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6.4.15

Eduardo: mais uma vítima do nosso esquecimento..

Eduardo: mais um "futuro bonito" que nunca vai chegar...
Eduardo de Jesus Ferreira tinha 10 anos. Passava 10 horas por dia no colégio, um CIEP de Olaria. Era filho de uma diarista. Sonhava com um futuro bonito e dizia à mãe que a amava várias vezes por dia.
Que tristeza ter de escrever esse texto conjugando todos os verbos no passado...
Eduardo foi mais uma triste vítima da tragédia da segurança pública de uma cidade que, em vez de extinguir abismos, apenas resolveu fingir que eles não mais existiam. Um Rio de lágrimas - e de sangue - que segue mais partido do que nunca.
Eduardo foi morto e vi no Twitter sua foto sem vida. Terrível, trágica, dolorosa. Estirado e ensanguentado como jamais deveriam aparecer nos jornais meninos de sua idade - sobretudo quando a absurda extinção de suas vidas decorresse de tamanha negligência. De tamanho descuido. De tão absurdo silêncio de todos nós para uma história que se repete à exaustão. Não exagero: na última década, no Rio de Janeiro, 50 crianças foram mortas por policiais em incursões tratadas como rotineiras pelo Estado.
O que se faz diante disso?
Nada.
A gente sofre, a gente se entristece. E vem um novo escândalo, vem uma nova manchete terrível; vem uma nova piada no whatsapp. 
E a gente esquece.
A gente esquece do Eduardo, esquece da dor incurável da mãe que estava se desdobrando para pagar cursos de inglês e informática pro garoto. A gente esquece do futuro bonito que ele nunca vai ter. Esquece de todas as contribuições que ele poderia vir a dar para ajudar a curar essa sociedade doente, covarde, assassina. Sim, a gente esquece que empurrou o policial para aquele tiro. A gente esquece que naturaliza, dia após dia, o inaceitável. A gente esquece que o escândalo seria muito maior se Eduardo de Jesus Ferreira morasse na Vieira Souto. A gente esquece que há lugares em que a polícia jamais entraria como entra no Complexo do Alemão. A gente esquece que vive num contexto em que o CEP determina como o cidadão vai ser tratado. E esquece que esse tratamento se desumaniza proporcionalmente à redução do valor do IPTU.
A gente se esquece porque é covarde. Porque se acostumou a achar que as coisas são assim. E porque não sabe como ou o quê fazer para alterá-las. 
Queremos alterá-las?
A gente se esquece porque é cômodo. Porque Eduardo, infelizmente, não foi o primeiro e não será o último. 
Quantos mais serão?
A gente se esquece porque favela é perigoso. Porque acha que - como ouvi dia desses - quem mora lá já sabe que o futuro pode nunca chegar.
E chegará?
A gente se esquece, sobretudo, porque vem esquecendo a cada dia mais o que significa a palavra humanidade.
Humanidade?

28.11.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 102

As séries do B@belturbo geralmente primam pelo bom humor. Mas, diante dos fatos recentes que mudaram a rotina de todo o povo do Rio de Janeiro, talvez seja interessante aproveitar esse espaço e a nossa interação pra discutir um tema sério: o tráfico de drogas.
Desde que as forças de segurança ocuparam o Complexo do Alemão na manhã desse domingo, as emissoras de TV mostram uma quantidade enorme de armas apreendidas, além de muita droga. O que assusta é o poderio bélico dos criminosos, com armas de longo alcance e alto poder de destruição. A questão é complexa, e um ponto que precisa ser debatido é a hipocrisia de parte da sociedade. Pedir paz, cobrar postura das autoridades e, ao mesmo tempo, comprar drogas ilícitas são atitudes compatíveis? Como vocês analisam a responsabilidade dos compradores de drogas diante de toda a situação que o Rio de Janeiro vive? Quem usa drogas financia ou não a ação de criminosos?
Acho esse um debate válido. E conto com a sua participação!

Reflexão: Direitos Humanos, inimigos e nossa longa caminhada...

Homens do Exército posicionados para o confronto com marginais no Complexo do Alemão

Os últimos dias têm sido muito tensos no Rio e essa não é uma novidade. Pra mim, as noites se tornaram especialmente complicadas. A gravidade da situação na Penha, Zona Norte da cidade, tem tirado meu sono. Fico imaginando como estão aquelas pessoas inocentes, a dois passos de um confronto que pode virar uma grande tragédia. Penso em seus familiares, nas famílias dos policiais e militares envolvidos na operação. E até nos inocentes que têm parentes envolvidos com o tráfico. Todos unidos pelo mesmo temor. Todos sofrendo.
Hoje, vi a mãe de um traficante preso dizer que nunca concordou com a opção do filho pela vida criminosa. Vi muita verdade no depoimento daquela senhora. Que mãe escolhe para um filho destino tão perigoso? E mais: que mãe tem a coragem de, numa situação como essa, pegar seu filho traficante, número dois da quadrilha, e levá-lo até à polícia para se entregar? Quanta dignidade vi naquela senhora...
Passei todo o sábado vendo telejornais e, de repente, vi a imagem que mais me marcou. Era duas crianças, duas menininhas, de uns 5, 6 anos. Aos prantos, tapando o rosto com as mãos enquanto na comunidade ecoavam os estampidos dos tiros trocados por policiais e bandidos. Que tristeza, meu Deus...
Imagens como essas me fizeram aplaudir a iniciativa das Forças de Segurança, que propuseram a rendição dos criminosos. Essa foi, por si só, uma atitude inédita: a história do Rio mostra que a polícia simplesmente invadia comunidades em conflito, sem se importar com vítimas que não estivessem ligadas ao confronto. Passei a tarde torcendo para que os criminosos se rendessem para que, assim, a invasão e suas consequências indesejadas pudessem ser evitadas.
As horas passaram e não foi o que aconteceu...
E aí, para meu espanto, passei a ver muita gente torcendo por uma invasão imediata. No Twitter, não foram poucas as mensagens clamando por um assassinato em massa dos bandidos. É a lógica do "bandido bom é bandido morto". Algo realmente assustador! Postura que até pode ser compreendida pela sede de vingança de uma sociedade que, ano após ano, ficou cada vez mais refém dos criminosos. Postura que pode ser compreendida, mas, jamais, defendida!
Se hoje temos 500, 600 "inimigos públicos" no Complexo do Alemão, não podemos nos esquecer das outras centenas e centenas deles, jamais declarados, que com suas ações públicas - e, mais ainda, com as secretas - contribuíram para que a situação se tornasse tão grave. Falo de ex-presidentes, ex-governadores, ex-prefeitos, ex-secretários de segurança, ex-deputados, ex-vereadores...! Homens públicos, bem vestidos, de fala mansa, que jamais empunharam fuzis e granadas - pelo menos, não publicamente - mas que, por ação ou omissão, por interesse e/ou por dinheiro, ergueram suas vidas sobre um mar de sangue e uma pilha cada vez maior de corpos de vítimas diretas e indiretas da guerra contra o tráfico. Homens que elegemos para nos representar e que, muitas vezes, além de não terem agido para impedir que o caos de agora se instalasse, ainda atuaram nas sombras para dar mais força àquele que, publicamente, tratavam como "inimigo": o "crime organizado". Crime que, nos bastidores, muitos ajudavam a organizar...
A ação de agora tem todo o meu apoio. Tem a minha torcida. É passada a hora de arrumar a casa, colocar ordem na cidade e dar condições para que todos os seus cidadãos vivam em paz. Mas isso tudo precisa acontecer dentro da legalidade, na observância de todos os Direitos Humanos. E esses direitos são de todos!
Estamos vendo no Complexo do Alemão os primeiros passos para que o Estado cumpra o papel que jamais deveria ter deixado de cumprir: o de estar presente, prestando serviços e garantindo paz e condições dignas de vida para todos os habitantes. Mas esses, como disse, são passos iniciais de uma longa caminhada. Uma jornada que também deve oferecer oportunidades de reinserção social, para que o banditismo deixe de ser a única opção para muitas das crianças e jovens dessas comunidades. E essa jornada deve ser acompanhada por todos os que querem uma sociedade verdadeiramente melhor. E para aqueles que, como eu, não desejam ver essas cenas de guerra se repetindo no futuro.

25.11.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 101

Segundo a coluna Ooops!, do UOL, o Bope criticou duramente a postura da Rede Globo e da Rede Record. Segundo a matéria, o Batalhão de Operações Policias Especiais divulgou que as emissoras prestaram "um desserviço" com suas aeronaves.
Na Globo, o Globocop ficou o dia todo no ar. A emissora chegou a utilizar dois helicópteros na transmissão dos fatos que ocorriam na Vila Cruzeiro.
No Facebook, alguns amigos apontaram como crítico o fato de a transmissão revelar o posicionamento de policiais. Mas também alegaram que as imagens geradas pelas TVs ofereceram à Polícia a possibilidade de acompanhar qual a rota de fuga traçada pelos marginais.
Ou seja: a questão é pra lá de polêmica.
E você, o que acha? Operações policiais como a que o Rio acompanhou hoje devem ser transmitidas em tempo real pelas emissoras de TV?
Comentaê!!!

O dia em que o Rio declarou guerra à violência...

Bandidos fogem da Vila Cruzeiro enquanto Polícia toma conta da comunidade. Globonews, Globo e Record transmitiram a operação ao vivo...

O crescente número de ataques de traficantes gerou uma reação inédita no país hoje: equipados com blindados cedidos pela Marinha, com o apoio dos já populares Caveirões e armados até os dentes, policiais militares invadiram o local que, até então, era tido como base de uma das facções criminosas atuantes no Rio - a Vila Cruzeiro.
Até que a invasão se consolidasse, a apreensão foi grande. As emissoras de TV transmitiram tudo, o tempo todo. Cada novo veículo incendiado, cada passo dos grupamentos policiais - e até o trajeto dos blindados da Marinha. Diante da telinha, eu, você, nossos pais, tios, avós, irmãos...todos nos perguntávamos qual seria a história que estava sendo escrita nessa quinta-feira. Todos nos perguntávamos qual o rumo que o Rio de Janeiro tomaria depois da operação policial.
As respostas vieram de tarde, pela TV. Acuados pelo aparato policial, traficantes rastejavam pela mata, corriam entre as vielas, desviavam das balas e tentavam, desesperadamente, fugir da força do Estado. Eram pessoas, pareciam ratos.
Vi tudo na redação, um olho na pauta que precisava concluir, outro no monitor de TV. A Globo derrubou toda a programação vespertina, todos os intervalos comerciais e exibiu uma "sessão da tarde" que não "vale a pena ver de novo". Escrevi no Twitter que muita gente devia estar tentando matar os bandidos com o controle remoto, tal a força das imagens que revelavam a fuga dos criminosos para o vizinho Complexo do Alemão.
Fiquei muito, muito assustado. Pensava no horário de voltar para casa, nos amigos e nos desconhecidos que precisariam se deslocar em meio ao caos decorrente de tamanha quebra da rotina carioca. Pensava nos moradores das áreas cobertas pela operação, condenados a um fogo cruzado que, infelizmente, levará muitas vidas inocentes. Pensava em como ficarão as cabecinhas das crianças menores, ora transformadas em personagens de um video-game real. E sangrento.
Mas, por outro lado, esperançoso. Ver o Estado reagir com força e equilíbrio me deu a impressão de que podemos estar no caminho certo. Ver a bandidagem fugir revelou a todos nós - cidadãos de bem - que não há força, não há bunker, não há união de facções que faça frente ao poderio de um Estado forte, bem comandado e unido em torno de um único objetivo. Tive esperança de que, vendo os bandidos expulsos de seu (até então) porto seguro, crianças e jovens percebam que o caminho do crime nunca termina bem. E que só leva a dor e ao desespero. E tive esperança de que as bandeiras de paz balançadas nas janelas pelos moradores da Vila Cruzeiro - reconquistada hoje pelo poder público - sejam o prenúncio de uma paz verdadeira, democrática, e não disponível apenas para os que podem pagar por ela.
Torço muito por isso. E pra que o dia de hoje entre para a história como o dia em que a esperança começou a vencer o medo no que diz respeito à segurança de nossa maravilhosa cidade...

24.11.10

Rio sob o domínio do medo?

Desde domingo, a população do Rio de Janeiro vive assustada. A onda de ataques incendiários a automóveis, ônibus e vans - em vários pontos da cidade e da Região Metropolitana, além de Cabo Frio - parece ter pego de surpresa os cariocas, numa inversão da lógica de redução dos índices de violência que vinha sendo registrada ao longo dos últimos 15 meses.
Se nos prendermos aos fatos, veremos que, depois de décadas encarando a questão da Segurança Pública como uma colcha de retalhos de ações pontuais, o Estado do Rio tem construído uma política clara na área. Essa política prevê a recuperação de territórios ocupados pelo crime organizado e a pacificação dessas comunidades por meio da instalação de unidades de policiamento. De acordo com o Governo do Estado, as UPPs tiraram mais de 200.000 cariocas do domínio da marginalidade.
Ainda atendo-me aos fatos, causa estranhamento, no entanto, que a política de pacificação tenha transcorrido na mais perfeita tranquilidade. Lembro-me apenas de reações pontuais no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Em geral, a polícia chegava e encontrava a comunidade abandonada pelo tráfico. E a sociedade ficava sem entender o rumo que os marginais estavam tomando.
Esses são os fatos. Que geraram boatos...
Qual foi o carioca que não ouviu dizer que, acuados pela ação policial, os bandidos estavam se reunindo no Complexo do Alemão? Qual morador do Rio não soube que a Rocinha estava tomada de armas, que os traficantes estavam recrutando moradores e distribuindo armamento para reagir a uma eventual ocupação pela UPP? Quem não ouvir dizer que as UPPs expulsariam os bandidos dos morros e os jogariam no asfalto?
Boatos que até fazem sentido, mas que ainda não foram comprovados. As ações empreendidas por criminosos desde o último domingo revelam, sim, que eles se sentem na necessidade de brigar porque, pela primeira vez, estão acuados por uma política que não apenas reprime, mas que, de fato, enfraquece o crime e o tráfico de drogas. Ao recompor territórios dominados até então pela criminalidade, o Estado demonstra força e passa a contar com o apoio da população. Basta ver que o tema da segurança foi determinante na última eleição para o governo do Rio.
E é contra esse apoio da população que o crime organizado se volta. Ao fabricar o medo, os bandidos pretendem ver a sociedade, acuada, se voltar contra a política das UPPs, numa lógica simples: devolvam os morros pra eles pra que possamos ter paz no asfalto de novo. O que os bandidos querem, portanto, é repartir a cidade que as UPPs estão começando a unir. Querem que tenhamos medos de uma política que está jogando a bandidagem pra cima da classe média, e tirando esse ônus apenas das classes mais populares.
Concordo quando o governador fala em desespero. E esse despespero não pode contaminar a sociedade. É lastimável ver que perfis no Twitter e em outras redes sociais espalhem o terror, propagando boatos infundados. Hoje, li sobre incidentes em dois shoppings importantes da cidade. E nenhum dos dois episódios, de fato, aconteceu. Disseminar o medo não contribui em nada para que o atual estado de coisas seja revertido e não nos ajudará a retomar a paz e a vida normal. É claro que precisamos de cautela. Mas duvido que alguém, que não esteja a serviço da bandidagem, tire proveito da boataria.

17.7.10

Sobre a morte do menino Wesley, dentro de um Ciep...

Fiquei bem triste com a história dessa criança de 11 anos, morta no meio de uma aula de matemática. Pelo relato que vi num telejornal, o menino morreu segurando um lápis. A escola, cercada por comunidades nas quais a violência é tida como parte da rotina, foi atingida por vários tiros durante uma operação da polícia. Um deles pôs o ponto final na vida de Wesley.
O comandante do batalhão da PM responsável pela operação foi exonerado, mas toda e qualquer providência tomada pelo poder público, mais uma vez, parece incapaz de dirimir essa amarga sensação de que mortes como a de Wesley passarão em branco. E de que o menino será apenas mais um nas estatísticas, como disse o pai da vítima.
É fato que algo precisa mudar urgentemente. E não me refiro apenas aos rumos da segurança ou à qualidade de vida em comunidades como aquela onde está situada a escola onde Wesley estudava. Precisa mudar, principalmente, a forma como a sociedade enxerga tragédias dessa natureza. Sim, estou afirmando que a sociedade é cúmplice dessa crônica sangrenta que faz parte da realidade de muitos alunos e professores de escolas das chamadas "áreas de conflito". Basta ver que dificilmente um caso como esse - mesmo sendo tão grave e triste - ocupa o destaque dado a outros casos envolvendo homicídios infantis. Seguindo uma lógica (?!) torta e preconceituosa, a sociedade parece aceitar como naturais as mortes de crianças e jovens ocorridas em comunidades massacradas pela ação de bandidos. E da polícia.
Essa visão obtusa de um problema tão sério ajuda a explicar o fato de escolhermos representantes que, muitas vezes, também tratam episódios tristes como esse com naturalidade.
Não pode!

10.7.10

Sobre o Caso Bruno 2...

Quando pensei que toda a crueldade da história envolvendo o desaparecimento de Eliza Samúdio já tinha me chocado bastante, um novo fato me deixou realmente triste: ver, ontem, Bruno circular por Belo Horizonte algemado e vestindo o uniforme do sistema carcerário de Minas. Antes que alguém me acuse de estar defendendo o suspeito de um crime covarde, explico: o procedimento é esse mesmo, ok. Suspeito como é - carregando o peso de todos os indícios levantados pela polícia - Bruno parece ter feito por merecer tanto o uniforme quanto as algemas.
Também não pensem que me solidarizo com o suspeito por não dar importância ao que parece ter sido feito da vítima. Não! O crime foi bárbaro, revoltante, e todos os envolvidos devem ser punido exemplarmente. Sejam eles quem quer que sejam.
Minha tristeza não tem a ver com qualquer sensação de injustiça. Tem a ver com o sentimento de um rubro-negro que se habituou às belas defesas de Bruno, à sua garra, sua altivez e à força do líder que ele soube ser no Flamengo. Bruno era um dos maiores ídolos do time - com todos os altos e baixos que caracterizam uma relação longa com a maior torcida do país - era parte fundamental da imagem de um Flamengo jovem, vencedor, campeão. Bruno era o capitão do meu time, ergueu as taças de nossas conquistas no Estadual e, mais que isso, levantou a taça do Hexa rubro-negro. Quantos e quantos moleques desse Brasil não se imaginaram ali, no lugar daquele grande goleiro naquele momento?
Ícone de uma conquista tão importante, Bruno agora surge na TV em outro uniforme. No lugar da foto para o pôster do título, a imagem de um preso fichado na polícia. E em vez dos gritos de campeão, a torcida formada pela opinião pública agora grita "assassino". Tudo muito triste.
É claro que as pessoas são responsáveis pelas suas escolhas - e que devem, portanto, pagar por elas. O que não impede, é claro, que eu lamente profundamente por ver escolhas tão infelizes. Ainda mais quando elas são feitas por um (ex) ídolo...

7.7.10

Sobre o Caso Bruno...

Acabo de ver uma reportagem chocante no Jornal Nacional sobre os rumos no Caso Bruno. De capitão do clube mais popular do país, o goleiro saltou para as páginas policiais numa história com todos os ingredientes que despertam o interesse público: sexo, futebol, traição e violência. O resultado não poderia ser diferente e estamos no meio de um dos maiores escândalos da história do esporte brasileiro.
Os detalhes do assassinato, ainda não confirmado, foram revelados no depoimento de um menor, primo de Bruno, apreendido na casa do goleiro. E são tão terríveis que parecem saídos de alguma mente habituada a filmes de terror da pior espécie. Se já é difícil pensar que alguém tenha coragem de acabar com a vida de outra pessoa, supor que, após fazê-lo, esse alguém possa desossar o cadáver e jogar a carne para uma matilha de cães famintos é surreal! É absurdo, perverso e doentio demais!
Entender as razões que podem ter levado a uma atitude tão extrema é uma tarefa difícil. E por mais que essas razões existam, jamais justificarão a barbárie cometida. À essa altura do campeonato, desqualificar a vítima me parece uma estratégia burra, primária, que, a julgar pela crueldade e pela riqueza dos detalhes (sórdidos) dessa história, não levará ninguém a lugar algum.
Confirmado tudo o que tem revelado a investigação policial, será um duro golpe para os flamenguistas que, como eu, sempre admiraram Bruno por seus belos momentos fechando o gol rubro-negro. Perna-de-pau longe do campo, Bruno pode ter feito o maior gol-contra da sua vida...

16.5.10

Comentário sobre o caso da procuradora...

Uma pessoa que passou parte da vida integrando o Poder Judiciário é acusada de um crime. Contra uma criança. Indefesa. Criança que essa mesma senhora vinha tentando adotar. A mídia divulga fotos do rosto deformado da vítima e gravações dos gritos que ela disparava contra a criança. A acusada foge. A sociedade se revolta. As pistas chegam incessantemente até a polícia. Acuada, a fugitiva se entrega e é, finalmente, presa.
Tudo isso aconteceu sem que, em nenhum momento, a tal ex-procuradora fizesse qualquer declaração...
Tudo isso despertou grande revolta em toda a sociedade...
Eu evitei ao máximo escrever sobre o assunto aqui. Pra não chover no molhado e me limitar a dizer mais do mesmo. Mas, nos últimos dias, dois aspectos ligados à história me chamaram a atenção. Primeiro, um comentário que uma amiga deixou no facebook, alertando para a debilidade do processo relacionado à adoção. Sempre apontado como muito rigoroso - e igualmente burocrático, quase um convite à desistência - há que pensar sobre as falhas de um sistema que entrega uma criança frágil, indefesa, nas mãos de um monstro como se revelou ser o caso. Ainda que rica, com longos cabelos loiros e atestando uma longa ficha de serviços prestados à nação, como ex-funcionária pública, a procuradora aposentada devia ter sido investigada em mais profundidade. E, a julgar pela quantidade de testemunhas que se apresentam para confirmar os maus tratos praticados contra a menina, não me parece equivocado afirmar que tudo poderia ter sido evitado se esse examente fosse conduzido de forma mais eficaz.
O outro ponto controverso é a atuação do advogado de defesa da ex-procuradora. Por mais que seja claro o papel dele no processo, é no mínimo pitoresco ver um profissional atribuir a um acidente doméstico o lastimável estado do rosto da menina nas fotos divulgadas à imprensa. É medíocre querer fazer a opinião pública acreditar que não houve tortura e, sim, maus tratos. E, mais que isso, que sua cliente procedeu daquela forma para fazer a menina cumprir "suas obrigações".
O que conforta é torcer para que tão insustentáveis argumentos contribuam para que essa senhora passe muito tempo trancafiada. Quero ver se ela aguenta muito tempo sem comer a comida do presídio "porque não gosta de refeições servidas em embalagens recicláveis"...
E você, o que achou dessa história toda?
Comentaê!!!

17.12.09

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 39

Crimes envolvendo crianças sempre são chocantes, e não tem sido diferente em relação ao caso do garoto que teve mais de 40 agulhas introduzidas em seu corpo. Sem cicatrizes ou hematomas, a criança está em estado grave. O ex-padrasto já confessou a autoria do crime, que a polícia trata como tentativa de homicídio.
Ontem, enquanto aguardava pra ser atendido numa clínica, o assunto era esse. O clima era de espanto. E a auxiliar da minha dermatologista levantou a hipótese de que o caso envolvesse algum tipo de ritual macabro. E pela notícia que que li, há mesmo indícios disso.
Respeito a fé e a pluralidade de cultos e crenças. Mas não dá pra aceitar que uma criança passe por esse tipo de tortura em qualquer ritual que seja!
Absurdo!

22.10.09

Outro caso de polícia...

Não, esse não foi comigo. Mas é como se fosse. Ou melhor, de certa forma, creio que tenha sido com todos nós! Isso porque, como cidadão, julgo aviltante ler que policiais militares liberaram os assassinos do coordenador do AfroReggae segundos depois do crime e que, além disso, não prestaram socorro à vítima.
Sei que esse tipo de conduta não traduz o comportamento padrão da corporação. Mas é preciso que nossos governantes tenham a coragem de assumir que é fundamental rever o papel, a formação e os procedimentos adotados pelos policiais. E, mais que isso, é urgente que toda a sociedade brigue por isso! Essa instituição é nossa! Devemos zelar por ela! E lutar para que seja cada vez melhor.
Durante minhas últimas férias, fiquei impressionado com a educação e o cuidado com que os policiais de Madri tratam os cidadãos locais e os turistas. Passeando pelas ruas da cidade espanhola, temos a certeza de que estamos protegidos. Madri, todos sabem, perdeu para o Rio o direito de sediar os Jogos de 2016.
Aqui, no Centro do Rio, o coordenador do AfroReggae foi assassinado. E nem preciso dizer que é difícil alguém se sentir seguro por algumas das principais ruas da cidade. Ou mesmo em toda a cidade maravilhosa...


Dá pra mudar isso em sete anos?

17.10.09

Guerra in Rio!

Acordar e descobrir que os bandidos derrubaram um helicóptero da polícia, pra mim, equivale a um tapa bem dado bem no meio da minha cara. E da cara de todos que, como eu, tanto amam essa cidade.
Fui para o trabalho ligado no noticiário e, quando cheguei, avistei ao lado da TV, na sede da Polícia Civil, algumas dezenas de policiais prestes a partir para o enfrentamento. Armados até os dentes, recebendo e dando instruções, tensos. Vi o tal do caveirão e ouvi o zunido do helicóptero blindado da polícia civil rasgando o céu pra lá e pra cá.
E pensei: o que mais falta acontecer nessa vergonhosa situação da segurança pública no Rio? Qual vai ser a tragédia a nos surpreender da próxima vez? E, claro, como sairemos do fundo desse poço no qual fomos atirados por governantes que, ao longo da história, deram as costas para os cidadãos e fizeram vistas grossas para o fortalecimento do crime organizado em nossa cidade?
Acabo de ver os principais telejornais noturnos e, como não poderia deixar de ser, o sábado de barbárie carioca foi o grande destaque. E notei que o tapa que me acordou ainda faz minha cara arder...
Até quando suportaremos?

26.9.09

Sobre o sequestro na Tijuca...

O Rio tem trauma de ações criminosas envolvendo reféns. Um trauma gerado por toda a tensão e pela série de equívocos experimentados na ocasião em que o ôninus da linha 174 foi sequestrado por um jovem fora de si, armado, que fez reféns e ameaçou impor uma tragédia a todo o país que acompanhava aquela loucura, ao vivo, pela TV. Acabou morto pelos policiais que, numa ação atabalhoada, acabaram por matar uma das reféns mantidas pelo criminoso.
Uma tragédia que muitos gostariam de esquecer, mas que serviu de lição para a polícia carioca...
Ontem, quando um ladrão assaltou uma farmácia e fez uma refém, todos os olhos se voltaram para a Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio. O homem, fora de si, ostentava uma granada e ameaçava explodí-la caso não tivesse suas exigências atendidas. Chegou a retirar o pino do artefato, expondo ao risco de morte várias pessoas que estavam nas proximidades. Mas, ao retirar o pino da granada, deu mostras, também, de que estava disposto a arriscar a própria vida. Ou seja: sua loucura não conhecia limites.
A refém passou mal. Precisava vomitar. E num dos momentos em que ela se abaixou, um atirador de elite disparou um tiro certeiro, na cabeça do bandido, e pôs fim à agonia da refém, dos policiais e de todos os que acompanharam a história ao vivo, na rua - e que chegaram a aplaudir a ação policial.
Eu vi as imagens no RJTV, na edição do horário do almoço. E fiquei impressionado com o acerto da operação. A polícia precisava agir, naquela circunstância, para evitar que algo de pior pudesse acontecer caso o bandido, de fato, explodisse a granada. O que eu não vi - e só vi mais tarde, pela internet - foi a cena do tiro na cabeça do assaltante. A cena, asséptica, sem sangue esguichando de lugar algum, também foi exibida no mesmo telejornal, no mesmo horário. A única pista da bala entrando na cabeça do bandido é o voo desnorteado do boné que ele usava e sua queda.
Não discordo de nenhum milímetro da ação policial. Mas discordo veementemente da exibição dessa cena na TV. É violenta, forte, desnecessária. E choca ainda mais uma população que, cotidianamente, acaba se deparando com alguma forma de violência brutal.
Uma pena que quando a polícia acerte, a mídia erre de um jeito tão feio...
E você? O que pensa dessa história?
Comentaê!!!

14.8.09

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 33

Tudo bem que a crueldade do ser humano não é novidade pra ninguém, mas acho importante que a gente também não perca a capacidade de se chocar e se indignar com a barbaridade de crimes como o que está na capa do jornal Meia Hora de hoje.
O que dizer (e fazer) com um sujeito que mata a mulher e a enteada usando uma faca e um martelo?

14.5.09

Condenado Mohammed D'Ali

Não é o ex-lutador de boxe! É aquele cara que matou e esquartejou a namorada inglesa, ano passado, em Goiânia. A defesa alegou que o xará do boxeador tem problemas psicológicos. Mas quem deu sinais de que (ainda) está regulando bem, hoje, foi a Justiça: 19 anos pelo assassinato e mais 2 anos pelo esquartejamento e pela ocultação do cadáver.
Vinte e um anos de cadeia. Mas o réu é primário e, em breve, pode ganhar a liberdade.
E você? O que acha, hein?

13.5.09

De volta à barbárie?

Sabe aquele tipo de notícia que consegue chocar de todas as formas?
Essa é desse tipo: um homem de 27 anos tenta estuprar uma menina de 9. Flagrado, é linchado e morto a socos, pontapés, pauladas e pedradas.
Tentar violentar uma criança é um dos crimes mais repugnantes na minha opinião. E o nosso instinto acaba defendendo o ímpeto de quem resolve fazer "justiça" com as próprias mãos. Mas, cá entre nós, a brutalidade de um linchamento também é algo que remete ao tempo dos bárbaros. A um tempo em que não havia justiça, leis e nem racionalidade.
Estamos mais perto do passado do podemos supor?

12.5.09

Caso Daniel Duque: enfim, justiça?

Quem acompanha o B@belturbo sabe que o caso do assassinato do jovem Daniel Duque mexeu muito comigo. A ponto de ser convidado para participar de uma passeata de protesto pela Daniela, mãe da vítima desse crime bárbaro.
Pois bem, isso explica a felicidade que senti agora ao acessar a internet e me deparar com a notícia da anulação do julgamento que, inexplicavelmente, inocentou o PM autor do disparo que roubou a vida do Daniel.
Nada poderá devolver a vida da vítima, mas imagino que a perspectiva de que, enfim, a justiça possa ser feita deve resgatar a sensação de dignidade dessa família marcada pela tragédia.
E que a Justiça não desperdice mais essa chance de provar que existe...

16.4.09

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 28

Chocantes as imagens dos funcionários da Supervia agrendido os passageiros na estação ferroviária de Madureira, na Zona Norte do Rio. Vi e revi as imagens da Globo e fiquei me perguntando como se sente um trabalhador que, preocupado em pegar a condução e chegar ao trabalho no horário, acaba agredido barbaramente por meia dúzia de funcionários despreparados e desumanos.
Não dá pra aceitar!
Felizmente os culpados já foram demitidos. E que a reprimenda sirva para inibir que esse absurdo volte a acontecer.

10.4.09

O resultado da enquete...

Para 57% dos leitores que votaram, o usuário de drogas podem ser responsabilizados pela violência que atinge o Rio de Janeiro atualmente.
Embora ache que essa é uma questão muito séria e que, certamente, envolve muitos outros aspectos, eu concordo com a opinião da turma que escolheu essa opção. Acho que negar essa relação é tapar o sol com a peneira e encarar de forma desvinculada questões unidas por um laço muito forte: o dinheiro!
E acho que enquanto estivermos todos voltados apenas para os nossos próprios interesses, continuará distante o dia em que encontraremos uma solução para esse problema tão sério.
Se é que essa solução ainda é possível...
E você? Acredita?