Mostrando postagens com marcador Cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cotidiano. Mostrar todas as postagens

9.2.15

Meu encontro com a intolerância em forma de mulher...

Não sei em que momento a classe média brasileira optou por ser a classe medíocre; cheia de discursos preconceituosos, repleta de ódio e pautada pela intolerância...


Meus amigos mais próximos sabem que costumo ser um cara ponderado. Muito ponderado, inclusive. Penso bastante antes de tomar decisões, penso no quê e em como falar, penso, penso, penso. Peso os prós e contras do que digo e do que faço. Não é algo calculado; nunca foi: é da minha essência. Poderia atribuir isso à tal balança, ícone do meu signo - libra - mas gosto mais de pensar que essa busca por equilíbrio é o caminho que venho trilhando, a cada dia, para ser um alguém melhor. Melhor para o mundo, para as outras pessoas e pra mim mesmo.
Raramente discuto. Raramente bato boca com alguém. Ontem, no entanto, a ponderação e essa busca pelo equilíbrio não foram suficientes para evitar que isso acontecesse. Foi no condomínio em que moro; na piscina aquecida - cujas águas, aliás, diante do calor desse verão, nem têm precisado ser artificialmente aquecidas.
Entrei na piscina e uma senhora - que também não estava aquecida e, sim, esquentadinha demais - gritava com o guardião. Ela se queixava aos berros do fato de uma jovem visitante estar dentro d'água usando um short; o que é vedado pelo regimento do condomínio. Eram pérolas como: "Eu pago isso aqui e cumpro as regras, por que uma visitante não tem que cumprir?" e "É o seu papel mandar ela (sic) tirar, você que é o 'piscineiro', eu sou moradora, não tenho que ficar me indispondo", esbravejava, como se fosse uma senhora feudal e o funcionário do condomínio, um seu escravo.
Respirei fundo quando a menina, de uns 16, 17 anos, tirou o short e continuou na água. Estava claro que não havia nenhuma intenção de desrespeitar o regimento: ela apenas não tinha sido comunicada sobre as regras para frequentadores da piscina. A moradora - que, durante a palestra, fazia questão de frisar sua condição de moradora, numa tentativa vã de menosprezar a jovem visitante - seguiu fazendo seus exercícios de hidroginástica e achei que a tarde de domingo voltaria ao curso normal...
Estava errado. O guardião da piscina precisou ir ao banheiro e um outro veio substituí-lo.  Esse outro guardião a moradora fez questão de tratar com uma certa simpatia; como se agora fosse a senhora de engenho a lidar com um capataz de confiança. E iniciou a ladainha, aos gritos, para voltar a constranger as jovens e a infernizar minhas pretensões de um fim de tarde relaxante. Foi quando se deu o seguinte diálogo:
- Mas por que você não está na piscina externa?
- Porque ela foi interditada agorinha.
- E por quê? - quis saber a mulher.
- Porque um morador fez as necessidades dentro.
- Foi aquele doente de novo?
Aí meu estômago embrulhou. O "doente" é um morador com deficiência. Eu tinha ficado sabendo do incidente pouco antes, quando decidi, então, usar a piscina aquecida. O jovem, com uns vinte e poucos anos, não tem controle sobre os músculos. Vai à piscina acompanhado da mãe. E, por conta dessa limitação, acabou sujando a água.
Ignorando completamente toda essa situação e todo e qualquer sentimento semelhante ao de compreensão, a mulher prosseguiu:
- Às vezes eu tô aqui, fazendo a minha aula de hidro, e ela traz ele pra cá! Bota dentro da piscina! E acha que tá certa! Diz que tem uma lei que garante o direito dele! Um absurdo! Ele tem quase trinta anos, sabe? Ele tem direito? Então ela tem é que levar uma multa quando isso acontecer! Prejudica todo mundo que paga pra ter acesso à piscina!
À essa altura eu já estava fora da piscina. Não suportei testemunhar esse ataque extremo do que há de mais abjeto no ser humano. Não suportei ver ali, diante do meu nariz, uma espécie de materialização daquelas colunas idiotas e cheias de preconceitos que andaram povoando as páginas dos sites e dos jornais dias atrás. Não suportei tanto desrespeito, tanto desamor, tanta grosseria. Não suportei ver que, em 2015, há gente parecendo mais desumana que qualquer homem das cavernas. Já vestido, fora da piscina, olhei pra ela e disse, no tom mais baixo que consegui utilizar (e era alto!):
- Quando a senhora quiser reclamar, por favor, procure a administração do condomínio.
Cega e idiota, como costumam ser todos os que compactuam com pensamentos tão tacanhos, ela achou que eu estava concordando com seu discurso:
- Pois é, meu amigo. É que não tem adiantado.
- Mas é lá que a senhora deve ir. Porque o seu direito de reclamar termina onde começa o meu direito de vir pra cá aproveitar uma tarde relaxante na piscina. E aqui, gritando desse jeito, a senhora estragou a tarde de todo mundo. Tá sendo desagradável...
- Você é morador? - ela devolveu, também tentando me desqualificar.
- Sou e tenho o direito de frequentar isso aqui sem ouvir ninguém fazendo escândalo. Falando do rapaz deficiente como você falou, com um discurso cheio de preconceito babaca!
Dei as costas, já de saída.
- Você é um mal educado! Falou palavrão!
Voltei:
- Mal educada e preconceituosa é você! Babaca não é palavrão, mas todo preconceito é babaca sim!
Saí a tempo de ver o guardião da piscina piscar o olho e sorrir pra mim; aliviado por se sentir defendido. Também houve tempo de escutar as palmas das meninas que estavam sendo metralhadas verbalmente por aquele patético exemplar de uma elite que recrimina e discrimina as diferenças; de uma elite velha e imoral, que acha que seu dinheiro paga tudo e que, por isso, deve ter todos os privilégios de que sempre pode usufruir. Aquela mulher, achando-se uma espécie de socialite da Lapa, enfurnada no seu "Condomínio Club" diz muito do Brasil. Diz muito do que vemos na TV, lemos nos jornais e na internet. Diz, também, muito sobre quem se acha melhor pelo que tem e não pelo que é. Humilhando as meninas, o guardião da piscina, o jovem deficiente e sua mãe - que sequer estavam lá para que pudessem se defender - aquela mulher jogou na minha cara o que há de pior e mais triste na nossa sociedade; jogou na minha cara que parte considerável da classe média brasileira optou por ser, na verdade, uma classe medíocre.
Saí da piscina nervoso, boca seca. Mas estava bem cinco minutos depois, cercado de amigos e rindo. 
Leve, como sou e como acho que a vida deve ser. E aprendi que não dá pra tolerar intolerância. E que todos que pensam num mundo mais plural, comprometido com um ideal de sociedade mais justa e menos desigual não podem se calar diante dessas manifestações torpes do que pode haver de mais desumano. Não fiz isso apenas pelas meninas, pelo guardião da piscina ou pelo menino com deficiência; fiz por mim. Vê-los humilhados me fez mal. E acho que só assim, sentindo uns as dores dos outros, poderemos, unidos, materializar uma outra forma de existir em sociedade.
Meu domingo seguiu. Ela, quando a deixei, continuava só na piscina. Sozinha e amarga, destilando ódio e rancor. A continuar assim, vai acabar se afogando na própria desumanidade...

6.2.15

Sobre o meu convívio com os velhinhos atletas...

Uma velhice leve: colegas de academia mostram que, sim, é possível...

Venho de uma família grande, cheia de tias e tios avós e lembro bem de sempre ter gostado de conversar com eles, ouvir suas histórias deliciosas, aprender o que achava interessante e, às vezes, aprender como não queria ser. Ou seja: velhinhos sempre me sensibilizaram muito. Talvez até mais que crianças...  
Há duas semanas, mudei de academia e passei a fazer algumas atividades físicas novas. Entre as novidades está uma aula chamada hidro power. À primeira vista, ainda na borda da piscina, fiquei meio cismado. Muitas vovós e alguns vovôs dentro d'água; pulinho pra lá, levanta a perna pra cá, simula uma corridinha acolá. Enfim, parecia um exercício menos puxado do que aqueles aos quais eu estava habituado.
Pois bem! Comecei a primeira aula e, lá pela metade, já estava pra lá de ofegante. Meus companheiros, vovós e vovôs, também pareciam exaustos - embora realizem os movimentos com menor intensidade. Mas notei em todos uma alegria imensa, um prazer inquestionável por estarem ali, fazendo a aula e colocando o corpo em movimento.
Terminei a aula cansado - e seduzido o bastante para repetir a dose: fiz a segunda aula, a a terceira e, no fim da quarta, já no vestiário, notei que um dos meus companheiros de piscina assobiava uma melodia familiar: "As pastorinhas", que ouvi minha vó cantarolar algumas vezes na minha infância... 
No meio da minha chuveirada, dei risada. De início eu achei a situação um tanto quanto inusitada: não esperava terminar a noite com aquele senhorzinho cantando "lindos versos de amor" no vestiário. Mas logo me senti feliz por aquele senhor; feliz por sua alegria e feliz por ver que a velhice pode ser leve, produtiva, saudável e cheia de música. Depois, passado aquele impacto inicial, fiquei pensando na força daquela canção. Resolvi pesquisar um pouco quando chegasse em casa - o fiz e descobri que "As pastorinhas" foi gravada pela primeira vez há quase 81 carnavais! Que potência! O senhor que a cantarolava no chuveiro ao lado, aparentando uns 70 anos, certamente não era nascido na época. Herdou a canção dos pais, talvez. Como eu herdei da minha vó. E como talvez os netos dele também a tenham herdado.   
Terminando meu banho, sorri. Achei graça. Senti saudades.
E decidi: quero ser um velhinho como ele! 

28.1.15

O jeito nosso de cada dia...


Hoje, depois de longo e tenebroso inverno sem pegar um coletivo, retomei a relação com um exemplar da espécie. Tava tudo indo muito bem até eu perceber, menos de 100 metros depois do embarque, que o motorista simplesmente não conhecia o trajeto da linha. Mais: estava sendo guiado pelo cobrador.
Normal, pensei. Todo mundo precisa de auxílio quando começa num emprego novo. Relaxei. A viagem seguia com o trocador indicando os pontos para o piloto (esse é nosso! Nesse não, parceiro!) seguindo as indicações definidas pela prefeitura no tal do BRS - com o qual, aliás, também não tenho a menor afinidade, porque sou do tempo em que tudo que é ônibus parava em tudo o que é ponto, mas...essa é outra história...
Enfim, aquela espécie de curso prático de motorista seguia diante dos meus olhos quando, na Praia do Flamengo, veio o primeiro susto: o aprendiz de condutor queria fazer uma curva à esquerda - ignorando completamente o rumo a ser tomado. O cobrador, atento, corrigiu o equívoco e iniciou uma breve palestra sobre os limites de velocidade na praia do Flamengo. "Aqui é mais rápido andar de patinete ou carrinho de rolimão (sic) porque ninguém pode meter mais que 60", advertiu. Mas também não precisa andar a 30km/h, pensei, mas respirei fundo e me diverti com a situação. Primeiro dia, caramba. O cara tá inseguro. Super compreensível...
Eis que, no fim da Praia do Flamengo, o motorista novato não seguiu pela Praia de Botafogo. "Ih, me distraí, foi mal", gritou o cobrador-navegador, atrasado e ciente da confusão criada. 
- Que ônibus é esse, mermão? - berrou um passageiro.
- Não sabe dirigir, fica em casa! - advertiu uma senhora estressada e com voz de tenor.
- Pultaquimilpariu, resmungou o senhor que suava num terno no banco ao meu lado.
Não disse nada. A simpatia pelo motorista-de-primeira-viagem acabou, admito. Ele não tem culpa, claro. Mas não pode ser séria uma empresa - ou uma cidade - que permite uma situação dessas. Imagina um médico operando assim? Um engenheiro atuando assim? Não pode! Não dá!
"Quem quiser descer, desce aqui. É o jeito!", sugeriu o trocador, que também seria reprovado se estivesse sendo avaliado como formador de condutores. Puxei a cordinha e desci. Foi o jeito. O jeito que cada um de nós, o tempo todo, é obrigado a dar num país que se move aos trancos e barrancos; desprezando regras, leis, fluxos, processos; trocando tudo pelo jeitinho. 
Ê, Brasil...

15.1.13

O segundo iPad a gente nunca esquece...

Eu comprei um iPad no ano passado. Pra ser mais preciso, no dia 29 de março do ano passado. Lembro da data perfeitamente porque no mesmo dia fui assaltado, meu carro foi roubado e, com ele, foi junto o tablet que eu sequer havia retirado da caixa. Um brinde para os ladrões.
Ontem, voltei a encarar o desejo de experimentar esse gadget tão popular e comprei um. Escrevo dele. E devo dizer que a experiência é mesmo incrível!
A tela oferece conforto para a leitura, a sensação de "virar páginas" de publicações digitais é saborosa e todos os requintes que a convergência de mídias pode proporcionar oferece ao usuário um grande prazer na interação com esse aparelhinho tão popular - vale dizer que, na loja em que comprei o meu, havia uma fila de pretendentes. Fui o quarto!
Tô completamente encantado! Posso dizer que se trata de um caso de amor à segunda vista! E já fico pensando pra onde mais o futuro poderá nos levar...

7.11.10

A grande rasteira...

Passei o fim da tarde e boa parte da noite no hospital, acompanhando minha prima. E se o clima nunca é dos melhores em lugares do gênero, hoje estava especialmente ruim. Soube de duas mortes num curto espaço de tempo. Uma grávida, que teve a infelicidade de perder seu bebê no finalzinho da gestação; e uma senhora, que não resistiu depois de 20 horas de cirurgia e faleceu.
Vi os familiares das duas vítimas chorando e aquele clima me trouxe lembranças igualmente tristes. E fiquei penalizado com um jovem, filho da senhora que morreu depois da operação. Ele trazia nos olhos a dor de quem está devastado por uma perda irreparável. Deu a notícia a uma familiar e buscou apoio me chamando pra conversa:
- Se dependesse da gente, né, meu amigo, o mundo ficava lotado! Ninguém morria...
Acenei com a cabeça concordando. E, mentalmente, desejei muita força para aquele garoto, que se contentou dizendo que a mãe sentia orgulho dele e de seus irmãos. Tive muita, muita pena. Não suporto me imaginar no lugar dele e tenho a certeza de que não há experiência que possa me preparar para viver momento igual. A certeza de que nunca serei alguém que irá encarar a morte como algo cotidiano: pra mim, ela sempre será uma grande rasteira...

10.10.10

O taxista maconheiro e o Cristo flutuante...

Na última sexta-feira, dia do meu aniversário, tomei um táxi com meus amigos na Lapa. Um fato corriqueiro. Da Lapa até o Humaitá, com uma pequena parada em Copacabana para deixar uma amiga e pegar outra. Pouco mais de 10 minutos. Coisa simples...
Mas eis que, logo no embarque, senti uma vibe no taxista. Eduardo cantava as músicas que o DVD automotivo executava. Ria despurdoradamente e falava alto. Poderia ser apenas bom humor. Mas logo notei que havia algo mais operando naquele indivíduo:
- Rapaz, acho que teremos problemas se pararmos no bafômetro, hein? - adverti
- Ihhhhh, que nada! - respondeu, gargalhando - O bafômetro aqui não pega nada...
E tome cantoria. Meus amigos e eu começamos a rir daquela figura. E eu logo desvendei o enigma:
- O que você tomou não era de beber, né? Era de fumar!!!
Eduardo gargalhou! Sim, meus caros, ele tava todo trabalhado na maconha...
- Amigo, se todo mundo desse um tapinha antes de dirigir, o trânsito seria muito melhor. Quando um piscasse o farol, o outro daria passagem, ninguém ia buzinar, não ia ter estresse. - e tome risadaria.
No som do carro, Zélia Duncan cantava Saúde, de Rita Lee. Eduardo cantava alto, batia palmas e fazia o coro do backing vocal - "uh-uh-uh-uh-uh-uh / uh-uh-uh-uh". Um show. O carro seguia pelo Aterro, com eventuais deslizes do nosso condutor, até que ele soltou uma típica pérola de quem está com a cabeça feita. Olhando para o Corcovado, deslumbrou-se:
- Olha o Cristo! Caramba! - pausa para apreciação - parece até que tá voando...
E essa foi só uma das muitas tiradas do taxista-doidão. A corrida daria um livro - indicado para maiores de idade. Mas prefiro parar por aqui...
Felizmente, Cristo não estava flutuando. E estava bem ligado na missão de nos proteger: chegamos sãos e salvos ao destino e a festa foi ótima.

PS.: O B@belturbo adverte: pegar táxi com um motorista doidão pode ser muito prejudicial à saúde. Take care, ok?

29.9.10

Lições de um pequeno repórter...

O grupo de alunos grafitava uma parede quando eu me aproximei. Disse que fazia uma reportagem sobre a escola e que gostaria de entrevistar um estudante. Os maiores, no auge da adolescência, não se entusiasmaram. Já previa dificuldades para conseguir atingir meus objetivos quando senti uma mão pequena na minha cintura. Era José:
- Tio, tio! Eu quero falar!
José tinha aquela cara marota de criaça levada, feliz. No rosto, pintinhas azuis, provas de sua participação na oficina de grafite. Percebi logo que o garoto era desinibido e brinquei, perguntando se ele estava se transformando num avatar - azul, como os personagens do filme. Ele riu, esperto.
Não sei explicar a razão, mas o brilho no olhar daquele menino me cativou. Vi nele um filho que já foi mais constante em meus sonhos e projetos de futuro. E resolvi entregar-lhe o microfone e pedir que ele fizesse as vezes de repórter, olhando para a câmera e contando pra todos os que estivessem assistindo como era a sua escola. Ele pareceu um pouco tímido - já que a gurizada toda tinha se juntado para acompanhar a gravação. Mas em momento nenhum deu alguma pista de que pretendia desistir do nosso trato.
Quando eu dei o sinal, José se apresentou. José Rafael, 11 anos. E falou de como a escola era importante na sua vida, de como gostava de frequentar as aulas. Citou as atividades esportivas e artísticas as quais tinha acesso no contraturno escolar e falou de tudo isso com um brilho nos olhos de quem realmente sente do jeito que diz.
Eu fiquei impressionado com tanta simpatia. E, assim que ele terminou, apertei aquela mão pequenininha e agradeci pela parceria. Foi quando me virei para a equipe e notei duas companheiras emocionadas. Preocupado, perguntei de que se tratava. E elas me contaram: o pai do meu repórter-mirim tinha morrido, vítima de câncer, na última noite. E, no meio daquele momento de dor, o menino tinha pedido à irmã para que o levasse à escola. José agora era órfão de pai e mãe - ela tinha morrido dois anos antes.
Fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Penalizado com o destino daquele garotinho tão esperto, tão inteligente, tão jovem e tão marcado pelas perdas da vida. Tentei pensar em seu futuro e pedi a Deus que o proteja sempre, que o livre de todo o mal e que faça com que todo esse amor pela escola cresça e faça de José Rafael um cara de bem, com uma vida tranquila e bem encaminhada. E que muita felicidade aguarde por ele nessa caminhada.
Durante toda a tarde, o menino não saiu da minha cabeça. Ele nem faz ideia, mas me fez pensar muito desde então. Em como reclamamos da vida à toa, no quanto desperdiçamos momentos felizes por conta de coisas pequenas e desimportantes. E, mais do que isso, pensei na importância da escola e da educação na vida de crianças como o José.
É...quem disse que a vida de repórter é fácil?

4.9.10

Dias tristes...

Norminha, o gato que fisgou o coração de Robinho, meu cachorro...
Os amigos que me seguem no Twitter sabem que essa semana eu vivi uma experiência bem triste. Amante dos animais, acabei atropelando uma gatinha da vizinhança. A cena foi muito chocante. Soraya - a gatinha - foi levanta para o veterinário mas precisou ser sacrificada. Passei dois dias mal, sem conseguir dormir direito e com aquelas imagens horríveis rondando minha cabeça. Rezei por Soraya e, graças a Deus, já não penso no caso com tanta frequência.
Soraya é mãe de Norminha. Lembram de Norminha? O gato - sim, macho! - que andou flertando com Robinho, meu cachorro. Contei a história aqui. E hoje, vejam vocês, soube que Norminha morreu. Ele estava resfriado, teve uma piora súbita e não resistiu. O clima seco tem sido implacável também com os animais...
Robinho perdeu o pretendente. E eu perdi um pouco da graça nesse sábado.
Eu gosto muito de bichos. E realmente me entristeço com essas notícias. Quem acompanha o blog sabe que falo dos animais sempre com humor, que é a melhor das lentes que a gente pode usar pra ver melhor esse mundo doido e todos aqueles a quem amamos.
Talvez quem não goste de bichos tenha alguma dificuldade para entender essa minha tristeza. Talvez até ache um pouco ridículo um marmanjo se entristecer com as mortes de dois gatos. Talvez digam que eram "apenas" gatos...
Por todos esses eu lamento. Lamento por não terem podido viver a alegria de ter esses seres tão amorosos, tão generosos e tão engraçados por perto. Por não terem compartilhado com eles seus momentos de alegria e infortúnio. E por não terem podido experimentar a sensação de um amor inocente, puro e imenso. Um amor provado e reforçado a cada dia, em olhares dóceis, na espera para o jantar e na festinha feliz a cada volta para casa.
Amor raro nessa época em que humanos cada vez mais parecem se empenhar em reforçar o que há de pior em seu lado animal...

26.8.10

Meu Ipod (não) diz muito de mim (?)...

Meu Ipod é um terreno eclético. Convivem harmoniosamente estilos, timbres, ritmos, épocas e idiomas tão diversos que, de certa forma, só fazem sentido pra mim. Pensei nisso dia desses, quando o aparelho entrou no modo randômico e saiu de Drão, de Gilberto Gil, para Because you Loved me, de Céline Dion, passando por Topo do mundo, de Daniela Mercury , Detalhes, de Roberto Carlos e Spending my time, do Roxette.
Uma salada! Grega! Tem Lady Gaga, mas tem Moska. Tem Titãs e Isabella Taviani. Zizi Possi e Jota Quest. Madonna e Leila Pinheiro. Skank e Elis Regina...
Tenho várias playlists. Baladas, só com músicas românticas. Night, para os momentos de ânimo lá em cima. MPB, com um nome autoexplicativo. King of Pop traz uma coleção de músicas de Michael Jackson. Bublé agrupa as canções interpretadas pelo canadense. Duas Marias têm listas exclusivas com seus repertórios: a Bethânia e a Rita. Tenho listas para Pop Nacional e para o Pop Internacional.
E uma lista chamada Ivete Sangalo.
Ivete não sabe, mas devo a ela muitas das calorias consumidas na malhação. Ao contrário do que acham os responsáveis pelo som nesses ambientes, eu acho que house, funk, techno e congêneres não têm absolutamente nada a ver com atividade física - especificamente com musculação. E é a baiana que escuto na hora de puxar ferro...
Enfim, falei tudo isso pra dizer que, se os Ipods se transformarem em fontes de pesquisa para as gerações futuras, eu imagino que, simplesmente, seria impossível decifrar o tipo de música que mais me agrada...
E você? Será que vai ser mais facilmente compreendido pelas gerações futuras do que eu?
Comentaê!!!

16.8.10

O taxista-candidato e seu palanque sobre rodas...

Na madrugada de sábado, eu e alguns amigos pegamos um táxi. Ok, essa frase não fez as bolsas despencarem e nem elevou a cotação do dólar. Assumo: o fato é corriqueiro e não muda a vida de ninguém. Mas segure a ansiedade, leitor: a história vai deslanchar no parágrafo seguinte!
Enquanto o motorista nos levava ao destino em silêncio - fato cada vez mais raro entre taxistas cariocas - um dos meus amigos relatava um desagradável episódio amoroso. Um barraco daqueles! Todos estávamos espantados com o teor da história quando, parecendo despertar de um sono profundo, o taxista disparou:
- A inveja é uma merda!!!
Levei um susto! Primeiro, porque nada havia na história que pudesse levar alguém à conclusão do nosso condutor. E, segundo, pela falta de sutileza do camarada ao se meter na conversa alheia. Mas o pior ainda estava por vir...
- A pessoa quando tem inveja faz de tudo pra te colocar pra baixo, meu amigo. Eu, por exemplo, tô passando por isso agora que eu sou candidato a deputado federal!!!
Aí, turma, o meu interesse pela desilusão amorosa do meu amigo foi pro espaço! O taxista-candidato virou o personagem da noite! E, na hora, saquei a estratégia de campanha do sujeito: aproveitar as brechas nos papos dos passageiros do táxi para, como quem não quer nada, contar que é candidato nas eleições de outubro.
Dei linha na pipa e ouvi o candidato com prazer. O cara é realmente simpático e tem uma história de vida interessante. Espera se eleger porque o partido tem um ex-BBB em campanha, o que pode aumentar as chances de fortalecimento da legenda, e, assim, fazer subir o número de cadeiras conquistadas na Câmara. Falamos da velocidade com que o tempo tem passado e, no fim do papo, ele distribuiu um cartãozinho de visitas e me disse:
- Você tem orkut? Me adiciona lá! Independente da eleição, quero mais é fazer amigos!!!
Na boca de qualquer outra pessoa pareceria picaretagem. Mas, vejam vocês, o taxista-candidato me pareceu realmente sincero...

12.8.10

O amor impossível de Robinho e Norminha...

Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que tenho um poodle chamado Robinho. Isso mesmo: em homenagem ao craque do futebol. Robinho ganhou esse nome quando veio aqui pra casa, pouco antes da Copa de 2006, quando achei que o jogador revelado pelo Santos seria o nome do mundial da Alemanha. Errei minha previsão, mas ganhei um cachorro pra lá de especial...
Robinho é um come e dorme. Tranquilo, tem uma certa bronca de crianças pequenas. E gosta de caminhadas - apesar de se cansar logo que elas começam.
A vida amorosa do meu cachorro é um fiasco. Namorou Kiki - a fêmea - quando tinha apenas seis meses! Ela, já uma senhora, tinha seis anos. Serviu-se do novato o quanto quis e, passado o fervor da repentina paixão, passou a tratar-lhe com total desprezo e indiferença. Desde então, a relação dos dois é tensa. Num dos dias mais complicados nesse convívio, quando Kiki não queria dividir o espaço na janela com o ex-affair, Robinho protestou silenciosamente: levantou a pata e deu uma farta mijada na cara daquela a quem outrora dera tanto amor. Foi o marco do fim de um caso conturbado e fugaz.
Desde então, e lá se vão quatro anos, Robinho nunca mais experimentou o amor. E foi esse marasmo sentimental que me fez ficar surpreso quando soube, esta semana, que meu cachorro estava de olho em uma nova companhia. E mais surpreso ainda eu fiquei ao descobrir a identidade do novo amor do cão: Norminha.
Você deve estar se perguntando o porquê da minha surpresa. Explico: Norminha é uma gata! Não no sentido de ser bela e, sim, no sentido de ser felina!
E, pasme, esse foi apenas o motivo da surpresa inicial. Porque, logo depois, descobrimos que Norminha, na verdade, é macho!!! O nome feminino foi escolhido pela proprietária do gato que, obviamente, papou mosca na hora de averiguar o que o bichinho tinha entre as pernas.
Sim, prezado leitor, presumo que meu cachorro terá pela frente uma seríssima desilusão amorosa...

PS.: Tentarei publicar uma foto do improvável casal em breve...

23.7.10

As caras que o tempo nos dá...

Estava aqui vendo uns guardados e me deparei com essas fotos. Da primeira, no canto superior esquerdo, à última, no meio da última fila, há um intervalo de 16 anos. Bastante tempo! Tempo que me deu uma cara em cada um desses cliques. Da estranha magreza da adolescência ao visual rechonchudo e barbudão, passando pelo cabelo que oscilou entre o raspado e o arrepiado, muita coisa mudou.
Essa análise fotográfica só me deixou feliz porque, realmente, estou muito satisfeito com o visual estampado no último clique...rs!
Mas lembrei da música: "Tudo mudo o tempo todo no mundo..."
E você? Já pensou nisso?

1.7.10

Quando o serviço de bordo vira desserviço...

A foto ficou bonita, mas o biscoito servido pela Gol é de última! E devia vir acompanhado de um sal de frutas!!!
Em fevereiro eu escrevi aqui sobre a tal crise aérea que aboliu os lanches decentes dos voos nacionais e instituiu a era do amendoim e das barrinhas de cereais. Entra ano e sai ano, relatórios e mais relatórios apontam para o crescimento do número de passageiros e...nada de comida nos ares!
Pois bem! No voo que fizemos ontem para Cuiabá - com conexão em Brasília - a Gol nos surpreendeu ao oferecer um pacotinho de biscoitos recheados. Salgados! Achei estranho de cara: sou da época em que só os biscoitos doces eram recheados...
A iguaria foi servida nos dois trechos. No primeiro, com sabor presunto. No trecho final, cheddar. Em comum: a total ausência de sabor. E um enjoo que derrubou todos os integrantes da equipe. É daquele tipo de biscoito que quem come não esquece - no mau sentido!
Picareta como ele só, Rogério Pereira, o cinegrafista, guardou um exemplar do maligno biscoito. Ele nos chantageia mostrando a detestável iguaria! Mas tenho a impressão de que, no fundo, o que ele quer é gravar bem a imagem desse biscoito nefasto para nunca cair no equívoco de passar perto das prateleiras de mercado que vendam essa porcaria!!!
E faz ele muito bem!

25.6.10

A falha sistêmica...

Dia desses tive o desprazer de descobrir que minha carteira de habilitação está prestes a vencer. Além de toda a dor acarretada pela constatação de que cinco anos - prazo de validade do documento - passaram voando, excedendo qualquer limite de velocidade permitido, passei a vivenciar toda a chateação que essas coisas nos geram: vai a banco, paga taxa, liga pro call center do Detran...
Bom, pra ser sincero, devo dizer que até a parte do pagamento da taxa tudo estava indo bem. Claro que não fico feliz da vida em ter de desembolsar 90 pratas pra pagar um tal de Duda - aliás, uma contribuição bem altinha pra ter esse nome de baixinho dos programas da Xuxa - mas, como o pagamento é inevitável, não tive como escapar. A ida ao banco, graças ao fim do mês, foi indolor: acho que nunca fui atendido tão rapidamente. Nunca antes na história desse...blogueiro!
Mas aí, como vocês devem estar imaginando, veio a hora de ligar pro call center pra fazer o agendamento. Sim, eu podia ter feito pela internet. Mas, sei lá a razão, resolvi ligar. Maldita seja essa infeliz decisão! Fiquei uns 10 minutos pendurado no telefone, depois de praticamente amordaçar meus cachorros para que eu pudesse ouvir o que dizia o menu eletrônico - essa, uma daquelas invenções que nos fazem ter a absoluta certeza de que há seres humanos agindo deliberadamente para ferrar a paciência dos desafortunados companheiros de espécie! Cliquei na opção correspondente ao serviço e...mais espera...
Até que uma moça me atendeu. Um tanto esbaforida, desesperada, já me fez achar aquilo meio inusitado. Mas o pior estava por vir: ela me pediu todos os meus dados, confirmou toda a documentação e, quando tudo parecia se encaminhar para o desfecho - satisfatório - da ligação, ela fez a bombástica revelação:
- Senhor, eu não vou poder realizar o agendamento. O sistema está inoperante no momento. O senhor pode ligar novamente?
Um tanto contrariado, indaguei:
- Puxa, que pena! Bem no fim do processo...! Em quanto tempo eu posso voltar a ligar?
- Agora mesmo, o senhor pode desligar e retornar a ligação aqui pra central. - ela disse.
- Ué, mas o sistema não está inoperante? - estranhei.
- Não, senhor. É apenas o meu terminal que está passando por manutenção. Os demais operadores estão atendendo normalmente.
Meus amigos, numa fração de segundos revivi todo o tempo de espera por aquele atendimento. E, sem que os freios da dita "boa conduta social" bloqueassem meus pensamentos, eu disse:
- Querida, então por que você resolveu atender minha ligação, hein???

Como diria o Ancelmo, pano rápido!

19.6.10

Sobre Roberto Canázio e o rádio: força que nunca seca...

Ontem, no caminho para o trabalho, fui ouvindo rádio. Mais precisamente, a Rádio Globo. Há cerca de um mês, a Globo também é transmitida em FM, o que possibilitou que motoristas passassem a captar o sinal da emissora, antes detido pelas inúmeras montanhas que compõem a topografia carioca.
Ouvi o programa do Roberto Canázio, radialista experiente, que minha mãe costumava ouvir na época em que eu estudava. Canázio é um comunicador popular, carismático, dono de uma voz potente e de um humor bem ácido.
Pois bem, estava eu ouvindo o programa, achando graça das particularidades do rádio AM agora levadas para a FM quando começou um quadro chamado "Cadê Você?". O formato é o seguinte: um ouvinte liga para o programa para encontrar alguma pessoa importante em sua vida. No ar, conversando com Canázio, o participante dá o nome e outras referências de quem deseja encontrar. Nada muito original, é verdade. Mas o que me chamou a atenção foi a história do "personagem" que participou ontem: um senhor de 90 anos, que queria encontrar duas sobrinhas. A simpatia daquele senhor logo me capturou para aquela história. Solitário, ele dizia ter perdido tudo: os filhos, a mulher, os irmãos. Vive só, em São Paulo, com a sua aposentadoria. Nunca fumou ou bebeu. Praticava vários esportes num clube, até cair e comprometer os movimentos de uma das pernas. Narrou os tempos em que Silvio Santos era funcionário da Rádio Nacional. E, com uma doçura impressionante, contou:
- Eu não tenho mais ninguém. Ando pela rua com minha bengala sem que ninguém me dê a mão. Hoje, somos só eu, Deus e o meu rádio...
Canázio se emocionou. E eu, dentro do meu carro, também. Fiquei pensando na força extraordinária desse veículo fascinante e no número de velhinhos e velhinhas que encontram nesses aparelhinhos a companhia que a vida lhes roubou. E, mais que em tudo isso, fiquei pensando no sentido da vida. Será que há um, afinal? O que faz com que um senhor, depois de nove décadas vividas e de tantas perdas acumuladas, siga em frente? O que determina que o caminho desse homem seja o da solidão? E que diabos estamos fazendo aqui?
O rádio - e o programa do Canázio - não me deram as respostas. Mas me fizeram pensar...

14.6.10

O dia em que encontrei um mestre...

Ontem, num gelado final de manhã de domingo, eu e a equipe do Salto chegamos à Feira de São Cristóvão. O objetivo era gravar reportagens pra última série inédita que exibiremos nesse semestre, daqui a três semanas. Mergulhamos no universo dos repentistas, ouvimos repentes feitos especialmente para o programa e aprendemos a lição de que repente é como pão: pra ser bom, tem que ser feito na hora!
Mas o que mais me chamou a atenção foi a história do Mestre Azulão. Um paraibano de quase 80 anos, que há 61 anos vive a rotina da feira. Cordelista e repentista, ele já publicou 318 livretos de cordel. Escreve sobre tudo: sobre o ataque às Torres Gêmeas, sobre o assassinato da menina Isabela Nardoni, sobre os cuidados com o meio ambiente...até sobre os mensalões e os escândalos da política nacional.
A carreira de cordelista começou em 1954. O tema do primeiro cordel? O suicídio de Getúlio Vargas. Pois é...criando versos e rimas, Mestre Azulão é uma daquelas fantásticas testemunhas da história...
Além dessa trajetória longa, o que me chamou a atenção foi a vivacidade daquele velhinho. Sua simpatia, seu prazer em dividir suas histórias, sua simplicidade e toda a genialidade de quem sabe que a vida não deve ser tão levada a sério.
Os livretos de Mestre Azulão custam R$ 2. Pouco. Quase nada diante da sua incalculável sabedoria...

1.6.10

A história do piercing que abre portas...

A história é totalmente verídica. Mas nada de nomes de santos, vamos direto ao milagre...
Agência bancária lotada. Mulher se aproxima da porta giratória e, ao tentar entrar, o dispositivo trava. O segurança se aproxima e diz:
- A senhora tem algum objeto de metal? Celular, guarda-chuva, moedas....
A mulher lembra das chaves que estão no bolso e deposita tudo no local indicado pelo guarda, à fim de não bloquear novamente a passagem. Ela volta até a porta e, novamente, o dispositivo trava. Volta o segurança:
- A senhora tem mais algum objeto de metal? Celular, guarda-chuva, moedas...
A mulher, um tanto contrariada, disse ao segurança, através do vidro, que não portava mais nenhum objeto de metal. Ele, de cara fechada, fez sinal para que ela voltasse a tentar entrar no banco. Ela obedeceu. E a porta, pela terceira vez consecutiva, travou. O guarda se aproximou e repetiu o texto-padrão:
- A senhora tem mais algum objeto de metal? Celular, guarda-chuva, moedas...
Até então tentando se manter controlada, a mulher - que não trazia consigo mais nenhum objeto de metal - sentiu a irritação atingir o nível máximo. Dando vazão ao estresse em velocidade cinco, ela olhou pro segurança e, aos gritos, disparou:
- Tenho, meu amigo! Tenho um piercing bem no meio da bu*#%$!!! Quer que eu tire aqui ou posso tirar depois que passar pela porta!
O guarda ficou surpreso. Fez sinal para que ela passasse pela porta que, dessa vez, não travou. Já dentro da agência, a mulher retirou suas chavez do coletor de objetos metálicos e, diante dos olhares de curiosos que tinham assistido o episódio, ela disparou:
- Descobri a senha para abrir essa porta enjoada: piercing na bu*#%$!!!

30.5.10

B@belturbo na Copa: algo que eu e Ganso temos em comum...

Dei um pulo no shopping pra comprar as camisas da seleção. Sim, mesmo depois de ter implicado um bocado com as bolinhas amarelas na versão azul da camisa, sucumbi. Estava eu analisando os modelos quando o vendedor se aproxima.
Pausa para comentário: posso viver 1000 anos que jamais, em tempo algum, conseguirei compreender o que vai pela cabeça de alguns vendedores de shoppings...
De volta à compra das camisas. O jovem me explicou que há camisas com números estampados e camisas sem os números. E que...
- Essas são as camisas oficiais do torcedor. Não são as oficiais de jogo.
Estranhei. Sabia da diferença entre as camisas com ou sem número, mas não desse outro detalhe. E perguntei quais eram as diferenças.
- Ah! - disse o vendendor - as oficiais de jogo não trazem bordados, há alguns furinhos nas laterais, o tecido é mais leve. É pra melhorar o desempenho do atleta. E são bem mais caras.
Já estava decidido a comprar as tais camisas "oficiais do torcedor" quando minha prima, sempre sagaz, me deu mais um argumento:
- Primo, leva a mais barata! E diz pra ele que você não foi convocado pelo Dunga!
E que soem as vuvuzelas!!!

6.4.10

Chuva deixa o Rio submerso...

Cena carioca: cidadãos diante do caos em mais um dia de chuva forte no Rio de Janeiro...
Passa das três da manhã dessa terça-feira. E continuo na TV. E não é o fato de estar na ilha de edição que faz de mim, nessa madrugada, um cidadão ilhado: fui mais uma das milhares de vítimas do temporal que castigou a Cidade Maravilhosa nessa segunda-feira, em pleno horário do rush.
A chuva foi tão intensa que fiquei preso com colegas de trabalho no café em frente à emissora. Quase uma hora se passou até que pudéssemos atravessar a rua e voltar ao trabalho. Era o começo da noite. E aquela foi apenas a primeira pancada de chuva a cair sobre a cidade.
O dilúvio foi tão intenso sobre a Lapa que eu e dezenas de companheiros permanecemos presos na sede da TV Brasil por toda a noite. E, ao que parece, assim será por toda a madrugada. Neste momento, a Avenida Gomes Freire é a imagem de um rio: sacos de lixo boiando, correnteza, água suja. E nem sinal de que o sistema de esgoto será capaz de escoar esse aguaceiro tão cedo. Pelas demais localidades da cidade, o trânsito segue interrompido, pessoas abandonam seus carros, veículos são arrastados pela correnteza, bombeiros fazem resgates marítimos em vias públicas e encostas desmoronam. Infelizmente, já há mortes confirmadas depois do temporal.
O que dizer diante desse caos? Apenas que, uma vez mais, os governantes deviam se envergonhar de suas obras faraônicas que estão longe de servir aos cidadãos. Será que o cenário seria o mesmo se o dinheiro da Cidade da Música tivesse sido empregado na reforma do sistema de esgotos do Centro? Será que estaríamos novamente reféns das águas se a atual prefeitura trabalhasse para resolver esse problema em vez de tentar criar um parque para pedestres numa das principais vias do Centro da cidade, a Rio Branco? Será que nenhum gestor pensa em resolver esse problema que se repete há tantas e tantas chuvas na Lapa, na Praça da Bandeira, na Tijuca, na Lagoa...nos quatro cantos da cidade?
Três perguntas e uma só resposta: não!
A justificativa? Ao que parece, nossos homens públicos confirmam a teoria de que obras de saneamento não são prioritárias. Afinal, canos e tubulações passam sob a terra, ninguém vê. E, assim, fica difícil contabilizar votos por tais "invisíveis" realizações...
Uma vergonha!!!