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12.1.15

Sobre "Abraçar e agradecer", o show de 50 anos de carreira de MariaBethânia...


Quando chegaram ao fim os versos de "O que é, O que é", de Gozaguinha, eu me senti agradecido. Não pelo fim do show ou da música, mas por haver testemunhado um show tão comovente, tão delicado e poético. Mérito do talento e da trajetória de 50 anos - ora justamente celebrada - de Maria Bethânia, a maior intérprete desse nosso país de cantoras. Não quero dar detalhes, não quero estragar surpresas. Mas quero registrar aqui a lindeza desse espetáculo e a alegria de ver Bethânia em cena, senhora de si e dos palcos; menina que brinca e baila sobre o LED moderna com a desconfiança de quem ainda traz no peito, na alma e na voz o cheiro de mato e a poeira das estradas e das entranhas do Brasil sertanejo, baiano, tupiniquim. Brasil que dialoga com os orixás da África, com a canção de Piaf e com Clarice e Fernando Pessoa. Bethânia já era global antes de inventarem a globalização, porque nunca perdeu o laço que sempre a manteve unida a Santo Amaro da Purificação. Fala de todo o mundo, suas dores e amores, falando das coisas de sua aldeia. Voou alto esse carcará! E que siga voando e nos fazendo olhar sempre pro alto. Voando e nos levando. Voando e nos elevando. Salve Maria Bethânia, a mais brilhante das estrelas dos céus do Brasil!!! 

26.9.08

Sobre o duelo das baianas...

Li no blog do Mauro Ferreira que Maria Bethânia vai participar do novo projeto de Ivete Sangalo. Será uma gravação feita por Sangalo com convidados, no estúdio que ela acaba de construir em seu apartamento lá em Salvador. Daí o título: Pode entrar...
Como admirador das duas baianas – por razões que são tão diversas quanto as trajetórias de ambas - fiquei feliz com a notícia. E cliquei nos comentários para ver o que os leitores do Mauro estavam achando da história.
E o que li foi um drama daqueles...
Uns criticam o excesso de produtos fonográficos lançados com a griffe da Sangalo. Outros, a qualidade do repertório que ela vem gravando – e isso é indiscutível: não é música pra fruição. Mas o que mais me irritou foi um comentário que questionava os motivos pelos quais Bethânia teria aceito o convite de Ivete.
Eis o que respondi:

“Turma, o envolvimento entre Bethânia e Ivete vem de longa data. Bethânia foi a primeira a prever o sucesso retumbante de Ivete, ao ouvir, nos anos 90, uma gravação da cantora novata - ainda a frente da Banda Eva - do axé "Adeus Bye Bye".
Daí partiu o convite. E Bethânia, elegantemente, aceitou. Acho esses preconceitos de fãs daquela "MPB sagrada e inacessível" um grande pé no saco! Talvez uma garotada passe a conhecer Bethânia melhor depois da gravação com Ivete. E passe a buscar outras coisas dela. Isso não é ótimo?
Bethânia aceita o que quiser, Ivete grava o que quiser. E quem não quiser, minha gente, não ouça, não veja, não compre! E não torre!!!
Século XXI e essa visão estreita ainda? Não dá! Na boa...”


Como diria o Sinhozinho Malta, "tô certo ou tô errado?"
Essa não é uma discussão velha e preconceituosa demais?
E vocês? O que pensam a respeito?

13.6.08

7.3.08

Sobre Bethânia & Omara...

Projeto que une as vozes das duas grandes cantoras rende belos momentos, mas peca por excesso de repetecos no repertório...

Hoje, enfim, ouvi o disco das duas grandes cantoras. Um pouco melancólico, o álbum traz belos arranjos e revela uma "dona" Omara - como diz Bethânia - em plena forma vocal. Do lado brasileiro, a filha da centenária dona Canô também corresponde com belas interpretações - em português e espanhol.
O repertório, com duetos e solos intercalados, me pareceu um bocadinho irregular. A deliciosa "Só vendo que beleza (Marambaia)" é momento raro de alto astral e apresenta ao público o melhor dueto de todo o disco.
Mas vamos aos pontos positivos...
Omara ataca com belos boleros: "Nana para um suspiro" é a minha preferida, mas "Sempre em mi corazón", "Mil Congojas" e "Mariposa de Primavera", à primeira audição, também me chamaram atenção.
Bethânia rende bons momentos e, em "Menino Grande", canta em tom confessional, meio sussurrado, e enche de doçura a letra de amor. "Arrependimento" é um convite à fossa ampla, geral e irrestrita, e um convite da baiana é inegável! Como inegáveis também são as raízes de Bethânia, assumidas com delicadeza, belíssimo arranjo de viola e o auxílio de Dona Omara em "Caipira de fato", uma das minhas preferidas no disco.
Agora, o grande ponto de interrogação - porque não chega a ser negativo, dada a qualidade do trabalho - é a quantidade de músicas já fartamente gravadas por Maria Bethânia - algumas, muito recentemente - e que figuram na lista. "Sábado em Copacana", por exemplo, esteve em "Maricotinha Ao vivo" e no recentíssimo "Dentro do Mar tem Rio". Trazê-la de volta nesse projeto me pareceu um pouco impertinente. O mesmo digo de "Você", gravada em espanhol sob o título de "Tú", e "Palavras" - agora, "Palabras"; ambas de Roberto Carlos e igualmente já gravadas em projetos anteriores da artista brasileira.
Em suma: é um bom disco, que poderia ser ótimo não fosse a falta de frescor de parte do repertório escolhido...

6.1.08

Onde estará o meu amor?



A música brasileira é tão rica, tão diversa, que a gente se dá ao luxo de ter pérolas empoeiradas guardadas em nossas mentes. Como essa, que espanei essa semana com a ajuda do YouTube. E como é bom se reapaixonar pela mesma música...

6.12.07

O novo disco da Abelha Rainha...

Disco novo de Maria Bethânia é bom, mas destoa um bocado da grandiosidade do espetáculo que lhe serviu de matriz...

Um disco de Maria Bethânia é sempre um disco de Maria Bethânia. E isso quer dizer requinte na produção, repertório bem escolhido, belos arranjos e interpretações marcantes para canções e textos. "Dentro do mar tem rio - ao vivo" não foge à regra. Mas, ainda que seja fã da cantora, não posso deixar de notar que há algo estranho nesse disco. Pareceu-me um pouco frio para um disco ao vivo, registrado num show tão arrebatador quanto o que origina este álbum. Digo isso porque assisti ao espetáculo em duas ocasiões e, em ambas, notei uma platéia muito mais efervescente do que a que aparece nas faixas desse cd duplo. E mesmo quando o coro se empolga, surge num volume baixo, como se nota em "Das maravilhas do mar fez-se o esplendor de uma noite".
Também não dá pra não notar que a voz de Bethânia parece não ter sido "retocada" digitalmente. O que está no disco é a alma da intérprete, inclusive com pontuais falhas e com a total supressão dos agudos tão festejados nas gravações originais de músicas como "A dona do Raio e do Vento".
Ponto positivo: a inclusão do festivo bis que agrega "A-la-la-ô", "Chiquita Bacana", "Chuva, suor e cerveja", "Água lava tudo" e "Frevo Molhado". Divertido! Sem falar na já antológica interpretação do texto "Ultimatum", sempre arrancando efusivos aplausos da platéia.
Agora é esperar o Dvd, que deve ser gravado no próximo final de semana, em São Paulo. Tomara que o vídeo retrate melhor todo o esplendor desse grande espetáculo. E que a platéia da Terra da Garoa se anime mais...

16.9.07

Sobre Pedrinha de Aruanda...

Numa seresta na varanda de sua casa, em Santo Amaro, Dona Canô canta com os filhos famosos exibindo o vigor e a beleza de sua voz centenária. Cantoria é um dos pontos altos do filme...

Hoje, Santo Amaro está em festa! Dona Canô completa 100 anos juntos dos filhos, amigos, familiares e vizinhos. Mas quem mais quiser participar dos festejos pode dar uma chegadinha a um dos cinemas que exibe "Pedrinha de Aruanda", o documentário sobre Maria Bethânia estrelado por...Dona Canô! Dirigido por Andrucha Waddington, o filme usa e abusa do carisma e da sabedoria que essa centenária senhora acumulou ao longo do último século.
Dona Canô é apaixonante; é aquela vó que todos gostariam de ter, tem aquela fala mansa baiana e um silêncio igualmente belo. Aparece mais no filme que a filha famosa - Bethânia, aliás, é uma das responsáveis pelo roteiro que privilegia a mãe - e, num dos momentos mais bonitos da produção, cercada por Caetano e Bethânia, canta lindamente na seresta realizada na varanda de seu casarão de dez quartos. "Chuê, chuá", diz Dona Canô, para toda uma platéia hipnotizada pela meiguice da mãe de dois dos mais importantes artistas contemporâneos do país.
Tenho restrições ao filme que, ao meu ver, não é um documentário. Tenho restrições inclusive técnicas, em relação à edição. Acho, também, que faltou Bethânia num filme que tem seu nome no título. Haveria espaço para algo além da bela seresta que invade a tela um pouco depois da metade da obra e se alonga por boa parte da etapa final da projeção.
Mas o jeito de Dona Canô, suas tiradas impagáveis: "Antigamente as músicas queriam dizer alguma coisa"; e a singeleza das canções iniciais da seresta me fizeram ter um carinho todo especial pela produção. Fico pensando no fantástico documento para a família, no valor inestimável de ter, ali, a matriarca ladeada pelos filhos artisas e cantando de um jeito tão bonitinho. E entendo que esse é um filme sem grandes pretensões e que aí mora toda a sua beleza...

18.8.07

Showzão!!!

Show de Maria Bethânia, que ganha registro em Dvd nesse final de semana, é um espetáculo imperdível...

Revi 'Dentro do Mar tem rio' ontem. E reafirmo o meu completo encantamento com o belo espetáculo de Maria Bethânia, que hoje e amanhã será eternizado em Dvd, para a sorte de toda uma legião de fãs que não tiveram a sorte de assistir ao show ao vivo.
A essência da apresentação de ontem foi a mesma da estréia carioca da turnê, no fim do ano passado. Bethânia fez uma ou outra modificação no repertório - incluindo, por exemplo, 'Sábado em Copacabana', o tema da novela das 8 e 'Você', de Roberto e Erasmo - mas nada que comprometa o roteiro. Apesar de 'Você' não ter exatamente muita coisa a ver com o tema dos dois discos que originaram o show dirigido por Bia Lessa: a água.
A cantora continua esbanjando vivacidade no palco e, ontem, pareceu poupar um pouco a voz para a gravação do Dvd. Compreensível, claro. E a magia que cerca essa grande artista pôde ser sentida por todos que lotaram o Canecão na noite de ontem quando a cantora se perdeu no medley que une 'Debaixo d'água' (Arnaldo Antunes) e 'Agora' (Titãs). A letra da canção dos Titãs é lida numa folha de papel. Num dado momento, Bethânia se perdeu na leitura e a banda foi em frente. Sem conseguir retomar o fio da meada, a estrela assumiu: "Gente, eu errei! Não dá! Vamos fazer direito". Foi ovacionada por quase um minuto. E refez a metade final do número lindamente...
Por fim, 'Dentro do mar tem rio' é daqueles shows que a gente nunca esquece. E um daqueles dos quais a gente sempre vai lembrar com saudade...


CAMPANHA WESHOW


Minha matéria com Ivete Sangalo está concorrendo a melhor vídeo na categoria Celebridades / Música do Prêmio WeShow, o Oscar da internet mundial. Para votar, basta acessar o site do prêmio, preencher um breve cadastro com seu e-mail. Depois, você vai receber uma mensagem de confirmação do cadastro, com um link que já te leva para a página de votação. Lá, você deve colocar os vídeos na ordem, do 1º (o melhor) ao 10º.
É isso! Brigadão pela força e pela torcida!

15.8.07

Obras-primas...




Adoro o texto do Fernando Pessoa, adoro a música. E acho a interpretação de Bethânia para os dois esplendorosa. É aquele tipo de coisa que a gente vê sem querer parar...
Ah...e lá vou eu de novo, ver essa baiana cheia de talento em seu show 'Dentro do mar ter rio'. Não dá pra perder! Mas, se por algum motivo, você não vai poder conferir o show, clique no ingresso e leia a resenha que o B@belturbo publicou na época da estréia do espetáculo, em dezembro do ano passado.

18.6.07

Toda felicidade do mundo pra ela!!!


Hoje é aniversário dessa grande intérprete da MPB. E não poderia deixar de registrar aqui essa data, e o meu desejo de muitas felicidades pra essa baiana cheia de talento e sensibilidade!