22.3.10

B@belturbo entrevista: Paulo Cursino

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Há 10 anos no Rio de Janeiro, o paulista Paulo Cursino é autor de piadas que, certamente, já fizeram milhões de telespectadores rirem diante da TV nos mais diferentes cantos do Brasil. Redator de séries como "Sob Nova Direção" e de humorísticos como "Sai de Baixo", "Zorra Total" e "A Turma do Didi", Cursino também assinou o texto de especiais estrelados por ícones do humor na televisão brasileira, como Chico Anysio e Renato Aragão.
Neste ano, Paulo Cursino divide, com Marcelo Saback, o roteiro de "SexDelícia", comédia que ganhará as telonas até o fim do ano. E, ainda na TV Globo, ele trabalha na criação de "Batendo o Ponto", seriado que Ingrid Guimarães deve estrelar, no segundo semestre de 2010. Mas hoje, Paulo Cursino é quem bate o ponto no B@belturbo para defender a liberdade do humor...

B@belturbo: Há limites para o humor?
Paulo Cursino: Não. A única coisa que pode limitar o humor é a consciência de quem o faz. Se aceitarmos a idéia de que o humor precisa de limites cairemos em uma outra complicada questão que é: quem vai definir esses limites? A sociedade? O senso comum? Um dogma? Uma lei? O humor para cumprir a sua função deve ser livre e irrestrito, deve questionar e incomodar. Se um humorista ceder a quem se diz incomodado em breve terá que trabalhar de entregador de pizza. A liberdade, portanto, deve ser irrestrita. Claro que com isso estaremos sujeitos a ouvir muita bobagem, mas faz parte do jogo. Considero uma piada ofensiva um preço muito baixo a se pagar pelo o que a liberdade criativa pode nos proporcionar.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Paulo Cursino: Eu poderia enumerar vários, o próprio Tabet já mencionou o problema que há hoje em se fazer piadas com minorias, por exemplo, e detalhar mais do que isso seria chover no molhado. Gostaria de ir um pouco mais além nesta questão começando pelo o que há de mais óbvio sobre ela: os tabus são inevitáveis. Não existe vida social sem tabus e não há como o humor, que é uma manifestação social, ficar indiferente a eles. Ponto. Para mim nada é mais óbvio do que isto. E exigir que um humorista não toque em temas tabus é querer tirar do humor a sua principal função. É um contrassenso. Agindo assim, esta sociedade perde uma oportunidade rara de tocar em assuntos doloridos sob o efeito anestésico do riso.
Por isso não acredito em piadas polêmicas. Quem determina o que é polêmico é o público e não o humorista. A piada nunca passa de uma piada e não existe momento certo para aparecer. Qualquer hora é hora. O que pode existir, às vezes, é uma certa falta de sensibilidade e talento do humorista para criar uma piada decente que capte de forma correta o espírito de um momento. Parafraseando Oscar Wilde: não existe piada imoral, o que existem são piadas bem e mal contadas.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Paulo Cursino: Não existe assunto sobre o qual eu não faça piada, procuro fazer piada sobre tudo. Mas tenho minhas particularidades e limites involuntários como todo mundo. Sou incapaz de fazer piadas sobre, sei lá, câncer infantil, só para usar um exemplo. Já ri de piadas de humor negro com este tema, admiro quem faz, mas sou absolutamente incapaz de criar uma sobre isso. Não porque me limito, apenas porque não está em mim, no meu estilo, na minha personalidade, fazer algo assim. Mas só por isso.

"Se você perguntar a dez pessoas o que é bom senso vai ouvir dez respostas diferentes. Bom senso nunca será consenso", diz Paulo Cursino
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Paulo Cursino: Não, e nem o humorista pode se deixar ser cobrado. O que a sociedade pode fazer é criticar. A liberdade irrestrita é boa por isso, porque é uma via de duas mãos. Eu posso dizer o que quiser numa piada, mas a sociedade pode dizer o que quiser dela também. O que é inaceitável é pedir cabeça de humorista para emissoras, boicote, execração pública. Mais um pouco e logo estaremos dando razão a quem manda matar cartunistas porque seu profeta foi desenhado.
Não gostou da piada de um humorista? Pare de vê-lo, não leia o que ele escreve, não veja o que ele faz. Simples assim. Você não precisa chegar no cara e dizer "eu acho que você não deveria dizer isso" ou, como já ouvi várias vezes, "você não pode brincar com certas coisas!". Desculpe, mas não dá. Ninguém tem o direito de determinar o que eu posso falar.
Costumo dizer o seguinte: quer atingir um comediante stand-up que falou uma barbaridade no palco? Saia da sala. Mas aí alguém dirá: "pô, mas se eu sair da sala perderei as outras boas piadas que ele contar". Arrá! Eis aí então que surge o grande X de toda essa questão. Algumas pessoas riem às gargalhadas quando um comediante faz uma piada que atinge os outros ou brinca com algo que é indiferente para elas. Porém ficam ofendidinhas quando a piada as atingem ou é demolidora com algo que elas amem. Desculpem-me de novo, mas isto tem nome e sobrenome: falta de senso de humor, a irmã caçula da imaturidade.
Quer demonstrar que tem mesmo senso de humor de verdade? Engula o sapo, fique quieto, ouça tudo. Aceite que as piadas que você não gosta também fazem parte do pacote. Da mesma fonte de onde nasce uma piada ruim e desagradável podem nascer dez geniais. É preciso ter uma maturidade mínima para entender isto e parece que é este mínimo o que falta a boa parte do público hoje. Eu é que não deixarei nunca me pautar por isto e acho que nenhum humorista ou comediante de respeito deve deixar.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Paulo Cursino: Concordo. Pessoalmente acho que vivemos um período muito complicado e que transcende a questão do humor. Na minha opinião o pensamento politicamente correto trouxe mais problemas do que soluções para a sociedade no geral, não só para a comédia. Vivemos hoje num mundo mais ignorante regido por cotas sociais, proteção exagerada a minorias, pelo sexismo feminista, por revanchismos históricos, de judicialização extremada, que está longe, muito longe, do que seria o ideal. O estado de direito e a liberdade de expressão passam por um momento complicado não só no Brasil, mas no mundo. Mas cada época tem a sua dificuldade e essa é a nossa. A única saída é resistir a essa patrulha com inteligência e talento. É só o que nos resta.
 
B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Paulo Cursino: Sinto dizer, mas não é possível. Por que se você perguntar a dez pessoas o que é bom senso vai ouvir dez respostas diferentes. Bom senso nunca será consenso, infelizmente.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Paulo Cursino: Engraçado.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Entrevista com Fábio Rabin
Amanhã, o sexto post da série traz uma entrevista exclusiva com Oscar Filho, humorista e um dos repórteres do CQC, da Band.

21.3.10

Aviso

Os posts da série Crise de Riso? continuam na próxima segunda.
Aproveito para agradecer pelos elogios e comentários. E pra convidar a todos para que o debate continue nos próximos posts da série.
E vamo que vamo!!!

19.3.10

B@belturbo entrevista: Fábio Rabin

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
As cinco maiores emissoras de televisão do país investem em programas de humor atualmente. Todas elas, à exceção do SBT, têm no elenco artistas que ganharam popularidade fazendo rir nos palcos, mais especialmente em espetáculos de stand up comedy.
Com a MTV não tem sido diferente. Se já foi o canal da música, a emissora cada vez mais flerta com a graça. E parte dessa graça quem faz é Fábio Rabin. O humorista é um dos apresentadores do Furfles, ao lado de outros comediantes da nova geração: Marcelo Adnet e Dani Calabresa, com quem criou, no teatro, o grupo Comédia ao Vivo. Antes da MTV, Rabin integrou o elenco do Pânico na TV, sucesso inquestionável, que levou ousadia e muito deboche para o humor televisivo.
Nesta entrevista, Fábio Rabin conta, entre outras coisas, quais são os assuntos que, para ele, não viram piada.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Fábio Rabin: Vamos lá...não há limites no humor mas cada pessoa tem seu próprio limite...o que a possibilita de rir ou não, fazer ou não determinada piada.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Fábio Rabin: Acho que quando vc supera um trauma pode fazer 1 piada...o problema é com coisas insuperáveis como AIDS, Cancer e outros problemas que nos são insoluveis, ou humilhar pobres e idosos.

B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Fábio Rabin: A sociedade não tem históricamente acertado em suas cobranças...elegeram Hitler e mandaram bruxas pra fogueira quando agem coletivamente...
Sobre a patrulha ao humor, Rabin diz: "o Brasil não tem um herói por isso elege um vilão"

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Fábio Rabin: Acho que existe sempre alguém disposto a ver o lado ruim da história...é a fase Nardoni, Cravinhos que ainda não passamos...o Brasil não tem um herói por isso elege um vilão.
 
B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Fábio Rabin: Eu acredito que não seja possível se manter longe de conflitos...um comediante tem o desprendimento de fazer piadas com ele mesmo e com sua família...mas nem todos são assim e quando se sentem tocados gritam e choram...é como zuar um mimado na escola! Ele chama o professor, que é a sociedade e seus jornalistas...

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Fábio Rabin: Original.
 
NOTA: A entrevista foi condedia por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Segunda-feira, dia 22, o quinto post da série 'Crise de Riso?' trará uma entrevista com Paulo Cursino, publicitário e redator da TV Globo.

Eu & o iogurte light...

O iogurte é um item imprescindível nessa fase da minha vida. É nele que dissolvo a ração humana. Ao contrário do que muita gente imagina, a mistura fica bem saborosa e eu realmente não sinto falta de comida. Mas, vocês sabem, é fundamental sair da monotonia à mesa e, por isso, tenho tentado variar nos sabores. Só evito mesmo aquele que combate o "acúmulo" porque tenho um certo receio de ser constrangido pela atriz-garota(?)-propaganda em algum lugar público. Convenhamos: não ficaria bem a Travassos me perguntando "como vai o intestino" no meio do shopping, da redação ou da academia...
Nessa saga à procura de iogurtes diferentes, encontrei um light, de morango. Até aí, nada demais: há vários similares no mercado. Mas o que me surpreendeu é que esse trazia em seu rótulo a informação mais valiosa do mundo para quem quer perder peso: apenas a metade das calorias dos outros iogurtes lights que tenho consumido. Como o deputado que se depara com royalties alheios, eu me afeiçoei imediatamente aos dois litros do produto!
Só que - e aí vocês já devem estar imaginando que o fim não foi feliz... - descobri que o iogurte tem gosto de remédio! Mais especificamente de um que eu tomava quando era moleque e vivia com a garganta inflamada. Tomei o primeiro litro com muito sacrifício e estou no meio do segundo. E, à essa altura, posso garantir: esse iogurte não engorda! E isso não tem nada a ver com a quantidade de calorias: ele não engorda porque é tão ruim que ninguém consegue tomar.
Simples assim...

2.501!

Perdi a chance de postar com o número redondinho, mas acho bacana registrar: o post anterior foi o 2.500° da história do B@belturbo. Coisa pra caramba!
Olho pra trás, pensando nesses registros todos, e vejo que é impossível lembrar de quanta coisa já falamos aqui. E que os blogs serão, no futuro, uma boa pista para que possamos lembrar de épocas, modas, costumes, assuntos...e de como se vivia nesse início de terceiro milênio.
Por ora, o que resta é cuidar dessa "pegada digital" que é o blog. E que venham muitos mais posts pela frente!!!

18.3.10

B@belturbo entrevista: Maurício Zágari

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Jornalista, professor de Teologia e Filosofia, crítico de cinema, locutor de rádio, tradutor, revisor e escritor, Maurício Zágari se mostrou interessado em discutir os caminhos do humor tão logo recebeu o e-mail para participar dessa série de entrevistas. Autor de um dos contos do livro Humor Vermelho, faz graça com as coisas simples da vida. É alguém que se diz saudoso do trema e que comemora o fato de saber de cor a tabela periódica, apesar de não saber bem pra quê...
Na entrevista, Maurício Zágari critica alguns dos recurso mais usuais no humor. E recorre a um dos maiores nomes da história do cinema para dizer que, sim, é possível fazer rir de outro jeito.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Maurício Zágari: Sim! O limite é a ofensa. Há quem pense que é preciso ofender para fazer rir, o que é uma grande besteira. O problema é que hj, em especial no Brasil, a falta de criatividade é tão grande que os humoristas precisam apelar para as veeeeeeeelhas fórmulas:
a) Sexo
b) Palavrão, palavrão, palavrão, palavrão...
c) Fluidos e dejetos corporais
d) Ofensas a grupos socio-religiosos-culturais ou pessoas em evidência
Pense nos humoristas que vc conhece. Quais sobrevivem sem apelar para essas muletas manjadas?

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Maurício Zágari: O maior tabu é fazer humor sem usar essas muletas. Pois, se vc propõe um Casseta e Planeta sem trocadilhos sexuais ou um stand-up comedy sem palavrões, os humoristas "da hora" voam na sua jugular e te acusam de todo o tipo de adjetivos: reacionário, conservador, careta, censor etc. Minha opinião é que o bom humor tem de agradar a todos. Se levo uma senhora idosa a um stand-up comedy e em vez de se divertir ela sai escandalizada, o que houve ali não foi humor, foi ofensa e agressão mascarada de gracinhas. Sintoma de uma civilização decadente.

'O que muitos chamam de "politicamente correto" eu chamo de bom senso', diz Maurício Zágari
B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Maurício Zágari: Qualquer assunto que venha a ofender o interlocutor. Se ele é cristão, não faço piadas de Jesus. Se é negro, não faço piada de negros. Se é judeu, não faço piadas sobre a Torá. Se é gay, não faço piadas sobre homossexuais. Por uma única razão: é desnecessário.

B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Maurício Zágari: Lógico! Se ele fizer suas ofensas num quarto fechado, o problema é dele. Mas se faz em fórum público deve estar sujeito ao respeito pelas pessoas - e às críticas. O problema é que sempre que se faz esse tipo de cobrança ou crítica vem logo alguém sem argumentos e apela para a palavrinha mágica: "Censura! Censura!".

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Maurício Zágari: Essa crítica é anarquista. É fácil chamar "controle parental" de "censura", "bom senso" de "mordaça", "preocupação" de "patrulha". Não é nada disso, isso é pura semântica para fazer com que uma preocupação legítima soe como algo nocivo. É manipulação retórica. Não existe o "politicamente correto", existe o "correto". Mas o relativismo pós-moderno abomina essa expressão. O que muitos chamam de "politicamente correto" eu chamo de bom senso. Em nome do respeito que devemos a outros seres humanos.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Maurício Zágari: Claro que é! O remédio para isso chama-se criatividade. Quem quer seguir a cartilha calhorda do "faz o que tu queres pois é tudo da lei" está buscando as soluções fáceis, rápidas, superficiais e polêmicas. O que o Danilo Gentili fez, por exemplo, não foi ferir o politicamente correto. Foi ser desrespeitoso com uma pessoa que, no mínimo, merece respeito por sua trajetória profissional e sua contribuição para a TV brasileira. Sem Hebe talvez hj não houvesse espaço para o CQC na TV. E olha que não gosto do programa da Hebe, mas reconheço seus méritos. Pq Danilo fez isso? Pq dá mais Ibope dizer o que ele disse do que elogiar, destacar qualidades. É cool. Vivemos no império do "fale mal". Gostaria que o Gentili fizesse piadas que destacassem as qualidades das pessoas, por exemplo. Te garanto que ele teria muito mais dificuldades do que partir pra fórmula fácil, manjada e veeeeeeeeeelha da caricatura: "ok, Hebe é idosa, então vou exacerbar isso chamando-a de múmia". Não é por aí.
Quer ver como é possível? Um único exemplo: Charles Chaplin. O que ele fez foi tão criativo, brilhante e genial que ele se tornou eterno. Danillo Gentili e a patota do sexo-palavrão-fluidos-ofensas vão passar e, em 50 anos, ninguém mais vai se lembrar deles. Não tem solidez. Não tem alicerce. Não contribui. Não fica. São sujeitos condenados ao esquecimento.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Maurício Zágari: Branco.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem ediçao.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Amanhã, no quarto post da série Crise de Riso?, você vai conhecer as opiniões de Fabio Rabin, ator, humorista e apresentador do "Furfles", na MTV Brasil.

So tired!

Em verdade vos digo: isso cansa! Cansa a rotina, cansa o que é igual, cansa tudo o que se repete. Cansa a chatice, cansa esse fardo, cansa a inércia. Cansam certos argumentos insustentáveis, cansa a empáfia, cansa essa pequenice toda...
Cansa medir palavras, cansa ponderar, cansa a mediocridade. E cansa a pretensão.
Mas, também é em verdade que vos digo: aqui o que não falta é disposição...

Rio faz protesto legítimo contra a redivisão dos royalties do petróleo...

150.000 pessoas ocupam a Cinelândia para protestar contra a redivisão dos royalties do petróleo
No meio da tarde, na redação, ouvi gritos de "Aha, uhu...o petróleo é nosso!". Uma vibe bem anos 70, diga-se de passagem. Mas o petróleo de agora é outro: do pré-sal, que pode mudar bastante a cara do Brasil.
E, sim, o petróleo é nosso!
É absurdo pensar que um estado responsável por 85% da produção de petróleo no país fique, de uma hora pra outra, com o pires na mão. E se houver mesmo essa mudança, com a qual todos os cariocas e fluminenses se sentirão afanados, cabe pensar em outras transformações: como a queda da isenção de impostos e taxas federais para produtos e serviços produzidos e prestados nas mais diferentes regiões do país. Porque aí, se a lógica é a do "tudo é de todo mundo", o tudo vai precisar ser, realmente, tudo.
Isso, a meu ver, abre um grave precedente para as relações institucionais. E para a ideia de República Federativa.
Por isso, fiquei feliz por ver a vitoriosa manifestação no Centro da Cidade Maravilhosa. Foram mais de 100.000 vozes gritando o que só os dissimulados não querem ouvir: o futuro do Rio está comprometido com essa proposta absurda. E o motivo, meus caros, é o mesmo de sempre: dinheiro! Como o bolo dos royalties pode aumentar consideravelmente assim que o petróleo da camada pré-sal puder ser extraído regularmente, todo mundo tem interesse em colocar o cofrinho na frente da cascata de moedas que está por vir.
Agora, além de defender que os estados produtores continuem a receber uma fatia maior desses royalties, como forma de compensar danos ambientais e de infraestrutura, creio que também é fundamental que haja um controle efetivo dos investimentos desses royalties. Porque, convenhamos, com tanto dinheiro jorrando do fundo do mar, não vai faltar espertinho de colarinho branco querendo dar uma pernada na ética pra encher os próprios tonéis na encolha...

17.3.10

B@belturbo entrevista: Fabio Porchat


Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Integrante do Comédia em Pé, o primeiro grupo de stand up comedy brasileiro, Fabio Porchat lida com o humor nas mais variadas formas. Se no teatro ele se vale das influências vindas dos Estados Unidos para fazer milhares de brasileiros rirem sem figurinos e personagens; na televisão, é um dos responsáveis pelo texto do Zorra Total, humorístico da Rede Globo que trouxe para os anos 2000 um humor baseado em bordões e personagens que caem facilmente no gosto do público, uma velha tradição nos programas humorísticos da TV brasileira. Na mesma Globo, Fabio é redator e ator no quadro Exagerados, que leva graça ao Fantástico. E integra, também, a equipe responsável pela redação do programa Caras de Pau, estrelado por outras feras do humor: Marcius Melhem e Leandro Hassum.
Em cartaz no Rio, no Teatro dos Grandes Atores, na Barra, Fabio Porchat aceitou prontamente o convite do B@belturbo para discutir algumas questões polêmicas relacionadas ao dia-a-dia de quem vive fazendo graça.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Fabio Porchat: Não. Você pode fazer humor com tudo, qualquer coisa que você quiser, a questão é saber se aquela é a platéia certa. É claro que existem assuntos mais delicados que outros, mas, de um modo geral, se alguém rir, é humor. Talvez o limite seja: ninguém riu, logo, não faço mais essa piada.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Fabio Porchat: É a platéia que dita o que é engraçado ou não. Os tabus são os tabus daquela platéia especifica que está ouvindo sua piada. Claro que essa platéia pode ser muito maior que num teatro, quando a sua piada é dita na tv ou na internet. Sua platéia pode ser um país, logo, os tabus aumentam. De um modo geral, atacar alguém que é amado por aquela platéia, não te fará o cara mais popular naquele nicho. Exemplo dentro do Rio de Janeiro: na Barra eu posso falar mal do Gabeira, mas não do Eduardo Paes, pois ele é de lá. Já na Gávea, acontece o contrário. Eu acho que, de qualquer forma, o comediante não pode querer ser amado por todos, porque toda a piada fala mal de alguma coisa ou de alguém. Em algum momento, alguém vai se sentir ofendido. E de um modo geral, os brasileiros tendem a não levar as piadas na esportiva.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Fabio Porchat: Não faço piada política. Mas pelo simples fato do brasileiro ser tão desinformado e tão desinteressado que ele não sabe de quem eu estou falando, ou que fato eu estou citando. As pessoas sabem quem é o Lula, e olhe lá.


"As pessoas levam o humor a sério demais", diz Fabio Porchat
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Fabio Porchat: Acho que cobrar cuidado é censura. Alguém cobra cuidado do cinema? Do teatro? Acho que a sociedade pode é achar ou não graca, isso já é medida suficiente.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa \"patrulha do humor\" e se queixam do chamado \"politicamente correto\". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Fabio Porchat: O politicamente correto é um inferno. E no Brasil isso é uma praga. Porque a patrulha do humor faz uma das piores coisas do mundo, diz o que é certo e o que é errado. Isso é nojento. Ainda mais hoje em dia, onde não existe mais ‘ou um ou outro’. Tudo é certo e errado ao mesmo tempo. Mas é que aqui no Brasil temos um moralismo velado. Na verdade, tudo é velado. O racismo, o preconceito, machismo… Enfim, e o moralismo é a coisa mais antiga do mundo. É quase medieval o que vemos muitas vezes. Como por exemplo tirarem do ar a propaganda da Devassa. Um absurdo. A mulher pelada pode, mas a mulher sensual não. As pessoas levam o humor a sério demais. Elas esquecem que aquilo é apenas uma piada.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Fabio Porchat: Não é possível. Fazer humor tentando agradar é uma coisa fadada ao erro. Você pode até conseguir fazer isso por cinco minutos, mas ele vai perder a graça logo depois. Nós brasileiros temos a tradição de rir do outro. O burro é o português, o filho da puta é o argentino, viado é o filho dos outros… Quem que é corno no Brasil? A piada, tão forte aqui no Brasil, sempre mostra um outro se dando mal. Nos EUA, por exemplo, o primeiro a se dar mal é você. Num show de humor lá, o comediante primeiro se sacaneia, depois sacaneia os outros. Ele primeiro diz que está gordo, depois ele diz que ser gordo é um inferno. Eles sacaram uma coisa muito importante que é: é melhor eu rir de mim, antes que os outros comecem a fazer isso. Você vê pessoas como Obama, Al Gore, Sarah Palin, politicos importantes, candidates a presidencia da maior potência do mundo, indo a programas como o Saturday Night Live, e se sacanearem, brincarem com aquilo que seria o ponto fraco deles próprios. Quando o brasileiro perceber isso, teremos uma virada do humor no país.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Fabio Porchat: Engraçado.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e foi publicada na íntegra, sem edição.
Para entender a proposta da série Crise de Riso?, clique aqui.
Leia também o primeiro post da série, com Antonio Tabet, o Kibeloco.
Amanhã, no terceiro post, você vai conhecer as opiniões de Mauricio Zágari, jornalista, professor de Teologia, e um dos autores do livro Humor Vermelho.

Momentos de tensão...

Caro leitor, leia atentamente o título do post para se certificar de que não se trata de nenhum conto erótico, ok? É teNsão mesmo...
Ontem, na volta pra casa, caí num belo buraco ali na Presidente Vargas. Foi uma porrada daquelas secas, que fazem chacoalhar o cérebro e tudo. Um mergulho no inferno na volta pra casa...
Como percebi segundos depois, a maldita cratera feriu de morte um dos meus pneus dianteiro - meus no sentido de serem do meu carro, já que os outros, que eram meus, são coisa do passado. Tentando, insanamente, provar a mim mesmo que o poderia contornar a situação, segui em frente com o pneu emitindo um som típico de uma panela de pressão. Até que, na Francisco Bicalho, eu me rendi ao infortúnio, subi num canteiro e me dei por derrotado.
O buraco havia me levado ao fundo do poço! Cansado - depois de pular que nem pulga de circo no power jump - acionei o seguro, liguei pra casa - por pouco não matei minha mãe de preocupação - tirei meus pertences do carro, tranquei o coitado, que, creiam, estava à essa altura com uma expressão de doente terminal - e rumei para um ponto de ônibus movimentado, a uns 100 metros dali.
Lá de longe, fiquei olhando meu fiel companheiro. Torcendo para que nenhum vagabundo resolvesse tentar roubá-lo para, assim, acabar de destruir minha noite. Saquei o celular e postei no Twitter uma mensagem que exprimia toda a angústia que ia dentro desse coração blogueiro:


Sim, meus caros. Tive medo. E como é ruim vivermos sob a ameaça constante desse sentimento. Tive medo de ser roubado, de ser agredido, de ser morto. A via pública, aqui no Brasil, é de ninguém. Ou, pior: foi tomada pela bandidagem. Quando a seguradora me deu 50 minutos de espera, gelei: era tempo pra lá de suficiente para que, em acontecendo o pior, eu fosse parar do outro lado da rua, na nova sede do Instituto Médico Legal! Passei a prestar atenção e, acreditem, não vi um único carro da polícia cruzar a avenida durante todo o tempo em que permaneci naquele ponto de ônibus
Estamos jogados à nossa própria sorte!
Pouco antes dos anunciados 50 minutos, avistei um motoqueiro se aproximar do meu carro. Em sua moto, ele deu a volta no veículo, espreitou pelos vidros e, de longe, temi que fosse um ladrão. Como poderia me aproximar e perguntar se era mesmo o cara que ia me salva a pele diante de tão imobilizante receio? Certo de que não havia alternativa, lá fui eu. Passei direto por ele da primeira vez e, depois de supor (?!?!) se tratar de alguém de bem (?!?!) eu perguntei se ele estava ali para fazer o serviço em meu carro. E Deus quis que aquele homem sorrisse, apesar do dilúvio que caía em nossas cabeças, e me respondesse afirmativamente.
Obrigado, Senhor! E que pena que estejamos, nós, cariocas, sempre a lhe importunar para nos guardar o tempo todo. É que a coisa aqui, com royalties ou sem eles, anda cada vez mais difícil...

Michael Jackson: rei morto, rei...riquíssimo!!!

Li ontem que a Sony Music assinou um acordo milionário com os herdeiros de Michal Jackson para lançar 10 álbuns com canções do Rei do Pop. A gravadora desembolsou cerca de 250 milhões de dólares para garantir a permanência de Jackson em seu casting.
Mas o que mais me chamou a atenção foi ver os números das vendas de álbuns de Michael Jackson em 2009. Embalados pelo apelo gerado com a morte do popstar, fãs de todo o mundo tiraram das prateleiras das lojas de discos 28 milhões de álbuns do artista. E olha que a indústria fonográfica anda agonizando a olhos vistos...
Diante de tamanho sucesso pós-óbito, garanto que deve ter muito artista por esse mundão de meu Deus pensando que o melhor a fazer é abotoar logo o paletó...de madeira!

16.3.10

B@belturbo entrevista: Kibeloco

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Se a verdade é ácida e o kibe é cru, os internautas brasileiros nem querem saber. O que eles querem quando acessam o Kibeloco é rir! E é praticamente impossível que não matem essa fome de alegria quando se deparam com as tiradas boladas por Antonio Tabet, publicitário que se tornou uma das maiores celebridades da internet brasileira. O site, que é sinônimo de humor na grande rede, é fonte de 10 entre 10 piadas comentadas em escritórios, firmas, universidades e afins. Piadas que, quase sempre ilustradas com imagens igualmente divertidíssimas, rodam a web em e-mails e mais e-mails que arrancam gargalhadas dos destinatários.
Craque na arte de fazer rir, Kibeloco atualmente é redator do Caldeirão do Huck, na Rede Globo. E topou conversar com o B@belturbo sobre os limites do humor.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Kibeloco: Acho que o limite vem do próprio humorista. Quando a piada perde a graça é porque chegou ao limite.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Kibeloco: Piadas envolvendo a raça negra são as mais polêmicas. Acredito que haja aí, também, um limite. Mas para os dois lados. Outro dia disse que a gordinha do filme "Precious" parecia a poltrona do confessionário do BBB. Isso não foi uma piada racista. Fiz apenas uma comparação visual. Mas houve quem reclamasse. Um movimento "coitadista" que é ainda pior para quem se considera segregado. Os que fizeram chilique, certamente são os mesmos que não reclamariam se eu dissesse, por exemplo, que o Tom Hanks parece uma espiga de milho. Bobagem pura. Hipocrisia. Falso moralismo. Afinal, o que é mais racista? Fazer piada com todas as raças ou não fazer com apenas uma delas?

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Kibeloco: Evito fazer piadas sobre assuntos que me comovem.

Antonio Tabet, o Kibeloco
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Kibeloco: Cobrar? Não. Num mundo ideal, a sociedade pode escolher. Ou prestigia determinado humorista, ou não. E ponto final.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Kibeloco: Sim. Concordo. Mas não é só o humor. Tudo é patrulhado, menos o que deveria. Por que os patrulheiros do humor não vão cobrar dignidade dos deputados em Brasília ou parar de furar filas por aí? Ajudariam bem mais.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Kibeloco: Quem se ofende facilmente é quem carrega em si o preconceito. E, por isso, são pouco inteligentes. Para um bom humorista, é fácil driblar os pouco inteligentes.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Kibeloco: Meu.


NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e foi publicada na íntegra, sem edição.
Amanhã, no segundo post da série, você vai conhecer as opiniões de Fabio Porchat, ator e redator que integra o primeiro grupo de stand up comedy brasileiro, o Comédia em Pé.

Para entender a proposta da série Crise de Riso?, clique aqui.

15.3.10

Os barracos das nossas estrelas: Axl Rose x Marcos Mion...

Esse foi forte! Pra completar a trinca Sexo, Drogas e Rock'n Roll, só faltou o sexo. Pelo menos, até onde se sabe. O fato é que Marcos Mion anunciou, semana passada, que sua boa teria um show surpresa do Guns N' Roses. Era só alegria:

Mas a banda não deu as caras na boate do Mion. E, lá pelas tantas, o apresentador postou um tweet em que dizia que o show foi cancelado porque o vocalista do Guns, Axl Rose, estava no hotel, cheirando pó. Mion deletou o tweet. Mas Axl soube do caso. E detonou o ex-VJ da MTV...no Twitter:

Como a indica o fim da mensagem, o vocalista do Guns precisou de bem mais que 140 caracteres para desabafar contra a declaração de Marcos Mion. Para quem quiser ler a íntegra - e sentir o cheirinho do que o roqueiro tacou no ventilador - eis o link. In English, ok?
Mas aqui vai um trecho da mensagem: "Eu não toco para NINGUÉM nessa indústria imbecil, não importa o quão legal, engraçado ou famosinho você é. Nós tivemos um lindo show em São Paulo, mas um bando de abutres oportunistas quis fazer parecer que eles foram explorados pela banda ou coisa parecida. Vão tomar no c*, seus playboys!"
Olha, cá pra nós, barraco de gente famosa é oooooutro nível, né?

Fantástico põe Vagner Love na berlinda...


Atacante rubro-negro virou notícia por ter ido à festa de traficantes na Rocinha...
Na noite de domingo, a revista eletrônica de maior audiência na televisão brasileira exibiu uma reportagem com imagens do atacante do Flamengo numa festa realizada na favela da Rocinha, uma das maiores do Rio de Janeiro. As imagens mostravam homens armados passando livremente entre os convidados da comemoração. E o jogador rubro-negro ali, como um local.
Questionado pela reportagem, Vagner Love não acusou o golpe: assumiu ter ido à tal festa, disse que homens armados nas ruas são parte da realidade de comunidades como a Rocinha e, mais, que aquele ambiente é parte de sua história.
Achei a postura do jogador bem corajosa. E correta. Se foi, não há porque negar. Agora, honestamente, fiquei um pouco incomodado com o tom da reportagem. Será que o assunto teria o mesmo destaque se, no lugar do jogador do Flamengo, fosse uma estrela global a frequentar a comemoração na favela? E não pensem que essa hipótese é remota: não é não! Se sobram cuidados ao retratar aspectos conturbados de artistas em geral, com os atletas os limites parecem ser outros, mais elásticos. Acho estranho!
Com duas reportagens de destaque sobre os atacantes do Flamengo na mesma edição do Fantástico, dá até para os mais os rubro-negros mais xiitas imaginarem que a editoria do Show da Vida é cruzmaltina...
E você, o que acha da história?
Comentaê!!!

14.3.10

Sobre Eliéser, BBB e o auditório do Domingão do Faustão...

Goste-se ou não, não dá pra negar o poder de mobilização do Big Brother Brasil. Já até falei disso aqui em posts antigos. Mas hoje o que me espantou foi ver, no Domingão do Faustão, as reações exacerbadas da plateia ao se manifestar contra um participante eliminado do programa. Eliéser foi vaiado, condenado, criticado de todas as formas. E com uma intensidade que fazia crer que se tratava de uma população cobrando coerência de um gestor público. Impressionante!
Questionado com virulência por um público similar aos que enchiam as arenas da Roma Antiga para torcer pelos leões, Eliéser não deu grandes respostas. Não tem grandes argumentos. Não se expressa bem. E foi colocado contra a parede por um público sedento de respostas sobre questões que não mudarão a vida de ninguém além do próprio Eliéser. Se é que chegarão a mudar a vida dele...
Os tweets apaixonados, os comentários em blogs, as manifestações entusiasmadas do auditório do Faustão, tudo só comprova o fervor que o BBB desperta nos telespectadores. É um programa que mobiliza milhões de votos, que gera discussões acaloradas. E que faz pensar em como poderíamos ter um país melhor se os eleitores se portassem com os políticos da mesma forma que se portam com os candidatos ao prêmio de R$ 1,5 milhão.
Em 2010, depois da Copa, teremos eleições. E torço para que os eleitores se mostrem tão firmes e certos de seus argumentos e desejos na hora de cobrar postura e compromissos dos candidatos. Porque tacar pedra em ex-BBB e vender o voto por camisa, luz ou asfalto na rua, honestamente, é atitude de uma gente à beira da esquizofrenia...
E você, o que acha?
Comentaê!!!

13.3.10

Marketing de oportunidade?

Ou seria uma propaganda oportunista, hein???
A campanha da Cultura Inglesa foi lançada em janeiro, mas só ontem tomei conhecimento. É polêmica, claro. Mas não se pode dizer que esteja na contramão da opinião pública. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca pensou algo parecido ao esbarrar por aí com Waldisneys e Scarlets Orraras por esse mundão de meu Deus...
E você, o que acha?
Comentaê!!!

Teatro: sobre a estreia de 'Era no Tempo do Rei'...

Elenco posa para foto no Paço Imperial. Musical dirigido por João Fonseca estreou nesta sexta, no Teatro João Caetano.
Há uns dois anos, Ruy Castro lançou um romance em que tentava descrever como seria um encontro entre o Príncipe Pedro, herdeiro da Coroa Portuguesa, e o moleque Leonardo, criado nas ruas do Rio de Janeiro e saído das páginas de Memórias de um Sargento de Milícias. Hoje tive o prazer de ver ganhar vida essa história que me seduziu desde que a avistei nas prateleiras da livraria. E não poderia ter sido num local mais adequado: em pleno Teatro João Caetano, construído por Dom João VI.
Escrita por Heloísa Seixas e Julia Romeu - respectivamente esposa e filha de Ruy Castro - a comédia musical Era no Tempo do Rei tem músicas assinadas por Carlos Lyra e Aldir Blanc e ganha o palco exatos 200 anos depois do tempo da ação. Narradas por D. Maria, a louca, as aventuras de Pedro e Leonardo pelas ruas da Corte se dão num ritmo acelerado, pontuado por canções fortes, belas e inspiradas. E que contribuem muito para que o musical tenha, de fato, uma pegada brasileira.
O elenco é cheio de acertos! Saraya Ravenle, como Bárbara dos Prazeres, mostra que poderia ter enveredado pela carreira de cantora sem dever nada às maiores representantes brasileiras do ofício. Alice Borges, carismática e envolvente, cativa o público sempre que surge no palco com sua rainha louca. O sotaque português parece ainda pouco íntimo da atriz, mas não chega a atrapalhá-la. E tem uma graça especial o número em que ela surge no meio da plateia. Arranca boas risadas!
Entre os homens, o destaque absoluto é André Dias. Aliás, é impressionante o brilhantismo desse astro dos musicais nacionais, que já havia comentado aqui quando o vi em cena em Avenida Q. André é afinado, tem total domínio do corpo em cena e, o que é fundamental para quem sobe num palco, parece atrair o olhar dos espectadores. Assim, é fácil rir do seu jeito de franzir a testa ou de colocar a voz. Um ator completo e inteligente, que soube fazer de João Calvoso um anti-heroi adorado pela plateia.
Como Dom João VI, Leo Jaime também não faz feio. Só não leva muita vantagem porque o personagem, eternamente representado como o paspalho bonachão, realmente parece oferecer poucas oportunidades. Mas Leo se sai bem na empreitada: interpreta com segurança o Príncipe Regente.
Izabella Bicalho surge em cena bigoduda como Carlota Joaquina - e enfeiar a bela atriz é um grande mérito da equipe de caracterização do espetáculo. Bicalho está bem no papel, embora o sotaque castelhano dificulte a compreensão do texto em algumas passagens. O mesmo acontece com Tadeu Aguiar, este defendendo um Jeremy Blood de forte sotaque inglês. Problemas que talvez sejam típicos de uma estreia...
Os jovens atores que interpretam Pedro e Leonardo também dão conta do recado, com destaque para Renan Ribeiro, o Leonardo. Afinado e simpático, brilha no palco como o primeiro trombadinha da literatura brasileira. Tem futuro!
O único senão vai para a cenografia. Um fundo vermelho incompreensível permanece em cena o tempo todo e destoa do clima e do restante do cenário. Sem contar que, em alguns momentos, o fundo do palco fica exposto, de modo que é possível perceber a movimentação de atores e da equipe técnica do espetáculo. Sem falar de outros pequenos deslizes, como um conjunto de lampiões que não acenderam numa cena entre Dom João e Bárbara. Falha pequena - que também atribuo ao calor da estreia.
O espetáculo é alegre e envolvente. Debochado - como o texto de Ruy Castro - e atual. O inglês de Tadeu Aguiar diz em cena que a "primeira palavra que aprendeu no Brasil foi impunidade". E é impossível não pensar que, 200 anos depois do tempo da ação, essa mesma palavra ainda esteja tão presente em nosso cotidiano.
Eu recomendo! Era no Tempo do Rei é um espetáculo que faz rir e pensar no nosso país "puro e depravado" dos versos de Aldir Blanc...

12.3.10

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 83

Governador do Rio foi às lágrimas ao comentar a decisão da Câmara dos Deputados
Por conta da aprovação de uma emenda constitucional que partilha os royalties do petróleo entre estados produtores e não-produtores - o que deve causar sérios prejuízos ao Rio de Janeiro - o governador Sérgio Cabral abriu o berreiro ontem, num evento realizado na Puc. Fez beicinho e tudo!
É claro que o assunto é sério, a decisão lesa o Rio e sua população e que, segundo o Governo do Estado, pode inviabilizar investimentos na Olimpíada de 2016 e na Copa de 2014. Ainda de acordo com o Palácio Guanabara, a alteração na lei fera a Constituição Federal.
Pois bem, a questão é grave e importante. Mas não resisto! E pergunto-vos: chorar assim, em público, não é coisa de Garotinho???
Sei não, mas o chororô teria feito mais sentido uns seis, sete anos atrás...

11.3.10

Novidade no B@belturbo: série Crise de Riso?

Não é de hoje que humoristas se queixam de um movimento que, segundo eles, inviabiliza o humor: o movimento do politicamente correto. Afinal, segundo eles, viver é, fundamentalmente, explorar os infortúnios nossos de todos os dias. Sim, fazer humor sem deboche é como ir a Roma e não ver o Papa...
Mas, e quais os limites do humor? Como fazer rir sem chocar, sem ofender e sem violentar as partes envolvidas na piada? Perguntas que talvez nem estejam na cabeça de todos os criadores do humor, mas que aparecem sempre que uma ou outra polêmica envolvendo humoristas e suas piadas ganha as discussões.
Como amante do humor e, mais que isso, como alguém que passa boa parte do dia rindo, acho importante discutir esse assunto. E, para isso, nada melhor que ouvir as opiniões de alguns dos principais humoristas e redatores do país. Daí surgiu a ideia da série Crise de Riso?, com entrevistas com alguns desses grandes nomes da graça nacional.
Os textos serão publicados em breve, numa periodicidade que ainda vai ser definida. As entrevistas serão exclusivas e publicadas na íntegra. A proposta é discutir humor com quem faz humor.
Portanto, aguardem! A primeira entrevista já está pronta e adianto uma coisa: o entrevistado é, praticamente, sinônimo de humor na internet brasileira...
E você? Tem alguma sugestão? Que profissional do humor você gostaria de ver na série Crise de Riso?
Comentaê!!!

10.3.10

Ainda sobre a polêmica com Danilo Gentili...

Ontem o B@belturbo teve um dia movimentado. Os acessos ao blog quase quadruplicaram e o post sobre a polêmica piada de Danilo Gentili recebeu muitos comentários. O endereço do blog foi replicado por admiradores do humorista no Twitter e muita gente apareceu por aqui. Gente criticando e gente defendendo o direito do humorista fazer piada com o que quiser. Até aí, ótimo: um blog se mostra vivo e forte em situações como essa. O problema é que alguns fãs e defensores do repórter do CQC apregoam a liberdade para o humor, mas parecem condená-la quando o assunto é opinião.
Reitero: a piada comparando Hebe à uma múmia durante a exibição de seu programa, na última segunda-feira, foi muito infeliz. Tanto que o próprio Danilo Gentili a deletou de seu perfil no Twitter. Alguns visitantes dizem que Hebe "nem ligou pra isso" o que não muda rigorosamente nada: embora a admire bastante, não sou fanático a ponto de ter minhas opiniões pautadas pelas dela. E acho que essa foi a tônica de muitos comentários recebidos aqui: fãs que se sentiram ofendidíssimos diante de uma crítica ao ídolo. Ora! Então Danilo Gentili não pode ser criticado?
Em outro comentário fui chamado de "vazio e superficial" e de "comentarista infeliz". Autora do comentário, Karina certamente deve estar escrevendo alguma tese de mestrado sobre o humor. Mesmo "vazio e superficial", eu indicaria à ela qualquer leitura que fosse sobre a democracia. Afinal, tenho todo o direito de expor aqui minha opinião sobre esse e qualquer outro fato. Como Danilo tem o direito de expor a opinião dele - o que ainda não fez publicamente aqui na rede, infelizmente. Talvez se ele o fizesse, como fez ontem, num evento em São Paulo, seus seguidores se acalmariam um bocado.
Outra fã de Danilo disse: "fiquem com a Diva de vocês". Um argumento de fã-clube dos anos 50, daquela época do Marlene x Emilinha. Ô gente passional...
A comentarista @liginhatrajano, a quem também agradeço pela visita, defende o ponto de vista de que "isso é humor" e que, portanto, não deve ser levado a sério. "Nada de ofensas", ela diz. Mas se tantas pessoas se mobilizaram para reagir à piada, é sinal de que, no mínimo, ela não foi tão boa assim. Por isso, @liginhatrajano, acho importante discutirmos - todos - o que é humor, qual o sentido de fazer graça. E, fundamentalmente, uma coisa chamada contexto da piada. Será que, na segunda, todo o contexto relacionado ao retorno de Hebe favorecia uma piada como aquela? Duvido!
O comentário de Mariana Paradiso seguiu a linha "Danilo x globais". Acrescentou bem pouco ao debate. Mas concordo quando ela diz que "os artistas precisam rir um pouco mais de si mesmos". Hebe, aliás, faz isso há 60 anos. Por que o próprio Danilo não aproveita e ri do próprio equívoco agora?
Ricardo me disse que "se não gosto de piadas, não devia seguir humoristas ou comediantes". Gosto de piadas. Muito! Escrevo muitas aqui, aliás. E sigo vários humoristas, comediantes e redatores de humor no Twitter. Mas há uma nuance: e gosto de boas piadas! E vale registrar: nenhum outro comediante conhecido fez qualquer piada do tipo. Sabe por quê? Porque todos perceberam que o momento não era apropriado. Todos tiveram noção. E, definitivamente, não foi o caso do comentário que motivou toda essa polêmica.
Ricardo também me chamou de "hipócrita" e diz que eu devo gostar de Zorra Total e A Praça É Nossa. Enganou-se, coitado. Gosto e já elogiei muito aqui o CQC. Já elogiei o Danilo Gentili aqui também. Mas não sou fundamentalista, não sou um radical do pouco. Não sou cego. Danilo é inovador e inventivo, mas a pseudo-piada sobre Hebe foi um deslize que, creiam, só o atrapalhou.
Ainda sobre o comentário de Ricardo, vejam só que sujeito contraditório: "o twitter é um blog público e cada um tem o seu, cada um posta o que bem entender, se não gosta ou é tão mesquinho a ponto de achar que te ofende as suas palavras então não siga". Ô, Ricardo...coerência, meu caro! Se o meu post também te ofendeu - embora eu não tenho desrespeitado o Gentili em momento algum - você não devia sequer ter lido até o fim. Além disso: embora possamos escrever o que der na telha na internet, em blogs ou no Twitter, devemos ser responsáveis e aguentar as consequências de nossas palavras, certo? Aqui, arco com as minhas. E Danilo está arcando com as dele. E tenha calma na vida, filho. Não dá pra ganhar no grito e xingando a mãe sempre, ok? Isso é coisa dos tempos de criança. Amadureça!
Os comentários favoráveis ao post também foram muitos, mas não vou citar aqui. Agradeço aos autores.
Por fim, fica a impressão de que as pessoas ainda precisam aprender a defender seus argumentos. E olhar para seus ídolos como seres humanos, e não como heróis indefesos lutando contra o mundo. Todos podem errar - e erram. A diferença é a forma que escolhem para lidar com esses erros. Partir pro bate-boca idiota não enobrece ninguém e nem está à altura da discussão e dos personagens envolvidos nela.
E viva o bom humor!

ATUALIZAÇÕES:

Aqui, o link do vídeo de um evento fechado, realizado em SP, ontem. Nele, Danilo Gentili comenta o episódio da piada sobre Hebe.
Aqui, a primeira entrevista do humorista sobre a polêmica, concedida ao portal R7.

9.3.10

Os barracos das nossas estrelas: Danilo Gentili x famosos e fãs de Hebe...

Na noite em que boa parte da internet brasileira comentava a volta de Hebe Camargo à televisão, o repórter do CQC não fez diferente. Mas o comentário de Gentili, postado no Twitter, não foi exatamente de boas-vindas:

Nada respeitoso, o humorista da Band despertou a ira dos fãs de Hebe. E de famosos como Preta Gil, Bruno Gagliasso, Astrid Fontenelle foram alguns a criticar duramente a mensagem. A reação foi tão forte que, instantes depois, Gentili deletou o tweet de seu perfil na rede social.
Sei que o humor não é politicamente correto - e nem deve ser - mas uma unanimidade como Hebe merece respeito. E mais: carinho. Como novato na TV que é, Danilo Gentili devia, no mínimo ter ficado calado. Teria sido mais inteligente de sua parte reconhecer a importância que uma estrela como Hebe, com 60 anos de carreira, tem para a história da televisão brasileira.

E você, o que acha?

Comentaê!!!

PS.: De minha parte, desisti do Gentili. Dei unfollow pra não ler mais bobagens irritantes como essa...

Sobre a volta de Hebe Camargo à TV...

Depois de dois meses fora do ar, apresentadora voltou ao ar no SBT e emocionou público, plateia e telespectadores...
Com um belo texto de Juca Ferreira narrado por Bibi Ferreira, o SBT iniciou um dos programas mais aguardados da TV nos últimos tempos. Ao som de "Andar com fé", a loiruda entrou no palco e não conseguiu disfarçar a emoção de ver na plateia uma constelação de astros e estrelas. Logo na primeira fila, três loiras globais: Xuxa, Ana Maria Braga e Marília Gabriela. Um auditório à altura da maior estrela da televisão brasileira.
Silvio Santos não foi, estava gravando seu programa num estúdio ao lado. Mas mandou um recado cumprimentando a estrela da noite. E ainda teve uma entrevista exclusiva com mais um global: Roberto Carlos. Batendo papo e jogando conversa fora, Rei e Rainha se encontraram na tela do SBT. A entrevista com o cantor mais popular da hístória da música brasileira foi emocionante, com destaque para o momento em que o próprio Rei não conteve as lágrimas ao cantar "Como é grande o meu amor por você" para a aniversariante do dia. Um momento pra guardar na memória.
Pra manter a tradição, Hebe recebeu no sofá Ivete Sangalo, Maria Rita, Leonardo e Ney Matogrosso. Foram eles os responsáveis pelos musicais da noite, uma das marcas do programa. A outra, o sofá, foi ampliada: com tantos vips na plateia, a loira comandou um animado bate-papo com os convidados sobre o Dia Internacional da Mulher. E teve até Xuxa discordando de Ratinho. Impensável e improvável, mas bem divertido...
A audiência não decepcionou: apesar de começar depois das 23h, o programa foi vice-líder durante todo o tempo em que permaneceu no ar. E na internet não foi diferente: tags homenageando Hebe entraram para a lista dos assuntos mais comentados, os Trending Topics do Twitter.
Foi um belo programa! Histórico. Uma celebração aos 81 anos de uma mulher que passou as últimas seis décadas na TV, que influenciou várias gerações de profissionais, que conquistou o respeito de anunciantes, o carinho do público e a admiração de quem faz e gosta de TV.
Vida longa à loiruda! Salve Hebe Camargo, rainha absoluta da televisão brasileira!

8.3.10

Um dia só delas...

Todos os anos, quando chega o Dia Internacional da Mulher, as opiniões se dividem. Há os quem julguem  a data meramente protocolar e os que comemoram e reconhecem a importância da celebração. Os primeiros, muitas vezes, argumentam que todo dia é dia das mulheres. Os demais não negam esse fato, mas, ainda assim, aproveitam a graça de dedicar a elas um dia.
Eu me enquadro nesse segundo grupo. Por isso, aproveito para mandar um beijo a todas as mulheres que me cercam - aqui no blog e fora dele. Sou um sujeito muito orgulhoso por ter mulheres grandiosas na minha família, por ter grandes amigas e por ter encontrado mulheres que me ensinaram, cada qual a seu jeito e de uma forma, a beleza que é amar.
Portanto, meus parabéns, mulherada!

7.3.10

Novidade no blog!

A partir de agora, cada post do B@belturbo vem acompanhado de uma lista de reações. A ideia é a seguinte: com um único clique, o leitor que não dispõe de tempo - ou não tá afim - para escrever um comentário sobre o que leu, vai poder expressar sua opinião. É a praticidade de garantir mais um meio de interação entre todo mundo.
Bora experimentar? Se der certo, a gente segue brincando. Se não, deleto a novidade.
E vamo que vamo!

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 82

Saí com Robinho pra passear na tarde de hoje. Se você é novo por aqui, não confunda: o jogador do Santos e eu sequer nos conhecemos. Falo de um dos mascotes aqui de casa, um poodle fanfarrão com quatro anos recém-completados. Gordo como um porco, botei o sedentário pra caminhar um pouco e queimar um bocado do que lhe sobra em forma de banha.
Uma última tentativa antes de começar a pensar em substituir sua ração pela humana, que, dizem, emagrece.
Lá fomos nós a zanzar pela rua e, meus caros, fiquei absorto! O cachorrinho fez xixi em TODOS os postes e árvores que viu pela frente. O ritual era o mesmo: assim que avistava o alvo, Robinho fazia força, me arrastava na direção de seu banheiro ao ar livre, levantava a patinha e se aliviava para, alguns metros adiante, repetir todo o processo.
Sei que os machos são assim - ainda falo de cães, ok? - e que, agindo desse modo, buscam marcar o território. Essa é a explicação científico-comportamental para o fato. Mas, encafifado com aquela mijadeira toda, pergunto-vos:
Como pode um cachorrinho tão pequeno guardar tanto xixi dentro de si?
Cartas para a redação!
 
PS.: Antes que perguntem, tranquilizo: não havia fiscais do Choque de Ordem aqui perto de casa hoje. Apesar de mijão, Robinho voltou são e salvo. E com um palmo de língua dependurada fora da boca...

A ruína de um Imperador?

A mesma diretoria que libera um atleta por considerar que seus problemas particulares prejudicam se desempenho dentro das quatro linhas, vejam só, vem a público e dá declarações sobre essas questões...particulares. Pergunto: o que quer um dirigente que divulga o fato de que um atleta do clube, supostamente, tem problemas com álcool?
Adriano é o xodó da torcida rubro-negra. Ou era, até o último incidente extra-campo que acabou por afastar o atleta de um importante jogo pela Libertadores. Atacante inspirado, contribuiu decisivamente para a conquista do Hexa e fez o torcedor se encantar novamente ao ver em campo um atleta genuinamente identificado com a camisa do time.
Mas, nesse caso de amor em vermelho e preto, Adriano nunca deixou de dar suas derrapadas. E o Flamengo jamais deixou de ter conhecimento delas! O Imperador queimou o pé antes de um jogo decisivo no Brasileirão, demorou a explicar o acidente e surgiram várias versões que sinalizavam para a imprudência do atleta. Sem falar nos atrasos, nas faltas aos coletivos e nas sucessivas liberações consentidas pela diretoria do clube.
Agora, o mais recente escândalo envolve o relacionamento de Adriano com Joanna Machado. A noiva e o Imperador teriam protagonizado um belo barraco na região da Vila Cruzeiro, comunidade-refúgio do jogador. Além do casal, a discussão acabou envolvendo outros atletas do Flamengo e alguns chegaram a ter seus carros danificados pela noiva de Adriano. Constrangido, o atleta acabou sendo dispensado por uma semana pela diretoria rubro-negra.
As confusões de Adriano podem prejudicar o time. Dentro e fora do campo. Ontem, Bruno, goleiro da equipe, tentou defender o amigo e acabou por se envolver numa polêmica ao questionar "quem nunca brigou ou saiu na mão com a mulher?". Pelo mundo, a mais recente confusão do Imperador já ganhou repercussão. Situação que tende a piorar caso o time não alcance, sem Adriano, um resultado satisfatório na partida contra o Caracas, pela quarta segunda rodada da Libertadores.
O que eu mais lamento nessa história toda é que, além de tumultuar e, talvez, prejudicar o rubro-negro, Adriano mais uma vez veste a carapuça do atleta boêmio, problemático, sem credibilidade e pouco profissional. Uma imagem que, mais que prejudicar um time e entristecer seus milhões de torcedores, pode arruinar o Império construído pelo garoto da Vila do Cruzeiro. Uma pena...

Apenas um abraço?

E vem você me olhar com esses seus olhos doces. Cara de menina nesse corpo de mulher que me convida. Um convite meio torto, cheio de meias palavras e de sorrisos nervosos. Irresistível chamado pra viver o que a vida pode estar a nos dar...
Abraço, colo meu corpo ao seu e deixo minha cabeça descansar nos seus ombros. Encaixamos bem. Sentimos nossos cheiros. São bons, dizemos um ao outro. E combinam, penso. E ali, nos seus braços, volto a ser menino. Sim, tuas mãos sobre minhas costas parecem me tirar o peso de uns dez anos. Estou reconfortado, apaziguado, entregue.
Ali, nos seus braços, pareço ter encontrado o melhor lugar pra estar!
Sinto que você gosta. E sei que você também sente o quanto me faz bem. A vida nos chama e o mundo desfaz nosso abraço. Olho você e sorrimos um para o outro. Mudos. Cúmplices.
Depois de toda a correria rotineira, voltando pra casa, lembro daqueles instantes gostosos nos seus braços e não tenho dúvida: foi a melhor parte do meu dia...
O rádio do carro toca uma balada qualquer, olho pro banco do carona e imagino que você ficaria linda ali, cheirosa, e com minha mão sobre a tua perna. Sabe, acho que talvez sejamos um pro outro...

6.3.10

Sobre a morte do ator Dener Pacheco...

É tanta coisa pequena, é tanto probleminha que a gente às vezes acaba tentado a não notar as benesses da vida. E, entre todas, a maior delas: viver. Aí, quando a gente percebe como a vida pode ser efêmera, acaba um pouco sem chão. Foi exatamente assim que fiquei hoje, desde o momento em que li a notícia da morte do ator Dener Pacheco, de 28 anos, vítima de câncer.
Confesso que nem conhecia o trabalho do Dener. Mas sempre acho devastadoras notícias de morte envolvendo gente tão jovem, cheia de sonhos e com tantas possibilidades de viver um belo futuro. Dener tinha quase a minha idade e, embora saibamos todos que pra morrer basta estar vivo, saber de um fim tão precoce me faz pensar em como estou cuidando da minha vida, se tenho valorizado o que realmente importa, se tenho me ocupado do que me dá prazer e se tenho feito bom uso do tempo que tenho por aqui. Perguntas triviais, mas que nem sempre levam a respostas desejáveis...
Tentemos todos, sempre, ter uma boa estada nessa Terra!
E que Dener descanse em paz!

Um lugar pra beber, cair e...trabalhar!

Gravando em Planaltina, cidade-satélite de Brasília, eu e a equipe do Salto nos deparamos com um lugar ideal pra quem quer tomar umas muitas e relaxar com os amigos da firma depois de um dia de expediente puxado. Saquei o celular e fiz o clique:

É ou não é um belo nome?
O B@belturbo adverte: aprecie com moderação. A bebida e o trabalho, claro...

5.3.10

A culpa é deles...

Fico muito feliz sempre que fico sabendo de projetos bem-sucedidos que envolvem amigos meus. Dá orgulho fazer parte de uma geração que tá botando a cara pra bater, que não teme se aventurar e que se empenha para produzir. Por isso, fico muito feliz de convidar toda a turma aqui do B@belturbo para o lançamento do livro de meu amigo Juninho - embora, agora na qualidade de escritor, seja melhor tratá-lo como Júnior.
O Fera, que eu tive o prazer de conhecer quando trabalhei no site do BBB, integra o time de autores de "A Culpa é Delas", livro derivado do blog homônimo mantido por Júnior e um grupo de amigos - e que está linkado na coluna da direita. O tema? O jogo do amor, sempre abordado por uma ótica cheia de humor. E de talento!
Eis o convite:
Portanto, se você estiver no Rio no dia, vale prestigiar esse time de artilheiros e adquirir o seu exemplar. Garanto: vai ser um golaço!

PS.: Juninho, depois te mando um e-mail com o número da conta pra você pagar o cachê pelo merchan, ok? ;)

4.3.10

Só pra registrar...

Hoje, marcando o quarto aniversário do blog, o B@belturbo ganhou uma nova marca. A mudança é sutil e o objetivo era deixar a imagem mais leve e colorida, bem no espírito dos textos que publico aqui.
E quero a opinião de vocês, ok?

3.3.10

Da série: "Versos & versões..." 6

E não é que um dos clássicos dos Bee Gees poderia ser hit no programa da Ana Maria Braga?

Criatividade, falta do que fazer ou as duas coisas?

Mas que é divertido, é!!!

2.3.10

Quatro anos no ar!!!

Hoje o B@belturbo faz aniversário. Fica o registro desses quatro anos e o agradecimento a todos que enchem esse espaço de vida e alegria. Tem sido um grande prazer jogar conversa fora por aqui e espero que a nossa prosa dure muito tempo ainda!
Portanto, parabéns para nós!!!
E vamo que vamo!

Lady GaGa mirim bomba no Qual é o seu Talento?

Eu nunca tinha visto o programa do SBT comandado pelo André Vasco. Descendente direta dos tradicionais shows de calouros, a atração tem jurados e artistas anônimos que se apresentam em troca de um prêmio em dinheiro. Ontem, zapeando, parei na emissora de Silvio Santos quando uma garotinha, toda produzida, se preparava para uma apresentação. E, confesso: morri de rir!
Portanto, se você não viu a versão Lady GaGa Só Para Baixinhos, eis o vídeo:

Achou a menina talentosa?

1.3.10

Encontro de mãos...

"Coloco minha mão sobre a tua para que juntos possamos fazer o que não posso fazer sozinho". A frase, belíssima, eu ouvi durante a semana de trabalho em Brasília. Mais precisamente, antes das apresentações de duas companhias de teatro: a Língua de Trapo e o Teatro do Concreto. Mais que um slogan ou uma essa espécie de mantra, a afirmação me fez pensar no princípio da união. E no quão é reconfortante sabermos que há mãos sobre as nossas, dando apoio, incentivo e força para que possamos realizar a nossa missão por aqui.
Curioso pensar que, algumas vezes, essa mão sobre a nossa pode vir de tão longe. E, ainda assim, parecer a mais próxima. Ou pode surgir na forma de um gesto simples, quase trivial, mas repleto de generosidade e afeto.
Pode parece um post meio boboca, mas...ok, eu não tenho o menor problema em ser piegas de vez em quando. Hoje, indo pro trabalho, o trânsito estava impraticável! Um ônibus me deu uma fechada criminosa, que certamente teria terminado num grave acidente se eu não estivesse atento. Poucos metros depois, um outro carro tentou o mesmo, sem sucesso. E fiquei pensando em como é idiota esse bicho-homem, o tempo todo a fazer com os outros o que não gostaria que fizessem consigo.
Mais tarde, já na TV, num intervalo entre as gravações do Salto, eu me queixei de fome. Nada ostensivo, não sou um reclamão. E, com todo carinho, Iracema, que me maquiava, saiu e pegou um pacote de biscoitos pra mim. Fiquei surpreso, comovido. E muito, muito agradecido. E pensando no valor daquele gesto. Mais que me matar a fome, Ira demonstrou o quanto me quer bem, que gosta de mim e que se preocupa comigo. Talvez sem notar, a senhora que tem por ofício esconder minhas imperfeições revelou, hoje, ser uma mão sobre a minha!
Deus tem sido bom comigo. Se, vez ou outra, sinto o amargo do fel, são muito mais frequentes os momentos em que o mel mostra que a vida pode ser mais doce...