ter a menor certeza. Julgaram e condenaram o participante e, o que é pior, difundiram seus levianos julgamentos em sites, blogs e redes sociais. Ou seja: produziram provas contra si mesmos. Com base na decisão tomada ontem pela Justiça, não precisa ser expert em Direito pra dizer que Daniel foi difamado e caluniado. E, à essa altura, muita gente pode estar devendo uma grana ao ex-BBB a título de lhe reparar danos morais que, sinceramente, nem sei avaliar que extensão têm.
Que a internet é, por princípio, democrática, não há dúvidas. Mas há que se ter muito cuidado sobre tudo o que se publica e se comenta nesse território tão polifônico. Porque afinal uma hora a conta pode chegar. E sair muito mais cara que o serviço de banda larga...

PS.: No mínimo curioso notar que a Globo só deu espaço ao Daniel em seus telejornais depois que a Justiça tomou posição favorável ao rapaz. Não?

12.1.12

Sobre Dercy de Verdade...

As Dercys de mentirinha: Fafy Siqueira e Heloísa Perissé...

Venho de uma família na qual os palavrões são vistos com naturalidade. São parte do discurso oral, permeiam causos, piadas, conversas leves, desabafos. Não são ofensivos, porque, quando usados - e são muito! - jamais surgem com a proposta de melindrar alguém.
Acho que essa é a razão de, desde muito criança, admirar tanto Dercy Gonçalves. Ver aquela senhora na TV, tão deliciosamente anárquica e desbocada, produzia em mim uma sensação de identificação. Era como se Dercy fosse da família, agisse e se comportasse como nós. Com o passar dos anos, pude perceber que, além daquele escracho todo, a longeva atriz também trazia uma marca única! Entre todos os atores de comédia do país, Dercy se destacava: não há quem confunda o estilo dela com o de qualquer outro comediante brasileiro. E isso não é pouco...
Quando ela morreu, falei dessa admiração aqui.
Por isso, vi com entuasiasmo a iniciativa da TV Globo de produzir uma microssérie sobre a vida de Dercy. E como não poderia deixar de ser, a produção logo se revelou um programão. Primeiro, pela acertada escolha do elenco. Helóisa Perissé e Fafy Siqueira já demonstraram ter entrado em perfeita sintonia com a aura da personagem real, embora, em alguns momentos, Perissé soe um pouco caricata demais. Mas não é nada que comprometa seu desempenho, convincente tantos nos momentos de comédia como nas cenas dramáticas.
Em cena, Fafy resulta curiosa: célebre pelas imitações de outro grande humorista, Ronald Golias, ela parece personificar a cruza desses dois gênios do humor nacional. E o resultado é perfeito: o tempo, a respiração, o jeito ansioso e as famosas repetições de palavras, marcas das falas de Dercy, estão todos na tela.
A anunciada utilização dos palavrões nos diálogos foi mesmo um acerto. Alguém seria capaz de imaginar uma Dercy pudica? Além disso, pesa a favor do roteiro o fato de, ao menos até o momento, esses palavrões não terem surgido gratuitamente na tela. São usados com perspicácia, pontuando falas naturalmente, como bem sabe quem tem o hábito de utilizá-los na vida real. 
O ponto negativo, a meu ver, é a opção por um formato tão micro. Mostrar 101 anos de vida em quatro capítulos está longe de ser tarefa das mais simples e, mesmo com todo o talento e a competência da dupla Maria Adelaide Amaral e Jorge Fernando - autora e diretor da série - os capítulos têm apresentado um ritmo acelerado demais, e episódios interessantes da vida da estrela passam na tela sem maiores explicações - o que ficou ainda mais evidente no segundo capítulo, exibido ontem. Deixa gosto de quero mais, o que talvez seja interessante, uma vez que o resultado das gravações será transformado em um filme previsto para estrear em 2013.
Apesar do ritmo frenético, considero Dercy de Verdade uma das boas surpresas desse início de ano televisivo. Uma homenagem justa e merecida, a começar pela excelente abertura da série, na qual Dercy aparece como o primeiro nome do elenco. Um reconhecimento para a estrela que, nos últimos anos de sua longa trajetória, acabou por ficar rotulada como a velhinha sem-vergonha e desbocada que aparecia na TV dizendo cobras e lagartos. Dercy foi muito mais que isso. E, felizmente, ainda que de maneira tão veloz, o público está podendo descobrir.

28.8.11

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 103


Angélica, Gisele e a bolsa: sutileza zero!!!

É claro que a televisão tem que se sustentar e que, para isso, na maioria dos casos, conta com recursos vindos da publicidade. É claro que a publicidade pode ser genial, revelar tendências, lançar produtos extraordinários, alterar padrões de comportamento e, não raro, produzir comerciais tão ou mais interessantes que os próprios programas televisivos. É claro que a publicidade brasileira é uma das mais criativas do mundo - e não estou vivendo um momento de exagero patriota.
Dito tudo isso, vamos aos fatos. Ontem, no meio da tarde, liguei a televisão e me deparei com o programa de Angélica, o "Estrelas". Leve, descontraído, não exige grandes interpretações...ideal pra ver na hora do almoço. E lá estava a loira anunciando uma entrevista com Gisele Bündchen. Entre uma garfada e outra, olhava o papo das moças na telinha até que, de repente, estranhei uma bolsa colocada sobre a mesa, no meio da sala do apartamento da übermodel. Achei esquisito, porque celebridades não dão entrevistas em casa sem que tudo esteja cenograficamente disposto em seus devidos lugares. Intrigado, segui vendo o papo sobre a carreira de Gisele até que o rumo da prosa passou a ser os cabelos da top. E ela revela os segredos de fios tão bonitos: uma bisnaga de tratamento intensivo da Pantene.
Pergunta 1: Alguém acredita nisso?
Continuei olhando aquele merchandising tão agressivo quando, do nada, a tal bolsa voltou à cena: Gisele tirou lá de dentro uma necessáire e, como quem não quer nada, pegou dentro dela o tal produto milagroso. Tudo assim, casual. E, com a mesma naturalidade de um elefante sentado na primeira fila de uma ópera, explicou à entrevistadora como o tal produto deve ser aplicado nos cabelos.
Pergunta 2: Não teria um jeito menos grosseiro de fazer esse merchan não, minha gente?
Aí a conversa avança um pouquinho e Angélica revela não ter a tal bisnaguinha milagrosa - sem trocadilhos com o Huck, por favor. E Gisele Bündchen, a modelo mais generosa do mundo, dá um dos produtos para a entrevistadora.
Pergunta 3: Angélica não faz a propaganda dos produtos da Niéle Gold, gente? Como assim assume publicamente que a bisnaga da concorrência é mais poderosa e, como quem não quer nada, ainda pede um produto-rival para a entrevistada?
Eu hein!
PS.: Se quiser ver a entrevista na íntegra - e acompanhar esse nada sutil exemplo de merchandising, clique na foto.
Pergunta 4: Será que Angélica foi de táxi a Boston?

6.4.11

Sobre a estreia de Divã...

Mercedes volta a fazer análise e dá origem a seriado lançado pela Globo na noite de ontem
Um programa como Lilia Cabral, na minha opinião, já é um programa imperdível. Com uma carreira consolidada no teatro e na TV, a atriz tem se firmado como um dos maiores nomes de sua geração e sempre consegue imprimir sensibilidade em seus trabalhos. Lilia não é uma atriz óbvia, tem um jeito muito peculiar de fazer pausas e é dona de um dos olhares mais marcantes da televisão brasileira. Pra mim, uma Meryl Streep made in São Paulo.
Em Divã - o filme, a atriz levou para as telonas Mercedes, personagem que já vivera no teatro - e com grande sucesso. Sensível, engraçado e com um texto primoroso, o longa levou multidões às salas de exibição e serviu de embrião para a série que a Globo lançou ontem. E a série promete!
Logo no início do episódio de estreia, as imagens de Nova Iorque exibiram uma Big Apple lindíssima, muito bem fotografada pela equipe responsável pela série. E era só o começo de um programa que ainda traria Lilia Cabral em sua melhor forma, um texto de alto nível, assinado por Marcelo Saback, e um elenco competente - com destaque para Paulo Gustavo. Dando novamente vida ao cabeleireiro René, um dos tipos mais populares do filme, o ator roubou a cena e fez rir com sua fala acelerada e no tempo exato da comédia. Aliás, vale dizer que a TV devia uma grande oportunidade a esse belo comediante que é Paulo Gustavo. 
Enfim, Divã tem tudo para emplacar! É, na minha opinião, um dos maiores achados da TV Globo nos últimos anos.
E você, também gostou?
Comentaê!!!

2.2.11

Sobre a volta de Amor & Sexo...

Programa voltou ao ar na TV Globo e lançou um quadro "colorido": o GayMe

Falar de sexo sem que o assunto pareça um tabu é, na minha opinião, o maior mérito do programa de Fernanda Lima. A apresentadora, aliás, protagoniza um dos raros casos em que o tema da atração parece pensado sob medida para quem vai comandar o show. Linda, simpática, segura e bem humorada, Fernanda Lima não nega fogo e deixa claro que talento não lhe falta. O que, aliás, já tinha ficado claro na primeira temporada do programa.
Mas aí surgem as novidades da nova temporada de Amor & Sexo - porque televisão é feita de hábitos e da salutar necessidade de reinvenção. E, no programa de ontem, a surpresa ficou por conta de um game protagonizado por homossexuais. O nome? GayMe. E se a ideia parecia boa, acabou resultando num festival de estereótipos. Numa prova, os participantes precisavam se "montar" no meio de uma corrida de salto alto (?!). Em outra, não podiam dar pinta: ganhava quem fosse reconhecido como "hetero" pelo garçom do restaurante. Foi tudo engraçado? Até foi. Mas, a meu ver, ficou bem aquém da proposta de valorização da diversidade para qual a apresentadora alertou algumas vezes. Um caso em que a ideia parece melhor que a realização. Porque, afinal, dizer que todos somos diferentes é positivo. Dizer que os homossexuais também são diferentes entre si é igualmente enriquecedor. Mas usar elementos tão estereotipados para propor esse mergulho na cultura gay - anunciada como "a mais infliuente do nosso tempo" - acabou soando como um tiro no pé.
E vocês, curtiram?

26.1.11

Vingança de figurinista - parte 24...

Tava agorinha vendo a reprise de Vale Tudo no Viva quando me deparei com a cena da recepção pós-casamento de Afonso e Maria de Fátima. E eis que surge a mega-vilã Odete Roittman toda paramentada:

Depois não entendem os motivos que levaram tão distinta senhora ao posto de maior vilã da história das novelas brasileiras! Dá pra ser boazinha vestida desse jeito??? Sem contar que, cá entre nós, é um figurino pra Lady Gaga nenhuma botar defeito!!!
Como a novela tem 23 anos, só posso deduzir que os figurinistas, esses seres tão especiais, guardam em seus coraçõezinhos sentimentos de vingança há muito tempo...

28.12.10

Hebe faz despedida emocionada (e emocionante) do SBT

Além da grande comunicadora que é, do carisma que tem e da respeitabilíssima marca de estar no ar desde a primeira transmissão de TV no Brasil, eu acho que, ao longo desses 60 anos, Hebe se tornou uma espécie de integrante da família de todo mundo. Quem não gostaria de ter uma mãe, tia ou avó com aquela vitalidade e com aquele humor? Quem não gostaria de ter um exemplo de vida como esse por perto?
No início do ano, quando ficou doente, a estrela se surpreendeu com o carinho do público. Eu não fiquei surpreso. Já gravei uma reportagem sobre os bastidores do programa dela no SBT e vi, de perto, como a plateia realmente a idolatra. E, além disso, como ela é carinhosa e faz questão de se manter próxima e acessível a todos. Hebe também é um exemplo de artista que teve êxito na própria relação com o sucesso.
Sou fã da loiruda. E acompanhei, ontem, seu último programa no SBT. Ficou bem claro que ela esteve, o tempo todo, muito emocionada. E a razão para tamanha emoção foi mostrada no último bloco, quando Hebe leu o texto em que se despedia do SBT.
Achei verdadeiramente tocante. O texto é bonito, agradecido e elegante. Soa sincero. Hebe parece sofrer como sofrem os que desfazem um casamento. Como salientou minha mãe, ao lado de quem vi o programa, dá até uma tristeza ver Hebe, sempre tão feliz, chorando e com a expressão tão entristecida. Mas, mesmo assim, ela teve a grandeza de não deixar que eventuais mágoas apagassem os bons momentos de uma relação que chegou pertinho das bodas de prata. Exaltou Silvio Santos, patrão e amigo que - de acordo com as notícias - pretendia reduzir seu salário mais uma vez, o que teria sido a razão da saída de Hebe da emissora.
Por outro lado, também achei bonita e correta a postura do SBT. Não lembro de ter visto um único caso em que uma emissora permitisse que um artista que estivesse de saída de seu elenco fizesse uma despedida no ar. Isso é incomum até em emissoras de rádio. A TV de Silvio Santos fez diferente: além de não cortar o trecho do programa, publicou um anúncio nos principais jornais do país nessa segunda:
Chamando a (agora) ex-estrela do elenco de "rainha da TV brasileira", o SBT pareceu gentil e ainda fez um afago nos fãs da apresentadora, magoados com o rumo dos últimos acontecimentos. Por outro lado, alguns fãs de Silvio Santos, por exemplo, enxergaram na saída de Hebe uma traição no momento em que as empresas de Senor Abravanel passam por dificuldades. Mas o fato é que não há motivo para mágoas: separações como essa fazem parte do jogo.
De minha parte, reafirmo: creio que o SBT perde mais que Hebe. Sobretudo no que diz respeito à identidade. Hebe era um dos rostos mais fortes do canal; talvez o mais forte depois do dono, Silvio Santos. Desde a saída de Gugu Liberato, o SBT vem perdendo estrelas sem conseguir substituí-las por outras de igual grandeza. Desafio ainda maior agora, quando a missão é preencher o espaço deixado pela Rainha Hebe.
Que ambos, Hebe e SBT, tenham sucesso em seus desafios futuros...

14.12.10

Hebe está fora do SBT...

Participação da loira no especial de Revéillon do Faustão, gravada no último sábado, alimenta rumores de uma mudança para a Globo

Em meio aos rumores que cercavam as negociações pela renovação do contrato da loiruda com a emissora de Silvio Santos, muitos davam como certa a saída de Hebe do casting do canal. Estavam certos. A notícia foi publicada em primeira mão na coluna de Flávio Ricco, no UOL.
Não precisa ser mágico para prever que os próximos meses trarão muitas especulações sobre o destino de Hebe na TV. No Twitter, logo que a notícia começou a repercutir, pipocou uma campanha para que a rainha da televisão brasileira seja contratada pela Rede Globo. Mas há rumores de negociações com a Rede TV! e de sondagens da Rede Record.
Acho que qualquer emissora ganha em prestígio ao contratar Hebe. Ela está no ar desde o primeiro dia da TV no Brasil, e lá se vão 60 anos!!! Hebe é a maior apresentadora de TV do país, sabe tudo de comunicação e tem grande empatia junto ao público. Se isso não tem se traduzido em índices de audiência nos últimos tempos, vários fatores têm de ser considerados, inclusive as sucessivas mudanças de horário impostas pela direção do SBT. Afinal, TV é hábito.
Aposto que logo Hebe volta à televisão. E não vai me surpreender nada se for mesmo pra Globo. Mas, além disso, não me surpreenderei também se seu novo programa der mais audiência que o atual. O público ama Hebe, gosta de novidade e fará questão de dar-lhe as "boas-vindas" assim que a majestade pintar de novo na telinha.

14.9.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 93

Li por aí que o item mais disputado pelas telespectadoras que ligaram para a TV Globo nos últimos tempos foi um rastreador que a personagem da Gabriela Duarte usou para localizar o marido adúltero, vivido pelo Bruno Gagliasso. Uma espécie de GPS.
É sério: as telespectadoras da novela viram isso e se interessaram em agir do mesmo modo que a louca mulher da ficção!!!
Isso pode ser bom? Sim, se considerarmos o ponto de vista do fabricante do tal dispositivo. Porque, de resto, essa busca pelo detector de chifres só revela como andam loucas as relações nesse nosso tempo. E como valores como a confiança e o respeito estão esquecidos num canto qualquer desse mundo maluco.
Diante disso, pergunto-vos: não é melhor pular fora de uma relação na qual a saída para buscar a tranquilidade é instalar um GPS no parceiro?
Honestamente, não entendo esse vale-tudo para não ficar só...

26.8.10

Os barracos das nossas estrelas - Marcos Mion x Fabíola Reipert...

E o Twitter segue revelando ao mundo uma série de barracos que ficavam escondidos sob o tapete vermelho do mundo das celebridades. A última confusão - até o fechamento deste post, claro - envolveu Marcos Mion e Fabíola Reipert. Mion é apresentador e diretor geral do Legendários, programa de humor (???) da Record. E Fabíola é jornalista especializada em celebridades, do R7 - o portal da Record na web.
Legendários é um programa pouco engraçado e muito pretensioso que, até o momento, ainda não justificou todo o estardalhaço feito à época de seu lançamento. Ao comentar a edição exibida no último sábado, Fabíola revelou que os números de audiência não estão nada bem...
O tweet de Fabíola levava ao post que ela escreveu sobre o assunto no R7. Entre outras coisas, ela dizia que o "sinal amarelo" estava aceso na Record, e que o programa poderia passar a ser gravado. Mion não gostou:
Defendendo a cria, Mion ironizou a jornalista. Fabíola, por sua vez, deu o troco:
Barraco devidamente armado, Mion escreveu um texto para a jornalista em seu blog. E hoje, para fazer as pazes, pagou um gogo Boy para visitá-la. No meio da redação. Fabíola contou a história em seu blog. E o apresentador publicou um post com o vídeo da "surpresa" preparada para a jornalista. E diz que o caso está encerrado. E justifica a escolha do gogo boy: "Rezam as leis da boa etiqueta: Se vc for caluniado, responda a altura. Se quiser fazer as pazes, mande um presente. Se for dar um presente, pesquise o que a pessoa mais precisa."
É turma...gente fina é assim: dá barraco mas segue fiel às regras da boa etiqueta...

2.8.10

Mico do Ano: telespectador desbocado xinga ao vivo no Manhã Maior...

Programas exibidos ao vivo, com a participação de pessoas pelo telefone, sempre estão sujeitos a imprevistos. Na maioria das vezes, esses riscos são minimizados por um forte esquema de triagem das ligações, evitando que qualquer engraçadinho ponha a boca no mundo e aproveite alguns segundos em rede nacional para mandar mensagens inoportunas, deselegantes ou inconvenientes.
Na maioria das vezes é assim. Mas hoje, na Rede TV!, alguma coisa ficou fora da ordem...

É o cúmulo da grosseria e da falta do que fazer! Sou solidário aos colegas apresentadores, constrangidos diante de uma situação tão vexatória. Mas não posso deixar de registrar que trata-se de uma bela candidatura ao prêmio mais disputado desse humilde blog...
E olha que nem considerei o fato de, semana passada, a atração da Rede TV! ter recebido um telefonema de uma mulher que jurava estar participando de um programa de...rádio!!!
É ou não é uma candidatura forte???

1.8.10

Vingança de figurinista - parte 17

Tarde de sábado. Estou tirando meu cochilo pós-almoço e eis que me deparo com Claudia Leitte cantando no Caldeirão do Huck. Até aí, nada demais. Não fosse o traje usado pela cantora na apresentação: uma vestimenta digna da mais honrosa menção nessa série do B@belturbo.
Ou não?

Dizem que o modelito se chama "quero ser Lady Gaga". Mas, antes que especulem, é bom avisar: não foi Ivete Sangalo a responsável pelo desenho de tão arrojado figurino, ok?
PS.: Esse post foi sugerido por Luciana Ribeiro, uma das leitoras mais interativas desse blog. Valeu, Lu!