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6.4.15

Eduardo: mais uma vítima do nosso esquecimento..

Eduardo: mais um "futuro bonito" que nunca vai chegar...
Eduardo de Jesus Ferreira tinha 10 anos. Passava 10 horas por dia no colégio, um CIEP de Olaria. Era filho de uma diarista. Sonhava com um futuro bonito e dizia à mãe que a amava várias vezes por dia.
Que tristeza ter de escrever esse texto conjugando todos os verbos no passado...
Eduardo foi mais uma triste vítima da tragédia da segurança pública de uma cidade que, em vez de extinguir abismos, apenas resolveu fingir que eles não mais existiam. Um Rio de lágrimas - e de sangue - que segue mais partido do que nunca.
Eduardo foi morto e vi no Twitter sua foto sem vida. Terrível, trágica, dolorosa. Estirado e ensanguentado como jamais deveriam aparecer nos jornais meninos de sua idade - sobretudo quando a absurda extinção de suas vidas decorresse de tamanha negligência. De tamanho descuido. De tão absurdo silêncio de todos nós para uma história que se repete à exaustão. Não exagero: na última década, no Rio de Janeiro, 50 crianças foram mortas por policiais em incursões tratadas como rotineiras pelo Estado.
O que se faz diante disso?
Nada.
A gente sofre, a gente se entristece. E vem um novo escândalo, vem uma nova manchete terrível; vem uma nova piada no whatsapp. 
E a gente esquece.
A gente esquece do Eduardo, esquece da dor incurável da mãe que estava se desdobrando para pagar cursos de inglês e informática pro garoto. A gente esquece do futuro bonito que ele nunca vai ter. Esquece de todas as contribuições que ele poderia vir a dar para ajudar a curar essa sociedade doente, covarde, assassina. Sim, a gente esquece que empurrou o policial para aquele tiro. A gente esquece que naturaliza, dia após dia, o inaceitável. A gente esquece que o escândalo seria muito maior se Eduardo de Jesus Ferreira morasse na Vieira Souto. A gente esquece que há lugares em que a polícia jamais entraria como entra no Complexo do Alemão. A gente esquece que vive num contexto em que o CEP determina como o cidadão vai ser tratado. E esquece que esse tratamento se desumaniza proporcionalmente à redução do valor do IPTU.
A gente se esquece porque é covarde. Porque se acostumou a achar que as coisas são assim. E porque não sabe como ou o quê fazer para alterá-las. 
Queremos alterá-las?
A gente se esquece porque é cômodo. Porque Eduardo, infelizmente, não foi o primeiro e não será o último. 
Quantos mais serão?
A gente se esquece porque favela é perigoso. Porque acha que - como ouvi dia desses - quem mora lá já sabe que o futuro pode nunca chegar.
E chegará?
A gente se esquece, sobretudo, porque vem esquecendo a cada dia mais o que significa a palavra humanidade.
Humanidade?

8.4.14

E Valesca caiu na prova...

Polêmica envolvendo questão que trazia versos de funk aponta para a necessidade de nossa sociedade dar tiro, porrada e bomba no preconceito...
Desde ontem só se fala nisso no Facebook. A prova de filosofia aplicada pelo professor Antonio Kubitscheck, do Centro de Ensino 3 de Taguatinga, em sua turma do 3º ano do Ensino Médio. Uma foto postada nas redes sociais trazia uma questão em que os alunos precisavam escolher a alternativa que completasse os versos do sucesso "Beijinho no Ombro", da funkeira carioca Valesca Popozuda. Pronto! Foi o bastante!
Li muito sobre o assunto, fiz alguns posts sobre o caso, mas o Facebook não serviu para extravasar tudo o que penso sobre o caso. Não é de hoje que entrevisto professores e pesquisadores que relatam um fenômeno: nossas escolas - e não falo apenas das brasileiras, muito menos só das públicas - parecem instituições do século XVIII. Paradas, imutáveis, as escolas não têm conseguido despertar o interesse de jovens extremamente conectados, capazes de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, cada vez mais autônomos nos seus processos de desenvolvimento de habilidades múltiplas. Parece bobagem? Não é! Essa realidade implica numa longa, séria e necessária discussão sobre o papel da escola do nosso tempo; sobre a atuação do professor e sobre que tipo de cidadãos queremos formar. 
Pois bem, muitos desses mesmos especialistas assinalam para a importância de que o professor esteja sensível à realidade do aluno. Onde vive? Como vive? Quais são seus gostos? O que consome em termos de cultura? Que cultura produz/reproduz? Para esses pesquisadores, somente por meio do real entendimento do aluno e da realidade em que ele está inserido será possível que o professor estabeleça um diálogo, capte o interesse de crianças e jovens e possa, enfim, desempenhar seu papel educativo. O professor, entende-se, não é mais um transmissor de informações. Ele é mediador! Ele está entre o aluno e o conhecimento. E não há mediação sem troca, sem partilha. Trata-se de um processo permanente em que os sujeitos dão e recebem; dividem saberes para somar conhecimentos. 
Portanto, minha gente, o que o professor Antonio Kubitscheck fez de errado? Ao julgar seu trabalho por um recorte descontextualizado de um teste, erramos todos nós. O professor pode estar brincando? Pode! Aquela pode ter sido uma espécie de "pegadinha"? Sim! Mas também pode ser parte de uma ampla discussão travada em sala de aula. Sobre cultura, sobre a banalização da violência - já que os versos falam sobre "tiro, porrada e bomba", sobre...o que os alunos ouvem. Ou seja: pode haver ali uma discussão muito mais ampla e rica do que essa rasa argumentação de quem acha que "escola não é lugar de ouvir ou de falar de Valesca Popozuda".
A própria cantora se defendeu nas redes sociais. Sagaz, apontou o dedo para a ferida: há muito preconceito envolvido nessa discussão. Se fosse qualquer outra letra, de qualquer outro estilo musical, muito provavelmente a repercussão não seria essa. Acrescento: certamente não seria lançado sobre o trabalho do professor esse olhar pejorativo que paira desde que a notícia ganhou espaço nas redes e nos grandes portais noticiosos. Quem nunca fez uma prova em que um trecho de música tenha sido parte de uma questão que atire a primeira pedra! Ou que dê o primeiro tiro, porrada...ou jogue a primeira bomba!
"Ah, mas isso não é música que preste", dirão alguns. "Isso não é música", afirmarão outros. "Valesca Popozuda é ruim demais, não é cultura", sentenciará outra parte. Aí é que mora o perigo. Tratar o popular e o erudito segundo uma lógica hierarquizada é um equívoco histórico, que traz mais prejuízos que ganhos. A escola pode - e, a meu ver, deve - discutir Valesca Popozuda, Anitta e o que mais vier para dentro do seu cotidiano. É essa a realidade em que muitos dos alunos estão inseridos. Conhecer essa realidade, respeitá-la e, a partir dela, abrir um canal para apresentar outras manifestações da cultura é o caminho para que o professor consiga ter êxito em seu diálogo com os alunos. Mostrar que as expressões da cultura popular são reconhecidas na escola pode contribuir para que a sintonia com os estudantes seja, pouco a pouco, reconquistada. Ninguém gosta de se sentir menos, de se sentir menor. Imaginem como se sentem os alunos que percebem que seus gostos, suas músicas, suas preferências e seus hábitos são considerados "de um nível inferior" no cotidiano escolar...
Por fim, um alerta: essa história toda mostrou muitos críticos, muitos juízes, muitos dedos apontados, ávidos por condenar o professor e por definir o que é cultura. Vi gente que, como eu, também veio das classes populares, de família simples, virar as costas para essas origens e descer o sarrafo no que vem do povo. Turma, se preconceito já é terrível quando parte de quem não conhece a realidade em questão, pra mim, torna-se ainda pior quando vem de iguais. E mais: torna-se ainda mais cruel quando quem condena não tem elementos, conhecimento e informações suficientes para opinar. Educação é coisa séria! O professor é um profissional sério, merece respeito. Estudou para estar ali. Condenar esse profissional e seu trabalho sem sequer ter elementos para tanto é, esse sim, um enorme sinal de falta de preparo, falta de cultura e falta de educação. Sinal de que a escola em que vocês estudaram pode até não ter utilizado versos da Valesca Popozuda em provas, mas, certamente, pecou na construção de alguns valores fundamentais.

PS.: Beijinho no ombro.

23.1.14

Eles riem de nós...

Em foto estampada na capa do Extra de hoje, o secretário de transportes dá uma gargalhada ao conversar com o presidente da SuperVia, empresa responsável pelo nó ferroviário que parou o Rio ontem...


O que acontece no sistema de transportes do Rio de Janeiro é uma temeridade. Talvez seja essa a área mais vergonhosa, a mancha mais difícil de apagar, encravada na alma de cariocas e fluminenses ao longo desses oito anos de governo do Cabral. Desde o bondinho de Santa Teresa, que viveu uma tarde de trem fantasma, matou gente e jamais foi recuperado - ao ônibus que desabou de um viaduto - também deixando vítimas fatais; passando pelas sucessivas falhas operacionais da SuperVia e do Metrô Rio, o que se vê, cotidianamente, nas ruas, avenidas, trilhos e túneis é a mais perfeita tradução do descaso... 
Por isso, confesso: não fiquei chocado ao ver, na capa do Extra de hoje, a gargalhada do secretário Júlio Lopes, flagrada ontem, horas depois do apagão que paralisou a circulação dos trens. A gargalhada desse senhor, logo substituída por aquela cara de puta arrependida que tantos políticos sabem fazer para tentar nos convencer de sua dor; aquela gargalhada, meus amigos, apenas deixou ver o que pode parecer, para muitos, apenas suspeita: eles riem. Eles não se importam com a gente. Eles tratam o contribuinte - que paga as contas dessa porcaria toda - como idiota. E acham graça! Acham graça de nos entulhar de impostos para dar desconto aos donos do monopólio de ônibus, presenteados com 50% a menos nos IPVAs da decrépita frota que circula por aí, caindo aos pedaços, emporcalhando o ar com aquela fumaça imunda, matando de calor a todos e jamais cumprindo horários ou oferecendo a menor qualidade que seja. 
Eles acham graça. Eu acho detestável! Como disse um dos heterônimos de Fernando Pessoa: "homens altos: passai por baixo do meu desprezo!"

7.5.13

Fantástico mostra a caçada a traficante e acende polêmica na internet

Reportagem expõe fragilidades da operação da polícia carioca na favela da Coreia 

Habituado a jogar games de tiros desde os tempos do Counter Strike, até os recentes Battlefield e Call of Dutty; vi bastante espantado as imagens exibidas pelo Fantástico ontem. Na tela, em ritmo frenético, policiais a bordo de um helicóptero da Polícia Civil caçavam o traficante Matemático. Sobrevoando uma favela, a força do Estado disparou uma enxurrada de tiros para deter o inimigo.
Fiquei chocado. Não com a morte do traficante - fato rotineiro e que, nesse caso, pareceu-me até menos impactante. Fiquei chocado ao ver o volume espantoso de disparos desferidos contra uma área residencial, civil, no meio de uma noite. Por mais que os envolvidos na operação neguem, é impossível afirmar que a população não tenha sido exposta a um enorme risco. E mais: é impossível dizer que os responsáveis por aquela ação tivessem segurança de que não haveria baixas entre os cidadãos que habitam a área. O que vimos foi um vale-tudo, em que, embora sem que isso tenha sido dito, a polícia assumiu os riscos de ferir e/ou matar inocentes em troca da cabeça do alvo da vez. 
"Mas não houve vítimas", podem dizer os defensores da operação. Sim, ao que parece, não houve vítimas. Mas não acho leviano afirmar que se ninguém morreu foi por obra da sorte. Ou da Graça Divina. Ou de um ou outro Anjo da Guarda de prontidão. Porque os tiros cravados nas residências da favela não deixam dúvidas: de precisa aquela caçada não teve nada!
Não bastasse o susto com o flagrante despreparo da força policial, fiquei novamente espantado ao ver a repercussão das imagens mostradas pela TV Globo nas redes sociais. Enxergando na reportagem uma defesa à vida do bandido, vi vários amigos descerem o pau na matéria. "Deixem a polícia trabalhar", dizia um. "Quantos inocentes morreriam se ele ficasse vivo?", questionava outro. Mas não vi ninguém, absolutamente ninguém, questionar o risco ao qual todos aqueles moradores, inocentes, estiveram expostos naquela noite. Calados ou, pior, defendendo a ação da polícia, o que todos fazem, ainda que de modo inconsciente, é legitimar uma polícia que trata de modo desigual pobres e ricos. Uma polícia que age com prudência e cautela nas áreas nobres e "larga o dedo" quando o alvo está escondido em favelas. É como se dissessem que "favelado pode acordar com tiro de fuzil furando suas casas". É como se achassem justo que, para proteger ricos e classe média, pobres sejam sacrificados por uma rotina de incursões policiais atabalhoadas e que, não raro, acabam por vitimar crianças, mulheres, velhos e cidadãos inocentes, moradores de comunidades dominadas pelo tráfico e massacradas por uma polícia que, quando surge, parece fazê-lo com o único objetivo de espalhar medo e insegurança por todos os lados.
É só refletir: alguém já viu um helicóptero dar rasantes sobre Ipanema, distribuindo tiros de modo quase aleatório? Quando foi capturado Nem, apontado como liderança do tráfico na favela da Rocinha, ouviu-se algum disparo? Respondo: não! À ocasião, aliás, cabe dizer que a polícia usou a mesma tecnologia de imagens para localizar e capturar o bandido na Gávea. Ali, sim, a precisão esteve presente. E os moradores da Zona Sul não ouviram um único estampido. Por que será?
O fato é que construímos, ao longo do tempo, uma polícia que trata de modo discrepante quem já é vítima da desigualdade. Quem mora numa favela não quer correr o risco de ser alvejado por uma bala de fuzil. Esse risco já está imposto pelo tráfico. A polícia, em suas operações, deve primar pelo zelo com a segurança dos moradores inocentes. É claro que aqui, como em qualquer parte do mundo, acidentes podem acontecer. Comunidades como a que foi mostrada na reportagem do Fantástico são densamente povoadas, a ocupação do terreno é irregular e esses são fatores que complicam as incursões do Estado. Mas, a julgar pelo que vi, acidente é uma operação como aquela transcorrer sem que nenhum inocente seja vitimado. Acidente é disparar trocentos tiros, acertar prédios e casas e, ainda assim, não matar moradores honestos.
Não sei quanto a vocês, mas o mínimo que eu posso esperar de uma polícia é que ela não conte com a Graça Divina, com a sorte ou com a benevolência de Anjos da Guarda ao fazer suas operações. A vida do cidadão – no asfalto  ou na favela – é bem maior, que deve ser garantido e preservado pelo Estado em quaisquer circunstâncias, seja onde for. E não há “remédio amargo” que justifique que a sociedade continue a tomar veneno e esperar se curar de toda essa violência.

12.4.13

Sobre a (eterna) polêmica da redução da maioridade penal...


Ontem eu li muitos posts revoltados com a história do menor que matou covardemente o estudante que era estagiário da Rede TV. Todo e qualquer assassinato é sempre algo que nos revira, que mexe com nossos instintos e que nos faz querer bradar para que os culpados sejam punidos.
No caso do menor, volta-se à discussão sobre a redução da maioridade penal. Eu acho que esse não é o caminho. Infelizmente, porque, se fosse, talvez até pudesse ser mais fácil. Explico minha discordância: a maioridade penal, estabelecida em 18 anos em nosso país, não vem impedindo que cidadãos com essa idade - ou mais velhos - cometam seus crimes. A lei que os pune - quando o faz - não traz o rigor que a sociedade busca; não está à altura do exemplo que se quer dar; da marca de correção que se quer imprimir a quem está à margem; a quem é marginal. 
Colocar gente mais nova em celas não vai reduzir nossos índices de criminalidade. Não vai nos trazer paz. Não nos deixará tranquilos. E não vai nos garantir que mais vidas sejam levadas pela violência. Creio que se faz necessária uma mudança mais profunda, de toda a sociedade. Uma mudança política, uma mudança na forma que nos portamos na vida, com os outros; na forma como enxergamos o mundo.
E só pra citar mais um exemplo: os Estados Unidos, que tanta gente tem por referência, tem vários estados em que menores de idade podem ser duramente punidos pela lei. E isso não fez com que eles deixassem de delinquir.
O buraco é (bem) mais embaixo...

9.4.13

Daniela Mercury: o "outing", a política e a mídia

No momento em que a Suprema Corte americana discute o casamento igualitário; no momento em que o Brasil discute a (im)propriedade da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ter sido dada a um deputado que já deu declarações extremamente preconceituosas, um gesto que poderia ser prosaico ganhou repercussão semana passada: Daniela Mercury revelou que tem um novo amor. Uma mulher...
A cantora baiana anunciou, posteriormente, que comunicou o fato com a mesma naturalidade que já usou ao anunciar relacionamentos anteriores. A diferença: até então a artista, que ficou conhecida ao tornar popular a axé music, só havia assumido relacionamentos heterossexuais.
Desde o primeiro instante notei que a atitude de Daniela tinha um forte cunho político. São notórios seus compromissos com a diversidade e o combate a todas as formas de discriminação. Ao dizer-se apaixonada por uma mulher, a quem chama de esposa, a cantora deu mais uma demonstração do quanto é politizada. Mais tarde, voltou ao assunto ao criticar o deputado Marcos Feliciano, cuja eleição para a presidência da CNDHM colocou em cheque a própria comissão, além de demonstrar mais um litígio entre a sociedade civil e os rumos da política nacional.
Não é todo dia que uma artista do porte de Daniela Mercury se posiciona tão abertamente sobre um assunto que ainda é considerado tabu por boa parte da sociedade. O fato gerou grandes reportage
ns em jornais e sites. Foi notícia do Jornal Nacional, matéria do Fantástico e capa de Época e Veja. Todos perceberam a estreita relação entre o momento político - que não está restrito às fronteiras brasileiras - e a postura da cantora.
Ou quase todos...
Sim, quase, porque não tardou até que aparecessem aqueles que enxergaram no fato uma artimanha da cantora para voltar à mídia, para fazer sucesso. Achei estranho. Daniela Mercury é uma das cantoras brasileiras mais conhecidas no exterior atualmente. Estavam turnê em Portugal na semana passada, por exemplo. Já vendeu mais de 11 milhões de discos em todo o mundo. Foi a única artista brasileira convidada para a gravação do DVD de aniversário de 20 anos do Cirque de Soleil e parte da comemoração dos 25 anos do Festival de Jazz de Montreal. Nunca deixou de fazer shows e produzir seus próprios discos - forma de garantir sua independência artística. Muitas dessas produções, diga-se de passagem, receberam grandes elogios da crítica especializada. Destaco "Canibália", "Balé Mulato" e "Feijão com Arroz", entre os melhores CDs da cantora. Definitivamente, fracasso não é uma palavra que combine com Daniela Mercury. E, diante de tudo o que ela já conquistou e considerando o preconceito ainda tão forte em nossa sociedade, vejo que ela optou por correr riscos ao anunciar seu novo amor. Fez política, deu lição de humanidade e de coragem. Mas devo dizer que nada me surpreendeu: sou fã de Daniela há tempos e sei da inquietude da baiana que enxerga a arte como um grande poder transformador. Ao postar aquela bela montagem de fotos em p&b em que aparece com Malu, sua esposa, Daniela fez da vida real arte. E deu sua contribuição para transformar a todos nós...





14.3.13

Habemus Franciscum!!!

O cardeal argentino é o primeiro papa da América Latina, o primeiro jesuíta a assumir a liderança da Igreja e o primeiro a escolher o nome Francisco
Apesar de ser batizado, não me considero católico. Aliás, não me identifico com nenhuma religião especialmente. Tenho pontos de convergência com várias delas, como também guardo minhas divergências. Meu lado católico se manifesta quando rezo a Ave-Maria para me acalmar ou quando converso com Nossa Senhora de Aparecida, a quem costumo chamar de Nêga. Portanto, não sou o mais fervoroso seguidor da Igreja Católica.
Mas sou jornalista e, nesta terça, acompanhei a fumaça preta saindo da chaminé da Capela Sistina, por volta das sete e meia da manhã. Horas depois, no meio da redação, parei tudo para conhecer o rosto do mais novo ocupante do trono de Pedro...
Acho belíssimos os rituais envolvidos na escolha do papa. Há algo de fascinante numa ritualística secular. Algo que me captura, que me encanta. Para mim, testemunhar o surgimento de um novo papa é perceber a história acontecendo, é ver uma instituição milenar buscando corrigir os rumos do seu barco, ora navegando em tão revoltas águas. Por isso, vi com entusiasmo um sorridente Papa Francisco surgir na sacada da Basílica de São Pedro. Em pouco tempo, notei que o novo líder dos católicos é possuidor de um carisma muito superior ao de Joseph Ratzinger. Fui conquistado por um certo ar bonachão, que fez as moças da redação suspirarem ao constatar o teor de "fofura" do recém-eleito Bispo de Roma. E também achei bonito o gesto de humildade do papa ao pedir aos fiéis que rezassem por ele.
Mas eis que os tempos são outros, nada fica muito por baixo do pano e, minutos depois, quando o Papa Francisco já devia se preparar para dar seu longo e movimentado dia por encerrado, Twitter e facebook viraram celeiros de vaticanistas! As notícias sobre sua cumplicidade com a ditadura da Argentina e sobre posturas contrárias ao aborto e à união de pessoas do mesmo sexo pipocaram na internet.
Eu achei graça...
O que isso revela? Que o papa é conservador? Talvez! Mas também revela que nós estamos cada vez mais instantâneos. Cada vez mais reproduzimos histórias sobre as quais sequer tivemos tempo de refletir. E isso não faz de nós mais politizados ou bem informados.
A Igreja deve refletir a sociedade? Não sei. A Igreja precisa mudar? Sim, muito. Seus líderes sabem disso e, não por acaso, não elegeram papa o candidato da situação. Mas não dá pra esperar por um papa que pire na batatinha e saia concordando com todos os clamores do nosso tempo. Não é o caso! Da minha parte, se ele se mostrar favorável ao uso dos contraceptivos, combater duramente a pedofilia e a corrupção que corroem a Igreja pelas entranhas e se vier a defender suas crenças sem propagar preconceitos, já terá feito uma bela passagem pela história. Mas, acima de tudo, que ele possa ser um exemplo de que, mais do que a religião, é a fé que deve nos unir. Que possa mostrar a todos nós, a cada dia, que podemos ser melhores. Que podemos construir um mundo melhor e mais justo, em que todos possamos ser iguais. E que demonstre que quando um de nós é desrespeitado, todos saem perdendo.
Boa sorte, Papa Francisco. A luta é grande e está apenas começando...

11.4.12

Sobre a polêmica do aborto de fetos anencéfalos...

O Brasil acompanha - de modo menos interessado do que devia - o debate que envolve o julgamento do Supremo sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. Quatro ministros do STF declararam hoje que votarão a favor do projeto que, caso aprovado, permitirá que pais e mães possam escolher como proceder em caso de gestação de um bebê sem cérebro - ou com comprometimento cerebral grave.
Tenho acompanhado as discussões pela mídia - e a TV é, de longe, a que menos tem se dedicado ao tema. Talvez para fugir de polêmicas com grupos religiosos e conservadores. Talvez por não reconhecer que essa seja uma temática de grande relevância. Vi apenas algumas discussões em programas como o Sem Censura e o Repórter Brasil, ambos da TV Brasil, e um debate no Entre Aspas, da Globonews.
Em todos os casos, fiquei surpreso com o nível de argumentação dos que são contrários ao projeto em discussão. Também me surpreende a total falta de sensibilidade à causa das mães que se deparam com um diagnóstico duro e decisivo: gerarão bebês com expectativa de vida limitadíssima. Bebês que podem existir por minutos, talvez horas.
Os que são contrários a descriminalização dos fetos anencéfalos se dizem a favor da vida. Também o sou. Totalmente. Mas fico penalizado ao imaginar que uma família pode ser obrigada a levar em frente uma gravidez que poderá terminar em morte sem que nada possa ser feito para diminuir, abreviar ou simplesmente evitar que tamanho sofrimento se torne ainda maior.
Não se trata de tornar o aborto de fetos anencéfalos uma obrigação. Seria contrário à ideia, caso fosse essa a proposta. Trata-se de oferecer aos familiares que atravessam esse momento tão delicado a possibilidade de escolher qual saída pode ser menos traumática. E só quem pode mensurar a dor que qualquer das escolhas vai ocasionar são aqueles que, de fato, vivenciam a angústia dessa decisão. Não acho justo que o Estado ou que as igrejas se arvorem no papel de defender uma vida para a qual virarão as costas em seguida. Ou alguma proposta e/ou dogma religioso prevê o acompanhamento psicológico para os familiares dos bebês anencéfalos depois que sua inevitável morte se consumar?
Alguns poderão dizer que há casos de crianças sem cérebro que conseguiram - e conseguem - viver por alguns anos. Sim, eu sei. Certamente são crianças amadas por seus pais. Mas também é certo que, infelizmente, elas representam uma exceção à regra. A maior parte jamais terá alta da maternidade.
Enquanto as TVs parecem negligenciar o debate - o que deve mudar nesta quarta, caso o STF chegue a uma conclusão - a Internet segue como tribuna livre. Hoje, no Twitter, os Trending Topics registraram algumas vezes expressões ligadas aos grupos que defendem que o abortamento de fetos anencéfalos deve continuar proibido por lei.
Felizes esses tempos de democracia. Mas sinto falta de argumentos menos "contaminados" por valores ligados à religião e mais sensíveis à delicadeza inerente à situação. Não se está falando de liberar o aborto. O que está em pauta é dar às mães e aos pais que vivenciam a situação a possibilidade de escolher de que forma melhor podem superá-la. 

23.3.12

Obrigado, Chico!

Alberto Roberto: meu personagem preferido, o "símbalo sescual" da incrível galeria de tipos criados por Chico Anysio
Quando eu era moleque, as caretas de uma das aberturas do "Chico Anysio Show" me metiam medo. Pudera! Esse cearense, célebre por criar tantos tipos, surgia na tela esticando orelhas e nariz, arregalando olhos e deformando a testa. Obras dos efeitos de edição da época, claro! Mas o susto provocado pela vinheta do programa logo dava lugar às crises de riso propiciadas por tantos personagens, tão ricos e diversos. Tão plurais e tão singulares. 
Obras de gênio!
Obras de Chico!
Eu ria de Haroldo, o hetero mais gay que a televisão brasileira já mostrou. Ou seria o gay mais hetero? Ria das mentiras de Pantaleão e das gírias do Jovem. Dava risada das peripércias de Bento Carneiro, vampiro brasileiro - e de sotaque mineiro! Tinha verdadeiras crises de riso com o "símbalo sescual" Alberto Roberto, galã de redinha nos cabelos e pai da canastrice. Das loucuras do Coalhada e das eternas rusgas de Nazareno com sua mulher, sempre maquiada de modo pouco ortodoxo.
Mas Chico não me fez apenas rir. Também aprendi muito com esse grande mestre do humor, que foi descansar hoje, depois de lenta agonia. Com Chico eu aprendi muito sobre generosidade, ao vê-lo servir de escada para tantos colegas, apesar de toda a sua genialidade, quando se  travestia  de professor Raimundo. O Bozó, o global mais orgulhoso que já existiu, me fez ver como o deslumbramento é algo que não quero para a minha vida. Por trás dos vastos bigodes de Justo Veríssimo, descobri, ainda criança, que a maior chaga do meu país é aquele tipo de político que tem total desprezo pelo povo. Nos cultos de Tim Tones, vinte e tantos anos atrás, Chico me ensinou como pode ser perigosa a mistura entre fé, fanatismo e dinheiro. Alguém quer lição mais atual?
Hoje, a morte de Chico Anysio me fez lembrar de tudo isso. E dos discos dele que meu pai tinha lá em casa. Da minha infância, da minha família, das brincadeiras com amigos - onde tantas vezes e pelos mais diversos motivos repeti e ouvi repetirem seus bordões inesquecíveis. Chico é peça sem reposição. 
E a esse grande artista, cabe apenas o meu muito obrigado...

21.3.12

BBB: o estupro que foi sem nunca ter sido?

Na tarde desta terça-feira, fui surpreendido com notícia publicada no UOL. O texto informava que a Justiça determinou o encerramento das investigações no inquérito que apurou a suposta violência sexual que marcou as primeiras semanas do Big Brother Brasil. O fato, vocês lembram, agitou as redes sociais e gerou uma interferência direta nos rumos da casa "mais vigiada do Brasil": o participante investigado pela denúncia foi expulso do reality e, desde então, seu paradeiro é ignorado.
Daniel saiu rotulado como estuprador, não tem jeito. Isso mesmo depois do depoimento de Monique, apontada como vítima no caso, no qual qualquer possibilidade de violência foi derrubada pela moça.
Com Monique eliminada do programa, e com mais negativas da parte dela, nada restou se não a ordem para arquivar a investigação.
Diante disso, pergunto: como os danos gerados à imagem de Daniel serão reparados a partir de agora? 
Fiz a pergunta no Twitter, mais cedo, e rendeu pano pra manga. A mensagem foi muito retuitada e recebi vários replys de pessoas que culpam a TV Globo pela mancha ora impressa no currículo - e na vida - do ex-participante do programa.
Bom, é claro que a Globo tem o seu quinhão nessa história. E nem preciso dizer que ele é grande. Daniel foi exilado e sequer pode usar o espaço que a emissora dedica a todos os ex-BBBs pra se explicar. À essa altura, não há dúvida, a emissora já deve estar ciente de que um processo pode estar a caminho ou, quem sabe, um belo acordo com o rapaz.
Mas acontece que a Globo não é a única implicada na história. Muitos programas de TV - de emissoras concorrentes - usaram a abusaram da polêmica na corrida pelo Ibope. E sapecaram o rótulo de estuprador em Daniel. E, além das pessoas jurídicas, muitas pessoas físicas também replicara a história indiscriminadamente. Sim, meus caros! Muitos internautas apregoaram na tribuna livre da web um veredicto sobre o qual ninguém poderia ter a menor certeza. Julgaram e condenaram o participante e, o que é pior, difundiram seus levianos julgamentos em sites, blogs e redes sociais. Ou seja: produziram provas contra si mesmos. Com base na decisão tomada ontem pela Justiça, não precisa ser expert em Direito pra dizer que Daniel foi difamado e caluniado. E, à essa altura, muita gente pode estar devendo uma grana ao ex-BBB a título de lhe reparar danos morais que, sinceramente, nem sei avaliar que extensão têm.
Que a internet é, por princípio, democrática, não há dúvidas. Mas há que se ter muito cuidado sobre tudo o que se publica e se comenta nesse território tão polifônico. Porque afinal uma hora a conta pode chegar. E sair muito mais cara que o serviço de banda larga...

PS.: No mínimo curioso notar que a Globo só deu espaço ao Daniel em seus telejornais depois que a Justiça tomou posição favorável ao rapaz. Não?

14.2.12

We will always miss you, Whitney Houston...

Quando soube da morte de Whitney Houston na noite do último sábado, dia 12, levei um baita susto. Repentina, a saída de cena da cantora me colocou diante de uma série de lembranças de suas músicas. Uma delas, aliás, It's not right but it's ok, eu tinha dançado na noite anterior.
Sou um grande apreciador da música e, sobretudo, das vozes femininas. E acho que quando esse é o assunto, Whitney tem lugar de destaque. Dona de um timbre inconfundível, essa bela cantora tinha identidade: era impossível confundir uma de suas músicas com as de qualquer outra cantora. Mais que isso: Whitney se firmou no topo da indústria fonográfica mundial na década de 90 justamente por cantar - e muito - algo que parece fora de moda hoje em dia.
Tenho várias de suas músicas no Ipod. Try it on my own, I believe in you and me, Greatest love of all, When you believe - essa, em dueto com Mariah Carey - até a mais recente, I look to you. Belas músicas, que se tornaram ainda mais bonitas graças a interpretação dessa grande cantora.
Curiosamente, a música mais popular do repertório de Whitney Houston não fazia parte da minha playlist pessoal. Uma falha grave, uma vez que, mesmo moleque, lembro de ter achado I will always love you uma tremenda balada, já na primeira audição. E continuo a achar, ainda hoje, que esse é um dos mais belos vocais femininos da história da música pop. Um caso raro - e cada vez mais raro - em que interpretação, melodia, arranjos e letra estiveram perfeitamente unidos em torno do objetivo de emocionar. E como emociona...
Quem nunca disse pôs um ponto final a uma história a contragosto? Quem nunca precisou se afastar de alguém  mesmo com a certeza de que essa ausência seria uma dor quase insuportável? Quem nunca ficou de longe, torcendo para que as coisas dessem certo, desejando coisas boas?
Quem nunca disse "eu vou te amar pra sempre"?
Viva Whitney Elizabeth Houston, a dona de uma das vozes mais bonitas, eternizada numa das mais belas músicas de amor que a indústria do entretenimento dos Estados Unidos já ofereceu ao mundo... 

7.11.11

Gelson Domingos...

Tivemos uma única reunião. O objetivo era planejar uma das viagens que a equipe do Salto fez nesse ano. Gelson foi o cinegrafista escalado e, como não trabalhava conosco habitualmente, quis saber mais sobre a nossa linguagem.
Foram alguns minutos de conversa, na qual Gelson falou de sua experiência, ouviu nossas orientações e, empolgado, falou de sua paixão pela cobertura policial.
Partiu pra viagem e fez um belo trabalho. Como era de costume em sua carreira bem sucedida. Carreira abreviada pela bala de fuzil que lhe perfurou o colete e roubou-lhe a vida na manhã de ontem.
Fiquei muito triste com a notícia. Pelo companheiro que se foi e pela crônica de tantas mortes anunciadas nessa cotidiana tragédia carioca. Pelas falhas que repetidas à exaustão, só oferecem oportunidades de reflexão em momentos como esse. Pelo colete que não suporta balas das armas mais usadas pelos traficantes do Rio. À prova de quê? À prova de quem? À prova do bom senso que falta às emissoras que, sedentas por audiência, insistem em arriscar seus recursos humanos nesse tipo de cobertura? Por que vamos, tão vulneráveis, atrás de uma polícia igualmente vulnerável em incursões como a de ontem, em Antares? Pra quem?
Precisamos desse jornalismo? Precisamos correr esse risco?
Não sei, de verdade...

30.10.11

Sobre o câncer de Lula e as redes sociais...

Ex-presidente descobre câncer na laringe e notícia mobiliza internautas de todo o Brasil...
A notícia da doença do ex-presidente pegou todos de surpresa no início da tarde desse sábado. Dias antes, um falante e sorridente Lula havia comemorado o aniversário, divulgado mensagem de agradecimento aos tuiteiros; sem que a tal rouquidão se fizesse destacar tanto. Convenhamos: Lula é rouco desde que o mundo é mundo...
Mas havia algo errado e os exames comprovaram a existência de um tumor de cerca de três centímetros de diâmetro na laringe do líder do PT. E como tudo o que acontece hoje em dia repercute numa velocidade impressionante, não tardou para que o fato ganhasse as redes sociais.
Navegando pelo twitter e pelo facebook, percebi que os usuários dessas redes olharam para a notícia de ângulos bem distintos. Enquanto muitos tuiteiros usaram a hastag de apoio #forçalula - alçada a um dos trending topics no Brasil - no facebook ganhava vulto uma campanha pedindo que o ex-presidente fizesse seu tratamento num dos hospitais ligados ao SUS - o Sistema Único de Saúde. Seria uma forma de "lembrar" ao ex-mandatário do estado em que se encontram os serviços públicos de saúde no Brasil.
A internet é livre, as pessoas são livres e, felizmente, vivemos numa democracia. Mas não posso deixar de dizer aqui que fiquei espantado ao notar que - ao menos entre as pessoas que aderiram à campanha e estão em meu facebook - dificilmente alguém optaria por se tratar no SUS em circunstância semelhante. Mas ele é um ex-presidente, deve dar o exemplo - podem dizer alguns. Aos que respondo que não é com campanhas demagógicas e vazias que se poderá mudar a realidade de um país tão complexo quanto o Brasil. E, mais ainda: que não é citando o caos no SUS numa ocasião como essa que faremos as coisas melhores. Quantos dos que aderiram à tal campanha se lembram das propostas de seus candidatos nas últimas eleições para a área da saúde? 
Além do mais, honestamente, acho desumano usar um fato pessoal e tão delicado para agir politicamente. Pega mal. É feio. Tanto que até mesmo adversários históricos de Lula se apressaram em soltar notas de apoio ao ex-presidente. 
Talvez eles saibam que política não se faz com o fígado. E nem com a exploração da doença alheia...

12.1.11

E Xuxa ganha indenização da Igreja Universal...

Um dos posts mais populares nesses cinco anos de B@belturbo foi o que comentava - em tom crítico - o fato de o jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, ter estampado na capa de uma de suas edições uma manchete que afirmava que Xuxa tinha feito um pacto com o capiroto. O blog recebeu uma avalanche de visitas e vários leitores se dividiram entre os que condenavam a igreja e os que condenavam a infeliz reportagem (?!?!).
Pois bem. A IURD já tinha perdido uma batalha nessa história maluca, como também comentei aqui. E ontem, pouco mais de dois anos depois da confusão ter vindo à tona, a Justiça entendeu que Xuxa tem o direito de receber R$ 150 mil da empresa que edita o jornal. A Universal ainda pode recorrer da decisão, mas não preciso ter pacto com ninguém para entender que, se a Justiça observar o que dizem as leis, a loira vai levar a melhor em cima da Universal.
O que, repito, acho muito justo nesse caso.

11.12.10

Hebe na Veja SP: merecidamente, ela foi a personalidade do ano...


Achei que a capa da Veja SP ótima. A imagem de Hebe Camargo sem sua cabeleira loira é impactante, forte e, felizmente, antiga. Feita em abril, a fotografia é uma recordação da batalha que a apresentadora mais popular da televisão brasileira travou contra o câncer no início desse ano. Ano de Hebe, como crava a capa da publicação, muito acertadamente. Se não bastasse o longo caso de amor com o público, Hebe venceu sua grave doença em 2010 e, num país sem memória, viveu as glórias de ser reconhecida como uma das poucas unanimidades brasileiras. 
Muito merecidademente, 2010 foi mesmo de Hebe Camargo, a personalidade do ano!

29.11.10

Morre Leslie Nielsen...


No início dessa madrugada, circulou a notícia da morte de Leslie Nielsen. Seus filmes marcaram minha infância e juventude. Fica o registro desse grande mestre do besteirol, que em sua passagem por essa Terra, fez nascer milhões de sorrisos nos rostos dos espectadores de suas comédias.
Que descanse em paz!

25.11.10

O dia em que o Rio declarou guerra à violência...

Bandidos fogem da Vila Cruzeiro enquanto Polícia toma conta da comunidade. Globonews, Globo e Record transmitiram a operação ao vivo...

O crescente número de ataques de traficantes gerou uma reação inédita no país hoje: equipados com blindados cedidos pela Marinha, com o apoio dos já populares Caveirões e armados até os dentes, policiais militares invadiram o local que, até então, era tido como base de uma das facções criminosas atuantes no Rio - a Vila Cruzeiro.
Até que a invasão se consolidasse, a apreensão foi grande. As emissoras de TV transmitiram tudo, o tempo todo. Cada novo veículo incendiado, cada passo dos grupamentos policiais - e até o trajeto dos blindados da Marinha. Diante da telinha, eu, você, nossos pais, tios, avós, irmãos...todos nos perguntávamos qual seria a história que estava sendo escrita nessa quinta-feira. Todos nos perguntávamos qual o rumo que o Rio de Janeiro tomaria depois da operação policial.
As respostas vieram de tarde, pela TV. Acuados pelo aparato policial, traficantes rastejavam pela mata, corriam entre as vielas, desviavam das balas e tentavam, desesperadamente, fugir da força do Estado. Eram pessoas, pareciam ratos.
Vi tudo na redação, um olho na pauta que precisava concluir, outro no monitor de TV. A Globo derrubou toda a programação vespertina, todos os intervalos comerciais e exibiu uma "sessão da tarde" que não "vale a pena ver de novo". Escrevi no Twitter que muita gente devia estar tentando matar os bandidos com o controle remoto, tal a força das imagens que revelavam a fuga dos criminosos para o vizinho Complexo do Alemão.
Fiquei muito, muito assustado. Pensava no horário de voltar para casa, nos amigos e nos desconhecidos que precisariam se deslocar em meio ao caos decorrente de tamanha quebra da rotina carioca. Pensava nos moradores das áreas cobertas pela operação, condenados a um fogo cruzado que, infelizmente, levará muitas vidas inocentes. Pensava em como ficarão as cabecinhas das crianças menores, ora transformadas em personagens de um video-game real. E sangrento.
Mas, por outro lado, esperançoso. Ver o Estado reagir com força e equilíbrio me deu a impressão de que podemos estar no caminho certo. Ver a bandidagem fugir revelou a todos nós - cidadãos de bem - que não há força, não há bunker, não há união de facções que faça frente ao poderio de um Estado forte, bem comandado e unido em torno de um único objetivo. Tive esperança de que, vendo os bandidos expulsos de seu (até então) porto seguro, crianças e jovens percebam que o caminho do crime nunca termina bem. E que só leva a dor e ao desespero. E tive esperança de que as bandeiras de paz balançadas nas janelas pelos moradores da Vila Cruzeiro - reconquistada hoje pelo poder público - sejam o prenúncio de uma paz verdadeira, democrática, e não disponível apenas para os que podem pagar por ela.
Torço muito por isso. E pra que o dia de hoje entre para a história como o dia em que a esperança começou a vencer o medo no que diz respeito à segurança de nossa maravilhosa cidade...

24.11.10

Mico do Ano: promoção vira caso de polícia no Rio

Moradores de Ipanema se depararam com grandes caixas de madeira abandonadas numa das principais praças do bairro hoje cedo. Em meio à onda de ataques de criminosos, não titubearam: chamaram a polícia temendo que alguma ação terrorista estivesse em curso. O Esquadrão Antibombas foi chamado e uma das caixas chegou a ser explodida. Para espanto geral, não era nenhuma ação terrorista: era, sim, uma ação de marketing!!! Parte de promoção  "Avião do Faustão", que a Procter & Gamble está realizando no programa da TV Globo.
A história logo foi parar na internet e virou Trending Topic no Twitter. A marca divulgou comunicado se desculpando pelo ocorrido. Especialistas em marketing dizem que é cedo para avaliar os eventuais danos à marca, mas dizem que eles podem, sim, ser percebidos em breve.
Enfim, o episódio conquistou uma vaga na eleição de Mico do Ano do B@belturbo. Caso ganhe, o prêmio será devidamente atribuído à agência responsável por escolher tal mal o local e o momento para realizar uma ação do gênero.
E aí? É ou não uma forte candidata???

ERRATA: A assessoria da Rede Globo divulgou nota em seu site negando a relação entre o episódio e a promoção "Avião do Faustão". Por isso o post foi retificado. Eis o link para o comunicado da emissora: http://bit.ly/fDrxKK

Rio sob o domínio do medo?

Desde domingo, a população do Rio de Janeiro vive assustada. A onda de ataques incendiários a automóveis, ônibus e vans - em vários pontos da cidade e da Região Metropolitana, além de Cabo Frio - parece ter pego de surpresa os cariocas, numa inversão da lógica de redução dos índices de violência que vinha sendo registrada ao longo dos últimos 15 meses.
Se nos prendermos aos fatos, veremos que, depois de décadas encarando a questão da Segurança Pública como uma colcha de retalhos de ações pontuais, o Estado do Rio tem construído uma política clara na área. Essa política prevê a recuperação de territórios ocupados pelo crime organizado e a pacificação dessas comunidades por meio da instalação de unidades de policiamento. De acordo com o Governo do Estado, as UPPs tiraram mais de 200.000 cariocas do domínio da marginalidade.
Ainda atendo-me aos fatos, causa estranhamento, no entanto, que a política de pacificação tenha transcorrido na mais perfeita tranquilidade. Lembro-me apenas de reações pontuais no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Em geral, a polícia chegava e encontrava a comunidade abandonada pelo tráfico. E a sociedade ficava sem entender o rumo que os marginais estavam tomando.
Esses são os fatos. Que geraram boatos...
Qual foi o carioca que não ouviu dizer que, acuados pela ação policial, os bandidos estavam se reunindo no Complexo do Alemão? Qual morador do Rio não soube que a Rocinha estava tomada de armas, que os traficantes estavam recrutando moradores e distribuindo armamento para reagir a uma eventual ocupação pela UPP? Quem não ouvir dizer que as UPPs expulsariam os bandidos dos morros e os jogariam no asfalto?
Boatos que até fazem sentido, mas que ainda não foram comprovados. As ações empreendidas por criminosos desde o último domingo revelam, sim, que eles se sentem na necessidade de brigar porque, pela primeira vez, estão acuados por uma política que não apenas reprime, mas que, de fato, enfraquece o crime e o tráfico de drogas. Ao recompor territórios dominados até então pela criminalidade, o Estado demonstra força e passa a contar com o apoio da população. Basta ver que o tema da segurança foi determinante na última eleição para o governo do Rio.
E é contra esse apoio da população que o crime organizado se volta. Ao fabricar o medo, os bandidos pretendem ver a sociedade, acuada, se voltar contra a política das UPPs, numa lógica simples: devolvam os morros pra eles pra que possamos ter paz no asfalto de novo. O que os bandidos querem, portanto, é repartir a cidade que as UPPs estão começando a unir. Querem que tenhamos medos de uma política que está jogando a bandidagem pra cima da classe média, e tirando esse ônus apenas das classes mais populares.
Concordo quando o governador fala em desespero. E esse despespero não pode contaminar a sociedade. É lastimável ver que perfis no Twitter e em outras redes sociais espalhem o terror, propagando boatos infundados. Hoje, li sobre incidentes em dois shoppings importantes da cidade. E nenhum dos dois episódios, de fato, aconteceu. Disseminar o medo não contribui em nada para que o atual estado de coisas seja revertido e não nos ajudará a retomar a paz e a vida normal. É claro que precisamos de cautela. Mas duvido que alguém, que não esteja a serviço da bandidagem, tire proveito da boataria.

19.11.10

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 51

Eu vou até me poupar do trabalho de escrever. Vejam só:
Só posso dizer que, seja lá qual for essa droga, ninguém pode duvidar de seu poder alucinógeno...