Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

28.7.14

Sobre a crise no Sindicato dos Jornalistas do Rio...


Desde as manifestações de junho de 2013, o trabalho da imprensa vem sendo muito questionado. Algo salutar, claro. Sociedade democrática é aquela que tem imprensa livre e que conta com uma pluralidade de vozes. A cobertura pensada por grandes veículos, aliás, foi muito criticada por colegas da própria imprensa, que também atentavam para uma morosidade de jornais, rádios e emissoras de TV em "ler" o que vinha das ruas. Termos como "vândalos", inicialmente utilizados amplamente, deram lugar a palavras como "manifestantes", "ativistas" e afins. Os tumultos ocasionados nas passeatas continuaram a ser mostrados nas matérias, que, no entanto, passaram a diferenciar quem reivindicava melhorias para a sociedade de quem estava nas ruas para depredar patrimônio público e/ou privado. A violência policial - que atingiu repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e muitos manifestantes - também foi vastamente denunciada pelos grandes veículos de comunicação, bem como por aqueles que faziam, nas ruas, cobertura em tempo real do que acontecia a cada protesto.

Num desses protestos, Santiago Andrade, cinegrafista a serviço da Band, foi alvejado e acabou morrendo. O rojão, segundo a polícia, foi disparado por jovens que manifestavam. Os jovens foram encontrados, presos e acusados formalmente pelo homicídio. E esse episódio inflamou ainda mais os ânimos. A imprensa passou a ser cada vez mais intimidada a cada nova passeata, a cada manifestação. Vários colegas foram agredidos, tiveram seus equipamentos danificados. Carros de emissoras de TV foram incendiados; num confronto que, a meu ver, expõe o fraquíssimo alicerce sobre o qual está erguido o conceito de democracia defendido pelos manifestantes.
Vale dizer que, à essa altura, as passeatas já não mais reuniam 1 milhão de pessoas. Os ativistas diziam que a "mídia comercial" ou "mídia tradicional" tentava esvaziar as manifestações. O fato é que as imagens de violência praticada por jovens com os rostos encapuzados assustaram a sociedade - e, desculpem os críticos da mídia, se elas foram captadas e transmitidas, é porque eram registros de fatos! A morte de Santiago não foi fruto da maquinação de um roteirista. Os incêndios e depredações não são fruto da criatividade do departamento de efeitos especiais de nenhuma emissora de televisão, sabemos todos. Infelizmente.
Acontece que, à medida em que o clima ia se tornando mais belicoso, a atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio parecia mais acovardada em assumir que os profissionais da imprensa estavam sendo hostilizados, ameaçados e agredidos enquanto exerciam seu ofício. A direção do sindicato divulgou uma série de notas que mais confundiram do que explicaram. Notas em que pouco - ou quase nada - defendeu a categoria a qual deveria representar. Uma crônica de equívocos que teve o ápice na semana passada, com uma entrevista coletiva de ativistas - e pais de ativistas - realizada dentro da sede do sindicato, um dia depois de mais um episódio em que manifestantes usaram de violência para impedir o trabalho da imprensa. Dentro do sindicato que lhes deveria representar - e defender - jornalistas ouviram impropérios e ameaças de jovens e de seus familiares. Um episódio lastimável, que virou notícia e teve grande repercussão, dado o absurdo da situação.
Hoje, um grupo de jornalistas se uniu para pedir a destituição da atual diretoria do sindicato. O grupo utiliza um abaixo-assinado, instrumento legítimo, democrático e, assim, procura exercer o seu direito de ter uma direção que faça valer a confiança e que exerça, de fato, seu poder para representar os interesses da categoria. Assinei, apoio e torço muito para que tenhamos sucesso nessa empreitada.
Li algumas críticas ao momento que vivemos. Críticas ao abaixo-assinado, críticas ao fato de se querer destituir uma diretoria democraticamente eleita (acho que os críticos se esquecem de que se isso fosse ilegítimo, o país não teria afastado um presidente). Gente que respeito e admiro. Gente que defende a democracia, como eu. Mas gostaria de ver essa mesma gente se posicionar sobre as agressões aos jornalistas. Isso é democrático? É legal? É justo? Gostaria de ver essa mesma gente que cobra a retidão da polícia e do inquérito que investiga as manifestações - ideais que também defendo - dizer se acha mesmo que a melhor forma de criticar o trabalho da imprensa é descendo a porrada em seus profissionais. Gostaria de ver essa mesma gente que está defendendo ativistas - como se fossem todos muito inocentes - se posicionar sobre os comerciantes que tiveram suas lojas saqueadas e incendiadas nas manifestações. Isso pode? Isso é legal? É nessa mudança de mundo que se quer acreditar? É assim que se quer construir uma sociedade mais justa e democrática?
Se for, não acredito nesse novo modelo! Acredito em diálogo, democracia e em instituições sólidas; como a imprensa livre e a justiça. Instituições que estão longe da perfeição, é bem verdade, mas que podemos ajudar a aperfeiçoar cotidianamente, usando nosso poder de argumentação, nosso dinheiro e nosso controle remoto. Não gosta do jornal, não leia! Não concorda com a linha editorial da emissora de TV, não assista! Não assine seus canais fechados! Vá se informar pela "mídia independente". Ferindo os grandes grupos no bolso, talvez seja possível pressioná-los a rever suas linhas editoriais. Agora, se você relativiza tapa na cara, xingamento e soco em profissional da imprensa e continua vendo novela, BBB e o raio que o parta, aí você é um revolucionário de sofá. E eu lamento muito! Porque pode chegar o dia em que a sua profissão esteja em xeque e algum manifestante se ache no direito de dar na sua cara para protestar. Será o dia em que você estará colhendo os frutos podres no quintal da sociedade escrota que ajudou a construir...

25.11.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 101

Segundo a coluna Ooops!, do UOL, o Bope criticou duramente a postura da Rede Globo e da Rede Record. Segundo a matéria, o Batalhão de Operações Policias Especiais divulgou que as emissoras prestaram "um desserviço" com suas aeronaves.
Na Globo, o Globocop ficou o dia todo no ar. A emissora chegou a utilizar dois helicópteros na transmissão dos fatos que ocorriam na Vila Cruzeiro.
No Facebook, alguns amigos apontaram como crítico o fato de a transmissão revelar o posicionamento de policiais. Mas também alegaram que as imagens geradas pelas TVs ofereceram à Polícia a possibilidade de acompanhar qual a rota de fuga traçada pelos marginais.
Ou seja: a questão é pra lá de polêmica.
E você, o que acha? Operações policiais como a que o Rio acompanhou hoje devem ser transmitidas em tempo real pelas emissoras de TV?
Comentaê!!!

23.11.10

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 52

Hoje em dia tá na moda bancar o analista de mídia. Qualquer um se sente no direito de bancar o especialista em conteúdo e pode sair por aí soltando cobras e lagartos sobre essa estranha entidade chamada genericamente de "mídia"...
Mas é claro que há muito o que discutir quando o assunto é comunicação. E há, sim, excessos. O jornalismo popular, que vem alavancando as vendas de conglomerados jornalísticos, é um exemplo. Com manchetes "engraçadinhas" e de gosto muitas vezes duvidoso, as publicações do gênero conquistam espaço entre os leitores e levantam dúvidas sobre o teor jornalístico de suas páginas.
Hoje, no Facebook de uma amiga, eu me deparei com uma das pérolas do gênero. E de um jornal que eu nem conhecia.
Preparados?
Sério: pra fazer isso, alguém acha que precisa mesmo de diploma???
Triste fim o dessa minha profissão...

16.11.10

Brincando de forca com o patrão...

Que coisa mais lúdica a capa que o Meia Hora publicou na semana passada! O grande destaque foi a pindaíba do banco Panamericano, de Silvio Santos. E eles brincaram com um dos clássicos do apresentador do SBT, numa versão, digamos, pouco ortodoxa...
Ah, esse mancheteiro...

6.11.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 97

O Rio de Janeiro amanheceu ontem horrorizado com a notícia de que bandidos rivais deceparam a cabeça de um traficante do Morro da Serrinha, na Zona Norte da cidade, e arremessaram na rua. Um fato bárbaro, chocante e que demonstra a extrema violência que tem marcado os confrontos entre os grupos que disputam o controle do tráfico de drogas na região.
A notícia foi destaque no rádio, na TV e nos jornais impressos. Mas um deles, o Meia Hora, escolheu um tom "bem humorado" para reportar o crime:

Sou fã do bom humor e de muitas das manchetes criativas do jornal. Mas fiquei me perguntando se, num caso como esse, cabe fazer piada...
E você, o que acha?
Comentaê!!!

PS.: Sem contar que eu acho um tremendo mau gosto estampar na primeira página - ou em qual página for - a imagem de uma cabeça cortada...

19.10.10

Jornalismo engraçadinho agora também em SP...

Há tempos os cariocas são brindados diariamente com as manchetes cômicas do Meia Hora. Mas agora o privilégio não é apenas dos moradores do Rio de Janeiro: o jornal mais bem humorado da atualidade aterrisou na Terra da Garoa e já começa a produzir suas pérolas por lá. Mesmo quando a notícia é pra lá de barra pesada:
No fim ainda chamam o sujeito de "maluco". É...se depender do Meia Hora, o politicamente correto está com os dias contados. E já vai tarde...


10.9.10

Da série: "agora a coisa vai!!!" 17

O meu Flamengo é o pior carioca no Brasileirão 2010. O time tem problemas no ataque, trocou de técnico recentemente e, ao que parece, ainda está longe de resolver seus (muitos) problemas. Para explicar o sufoco em que se encontra o rubro-negro, cada vez mais próximo da zona da degola no campeonato, o jornal carioca Meia Hora lançou-se numa empreitada, digamos, sobrenatural. O resultado ganhou a capa da edição desta sexta-feira:
Pronto! Agora tá fácil resolver o problema! Se bobear, se a direção do Flamengo chamar o Padre Quevedo pra cuidar do caso, dá até pra brigar pelo hepta!!!

PS.: Vale prestar atenção também no destaque do canto superior direito da capa. A prisão de "Rose Peituda" prova que até no tráfico a mulher tem ficado cada vez mais conhecida por seus atributos físicos. É tendência...

23.5.10

A Força na Peruca de Márcia Cabrita...

A atriz Márcia Cabrita está em tratamento contra um câncer de ovário. A notícia não é exatamente nova. Novo é o blog que Márcia criou para falar desse momento delicado que está atravessando. Como tudo o que ela sempre fez, o Força na Peruca é leve, divertido. Mas também é comovente, singelo. Soube do blog pelo Twitter, via @Charlesfricks, e, de uma tacada só, li todos os posts.
O que mais me chamou a atenção foi um no qual Márcia comenta o fato de nunca, em 26 anos de carreira, ter sido capa da Contigo. Até abril, quando a revista - com toda a sutileza que não lhe é peculiar, chegou às bancas estampando detalhes sobre a doença da atriz.
Márcia termina o post dizendo: "Tomara que tenha encalhado". Eu ri. Mas fiquei pensando como, muitas vezes, a crueldade impera em alguns meios de comunicação. Ontem, vi na internet fotos de Drica Moraes, outra atriz em tratamento contra o câncer, "flagrada" passeando pelo Rio. São mulheres, são atrizes, claro! Mas são pessoas diante de um momento difícil, estão fragilizadas. E, ainda assim, não faltam flashes dispostos a transformar em produto o sofrimento alheio. Triste tempo esse nosso...
O câncer é uma doença arrasadora e eu sei disso porque tenho alguém bem próximo que está passando por essa luta. E faz toda a diferença a forma como a pessoa encara esse desafio. Márcia, a julgar pelos textos que tem publicado, tem tudo pra sair dessa mais forte do que entrou. Torço por isso!
Se você ficou curioso, repito o link do blog Força na Peruca. Vale a pena ler!!!

19.5.10

Um Conexão Repórter sobre a vida dos soropositivos...

Jornalístico do SBT mostrou imagens de portadores de HIV em seus últimos dias de vida... 
Na última segunda, o programa de Roberto Cabrini no SBT exibiu reportagens sobre a vida de pessoas portadoras do HIV. A pauta não é inédita, claro, e me chamou atenção um dado: nos encaminhamos para a terceira década sob a ameaça desse vírus! Impressiona pensar que, apesar de todos os (grandes) avanços no tratamento, ainda não há no horizonte a perspectiva da cura em curto ou médio prazo.
O Conexão Repórter foi contundente ao mostrar a vida de portadores do HIV. Mostrou pacientes em estado terminal. Pôs no ar imagens de pessoas que morreram duas, três semanas depois das gravações. Entre essas vítimas da epidemia, uma jovem inconsciente, mantida em casa, cuidada pela mãe. Angustiante...
Entre os depoimentos de soropositivos, dois me chamaram mais atenção: o de um garoto jovem, que contraiu o vírus ao transar com a namorada sem preservativo. A moça sabia que estava infectada e não o avisou. Hoje, já com algumas sequelas, o garoto sonha em construir uma família. Diz isso sorrindo, com a pureza de quem confessa um sonho verdadeiro, legítimo. Genuíno. Fiquei emocionado...
O outro depoimento também foi de um jovem. Soropositivo, ele revelou ter usado drogas por pensar que "já que ia morrer, vamos ver como é". Acabou tendo complicações. Na entrevista, parecia bem. Perguntado sobre qual o seu maior medo, revelou: "o de não ser feliz". O rosto do garoto foi frisado na edição e a locução deu a triste notícia: ele morreu duas semanas depois.
Foi forte demais pra mim. Mudei de canal. Sou fraco. E não sei o que pensar sobre o programa. Mostrar imagens de pessoas em seus últimos instantes de vida me pareceu um pouco demais - sobretudo no caso da moça que, inconsciente, obviamente não foi consultada sobre. Por outro lado, enquanto pesquisas e estudos revelam que jovens cada vez têm usado menos preservativos, parece válido mostrar que, por mais que o tratamento tenha evoluído em termos de qualidade de vida para o soropositivo, a Aids ainda é uma doença séria, grave.
Repito: não tenho opinião sobre o Conexão Repórter. Mas se Roberto Cabrini pretendeu dar um soco na minha cara, conseguiu! E doeu!

26.3.10

Breve no Salto: Sérgio Britto e Barbara Heliodora...

Repórter e fã: clique com Sérgio Britto depois da entrevista...
Ontem eu tive um daqueles dias de ouro na carreira de um jornalista: entrevistei dois grandes nomes ligados ao teatro brasileiro e tive o privilégio de ter aulas privativas com eles. Falo de Sérgio Britto e Barbara Heliodora.
Sérgio é colega de emissora. Sempre cortês nos corredores e elevadores, era naturalmente mais próximo. Eu já o tinha entrevistado há uns seis, sete anos. Mas, na ocasião, o papo tinha sido curtinho. Ontem, falamos longamente sobre o início da carreira desse grande ator e sobre a grandeza do ofício de representar. Aos 86 anos, Sérgio Britto parece um garoto apaixonado pela primeira vez ao descrever sua relação com o teatro. Um dos maiores profissionais da história do teatro brasileiro, ele demonstra uma memória impecável: cita datas, autores, locais e detalhes de grandes montagens de que já participou. Ou que assistiu.
Entre outras coisas, Sérgio me contou que nunca fez um curso de interpretação. O que sabe, aprendeu fazendo. Criticou o "o exacerbado desejo de estar na telinha", tão comum entre os atores mais jovens, e, com brilho nos olhos, disse: "Não consigo ver outra profissão melhor e mais bonita que a do ator". Difícil não acreditar...
Da casa de Sérgio Britto, fomos para a de Barbara Heliodora. Respeitada crítica teatral - uma das maiores referências da área no país - essa senhora de quase 90 anos tem fama de durona. E, confesso: isso mexeu comigo. Cheguei ao local da gravação preparado para fazer uma entrevista difícil. Mas, logo ao entrar, fui surpreendido com um largo sorriso daquela senhora incomodada com o desconforto trazido por uma tarde de outono bem mais quente que o desejável. "Esse calor é insuportável!", ela disse. E rimos...
Foi apenas a primeira risada de muitas que viria a dar durante toda a gravação. Igualmente apaixonada pelo teatro, Barbara Heliodora me contou que já viu mais de 3.200 peças em sua vida! O recorde foi em Londres: 27 peças em 22 dias! Uma maratona que só poderia ser cumprida por alguém que se auto-define como uma "tarada por teatro".
Barbara Heliodora já viu mais de 3.200 peças de teatro
Generosa, dona Barbara - como a chamei durante a conversa - contou qual a estrutura que procura seguir em suas críticas e revelou que muito raramente toma nota de detalhes enquanto está na plateia. Quando perguntei sobre o mito do "crítico que amedronta autores, diretores e elenco", ela disse que isso é uma grande bobagem. E com os mesmos olhos brilhantes que vi em Sérgio Britto, esclareceu: não vai ao teatro em busca de defeitos! "Não há nada melhor do que ver um bom espetáculo de teatro", contou.
E, novamente, sou obrigado a dizer: difícil não acreditar!
Pena que, de tão entusiasmado com a conversa, nem pedi a alguém para registrar o momento. Mas pego um still do vídeo e publico aqui assim que possível, certo? UPDATE: A imagem já está no devido lugar. E ficou bem bacana!!!
Voltei à redação feliz da vida. Com boas entrevistas gravadas e, mais que isso, feliz por conhecer mais de perto dois apaixonados pelo que fazem. É essa paixão que quero conservar em mim também...

Quem quiser conferir as entrevistas, pode ficar ligado no Salto para o Futuro em maio. A gente está preparando uma bela série sobre Teatro. Clique aqui e saiba mais.

22.2.10

Será que Eliéser???

O jornal carioca Meia Hora optou por não especular sobre a sexualidade do participante do BBB10, como muita gente tem feito na internet. E para levar adiante o propósito de fazer um bom jornalismo, estampou a seguinte manchete em sua edição do último sábado:

Sim, bi: duas vezes líder do BBB. Pensaram o quê?

16.1.10

Comentário sobre matéria do Jornal Nacional que mostrou resgate no Haiti...

Qual o papel do repórter? Reportar, com o perdão da obviedade. Essa função só existe - e apenas tem razão de ser - quando esse princípio é respeitado. Com a calamidade instaurada no Haiti desde o terremoto do início da semana, as principais redes de televisão do mundo enviaram suas equipes para o país arrasado exatamente para que eles contem ao mundo o horror vivido pelos haitianos que sobrevivem em meio ao caos.
Com as emissoras brasileiras não foi diferente...
Ontem, a Globo mostrou um furo no Jornal Nacional. Lília Teles, experiente correspondente internacional da emissora, passou pelas ruínas de Porto Príncipe e parou o carro no momento em que um grupo de locais, com o auxílio de soldados do Exército brasileiro, buscavam sobreviventes em meio às ruínas de um pequeno hospital. Um militar brasileiro se abaixou no monte de concreto e ouviu a voz da vítima. Foi a deixa para que começasse um longo resgate que, no total, durou três horas.
Para a Globo, o que isso significou? Um belo furo! Fico pensando em quantos milhões de brasileiros acompanharam, com os olhos vidrados na telinha, o drama daquela delicada operação, torcendo para que a enfermeira haitiana, soterrada há três dias, fosse retirada em bom estado de saúde dos escombros. Lilia Teles e seu cinegrafista, portanto, foram repórteres.
Claro, há senões no episódio: é correto que um militar brasileiro fale com repórteres em meio ao resgate de uma vítima que espera por água, por exemplo? É prudente que tantas pessoas estejam na mesma área onde há soterrados? É pertinente que a repórter diga que a sobrevivente "está acenando pra gente"?
Cada cabeça, uma sentença. O Haiti é, hoje, a mais perfeita imagem de uma tragédia. E creio que todos os envolvidos nos trabalhos no país, sem exceção, estão profundamente abalados pelo cenário que os cerca. Talvez, por exemplo, o militar tenha falado com a repórter numa explosão de alegria, em êxtase, por conseguir achar vida em meio ao caos.
Na minha opinião, Lília Teles e seu cinegrafista foram, essencialmente, repórteres. Humanos, expostos ao risco do erro, porém, sobretudo, competentes na missão de levar essa história de superação ao povo brasileiro, tão ansioso por notícias do Haiti.
E, diga-se de passagem, TODAS as emissoras de televisão dariam tudo para exibir uma matéria como essa em seus telejornais...
Se ainda não viu a matéria, assista aqui.
E você, o que achou?
Comentaê!!!

11.12.09

Jobson, do Botafogo, rende piada na capa do Meia Hora

Vamos aos fatos: Jobson, jogador do Botafogo, foi pego no exame antidoping. O exame revelou que substâncias encontradas na cocaína estavam presentes no organismo do atleta. Diante do acontecido, o Meia Hora dá o seguinte destaque em sua capa de hoje:

Sutil, né?

Mas ninguém pode negar o talento dessa equipe para fazer trocadilhos e arrancar graça de assuntos tão delicados quanto esse...

12.11.09

Barraco na TV: repórter da Record invade link da Globo

Inconveniente demais a postura da repórter da Rede Record, ao tentar garantir uma entrevista exclusiva com o secretário de Minas e Energia. No afã de furar a concorrente, que já estava agendada para fazer uma entrevista ao vivo anteriormente.
Olha só:

Agora, se cabem críticas à postura da repórter da Record, também cabe condenar a postura do apresentador do Hoje em Dia que, desrespeitando os acertos entre os jornalistas e a assessoria de comunicação do ministério, incentivou a repórter de sua emissora a invadir, repetidas vezes, a transmissão da concorrente. Um papel inconveniente, e anti-profissional.

Quem trabalha em televisão sabe do quão tensas são as entradas ao vivo. Ao contrário do que o apresentador da Record diz, ao insinuar que o secretário está "esperando", as imagens mostram que a autoridade já está com os fones que lhe permitem ouvir o som da transmissão. Certamente ele estava ouvindo o que se estava falando sobre o apagão para poder fazer referências ao que foi dito - além de eventuais correções - quando chegasse o momento de entrar no ar.

Lamentável! Depois desse episódio, reafirmo: eu tenho vergonha alheia!!!

27.8.09

Belchior: o sucessor de Wally?

Sim, meus caros! Ao que parece, o cantor brasileiro decidiu tomar o trono do branquelo de blusa listrada e gorro e pôs o pé na estrada. Será o fim da busca por Wally e o início de uma saga ensandecida à procura do bigodudo mais cantado do Brasil?
Não tenho a resposta! Mas, sensibilizado com a causa, anuncio: vou aderir à sensacional campanha empreendida pelo periódico Aqui, de Pernambuco. O jornal (?!?!?!) está oferecendo um singelo prêmio a quem encontrar o paradeiro do rapaz latino-americano sem dinheiro no banco...
Espia só:

Comovente, não?

E aí? Alguém tem pistas sobre o paradeiro de Belchior?

21.8.09

Twitter: fonte para jornalismo de celebridades?

Embora cubra educação há quase dez anos, sou muito interessado pelo chamado jornalismo de celebridades. Não compro nenhuma revista do tipo, não assisto aos programas televisivos do gênero, mas, sempre que posso, dou uma olhada nas tendências e notícias que eles trazem.
Acho tudo meio non sense. E acho até curioso que se dê a esse nicho o nome de jornalismo...
Abro aqui um parêntese: não quero desmerecer as qualidades dos profissionais envolvidos nesse tipo de cobertura. Conheço alguns, inclusive, de talento inquestionável e que, na primeira oportunidade, zarparam fora do fantástico mundo dos famosos. E se deram muito bem fora dela. Respeito quem ganha o pão dignamente, produzindo conteúdos que geram interesse do grande público. O que questiono é a lógica que determina, por exemplo, que a simples ida à praia da mocinha da novela pode virar chamada de capa nos principais portais do país. Isso é notícia?
Pois bem. De volta ao motivo do post: esse tipo de jornalismo segue alguns modismos. Houve uma época em que as manchetes expressavam possibilidades - época que ainda não passou, diga-se de...passagem. Era (e é) comum ler coisas do tipo: "Zequinha, ex-BBB, pode estar namorando".
Caramba! Tudo pode, certo? E, se tudo pode, isso não é notícia! Não é fato! Mas no universo dos egos, fuxicos, caras, chiques & famosos quem, essa deve ser uma grande notícia. Uma bomba!
Agora, hypado pelas ferramentas tecnológicas, o jornalismo de celebridades parece ter encontrado no Twitter um oásis. Basta seguir os perfis dos artistas e, assim, receber suas declarações sobre os mais variados temas. O jornalismo do Twitter é assim: você não vai à notícia, a notícia é que vai até você! Assim, é fácil ficar sabendo que Preta Gil (@pretamaria) se aborreceu com uma piadinha de Danilo Gentili (@danilogentili) e que Ivete Sangalo (@ivetesangalo) se apressou pra saber o que estava havendo com a filha de Gilberto Gil. Isso tudo rolou agorinha, no começo da madruga. Jornalismo via Twitter é assim, gente: online, on time, full time.
Aí eu pergunto: isso é jornalismo? Pra fazer isso, a sociedade precisa exigir diploma de alguém?
Posso parecer careta, mas prefiro saber dos artistas apenas o que está relacionado ao trabalho deles...
E você?
Comentaê!

12.8.09

Jornal da Record dá o troco e bate feio na Globo, que segue atacando...

A guerra entre as duas emissoras de TV mais assistidas no país deixou o campo das estratégias de programação e se tornou, nessa quarta-feira, uma questão editorial. Depois de anunciar durante toda a sua programação uma matéria que "responderia aos ataques feitos pela TV Globo", a Record pôs em seu principal telejornal duas reportagens para cumprir a função. Nenhuma, no entanto, defendeu os líderes da Igreja Universal das acusações feitas pelo Ministério Público - e divulgadas pela Globo no Jornal Nacional de ontem.
A Record pareceu seguir a máxima de que a maior defesa é o ataque e, para isso, atacou ações da concorrente - desde a fundação até a polêmica edição do debate entre Collor e Lula, nas eleições de 1989. Aliás, chegou a insinuar que a Globo sempre perseguiu - e continua a perseguir - Luís Inácio Lula da Silva. Além de afirmar claramente que a emissora da família Marinho partiu para o ataque por ver ameaçado o seu monopólio no campo da comunicação no país. Tudo isso com citações aos índices de audiência dos programas da Record e com direito ao uso de imagens antigas do Jornal Nacional, além das imagens de William Bonner e Fátima Bernardes na edição de ontem do telejornal mais assistido do país.
Na outra reportagem, a Record fez uma espécie de institucional da Igreja Universal, mostrando algumas das ações sociais empreendidas pela instituição e várias entrevistas com fiéis - e defensores - da IURD.
Quanto às acusações, no entanto, poucas informações. E nada de citações aos outros veículos de comunicação, como a Folha de S. Paulo, que também publicaram informações relativas às investigações feitas pelo Ministério Público.
No Jornal Nacional, a munição também foi pesada. A reportagem mostrou a repercussão internacional da denúncia contra Edir Macedo e, além disso, vídeos com imagens de cultos da Igreja Universal, no qual pastores incitam os fiéis a doarem até o que têm "para o seu sustento". O JN também mostrou o caso de um fiel que recebeu um diploma assinado por Jesus Cristo (?!?!) e o caso de um ex-obreiro que afirmou que até o óleo oferecido pela IURD aos seus seguidores é falso.
Ou seja, minha gente: o telejornalismo brasileiro viveu nesta quarta-feira um dia de telebarraco, pra Programa do Ratinho nenhum botar defeito...
E você? O que acha dessa história toda?
Comentaê!

4.8.09

Influência do jornalismo Meia Hora?


Taí o detalhe da capa da edição de hoje de O Dia. Parece que o jornal anda flertando com as manchetes engraçadinhas. Mas, cá entre nós, não me arrancou nenhuma risadinha de canto de boca...
E você? Gostou?
Comentaê!

26.6.09

Piada do Meia Hora faz blog bombar...

Se a notícia da morte do Michael Jackson derrubou o Google e o Twitter ontem, aqui no B@belturbo o que está mexendo com a cabeça dos leitores é o post sobre a piada que o jornal carioca Meia Hora publicou hoje em sua primeira página.
O volume de acessos ao post é o maior já registrado num único dia nesses 4 anos de blog. Centenas de pessoas de todas as partes do Brasil - e de alguns cantos do mundo - chegaram e ainda estão chegando aqui depois de usarem mecanismos de pesquisa para se informarem sobre a polêmica manchete da publicação.
Agradeço a todos, claro.
A minha opinião sobre a manchete? Não serei hipócrita: achei engraçada. Mas, sinceramente, achei a decisão de publicá-la infeliz. Michael Jackson é um artista amado em todos os cantos do planeta e esse é um momento de dor para seus milhões de fãs. Fazer piada no Twitter e em blogs e até aceitável - mais que isso, é uma característica, inclusive, muito brasileira. Eu mesmo fiz. Mas fazer graça com a morte de um artista tão querido na primeira página de um jornal é arriscado. Ainda que ele tenha uma incontestável vocação para as notícias engraçadinhas.
Se o B@belturbo está registrando toda essa procura por conta de um post sobre a piada, imagino como devem estar a caixa de entrada e os telefones da redação do Meia Hora.
E você, o que pensa? Acha aceitável fazer graça com uma notícia como essa, envolvendo alguém tão idolatrado?
Comentaê!

Meia Hora faz piada até da morte de Michael Jackson...

Sem comentários pra mais essa pérola do jornal mais engraçadinho do Rio...