Um filme sobre um grupo de músicos e cantores, idosos, moradores de uma casa de repouso, que têm a convivência alterada a partir da chegada de uma nova habitante, outrora grande estrela do canto lírico. Em linhas gerais, é assim que "O quarteto" vem sendo vendido pelas sinopses de cadernos de cultura e sites especializados em cinema. Um resumo exageradamente reducionista...
O filme marca a estreia de Dustin Hoffman na direção e oferece ao público um delicado olhar sobre o envelhecimento. É possível lidar bem com o fato de sermos podados pelo tempo? Como suportar o fato de não conseguir mais fazer o que antes parecia tão natural? Dá pra conviver com a ideia de que a cada dia passaremos a brilhar um pouco menos?
Todas essas perguntas fazem parte de reflexões universais. No longa, são potencializadas pelas trajetórias dos velhinhos artistas, donos de passados gloriosos, futuros abreviados e de um presente marcado por subtrações...
Parece amargo, deprimente? Não é! Longe disso: o filme tem momentos de boa comédia inglesa, alternados com sequências que são muito felizes ao retratar a velhice como uma fase em que, sim, é possível ser produtivo, criativo, divertido...vivo! E, sim, que enquanto estamos vivos, temos tempo de rever posturas, mágoas e sentimentos...
Deixei o cinema feliz da vida! Me vi na tela daqui a uns quarenta anos. Vi alguns amigos também. E torço pra que a gente seja, em 2053, uma turma tão animada quanto a que o filme mostra...
Recomendo!
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16.3.13
14.3.13
RESENHA: "O impossível"
Em 26 de dezembro de 2004, às 7h59, a terra tremeu no fundo do mar, nas proximidades de Aceh, no norte da Indonésia. O terremoto de 9 graus na escala Richter causou o maior tsunami que o mundo havia visto em 40 anos - o primeiro de que muita gente, inclusive eu, ouviu falar. A onda avassaladora matou mais de 220 mil pessoas em 13 países. Aproximadamente 1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas.
Lendo essas informações - e vendo vídeos da época - dá pra imaginar o gigantesco poder de devastação do tsunami. Mas, confesso, só vendo "O impossível", de Juan Antonio Bayona, consegui me aproximar da tragédia vivida por aqueles que estavam na área tomada pelas águas. Estrelado por Naomi Watts e Ewan McGregor - que jamais desperdiçam as boas cenas reunidas no roteiro - o filme conta a história real de uma família que, como tantas outras, estava passando férias na região e se depara com o imprevisto. Ou com o impossível...
Não darei detalhes do roteiro pra não estragar surpresas. Mas fiquei muito impressionado com a preciosa reconstituição do cenário arrasado pelas águas do tsunami. Todas as cenas relacionadas ao drama dos que foram atingidos pela onda gigante são muito bem feitas; desde a própria sequência da invasão das águas até as cenas que mostram hospitais abarrotados. Tudo muito bem cuidado, feito na medida certa para traduzir a angústia de quem viveu a dor de estar na Indonésia naquela manhã de dezembro.
"O impossível" me fez mergulhar na dor de toda aquela gente. Em vários momentos, eu me emocionei com tanta dor. Em outros, gestos de solidariedade igualmente me fizeram emocionar. Em suma: um filme tocante, que nos transporta para aquela manhã fatídica, nos faz imaginar a dor dos tantos que passaram por toda aquela tragédia e, mais que isso, nos faz pensar que, às vezes, o impossível acontece.
Eu recomendo!
Lendo essas informações - e vendo vídeos da época - dá pra imaginar o gigantesco poder de devastação do tsunami. Mas, confesso, só vendo "O impossível", de Juan Antonio Bayona, consegui me aproximar da tragédia vivida por aqueles que estavam na área tomada pelas águas. Estrelado por Naomi Watts e Ewan McGregor - que jamais desperdiçam as boas cenas reunidas no roteiro - o filme conta a história real de uma família que, como tantas outras, estava passando férias na região e se depara com o imprevisto. Ou com o impossível...
Não darei detalhes do roteiro pra não estragar surpresas. Mas fiquei muito impressionado com a preciosa reconstituição do cenário arrasado pelas águas do tsunami. Todas as cenas relacionadas ao drama dos que foram atingidos pela onda gigante são muito bem feitas; desde a própria sequência da invasão das águas até as cenas que mostram hospitais abarrotados. Tudo muito bem cuidado, feito na medida certa para traduzir a angústia de quem viveu a dor de estar na Indonésia naquela manhã de dezembro.
"O impossível" me fez mergulhar na dor de toda aquela gente. Em vários momentos, eu me emocionei com tanta dor. Em outros, gestos de solidariedade igualmente me fizeram emocionar. Em suma: um filme tocante, que nos transporta para aquela manhã fatídica, nos faz imaginar a dor dos tantos que passaram por toda aquela tragédia e, mais que isso, nos faz pensar que, às vezes, o impossível acontece.
Eu recomendo!
25.1.12
Nós, a mídia, Rio e o Oscar...
Assim que soube da indicação da música do filme "Rio" ao Oscar de Melhor Canção Original, fiz um comentário que rendeu polêmica no Facebook. Escrevi o seguinte:
Alguns amigos entenderam a mensagem como uma espécie de depreciação do Oscar. E, mais que isso, argumentaram que a indicação não tem a função de atestar a qualidade das produções nomeadas - no caso, a canção composta por brasileiros.
Como aqui o espaço é maior, volto ao tema. Sei da importância do Oscar, claro. E, obviamente, não sou louco de questionar o talento, a competência e os méritos de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, os compositores da canção-tema ora indicada à premiação. O que me impressiona, sempre, é a abordagem de uma notícia como essa. Soa ufanista demais; praticamente uma galvaobuenização de um fato que, isolado, não vai mudar a história da produção audiovisual brasileira. Falta, a meu ver, deixar claro à população qual o sentido dessa categoria do Oscar, quem vota e o que, a rigor, ela representa dentro do universo hollywoodiano. Mostrar a indicação como uma conquista e, pior, dar à entrega do Oscar um tom de final de campeonato, sim, me parece uma atitude colonialista. Coisa de time com complexo de segunda divisão, que vive querendo uma oportunidade para ser reconhecido. Como se desse reconhecimento, via Oscar, dependesse o futuro da música e da produção cinematográfica no país. Over demais, não acham?
Além disso, algo que ia postar ontem, também no Facebook, mas preferi guardar aqui pro blog. "Rio" tem todos os méritos que a tecnologia pode dar, é um filme bem feito, alegre, colorido, feliz. Mas, fica a reflexão: o Brasil, e a Cidade Maravilhosa, em especial, aparecem na tela exatamente da mesma forma que Walt Disney mostrava, 50 anos atrás, nos célebres desenhos do Zé Carioca. Um grande estereótipo! Somos o país da banana, do samba, da floresta, da mulata e dos malandros. Em pleno terceiro milênio, Hollywood olha pra nós e nos enxerga do mesmo modo que éramos vistos na metade do século passado. E nisso, sinceramente, eu não sei se dá pra achar tanta graça...
29.11.10
Morre Leslie Nielsen...
No início dessa madrugada, circulou a notícia da morte de Leslie Nielsen. Seus filmes marcaram minha infância e juventude. Fica o registro desse grande mestre do besteirol, que em sua passagem por essa Terra, fez nascer milhões de sorrisos nos rostos dos espectadores de suas comédias.
Que descanse em paz!
18.11.10
RESENHA: Muita calma nessa hora...
Uma comédia jovem, cheia de momentos inspirados, e com participações especiais que, por si só, já valeriam o ingresso. Ingredientes que, somados à farta divulgação na TV e ao forte apelo de alguns dos nomes do elenco, justificam o sucesso de "Muita calma nessa hora", consagrado como a terceira maior bilheteria do final de semana prolongado.A comédia é bem popular, sem grandes sofisticações de linguagem ou de roteiro. E esse não é um ponto negativo. A partir da viagem de três amigas que, por razões distintas, resolvem reinventar suas vidas em Búzios, "Muita calma..." oferece ao espectador um emaranhado de situações divertidas, estreladas por alguns dos maiores nomes da comédia nacional - como sabiamente anuncia o cartaz promocional do filme.
Nomes como Marcelo Adnet - genial como o paulista aficcionado por equipameeeeeeeintos eletrônicos, Maria Clara Gueiros, Leandro Hassun, Lúcio Mauro Filho, Luís Miranda e Heloísa Perissé, que emprestam graça à trama que, numa análise um pouco mais detalhada, é, sim, muito superficial. O mérito da equipe responsável pela produção foi ter sabido fazer com que esse elenco talentosíssimo "segurasse a onda" do filme, e não o deixasse resumido a uma sucessão de esquetes de comédia televisiva.
Entre as protagonistas, fica óbvio que Gianne Albertoni está lá pelo biotipo. E, obviamente, não desaponta nesse quesito. As demais - Andréia Horta, Fernanda Souza e Débora Lamm - têm mais tarimba e, certamente por isso tiveram mais sucesso na construção de suas personagens. Mas que fique claro: Gianne também não tem porque se envergonhar. Só fica evidente que está no início da caminhada...
Débora Lamm é um talento enorme - não é por acaso que sempre aparece nos trabalhos com a griffe de Bruno Mazzeo. Carismática, criou uma hippie que poderia se limitar aos estereótipos, mas tira proveito de todos eles para fazer rir. Uma bela atriz! É, ao lado de Marcelo Adnet e Luís Miranda, destaque no elenco.
"Muita calma nessa hora" é filme leve, despretensioso, e que traz frescor ao cinema brasileiro. Um cinema que "se acostumou" a tratar das mazelas do país, mas que precisa lembrar que o humor é uma das principais características do DNA brasileiro....
13.10.10
RESENHA: Tropa de Elite 2
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| Filme mostra Nascimento grisalho, na Subsecretaria de Segurança Pública: policial interpretado por Wagner Moura já é um dos mais importantes - e populares - do cinema brasileiro |
Quando o público aplaude um filme no meio da exibição, é sinal de que a idenfiticação e o envolvimento com a obra mostrada na telona são inquestionáveis. Foi exatamente isso que aconteceu na noite de ontem, quando vi uma das - lotadíssimas - sessões de Tropa de Elite 2. Num momento catártico da história, quando o agora Coronel Nascimento explode contra o sistema, o cinema explodiu em aplausos. Era a consagração de uma história e de um personagem que conseguiram falar a linguagem do público.
E bota público nisso! Lançado num final de semana prolongado, Tropa de Elite 2 entrou para a história com a maior arrecadação da história do cinema nacional. Nos quatro primeiros dias em cartaz, foram R$ 13,9 milhões de reais de bilheteria, conquistadas graças à procura de 1,29 milhão de pessoas - até domingo. Gente que não só lotou as 661 salas que exibiam cópias do filme, como ainda fez com que o número fosse ampliado para 703 cinemas.
Motivada pelo canhão que foi o primeiro filme da franquia, a procura do público parece inédita no que diz respeito às produções nacionais. Corredores lotados, salas lotadas, shoppings entulhados de gente. Todos querendo conferir a história que - ao menos até o lançamento - a equipe de produção conseguiu blindar da pirataria.
O filme é muito bem feito, bem montado, bem dirigido. O realismo das cenas de ação - e violência - volta a impressionar e está, novamente, a serviço de uma história muito bem contada. Desencadeada por um erro cometido numa rebelião no presídio de segurança máxima Bangu I, a história protagonizada pelo eterno caveira Nascimento aponta o dedo para alguns dos principais nós da questão da segurança pública: a corrupção de policiais e a conivência de representantes do poder público.
Nada é novo. Duvido que haja alguém que se surpreenda com a possibilidade (?!?!?) de homens públicos - do Legislativo e do Executivo - estarem ligados ao tráfico de drogas e às milícias. Mas o mérito de José Padilha e de sua equipe é colocar essa ferida exposta na nossa cara. Sobretudo depois de um processo eleitoral. Na tela, o público se depara com "a vida como ela é".
Não vou dar detalhes do filme, porque sou contra spoilers. Mas acho que todos os brasileiros deviam ver Tropa de Elite 2. Deveriam pensar sobre o rumo de seus votos. Repensar suas escolhas, suas condutas. E perceber como os discursos - da polícia, dos políticos e de setores da mídia - são atravessados de interesses. Interesses que, na maior parte das vezes, vão no sentido exatamente contrário ao que deveria ser o interesse público.
Veja Tropa de Elite 2. E depois me responda: quem disse que o cinema brasileiro não pode fazer pensar?
27.9.10
RESENHA: "O último exorcismo" não está à altura dos bons filmes de terror que abrodam o assunto
Filmes de terror que apelam para as histórias de possessão estão longe de parecer novidade. O título mais bem sucedido do gênero, "O Exorcista", foi produzido há 37 anos e foi o responsável por forjar no imaginário do público um tipo muito específico de terror.
Fui ver "O último exorcismo", admito, um tanto saudoso. Saudoso dos bons filmes de horror, que nos dão sustos, que aceleram as batidas do coração, intrigam nossa cabeça e - qualquer vestígio de machismo deixado de lado - enchem a gente de medo.À exceção da parte relacionada a intrigar nossa mente, não encontrei nada disso na produção que estreou na última sexta-feira...
"O último exorcismo" usa uma metalinguagem: é um filme que narra o processo de produção de um documentário. A sacada é muito boa e, logo nos primeiros minutos, o espectador já é fisgado pelo protagonista, um pastor de caráter duvidoso que revela usar métodos pouco ortodoxos para faturar. E que resolve produzir um documentário para denunciar a prática do exorcismo - segundo ele, uma grade farsa. São momentos que rendem risadas e fazem pensar em como a ficção pode se prestar a denunciar realidades que parecem cristalizadas, encaradas com uma normalidade cômoda. E covarde. Um acerto.
Mas quando começa o que deveria ser terror, "O último exorcismo" se revela, quando muito, um filme de mistério. A ponto de não dar ao espectador, por boa parte da projeção, uma certeza sequer sobre a existência, ou não, de um caso de possessão demoníaca na história. Depois, quando essa certeza parece vir, novas dúvidas são lançadas: afinal, quem o demônio assombra?
Não me senti jogando dinheiro fora. Pelo menos, não antes de ver o fim do filme. Paro por aqui, pra não cometer a picaretagem de postar um spoiler. Mas, de fato: não recomendo. Quando muito, digo para deixarem a TV exibir. O fim (?) da história me fez crer que não vale o dinheiro do ingresso...
8.8.10
Minha primeira vez em 3D: "Meu malvado favorito"...
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| Filme foi o mais assistido nos cinemas brasileiros em seu fim de semana de estreia... |
Dizem que a primeira a gente nunca esquece. Então, tenho fortes motivos para jamais esquecer dessa comédia de primeiríssima...
A disputa pelo trono de maior vilão do mundo é o mote de Meu malvado favorito, animação em 3D lançada nos cinemas brasileiras nesse final de semana. Contando com a ajuda de pequenas - e enlouquecidas - criaturas amarelas, Gru traça um plano para roubar a lua e, com isso, tornar-se o mais temido dos vilões do planeta. Mas o plano não é de fácil execução, e Gru deverá lutar contra Vetor, o então maior malvado do mundo, autor de um mirabolante plano que roubou uma das pirâmides do Egito e, no lugar, deixou uma réplica. Inflável.
No meio do caminho, Gru se depara com três órfãs e esse encontro mudará os destinos de todos os personagens envolvidos nessa história leve, divertida e com gráficos impressionantes. A cena em que o vilão anda de montanha-russa com as garotinhas, em 3D, dá ao público a exata sensação de quem senta nas cadeirinhas da temível atração dos parques de diversões. Muito bem feito mesmo!
Poderia falar aqui de um certo clichê no final do filme, mas acho que seria demais imaginar que esse tipo de produção fugiria dos padrões que ajudaram a consolidar a indústria cinematográfica de Hollywood. Portanto, esqueçam as análises mais profundas e se entreguem ao entretenimento que esse filme pode oferecer. Do primeiro segundo aos...créditos de encerramento!
A comédia arranca gargalhadas de todos, de todas as idades. Então, se você tá buscando diversão, eu recomendo!
Ah, sim: o 3D faz toda a diferença!!!
11.7.10
Sobre Shrek para sempre...
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| Quarto filme tem sido anunciado como a última aventura do ogro verde que conquistou crítica e público... |
Quem não gostaria de dizer adeus a um amigo que vai embora? Por mais que as despedidas não sejam circunstâncias agradáveis para todos, são muitos os que não abririam mão de uma oportunidade desse tipo. Oportunidade que os criadores de Shrek oferecem ao público em Shrek Para Sempre, anunciado como o último longa estrelado pelo ogro bonachão.
Se as piadas e situações vividas pelos personagens dos contos de fadas já não soam tão originais e surpreendentes quanto nos dois primeiros filmes da franquia, a qualidade da animação e o carisma dos astros do filme não desapontam em momento algum. Sem contar nas hilárias cenas estreladas por coadjuvantes de luxo, como Pinóquio e Biscoito.
O enredo do capítulo final da saga de Shrek mostra o ogro cansado da rotina do casamento com Fiona. Reclamão, encontra um picareta que lhe promete um dia de "folga", oferecendo a possibilidade de deixar de viver um dia de sua vida tão repetitiva. Parece confuso, mas é a partir desse mote que se desenvolve toda a ação do filme que, é claro, acaba fazendo Shrek voltar a se apaixonar pela rotina familiar.
O Burro e o Gato de Botas, mais uma vez, garantem boas risadas. E ganham a companhia de um personagem sem nome, um moleque ranzinza que só aparece em duas cenas do filme. Ele pede a Shrek: "Faz o berro!". É uma fala isolada, mas fez o público da sala de cinema vir abaixo a cada repetição.
Recomendo o filme. É leve, engraçado. E serve para mostrar que tudo, por melhor que seja, tem mesmo um fim.
3.4.10
Sobre Chico Xavier - O filme...
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| Filme que conta a vida do maior médium brasileiro de todos os tempos promete se tornar um campeão de bilheteria... |
Conferi o novo longa de Daniel Filho na noite de ontem, dia de estreia da produção nos cinemas de todo o país. E pelo que vi - dentro e fora da sala de exibição - vem aí mais um grande sucesso para a griffe do diretor que está envolvido com algumas das maiores bilheteriais de filmes nacionais desde a chamada retomada do cinema. As salas abarrotadas, os ingressos esgotados com três horas de antecedência e muita, muita procura por tudo o que está relacionado ao filme demonstram que Daniel Filho, definitivamente, foi feliz ao levar para a telona a vida do maior médium brasileiro de todos os tempos.
O roteiro é costurado a partir de participações de Chico Xavier no programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi. As respostas do entrevistado dão a largada para que sejam contadas na telona passagens da vida do médium mineiro, como a infância sofrida e o início do contato com seu guia espiritual, Emmanuel. O recurso não é original, mas não compromete o desenvolvimento da história.
Enquanto Chico Xavier conta suas histórias e fala de sua doutrina, o público se vê representado no personagem de Tony Ramos. Diretor de TV do programa que tem o médium como convidado, ele é um ateu às voltas com um drama familiar que vai testar sua capacidade de crer. O mesmo teste que, de forma bem sutil, é colocado diante de quem entra no cinema disposto a duvidar de Chico Xavier.
O elenco é estelar. Tony Ramos faz um trabalho brilhante e a cena em que seu personagem muda de postura é primorosa. Cristiane Torloni também faz uma bela participação e emociona, sobretudo, ao confrontar a personagem de Cassia Kiss - esta, em um pequeno e comovente papel.
A missão de dar vida ao protagonista foi encarada por dois grandes atores. Ângelo Antônio e Nelson Xavier. Nelson se vale de uma impressionante semelhança com o médium em sua fase madura, fato que contribui para que seu desempenho seja convincente. Mas é Ângelo Antônio que consegue a façanha de personificar Chico Xavier em sua fase mais jovem, emprestando expressões, posturas e uma docilidade ao personagem, numa fase em que ele ainda não era tão conhecido do grande público. O Chico Xavier de Ângelo Antônio "explica" o Chico mais velho, interpretado por Nelson Xavier.
Emmanuel, o guia espiritual que acompanhou o médio brasileiro por toda a vida, é interpretado por André Dias. Irônico, questionador e firme com o médium, o espírito de luz arranca risadas e faz pensar. Bem em mais esse personagem, André se destaca. E o mesmo acontece com Charles Fricks, que dá vida ao jornalista David Nasser. Quando Chico Xavier já era nacionalmente conhecido, o repórter empreendeu uma reportagem de denúncia. Surge na tela quase como um vilão. Mas não teve grande sucesso em sua empreitada...
Chico Xavier - O filme faz pensar. Faz sentir. E faz admirar a bela história de vida desse brasileiro que nasceu e morreu na simplicidade, sem jamais tirar proveito do dom divino, dividido com milhares de irmãos de fé.
Ter ido ao cinema ontem , dia 2 de abril de 2010, foi uma bela forma de celebrar esse homem de fé, no dia em que seu primeiro centenário foi lembrado.
Recomendo!
27.2.10
'Preciosa': grandes atrizes brilham numa grande história...
Toda a violência que há no mundo parece pouca diante da condenação representada pelo fato de uma pessoa se privar de si mesma. E a brutalidade dessa renúncia me impressionou logo no início de Preciosa, quando a protagonista, num texto de apresentação, diz: "Eu nunca falo nada!".Com dificuldades de aprendizagem, violentada, obesa e fora dos padrões de beleza, Preciosa quer se esconder do mundo. Não se reconhece como parte dele. Não se reconhece: o reflexo que vê no espelho é outro. Sonha com um homem "branco e de cabelo bom". Um príncipe encantado que a salve do destino de ser abusada pelos pais e de, aos 16 anos, ser mãe duas vezes.
O filme é forte, sob todos os aspectos. Tem uma história forte, interpretações fortes e bate forte na plateia. Fiquei tenso durante boa parte da sessão, especialmente nas cenas em que a mãe de Preciosa deixa fluir seu ódio pela filha, tida como rival.
E que atriz é essa Mo'nique, intérprete da mãe da protagonista. Intensa, visceral, entregue à história cruel da mulher que "só queria ser amada". E que preciosa revelação é Gabourey Sidibe! Uma atriz talhada sob encomenda para um papel difícil, que em momento algum resvala para o estereótipo da gordinha infeliz e sonhadora. As duas estão indicadas ao Oscar e, honestamente, duvido que haja maiores e mais justas merecedoras para o prêmio.
Preciosa é filme para pensar e sentir. E para pensar, pensar, pensar...
Eu recomendo!
14.1.10
Sobre Sempre ao seu lado...
Vi ontem Sempre ao seu lado, o novo filme do Richard Gere. É um filme baseado numa (incrível e linda) história real, estrelado por um cachorro - igualmente lindo, diga-se de passagem. E filme com bichinho, você sabe, é certeza de diversão. E/ou de lágrimas. Sempre ao seu lado tem - de sobra - motivos para rir e chorar...Como falar desse filme sem estragar as surpresas? Como mensurar o tamanho do amor de um cachorro que passa anos esperando seu dono diante da porta de uma estação ferroviária? E como sair do cinema sem pensar nas esperas de todos nós por um reencontro sonhado com a pessoa amada?
Saí da sala me sentindo Hachi, o cão. Se não paro diante de uma estação de trens, assumo: me pego pensando de vez em quando em como será o dia de rever quem já partiu. Como será rever meu pai sacaneando todo mundo ou ver o tom branquinho dos cabelos da minha vó? Como será tê-los por perto? E como será o dia em que poderei dizer que não tenho mais saudade no meu peito?
Não sei. Por ora, o que resta é esperar. Como faz o cãozinho diante da porta da estação ferroviária.
21.12.09
Avatar lembra: cinema é a maior diversão!
Um novo planeta, habitado por criaturas azuis e ameaçado pela voracidade dos humanos, interessados nas riquezas minerais escondidas sob o solo extraterrestre.
Um povo conectado à natureza, a todas as formas de vida, que respeita, preserva e ama o seu território. Que entende a vida como um todo em harmonia, em equilíbrio.
Essas são duas formas de contar a história de Avatar, o blockbuster de James Cameron que chegou para lotar os cinemas nesse final de ano. Mas assumo: as duas deixam muito, mas muito a desejar!
O filme merece mesmo todas as reverências. E, notem bem: quem escreve aqui está longe de ser um adepto das histórias de ficção científica. Estrelado por personagens desenvolvidos por meio de modernos softwares de animação, Avatar tem como um de seus principais méritos o fato de resultar humano na telona. Quando olhamos as gigantescas criaturas azuis no início do filme, há um certo estranhamento. Mas dura pouco: logo estamos identificados com suas emoções e, claro, torcendo a seu favor.
Se para muita gente o maior barato de Avatar está nos efeitos visuais - realmente excepcionais! - na minha opinião o filme tem no roteiro seu pilar mais sólido. James Cameron foi criativo sem resultar viajandão ao desenvolver a saga que já levou milhões de pessoas aos cinemas em todo o mundo nesse final de semana de lançamento. E soube buscar um diferencial para falar de um dos assuntos mais recorrentes hoje em dia: o total descaso do ser humano com o planeta.
As cenas de ação e as paisagens virtuais são impressionantes! O elenco convence - e os atores virtuais representam tão bem quanto os de carne e osso. E a trilha sonora - com forte influência indígena - pontua muito bem as sequências do filme.
Avatar vale o ingresso. É cinema no melhor estilo maior diversão.
Eu recomendo!
29.10.09
E eu vi This Is It...
Estreia do documentário sobre os ensaios da última turnê de Michael Jackson revelam um artista comprometido com os fãs e apaixonado pela ideia de produzir um show memorável... Quando Michael Jackson morreu, no último mês de junho, tão chocante quanto a sua morte eram as informações que davam conta de um artista acabado, doente física e mentalmente, falido e sem condições de cumprir a extensa agenda de 50 shows da última turnê. Não parecia, sem dúvida, um desfecho à altura do Rei do Pop...
Mas eis que, passados quatro meses da morte de Michael, o mundo pode ver o astro no pop de volta aos palcos pela primeira vez em 10 anos em This Is It. Fui conferir o filme ontem e o que se vê, meus caros, traz sérios prejuízos à imagem de artista acabado que tanto quiseram fazer crer que correspondia à realidade! Na telona, Michael ressurge no comando da situação, interferindo - enfaticamente - em cada um dos detalhes da produção do show: da escolha dos bailarinos ao momento de virar de frente para o público antes do início de mais uma canção. Lá está ele: Michael, mais rei do que nunca!
Além da atmosfera de making of, que revela a inquestionável grandiosidade dos shows que Michael não pôde fazer, This Is It oferece ao público momentos em que o artista está criando. Alguns são até engraçados, como quando Michael diz ao diretor musical que a música "precisa ficar um tempinho em silêncio" e os dois travam uma curiosa discussão sobre "o que está na cabeça" do cantor. E Michael explica: "Quero que os fãs ouçam o que eles ouvem no disco! A canção que eles ouviram e gostaram!". O rigor e o compromisso em fazer um grande espetáculo levam a uma das frases mais interessantes do filme, dita por um dos músicos. Para ele, Michael é um perfeccionista, e "isso é raro entre os artistas do pop". Se todos - ou muitos - parecem apenas interessados em fazer o varejão da música comercial, Michael Jackson se cobra - e cobra a todos da equipe - por mostrar sua arte do jeito que ela conquistou o mundo. Queria, certamente, reconquistá-lo...
O filme também mostra que a voz do cantor estava no lugar, embora ele deixe claro que estava pupando seus recursos vocais para "quando precisasse cantar de verdade". Uma economia que não impede alguns arroubos na finalização de I Just Can't Stop Loving You, executado em dueto com uma de suas backing vocals. Dueto que leva ao delírio a plateia de dançarinos e técnicos que testemunhavam os ensaios. Um belo momento!
Por falar na equipe, o filme também oferece um panoram do que significou para todos aqueles profissionais a possibilidade de dividir o palco com Michael Jackson. É a "família" do artista, como ele mesmo exalta numa das cenas de reunião com a equipe. Uma família que parecia unida em torno de um mesmo e grandioso objetivo.
This Is It - a turnê - seria um sucesso? É bem provável que sim! Os ingressos para as 50 apresentações em Londres estavam esgotados e o requinte da produção estava à altura de tudo o que Michael Jackson representa para a história do pop mundial. A força da produção e do artista em cena novamente poderiam, inclusive, devolver a Michael o lugar de destaque na música que lhe foi tirado pelos escândalos e pelas bizarrices que, infelizmente, tomaram mais espaço em sua vida que a arte. Infelizmente, o Rei do Pop não viveu para reassumir seu trono. Mas deixou aos súditos um belo e afetuoso presente: This Is It deixa claras as razões que levaram o menino nascido em Gary a se tornar o artista mais famoso, mais talentoso e mais influente da música pop em todos os tempos: dentro do que se propunha a fazer, Michal Jackson sempre foi genial...
15.9.09
Sobre a morte de Patrick Swayze...
Depois de uma lenta - e pública - agonia ocasionada por um destrutivo tumor no pâncreas, o ator de Ghost e Dirty Dancing morreu ontem. Durante os 20 meses em que lutou contra o câncer, Patrick Swayze mostrou ao mundo sua força e ajudou a explicitar que, quando perde os limites da ética e do respeito à dignidade humana, a imprensa pode ser muito cruel.
Acho que não há cena mais bonita em toda a filmografia de Patrick Swayze que essa que escolhi pra ilustrar o post. Ela fala de reencontro, de fé, e da crença de que os bons sentimentos são capazes de superar até mesmo os obstáculos tidos como intransponíveis. Como a morte...
Que descanse em paz!
25.7.09
Sobre Marley & eu...
Vi Marley & eu no avião, durante o voo de volta para o Brasil. Resultado? Paguei um mico daqueles! Apesar de advertido por alguns amigos, me meti a besta e encarei o filme - muito sensível - com a pretensão de quem se acha acima do bem e do mal. Acabei mergulhado em lágrimas, vencido por um nó na garganta que me apertou até que meus olhos dessem vazão ao choro.A saga do labrador Marley é mesmo comovente. E tem momentos de muita graça também. O filme não é nada ambicioso, não demonstra grandes pretensões e tampouco busca revolucionar a linguagem do cinema. Mas toca lá no fundo todos os que gostam de animais e que admiram - especialmente nos cães - a capacidade de dedicação e de dar amor que eles têm. Chorei por Marley, chorei de saudades dos meus cachorros e tive a certeza de ser um felizardo por receber tanto amor dessas criaturinhas tão dóceis, loucas e divertidas.
Owen Wilson e Jeniffer Aniston fazem bons trabalhos, assim como as crianças que interpretam os filhos do casal. Mas não tem jeito: Marley é um filme pro cachorrinho brilhar...
Recomendo o filme. Mas prepare os lencinhos, ok? E, aos mais tímidos, um aviso: melhor não assistir em locais públicos, tá?
18.5.09
Domingo de cinema: Anjos, demônios e Simonal...
Cinema é a maior diversão! Certo disso e precisando espairecer depois de mais uma semana de muita correria, zarpei no início da tarde de ontem para um multiplex decidido a conferir duas das novidades da semana: "Anjos e Demônios", baseado na saga criada por Dan Brown; e "Simonal", documentário sobre a vida do cantor que teve a carreira arruinada depois da suspeita de ser colaborador do regime militar.
Como faria Jack, sigamos por partes...
"Anjos e Demônios" leva para as telas o suspense sobre uma conspiração no Vaticano. Abalada pela morte de um Papa, a cúpula da Igreja Católica precisa lidar com as ameaças contra os quatro cardeais favoritos para a sucessão do pontífice. Por trás do terror, uma sociedade secreta, munida com uma arma de alto poder de destruição, criada num dos mais modernos laboratórios do mundo.Quem leu o livro sabe que é eletrizante. Eu, particularmente, acho ainda mais instigante que o propalado "Código da Vinci". E, se errou a mão na adaptação do mega-best-seller de Dan Brown, o diretor Ron Howard, que também assina a direção de "Anjos e Demônios", consegue se redimir. O filme tem ação pra dar e vender! O clima frenético do livro foi bem traduzido pelas sequências de perseguições rodadas nas ruas de Roma e o elenco colabora, e muito, para convencer o público de que a conspiração imaginada pelo escritor é verossímil. Os destaques são Tom Hanks - que, felizmente, viu seu Robert Langdon ganhar um corte de cabelo; e Ewan McGregor, convincente no papel do Camerlengo. Sem falar na bela Ayelet Zurer, que vive a sensual e esperta Vittoria Vetra.
Os cenários são de impressionar - principalmente as tomadas que reproduzem os interiores da Capela Sistina, local ao qual a equipe teve o acesso negado pelo Vaticano. A música também ajuda a criar o clima de aflição necessário à narrativa e o roteiro dá aos leitores da história a sensação de que o crème-de-la-crème do livro foi levado para a telona.
A Igreja implicou, óbvio. Seus interesses e a manipulação em torno da opinião pública são mostrados às claras. Mas, por outro lado, a beleza de seus rituais mais fundamentais - como o conclave - também está lá, traduzida em imagens nunca antes imaginadas por boa parte do público. Sem falar que a tomada final é de emocionar até o mais descrente dos seres humanos.
É um filme bem bacana! E eu recomendo!
Da ficção mais fantasiosa para a realidade. Realidade, que, aliás, pode ser mais devastadora que a antimatéria do filme baseado em Dan Brown. Na vida de Wilson Simonal, não houve antimatéria. Mas a destruição de sua imagem - e o consequente naufrágio de sua carreira - foram tão devastadores quanto a mais poderosa das armas químicas.Um dos cantores mais populares do Brasil na década de 60, chegando a rivalizar com Roberto Carlos, primeiro negro a fazer sucesso sem cantar samba, Simonal foi dos píncaros da glória ao abismo do mais profundo ostracismo. Tudo por conta de uma suposta - e jamais comprovada - atuação como delator de colegas artistas ao regime militar.
Rico e com vocação para a ostentação, Simonal meteu os pés pelas mãos e cometeu um erro que lhe custou tudo o que tinha conquistado até então. Esquecido, depois de vinte anos ignorado pela mídia, morreu, reduzido a uma pálida sombra do que tinha chegado a ser.
O filme é simples, sem grandes arroubos narrativos ou invencionices estilísticas. Os videografismos estão dentro do contexto da vida de um homem que fez o povo sambar como Sá Marina, e mostrou ter orgulho de viver num Pa tropi.
Dirigido por Cláudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer, o documentário agrupa bons depoimentos de personalidades que dão a dimensão do fenômeno que Simonal representou para a MPB durante a fase áurea de sua carreira. Chico Anysio, Arthur da Távola e Nelson Motta, donos de inegáveis carismas, defendem o artista; buscam fazer justiça e apagar a mácula que fez o castelo de Simonal desmoronar. Jaguar e Ziraldo, do Pasquim, dão suas versões para o tratamento que todo o episódio mereceu do periódico idealizado pela turma da canhota, como Simonal tratava os esquerdistas. E os depoimentos de Tony Tornado, Castrinho e Miéle contribuem para explicar o tamanho do estrago que um passo em falso gerou na carreira - e, pior - na vida de Wilson Simonal.
Fiquei especialmente incomodado com os depoimentos do Jaguar, que ri ao narrar passagens duras, como se desconsiderasse todo o sofrimento que elas causaram. Pode parecer piegas, mas achei que faltou um pouquinho de humanismo ali...
Os filhos, Max e Simoninha, dão depoimentos afetivos e, mais que isso, uma certa lição de sabedoria. Parecem ter aprendido com os erros do pai. E estão dispostos a resgatar o talento e a contribuição de Simonal para a história da MPB. Uma luta louvável, diga-se de passagem.
As imagens coletadas são impressionantes e revelam a importância da televisão para a memória de um país. Sim, porque só vendo o Maracanãzinho lotado cantando sob a regência de Simonal alguém da minha faixa etária pode entender o vulcão que era esse artista. E pode associá-lo às gerações posteriores de entertainers. Todos devem render homenagens à esse grande cantor.
No mais, "Simonal: ninguém sabe o duro que dei" ainda faz brotar um salutar debate sobre o poder da mídia. Faz pensar sobre a responsabilidade de uma imprensa que, já desde o início dos anos 70, confunde os papéis e, por vezes, julga e condena em vez de noticiar. Aliás, esse é o tema de uma das falas mais interessantes do filme, do falecido senador Arthur da Távola.
Gostei do filme. E saí do cinema lamentando que um erro tenha demolido toda a história de luta construída pelo Simonal. Recomendo o documentário a todos os amantes de música. E de História!
17.5.09
Plantão High School Musical...
Esse post é uma ode à criatividade!
Nunca vi uma única cena do fenômeno teen estrelado pelo Zac Efron. E agorinha, recebi um link, via msn, com uma paródia a um dos musicais do filme. Mas pra você valorizar a versão brasileira, dê um play no original. Ok, ok, não precisa ver tudo. Mas só pra sacar o universo da história e o clima da música.
Lá vai:
Nunca vi uma única cena do fenômeno teen estrelado pelo Zac Efron. E agorinha, recebi um link, via msn, com uma paródia a um dos musicais do filme. Mas pra você valorizar a versão brasileira, dê um play no original. Ok, ok, não precisa ver tudo. Mas só pra sacar o universo da história e o clima da música.
Lá vai:
Agora veja como a versão brasileira, uma espécie de High School Proibidão, ficou muuuuito mais divertida. E, por que não dizer, mais condizente com a coreografia e a interpretação (?!?!?) do galã teen.
Essa vale a pena ver toda, ok:
Essa vale a pena ver toda, ok:
Cara, é ou não é digna de aplauso a mente que criou essa versão? Se fosse usada para o bem da humanidade, hein?
Agora, só aqui entre nós, o coreógrafo devem ser inimigos mortais do Zac Efron, né? Porque essa coreografia biba-sofrida é de lascar...
Eu morri de rir! E você?
14.5.09
Ele não virou um milionário...
Que loucura essa notícia sobre a agressão sofrida pelo menino Azharuddin Mohammed Ismail, ator do filme, pela polícia indiana. E que loucura saber que o garoto, conhecido em todo o mundo, vive num barraco feito de plástico e bambu com sua família. Ou melhor, vivia: o barraco foi destruído durante a ação policial.
Num tempo em que tanta gente busca a fama a qualquer preço, essa história funciona como um balde de água fria! E como um lustra móveis para os caras de pau que lucraram com o filme deixando os astros na miséria...
Aliás, sensacional o texto da correspondente em Nova Iorque, em matéria exibida agorinha no Jornal da Globo. Terminou dizendo: "Uma coisa é certa: se o filme fez algum milionário, não foi nenhum dos atores mirins!".
Essa é pra quem duvida que a vida real pode ser mais cruel que a ficção...
9.5.09
Divã: um filme pra (estrela) Lília Cabral brilhar...
Cena em que personagem compara o ex-marido a um vestido Armani é uma das mais bonitas do longa baseado em livro homônimo de Martha Medeiros...Depois de um sábado de trabalho, entrei no Odeon e fui conferir o badalado filme protagonizado pela atriz global. E tive só agradáveis surpresas. Só não me surpreendi com o talento arrebatador de Lília Cabral e com a sua capacidade de se entregar a cada cena. Interpretação irretocável! A cada olhar, a cada gesto, convence e arrebata a plateia. Impressionante!
Pra quem não sabe, Divã conta a história de Mercedes, uma mulher casada há 20 anos, mãe de dois filhos, que resolve fazer análise. Na primeira sessão, descreve a vida como perfeita. Mas, com o avançar da terapia, se vê mergulhada num caldeirão emocional. Entusiasmada, resolve experimentar um novo parceiros depois que descobre a traição do marido.
E por aí vai...
As cenas em que a personagem aparece diante do analista são engraçadas. E tocantes. Aliás, acho que é limitador demais definir Divã como uma comédia. O filme - e o texto - vão muito além disso!
Mas quando é pra fazer rir, Lília o faz com competência! A cena da boate - com Cauã Reymond - é divertidíssima! Assim como as sequências no cabeleleiro - nas quais a protagonista tem as companhias primorosas de Paulo Gustavo e Alexandra Richter. E a cena no single bar é de chorar de rir!
Além da protagonista, todo o elenco se mostra adequado. Alexandra Richter aproveita todas as cenas para mostrar sua capacidade - e ela não se restringe apenas a fazer rir. Paulo Gustavo, em pequena participação, dá o tom perfeito para o cabeleireiro afetado e cheio de tiradas sensacionais. Entre os galãs, José Mayer e Cauã Reymond dão conta do recado, enquanto Reynaldo Gianecchinni apenas parece repetir um dos seus habituais tipos de novela.
Trilha sonora e fotografia ajudam a contar bem essa história que é, ao lado da interpretação de Lília, o maior mérito do filme...
Não vou dar mais detalhes pra não estragar a surpresa, mas recomendo Divã a todos! É bom a gente ver e pensar que nada é definitivo, que tudo pode mudar o tempo todo. E que cada momento é único e esforçar-se para que ele seja, também, feliz, é o que de melhor cada um de nós pode fazer...
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