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16.3.15

Um dia estranho

Manifestação com pauta difusa cedeu espaço para reivindicações absurdas

Acho que toda e qualquer manifestação realizada com o objetivo de cobrar direitos e serviços é válida. Do mesmo modo, também considero salutares as demonstrações coletivas que tenham o objetivo de pressionar governos - em qualquer nível - para, assim, lembrá-los que os interesses dos cidadãos devem ser considerados quando da tomada de decisões.
Embora as considere pouco efetivas, acho também pertinentes as manifestações coletivas contra a corrupção e a impunidade. E me explico: visto que ninguém se assume publicamente favorável a uma ou outra coisa, sair às ruas manifestando essa contrariedade parece clamar pelo óbvio; parece coisa de quem não consegue enxergar além do senso comum. Creio que manifestações dessa natureza carecem de uma pauta clara, de um objetivo comum. No momento atual, penso, a pauta para quem pretende combater esse combate é a da reforma política. E me incluo nesse grupo, vale dizer.
Acontece que as manifestações de ontem pareceram boiar num mar de senso comum. E, pior do que isso, quando se permitiram ir além desse pensamento mediano, tomaram caminhos assustadores. Não consigo conceber um cidadão de bem, ainda que incomodado com a atual situação do país, que se permita militar nas ruas ao lado de alguém com uma faixa onde se vê a suástica. Igualmente me intriga pensar nas "famílias inteiras, em clima de paz" dividindo a rua com pessoas que empunhavam cartazes onde se lia - inclusive num inglês constrangedor - clamores pela volta da ditadura militar. 
"Eram poucos", alguns dirão. Não importa, respondo. Ao dividir o mesmo espaço com gente assim, você valida esse discurso. Ao aceitar militar ao lado de quem defende pautas radicais, extremistas e ilegais, você caminha para se tornar mais um deles. Aliás, nas fotos e imagens de TV, nas estatísticas da polícia, "dos organizadores" e dos institutos de pesquisa, quem escolheu marchar ao lado de pessoas com tão deprimentes reivindicações já se tornou um deles. 
Por fim, lembram de um ditado popular sobre se misturar com porcos e comer farelo? Pois bem. Entre os "convocadores" dos protestos de ontem, estavam Silas Malafaia, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro. Gente que, talvez, até traga algum orgulho para quem resolveu ganhar as ruas e assinar o cheque em branco em que se converteram essas passeatas sem foco. Mas, pra mim, esse é o tipo de gente que sempre estará do outro lado. 
Obrigado, mas do farelo deles eu só posso querer distância.

11.3.15

O Brasil precisa amadurecer

Cinco meses depois das eleições, eleitores ainda se digladiam como se Dilma e Aécio
ainda estivessem disputando. E o país só perde com isso...
E nos últimos dias, reeditando um triste fenômeno que muita gente pode vivenciar durante os meses da última campanha eleitoral, as redes sociais voltaram a se transformar num campo de batalha. E não me utilizo de uma figura de linguagem; não se trata de uma metáfora, uma vez que a luta não se dá no campo ideológico. São ofensas, agressões, insultos e arranca-rabos de todos os graus. Tem de tudo, menos maturidade...
A cena política brasileira se converteu nos últimos tempos numa espécie de 8 ou 80 que, além de limitador, só tem empobrecido o diálogo e impedido o avanço do país - e do pensamento. E, pior do que isso: diante dessa polarização, os dois lados passaram a contar com defensores / torcedores apaixonados, que tratam o país como um grande campeonato de futebol; ignorando a premissa básica de que, nesse caso, todos os brasileiros deveriam lutar por um objetivo comum e que, assim sendo, a vitória não seria de eleitores do PT ou do PSDB, porque um Brasil melhor, de pé, será melhor para todos nós.
Atribuir a um partido a responsabilidade pelos males do país - sobretudo o mais grave deles, a corrupção - é, com boa vontade, ser desonesto. Desonesto com a história, com os fatos que a escreveram e continuam a escrevê-la e com aquilo que, se ainda não é, deveria ser do conhecimento de todos: não se pode estipular uma data de início da roubalheira em nosso país. Por quê? Porque aqui, infelizmente, sempre se roubou. E muito! Ou alguém se esquece que fomos uma colônia de exploração e que, portanto, o que aqui se obtinha não era aplicado em benefício do novo território e de seu povo? Se os barões contemporâneos mandam seus dólares por vias escusas para os paraísos fiscais, séculos atrás era o império a abrir a boca pra surrupiar as riquezas aqui extraídas. Não me parece estranho supor que essa lógica tenha se cristalizado e, repetida geração após geração, tenha acabado por parecer natural.
Ainda nessa perspectiva histórica, que tal se dermos um salto no tempo rumo a um passado menos remoto? O passado da ditadura militar. Censura ampla, geral e irrestrita; sindicatos e organizações privados de um funcionamento livre, imprensa amordaçada. É possível crer que não se roubava nessa época? É aceitável a ideia de que, num cenário em que sequer era fiscalizado pela imprensa e por outros organismos, o governo agia com retidão? Desculpem-me, mas pensar assim me parece inocência. Ou ignorância. Ou, reafirmo, desonestidade! E não me venham falar que o país era melhor naquele sombrio período em que os opositores eram mortos, desaparecidos, presos, expatriados, silenciados! Época em que, como vira e mexe lemos, a silenciada corrupção já levava muito.
Hoje, temos um país aberto, democrático. Uma imprensa livre - e questionável, claro. Avançamos nesses dois pontos mas, no terreno da política, a época ainda é a das cavernas. Enquanto parlamentares querem definir o conceito de família seguindo preceitos religiosos; enquanto há uma bancada da bala no parlamento; enquanto um deputado ofende mulheres, negros e homossexuais sem que nada lhe aconteça; enfim, enquanto tudo isso tomou de assalto os noticiários, Brasília foi virando uma espécie de pastiche de si mesma. O congresso, eleito para nos representar, não teve pudores de negar qualquer movimento favorável a maior participação popular nas tomadas de decisão. Congressistas também não tiveram vergonha de dizer não a um plebiscito que envolvesse a sociedade na construção de uma reforma política. Ou seja: em dois casos - e há outros - não houve a menor disposição em sequer disfarçar que os desejos da sociedade não lhes interessam. E a nós? 
Bem, nós nos calamos.
Nós vergonhosamente, covardemente e tristemente nos calamos!
Iniciado o segundo mandato de Dilma, as medidas impopulares vieram. Eram favas contadas, como sabiam - e defendiam - todos os economistas. Era o que havia por ser feito. Era o que Aécio também faria - e talvez, sob o PSDB, o país viria a experimentar um ajuste ainda mais rigoroso. 
Pois bem: era o que pedia o mercado. Era o que faria a oposição. Era o que teriam os eleitores do candidato tucano. Dilma fez. Resultado: o mercado, a oposição e os eleitores de Aécio se voltaram contra o governo. Setores da mídia, mais raivosos que qualquer partido de oposição, também se voltaram contra o governo. Não dizem, mas tá na cara! Tá nas manchetes, tá nas fotos, tá na cara dos colegas que emprestam seus corpos e vozes para que os donos da informação digam e defendam o que querem. O que querem pra si e o que querem nos fazer crer que também queremos. E nós?
Bem, alguns de nós bateram panelas.
Sim, alguns de nós, vergonhosamente, covardemente e ridiculamente batemos panelas!
Os jornais não dizem isso claramente, mas as panelas estridentes não ressoaram nas periferias. Talvez por lá estivessem todas cheias na noite do último domingo. Talvez as classes mais populares não tenham tantos motivos para protestar contra o governo. Talvez as classes mais populares tenham entendido que as eleições acabaram e que o momento é de trabalhar - governo e sociedade - para que o país entre novamente nos trilhos. Talvez as classes mais populares não engulam tão facilmente a ideia de que "nunca se roubou tanto no país" porque nos últimos anos, como indicam todos os índices, pela primeira vez em nossa história lhes tenha sido oferecido uma parte do bolo do crescimento da economia brasileira.
Agora, enquanto informam, jornais e TVs reforçam a existência de uma "grande manifestação" marcada para o próximo domingo, num explícito exercício de futurologia, uma vez que não se deveria adjetivar uma manifestação que ainda não se concretizou, ainda não ocorreu. Tempos estranhos...
É óbvio que o clima não é bom. É óbvio que a popularidade do governo está em xeque, sobretudo depois das tais mudanças impopulares - que não têm esse nome aleatoriamente. Mas também me parece óbvio que há um movimento oportunista que quer se valer disso para desestabilizar ainda mais o andamento do país; sim, porque desestabilizar um governo é comprometer o andamento do país. Mais que isso: esse movimento se aproveita da notória carência de formação ( e informação) política de grande parte do eleitorado.
O fato é que temos um sistema político viciado em corrupção e uma população que centraliza suas expectativas e cobranças no Executivo, sem dar a menor importância ao Legislativo. Depois, quando vem à tona um escândalo que apenas confirma aquilo de que todos sempre desconfiavam, a conta toda é jogada no Planalto. Talvez porque seja mais fácil. Talvez porque não se tenha cultura política para envolver toda a sociedade na fundação de um novo modelo. Talvez porque estejamos contaminados demais pelo imediatismo, por essa onda tão descartável; não serve, troca. E aí vai desde o celular até a presidência da república. Não sou a favor do "Fora, Dilma", não fui a favor do "Fora, Lula" e nem do "Fora, FHC". Democracia não é Lego, não dá pra agir montando e desmontando cenários. 
O Brasil precisa amadurecer muito e a conjuntura atual só reforça isso.

28.1.15

O jeito nosso de cada dia...


Hoje, depois de longo e tenebroso inverno sem pegar um coletivo, retomei a relação com um exemplar da espécie. Tava tudo indo muito bem até eu perceber, menos de 100 metros depois do embarque, que o motorista simplesmente não conhecia o trajeto da linha. Mais: estava sendo guiado pelo cobrador.
Normal, pensei. Todo mundo precisa de auxílio quando começa num emprego novo. Relaxei. A viagem seguia com o trocador indicando os pontos para o piloto (esse é nosso! Nesse não, parceiro!) seguindo as indicações definidas pela prefeitura no tal do BRS - com o qual, aliás, também não tenho a menor afinidade, porque sou do tempo em que tudo que é ônibus parava em tudo o que é ponto, mas...essa é outra história...
Enfim, aquela espécie de curso prático de motorista seguia diante dos meus olhos quando, na Praia do Flamengo, veio o primeiro susto: o aprendiz de condutor queria fazer uma curva à esquerda - ignorando completamente o rumo a ser tomado. O cobrador, atento, corrigiu o equívoco e iniciou uma breve palestra sobre os limites de velocidade na praia do Flamengo. "Aqui é mais rápido andar de patinete ou carrinho de rolimão (sic) porque ninguém pode meter mais que 60", advertiu. Mas também não precisa andar a 30km/h, pensei, mas respirei fundo e me diverti com a situação. Primeiro dia, caramba. O cara tá inseguro. Super compreensível...
Eis que, no fim da Praia do Flamengo, o motorista novato não seguiu pela Praia de Botafogo. "Ih, me distraí, foi mal", gritou o cobrador-navegador, atrasado e ciente da confusão criada. 
- Que ônibus é esse, mermão? - berrou um passageiro.
- Não sabe dirigir, fica em casa! - advertiu uma senhora estressada e com voz de tenor.
- Pultaquimilpariu, resmungou o senhor que suava num terno no banco ao meu lado.
Não disse nada. A simpatia pelo motorista-de-primeira-viagem acabou, admito. Ele não tem culpa, claro. Mas não pode ser séria uma empresa - ou uma cidade - que permite uma situação dessas. Imagina um médico operando assim? Um engenheiro atuando assim? Não pode! Não dá!
"Quem quiser descer, desce aqui. É o jeito!", sugeriu o trocador, que também seria reprovado se estivesse sendo avaliado como formador de condutores. Puxei a cordinha e desci. Foi o jeito. O jeito que cada um de nós, o tempo todo, é obrigado a dar num país que se move aos trancos e barrancos; desprezando regras, leis, fluxos, processos; trocando tudo pelo jeitinho. 
Ê, Brasil...

27.10.14

Viva o Nordeste!!!


Tenho sangue nordestino nas veias: meu pai era de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Se não fosse carioca e se não amasse tanto a minha cidade, escolheria Salvador pra viver. Pela beleza de suas praias, pela comida maravilhosa, pelo astral que a gente sente no ar assim que chega, por ter dado ao país tanta gente boa pra fazer música, pelo carnaval que adoro, pelo povo festeiro e carinhoso! E aí, meu rei, se morasse em Salvador, eu seria uma espécie de desbravador do nordeste...
Sim, porque se morasse em Salvador, eu estaria sempre na bela Aracaju, iria me esbaldar vez por outra em Mangue Seco, curtiria finais de semana na bela Fortaleza ou em João Pessoa...
Iria sempre ao Recife, terra linda, que dizem ser a mais bonita da América Latina, lugar de tantos amigos amados. Passaria sempre em São Luís, pra lembrar das cores, cheiros e sabores que só o Maranhão tem. Passaria os feriados prolongados em Maceió, o Caribe brasileiro, dona do mar mais bonito que pode existir: cristalino, quentinho e acolhedor. 
Se morasse em Salvador, meu sangue nordestino ia me levar a conhecer Teresina, capital do Piauí, única parte dessa região tão fantástica que ainda me falta visitar.
Eu amo o nordeste! 
Hoje, se há algum verdadeiro motivo pra se estar de luto, me desculpem, é a exacerbação de tantos e tão deploráveis preconceitos nessa rede social.
E se você, meu amigo, minha amiga, está de luto e não é preconceituoso, um alerta: você está se perdendo num mar de gente que destoa de tudo aquilo que se pode julgar como admirável; está usando o mesmo rótulo que está sendo usado por gente que tá por aqui propagando o lado mais degradante do ser humano...
Viva o Nordeste! 
Viva o povo nordestino! 
E viva o Brasil!!!

26.2.14

Acorda, Brasil!

Meus amigos me definem como um otimista. Acho que estão certos. Entre tantas formas de ver o mundo, tendo a enxergar sempre a que oferece possibilidades de avanço, crescimento. Creio na melhoria, o que não faz de mim um alienado, claro. Mas é muito difícil pensar dessa forma quando a gente se depara com uma vida real muito, muito diferente do que se acredita ser o melhor. Agora, lendo um post de um amigo, vi um comentário - de um amigo do meu amigo - celebrando a condenação de homossexuais a pena de morte em Gana. 

Sim, celebrando! 

Pode ser uma brincadeira idiota apenas, mas não me engano: muita gente pensa assim. Muita gente acha que as diferenças devem ser eliminadas sempre - como se isso resolvesse problemas criados por ideologias, não pelas pessoas. É gente que quer ver gay morto, pobre exilado em favelas cada vez mais distantes e inóspitas, beneficiários do Bolsa Família voltando a passar fome sem o benefício e menores infratores sendo linchados em praça pública - como voltou a ocorrer hoje. Isso só pra citar alguns exemplos. Gente que coloca o próprio umbigo acima de qualquer valor humanista e que afasta, de pronto, qualquer possibilidade de diálogo e de entendimento com o que lhe parece diverso. Essa gente desorientada que  não vê incoerência entre vaiar o prefeito e celebrar o carnaval atrás do bloco que a prefeitura patrocina - achando o máximo o fato de a folia ter crescido tanto aqui no Rio nós últimos cinco anos. Uma gente de quinta que briga por tudo, que destrata, maltrata e não se retrata. 

Acorda, Brasil. Se o país é essa merda toda, é porque sobra esterco no DNA de todos nós. E não precisa de laboratório nenhum pra constatar: e só sair na rua pra ver. Ou navegar um pouco nas redes sociais...

13.2.14

A política na era das redes sociais x o caos da informação e das opiniões

Se um amigo turista, capaz de entende português, abrisse o Facebook e fosse ler os meus feeds teria imensa dificuldade para fazer uma leitura racional dos últimos acontecimentos. Isso porque as redes sociais se converteram numa miscelânea de leituras - todas pretensamente politizadas - do momento atual. Um post, compartilhado por uma famosa colunista de O Globo, atribui a Dilma, Cabral e Eduardo Paes a "infiltração de baderneiros nas manifestações". Outro, lança dúvidas sobre a isenção de Marcelo Freixo, do PSOL, e aponta para uma suposta leniência da legenda em relação aos "black blocks". Muitos se arvoram no papel de peritos e duvidam da identidade do rapaz de camisa cinza, divulgando - sem parcimônia - fotos de um outro rapaz, como se fosse esse - até então desconhecido - o responsável pelo lançamento do rojão que atingiu e matou Santiago. E por aí vai...
Entendo a avidez pela "verdade". Mas acho que esse furor, potencializado pelo poder e pela velocidade da informação compartilhada em tempo real pode causar muito ruído. O rapaz da camisa cinza, por exemplo, postou um longo desabafo no próprio Facebook, reclamando do compartilhamento de sua foto e alertando para o fato de ter sido acusado sem provas. "Virei bandido?", pergunta. Se quisesse, poderia processar todos os que compartilharam suas imagens e lhe atribuíram a responsabilidade por algo de que se alega inocente.
Quanto ao uso político das manifestações, nitroglicerina pura. Mas supor que, em ano eleitoral, a presidenta da república esteja por trás das ações violentas desses manifestantes me parece uma hipótese fantasiosa - para dizer o mínimo. Será que os defensores desse argumento não imaginam que Dilma será questionada pelos oponentes exatamente pela inda de protestos violentos que tomaram o país? Esqueceram como o governo se mostrou surpreendido pela violência das mesmas manifestações, o que provocou, inclusive, um pronunciamento em cadeia nacional? Isso tudo é desgaste, gente. Desgaste que a presidenta enfrentou ao se posicionar publicamente sobre o tema - o que, aliás, ela tem feito muitas vezes desde então.
Cabral, que parece ter desistido de governar há tempos, sinceramente não me parece em vantagem ao orquestrar um plano como esse. Toda a sua impopularidade só tem crescido desde o início das passeatas. Adicionar à essa mistura um punhado de violência arruinaria ainda mais sua imagem. Seria a pá de cal sobre toda e qualquer pretensão política futura. 
Eduardo Paes tem a simpatia de boa parte do eleitorado. Pode mudar, mas ainda é assim - sobretudo nas comunidades e no subúrbio. O aumento das passagens de ônibus, definido por ele, está na origem das manifestações cariocas. Mas a impressão que se tem é a de que, apesar de tudo isso, o prefeito atravessa esse momento conturbado sem grandes prejuízos em sua imagem. E isso se deve ao caos vivido pelo carioca por conta das obras para as olimpíadas, às constantes mudanças no trânsito e a outras ações que transmitem à boa parte da população a ideia de que o prefeito está fazendo o seu trabalho. 
Freixo, cujo nome apareceu no noticiário numa manchete que envergonha qualquer jornalista sério, parece realmente correto demais para usar recursos tão odiosos em nome de uma eventual chegada ao poder. Se tem um pecado - e, na minha opinião, talvez seja esse seu calcanhar de Aquiles - foi não deixar claro para a opinião pública que seu apoio se limitava aos manifestantes que foram vítimas de ações violentas da polícia, e que, portanto, não se estendia a black blocks saqueadores de loja, depredadores de agências bancárias e afins. Por boa vontade e, talvez, por uma certa inocência política, acaba tendo o nome vinculado a ações que desagradam o eleitorado que poderia migrar para sua candidatura nas próximas eleições. Resta saber como vai virar esse jogo...
Mas há outros importantes atores políticos em jogo. Gente que quer sepultar Cabral, desestabilizar Paes e inviabilizar Freixo. Há de tudo. A coisa é sempre mais complexa do que parece. Por isso, a meu ver, é preciso ter muita cautela antes de sair compartilhando qualquer coisa por aí. Sem querer,  podemos estar cumprindo exatamente um script elaborado por gente da pior espécie, com as piores intenções. 
Mas essa é apenas a minha opinião...

9.9.13

Sobre a morte de Champignon...

Sempre passo pelo Twitter antes de dormir. Geralmente, para ler amenidades da @diImabolada ou a coluna de TV do @flavioricco. Mais ou menos um hora atrás, cumpri meu ritual e me deparei, de cara, com um tuíte do @fefito, jornalista de São Paulo, citando uma notícia - então ainda não confirmada - sobre o suposto suicídio do músico. Choque!
O @fefito sugeriu que os interessados acompanhassem o facebook do Gui Toledo, que fazia um live feed sobre o assunto. Fiz isso e, infelizmenfe, a notícia foi se confirmando. Em poucos minutos. CBN, Folha de São Paulo, R7 e G1 soltavam a confirmação.
Conheço muito pouco sobre o Charlie Brown Jr. Mas sei o suficiente para imaginar que muita gente deve estar arrasada - ou ficará arrasada pela manhã, quando souber de mais essa morte. Que Deus possa confortá-los, assim como aos familiares e amigos do Champignon.
Do meu canto, fico pensando que a internet mudou radicalmente nossas formas de buscar os fatos. Mudou caminhos, estratégias, fontes. Mudou tudo! Só não mudou, em mim, essa sensação de espanto diante de uma notícia como essa.
Tristeza...

17.8.09

Trago amargo...

Não cheguei a avisar aqui, mas passei o último final de semana em São Paulo. Foi uma boa oportunidade para rever amigos e matar as saudades da Terra da Garoa, um lugar que me agrada mais a cada visita...
E é de Sampa que tirei o tema desse post: a lei que proibiu o fumo dentro de ambientes fechados. Boates, restaurantes, bares, lojas e todos os recintos públicos podem ser multados se algum cliente infringir o que determina a nova - e polêmica - regra.
Em tese, a lei é muito bem intencionada: protege o ar e os pulmões dos fumentes passivos - entre os quais, esse blogueiro. Mas não se pode negar que a decisão é um tanto arbitrária. Nas baladas paulistanas, o rigor é enorme. A ponto de, nas boates, o fumante ser obrigado a pagar a conta para, só depois, sair e fumar. E, se quiser continuar no clube, abrir uma nova fatura e entrar de novo. E repetir as operações a cada vez em que sentir necessidade de fumar. Uma loucura, como diria a filósofa Narcisa Tamborindeguy...
Polêmico, não?
E você? O que acha dessa nova lei anti-fumo? É a maneira ideal de combater o vício ao cigarro?
Comentaê!

7.8.09

Senado: seria cômico...

Aconteceu de novo...

Atentem para José Sarney, que me pareceu perguntar a uma assessora qual botão faria soar uma campainha "maior" para repreender a falta de decoro dos parlamentares. Sem contar no non sense de, depois do circo pegar fogo, anunciar que a sessão seria suspensa por...dois minutos!!! Parece slogan da BandNews: "em dois minutos, tudo pode mudar..."
Gente, na boa...assim vira concorrência desleal com o pessoal do CQC, do Pânico, da Praça e da Casseta! E nem vou falar daquele outro humorístico de sábado a noite porque, pelo visto nos últimos dias, o Senado virou a própria Zorra Total!!! E o pior é que a gente sabe que tudo, cedo ou tarde, vai se acertar na base do Toma Lá, Dá Cá...
Fala sério!

29.6.09

Celebridades clamam: #ForaSarney

Movimento de repúdio aos atos do presidente do Senado no Twitter une atores, apresentadores e cantores...

Um grupo de artistas está causando o maior reboliço, nesse momento, no Twitter. Denominados como Piratas do Twitter, Marcos Mion (@mionzera), Rodrigo Scarpa (@rodrigovesgo), Junior Lima (@Junior_Lima), Bruno Gagliasso (@bgagliasso), Felipe Solari (@felipesolari) e Fernanda Paes Leme (@FePaesLeme)lideram um movimento de divulgação da tag #ForaSarney. O movimento, é óbvio, tem o objetivo de atingir o presidente do Senado, imerso num mar de denúncias de condutas impróprias.
Agora, a tag #ForaSarney está entre as mais twittadas pelos ususários do serviço de microblogging. E o grupo de piratas ganhou a adesão de mais um famoso, Luciano Huck (@huckluciano) que, no entanto, enfrenta dificuldades para colocar a logo do movimento em sua conta no Twitter.
A ação dos Piratas do Twitter nessa noite de segunda-feira já deixou pra trás alguns dos temas mais populares do site, como as questões políticas no Irã e em Honduras e o prêmio BET Awards, que homenageou Michael Jackson na noite de ontem.
E você? Acredita nesse arroubou de consciência política ou acha que tem celebridade querendo aparecer, também, no Twitter?


Comentaê!!!


ATUALIZAÇÃO: Na imagem ao lado, um flagrante do momento em que o #ForaSarney se tornou um dos assuntos mais populares do Twitter. Turbinado pela popularidade dos artistas que comandam o movimento, o tópico registrou um enorme volume de referências na rede de microblogging. Pouco depois da meia-noite, o assunto chegou a se tornar mais popular que as referências ao cantor Michael Jackson.

17.6.09

E a crise, de quem é?

Não vi pela TV nenhum trecho do discurso feito ontem pelo presidente do Senado, José Sarney. Mas vindo pro trabalho nessa manhã eu ouvi um duro editorial feito pelo Boechat na abertura de seu programa na Bandnews. O jornalista criticou muito os argumentos apresentados pelo senador, entre eles, o de que a crise é da instituição Senado.
Cheguei à redação e dei uma olhada no que os principais jornais publicaram hoje sobre o assunto.
E senti vergonha. Muita!
Em outros parlamentos, como o britânico, crises parecidas geraram sérias consequências. A podridão também existe por lá - e em qualquer canto do mundo onde se misturem homens, dinheiro, privilégios e poder. O que diferencia o caso brasileiro é a total resistência às mudanças necessárias para que as condutas inadequadas e, digamos, pouco ortodoxas passem a ser menos frequentes.
É muito duro passarmos às gerações mais novas a impressão de que, não importa o que aconteça, nada vai mudar. Isso, a meu ver, contribui para que muitos jovens se desinteressem completamente pelos rumos que o país toma. O que é lastimável...
Pra quem quiser ler mais sobre a crise no Senado, indico o excelente artigo publicado pela jornalista Lucia Hippolito em seu blog.
ATUALIZAÇÃO: Vi um trecho do discurso de Sarney online. Para ver também, clique aqui.

17.5.09

A maior preocupação do brasileiro...

Tava vendo uns gráficos no site da Época, sobre uma pesquisa feita pela ONU. O objetivo da sondagem era ouvir a opinião dos brasileiros sobre o maior problema do Brasil. Numa lista que tinha Educação, Políticas Públicas, Violência, Emprego, Saúde, Meio Ambiente e Judiciário, os entrevistados deviam escolher quais as suas maiores preocupações.
Pela navegada que fiz pelos gráficos (que são interativos) descobri que a maior preocupação dos brasileiros é a educação. Em segundo lugar, vem a violência.
Um dado curioso é notar que só em Sergipe e Tocantins a preocupação com a violência supera a preocupação com a educação.
Por outro lado, é triste constatar como ainda é pequena a importância da temática ambiental para os entrevistados.
Gosto de pesquisas. Acho que é fundamental saber quem somos. Só assim a gente pode avançar e mudar o que não está bacana.
Mas acho que se houvesse o item política, o resultado dessa sondagem seria bem diferente...
E você? Entre essas opções listadas pela ONU, qual mais te preocupa?

7.5.09

Sobre a proposta de reforma política...

Depois do castelo do deputado, das dezenas de diretorias do Senado e da farra das passagens aéreas, lá vem a classe política brasileira propor uma novidade bombástica: a ideia de que o eleitor passe a votar apenas nas legenda e os candidatos figurariam numa lista elaborada...pelo próprio partido!
Essa proposta de reforma política com a criação de um voto em lista é uma vergonha! Com os quadros políticos que temos, já dá pra imaginar quais os critérios que determinarão que um nome figure no topo das listas. E, consequentemente, dá pra vislumbrar o nível de representantes que teremos no Congresso...
Diante de tantas polêmicas recentes vindas lá da capital e, agora, de mais essa proposta absurda, eu fico cada vez mais impressionado com a falta de sensibilidade que alguns políticos não se cansam de demonstrar. Era hora de mostrar trabalho, de pensar em prol do país e de seu povo!
Caramba! Será que os caras não estão percebendo que o filme deles tá pra lá de queimado?
Há luz no fim desse túnel?

24.4.09

Ainda sobre o barraco no STF...

Ontem, depois de um dia inteiro de muito trabalho na TV, peguei o carro e fui direto ao shopping. Precisava cortar o cabelo, que andava grande e desgrenhado demais para quem tem que apresentar um programa ao vivo logo mais...
Pois bem. Patrícia foi a profissional que deu um trato na cabeleira deste blogueiro que vos escreve. Enquanto ela cortava meu cabelo, a TV do estabelecimento estava ligada no Jornal Nacional. Falávamos de amenidades quando começou a matéria sobre o barraco que rolou no STF na última quinta-feira. A matéria mostrou, uma vez mais, todos os detalhes da baixaria protagonizada pelo povo das togas.
Patrícia parou de cortar meu cabelo por alguns instantes: tivera a atenção surrupiada pelo que a TV exibia. Ao fim da matéria, com uma cara de quem me parecia sinceramente chocada, balbuciou:
- Não sobra ninguém nesse país, meu Deus!
Sou capaz de jurar que aquele foi um desabafo. Sim, Patrícia não quis falar comigo. As palavras simplesmente lhe escaparam. Mas, embora sussurradas, eram a mais perfeita tradução do grito que todos os cidadãos honestos devem ter dado diante de cena tão triste e repugnante. Um grito de basta! Um grito de negação a esse país sujo que querem nos empurrar goela abaixo como sendo a representação de uma brasilidade do jeitinho; de um povo que só quer se dar bem acima de tudo - e de todos (nós)!
Notando que eu estava de olho nas suas reações, ela ficou entimidada. E desabafou:
- Os maiores representantes da Justiça do país se tratando dessa forma! E um ainda diz que o outro tem capangas! A que ponto esse país chegou...
Patrícia voltou a cortar meu cabelo calada. Diria até que notei um certo ar de tristeza em seu semblante. A tristeza de quem tem consciência do tamanho da crise ética que esse nosso amado país atravessa...

10.4.09

O resultado da enquete...

Para 57% dos leitores que votaram, o usuário de drogas podem ser responsabilizados pela violência que atinge o Rio de Janeiro atualmente.
Embora ache que essa é uma questão muito séria e que, certamente, envolve muitos outros aspectos, eu concordo com a opinião da turma que escolheu essa opção. Acho que negar essa relação é tapar o sol com a peneira e encarar de forma desvinculada questões unidas por um laço muito forte: o dinheiro!
E acho que enquanto estivermos todos voltados apenas para os nossos próprios interesses, continuará distante o dia em que encontraremos uma solução para esse problema tão sério.
Se é que essa solução ainda é possível...
E você? Acredita?

7.3.09

Um texto curto e (muito) grosso sobre a decisão do arcebispo...

Agora o arcebispo acena com a possibilidade de perdão para os envolvidos no aborto da menina de 9 anos.
Pessoas que ele mesmo fez questão de excomungar...
Por que será que só agora o arcebispo pensou em perdão, hein? Será que a péssima repercussão da sua atitude pesou na balança e só agora ele resolveu jogar pra plateia?
Podemos supor a resposta, mas ninguém - além dele - pode responder. Só sei que se fosse um dos possíveis-futuros-ex-excomungados, eu ia mandá-lo pra um lugar beeeeem feio! E com direito a todos os palavrões que o vocabulário de um excomungado permite!
É a tal história: uma vez no inferno, que tal abraçar o capeta?

1.3.09

As campeãs em vídeo...

Vou postar aqui os vídeos com as minhas preferidas da noite de ontem: Portela, Vila e Salgueiro.
É só o YouTube parar de graça e colaborar...
Conforme prometido, aqui estão os vídeos que fiz com as imagens do Desfile das Campeãs. Pra mim, eles traduzem momentos inesquecíveis, das escolas que fizeram as melhores apresentações da noite: Portela, Vila Isabel e Salgueiro - necessariamente nessa ordem!
Primeiro, a Portela. Que bateria! E que Rainha de Bateria danada é Luma de Oliveira. Fiquei tão empolgado que esqueci de gravar o momento em que, com as mãos, ela comanda os movimentos da coreografia dos ritmistas. E pior: esqueci completamente que o meu celular tem a função zoom. Por isso as imagens ficaram meio distantes...! Mas vale o registro:



Na Vila Isabel, o desfile foi perfeito! Componentes alegres, empolgadíssimos, belas alegorias e um samba envolvente foram ingredientes que, a meu ver, dão o tamanho da injustiça que o quarto lugar representou para a agremiação nesse carnaval. No vídeo, uma das imagens mais impressionantes do espetáculo da azul e branco: o carro do cisne...


E, claro, a grande campeã de 2009: Salgueiro! E aí vale contar uma história rápida. Eu tive a oportunidade de ler o primeiro texto, elaborado para servir de base para todos os trabalhos envolvendo o enredo Tambor. Li e fiquei impressionado com a simplicidade, a beleza e a poesia daquelas frases - e lembro de ter comentado que muitas delas poderiam ser aproveitadas no samba. Algumas foram. E o samba, muito criticado, também me agradou. Achei popular, fácil de cantar e de arrastar o público.

Não entendo nada de carnaval, mas acho que acertei na previsão: Salgueiro é o caldeirão!!! Parabéns à Nação Salgueirense pelo campeonato e, sobretudo, pelo grande carnaval realizado em 2009!

No vídeo: Viviane Araújo e Carlinhos Brown comandam o show da bateria salgueirense, acompanhados pela presidente da escola, que também quebrou tudo. No mais, fotos que fiz com o celular das belas alegorias criadas por Renato Lage.


É isso! E que venha 2010!!!

Minha primeira vez na Sapucaí...

As baianas do Salgueiro, escola campeã do Carnaval 2009



Turma, ontem eu conferi a emoção de assistir aos desfiles das escolas de samba lá na Avenida. E é completamente diferente de tudo o que eu imaginava - o que é positivo, pois nunca fui dos mais empolgados com o carnaval do Rio.
Estar na Sapucaí é entender, por exemplo, a exaltação às Rainhas de Bateria, as vedetes do nosso tempo. É admirar o carisma arrasador de Luma de Oliveira e Viviane Araújo, que num requebo de quadris, levantam toda a galera e garantem o astral lá no alto para a passagem da escola. É sentir o coração pulsar no compasso da bateria e se surpreender com emoções até então nunca antes experimentadas, como um arrepio diante do som emitido pela emblemática águia da Portela ou pelo encatamento dos rodopios de Selminha Sorriso, a porta-bandeira mais famosa da atualidade.
Estar na Sapucaí é ver um carnaval de verdade, cheio de detalhes, diferente da transmissão pasteurizada da televisão. Na passarela, o carnaval é feito por gente. Gente que empurra os carros - menores do que a TV demonstra - gente que canta o samba e contagia até torcidas rivais. Gente que rebola, seduz, encanta e mostra porque essa é a festa da carne. Gente brasileira, que vive para o carnaval, embora nem sempre consiga viver dele.
Estar na Sapucaí, ontem, foi ver uma Mangueira indigna de sua tradição e do sexto lugar. Foi ver uma Grande Rio luxuosíssima, mas fria. Uma Vila Isabel linda, diferente da estética usual na escola, com componentes radiantes, samba gostoso de cantar e com um dos carros mais bonitos desse carnaval: o do Cisne. Estar na Sapucaí ontem foi ver uma Portela emocionante, emocionada, com um belo samba e um carnaval confuso demais. Foi ver uma Beija-Flor jogando dinheiro pelo ladrão, caprichando na beleza e pecando no tamanho da escola, longa demais, pesada demais, que deixou o desfile lento e meio chato.
Mas, sobretudo, estar na Sapucaí ontem foi ver passar o Salgueiro, lindo de cabo a rabo, com um samba gostoso, fácil de cantar e capaz de fazer pular o público das frisas, das arquibancadas e dos camarotes. Foi ver a Academia fazer ecoar o som de seu tambor campeão, que batia no ritmo dos corações de todos que ficaram até a manhã desse domingo a postos, só pra ver passar a vermelho-e-branco da Tijuca. Foi ver e ouvir o show da Furiosa Bateria, capitaneada por Viviane Araújo e Carlinhos Brown, cheios de bossa e suingue.
Estar na Sapucaí foi ver, sim, o maior espetáculo da Terra!

PS.: Gustavo, brigadão, viu? E, uma vez mais, parabéns!

PS2.: As fotos que tirei estão na galeria de imagens do blog, no canto direito do vídeo. Confiram!

PS3.: Sim, gamei em Luma e Viviane Araújo!

PS4.: Sim, minhas preferidas da noite foram Salgueiro, Vila e Portela.

PS5.: Sim, senti falta da minha Mocidade. Mas com o carnaval que ela apresentou esse ano, não ganharia nem concurso de melhor bloco de rua...

PS6.: Em seguida vou postar vídeos curtinhos que gravei com o celular...

21.2.09

Sábado de carnaval...

Quando soube que passaria o sábado de carnaval em Campinas, não posso negar, fiquei bem desanimado. Desde o ano passado vinha planejando mais uma saída pelo Bola Preta e estar longe do Rio exatamente no dia do grande desfile do maior e mais antigo bloco carioca comprometeria, e muito, os meus planos para a folia.
Hoje, vi as imagens do Bola pelo JN e bateu aquela pontinha de tristeza por não estar no meio daquela farra. Mas não posso dizer que tenha tido um dia ruim. Aliás, longe disso...
Trabalhei, é bem verdade. O que, aliás, está longe de ser o melhor programa para um dos dias de festa. Mas, por outro lado, tive a oportunidade de acompanhar belíssimas manifestações da cultura popular brasileira. De manhã, conheci o grupo de Folia de Reis Azes do Brasil; uma turma que leva em frente uma tradição de mais de um século. Bati um longo papo com Seu Tião Mineiro, o Capitão Embaixador da Folia, e fiquei muito feliz por ter encontrado um homem tão cheio de sabedoria, tão humilde e de tanta fé. Fomos - eu e toda a equipe do Salto - recebidos com muito carinho, acompanhamos um belo ritual da Folia e ainda comemos do pão produzido coletivamente, num momento de fé ímpar. Sem falar no cântico entoado pelo Seu Tião em nossa homenagem. Bonito mesmo!
Depois do almoço, lá fomos nós encontrar a turma do Jongo Dito Ribeiro. Aliás, pra quem não conhece o jongo, uma dica: conheça! A batida do tambor é irresistível, as vozes são lindas e a felicidade dos participantes da roda contagia a todos. Na roda de jongo, fé e festa se encontram e resistir ao desejo de entrar na dança é tarefa das mais difíceis. Resultado: mais imagens e entrevistas muito bacanas...
Já no entardecer, correndo contra o tempo para aproveitarmos a beleza da luz do fim do dia, registramos uma apresentação do Grupo Urucungos, com o seu inigualável Samba de Bumbo. Simplismente uma das coisas mais bonitas que já tive a oportunidade de gravar. Ver aquelas pessoas ali, no meio de um grande terreno gramado, cantando, batucando e dançando - sendo felizes! - me fez pensar na força da cultura popular brasileira, na vastidão e na diversidade desse país gigante e que esconde tantas manifestações cheias de beleza e de encantamento, das quais muitas vezes sequer chegamos a tomar conhecimento.
Fiz imagens de tudo isso com a minha câmera. Assim que tiver um tempinho, edito um clipe curto e publico aqui, ok?
É isso, turma! Só quis escrever o post pra registrar as descobertas do dia e pra dividir as informações com vocês. E pra dizer que, sim, meu sábado de carnaval foi bem diferente do que havia planejado um ano atrás. E exatamente por isso, me reservou grandes e belas surpresas...
E é essa a beleza da vida, né?

PS.: Amanhã volto ao Rio! Pronto pra curtir os dias restantes da Festa de Momo! Curtam bastante também e bom carnaval pra todos!

12.2.09

Promoção: pague mais e leve menos!

Eu fico cada vez mais impressionado com a cara de pau de algumas empresas que insistem em tratar o consumidor como idiota...
Ontem, depois de um dos dias mais calorentos do ano, passei na padaria e resolvi comprar um pote de sorvete.
Pausa para contextualizar:
Desde que o mundo é mundo, um pote de sorvete tem 2 litros da guloseima geladinha, certo?
Voltando à noite de ontem...
Escolhi o sabor, paguei os salgados R$ 16 reais e alguns centavos e parti pra casa, com a sobremesa garantida.
Tomei um bom banho, jantei e, ao partir pro ataque; acabei me deparando com esse detalhe, estampado na tampa do pote do sorvete:


É ou não é um absurdo? Os caras reduzem a quantidade do produto, não reduzem o preço (muito pelo contrário!!!) e ainda estampam na embalagem a prova do crime, como se isso fosse motivo de comemoração para o consumidor.

É o fim, né não? E se não é, tá perto!