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13.12.09

Dois anos de muita saudade...


Por mais que amadureça, por mais que o tempo abrande dores e sentimentos, a vida tem me mostrado que há lacunas que jamais conseguiremos preencher. Como é a sua ausência, vó.
Hoje faz dois anos e ainda sinto o peito apertar de tanta saudade. Saudade de rir contigo, de ouvir tua voz e as histórias deliciosas da sua época de criança. Saudade de zombar do seu apetite com as mangas e de te olhar admirando sua força e sua doçura. Saudade de te pedir a benção e me sentir verdadeiramente abençoado por você.
Saudade de comer seus salgadinhos sem igual e de gargalhar das receitas que, na prática, não se concretizavam do jeito que você planejava. Saudade de andar de braço dado contigo, de tomar banho de mar cuidando de você como quem cuida da mais preciosa das pedras preciosas...
Agora, vó, você mora dentro de mim. Te guardo no peito e nas memórias que tive a sorte de acumular no tempo em que você esteve aqui com a gente. E sei que minha pedra mais preciosa virou uma estrela para emprestar seu brilho ao céu. Mas confesso: há dias, como hoje, em que só queria ter você um pouquinho mais aqui por perto, pra poder te encher de beijos e deitar no teu colo.
Sonho do menino que teve a sorte de ter uma vó tão maravilhosa como você sempre por perto...

12.12.09

O gabarito...

A gente erra pra aprender a acertar. Há também erros que se revelam acertados. Viver é a maior e a mais complexa das experiências e nós, ao mesmo tempo cientistas e cobaias, nos indagamos a todo instante o segredo da fórmula do viver bem. Quais elementos, somados, resultam na felicidade? Qual a alquimia do amor eterno?
Respostas que nunca virão, hipóteses que jamais serão checadas no gabarito da vida. E que atire a primeira pedra quem nunca pensou nos rumos que a vida seguiria se um passo de nossa caminhada tivesse levado à outra rota...

22.11.09

O toque de Minas...

Toda de branco, eis que surgiu a bela mulher responsável por executar aquela tarefa. Uma massagem terapêutica, nada erótica, nada sensual. Vestia uma calça que modelava o corpo bem torneado e uma blusa que apenas permitia supor toda a beleza que o decote tímido não deixava que se visse. Os cabelos, alourados, estavam presos em rabo de cavalo, e parte da franja cobria sua testa. Tinha olhos verdes. E sotaque. De mineirinha!
Apresentou-se com simpatia e, se é que isso é possível, com distanciamento. O cliente já estava sobre a maca, apenas de cueca, pronto para cumprir mais uma etapa de seu tratamento. Sim, ele reparou a beleza da moça. Mas não deu especial atenção à ela. A situação era delicada.
E ficaria ainda mais...
Primeiro, ele sentiu o gelado gel usado na massagem em contraste com o calor do seu corpo. E, em seguida, a maciez daquelas mãos mineiras, que percorriam seu abdôme e parte do tórax. Era relaxante demais, apesar da força empregada pela moça a cada movimento. Fechou os olhos e se deixou levar por aquele momento. Se o paraíso existia, finalmente tinha chegado nele!
Até que alguma coisa o despertou de seu transe. Até agora não sabe dizer se, tal qual Eva, a massoterapeuta também havia provado do fruto proibido, mas o fato é que, num repente, as mãos da moça já desciam bem mais além do que o habitual. Percebeu que sua cueca também estava um pouco mais baixa que de costume e mais: que o corpo já reagia aos estímulos daquela massagem.
Deliciosa e assombrosa massagem! Instigante, intrigante e vexatória massagem: lá estava ele, de cueca, sobre uma maca, sendo massageado por uma linda mulher e, sem que pudesse conter ou negar, excitado por toda aquela situação.
Lembrou-se das dicas de amigos e se pôs a pensar em coisas tristes. Imagens de guerra, de cães mortos, da fome na África: tudo passou pela sua mente em uma interminável fração de segundos. Mas a tática se revelou ineficaz...
Até que a mineirinha passou a intensificar a massagem. E - jamais se saberá se foi intencionalmente ou não - vez em quando passou a roçar seus seios sobre o abdôme dele. Ele, olhos fechados, concentrando-se para tentar domar o indomável, questionava-se se seria de bom tom pedir desculpas ou ensaiar qualquer manifestação de pesar pela gafe, cada vez maior, que se erguia sob a sua cueca. Chegou a abrir a boca para tentar desfazer aquele silêncio constrangedor quando um toque o fez suspender a respiração. Não, não podia ser! Estava delirando, claro! A mão dela não teria...! De novo! E outra vez...
Seus músculos se contraíram. Respirou fundo. Como quem não quer nada, abriu os olhos e viu a expressão séria, profissional, da mineirinha massagista. Quem visse aquele rosto sereno não poderia jamais supor que, por algumas repetidas vezes, as delicadas mãos dela se enfiaram dentro de sua cueca. E, nunca se saberá se propositadamente ou não, massagearam suavemente uma parte de seu corpo que não estava incluída naquele tratamento!
Se pensasse como aquela ex-ministra, teria relaxado e...
Mas não: acalmou-se e resolveu aproveitar aquela fortuita e proibida aventura...

16.11.09

Vermelho sangue...

O fio reflete a luz da vela. Brilho cortante no meio da noite escura. A pele arrepia e a boca, completamente seca, incomoda-se com o gosto daquela fita.
A fita que lhe cobre.
A fita que sufoca.
A fita que lhe emudece.
A fita que lhe enlouquece...
A chama queima o pavio cada vez mais curto da vela. Curto como o pavio de quem aperta aquele cabo, com a firmeza típica dos que têm certeza do que fazer. E de como fazer.
Um só golpe.
Rápido.
Preciso.
Apunhalada no meio daquela garganta que tantas vezes lhe disse palavras duras. A facada final em quem tantas vezes agiu para matar seus sentimentos.
E então, sopra a chama da vela até que se faça o breu. E, em segundos, mesmo no escuro, tem a certeza de que o carpete cinza está irremediavelmente tingido de vermelho...

14.11.09

Carta de um carioca para Deus...

Senhor,

Há tempos venho postergando o desejo de lhe enviar essa correspondência. Confesso que nem sei se chegarás a ler estas mal digitadas linhas, mas preciso tentar. Sei que tens mais de 6 bilhões de filhos a lhe amolar com toda sorte de pedidos, e igualmente entendo que, embora grande, sejas apenas um para atender à tamanha demanda. Portanto, em verdade lhe digo, Senhor, compreenderei caso não me possas atender.
Mas, se me permites advogar em causa própria, digo que o que peço não servirá apenas para atender à minha vontade. O que peço alegrará, sim, alguns milhões de irmãos meus. E creio que seja uma solicitação simples, que não vai exigir grandes esforços do Senhor ou de sua equipe...
É o seguinte: se for possível, ó Deus, peça a alguém para auxiliar São Pedro no controle do termostato que regula a temperatura aqui da minha cidade. Talvez São Pedro esteja influenciado pelo estereótipo do verão, pelas imagens que a mídia mostra das praias lotadas nessa época do ano e, com todo o respeito, pelas moças que vão à olra para bronzear suas intimidades e, para isso, tornam público o que, em outras épocas, o Senhor sabe, era comum esconder. Sim, talvez o guardião do clima e da chave dos céus se tenha deixado levar pela beleza dourada dessas novas Evas e, para vê-las cada vez menos cobertas, esteja calibrando o sol com intensidade muito elevada. Se continuar assim, todo o trabalho que o Senhor fez lá atrás, durante quase uma semana, vai por água abaixo! Imagine que absurdo: o Senhor se esforçou tanto para criar climas e paisagens tão diferentes e vem São Pedro, atraído sabe-se lá por quê, e faz tudo virar um enorme deserto! Não pode, Senhor! Aqui em minha cidade não há camelos e, no meio de todo esse caos, certamente se tornará dificílima a tarefa de encontrar um oásis que seja caso o termômetro não seja reconfigurado.
Senhor, o calor anda tamanho que há quem diga ter visto, dia desses, a estátua de seu filho com apenas um dos braços aberto. Com o outro, dizem, o Redentor se abanava arduamente...
Imagine o Senhor que andam até dizendo que, nesse quase-verão, o - com o perdão da má palavra - inferno é aqui!
Será que podes me ajudar, ó Pai?
Aguardo o retorno.
Sua benção,
Um carioca.

6.11.09

Amor naufragado no cais dos desencontros...

Acene. Acene pra mim e me diga adeus. Acene desse cais dos desencontros e me veja partir, seguir viagem nessa navegação errante pelos mares da solidão. Mares de águas traiçoeiras, escuras, sombrias...geladas como o vento que sopra em meu rosto. Geladas como são todas as coisas quando não tenho a você pra me aquecer...
Se você me acenar, prometo retribuir. Prometo olhar pra você se apequenando enquanto me afasto e tentar segurar as lágrimas pela viagem sonhada que jamais faremos juntos. Pelos planos que não chegaremos a executar e por toda uma infinidade de outros deles, que sequer poderemos planejar. Lágrimas pelos desvios de percurso gerados pelas minhas vacilantes mãos no comando do leme da nossa história...
Agora, passado. Passou nosso tempo, passou nossa chance. Passei batido sem reconhecer em você o tudo que eu sempre busquei sem encontrar em lugar nenhum. Segui viagem mar adentro e te deixei ali, no meio do oceano, gritando por um regresso que tardou muito. E quando voltei, era tarde demais: agora, se a vida ainda pulsa em você, vi que é ela que falta para levar adiante o nosso amor.
Nossa naufragada história de amor...

25.10.09

Amoroso sono...

E no escuro da noite, teço um cobertor pra te aquecer. Canto pra teu sono chegar e, quando ele vem, vigio, um a um, os teus sonhos. Protejo-te dos dragões e das serpentes, amparo teu corpo cansado das lutas e é meu o braço a te salvar da queda do penhasco. Quando o deserto é o cenário dos teus devaneios noturnos, faço as mãos em concha para te refrescar com um gole d'água.
Pura. Cristalina.
Como o meu amor...
Vejo você. Velo você. Passo as horas a te olhar, incansável. Sorrio dos movimentos involuntários que o sono provoca e, o tempo todo, acarinho teus cabelos. Quando o teu sono parece mais agitado, canto em teu ouvido, baixinho, que tudo está bem e tranquilo no mundo aqui fora. E que o sol ainda não está a brilhar no céu...
Porque o sol só gosta de brilhar quando tem a tua companhia aqui na terra...
Quando acordas, sou imprestável. Cansado, exausto. E vou dormir com a mais bela cena que o mundo já produziu: o teu despertar. O abrir dos teus olhos. E sua boca, doce e sorridente, a me desejar um bom dia...

19.10.09

O último show da turnê...

Em cena, os aplausos preenchem todos os espaços da casa de espetáculos. Os olhos cintilam, os flahes pipocam por todos os cantos. Agradece. Agradece a presença de todos em mais um show, o último da turnê. A emoção lhe domina e seus sentidos parecem tomar conta de seu corpo, de cada um dos seus movimentos. A plateia aplaude efusivamente...
É quando seus olhos passeiam pela primeira fila. Na penumbra, avista algumas das pessoas mais importantes em sua vida. Os que lhe fazem encontrar a força nos momentos de fraqueza. Aqueles com quem divide as glórias e as dores de ser quem é. E ali, naquela primeira fila, no meio de tantos rostos amados, encontra um. O mais amado de todos. Aquele rosto de quem faria tudo para lhe alegrar, para lhe proteger, para lhe amparar. O rosto do seu amor. Do seu grande amor.
Em meio aos aplausos, ainda ensurdecedores, sentiram que estavam, de algum modo, conectados. Olhavam-se e se sentiam próximos como nunca. Como sempre. Como sempre estiveram ao longo daquela trajetória bonita, em cada dia que se empenharam para construir uma relação maior e mais verdadeira que todas as que enxergavam ao redor. Agora, tanto tempo depois, não tinham mais uma relação dessas que as pessoas gostam de dizer que têm. Mas tinham a relação. A que quiseram e fizeram.
No palco, o astro agradece uma vez mais e caminha na direção daquele olhar amado. Estava emocionado e a sensação de alegria ocasionada por aquele encontro aumentava a cada passo. Senta-se na beira do tablado, olha para trás, faz um sinal para os músicos. Respira fundo e, olhando para aqueles olhos, começa:

Eu não me acostumo sem seus beijos
E não sei viver sem seus abraços
Aprendi que pouco tempo é muito
Se estou longe dos seus braços

E por isso eu te procuro tanto
E te telefono a toda hora
Pra dizer mais uma vez `te amo
Como estou dizendo agora

Faço qualquer coisa nessa vida
Pra ficar um pouco do seu lado
Todo mundo diz que não existe
Ninguém mais apaixonado

Meu amor, você é minha vida
Sua vida eu também sei que sou
Cada vez mais juntos
Quem procura por você
Sabe onde estou

Olha, eu te amo tanto e você sabe
Sou capaz de tudo se preciso
Só pra ver brilhar a todo instante
No seu rosto esse sorriso

Faço qualquer coisa nessa vida
Pra ficar um pouco do seu lado
Todo mundo diz que não existe
Ninguém mais apaixonado

Meu amor, você é minha vida
Sua vida eu também sei que sou
Cada vez mais juntos
Quem procura por você
Sabe onde estou

Olha, eu te amo tanto e você sabe
Sou capaz de tudo se preciso
Só pra ver brilhar a todo instante
No seu rosto esse sorriso

Termina de cantar a música de Roberto Carlos com os olhos marejados. Mas traz um sorriso no rosto. O mesmo que encontra ali, na fila do gargarejo. Agradece a todos pela presença, pelos aplausos e, com a voz um tanto embargada, resolve dizer a única verdade que trata como absoluta:
- Não tenham, jamais, vergonha de falar dos seus sentimentos! Nunca! Sentimento guardado não é nada, passa, a gente esquece! Sentimento só existe, de verdade, quando a gente fala dele! Muito obrigado!
Os aplausos aumentam ainda mais - àquela altura, o público aplaudiria qualquer coisa que dissesse - e ele se vira uma vez mais na direção daquele olhar:
- Eu te amo, viu? E estarei sempre do seu lado!

15.10.09

Carta aos mestres...

Dia desses, num almoço de família, encontrei um rosto familiar. Seria óbvio, não fosse o fato de que a dona do rosto não é minha parente. Era Sônia, uma professora de Ciências dos tempos do primário. Lá se vão uns 20 anos e fiquei impressionado com o fato de ainda lembrar dela com tamanha clareza...
Nunca fomos especialmente próximos, mas, na hora, percebi a razão que me fez guardá-la comigo por todos esses anos: numa de suas aulas, ao falar sobre o tema água, Sônia ligou um gravador e colocou para tocar uma fita cassete - sim, eu disse que faz 20 anos!!! Amanda Hora, por exemplo, nem devia ter nascido ainda... - com a música Planeta Água, do Guilherme Arantes. Lembro de termos ficado todos em silêncio, ouvindo a canção e impressionados com o prazer que aquele momento parecia despertar na professora. Foi, não tenho dúvida, um instante de comunhão. Único. Tão forte que sou incapaz de saber sobre o que tratamos depois. Mas ficou, num lugar empoeirado do meu cérebro, a imagem daquela professora comprometida em surpreender os alunos e oferecer uma aula diferente, rica e especial.
Encontrei Sônia e não tive coragem de cumprimentá-la. Bobagem dessa minha timidez! No finalzinho do dia, nós nos despedimos e, aí sim, trocamos umas breves palavras sobre aquele tempo. E eu perdi a chance de dizer à minha mestre como aquela cena, talvez até corriqueira, ficou marcada em mim...
Hoje, 20 anos depois, trabalho com e para professores. Viajo o país e conheço os mais variados tipos, ouço os mais diversos sotaques e sou apresentado a várias maneiras distintas de se pensar e de se fazer a educação. E vejo que, ao contrário do que parece ser o senso comum, há muitas Sônias espalhadas pelas escolas brasileiras! Pelas escolas públicas desse país! Sônias e Sônios comprometidos em criar, em contribuir, de fato e com qualidade, para a formação da nossa criançada. Profissionais que lutam diariamente contra os mais diversos obstáculos para, de alguma forma, ajudar a erguer as bases para uma sociedade mais justa e mais feliz. Profissionais que deviam ser o orgulho de todos nós!
A esses profissionais, hoje, mando um abraço fraterno. Aos que me assistem pela TV, pela internet e, de um modo muito especial, a todos que, cada qual a seu modo, contribuíram para que eu pudesse me tornar o homem que sou.
Feliz Dia dos Mestres!
E você, também tem um mestre inesquecível?
Comentaê!!!

8.10.09

Fazer aniversário é...

... a certeza maior do quão rápido passa o tempo.
... sinônimo de festa, de scraps, de e-mails e muitos telefonemas.
... um dia pra estar com as pessoas que a gente ama.
... um dia pra se fazer tudo aquilo que se gosta de fazer...
Fazer aniversário é tudo isso! Mas é, pra mim, tempo de pensar. Pensar no ano que passou e no que vem pela frente. Lembrar das alegrias, das tristezas e sonhar com coisas boas pra mim e para os que amo.
Fazer aniversário é, sobretudo, um dia de agradecer. Agradecer pela saúde, pelos infortúnios superados, pelas tristezas esquecidas e pelos problemas que não tenho. Agradecer pela vida que vivo, pela família que é minha, pelas pessoas especiais que encontrei, pelo prazer que tenho em trabalhar com o que gosto.
E fazer aniversário é dia de agradecer por continuar tendo mais motivos pra rir. Sempre! E por ter a sorte de me sentir confortável na minha própria pele.
Portanto, obrigado, turma! Por todas as alegrias vividas aqui, juntos! Pela energia boa, pelo carinho, pela parceria, pela companhia e por fazerem desse blog a extensão da vida leve que eu tanto gosto de levar...
E vamo que vamo!!!

3.10.09

Solidão no alto da mais alta das dunas...

Contemplava o sol, no alto da mais alta das dunas. A luz alaranjada do pôr-do-sol refletia na lagoa que havia lá embaixo e dava um colorido diferente aos coqueiros que lhe serviam de companhia. Única companhia.
Ventava muito e a areia corria para todos os lados, como se sem direção. Tão sem destino quanto se sentia lá em cima. O vento era forte, mas não o bastante para carregar consigo seus pensamentos, suas queixas e suas dores.
O som da natureza era alto, ela parecia querer se mostrar presente, forte, atuante. Mas o maior barulho que podia ouvir era o grito da sua profunda solidão. Ali, no alto da mais alta das dunas que havia, sentiu seus olhos se encherem de lágrimas ao perceber que, mesmo o sol, solitário durante todo o dia, ali, naquele instante, parecia se encontrar com as águas do mar.
Encontro que lhe deixava todo o dissabor de ser o mais só naquele belo cenário...

27.9.09

O doce mais doce que há...

Dia de Cosme & Damião, pra mim, tem gostinho de doce. Daquele doce de amendoim açucarado, dos pirulitos vagabundos e do saco de jujubas coloridas que sempre vinham dentro dos saquinhos de guloseimas ofertados pelos devotos dos santos...
Mas isso era no tempo em que eu era moleque. Hoje é raro ver alguém "dando doces" por aí. Uns 20 anos atrás, era raro ver uma casa que não distribuía os tais saquinhos. E a molecada toda disputava pra ver quem conseguia apanhar mais sacos repletos de doces. E quando o saquinho tinha um mísero bombom, era a glória!!!
Todas essas minhas memórias estão associadas à minha vó. Era pra casa dela que eu e meus primos costumávamos ir em dias como hoje. Era lá que enchíamos a geladeira, cada um com um pote próprio, abarrotado com o fruto da correria do dia.
Era lá que ser criança era tão gostoso como o mais gostoso dos doces de Cosme & Damião...
Agorinha, limpando meus arquivos de um pc que pretendo doar, achei o arquivo do documentário que fiz quando minha vó fez 80 anos. Revi um bocado, até que o nó na garganta quase encheu meu domingo com o gosto amargo dessa saudade que não passa nunca. Mas vi, ali, bonitinha como nunca, minha vó contando histórias, sorrindo e falando de seu amor por todos nós. E pensei que vê-la ali, como se falando comigo, foi o doce que Cosme & Damião reservaram pra mim no dia de hoje...

E viva os santos gêmeos!

26.9.09

A grande final da promoção!!!

Duas Lucianas disputam o exemplar de "Humor Vermelho". Luciana Chagas e Luciana Ribeiro enviaram as melhores frases para explicar o sumiço dos quatro legendários nomes da MPB. A votação segue até o fim da noite do próximo dia 04 de outubro. O resultado será imediatamente divulgado e a felizarda receberá o livro rapidinho - se a tal greve dos correios deixar, claro!
Portanto, meninas, divulguem a enquete que vai definir o rumo da promoção. Leva a melhor quem tiver mais votos, ok?
Bjs e boa sorte pras duas!

13.9.09

Carta para uma fortaleza em forma de mulher...

Ponho minhas mãos em sua testa para verificar se estás quente. Melhor: pra comprovar que não estás fria. Desculpe-me se lhe parece invasivo, mas só assim posso me certificar de que tu não és feita de madeira ou pedra. És, sim, humana, apesar de forte como a mais resistente das rochas.
Surpreso ao me deparar com tua humanice, pergunto a mim mesmo: de onde vem essa tua força, guerreira? Que fibra é essa da qual és feita, capaz de suportar tudo e toda a sorte de adversidade? Que poder é esse de crer tanto, em tanta coisa e de, mesmo diante do conforto que a fé nos dá a todos, correr para fazer a tua parte, sempre?
Não encontro outra resposta que não a tua coragem. A coragem de enfrentar a vida de peito aberto, de não te desesperares mesmo quando a dor e o sofrimento te apertam a garganta com o mais cego dos nós. A coragem de não fugir da luta, de seguir firme no papel de viga que sustenta o castelo dentro do qual guardou teus sonhos de felicidade e de amor. Sim, tu és a mais forte e corajosa das mulheres que já conheci.
E sabe de uma coisa, tia? Eu me orgulho demais de você!
E te amo muito!

9.9.09

About me...

Por muito tempo me inquietou o desafio de escrever sobre mim mesmo pro meu perfil no orkut. Em cinco anos dando as caras no site de relacionamentos mais famoso do país, já coloquei no "about me" trechos de música, de poemas, definições lacônicas, prolixas, vagas e, em outros tantos casos, até profundas demais. E nenhuma delas, até então, havia me dado a sensação de estar, enfim, traduzido em palavras.
Hoje, quando nem estava encasquetado com essa história, fui dar uma olhada no meu perfil e, ao ler o "quem eu sou", fui tomado por uma ideia. E deixei a moça ganhar a tela:

"quem sou eu: Na televisão, o apresentador. Em casa, o filho. Entre amigos, o moleque. Na rua, o sujeito tímido. Em todos esses lugares, eu. E sou esse eu a cada tempo de um jeito diferente. Juntando características novas, que vão se somar aos defeitos e qualidades antigos. Só faço questão de manter uma porção de mim sempre comigo: a fé de que o sorriso é o maior aliado de quem busca uma existência leve, plena e feliz."

E não é que, sem querer querendo, acho que consegui me definir direitinho?

2.9.09

Sobre o lançamento...

Cheguei há pouco do lançamento do "Humor Vermelho". E posso contar que essa foi uma noite com um significado muito especial pra mim. Primeiro, por ter podido rever tanta gente querida e por ter tantos amigos ao meu lado num momento de tanta felicidade. E, além disso, por, de certa forma, me sentir numa sintonia muito especial com meu pai, que tá lá em cima olhando por mim há quase 20 anos. O coroa era amante da literatura e, se posso contar que minha mãe me alfabetizou, digo com o mesmo orgulho que dele herdei o gosto pelos livros.
Pai, sei que você tá orgulhoso. É pra você, viu?

PS.: O post pode parecer piegas. E ainda parecerá mais, porque quero agradecer, sinceramente, a TODOS os amigos que se esforçaram e, depois de um dia de trabalho, apareceram lá na livraria pra me dar um abraço apertado. Senti em CADA UM a mesma felicidade que senti quando soube que "Sapequinha" seria publicado. Agradeço também aos que não puderam comparecer e, por telefone, e-mail, twitter, msn, orkut e afins encontraram um jeito de me dizer palavras de carinho e amizade.
E um agradecimento muito especial a Amanda Hora, que tive o prazer de conhecer depois de tanto tempo de papo aqui no B@belturbo. Amanda, você não faz ideia de como esse blog foi importante para que aquele conto chegasse ao papel. E você é parte dessa história, sabia?

VALEU, TURMA!!!
E vamo que vamo!!!

1.9.09

Dia de Humor Vermelho!

É hoje, pessoal! Espero vocês lá!!!

Blog tipo exportação?

Ainda olhando as estatísticas de acesso ao blog, aproveito pra agradecer aos visitantes da França, do Reino Unido, do Uruguai, da Lituânia e dos Estados Unidos que, surpreendentemente, passam mais tempo aqui que os portugueses.
Pode parecer boboca, mas, mesmo depois de tantos anos conectado, ainda acho fascinante esse poder que a internet tem de riscar todas as fronteiras do mapa...
E, claro, vamo que vamo!

Balancete!!!

Breve, só pra dividir com vocês a alegria pelo crescimento de 10% no número de visitas registradas aqui no B@belturbo durante o mês de agosto. Isso aqui tá ficando cada vez mais gostoso!!!
E vamo que vamo!

27.8.09

Da inveja...

Na mais escura das profundezas, no mais escondido dos cantos da mente, há o menor dos sentimentos humanos: a inveja! Perigosa e traiçoeira, é armadilha ajeitada pra sempre pegar o próprio caçador. Pequena e limitadora, agiganta-se dentro do peito do invejoso e, pouco a pouco, passa a dominá-lo, a amesquinhá-lo, a reduzí-lo e limitá-lo. Até que ele, quando percebe, já é um escravo desse sentimento tão torpe.
Há quem confunda inveja com ambição. Engano tolo, primário. A ambição é o que nos move, é o que nos impulsiona em direção à realização de nossos sonhos. Inveja tem quem não consegue definir as próprias ambições ou não consegue atingí-las, e, com isso, passa a desejar - e a se frustrar - com as conquistas alheias.
Inveja tem quem é menor que os próprios sonhos. Quem é infeliz com o cenário que a vida lhe oferece. Quem se lamenta mais do que se dispõe a produzir. Quem passa mais tempo sofrendo que buscando a cura para as próprias angústias. Quem se apega a verdades absolutas que nada mais fazem que aprisionar num mundo idealizado. Quem se acomoda com o que acha estar bom - ignorante de que o bom de hoje pode ser o ruim de amanhã.
Inveja tem quem não tem humildade o bastante para reconhecer as próprias dificuldades e, com isso, enfrentá-las. Inveja tem quem não cria. E sofre por tentar e, ainda assim, não conseguir copiar.
Que Deus proteja os invejosos. E que os liberte desse sentimento. Do contrário, jamais serão felizes...