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11.11.14

Estou lendo a terceira biografia de Michael Jackson! É grave?

Michael, na coletiva de lançamento da turnê "This is It", em Londres: no livro, autor relata que integrantes da equipe do cantor o encontraram completamente bêbado, momentos antes de aparecer em público para encontrar os jornalistas...


Minha admiração por Michael começou, claro, pela música. Também já contei aqui do fascínio que seus clipes despertavam quando eram lançados no Fantástico, nos idos dos anos 80/90. Mas, conforme os escândalos passaram a ganhar mais espaço na vida do artista, sua personalidade e os fatos que o cercavam passaram a parecer tão interessantes quanto a própria obra que havia sido construída por ele. O Rei do Pop vivia num mundo em que tudo era superlativo: o sucesso, a fama, a ruína, a bizarrice e a loucura. Ninguém fez tanto sucesso quanto ele em todo o mundo. E, proporcionalmente, ninguém teve a vida tão vasculhada, ridicularizada e exposta...
A primeira biografia que li, logo depois da morte de Jackson, foi "Michael Jackson - a magia e a loucura", de J. Randy Taraborrelli. Foi uma leitura agradável, que me apresentou ao (controverso) universo do artista que mudou de cor diante dos olhos de todo o planeta. A segunda biografia, "Meu amigo Michael", de Frank Cascio, foi um relato mais afetivo, de alguém que conviveu com o Rei do Pop muito proximamente. Frank Cascio foi uma das crianças que o mundo se habituou a ver cercando Michael Jackson onde quer que fosse. Mais que isso: a família Cascio era uma espécie de família adotada pelo artista, diante da impossibilidade de qualquer relacionamento minimamente convencional com os demais Jacksons. Por ser escrito por alguém que viveu tão perto do popstar, o livro é mais emotivo, oferece uma pintura mais sentimental, que nos ajuda a entender como deve ter sido difícil ser Michael Jackson.
Pois bem. Agora estou às voltas com "Intocável: a estranha vida e a trágica morte de Michael Jackson", de Randall Sullivan, jornalista americano que iniciou o texto como uma reportagem para a revista "Rolling Stone". Diante do imenso volume de acontecimentos que marcaram os 50 anos vividos pelo personagem principal do que seria a matéria, Sullivan se viu obrigado a contar tudo sem as limitações de espaço impostas por uma revista. O resultado? Uma obra de quase 900 páginas - 129 delas de referências bibliográficas e outras 32 de fotos. Pra mim, o maior, mais completo e mais fascinante trabalho de pesquisa sobre a vida do artista.
O autor optou por não obedecer a uma ordem cronológica ao construir sua narrativa - o que, a bem da verdade, pode confundir leitores mais dispersos. Mas o resultado é um texto fluido, saboroso, e rico em detalhes - alguns, assustadores! Quem poderia imaginar que o homem mais famoso do mundo tinha um pote de vidro cheio de próteses de nariz, cercado por tubos de cola, em seu quarto? Segundo Sullivan, Michael tinha as próteses porque lhe faltava o nariz original, arruinado depois de uma série de sucessivas rinoplastias cujo número sequer se pode precisar. Ainda no campo das plásticas, o livro contabiliza que, num período de 10 anos, o Rei do Pop alterou cirurgicamente a própria fisionomia entre 10 e 12 vezes - algumas vezes, com um intervalo de poucas semanas entre uma intervenção e outra. No texto, o leitor descobre que a pele de Michael esteve tão sensível que, num acidente doméstico enquanto brincava com um dos filhos, seu lábio simplesmente "desabou"ao ser atingido.
Mas os detalhes não se limitam à estranha obsessão do astro com sua aparência - numa busca irrefreável para apagar qualquer traço que o fizesse enxergar o pai ao se olhar num espelho. "Intocável" também apresenta elementos que permitem compreender como a família era vista por Michael, ao descrever as inúmeras vezes em que o artista se recusou a receber parentes em sua casa. Ou ao detalhar como ele orientava membros de seu staff a impedirem a aproximação de familiares; à exceção da mãe, por quem nutria uma espécie de idolatria. O livro também descreve como a família enxergava Michael Jackson e, nesse aspecto, a declaração de um dos entrevistados é definitiva: "Eles o viam como um caixa eletrônico!". Impactante, a frase me pareceu ganhar ainda mais sentido em uma passagem em que o autor revela que, para comparecer a um show em homenagem aos 30 anos de carreira do Rei do Pop, pais e irmãos de Michael exigiram o pagamento de cachês milionários; mesmo para os familiares que iriam apenas sentar na plateia do Madison Square Garden para ver a apresentação.
A amizade com Liz Taylor também é tema de passagens interessantes, em que é possível perceber que, por mais que amasse o amigo, a eterna Cleópatra parecia gostar muito mesmo dos presentes caríssimos que ele lhe dava. E esse é um dos pontos que permitem entender como, surpreendentemente, um artista tão rentável como Michael Jackson mergulhou numa profunda e inacreditável crise financeira a partir de meados dos anos 90. Às voltas com ações judiciais de toda ordem, acordos milionários para livrá-lo de processos e dívidas que cresciam abastecidas pelo seu oneroso - e insustentável, mesmo para ele!!! - padrão de vida, Michael Jackson chegou a ter seu único cartão de crédito - sem limites - bloqueado pela American Express, o que o obrigou a passar uma temporada escondido em New Jersey, morando de favor com os filhos na casa da família Cascio - aquela do autor de uma das biografias que citei nesse post. O endividamento crescente, aliás, foi o grande argumento para que sua equipe convencesse o astro a voltar aos palcos para uma série de 10 shows na O2 Arena, em Londres, no verão de 2009. Michael demorou a concordar - estar no palco não era mais algo que o atraísse minimamente. Foi confrontado pelos administradores de sua carreira - e de suas dívidas - que provaram que os shows eram a única saída para evitar a falência e a liquidação de seu patrimônio - que incluía o catálogo dos Beatles. Com o aval de Michael e diante da demanda pelos shows, os empresários fizeram novos cálculos e concluíram que, para serem realmente lucrativas para o artista, o número de apresentações deveria ser aumentado para 45. Michael quase desistiu da empreitada e só assinou o contrato depois de saber que Prince, por quem nutria uma estranha rivalidade, já tinha feito uma temporada de 21 shows na arena inglesa. E assim nasceu "This is It", a turnê que foi sem nunca ter sido.
Foi nessa negociação envolvendo os shows em Londres que Michael exigiu, em contrato, o acompanhamento de um médico pago pelos contratantes. Hipocondríaco e viciado em analgésicos, o cantor mais famoso do pop mundial também é descrito no livro como alguém capaz de tudo para conseguir as drogas que o faziam sentir melhor; o que envolvia um sofisticado sistema de aquisição de receitas, prescritas para pacientes de variadas identidades. O abuso das drogas - sobretudo dos analgésicos - levou Michael a uma dependência que, muitas vezes, o deixava com a expressão indiferente; como se não estivesse conectado à realidade. E que, em junho de 2009, foi decisiva para abreviar uma carreira que tentava se reconstruir, depois que a arte cedeu o lugar para os escândalos na vida de Michael Jackson...
Ainda não terminei o livro, mas tô realmente gostando muito! E se você também gosta do Rei do Pop, recomendo! 

21.12.09

Na cabeceira: Marilyn e JFK...

Agora que a vida voltou a um ritmo mais tranquilo, pude, finalmente, voltar a ler diariamente. E a escolha - feita na última noite - parece bem acertada: Marilyn e JFK, de François Forestier, já começa num ritmo de thriller, com uma descrição precisa do assassinato de John Kennedy, em 1963.
Comprei o livro na bienal, interessado pelos bastidores de um dos mais tórridos e explosivos casos de amor da história recente. E, até aqui, o texto sagaz de Forestier não dá pistas de que vá me decepcionar.


E vocês, hein? Andam lendo o quê?

8.8.09

A magia e a loucura de Michael...

Quem acompanha o B@belturbo há algum tempo sabe que eu sou um leitor fervoroso de biografias. Já li sobre as vida de Carmen Miranda, Tim Maia, Garrincha, Silvio Santos, Paulo Coelho e Olga Benário, só pra citar algumas. E, cada qual a seu modo, essas histórias de vida sempre acabam me encantando bastante. Claro, umas mais, outras menos...
Agora, obviamente motivado pelos recentes acontecimentos, comecei a ler a biografia de Michael Jackson, "A magia e a loucura", de J. Randy Taraborreli. A edição é anterior à morte do Rei do Pop e, por isso, todas as referências ao artista são feitas no presente, como se ele ainda estivesse vivo. Mas esse detalhe não tira o valor do livro.
Baseado em várias entrevistas - algumas, com o próprio Michael - o autor traça um painel sobre a vida do maior e mais controverso nome do cenário pop mundial. Desde a infância dos pais até a explosão do sucesso, passando por todas as agruras enfrentadas durante os ensaios do grupo que Michael formou com os irmãos.
Como disse, estou no início da leitura: li pouco mais de 50, das 629 páginas dedicadas a contar a impressionante trajetória do menino negro e pobre que se tornou um homem branco que conheceu, como ninguém, todos os altos e baixos da fama. E se impressiona essa história de superação, também há detalhes impressionantes: alguém sabia que o tataravô materno de Michael foi escravo? E a descrição das surras que o menino levava, antes mesmo de completar cinco anos de idade?
Em relação ao pai de Michael, o livro não economiza: descreve-o como um homem rude, violento, adepto de métodos e mecanismos pouco usuais para educar os filhos. E deixa claro que foram poucos os momentos de integração entre o idealizador dos Jackson Five e os filhos-prodígio.

Tô gostando da leitura! E é provável que volte a falar do assunto aqui...

25.5.09

Às voltas com Os Autores...

Tô terminando de ler o primeiro volume de Autores, o livro de entrevistas com os principais escritores de novelas da televisão brasileira.
Algumas considerações:
Carlos Lombardi me surpreendeu. Com novelas cheias de homens descamisados e de situações pouco usuais, demonstrou ter grande preocupação com a composição dos perfis psicológicos dos tipos que cria. E, longe do maniqueísmo, faz questão de pensar em tipos humanos, que mesclem o bem e o mal, como cada um de nós. Além disso, fala de questões ligadas a orçamento e de como isso afeta o trabalho do autor.
Pra mim, o melhor depoimento do primeiro livro.
A decepção ficou por conta da entrevista de Gilberto Braga. Mas isso nada tem a ver com o entrevistado. O autor enumera várias situações difíceis que enfrentou em algumas de suas produções e em nenhum momento é indagado a contar como fez para superá-las. Uma pena!
Glória Perez também dá um depoimento interessante. Fala do merchandising social, que ajudou a implantar na telenovela brasileira, e de sua parceiria com Janete Clair, a mão do foletim televisivo no Brasil.
Tô ansioso para começar o segundo volume, com entrevistas de João Emanuel Carneiro, Walcyr Carrasco e Silvio de Abreu, entre outros.
Assim que terminar, conto aqui!

3.5.09

A leitura do momento é...

Autores, da Editora Globo. Ainda tô bem no início, mas já dá pra perceber como são curiosos os caminhos de alguns dos responsáveis pelos maiores sucessos da teledramaturgia nacional. Aguinaldo Silva, por exemplo, chegou ao mundo da TV por um completo acaso: era repórter de polícia e, depois de pedir pra sair, foi convidado para colaborar com uma série que retrataria o cotidiano de...repórteres policiais.
Como disse, tô no início da leitura - e são dois livros! Mas tô curtindo. Só lamento que, em vez de um texto, a publicação tenha se dado sob o formato de entrevista pingue-pongue. Acho um pouco cansativo.
Mas indico para os apaixonados pelo universo da teledramaturgia...

E você? Lendo o que no momento?

2.3.09

Dicas para ouvir e ler...

Esse post poderia fazer parte de uma série nova, algo como "antes tarde do que nunca". Mas o que importa é que, enfim, chegou a hora de falar de um belíssimo Cd e de um ótimo livro. Mas vamos por partes...
Quando Clara Nunes morreu, eu tinha menos de três anos. E nos vinte e cinco seguintes, ouvi e vi pouquíssima coisa dela, embora tenha em minha memória canções como Conto de Areia, O mar serenou e Morena de Angola. Semana passada, depois de gravar uma entrevista numa megastore, dei uma fuçada na prateleira de discos e encontrei um duplo dedicado à obra dessa grande cantora. Clara Nunes Guerreira é um discaço! Pra fãs novos - como eu - e também para os de longa data! Cheio de sambas de primeiríssima categoria, esse é, de cara, um dos melhores discos da minha coleção. A remasterização foi primorosa e o resultado deixa a impressão de que Clara gravou nos mais modernos estúdios da atualidade. A edição só não é mais perfeita porque não traz o encarte com as letras das músicas.
Aliás, vale o registro: Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a superar a marca de 100.000 discos vendidos, quebrando a primasia dos homens na indústria fonográfica brazuca. Não é à toa que ela ficou conhecida como guerreira...
A outra dica é literária: dei um tempo na biografia rame-rame do Paulo Coelho - na verdade, deixei essa leitura em segundo plano - e estou me deliciando com o 1808, de Laurentino Gomes. Sim, é outra descoberta tardia, uma vez que a obra foi lançada no embalo das comemorações do bicentenário da vinda da Família Real pra essa terrinha, celebrado no ano passado. Mas o que vale é que descobri o livro e a leitura é gostosa demais! Laurentino, cascudo jornalista que, com a obra, ganhou status de pesquisador, traz novos fatos sobre a conturbada fuga da corte portuguesa para a então colônia e, de quebra, mostra empenho em escrever numa linguagem atual e sedutora - tudo que falta à academia. Em suma: 1808 é um prato cheio para os amantes de bons livros e da História do Brasil - como eu!
É isso! Se possível, curtam as dicas! E contem o que vocês estão lendo e ouvindo, ok? Bora fazer a informação circular...

1.2.09

O que você está lendo agora?

Eu sempre falo aqui sobre os livros que estou lendo e se ultimamente não tenho tocado no assunto é porque estou envolvido com uma leitura não tão cativante. E isso, aliás, explica o fato de estar levando tanto tempo pra chegar ao fim do livro...
Estou falando de O Mago, a biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais. Ao contrário de outras biografias ótimas que já li - algumas, aliás, de autoria do próprio Morais - O Mago está me soando muito benevolente em relação ao personagem-título. E quando não segue esse caminho, parece reducionista ao descrever Paulo Coelho como um obcecado pela fama ao longo das 400 páginas iniciais.
Outro dia, ao comentar um dos posts, a Sandra me pediu dicas de leitura. Para os fãs de biografias - e para os fãs de Paulo Coelho - eu indico O Mago. Mas acho que a nossa brincadeira pode ficar mais interessante se, nos comentários desse post, todo mundo responder à pergunta do título: afinal, o que você está lendo agora?
Comentaê!

22.1.09

A Blitz segundo Rodrigo Rodrigues...

Conheci Rodrigo Rodrigues na UTV, o Canal Universitário aqui do Rio. Eu estava começando a gostar da brincadeira de fazer TV e Rodrigo, alguns aninhos mais experiente..rs, já estava bombando com o Caderno U. Participei duas vezes do programa e, nas duas, o cara foi muito bacana comigo!
Depois disso, nos vimos pouco. Uma vez ele me fez uma visita rápida na TV. E acho que cheguei a retribuir quando estive lá em Sampa, na Cultura, gravando matérias sobre os bastidores da TV. Depois, conversas rápidas pela web onde trocamos impressões sobre nossas caminhadas - ele, achando maneiro o tom mais formal que eu segui no Salto; e eu me divertindo com as peripércias do cara no Vitrine, no Teleton e até num programa de fofocas do SBT...
Apesar do pouco contato, Rodrigo é um cara a quem quero muito bem! Pelo profissional que é e, também, por termos começado a carreira pelo mesmo degrau: o da ralação ampla, geral e irrestrita!
Por isso, fiquei muito contente com a notícia que recebi, do próprio RR, na madrugada de hoje, pelo msn: a janelinha piscou e era o link com o hotsite de As aventuras da Blitz, livro do próprio Rodrigão. O site é um barato: dá pra ler um trecho do livro, ter informações sobre o autor, ver fotos e assistir a alguns vídeos bem bacanas.
Aos cariocas, vai mais um aviso: no dia 3 de fevereiro, Rodrigo Rodrigues vai autografar o livro na Livraria da Travessa, no Leblon, a partir das 19h. Além de comprar e sair com uma dedicatória bem bacana, é uma ótima oportunidade pra bater um papo reto com esse cara boa gente que é o Rodrigo.
Turma, essa é uma dica excelente!
RR, merda, meu irmão! E tudo de bom nessa vida!

29.12.08

Sobre a biografia de Paulo Coelho...

Tô aproveitando a folga pra dar um gás na pilha de livros que se formou na minha mesinha de cabeceira. A pedida do momento é O Mago, a biografia de Paulo Coelho escrita pelo craque Fernando Morais.
Confesso que não gosto dos livros do Paulo Coelho - nunca cheguei a ler um por inteiro. Mas a história de sucesso do escritor que sonhava com esse ofício desde a adolescência me cativou. Somado a isso, o enorme talento de Fernando Morais para narrar a vida de grandes personalidades.
Ainda tô lá pela página 150 - são 619 ao todo - mas já deu pra me espantar com a trajetória do Mago. Só pra se ter uma idéia, Paulo foi internado num hospício pelos próprios pais, antes dos 20 anos. Eles não compreendiam o estilo de vida do filho, que não reconhecia na escola um espaço que poderia lhe ajudar a ter uma vida melhor. Paulo buscava na literatura o seu crescimento. E o desejo de se tornar um escritor também não era respeitado pela família. De cara, pagou uma etapa de 28 dias dentro do hospício...
Punk, né? E é só o começo...

3.9.08

गणेश *

A imagem de Ganesha sempre me intrigou. Olhava fascinado para o ser, meio humano, meio elefante. Nunca tinha pesquisado sobre o assunto, mas, lendo "A cura de Schopenhauer", descubro a sabedoria do símbolo indiano: a cabeça grande quer dizer que é preciso pensar muito. As orelhas, igualmente grandes, nos lembram de que é preciso ouvir mais, a boca pequena é um recado para falarmos menos. E os olhos, também pequenos, significam que precisamos nos concentrar mais.
"A cura..." não trata diretamente dessa temática - aliás, depois faço um outro post sobre o livro. Mas, desde que li o trecho em que a figura de Ganesha é explicada por um personagem hindu, fiquei ainda mais fascinado pela imagem...
Pra pensar, né?

* O título do post está escrito em hindi - mais uma maravilha do Google Tradutor. Os caracteres formam a palavra Ganesha. E se você quiser saber mais sobre o "Destruidor de Obstáculos", clique aqui.

17.5.08

Livro revela quem poderia ter sido Dom Pedro III

Faz tempo que não indico uma boa leitura aqui, mas isso não significa que eu esteja rompido com minha mesinha de cabeceira. Muito pelo contrário: estou devorando as páginas finais de "O Príncipe Maldito", de Mary Del Priore.
Para os amantes de História do Brasil, como eu, é simplesmente fascinante conhecer os meandros da situação que acabou levando ao fim da monarquia. Também é surpreendente conhecer a intimidade da família imperial e a guerra de foices pelo trono, naquele que poderia ter sido o III Reinado.
O protagonista deste romance de não-ficção é Pedro Augusto de Saxe e Coburgo, neto de Dom Pedro II; filho da princesa Leopoldina, vitimada por uma febre tifóide que a tirou da disputa pela coroa aos 23 anos. Com a morte de Leopoldina, Isabel, a filha mais velha do Imperador, passou a ser a herdeira direta do trono. O segundo da fila passou a ser Pedro Augusto.
Diante dessa situação, a autora conta com riqueza de detalhes as tramóias que ganharam espaço no coração da monarquia brasileira. Casada com um francês, Isabel não dispunha de muito carisma junto aos súditos - algo que me surpreendeu, dadas as antigas aulas de História que sempre endeusaram a princesa, autora da Lei Áurea.
Já Pedro Augusto, apresentado como jovem, belo, culto e simpático, tinha o apoio de setores importantes da sociedade - como a imprensa - e ainda contava com a simpatia do avó, Dom Pedro II.
O final da história, todos sabemos: não houve nunca um III Reinado. Isabel e Pedro Augusto jamais chegaram a reinar. Mas esse conhecimento do desfecho da história não é tão fundamental. Afinal, é muito interessante desvendar um capítulo tão importante - e igualmente nebuloso - da história do nosso país. Sem dizer que Mary Del Priore é dona de um texto envolvente e saborosíssimo!
Eu recomendo!

9.1.08

Chamei o síndico pra minha cabeceira...

É muito provável que você já tenha lido um rosário de elogios à biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta. Mas não me custa dizer, aqui no meu canto, que o livro é mesmo um primor! A narrativa do Nelson é deliciosa e Tim, um personagem marcante, com todas as contradições, loucuras, defeitos e qualidades que fazem um mito se tornar tão humano quantos nós, fãs e simples mortais!
Felizmente, tô ainda longe do fim da história. Mas já tenho dado boas risadas ao conhecer o esforço que o pai do soul brasileiro fez para conseguir uma mãozinha dos ex-parceiros e Erasmo e Roberto Carlos no auge do sucesso da Jovem Guarda. É delicioso ver a pontinha de inveja que corroía o gordinho, negro e desajeitado tijucano, que se sabia dono de uma voz muito maior e mais marcante que a do futuro Rei, bicho.
Pedidaça pra você que, como eu, não dispensa uma boa leitura nas férias. Ou melhor, em qualquer parte do ano...