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14.6.10

O dia em que encontrei um mestre...

Ontem, num gelado final de manhã de domingo, eu e a equipe do Salto chegamos à Feira de São Cristóvão. O objetivo era gravar reportagens pra última série inédita que exibiremos nesse semestre, daqui a três semanas. Mergulhamos no universo dos repentistas, ouvimos repentes feitos especialmente para o programa e aprendemos a lição de que repente é como pão: pra ser bom, tem que ser feito na hora!
Mas o que mais me chamou a atenção foi a história do Mestre Azulão. Um paraibano de quase 80 anos, que há 61 anos vive a rotina da feira. Cordelista e repentista, ele já publicou 318 livretos de cordel. Escreve sobre tudo: sobre o ataque às Torres Gêmeas, sobre o assassinato da menina Isabela Nardoni, sobre os cuidados com o meio ambiente...até sobre os mensalões e os escândalos da política nacional.
A carreira de cordelista começou em 1954. O tema do primeiro cordel? O suicídio de Getúlio Vargas. Pois é...criando versos e rimas, Mestre Azulão é uma daquelas fantásticas testemunhas da história...
Além dessa trajetória longa, o que me chamou a atenção foi a vivacidade daquele velhinho. Sua simpatia, seu prazer em dividir suas histórias, sua simplicidade e toda a genialidade de quem sabe que a vida não deve ser tão levada a sério.
Os livretos de Mestre Azulão custam R$ 2. Pouco. Quase nada diante da sua incalculável sabedoria...

29.4.10

Sobre o dia em que gravei uma entrevista com a mestra da boa conversa: Leda Nagle...

A conversa, sobre a história da TV e sobre o Sem Censura, vai ao ar em maio, no Salto para o Futuro
Sou um jornalista formado pela televisão. Embora sempre tenha lido muitos jornais e revistas - e o sempre não é exagero: desde a infância eu cultivo esse hábito - foi da TV que tirei minhas primeiras referências para o jornalismo. Lembro de, muito cedo, ver telejornais e me encantar com a habilidade que aqueles homens e mulheres que apareciam ali tinham para contar tudo o que acontecia. Gostei disso. E foi isso que quis pra mim: ser um contador de histórias.
Uma das figuras que eu observava quando moleque na televisão eu  via no Jornal Hoje. Lembro de assistí-la e de prestar atenção ao seu jeito de conduzir as entrevistas todo sábado. De me surpreender com sua voz grave e com seus cabelos curtos e negros. Era Leda Nagle que, claro, nem sabia que eu existia, mas já me mostrava algo que eu teria muita vontade de fazer no futuro: conversar com as pessoas, extrair delas bons causos, ganhar a confiança para ouvir suas histórias. De um jeito leve, despretensioso, caloroso. Ali, ainda muito menino, eu começava a descobrir os segredos de uma boa entrevista...
Terça-feira, eu tive a oportunidade de conversar longamente com Leda. Gravamos uma entrevista para uma série do Salto sobre a televisão. E, vejam só: agora era eu, o garoto de tempos atrás, a entrevistar a mestra da boa conversa. Batemos um papo sobre as memórias da telespectadora e da profissional que acompanha a TV há muitos anos e que se revelou completamente apaixonada pelo veículo. Generosa e muito carinhosa, Leda dividiu suas histórias comigo e, em breve, nós, do Salto, vamos compartilhá-las com o nosso público.
Ali, enquanto a ouvia e me preocupava com o enquadramento do cinegrafista, com a pegunta que faria depois, achei graça. Achei graça das histórias e dessa vida imprevisível que nos leva a lugares que sequer poderíamos imaginar conhecer. Vida louca, breve, que me tirou do sofá da casa da minha infância e me colocou ao lado de alguém que, ano após ano, se firmou como uma referência profissional.
É sintomático que, em 10 anos de carreira, eu tenha acumulado 10 anos de experiência na TV. Atrás e diante das câmeras. E tenho muito prazer em desempenhar cada uma das funções que me cabem nesse veículo tão fascinante. Da pauta às gravações; da edição dos vídeos à hora de apresentá-los, ao vivo, no programa. É porque na TV, tô em casa. E taí algo que descobri ter em comum com a coleguinha Leda Nagle.
Com certeza...

26.3.10

Breve no Salto: Sérgio Britto e Barbara Heliodora...

Repórter e fã: clique com Sérgio Britto depois da entrevista...
Ontem eu tive um daqueles dias de ouro na carreira de um jornalista: entrevistei dois grandes nomes ligados ao teatro brasileiro e tive o privilégio de ter aulas privativas com eles. Falo de Sérgio Britto e Barbara Heliodora.
Sérgio é colega de emissora. Sempre cortês nos corredores e elevadores, era naturalmente mais próximo. Eu já o tinha entrevistado há uns seis, sete anos. Mas, na ocasião, o papo tinha sido curtinho. Ontem, falamos longamente sobre o início da carreira desse grande ator e sobre a grandeza do ofício de representar. Aos 86 anos, Sérgio Britto parece um garoto apaixonado pela primeira vez ao descrever sua relação com o teatro. Um dos maiores profissionais da história do teatro brasileiro, ele demonstra uma memória impecável: cita datas, autores, locais e detalhes de grandes montagens de que já participou. Ou que assistiu.
Entre outras coisas, Sérgio me contou que nunca fez um curso de interpretação. O que sabe, aprendeu fazendo. Criticou o "o exacerbado desejo de estar na telinha", tão comum entre os atores mais jovens, e, com brilho nos olhos, disse: "Não consigo ver outra profissão melhor e mais bonita que a do ator". Difícil não acreditar...
Da casa de Sérgio Britto, fomos para a de Barbara Heliodora. Respeitada crítica teatral - uma das maiores referências da área no país - essa senhora de quase 90 anos tem fama de durona. E, confesso: isso mexeu comigo. Cheguei ao local da gravação preparado para fazer uma entrevista difícil. Mas, logo ao entrar, fui surpreendido com um largo sorriso daquela senhora incomodada com o desconforto trazido por uma tarde de outono bem mais quente que o desejável. "Esse calor é insuportável!", ela disse. E rimos...
Foi apenas a primeira risada de muitas que viria a dar durante toda a gravação. Igualmente apaixonada pelo teatro, Barbara Heliodora me contou que já viu mais de 3.200 peças em sua vida! O recorde foi em Londres: 27 peças em 22 dias! Uma maratona que só poderia ser cumprida por alguém que se auto-define como uma "tarada por teatro".
Barbara Heliodora já viu mais de 3.200 peças de teatro
Generosa, dona Barbara - como a chamei durante a conversa - contou qual a estrutura que procura seguir em suas críticas e revelou que muito raramente toma nota de detalhes enquanto está na plateia. Quando perguntei sobre o mito do "crítico que amedronta autores, diretores e elenco", ela disse que isso é uma grande bobagem. E com os mesmos olhos brilhantes que vi em Sérgio Britto, esclareceu: não vai ao teatro em busca de defeitos! "Não há nada melhor do que ver um bom espetáculo de teatro", contou.
E, novamente, sou obrigado a dizer: difícil não acreditar!
Pena que, de tão entusiasmado com a conversa, nem pedi a alguém para registrar o momento. Mas pego um still do vídeo e publico aqui assim que possível, certo? UPDATE: A imagem já está no devido lugar. E ficou bem bacana!!!
Voltei à redação feliz da vida. Com boas entrevistas gravadas e, mais que isso, feliz por conhecer mais de perto dois apaixonados pelo que fazem. É essa paixão que quero conservar em mim também...

Quem quiser conferir as entrevistas, pode ficar ligado no Salto para o Futuro em maio. A gente está preparando uma bela série sobre Teatro. Clique aqui e saiba mais.

26.2.10

A bela história e as lições de Seu Perdiz...

Cheguei ao lugar da gravação certo de que aquela seria uma das grandes histórias que poderia contar. Era uma rua residencial, tranquila, com grama e árvores - como muitas das ruas brasilienses. Quando a van parou, desci e avistei nossa locação: a Oficina Perdiz. Uma oficina mecânica como outra qualquer, mas com um detalhe que faz dela única: ali, entre soldas, máquinas e muito ferro retorcido; ali, no meio de uma das mais representativas imagens do que é o caos urbano; bem ali, naquela oficina, há um teatro. Fato evidenciado pela placa do estabelecimento que, em vez de qualquer alusão ao mundo da mecânica, traz, sim, as tradicionais máscaras que identificam a arte dramática.
Entramos, eu e a equipe do Salto, e fomos carinhosamente recebidos pelo Marcos, produtor do teatro. Não havia luz e o clima de oficina, num primeiro instante, me fez duvidar de que teríamos a possibilidade de registrar o que pretendíamos naquela noite: o teatro em funcionamento.
Mas não demorou até que o seu Perdiz viesse até nós. Simpático, estendeu a mão e apertou a minha com uma força que nem de longe deixa supor os seus 77 anos. Camisa xadrez, jeito bonachão, ganha a afeição de toda a equipe em menos de dois minutos de prosa. Bruno, o nosso produtor, também recebe um aperto de mão daqueles! E pergunta ao dono do espaço: "Como vai, seu Perdiz?". E ele responde: "Não vou não! Tô sempre por aqui!".
Descarregamos nossos equipamentos e começamos a preparar o set para a gravação. A riqueza do cenário oferece inúmeras possibilidades. Mas me concentro em seu Perdiz. E, antes de começarmos a gravar, ele me conta sua história. A semente daquele teatro no fundo da oficina foi plantada há 35 anos, depois que um sobrinho, estudante de Artes Cênicas, pediu ao mecânico um espaço para ensaiar. Encantado por arte, Perdiz viu e acompanhou o crescimento do lugar nos anos seguintes até que, em 1989, com a instalação de arquibancadas, o Teatro Oficina Perdiz passou a funcionar plenamente. Durante a década de 90, o palco ocupou um espaço importante na cena teatral brasiliense e abrigou longas temporadas de espetáculos de grupos teatrais do Distrito Federal.
Seu Perdiz me contou que nunca recebeu dinheiro de bilheteria. E parece sincero ao dizer que não tinha interesse na renda das peças. Oferecendo pedaços de aipim frito, lembra dos espetáculos memoráveis que passaram naquele palco. E tenta se mostrar forte diante do destino da oficina...
Sentamos na arquibancada e começamos a gravar a entrevista. É um papo alegre, como é o seu Perdiz. Homem de uma alegria que contrasta com um triste desfecho que já se impõe sobre aquele lugar. Vítima da especulação imobiliária na região, Perdiz teve questionada a propriedade daquele pedaço de chão depois de viver ali por mais de quatro décadas. No meio de sua oficina já há colunas de madeira que escoram as obras de um empreendimento imobiliário que, em breve, vai ocupar o terreno do teatro e da casa construídos pelo velho mecânico. A promessa é que uma nova casa, em outra localidade, seja entregue a Perdiz. Já para o teatro, por enquanto, o destino ainda é incerto. A única certeza é a de que, ali naquele fundo de oficina, ele não vai continuar.
Enquanto presto atenção às suas respostas, em vários momentos eu percebo os olhos de Perdiz marejados. É um homem apaixonado por aquele teatro, pela cultura e contaminado pela pulsação dos jovens atores que enchem de vida aquele espaço. Termino a entrevista segurando a emoção enquanto ouço aquele mestre da vida me falar dos seus sonhos para o futuro. Neles, está o teatro. O que faz todo o sentido, porque o teatro está dentro dele.
Cai a noite, registramos belas sequências de Diário do Maldito, encenadas pelo pessoal do Teatro do Concreto. Perdiz acompanha tudo, sempre empolgado. Indagado sobre o placar do jogo do Flamengo, ele - também rubro-negro como eu e Bastos, o cinegrafista - liga uma TV baixinho e volta com sorriso no rosto pra dizer que estamos vencendo por um a zero, gol de Léo Moura. Iniciamos uma longa série de entrevistas e ele vê uma a uma, brincando com o pessoal da companhia de teatro, abraçando, sendo abraçado, dando e recebendo carinho de todos os lados...
Chega o fim da nossa jornada, já passa das 11 da noite. Eu me aproximo do seu Perdiz, que está novamente sentado sobre a arquibancada, estendo minha mão e agradeço. Não disse tudo isso, mas aquele obrigado era muito amplo. Pela afetividade, pelo carinho, pela entrevista, pela lição de continuar tendo fé mesmo nas adversidades e por demonstrar, de forma tão contundente, o quão importante é manter viva a nossa capacidade de sonhar. Perdiz aperta novamente minha mão com toda a força, agradece à equipe - como se nós lhe tivéssemos feito algum favor - olha em volta e diz: "Agora isso tudo vai morrer". Faz uma pausa e completa: "E eu vou morrer junto...".
Pode parecer bobo, mas saí de lá naquela noite torcendo para que Perdiz e seu teatro não morram jamais...

A reportagem sobre o Teatro Oficina Perdiz vai ar ar em maio, na série Teatro e Educação, do Salto para o Futuro, na TV Escola.

25.2.10

Sobre um feliz encontro com a Companhia Língua de Trapo...

Essa semana de trabalho aqui em Brasília tem rendido bastante. Para o trabalho e pra mim, pra lista de momentos especiais que a gente tem a felicidade de experimentar nessa vida. Um deles foi a visita ao Centro de Ensino Fundamental 4, uma escola que fica na cidade-satélite de Planaltina, onde está situada uma companhia de teatro, a Cia. Língua de Trapo. São cerca de 40 crianças e jovens - completamente apaixonados pelo teatro - e que, com simplicidade e muito talento, têm feito descobertas incríveis sobre os palcos, e com total apoio dos pais e da comunidade que, veja só, não tem um teatro.
Conversando com parte do elenco da Língua de Trapo, fiquei emocionado com o brilho nos olhos daquela turma apaixonada pela arte. Tão jovens, tão desenvoltos, tão talentosos e cheios de sonhos, aqueles meninos e meninas são exemplos de como muitas das nossas crianças e jovens poderiam descobrir caminhos inimagináveis se tivessem, diante delas, mais oportunidades.

Outro momento bonito foi acompanhar a visita dessa turma ao Teatro Nacional, bem no coração de Brasília. O palco é um dos maiores do Brasil e foi tocante ver a felicidade dos pequenos atores da Língua de Trapo quando seus pés pisaram aquele terreno sagrado. Pude até ouvir os aplausos - sonhados e merecidos - que eles receberiam se encenassem ali um dos espetáculos do repertório da Companhia. Sei que eles sonharam com isso naquele momento. E que bom ver crianças e jovens que cultivam a possibilidade de sonhar...
Mas um dos momentos mais felizes dessa viagem - e, posso dizer, desses meus 10 anos de carreira, foi o encontro com o seu Perdiz. Mas essa é uma história longa, que vou contar em outro post...
A série sobre Teatro e Educação vai ao ar em maio, no Salto para o Futuro. O link para o site do programa está na Linkaiada, no canto direito do B@belturbo.

21.9.09

E eu conheci a casa onde nasceu José de Alencar...

Hoje eu vivi uma emoção diferente: conheci a casa onde, há 180 anos, nasceu José de Alencar, um dos mais importantes autores da literatura brasileira. E justifico essa sensação: dos clássicos, esse é um dos meus preferidos. Li O Guarani, Iracema e Senhora, três dos nossos romances mais conhecidos. E, apesar de ter lido tudo isso obrigado, nos tempos de escola, gostei muito. E não posso dizer o mesmo de Machado de Assis, que li nas mesmas circunstâncias e detestei...
Recentemente José de Alencar cedeu seu nome para um bairro aqui de Fortaleza. Um bairro com uma história marcada pela ausência do poder público, pela falta de condições ideais de vida e, sobretudo, por uma população que trata a escola como uma ponte que pode levar a um futuro mais digno. Uma comunidade que lutou para que as obras da escola fossem concluídas e que tem se empenhado em participar das importantes decisões tomadas dentro do ambiente escolar.
Uma história tão bonita quanto a dos romances do patrono. E que me faz crer que, de onde está, enche de orgulho o criador de Iracema...
Essa história toda vai ao ar em novembro, no Salto para o Futuro.

15.5.09

Quando a energia é boa...

Não sou movido a elogios! E sou do tipo que acha que elogio de amigo nem conta muito. Mas há situações em que a gente consegue sentir algo além do que as palavras dizem. E isso tá no olhar, no tom de voz que a pessoa usa. Ou na forma de pontuar as frases, quando esse tipo de carinho vem por e-mail...
Desde que o Salto mudou de formato, tenho ouvido e lido muitos elogios. De amigos, de telespectadores de todo o Brasil, da direção do canal, de colegas da emissora. Elogios que vieram até de onde eu nunca poderia imaginar que um dia viriam. E que, de forma geral, traziam uma energia muito boa!
Ontem foi a vez do Brit, um dos caras mais assíduos aqui no B@belturbo. Escreveu pra HotLine pra contar que, enfim, tinha visto o programa e que tinha curtido demais. Também ontem, Daígo, outra presença constante por aqui, contou, via msn, que achou o novo formato bem bacana.
Duas pessoas que não tinham a menor obrigação de escrever/dizer nada. Que não esperam nada de mim. E que, no entanto, fizeram questão de passar essa energia boa.
Parênteses: antes que algum pentelho venha falar de ego por aqui, aviso: os elogios não foram pra mim! Foram feitos ao programa! E isso me orgulha ainda mais, dado todo o esforço que eu e meus companheiros de trabalho temos dedicado à essa mudança lá no Salto...
Turma, eu venho num pique de trabalho bem puxado. Quase um ano e meio sem férias! Estou cansado, mas mais motivado que nunca! E certo de que vale muito a pena batalhar por aquilo que a gente acredita. Sou um cara satisfeito por acreditar no que faço! Estou exausto, mas feliz! E muito agradecido por todas as manifestações de carinho que tenho recebido!
Isso, meus caros, não tem preço!

4.5.09

E viva a Cultura Popular Brasileira!!!

Quem tá sempre por aqui lembra que viajei pra Campinas em fevereiro, pra fazer gravações pro Salto. O tema era a Cultura Popular, lembram? Até escrevi um texto aqui.
Pois bem, hoje tô postando um vídeo com um clipe de algumas das manifestações culturais que gravamos por lá. As imagens são minhas e do Bruno, produtor do Salto.
Turma, vale a pena dar uma olhada na riqueza e na beleza dessas formas de expressão popular, que demonstram como é vasta, felizmente, a cultura do nosso país!
Espero que gostem!

A série de reportagens do Salto tá sendo editada e vai ao ar na primeira semana de junho!
Boa semana pra todo mundo, tão rica e pra cima quanto as danças e os cantos dessa turma do vídeo!

13.4.09

Mais sobre o Salto...

Pra encerrar o dia dedicado ao Salto, aí vai uma dica para os interessados no programa e nos temas relacionados à área de Educação: o novo site do Salto já está no ar. Mais moderna, com mais recursos de interatividade e com todo o conteúdo relacionado ao programa de TV, a página também traz entrevistas e textos sobre os mais variados temas.
O novo site foi lançado hoje, como parte do pacote de novidades que a TV Escola preparou para os telespectadores do programa. E a partir de agora, ele vai figurar na lista de links aqui do B@belturbo.

E vamo que vamo!!!

A estreia é hoje!!!

Turma, contei aqui sobre a mudança de formato no Salto. É um momento muito importante pra todos nós e vou deixar o link pra quem quiser acompanhar a estreia, às sete da noite, pela internet mesmo. É só clicar e ver pelo site da TV Escola...
E, claro, podem deixar suas opiniões aqui, ok?

2.4.09

O novo Salto para o Futuro...

Agora que é oficial, dá pra falar - e escrever - sobre...
Um programa com quase duas décadas no ar precisa, constantemente, buscar caminhos que garantam que o frescor permaneça o mesmo dos tempos de estreia. Quando não trilha esse rumo, pode acabar se repetindo e cansando o público. E, definitivamente, televisão é um veículo pensado para o público - mesmo quando os números da audiência não são o principal parâmetro usado na avaliação.
É exatamente esse frescor que o Salto busca agora em 2009. Totalmente reformulado, mas mantendo o compromisso com a qualidade do conteúdo exibido e com um público fiel conquistado ao longo dos últimos 19 anos.
No próximo dia 13, quando estrear o novo formato, completaremos exatos 11 meses e dois dias de um processo instigante, excitante e, claro, muito cansativo! Ao longo de quase um ano, toda a equipe do programa se envolveu nessa reformulação - em diferentes etapas e graus - sempre acreditando que a mudança seria salutar e desafiadora. Um processo permeado por longas reuniões de criação, infindáveis rodadas de negociação, muita pesquisa, muita discussão e, finalmente, por horas intermináveis nas ilhas de edição e sonorização...
Em maio de 2008, quando começamos a rascunhar o que poderia ser esse novo formato, as incertezas eram muitas. Temíamos, por exemplo, que os professores estranhassem algo tão diferente do programa que exibimos até aqui. Mas, em setembro, numa reunião realizada em Brasília com coordenadores da TV Escola, lembro de ter falado brevemente da novidade e ver olhos brilhando. Era a senha: nosso público também quer essa transformação!
De minha parte, posso dizer que saio do processo de gestação do novo Salto como um profissional muito mais completo, mais ciente de todas as (complexas) etapas que envolvem a produção de um programa. E, confesso, saio dessa mais orgulhoso por constatar que os quase nove anos no programa me trouxeram conhecimento - e ousadia - suficientes para acreditar que poderia colaborar com uma mudança tão igualmente desafiadora e desejada.
Portanto, turma do blog, estejam todos convidados para esse novo Salto: a partir do dia 13 de abril, às sete da noite, na TV Escola - que, aliás, também pode ser vista online. E quem só tem TV aberta pode conferir as reprises do programa na TV Brasil, a partir do dia 14 de abril, às 8:45h.
Vou postar o vídeo com a chamada feita pelo pessoal da TV pra divulgar a novidade. Ficou muito bacana e traz todos os detalhes do novo formato. Olha só:

21.2.09

Sábado de carnaval...

Quando soube que passaria o sábado de carnaval em Campinas, não posso negar, fiquei bem desanimado. Desde o ano passado vinha planejando mais uma saída pelo Bola Preta e estar longe do Rio exatamente no dia do grande desfile do maior e mais antigo bloco carioca comprometeria, e muito, os meus planos para a folia.
Hoje, vi as imagens do Bola pelo JN e bateu aquela pontinha de tristeza por não estar no meio daquela farra. Mas não posso dizer que tenha tido um dia ruim. Aliás, longe disso...
Trabalhei, é bem verdade. O que, aliás, está longe de ser o melhor programa para um dos dias de festa. Mas, por outro lado, tive a oportunidade de acompanhar belíssimas manifestações da cultura popular brasileira. De manhã, conheci o grupo de Folia de Reis Azes do Brasil; uma turma que leva em frente uma tradição de mais de um século. Bati um longo papo com Seu Tião Mineiro, o Capitão Embaixador da Folia, e fiquei muito feliz por ter encontrado um homem tão cheio de sabedoria, tão humilde e de tanta fé. Fomos - eu e toda a equipe do Salto - recebidos com muito carinho, acompanhamos um belo ritual da Folia e ainda comemos do pão produzido coletivamente, num momento de fé ímpar. Sem falar no cântico entoado pelo Seu Tião em nossa homenagem. Bonito mesmo!
Depois do almoço, lá fomos nós encontrar a turma do Jongo Dito Ribeiro. Aliás, pra quem não conhece o jongo, uma dica: conheça! A batida do tambor é irresistível, as vozes são lindas e a felicidade dos participantes da roda contagia a todos. Na roda de jongo, fé e festa se encontram e resistir ao desejo de entrar na dança é tarefa das mais difíceis. Resultado: mais imagens e entrevistas muito bacanas...
Já no entardecer, correndo contra o tempo para aproveitarmos a beleza da luz do fim do dia, registramos uma apresentação do Grupo Urucungos, com o seu inigualável Samba de Bumbo. Simplismente uma das coisas mais bonitas que já tive a oportunidade de gravar. Ver aquelas pessoas ali, no meio de um grande terreno gramado, cantando, batucando e dançando - sendo felizes! - me fez pensar na força da cultura popular brasileira, na vastidão e na diversidade desse país gigante e que esconde tantas manifestações cheias de beleza e de encantamento, das quais muitas vezes sequer chegamos a tomar conhecimento.
Fiz imagens de tudo isso com a minha câmera. Assim que tiver um tempinho, edito um clipe curto e publico aqui, ok?
É isso, turma! Só quis escrever o post pra registrar as descobertas do dia e pra dividir as informações com vocês. E pra dizer que, sim, meu sábado de carnaval foi bem diferente do que havia planejado um ano atrás. E exatamente por isso, me reservou grandes e belas surpresas...
E é essa a beleza da vida, né?

PS.: Amanhã volto ao Rio! Pronto pra curtir os dias restantes da Festa de Momo! Curtam bastante também e bom carnaval pra todos!

18.2.09

E eu fui ao Capão...

Na segunda, passamos o dia na região do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, uma das localidades mais pobres e violentas do município. Entramos numa das favelas pra fazer imagens e fiquei impressionado. Primeiro, com as condições de vida(?) das pessoas que habitam aquela comunidade, algo de que estamos todos carecas de saber, mas que ganha outros contornos e matizes quando somos nós a entrar naquele mundo.
Ver o esgoto a céu aberto, o lixo espalhado no valão que corta a comunidade, os becos e vielas sem ventilação e o campo de futebol contaminado pelo esgoto que transbordou na última enchente me fez pensar na total ausência de poder público ali. Enquanto gravava a passagem, podia ouvir pessoas - indignadas - balbuciando velhas reinvindicações que, óbvio, jamais foram atendidas. E que talvez nunca venham a sê-lo...
Tudo muito triste...
O bacana é ver que, mesmo num local pra onde sempre olhamos para pontar as ausências, há coisas boas acontecendo. E foi uma delas que nos levou até lá: a Casa do Zezinho, uma organização não-governamental com um trabalho calcado na arte, e que já atendeu mais de 10.000 crianças e jovens da região. A matéria, é claro, vai ser exibida em breve, lá no Salto.
PS.: A foto que ilustra o post é a representação da comunidade, feita pelas crianças lá da Casa do Zezinho.

3.2.09

Você conhece o mais antigo museu do país?

Gravei mais uma matéria pro Salto ontem, dessa vez no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista. Pra quem não sabe, é aquele museu que foi residência de verão de Dom João VI - fundador da instituição - e onde morou Dom Pedro I. Lá também nasceu Pedro II. Além de toda essa relação com a história do Brasil, o MN também se tornou, ao longo de quase 200 anos de história, o maior museu de história natural e antropologia da América Latina, com um acervo estimado em cerca de 20 milhões de peças.
Mas não foi apenas isso que me impressionou...
Fiquei muito instigado pela paixão com que uma museóloga contou toda essa história pra mim durante a entrevista. Há 40 anos trabalhando no museu, aquela profissional me cativou e demonstrou um amor incondicional pela instituição, por sua função educativa e pela certeza da importância de espaços como o Museu Nacional para uma sociedade. Em alguns momentos durante a entrevista, enquanto a ouvia responder com tanta simpatia e propriedade, eu me peguei pensando que é dessa mesma forma que quero falar da minha carreira daqui a uns 30 anos. Porque, pra 40, já se foram os 10 primeiros...

27.11.08

O amor está em extinção?

Acabo de escrever um post altamente romântico. Uma declaração de amor mesmo. Ficcional, leitoras: continuo solteiro, ok? ;)
Mas a escolha do tema foi intencional! Ontem, no Salto, discutimos o conceito de amor romântico. Para os especialistas, esse tipo de amor está em decadência. Esse modo de amar, idealizado, sempre associado às idéias de entrega, de intensidade, e de eternidade não encontraria mais respaldo no estilo de vida pós-moderno. Esse amor, que tanto inspirou e inspira poetas e compositores; esse amor muito próximo dos contos de fadas, pode traduzir um jeito egoísta de lidar com o sentimento e com o(a) parceiro(a). O objeto desse amor pode ser encarado, por vezes de forma inconsciente, como um elemento capaz de garantir a satisfação de quem ama. Um amor romântico. E egoísta.
Sobre a decadência do amor romântico, a psicanalista Beth Müler, entrevistada em uma das reportagens do programa, disse que não tem sido facilitada aos jovens a oportunidade de viver a experiência do amor. Mergulhados num universo do culto ao descartável - herança macabra do sistema capitalista, que deixa rastros até nas nossas relações - os jovens são seduzidos pelo "ficar", pela gama de possíveis parceiros(as) e, portanto, acabam distantes da possibilidade de uma relação mais sólida. Ainda de acordo com a psicanalista, os jovens correm o risco de passar a vida inteira sem viver essa experiência.
Coisa triste viver sem amar, minha gente!
Mas acho que, hoje, tudo parece mais simples quando não se precisa crer numa relação. Estamos cada vez menos tolerantes, menos dispostos a ceder e a buscar o entendimento. A oferta de parceiros(as) é enorme, os meios para chegar até eles/elas também são os mais variados. E a tal lógica do descarte tende a nos fazer dar aquele pé na bunda de quem, ainda que minimamente, se revele fora do padrão idealizado.
Agora, pergunto: tudo isso tem nos levado ao estabelecimento de relações mais felizes?
Tenho minhas dúvidas! O que mais vejo é gente querendo viver um grande amor e, estranhamente, batendo cabeça...
E vocês? Acham que estamos diante de novas formas de amar? Esse amor idealizado está mesmo com os dias contados? Comentem aê!!!

24.11.08

Os últimos Saltos do ano...

Outro dia eu falei aqui do prazer que tive ao gravar um debate com jovens estudantes sobre questões relacionadas aos conceitos de gênero e sexualidade.
Foi uma tarde inteira de muito trabalho, mas, também, de um agradável encontro com essa turma. Sem falar no tesão que tive por fazer algo diferente do que tenho feito nesses 9 anos de carreira e que, no entanto, é um dos meus grandes sonhos: trabalhar com os jovens.
Bom, eis aqui um registro da gravação - em foto tirada com o celular, durante o processo de edição do material...
O resultado vai ao ar no Salto dessa semana. E o tema é bem quente! Vamos falar de violência contra a mulher, gravidez na adolescência, erotização da infância, homofobia e de uma série de assuntos que precisam ser discutidos por toda a sociedade. E pela escola, claro!
Quem quiser e puder, está convidadíssimo pra assistir os debates e participar enviando perguntas por e-mail ou pelo telefone - os contatos estão no site do programa.
Vamos ao serviço: Salto para o Futuro, na TV Escola, ao vivo, de segunda a sexta, a partir das sete da noite. E na TV Brasil, a partir de terça-feira, às 8:45h da manhã. A TV Escola, na SKY, é o canal 112. E a TV Brasil está no ar também pela web. Quem quiser pode acompanhar em tempo real, no mesmo horário que citei lá em cima.
Essa vai ser a última semana ao vivo em 2008, portanto, tem um gostinho ainda mais especial...

21.11.08

O condor que mudou a história da América do Sul...

América do Sul, década de 70. Reunidos, representantes das forças armadas de seis países resolvem promover um estranho intercâmbio: uma espécie de bloco militar destinado ao fortalecimento dos regimes ditatoriais implantados nas nações do chamado Cone Sul. Troca de informações, perseguição e prisão dos chamados "subversivos" e posteriores julgamentos e tortura dos inimigos do poder. Essa, que ironicamente pode ser considerada a primeira ação integradora promovida entre os países da região - uma espécie de embrião podre do Mercosul - foi a Operação Condor.
Até pouco tempo atrás, conhecia muito pouco sobre esse nefasto período da história do continente. Felizmente, pertenço a uma geração que não tem grandes lembranças do período sombrio em que vivemos sob ditadura. Lembro apenas de um ou outro pronunciamento do presidente Figueiredo - o último presidente militar do Brasil. E é só.
Nessa semana, fiz um mergulho na história da América do Sul. Entrevistei representantes de diversos países; cada qual contando as particularidades das ditaduras que se espalharam na região - com o apoio firme e silencioso do governo norte-americano. E se hoje a democracia parece natural; algo quase compulsório, passa-se a dar muito mais valor a ela quando se tem conhecimento do horror do estado de exceção que as forças armadas impuseram nesses seis países: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia.
Conversei com um senhor paraguaio, o primeiro doutor em Educação daquele país. Ele me contou que foi encarado como inimigo do regime depois que passou a defender a Pedagogia do Oprimido, do brasileiro Paulo Freire. Questionador dos métodos educacionais do país e líder sindical - que buscava melhores condições de trabalho e remuneração para os educadores paraguaios - foi preso e torturado. Com lágrimas nos olhos, descreveu as sessões de tortura com uma expressão que não deixa dúvidas: toda a dor ainda está ali, maltratando aquele corpo. E, revoltado, disse que sua maior motivação para provar a existência dessa ação coordenada entre os governos militares do Cone Sul foi o desejo de saber as circunstâncias que envolveram a morte de sua mulher.
Foi ele o responsável pela localização do Arquivo do Terror, que comprovaram a Operação Condor. Esses documentos foram abertos pelo governo paraguaio e estão disponíveis para consulta.
No vizinho Uruguai, a legislação protegeu os responsáveis pelos crimes da ditadura militar e, por pouco mais de duas décadas, a lei impedia que eles fossem julgados e condenados. Hoje, a legislação estabelece o pagamento de benefícios sociais para as vítimas da ditadura - algo como um Bolsa-Família para quem sentiu na carne a dor da barbárie ditatorial. E são cerca de 100 mil beneficiários, o que dá a exata medida de como a ditadura agiu em larga escala por lá...
No Brasil, onde o custo-ditadura é calculado em mais de R$ 2 bilhões, as forças armadas jamais assumiram a participação na Operação Condor - batizada assim em alusão ao pássaro típico da região andina. Os arquivos militares referentes a esse período, e que poderiam ajudar a identificar as vítimas e os desaparecidos, permanecem sob sigilo. Estima-se que parte dos documentos já tenha sido destruída, o que, se comprovado, pode se configurar num grave crime contra a memória do país. Um crime cometido a serviço da impunidade.
Em todos os países, um traço em comum: segundo especialistas, o longo período sob comando dos militares acabou por gerar grandes perdas para as sociedades. Além de fragilizar o sistema político; importantes programas sociais foram interrompidos. O exemplo mais forte foi o Movimento de Alfabetização de Paulo Freire, impedido de ir em frente. E dá pra imaginar o que seria do Brasil se, há uns vinte anos, o analfabetismo tivesse deixado de fazer parte da nossa realidade, né?
O curioso, ao meu ver, foi perceber como a história parece mesmo cíclica. Os crimes militares cometidos há cerca de três décadas, hoje se repetem em várias partes do mundo. Se antes apoiavam as ditaduras militares, hoje os Estados Unidos repetem seus erros "em defesa da democracia". E deixam um rastro de dor e barbárie em várias regiões do planeta. É assim em Guantânamo, no Afeganistão, no Iraque. Uma sucessão de crimes que, de acordo com outro entrevistado, um especialista norte-americano, poderiam levar o presidente George W. Bush a responder em tribunais internacionais pelos mesmos atos condenáveis que culminaram com a punição das cortes internacionais ao chileno Augusto Pinochet.
Dá uma certa tristeza ver que, de certa forma, a humanidade não andou. E que a gente segue repetindo os mesmos erros...
Quando terminei o exaustivo dia de gravações, tinha a exata sensação de estar fascinado pelo tema. E omiti aqui os nomes das pessoas entrevistadas propositadamente. Eles não são o mais importante; o mais importante é que a gente pense pra onde estamos levando o mundo...



PS: A matéria sobre a Operação Condor deve ser exibida em 2009, no Salto para o Futuro.

24.10.08

Sobre o Salto de ontem...

Alguns de vocês já sabem que, na TV, parte do meu trabalho é apresentar o Salto para o Futuro, da TV Escola. E, na minha opinião, não há nada melhor nessa tarefa do que sair do estúdio com a certeza do dever (bem) cumprido! Ontem foi um desses felizes dias! Tive a oportunidade de mediar um debate sensacional sobre Literatura, Gênero e Homossexualidade e, de quebra, ainda falamos das geniais Rachel de Queiroz e Lygia Fagundes Telles; e do grande Caio Fernando Abreu.
Não tenho nenhum pudor em elogiar o programa - e, vejam bem, não é um auto-elogio! Digo isso porque, mesmo como espectador - privilegiado, ali, de pertinho - pude ver uma troca de idéias fascinantes de três especialistas cheios de histórias pra contar e com uma enorme generosidade para repartir esse conhecimento comigo e com todos os que puderam acompanhar o debate.
O tema é fascinante e, ao mesmo tempo, assustador. A gente percebe que ainda há muito o que avançar como sociedade quando, em pleno século XXI, ainda é preciso brigar para garantir que mulheres e homossexuais tenham reconhecido o talento para a arte literária e, mais que isso, tenham seus discursos legitimados. E é exatamente esse assombroso atraso que torna ainda mais importante a discussão sobre essa temática.
Sim, minha gente: tenho orgulho do meu trabalho!
E não custa lembrar: o Salto vai ao ar de segunda a sexta, às sete da noite, na TV Escola (canal 112/Sky). Na TV Brasil, rolam reprises diárias, às 08:45h da manhã. Quem quiser conferir, está convidadíssimo!
;)

28.9.08

Em busca do homem da terra...

Esse é mais um registro da viagem que eu fiz com a equipe do Salto à cidade de Picada Café, no último mês de julho. No vídeo, vocês vão ver a sensacional descida que fizemos, 20 metros abaixo, para entrevistar um típico habitante da zona rural da cidade.
Vale a pena conferir!!!

9.9.08

Encontro com um escritor...

Um dos maiores prazeres da minha profissão é a possibilidade de conhecer pessoas e histórias fascinantes. Hoje, mais uma vez mais, tive essa alegria. Fui até Itaipava, no Estado do Rio de Janeiro, entrevistar o escritor Antônio Torres para o Salto.
Antônio Torres nasceu em pleno sertão baiano, numa cidade que já foi Junco e hoje é Sátiro Dias. Em seu mais famoso romance - Essa Terra - contou a história de um nordestino que, depois de sair do "seu lugar" em busca de realizações na "cidade grande", volta à terra natal e se vê perdido, sem identificação com a experiência urbana nem com a origem rural.
O papo com Torres foi maravilhoso! Esbanjando simpatia e dono de uma fala cheia de emoção, ele me contou que viu, ainda menino, o primeiro caminhão chegar à sua cidade. Era noite e os faróis acesos fizeram muita gente correr de medo dos "vagalumes gigantes". No dia seguinte, ainda cabreiro, passou longe, espiando o gigante motorizado e prestando atenção nas portas abertas; afinal, seria preciso se refugiar em lugar seguro caso o "bichão" resolvesse ameaçá-lo...
Essa história, tão simples e tão humana, me fez ter saudade de um tempo em que éramos mais inocentes. Em que sabíamos menos e, como me disse o próprio Antônio Torres, precisávamos imaginar mais...
Hoje é disso que padece o mundo: excesso de (busca por) certezas. E de uma angústia profunda a cada decepção, a cada desejo (de consumo) não realizado. Coisas que, lá no sertão de Junco, o menino que descobriu a leitura num trecho de José de Alencar nem poderia imaginar...
Se você é fã de Antônio Torres ou quiser conferir o resultado da conversa, fique ligado no Salto para o Futuro. A série, sobre literatura, vai ao ar a partir de 24 de outubro.