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8.4.14

E Valesca caiu na prova...

Polêmica envolvendo questão que trazia versos de funk aponta para a necessidade de nossa sociedade dar tiro, porrada e bomba no preconceito...
Desde ontem só se fala nisso no Facebook. A prova de filosofia aplicada pelo professor Antonio Kubitscheck, do Centro de Ensino 3 de Taguatinga, em sua turma do 3º ano do Ensino Médio. Uma foto postada nas redes sociais trazia uma questão em que os alunos precisavam escolher a alternativa que completasse os versos do sucesso "Beijinho no Ombro", da funkeira carioca Valesca Popozuda. Pronto! Foi o bastante!
Li muito sobre o assunto, fiz alguns posts sobre o caso, mas o Facebook não serviu para extravasar tudo o que penso sobre o caso. Não é de hoje que entrevisto professores e pesquisadores que relatam um fenômeno: nossas escolas - e não falo apenas das brasileiras, muito menos só das públicas - parecem instituições do século XVIII. Paradas, imutáveis, as escolas não têm conseguido despertar o interesse de jovens extremamente conectados, capazes de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, cada vez mais autônomos nos seus processos de desenvolvimento de habilidades múltiplas. Parece bobagem? Não é! Essa realidade implica numa longa, séria e necessária discussão sobre o papel da escola do nosso tempo; sobre a atuação do professor e sobre que tipo de cidadãos queremos formar. 
Pois bem, muitos desses mesmos especialistas assinalam para a importância de que o professor esteja sensível à realidade do aluno. Onde vive? Como vive? Quais são seus gostos? O que consome em termos de cultura? Que cultura produz/reproduz? Para esses pesquisadores, somente por meio do real entendimento do aluno e da realidade em que ele está inserido será possível que o professor estabeleça um diálogo, capte o interesse de crianças e jovens e possa, enfim, desempenhar seu papel educativo. O professor, entende-se, não é mais um transmissor de informações. Ele é mediador! Ele está entre o aluno e o conhecimento. E não há mediação sem troca, sem partilha. Trata-se de um processo permanente em que os sujeitos dão e recebem; dividem saberes para somar conhecimentos. 
Portanto, minha gente, o que o professor Antonio Kubitscheck fez de errado? Ao julgar seu trabalho por um recorte descontextualizado de um teste, erramos todos nós. O professor pode estar brincando? Pode! Aquela pode ter sido uma espécie de "pegadinha"? Sim! Mas também pode ser parte de uma ampla discussão travada em sala de aula. Sobre cultura, sobre a banalização da violência - já que os versos falam sobre "tiro, porrada e bomba", sobre...o que os alunos ouvem. Ou seja: pode haver ali uma discussão muito mais ampla e rica do que essa rasa argumentação de quem acha que "escola não é lugar de ouvir ou de falar de Valesca Popozuda".
A própria cantora se defendeu nas redes sociais. Sagaz, apontou o dedo para a ferida: há muito preconceito envolvido nessa discussão. Se fosse qualquer outra letra, de qualquer outro estilo musical, muito provavelmente a repercussão não seria essa. Acrescento: certamente não seria lançado sobre o trabalho do professor esse olhar pejorativo que paira desde que a notícia ganhou espaço nas redes e nos grandes portais noticiosos. Quem nunca fez uma prova em que um trecho de música tenha sido parte de uma questão que atire a primeira pedra! Ou que dê o primeiro tiro, porrada...ou jogue a primeira bomba!
"Ah, mas isso não é música que preste", dirão alguns. "Isso não é música", afirmarão outros. "Valesca Popozuda é ruim demais, não é cultura", sentenciará outra parte. Aí é que mora o perigo. Tratar o popular e o erudito segundo uma lógica hierarquizada é um equívoco histórico, que traz mais prejuízos que ganhos. A escola pode - e, a meu ver, deve - discutir Valesca Popozuda, Anitta e o que mais vier para dentro do seu cotidiano. É essa a realidade em que muitos dos alunos estão inseridos. Conhecer essa realidade, respeitá-la e, a partir dela, abrir um canal para apresentar outras manifestações da cultura é o caminho para que o professor consiga ter êxito em seu diálogo com os alunos. Mostrar que as expressões da cultura popular são reconhecidas na escola pode contribuir para que a sintonia com os estudantes seja, pouco a pouco, reconquistada. Ninguém gosta de se sentir menos, de se sentir menor. Imaginem como se sentem os alunos que percebem que seus gostos, suas músicas, suas preferências e seus hábitos são considerados "de um nível inferior" no cotidiano escolar...
Por fim, um alerta: essa história toda mostrou muitos críticos, muitos juízes, muitos dedos apontados, ávidos por condenar o professor e por definir o que é cultura. Vi gente que, como eu, também veio das classes populares, de família simples, virar as costas para essas origens e descer o sarrafo no que vem do povo. Turma, se preconceito já é terrível quando parte de quem não conhece a realidade em questão, pra mim, torna-se ainda pior quando vem de iguais. E mais: torna-se ainda mais cruel quando quem condena não tem elementos, conhecimento e informações suficientes para opinar. Educação é coisa séria! O professor é um profissional sério, merece respeito. Estudou para estar ali. Condenar esse profissional e seu trabalho sem sequer ter elementos para tanto é, esse sim, um enorme sinal de falta de preparo, falta de cultura e falta de educação. Sinal de que a escola em que vocês estudaram pode até não ter utilizado versos da Valesca Popozuda em provas, mas, certamente, pecou na construção de alguns valores fundamentais.

PS.: Beijinho no ombro.

6.6.09

Sobre o Viradão Carioca...

Não fui a nenhum evento. Infelizmente. Mas saber do sucesso dessa iniciativa da Prefeitura do Rio me faz ter a certeza de que o povo quer cultura, quer lazer! Quer Dj Marlboro, mas também quer ver a OSB e a Adriana Calcanhotto. Quer a Perla, mas também quer Elba Ramalho, Sandra de Sá e Elza Soares...
Enfim, um projeto bacana! Que mostra que essa cidade tá viva e que resiste bravamente! Pra sorte nossa!

4.5.09

E viva a Cultura Popular Brasileira!!!

Quem tá sempre por aqui lembra que viajei pra Campinas em fevereiro, pra fazer gravações pro Salto. O tema era a Cultura Popular, lembram? Até escrevi um texto aqui.
Pois bem, hoje tô postando um vídeo com um clipe de algumas das manifestações culturais que gravamos por lá. As imagens são minhas e do Bruno, produtor do Salto.
Turma, vale a pena dar uma olhada na riqueza e na beleza dessas formas de expressão popular, que demonstram como é vasta, felizmente, a cultura do nosso país!
Espero que gostem!

A série de reportagens do Salto tá sendo editada e vai ao ar na primeira semana de junho!
Boa semana pra todo mundo, tão rica e pra cima quanto as danças e os cantos dessa turma do vídeo!

21.3.09

Q: uma avenida cheia de graça!

Elenco de primeira, texto repleto de boas tiradas e produção impecável: ingredientes infalíveis de Avenida Q, o mais recente espetáculo de Charles Möeller e Claudio Botelho...

Nunca fui fã de musicais e não falo isso com orgulho. Encaro como uma limitação minha o fato de clássicos do cinema como "A noviça rebelde" e "Mary Poppins" jamais terem chamado minha atenção, permanecendo inéditos pro blogueiro aqui até hoje.
Por isso, quando fui ao teatro na última noite de quinta-feira, não tinha grandes expectativas. Mas, depois das duas horas de "Avenida Q", deixei a sala com a certeza de ter visto um grande e divertidíssimo espetáculo!
Misturando bonecos manipulados por atores e atores que não manipulam bonecos, o musical conta a história de um jovem que chega a um lugar que parece abrigar todos os fracassados da paróquia. Princeton, o protagonista, chega à Avenida Q em busca de um rumo para a sua vida. E é a partir dessa busca que os conflitos e as tiradas sensacionais do texto são oferecidas ao público.
Nos Estados Unidos, onde está em cartaz há seis anos, Avenida Q é considerado um musical politicamente incorreto. Aqui no Brasil, país naturalmente vocacionado para o deboche e a galhofa, o tom e o efeito do texto ganham novas dimensões. Mas não perdem a graça. Seja na hora de rir de Rod, o boneco-gay-enrustido; ou na hora de uma bombástica conversão da boneca-gostosona a uma igreja evangélica; não importa: a graça está lá o tempo todo!
As músicas são igualmente divertidas e impressionantemente bem executadas pelo elenco. Destaco a linda voz de Claudia Netto que, se não fosse atriz, certamente poderia enveredar pela carreira de cantora. Mas, atriz de primeira e com toda a sensibilidade que uma comédia requer, Claudia protagoniza muitas das cenas mais engraçadas do espetáculo e arranca inúmeras gargalhadas da plateia.
Entre os homens, o destaque é André Dias, que manipula/interpreta/canta como dois bonecos. Usando vozes diferentes e com uma expressão impressionantemente idêntica a dos seres de espuma e pelúcia que carrega e movimenta com as mãos, André sustenta boa parte da ação do musical sem perder o fôlego, o tom e a graça que um protagonista deve ter. Talento dos grandes!
Aliás, um parêntese: impressiona a habilidade que o elenco demonstra para manipular e contracenar com os bonecos, sem que a ação se torne farsesca em momento algum. E aqui vai uma revelação que apurei lá no teatro: nenhum dos atores tinha experiência com manipulação de bonecos antes. Impressionante!
Cenário e iluminação ajudam a tornar ainda mais apropriado o substantivo espetáculo que, em Avenida Q, ganha ares de adjetivo. Figurinos e direção de arte também são inspiradíssimos e, para falar de um único destaque, cito a (maravilhosa) cena do casamento de Japaneusa e Brian, quando as luzes se apagam e...supresa!
O texto, além de graça e deboche, tem um jeito meio inocente de tocar nas misérias humanas. É bonito, sem ser piegas. E deixa a plateia mais leve depois de uma noite de muitas risadas...
Recomendo! Pra quem é fã de musicais e pra quem, como eu, não sabia o que está(va) perdendo!!!

1.3.09

As campeãs em vídeo...

Vou postar aqui os vídeos com as minhas preferidas da noite de ontem: Portela, Vila e Salgueiro.
É só o YouTube parar de graça e colaborar...
Conforme prometido, aqui estão os vídeos que fiz com as imagens do Desfile das Campeãs. Pra mim, eles traduzem momentos inesquecíveis, das escolas que fizeram as melhores apresentações da noite: Portela, Vila Isabel e Salgueiro - necessariamente nessa ordem!
Primeiro, a Portela. Que bateria! E que Rainha de Bateria danada é Luma de Oliveira. Fiquei tão empolgado que esqueci de gravar o momento em que, com as mãos, ela comanda os movimentos da coreografia dos ritmistas. E pior: esqueci completamente que o meu celular tem a função zoom. Por isso as imagens ficaram meio distantes...! Mas vale o registro:



Na Vila Isabel, o desfile foi perfeito! Componentes alegres, empolgadíssimos, belas alegorias e um samba envolvente foram ingredientes que, a meu ver, dão o tamanho da injustiça que o quarto lugar representou para a agremiação nesse carnaval. No vídeo, uma das imagens mais impressionantes do espetáculo da azul e branco: o carro do cisne...


E, claro, a grande campeã de 2009: Salgueiro! E aí vale contar uma história rápida. Eu tive a oportunidade de ler o primeiro texto, elaborado para servir de base para todos os trabalhos envolvendo o enredo Tambor. Li e fiquei impressionado com a simplicidade, a beleza e a poesia daquelas frases - e lembro de ter comentado que muitas delas poderiam ser aproveitadas no samba. Algumas foram. E o samba, muito criticado, também me agradou. Achei popular, fácil de cantar e de arrastar o público.

Não entendo nada de carnaval, mas acho que acertei na previsão: Salgueiro é o caldeirão!!! Parabéns à Nação Salgueirense pelo campeonato e, sobretudo, pelo grande carnaval realizado em 2009!

No vídeo: Viviane Araújo e Carlinhos Brown comandam o show da bateria salgueirense, acompanhados pela presidente da escola, que também quebrou tudo. No mais, fotos que fiz com o celular das belas alegorias criadas por Renato Lage.


É isso! E que venha 2010!!!

Minha primeira vez na Sapucaí...

As baianas do Salgueiro, escola campeã do Carnaval 2009



Turma, ontem eu conferi a emoção de assistir aos desfiles das escolas de samba lá na Avenida. E é completamente diferente de tudo o que eu imaginava - o que é positivo, pois nunca fui dos mais empolgados com o carnaval do Rio.
Estar na Sapucaí é entender, por exemplo, a exaltação às Rainhas de Bateria, as vedetes do nosso tempo. É admirar o carisma arrasador de Luma de Oliveira e Viviane Araújo, que num requebo de quadris, levantam toda a galera e garantem o astral lá no alto para a passagem da escola. É sentir o coração pulsar no compasso da bateria e se surpreender com emoções até então nunca antes experimentadas, como um arrepio diante do som emitido pela emblemática águia da Portela ou pelo encatamento dos rodopios de Selminha Sorriso, a porta-bandeira mais famosa da atualidade.
Estar na Sapucaí é ver um carnaval de verdade, cheio de detalhes, diferente da transmissão pasteurizada da televisão. Na passarela, o carnaval é feito por gente. Gente que empurra os carros - menores do que a TV demonstra - gente que canta o samba e contagia até torcidas rivais. Gente que rebola, seduz, encanta e mostra porque essa é a festa da carne. Gente brasileira, que vive para o carnaval, embora nem sempre consiga viver dele.
Estar na Sapucaí, ontem, foi ver uma Mangueira indigna de sua tradição e do sexto lugar. Foi ver uma Grande Rio luxuosíssima, mas fria. Uma Vila Isabel linda, diferente da estética usual na escola, com componentes radiantes, samba gostoso de cantar e com um dos carros mais bonitos desse carnaval: o do Cisne. Estar na Sapucaí ontem foi ver uma Portela emocionante, emocionada, com um belo samba e um carnaval confuso demais. Foi ver uma Beija-Flor jogando dinheiro pelo ladrão, caprichando na beleza e pecando no tamanho da escola, longa demais, pesada demais, que deixou o desfile lento e meio chato.
Mas, sobretudo, estar na Sapucaí ontem foi ver passar o Salgueiro, lindo de cabo a rabo, com um samba gostoso, fácil de cantar e capaz de fazer pular o público das frisas, das arquibancadas e dos camarotes. Foi ver a Academia fazer ecoar o som de seu tambor campeão, que batia no ritmo dos corações de todos que ficaram até a manhã desse domingo a postos, só pra ver passar a vermelho-e-branco da Tijuca. Foi ver e ouvir o show da Furiosa Bateria, capitaneada por Viviane Araújo e Carlinhos Brown, cheios de bossa e suingue.
Estar na Sapucaí foi ver, sim, o maior espetáculo da Terra!

PS.: Gustavo, brigadão, viu? E, uma vez mais, parabéns!

PS2.: As fotos que tirei estão na galeria de imagens do blog, no canto direito do vídeo. Confiram!

PS3.: Sim, gamei em Luma e Viviane Araújo!

PS4.: Sim, minhas preferidas da noite foram Salgueiro, Vila e Portela.

PS5.: Sim, senti falta da minha Mocidade. Mas com o carnaval que ela apresentou esse ano, não ganharia nem concurso de melhor bloco de rua...

PS6.: Em seguida vou postar vídeos curtinhos que gravei com o celular...

21.2.09

Sábado de carnaval...

Quando soube que passaria o sábado de carnaval em Campinas, não posso negar, fiquei bem desanimado. Desde o ano passado vinha planejando mais uma saída pelo Bola Preta e estar longe do Rio exatamente no dia do grande desfile do maior e mais antigo bloco carioca comprometeria, e muito, os meus planos para a folia.
Hoje, vi as imagens do Bola pelo JN e bateu aquela pontinha de tristeza por não estar no meio daquela farra. Mas não posso dizer que tenha tido um dia ruim. Aliás, longe disso...
Trabalhei, é bem verdade. O que, aliás, está longe de ser o melhor programa para um dos dias de festa. Mas, por outro lado, tive a oportunidade de acompanhar belíssimas manifestações da cultura popular brasileira. De manhã, conheci o grupo de Folia de Reis Azes do Brasil; uma turma que leva em frente uma tradição de mais de um século. Bati um longo papo com Seu Tião Mineiro, o Capitão Embaixador da Folia, e fiquei muito feliz por ter encontrado um homem tão cheio de sabedoria, tão humilde e de tanta fé. Fomos - eu e toda a equipe do Salto - recebidos com muito carinho, acompanhamos um belo ritual da Folia e ainda comemos do pão produzido coletivamente, num momento de fé ímpar. Sem falar no cântico entoado pelo Seu Tião em nossa homenagem. Bonito mesmo!
Depois do almoço, lá fomos nós encontrar a turma do Jongo Dito Ribeiro. Aliás, pra quem não conhece o jongo, uma dica: conheça! A batida do tambor é irresistível, as vozes são lindas e a felicidade dos participantes da roda contagia a todos. Na roda de jongo, fé e festa se encontram e resistir ao desejo de entrar na dança é tarefa das mais difíceis. Resultado: mais imagens e entrevistas muito bacanas...
Já no entardecer, correndo contra o tempo para aproveitarmos a beleza da luz do fim do dia, registramos uma apresentação do Grupo Urucungos, com o seu inigualável Samba de Bumbo. Simplismente uma das coisas mais bonitas que já tive a oportunidade de gravar. Ver aquelas pessoas ali, no meio de um grande terreno gramado, cantando, batucando e dançando - sendo felizes! - me fez pensar na força da cultura popular brasileira, na vastidão e na diversidade desse país gigante e que esconde tantas manifestações cheias de beleza e de encantamento, das quais muitas vezes sequer chegamos a tomar conhecimento.
Fiz imagens de tudo isso com a minha câmera. Assim que tiver um tempinho, edito um clipe curto e publico aqui, ok?
É isso, turma! Só quis escrever o post pra registrar as descobertas do dia e pra dividir as informações com vocês. E pra dizer que, sim, meu sábado de carnaval foi bem diferente do que havia planejado um ano atrás. E exatamente por isso, me reservou grandes e belas surpresas...
E é essa a beleza da vida, né?

PS.: Amanhã volto ao Rio! Pronto pra curtir os dias restantes da Festa de Momo! Curtam bastante também e bom carnaval pra todos!

30.1.09

Uma tarde no Museu Casa do Pontal...

Na quarta-feira, passei uma tarde muito agradável gravando no Museu Casa do Pontal, no Recreio, Zona Oeste do Rio. O Museu tem uma história bem interessante: é fruto da paixão incessante de um francês pela arte popular do Brasil. De colecionador e pesquisador, Jacques Van de Beuque passou a fundador dessa instituição que atrai muitos estrangeiros interessados a começar, pelo Museu, suas viagens pelo Brasil.
O Museu foi reformado recentemente e tem, agora, uma galeria para exposições temporárias, além das já tradicionais galerias destinadas aos mais de 8.000 bonecos, entalhes, modelagens e elementos articulados em exposição permanente. No salão de exposições temporárias, está em cartaz uma bela mostra sobre a arte do Vale do Jequitinhonha, baseada no mesmo minimalismo que move boa parte dos artistas que levam para suas obras cenas do cotidiano brasileiro.
A entrevista que gravei com Ângela Mascelani, diretora do Museu, vai ao ar na temporada 2009 do Salto. E se você ainda não conhece o Museu Casa do Pontal a dica é: vá!

26.9.08

Sobre o duelo das baianas...

Li no blog do Mauro Ferreira que Maria Bethânia vai participar do novo projeto de Ivete Sangalo. Será uma gravação feita por Sangalo com convidados, no estúdio que ela acaba de construir em seu apartamento lá em Salvador. Daí o título: Pode entrar...
Como admirador das duas baianas – por razões que são tão diversas quanto as trajetórias de ambas - fiquei feliz com a notícia. E cliquei nos comentários para ver o que os leitores do Mauro estavam achando da história.
E o que li foi um drama daqueles...
Uns criticam o excesso de produtos fonográficos lançados com a griffe da Sangalo. Outros, a qualidade do repertório que ela vem gravando – e isso é indiscutível: não é música pra fruição. Mas o que mais me irritou foi um comentário que questionava os motivos pelos quais Bethânia teria aceito o convite de Ivete.
Eis o que respondi:

“Turma, o envolvimento entre Bethânia e Ivete vem de longa data. Bethânia foi a primeira a prever o sucesso retumbante de Ivete, ao ouvir, nos anos 90, uma gravação da cantora novata - ainda a frente da Banda Eva - do axé "Adeus Bye Bye".
Daí partiu o convite. E Bethânia, elegantemente, aceitou. Acho esses preconceitos de fãs daquela "MPB sagrada e inacessível" um grande pé no saco! Talvez uma garotada passe a conhecer Bethânia melhor depois da gravação com Ivete. E passe a buscar outras coisas dela. Isso não é ótimo?
Bethânia aceita o que quiser, Ivete grava o que quiser. E quem não quiser, minha gente, não ouça, não veja, não compre! E não torre!!!
Século XXI e essa visão estreita ainda? Não dá! Na boa...”


Como diria o Sinhozinho Malta, "tô certo ou tô errado?"
Essa não é uma discussão velha e preconceituosa demais?
E vocês? O que pensam a respeito?

9.9.08

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 22

Alguém aí tem alguma justificativa que ajude a explicar o preço (altíssimo) dos ingressos dos shows de artistas internacionais aqui no Brasil? É sério, minha gente, depois da facada que a Madonna aplicou em seus fãs brazucas, eu fiquei meio revoltado com essa questão. Os shows da loira na Argentina, por exemplo, tiveram ingressos a preços bem mais baratos que os cobrados no braço brasileiro da turnê. Os hermanos pagarão entre US$ 31 e US$ 205 para ver as apresentações; enquanto nós, aqui do lado, pagaremos entre US$ 280 e US$ 1000. Como diria o Boris Casoy: "Isso é uma vergonha!!!".
E não tô revoltado só com a mãe da Lourdes Maria não! Em novembro, Michael Bublé vai dar as caras por aqui e os ingressos para a única apresentação variam entre R$ 300 e (inacreditáveis) R$ 800. Uma vergonha!

Alguém faz idéia dos motivos?

31.3.08

Funk-se!

Funkeiros e suas musas: a cada estação, um novo hit bombando nos bailes funks cariocas...


O funk produz modismos e hits numa velocidade absurda. Depois da "Egüinha Pocotó", que apresentou ao mundo a famigerada Lacraia, cheia de garbo e elegância, Mr. Catra surgiu cantando (?!?!) as maravilhas de um famoso centro de entretenimento noturno carioca, onde e anunciando que "vai rolar um adultério, tchan-tchan-rã-tchan-rã-tchan-nã". Mais ou menos na mesma época, o Mc Leozinho parecia até inocente enquanto, nas rádios, dizia que "Ela só pensa em beijar, beijar, beijar, beijar". Inocente, mas estourado (sem trocadilho, acredite), o rapaz estourou nas paradas e botou até o Rei Roberto Carlos para cantar o ritmo das popozudas. Como diria aquele rato de um extinto programa de TV: "Suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuucesso!!!"
Veio o verão 2007/2008 e o destino nos reservou a primasia do Mc Créu. Uma dança que, já diz a letra (?!?!) não pode ser encarada por qualquer um, afinal, "tem que ter disposição". Desafio para bundas e bundões de todos os tamanhos, composta de cinco diferentes velocidades de execução. Uma pérola criada pela Mulher Melancia pra Barishnikov nenhum botar defeito!
Hoje, abro o site do jornal "O Dia" e descubro que os tempos já são outros. Enquanto a Melancia vai trocar as bancas da feira pelas de revistas (masculinas), a cena funk ganha um novo hit. E uma nova musa. É isso mesmo! Que "Créu" que nada! A onda do momento nos bailes é a dança do pisca-bumbum, a já lendária contribuição da Mulher Filé para o repertório coreográfico das tchutchuquinhas nos bailes funk.
E viva a pujança da cultura nacional!