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12.1.15

Sobre "Abraçar e agradecer", o show de 50 anos de carreira de MariaBethânia...


Quando chegaram ao fim os versos de "O que é, O que é", de Gozaguinha, eu me senti agradecido. Não pelo fim do show ou da música, mas por haver testemunhado um show tão comovente, tão delicado e poético. Mérito do talento e da trajetória de 50 anos - ora justamente celebrada - de Maria Bethânia, a maior intérprete desse nosso país de cantoras. Não quero dar detalhes, não quero estragar surpresas. Mas quero registrar aqui a lindeza desse espetáculo e a alegria de ver Bethânia em cena, senhora de si e dos palcos; menina que brinca e baila sobre o LED moderna com a desconfiança de quem ainda traz no peito, na alma e na voz o cheiro de mato e a poeira das estradas e das entranhas do Brasil sertanejo, baiano, tupiniquim. Brasil que dialoga com os orixás da África, com a canção de Piaf e com Clarice e Fernando Pessoa. Bethânia já era global antes de inventarem a globalização, porque nunca perdeu o laço que sempre a manteve unida a Santo Amaro da Purificação. Fala de todo o mundo, suas dores e amores, falando das coisas de sua aldeia. Voou alto esse carcará! E que siga voando e nos fazendo olhar sempre pro alto. Voando e nos levando. Voando e nos elevando. Salve Maria Bethânia, a mais brilhante das estrelas dos céus do Brasil!!! 

13.11.12

E Maria Rita redescobriu Elis Regina...

Baixei a versão digital de "Redescobrir" na ITunes Store, nos primeiros minutos do aguardado dia seis de novembro. Sim, esse foi, realmente, um disco muito esperado por mim. Primeiro, claro, por conhecer o repertório de belas canções, tesouro maior deixado por Elis Regina. Depois, e não menos importante que isso, pela curiosidade de ouvir como elas soariam na voz da herdeira da Pimentinha. Como não tive a oportunidade de ver nenhuma das apresentações do show aqui no Rio, só me restava conferir a gravação.
Baixei as músicas e ouvi três vezes seguidas. Embaladas em arranjos mais enxutos - em muitos casos, atualizados - as canções de Elis seguem arrebatadoras. Mas, no disco, esse arrebatamento se limita à força do repertório. Maria Rita, grande cantora, dona de momentos consagradores em sua carreira de uma década, enfrenta com altivez o desafio de reler a obra da mãe, mas é impossível evitar a comparação entre elas. E não é apenas a filha de Elis quem sai em desvantagem: toda e qualquer cantora brasileira sairia na mesma situação diante desse desafio.
Elis era magistral. E segue assim: mestra de todas as intérpretes da MPB. Ia do grave ao agudo mais agudo sem titubear, intensa, num fôlego só. Brincava com a melodia, desafiava os músicos, parecia sempre na corda bamba, prestes a cair em cada verso. Nunca caiu! E segue no topo ainda hoje, passados 30 anos de sua morte.
Mas eu quis mais do que ouvir e, no último domingo, comprei o dvd do espetáculo. Achei a edição preguiçosa, e é flagrante que houve pressa no lançamento: há correções de câmera, perdas de foco e outros pequenos detalhes que jamais iriam para a versão final caso houvesse maior cuidado. Maria Rita está leve - apesar do barrigão - e soa um bocado careteira em algumas músicas, mas, apesar de suas interpretações sempre corretas e bem executadas, dosando bem emoção e técnica, fica longe do que a mãe fez em cena.
Há até um momento muito delicado no dvd: quando, em Arrastão, Maria Rita faz uma menção ao movimento frenético dos braços que Elis Regina executou no Festival da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. É delicado porque ali, naquele movimentar de braços, a filha assume o risco de ser comparada à mãe e, mais que isso, se expõe diante dos que pensam que esse projeto é uma tentativa de reeditar, com Maria Rita, o fenômeno Elis. Não creio nisso. Creio, mesmo, na sutileza de uma bonita homenagem à maior cantora que o Brasil já viu. E ouviu...
A grande filha de Elis tem alguns belos momentos. Fascinação, Essa Mulher, Vou deitar e rolar, Águas de Março (número em que parece fazer um cover descarado do improviso final gravado por Elis no disco com Tom Jobim), Onze Tiros, Romaria e Redescobrir estão - até o momento - entre as minhas prediletas. Me Deixas Louca é outro grande momento. Pontos altos de um show que é, sim, memorável. 
Ainda no dvd, vale salientar como são belas as palavras que a cantora dedica à mãe na contracapa do disco e no encerramento do show. Aliás, cabe uma ressalva: o espetáculo soa mais frio do que deve ter sido, uma vez que os momentos em que a artista se direciona ao público foram suprimidos na edição.
Enfim, esse é um projeto arriscado. Para Maria Rita, para a gravadora e para o público: para as duas primeiras, pela comparação inevitável e pelo risco de uma rejeição dos mais puristas. Acho que esses riscos foram superados. Para o público, o risco é não se permitir embarcar na bela voz de Maria Rita e, assim, deixar de aproveitar a grandeza de repertório que o álbum oferece. Sigo firme, vendo e ouvindo de novo, em busca de superar o desafio que me cabe...

11.1.11

Sobre o show de Amy Winehouse no Rio...

Amy canta em seu primeiro - e curto -
show no Rio de Janeiro
Quando as luzes da HSBC Arena se apagaram e o público começou a gritar enlouquecidamente, finalmente eu comecei a acreditar que veria, sim, um show da estrela mais polêmica da música internacional nessa década. Amy Winehouse veio, pensei. E me entreguei ao som da inglesa que explodiu com apenas dois discos e saiu dos cadernos de cultura para as páginas de polícia e de fofoca com a mesma velocidade com a qual conquistou fãs em todo o mundo.
Fui um dos tantos que acharam que a cantora não apareceria para fazer o show. E fui um dos que ficaram surpresos com sua performance visceral na estreia carioca da turnê. Que voz tem essa mulher! Que personalidade instigante tem a cantora gigante, que se sacode e dá pulinhos como uma menina afoita e insegura. Amy tropeçou nas letras algumas (poucas) vezes - e riu disso! Saiu do palco por duas vezes e, numa delas, voltou limpando o nariz com uma das mãos, num gesto suspeito flagrado pelos telões do ginásio. E eu pude ver tensão nas pessoas, aflitas com o rumo que a apresentação poderia tomar. Mas nada de realmente grave aconteceu. Felizmente!
A voz tá lá, linda! O cenário, com uma enorme bandeira do Brasil, é a única gentileza que a estrela concede ao público: econômica nas palavras, a cantora pouco fala e sequer se despede ao fim da apresentação. Canta por uma hora e dez, e deixa todos irritados com o tom abreviado do show. Uma boa surpresa: se todos queremos mais, é sinal de que a artista não lembrou - em cena - as deprimentes imagens de queda e degradação física e moral que já vivenciou em shows anteriores. Vimos a Amy cantora. Uma das maiores de seu tempo! Ficamos encantados e queríamos muito mais dela...
Em alguns momentos, Amy se permitiu sorrir, parecendo embevecida com o calor do público - que, por conta do trânsito, só conseguiu lotar a Arena minutos antes do início do show da britânica. Ver sorrir a protagonista da noite - e de tantas conturbadas histórias - acendeu em mim a esperança de que Amy possa estar reencontrando seu caminho, sua música e sua identidade. E que passe a curtir o barato dos seus shows mais que qualquer outro barato do mercado...
Tomara que o Rehab dê mesmo certo! E que essa grande artista passe a honrar com grandes apresentações os numerosos fãs que conquistou em todo o planeta...

6.9.10

Vingança de figurinista - parte 20...

Ok, eu evito repetir temas aqui no blog. Evito citar as mesmas pessoas com frequência para que as coisas por aqui não fiquem monótonas. Mas nem sempre é possível. Há ocasiões em que preciso me render à força do imponderável. Portanto, serei breve nesse post...
Atentem para o chapéu (???!!!) que Ivete Sangalo usou no último sábado, durante a gravação de seu novo DVD:


O que seria isso?
a) Uma águia morta ornando a cabeça da rainha do axé?
b) Uma homenagem (?!?!) ao carnaval?
c) Um jeito simples de colocar um adereço que não tem absolutamente NADA a ver com o estilo da artista e de sua música?
É ou não é caso de investigar as intenções desse figurinista, minha gente? É sabotagem! E antes que alguém levante a lebre: Cláudia Leitte não tem nada a ver com o caso! Ela até desejou sorte à Ivete via Twitter, ok?

PS.: Só pra constar, quando surgiu em cena usando essa penalhada na cabeça, Ivete cantava Human Nature, hit de Michael Jackson. Será que o jeitão esquisito do Rei do Pop serviu de inspiração na escolha do curioso ornamento???

PS2.:De onde vem essa expressão "levantar a lebre"? Que lebre é essa? De onde surgiu??? #expressõesesquisitasqueusamossemquestionar

26.3.10

A Bad Performance de Claudia Leitte...

Quando um amigo me falou do mico que a baiana pagou ao fazer uma interpretação do sucesso de Lady GaGa, jurei que não postaria nada a respeito. Afinal, artistas também são seres humanos e, obviamente, é claro que estão sujeitos a esquecer letras no palco. Taí a Vanusa que não me deixa mentir...
Mas aí, meus caros, eu vi o vídeo. E, contrariando minha decisão anterior, resolvi tocar no assunto. Mas antes, vamos ao trecho da apresentação:

Agora me digam, é ou não é caso de processo? Porque, além de esquecer a letra, Claudia Leitte ainda interpreta os versos que sabe num inglês, digamos, muito peculiar. É Bad Romance, mas parece mais o embromation-tion, o embromation-tion...
A loira não precisava pagar um mico desses. Precisava?

8.2.10

Sobre o show de Beyoncé no Rio...

Cheia de prêmios e no auge da popularidade, cantora texana fez plateia carioca cantar e dançar do início ao fim do show...


Quando as luzes da HSBC Arena se apagaram, pouco depois das oito da noite, a gritaria ensurdecedora dos fãs deu claros sinais de que as próximas duas horas apagariam todos os transtornos e desacertos da organização do evento. Transtornos que foram desde a completa desorganização do acesso à casa de espetáculos - com filas sendo furadas com o consentimento dos organizadores - até a, ao menos para mim, equivocada escalação de Wanessa (outrora Camargo) para o espetáculo (?!?!?!?) de abertura. Calcada em hits que conquistaram a plateia teen, a neta de Francisco fez muito playback e se empenhou pra mostrar que está conseguindo clonar o estilo das cantoras americanas. E há quem ache isso bom...
Antes de comentar o verdadeiro show da noite, um parêntese: o que explica o fato de, quase três anos depois do Pan de 2007, a Arena ter rampas de acesso provisórias, de madeira que, a olhos vistos, está em péssimo estado de conservação? Vi gente tropeçando e quase caindo ao subir. E duvido que o orçamento para a construção daquele ginásio não contemplasse rampas permanentes. É caso pra se investigar! Mais um dos absurdos legados do Pan para o Rio!
Mas, como disse, quando Beyoncé pisou o palco, as más recordações ficaram pra trás. Cheia de atitude, a cantora arrebatou os cariocas logo nos primeiros versos de Crazy in Love, canção escolhida para abrir os trabalhos da noite.
Ao contrário de outros artistas estrangeiros, Beyoncé não traz grandes pirotecnias em seu espetáculo. A pirotecnia é o natural resultado da soma de sua linda figura com sua forte presença de palco, seu carisma e, principalmente, sua estupenda voz. Como canta a mulher de Jay-Z!
O público canta junto! Vibra com as referências da artista à Cidade Maravilhosa, lhe entrega uma bandeira do Brasil - que chega a tremular no impressionante telão de alta definição - e faz um espontâneo coro em todas as canções do roteiro. Impressionante!
O show tem vários grandes momentos. Em Irrepleaceble a artista se diverte com o coral. Em Say my name a brincadeira foi outra: perguntar o nome de alguém da plateia. E, vejam só, um jovem chamado Cauê foi o escolhido. Cauê não fala inglês e Beyoncé repete o nome do fã várias vezes. No telão, o menino repete: "Eu te amo! Muito obrigado". Mesmo sem falar português, aposto que ela entendeu...
Aliás, esse é um diferencial: Beyoncé parece de verdade! Canta de verdade, dança de verdade e parece realmente feliz com seu sucesso. Não tem aquele ar blasé, tão comum nas celebridades de hoje em dia. Curte o carinho do público e soa sincera até mesmo ao dizer coisas que todo artista diz quando se apresenta no exterior. Dá pra notar que há verdade quando ela diz que "ama o Brasil" e, ainda, quando homenageia seu "herói", Michael Jackson, num número que soaria oportunista se viesse de alguém que não está no auge de sua carreira. Não é o caso: Beyoncé está no topo do pop!
Single Ladies e Halo fazem o ginásio tremer. No telão, até Obama surge fazendo a dança das mãozinhas, num vídeo muito bem sacado, que mescla dezenas de vídeos de usuários do YouTube que tentam repetir a célebre coreografia consagrada no clipe da texana. Divertido e criativo.
No fim, Beyoncé se despede e deseja um "feliz carnaval" aos fãs cariocas. Mais uma prova da sintonia dessa grande artista com o seu grande público...


Um showzão!

7.12.09

Sobre o novo DVD de Madonna...

Há quase um ano Madonna passou por aqui e sacudiu o Maracanã com a turnê Sticky & Sweet. Eu conferi a performance da material girl e escrevi aqui. Ontem, o Multishow exibiu o show, gravado dias antes, em Buenos Aires. Eu conferi a apresentação. E achei lamentável! Frio, o resultado mais parece um grande clipe que um show. A vibração do público não ganhou as telas e há momentos em que é fácil esquecer de que se trata de uma apresentação gravada ao vivo. Até porque, convenhamos, a loira não canta o tempo todo...
Achei que é um produto para fãs. Daqueles cegamente apaixonados. O que é uma pena: queria comprar pra ter o registro do show que assisti. Mas, pelo que vi ontem, acho melhor guardar na memória a lembrança daquela inesquecível - e calorosa - noite de chuva no Maraca.

24.10.09

Maria Bethânia celebra Amor, Festa e Devoção...

Na noite de ontem, o Canecão lotado conferiu a estreia do novo show de Maria Bethânia. Sob forte expectativa, os fãs da cantora baiana - que fizeram os ingressos para os três shows se esgotarem em menos de uma semana - puderam, enfim, ver, ao vivo, a cantora interpretando as músicas de seus recém-lançados discos, Tua e Encanteria.
Embora não seja compositora, Bethânia é a mais autoral das cantoras brasileiras. Dona de uma voz única e de um dom sem igual para dar sua leitura às canções que escolhe para cantar, a Abelha Rainha tem se especializado, ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, a garimpar pérolas para o seu repertório. E não foi diferente dessa vez! Afinal, quem mais teria a autoridade para unir a delicada Tua, composta por Adriana Calcanhotto, aos versos do refrão de Vai dar namoro, de Bruno e Marrone, num mesmo show? Quem mais, se não a cantora que Santo Amaro mandou para mudar a história da música no Brasil, poderia encontrar uma música tão forte e arrebatedora quanto Você Perdeu? - inédita que fez o Canecão explodir em aplausos. Que outra intérprete pode se dar ao luxo de cantar Explode Coração sem qualquer acompanhamento além do caloroso coro da plateia? Só Maria Bethânia, prezados.
Se soube ser delicada e doce na escolha das canções de amor, sobretudo ao entoar Queixa, que seu irmão Caetano tornou famosa; Bethânia também soube louvar a todas as devoções. Já no início do show, festejou Santa Bárbara, a dona das rosas vermelhas - e eram muitas as pétalas sobre o palco. Também deixou claro que foi Feita na Bahia, e saudou toda a Linha de Caboclo - nessa canção, como em algumas outras, valendo-se do auxílio de um papel que trazia a letra impressa. Todos grandes momentos do espetáculo!
E festa também não faltou! Marcando o ritmo nas palmas, o público se deliciou especialmente com Coroa do Mar, Ê Senhora e Saudade Dela - todas extraídas de Encanteria.
Na minha opinião, o primeiro ato de Amor, Festa e Devoção soa mais coeso, mais vibrante e mais interessante. No segundo, as músicas mais lentas predominam e, em alguns momentos, o show parece arrastado. Mas um grande momento é quando Bethânia canta Drama. E o coro espontâneo do público reaparece em É o amor, o maior hit da carreira de Zezé de Camargo & Luciano.
Para encerrar a noite, Bethânia novamente se vale do papel em punho para ler Noite dos Mascarados, um dos clássicos de Chico Buarque. A plateia, uma vez mais, vai ao delírio e arremessa sobre a cantora pétalas de rosa. Um justo reconhecimento por mais esse belo espetáculo, que certamente passará por ajustes de roteiro, mas já nasce como mais um clássico para a longeva carreira da cantora.

21.10.09

E Preta Gil grava seu primeiro DVD...

Abertura do show: feliz, cantora celebra com seu fiel público o sucesso de show que está há três anos em cartaz...


Depois de três anos lotando as boates moderninhas com a sua Noite Preta, a cantora cumpriu a promessa e registrou o show na The Week, a casa que tornou célebre a mistura de espetáculo de música e festa comandada por Preta. E acertou na medida: o fiel público reconheceu o gesto da cantora e, mesmo numa noite de terça-feira, lotou a boate para conferir a gravação.
O show foi um pouco menos caloroso que o habitual. E aí não vai nenhuma crítica à cantora: gravações de dvd, meus amigos, sempre acabam comprometendo o ritmo das apresentações. Ainda mais em tempos em que a tecnologia dos telões de leds - adotados por 10 entre 10 artistas - mostra tantas falhas. Aliás, fica a pergunta: por que insistem com os leds se eles costumeiramente dão pau, hein?
A espontaneidade de Preta Gil também ficou limitada e, demonstrando total interação com seu público, ela logo anunciou que os (habituais) palavrões ficariam de fora do roteiro dessa vez. Do contrário, alertou, "vai ser o primeiro dvd com piiiiiiii da história". A plateia, claro, morreu de rir.
No quesito som, a The Week deixou a desejar. Em alguns momentos era simplesmente impossível ouvir o que Preta cantava. Mas todo o irreverente repertório esteve lá: dos pagodes baianos ao Baba, Baby; de Paralamas do Sucesso a Xuxa. Sem falar na homenagem à apresentadora Angélica, que estava num dos camarotes. Fora do roteiro, Preta entoou versos de Vou de Táxi. E o público, claro, embarcou.
O momento mais bonito do show foi a releitura de Drão, com três gerações da família Gil no palco. Gilberto, Preta e Francisco (filho dela), no entanto, emocionaram o público mais pela delicadeza do momento do que propriamente pela beleza do registro.
Ana Carolina foi a outra convidada da noite. Juntou-se a Preta em Sinais de Fogo, composição da mineira gravada pela filha de Gil. E as luzes vermelhas deram o tom caliente do número, que contou com gritaria fervorosa das moças da plateia, as cantoras dançando juntinhas no palco e, no fim, um beijão das duas.
Preta brincou o tempo todo, divertiu o público nos intervalos entre as músicas e aparentava estar realmente muito feliz. Não é pra menos. Noite Preta pode não ser uma revolução em termos de show, Preta pode não ser a maior cantora da face da terra, mas é, sem dúvida, dona de um estilo próprio e de um fã-clube que saberá valorizar o registro desse já vitorioso show.

25.9.09

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 35

Bruno Astuto avisa, via Twitter, que Hannah Montana fará shows no Brasil em 2010.
Só isso. A notícia se resume a uma frase. Mas, convenhamos, já é ruim o bastante mesmo assim, né?

23.8.09

A Canibália de Daniela Mercury...


Em novo show, baiana celebra a brasilidade e o diálogo com outros povos e ritmos. E ainda presta deliciosa homenagem à Pequena Notável Carmem Miranda...

No início da década de 90, quando eu me despedia da infância e começava a me interessar por uma cultura que ia além das minhas revistas em quadrinhos, Daniela Mercury surgiu e me fez prestar atenção naquele som de pegada forte, vigorosa, ritmado e irresistível. Era o som da percussão, do samba-reggae. O som de um Brasil que eu nem conhecia ainda, mas, naquela época, descobri que já pulsava em algum lugar aqui dentro - talvez nas memórias ancestrais, talvez num pedaço qualquer do neguinho que está por trás da minha pele branca e dos olhos castanhos claros.
Tinha pouca grana e me lembro de juntar uns trocados pra comprar um LP da baiana. Era o terceiro, Música de Rua. E me esbaldei ouvindo aquele repertório interpretado pela voz firme e metálica de Daniela. E, desde então, passei a acompanhar sua carreira com entusiasmada atenção. Tenho todos os seus Dvds e a cada novo lançamento, fico novamente surpreso com o requinte estético e com o poder de reinvenção dessa baiana que não se acomodou no trono de Rainha do Axé - conquistado há quase vinte anos. Se foi sucedida na coroa, Daniela não se apequenou: seguiu buscando realização e explorando o melhor que sua inquietação artística pode render. É essa inquietação que está em cena em Canibália, o novo show da baiana. Com início envolvente - que traz a artista num solo de dança - o espetáculo hipnotiza a plateia e mostra, sobretudo, uma Daniela Mercury em absoluta forma. A voz aparece mais potente do que nunca e o corpo nunca deixa de obedecer aos comandos da cantora - e, aos 44 anos, ela exige muito dele!
Vi todo o espetáculo sem a condescendência de um fã. Queria mais que isso. E encontrei uma artista inteira em cena, consciente do seu poder e do valor do seu repertório. Daniela Mercury mostra, nesse show, como estava certa ao romper as fronteiras da axé music e dialogar com os mais variados estilos e sonoridades. Canibal, ela bota no mesmo caldeirão Belchior, Raul, Roberto, Brown, Caetano e Chico. É perfeita em quase todas as canções - embora eu tenha achado a leitura de O que será? bem chatinha. Cantando Eu nasci há 10 mil anos atrás, Daniela arrepia e arranca um coro potente de um Canecão lotado. Em Como nossos pais, oferece ao público - saudoso de Elis Regina - uma versão de andamento ligeiramente mais rápido, que resulta numa interpretação única e emocionante.
Antenada, a baiana evoca Carmen Miranda e faz um dueto criativo e alto astral com a Pequena Notável numa versão twist para O que que a baiana tem?, num número divertido, calcado na interação de Daniela com seus (ótimos) bailarinos.
Mas é com sua fileira de hits que a artista o Canecão explodir. Ilê Pérola Negra, Batuque, Swing da Cor, Rapunzel, O canto da cidade e Maimbê Dandá ainda exalam frescor e funcionam como convites irrecusáveis pra fazer o público dançar freneticamente. E o mesmo pode ser dito da nova (e ótima) Oyá por Nós.
Deixei o Canecão com um sorriso de moleque no rosto. É bom ver que nossos ídolos ainda são os mesmos. E ver que Camille Paglia estava certíssima ao dizer que Daniela é tudo o que Madonna gostaria de ser...

22.8.09

Preta Gil bota o povo pra ferver na TW...

Não foi a primeira vez que vi um show de Preta Gil. Ano passado, já tinha conferido duas Noites Pretas capitaneadas pela artista. Uma, numa casa de espetáculos pequena e acolhedora, em Laranjeiras. Outra, numa Lona Cultural.
Mas ontem tive a oportunidade de conferir Preta no palco que a consagrou como entertainner: a The Week, na Zona Portuária da cidade. E é lá, cercada por um público colorido e alegre - que traduz perfeitamente o espírito do espetáculo - Preta bota todo mundo pra ferver.
Alguns podem ser perguntar: mas a The Week não é uma boate gay? Sim, é. Mas na Noite Preta, é muito mais que isso. Preta buzina as moças e comanda as massas sem distinções, sem erguer bandeiras e sem se preocupar com rótulos. O que ela quer é divertir! E consegue!
Outros críticos podem lançar dúvidas sobre a capacidade vocal da cantora. De fato, Preta Gil não é uma Maria Callas - e nem uma Mariah Carey, para ajudar os mais novos. Mas sua voz e seu carisma tomam o palco e cumprem totalmente o objetivo do show. E de quem lota a boate para conferir sua apresentação. E vale dizer que é muito mais que uma apresentação de música: interagindo com a plateia, promovendo concursos de dança e debochando de pérolas da música pop brasileira, Preta surge desbocada e mostra que é, antes de tudo, uma antenada e bem humorada artista.
Vale muito a pena!

18.8.09

Ivete Sangalo e o olho de thundera...

Acabo de assistir a um flagrante feito durante o show da Ivetuda no Espírito Santo, no último sábado. Do alto do trio, no meio de uma música, a baiana percebe quando um ladrão rouba uma pessoa. Na hora, Ivete manda a banda parar e denuncia o picareta, que acaba expulso da festa. E anuncia: "Isso aqui não é festa de ladrão! Aviso logo: eu sou o famoso olho de thundera!".

Espia só:

Já fui a vários shows da Ivete e pude assistir intervenções desse tipo. Coisa de quem não está perocupada apenas com o dinheiro que entra e, sim, com a segurança e o bem estar do público. Muito bacana mesmo!

4.7.09

Madonna reverencia o Rei do Pop...


Tem gente que vai dizer que a homenagem que Madonna fez a Michael Jackson no show de hoje, em Londres, é mais uma prova do senso de oportunidade da loira. Sei que também não faltarão aqueles que acusem a cantora de "querer aparecer" às custas do cantor. Mas acho tudo isso bobagem...
Vendo o vídeo da homenagem, com Madonna servindo de escada para que um dançarino sósia de Jacko brilhe no centro de seu palco, notei o tamanho da reverência que a estrela faz ao Rei do Pop. E fiquei lamentando o fato de o mundo nunca ter podido assistir uma apresentação dos dois juntos, no mesmo palco, botando a massa, em delírio, pra dançar e cantar como só eles dois seriam capazes de fazer.
Vai ter que ficar pra uma próxima...

PS.: Madonna postou o vídeo oficial da homenagem no site dela. E, por isso, troquei o vídeo de fã que tinha postado. Essa é uma daquelas homenagens que a gente tem que ver com todos os detalhes que tem direito.

2.7.09

O último ensaio de Michael Jackson...


Fiquei muito triste ao ver esse vídeo essa noite, no Jornal Nacional. Ele mostra que o Rei do Pop tinha, sim, condições de arrebentar a boca do balão em sua última turnê. E chega a tornar difícil acreditar que o homem sobre o palco seja aquele alguém tão frágil descrito nos incontáveis depoimentos dos igualmente incontáveis amigos que apareceram depois do anúncio da morte de Jacko.
Triste pensar que esse grande artista não teve a chance derradeira de mostrar ao mundo que ainda tinha a majestade do pop...
Coisas da vida.

11.6.09

Marília Pêra: favorita ao Mico do Ano???

Turma, confesso que esse post tá pintando aqui com um atraso considerável. E me explico: tenho uma admiração enorme pela Marília Pêra e, invariavelmente, gosto de tudo que ela faz. Portanto, quando vi essa grande atriz em cena, no espetáculo Elas cantam Roberto, estranhei. Achei que alguma coisa estava fora da ordem diante da interpretação, digamos, gutural que a estrela deu à canção 120, 150, 200 km por hora, gravada pelo Rei 39 anos atrás. Mas, e aí que vem a bomba: achei que alguma coisa estava fora da ordem...comigo!
Sim, respeito tanto esse talento inquestionável de Marília Pêra que, vendo sua performance, imaginei que estavam me faltando sensibilidade e bom gosto para apreciar a sua leitura da música. Algo me incomodava, mas é claro que eu que devia estar errado. O que fiz? Voltei a ver o vídeo depois, online. Fiz isso alguns pares de vezes...e o faço novamente agora, enquanto escrevo o post...


E hoje, passadas quase duas semanas, confesso: achei muito esquisito, estranho demais! Dizendo o texto, Marília arrebenta, mas, na hora de cantar o refrão há momentos em que ela grita pra caramba e chega a parecer uma doida zanzando pra lá e pra cá. Tá aí o gritinho aos 04'59'' que não me deixa mentir...
Muito ruim mesmo! Mas essa é só a minha opinião...quero saber a de vocês, ok?
Sabe como é...diz o ditado: "antes tarde do que nunca..."
Comentaê!

6.6.09

Sobre o novo Dvd de Maria Bethânia...

Ontem eu fiquei um tempinho offline pra conferir o Dvd novo da Bethânia, Dentro do mar tem rio. Esperei muito pra ver o resultado da gravação, feita duas vezes por exigência da artista. E gostei. As imagens são bonitas e as câmeras têm movimentos mais sofisticados que nos shows anteriormente registrados e lançados pela baiana...
O som é perfeito e, na tela, o cenário ganha força e beleza. Parece que Bethânia está diante do céu, contemplando os vários tons e matizes que o colorem durante o dia. Bonito mesmo!
Só faço uma ressalva: o público de São Paulo parece ter recebido o espetáculo muito friamente. Vi duas apresentações da turnê aqui no Rio e lembro bem de como os cariocas marcavam o ritmo das canções na palma da mão, além, é claro, de cantar quase todas as canções do repertório. Em São Paulo não parece ter havido a mesma sintonia fina entre artista e plateia. Pelo menos não a ponto de se fazer notável nesse Dvd.
Também senti falta de extras. Seria interessante, por exemplo, ver Bethânia falando de sua relação com as águas, com os orixás que regem esse tão precioso recurso natural.
O grande momento? Assim como quando estive nos shows, elejo a interpretação de Ultimatum. Impecável!!!

31.5.09

Plantão Elas cantam Roberto 2...

Merece elogios a postura da Rede Globo ao exibir a participação de Hebe Camargo, do SBT, no show em homenagem ao rei Roberto Carlos.
E, diga-se de passagem, não foi favor algum: aos 80, Hebe cantou lindamente uma canção densa, dramática e linda! Encheu a tela, o palco e foi merecidamente ovacionada ao fim do número!

Plantão Elas cantam Roberto...

Olhe a foto abaixo e responda:
Wanderléa é Daniela Mercury amanhã???

Outra Noite Preta...

Ontem eu fui a um show de Preta Gil. E fiquei impressionado com a evolução da artista em cena! Cheia de suingue e deboche, Preta se revela muito mais que uma cantora no palco. É uma show-woman cheia de carisma e com um domínio completo do espetáculo.
Festejada pelo público gay - que costuma seguir a artista onde quer que ela vá - Preta mergulhou nesse universo e pinçou gírias e expressões divertidíssimas, que fazem a alegria de todos, independentemente da orientação sexual.
E o repertório segue a mesma linha: lá estão Baba Baby, de Kelly Key; Marrom Bombom, de Os Morenos; Tempos Modernos, de Lulu Santos; e hits do repertório de Preta, como Estéreo e Sinais de Fogo, ambos compostos por Ana Carolina.
Em suma: a Noite Preta é um programão! Quem vai dança, canta e ri muito!!!