27.10.14

Viva o Nordeste!!!


Tenho sangue nordestino nas veias: meu pai era de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Se não fosse carioca e se não amasse tanto a minha cidade, escolheria Salvador pra viver. Pela beleza de suas praias, pela comida maravilhosa, pelo astral que a gente sente no ar assim que chega, por ter dado ao país tanta gente boa pra fazer música, pelo carnaval que adoro, pelo povo festeiro e carinhoso! E aí, meu rei, se morasse em Salvador, eu seria uma espécie de desbravador do nordeste...
Sim, porque se morasse em Salvador, eu estaria sempre na bela Aracaju, iria me esbaldar vez por outra em Mangue Seco, curtiria finais de semana na bela Fortaleza ou em João Pessoa...
Iria sempre ao Recife, terra linda, que dizem ser a mais bonita da América Latina, lugar de tantos amigos amados. Passaria sempre em São Luís, pra lembrar das cores, cheiros e sabores que só o Maranhão tem. Passaria os feriados prolongados em Maceió, o Caribe brasileiro, dona do mar mais bonito que pode existir: cristalino, quentinho e acolhedor. 
Se morasse em Salvador, meu sangue nordestino ia me levar a conhecer Teresina, capital do Piauí, única parte dessa região tão fantástica que ainda me falta visitar.
Eu amo o nordeste! 
Hoje, se há algum verdadeiro motivo pra se estar de luto, me desculpem, é a exacerbação de tantos e tão deploráveis preconceitos nessa rede social.
E se você, meu amigo, minha amiga, está de luto e não é preconceituoso, um alerta: você está se perdendo num mar de gente que destoa de tudo aquilo que se pode julgar como admirável; está usando o mesmo rótulo que está sendo usado por gente que tá por aqui propagando o lado mais degradante do ser humano...
Viva o Nordeste! 
Viva o povo nordestino! 
E viva o Brasil!!!

7.10.14

Não sou PT...


A gente vive um período muito curioso. Todos somos rotulados seguindo uma lógica muito cartesiana: se não é isso, é aquilo. Pois bem. Escrevo isso pra dizer que acho curioso que vários amigos me rotulem de "petista". Não sou PT - e digo isso não por achar que seja algo desabonador sê-lo. Apenas não o sou, como não sou vascaíno, não sou casado e nem sou vegetariano.
Não votei num candidato do PT para a assembleia legislativa. Não votei num candidato do PT para a câmara dos deputados. Não votei num candidato petista para o governo do estado e tampouco votei num candidato do PT - ou apoiado por ele - para o senado. Não sou PT e nem acredito nessa lógica em que um partido parece estar acima de tudo.
Acontece que, embora eu não seja PT, também não sou cego e muito menos insensível. Também não sou "desinformado", como os eleitores do PT foram (des)qualificados pelo ex-presidente FHC, em quem, aliás, já votei. Petista vota em tucano?
Pois bem, não sou PT, mas conheço o Brasil que está além dos telejornais e das páginas de revistas e jornais. Conheço um Brasil que a mídia tradicional não cobre e que está longe dos grandes centros. Um Brasil em que os sonhos e as oportunidades estão chegando a lugares que o restante do país só costumava associar à miséria e à fome. Vejo um país que assistiu a uma expansão do ensino superior inédita. Que assegurou - e segurou - trabalho e renda em meio a uma das piores crises internacionais de todos os tempos. Um país que não é mais tutelado pelo FMI. Esse novo Brasil, no qual quem nunca sonhou em sair da própria cidade viaja de avião; em que filho de pedreiro faz mestrado e em que manicures podem ver seus filhos fazendo intercâmbio no exterior; em que há cada vez mais negros nas universidades; esse país, meus amigos, me parece muito mais nosso - de TODOS - do que o país de antes. E, sinto muito, foi num governo petista que tudo isso se tornou possível.
Há problemas? Há. Muitos. E não só aqui: no mundo todo. Mas ainda acho os avanços muito mais consistentes. E, por eles e diante deles, vesti vermelho e votei com gosto ontem para manter Dilma na presidência. Para que mais brasileiros e brasileiras possam ter mais oportunidades. E para que assim, no futuro, ninguém possa usar a classe social como justificativa para tentar desmerecer a escolha democrática de cada um de nós.

28.7.14

Sobre a crise no Sindicato dos Jornalistas do Rio...


Desde as manifestações de junho de 2013, o trabalho da imprensa vem sendo muito questionado. Algo salutar, claro. Sociedade democrática é aquela que tem imprensa livre e que conta com uma pluralidade de vozes. A cobertura pensada por grandes veículos, aliás, foi muito criticada por colegas da própria imprensa, que também atentavam para uma morosidade de jornais, rádios e emissoras de TV em "ler" o que vinha das ruas. Termos como "vândalos", inicialmente utilizados amplamente, deram lugar a palavras como "manifestantes", "ativistas" e afins. Os tumultos ocasionados nas passeatas continuaram a ser mostrados nas matérias, que, no entanto, passaram a diferenciar quem reivindicava melhorias para a sociedade de quem estava nas ruas para depredar patrimônio público e/ou privado. A violência policial - que atingiu repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e muitos manifestantes - também foi vastamente denunciada pelos grandes veículos de comunicação, bem como por aqueles que faziam, nas ruas, cobertura em tempo real do que acontecia a cada protesto.

Num desses protestos, Santiago Andrade, cinegrafista a serviço da Band, foi alvejado e acabou morrendo. O rojão, segundo a polícia, foi disparado por jovens que manifestavam. Os jovens foram encontrados, presos e acusados formalmente pelo homicídio. E esse episódio inflamou ainda mais os ânimos. A imprensa passou a ser cada vez mais intimidada a cada nova passeata, a cada manifestação. Vários colegas foram agredidos, tiveram seus equipamentos danificados. Carros de emissoras de TV foram incendiados; num confronto que, a meu ver, expõe o fraquíssimo alicerce sobre o qual está erguido o conceito de democracia defendido pelos manifestantes.
Vale dizer que, à essa altura, as passeatas já não mais reuniam 1 milhão de pessoas. Os ativistas diziam que a "mídia comercial" ou "mídia tradicional" tentava esvaziar as manifestações. O fato é que as imagens de violência praticada por jovens com os rostos encapuzados assustaram a sociedade - e, desculpem os críticos da mídia, se elas foram captadas e transmitidas, é porque eram registros de fatos! A morte de Santiago não foi fruto da maquinação de um roteirista. Os incêndios e depredações não são fruto da criatividade do departamento de efeitos especiais de nenhuma emissora de televisão, sabemos todos. Infelizmente.
Acontece que, à medida em que o clima ia se tornando mais belicoso, a atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio parecia mais acovardada em assumir que os profissionais da imprensa estavam sendo hostilizados, ameaçados e agredidos enquanto exerciam seu ofício. A direção do sindicato divulgou uma série de notas que mais confundiram do que explicaram. Notas em que pouco - ou quase nada - defendeu a categoria a qual deveria representar. Uma crônica de equívocos que teve o ápice na semana passada, com uma entrevista coletiva de ativistas - e pais de ativistas - realizada dentro da sede do sindicato, um dia depois de mais um episódio em que manifestantes usaram de violência para impedir o trabalho da imprensa. Dentro do sindicato que lhes deveria representar - e defender - jornalistas ouviram impropérios e ameaças de jovens e de seus familiares. Um episódio lastimável, que virou notícia e teve grande repercussão, dado o absurdo da situação.
Hoje, um grupo de jornalistas se uniu para pedir a destituição da atual diretoria do sindicato. O grupo utiliza um abaixo-assinado, instrumento legítimo, democrático e, assim, procura exercer o seu direito de ter uma direção que faça valer a confiança e que exerça, de fato, seu poder para representar os interesses da categoria. Assinei, apoio e torço muito para que tenhamos sucesso nessa empreitada.
Li algumas críticas ao momento que vivemos. Críticas ao abaixo-assinado, críticas ao fato de se querer destituir uma diretoria democraticamente eleita (acho que os críticos se esquecem de que se isso fosse ilegítimo, o país não teria afastado um presidente). Gente que respeito e admiro. Gente que defende a democracia, como eu. Mas gostaria de ver essa mesma gente se posicionar sobre as agressões aos jornalistas. Isso é democrático? É legal? É justo? Gostaria de ver essa mesma gente que cobra a retidão da polícia e do inquérito que investiga as manifestações - ideais que também defendo - dizer se acha mesmo que a melhor forma de criticar o trabalho da imprensa é descendo a porrada em seus profissionais. Gostaria de ver essa mesma gente que está defendendo ativistas - como se fossem todos muito inocentes - se posicionar sobre os comerciantes que tiveram suas lojas saqueadas e incendiadas nas manifestações. Isso pode? Isso é legal? É nessa mudança de mundo que se quer acreditar? É assim que se quer construir uma sociedade mais justa e democrática?
Se for, não acredito nesse novo modelo! Acredito em diálogo, democracia e em instituições sólidas; como a imprensa livre e a justiça. Instituições que estão longe da perfeição, é bem verdade, mas que podemos ajudar a aperfeiçoar cotidianamente, usando nosso poder de argumentação, nosso dinheiro e nosso controle remoto. Não gosta do jornal, não leia! Não concorda com a linha editorial da emissora de TV, não assista! Não assine seus canais fechados! Vá se informar pela "mídia independente". Ferindo os grandes grupos no bolso, talvez seja possível pressioná-los a rever suas linhas editoriais. Agora, se você relativiza tapa na cara, xingamento e soco em profissional da imprensa e continua vendo novela, BBB e o raio que o parta, aí você é um revolucionário de sofá. E eu lamento muito! Porque pode chegar o dia em que a sua profissão esteja em xeque e algum manifestante se ache no direito de dar na sua cara para protestar. Será o dia em que você estará colhendo os frutos podres no quintal da sociedade escrota que ajudou a construir...

15.7.14

Memórias de uma Copa inesquecível...



Nos últimos 30 dias, cheguei ao cúmulo de me surpreender buscando alguma emoção em Irã e Nigéria - sem encontrá-la, claro! Disse "adíos"aos campeões da Espanha na primeira fase; sequei as pimenteiras da Itália e da França, vibrei com o progresso da seleção dos Estados Unidos e me diverti com a alegria contagiante da torcida do Chile - até o jogo em que eles enfrentaram o Brasil e promoveram um teste gratuito de 200 milhões de corações pentacampeões. Foi um mês de múltiplas descobertas, em que percebi, por exemplo, que Argélia e Costa Rica têm seleções com uma raça que a gente se acostumou a ver na turma que consagrou a amarelinha...
Por falar na seleção canarinho, fui torcendo, aos trancos e barrancos, empolgado pelos passos vacilantes que nossa equipe dava nos campos. No começo, disseram que restavam sete degraus. Chorei com o hino cantado por aquelas torcidas anêmicas - no tom da pele e no comportamento. Seis degraus. Vibrei com os pênaltis agarrados por Júlio César e também me emocionei quando ele, depois do jogo que valeu por um check-up completo, deu uma entrevista em que pareceu, enfim, respirar livre das culpas carregadas desde a África do Sul. Cinco degraus. Procurei Fred em campo, torci por um gol dele, mas jamais consegui avistá-lo. Quatro degraus restantes. Fui contagiado pela cara de guerreiro medieval do David Luiz, que entrava em campo como os gladiadores que precisavam matar leões no Coliseu. Três degraus. Xinguei juiz ladrão, fiz figa contra o time adversário. Faltavam só dois degraus. Sofri com a fratura do Neymar e, no dia em que aconteceu o inimaginável, morri de rir! Degraus? O Brasil se estabacou escada abaixo, num tombo histórico pra videocassetada nenhuma botar defeito! Metralhada, nossa seleção virou piada. Aliás, virou um Zorra Total inteiro, só que engraçado! Uma edição antológica, cheia de anedotas inspiradíssimas que chegavam sem parar pelo whatsapp e pelas redes sociais. Vi de um tudo! Ri como nunca! É, a #copadascopas teve o #micodosmicos...
Restou secar a Argentina na final. E vibrar como se tivesse nascido em Berlim com o gol tardio da Alemanha. Torci pro Galvão gritar "é tetra", tranquilo por saber que, nessa história - apesar da goleada imposta pela seleção vencedora - ainda somos os maiores campeões...
Pra mim, sem dúvida, foi uma copa inesquecível! Deixou muitas lembranças deliciosas, de reuniões muito divertidas com amigos, de farra nas areias de Copacabana, das interações com visitantes das Filipinas, do Chile, da Argentina, do Irã, da Alemanha...! Uma gente que abria um sorriso típico de quem se sente em casa. Uma gente surpreendida com a beleza do nosso país e do nosso povo. Povo plural, que viu sua diversidade reconhecida na "dança pataxó" da seleção alemã, em pleno gramado do Maracanã. E, como não acredito em coincidências, vale lembrar que Maracanã é uma palavra de origem... indígena! 
Eu acho que o Brasil ficou muito bem nessa foto! E o mundo reconheceu a nossa alegria como a maior riqueza que temos. Que possamos aproveitar todo esse potencial para fazermos um país melhor a cada dia, agora que a vida vai voltando ao normal. 
Já sinto saudades da Copa!
Já espero pelas Olimpíadas de 2016! 
E aposto que a gente bota pra quebrar de novo!!!


11.6.14

Pela leveza do amor...

Li ontem que ruiu parte da grade da Pont des Arts, onde os amantes prendem cadeados para segurar - ou assegurar ? - paixões. A ponte parisiense não suportou o peso dos milhares de objetos depositados no gradil por turistas do mundo todo...
Turistas do mundo todo querendo que seus amores durem para sempre. 
Amores presos?
Sempre?
Perguntei no Facebook se o romantismo também ruira, ou se o amor é pesado demais. Um amigo retrucou, dizendo que o amor não pode ser aprisionado. Quando o é, pesa.
Espertalhão esse amigo! Mas desconfio que o amor ande mesmo pesado. Por isso, talvez, esteja se arrastando por aí, desencontrado de tanta gente. Pesam sobre seus ombros as escolhas, as abdicações necessárias para que possa caminhar sereno, tranquilo. Pesam sobre suas costas o egocentrismo, a intolerância e a impaciência; que acabam por inviabilizar um mergulho mais profundo num olhar outro, num ser outro e num outro ser. Pesam atados às pernas do amor o imediatismo e o descarte fácil, que acabam por motivar os envolvidos a deitar fora o que lhes parece como algo - alguém ? - sem serventia...
Pesa, enfim, sobre a cabeça do amor um conflito entre o que aqueles que parecem buscá-lo dizem que fazem e a forma como de fato agem. 
Pobre amor esse do nosso tempo. Com todo esse peso, como vai poder lembrar a todos nós que bom é amar com leveza, sem cobranças, angústias, ansiedade? Como vai nos mostrar que amor não é mar de rosas full time; que requer investimento, dedicação, paciência, sinceridade? Como vai provar que amar é uma escolha diária, um compromisso que se reafirma cotidianamente, dentre muitas opções que a vida oferece? É renunciar a algo que até pode parecer encantador, por crer que muito mais encanto tem o que se pode construir juntos, com afeto, parceria e sinceridade.
Não tenho as respostas. Mas, assumo: torço pra ver o amor novamente leve, e andando de mãos dadas com um monte de gente boa que tá por aí, com as mãos enfiadas no bolso. Ou com a cara enterrada no celular, enquanto não encontra olhos que pareçam mais interessantes, encantadores, desafiadores, atraentes e divertidos que a tela do Facebook...

8.4.14

E Valesca caiu na prova...

Polêmica envolvendo questão que trazia versos de funk aponta para a necessidade de nossa sociedade dar tiro, porrada e bomba no preconceito...
Desde ontem só se fala nisso no Facebook. A prova de filosofia aplicada pelo professor Antonio Kubitscheck, do Centro de Ensino 3 de Taguatinga, em sua turma do 3º ano do Ensino Médio. Uma foto postada nas redes sociais trazia uma questão em que os alunos precisavam escolher a alternativa que completasse os versos do sucesso "Beijinho no Ombro", da funkeira carioca Valesca Popozuda. Pronto! Foi o bastante!
Li muito sobre o assunto, fiz alguns posts sobre o caso, mas o Facebook não serviu para extravasar tudo o que penso sobre o caso. Não é de hoje que entrevisto professores e pesquisadores que relatam um fenômeno: nossas escolas - e não falo apenas das brasileiras, muito menos só das públicas - parecem instituições do século XVIII. Paradas, imutáveis, as escolas não têm conseguido despertar o interesse de jovens extremamente conectados, capazes de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, cada vez mais autônomos nos seus processos de desenvolvimento de habilidades múltiplas. Parece bobagem? Não é! Essa realidade implica numa longa, séria e necessária discussão sobre o papel da escola do nosso tempo; sobre a atuação do professor e sobre que tipo de cidadãos queremos formar. 
Pois bem, muitos desses mesmos especialistas assinalam para a importância de que o professor esteja sensível à realidade do aluno. Onde vive? Como vive? Quais são seus gostos? O que consome em termos de cultura? Que cultura produz/reproduz? Para esses pesquisadores, somente por meio do real entendimento do aluno e da realidade em que ele está inserido será possível que o professor estabeleça um diálogo, capte o interesse de crianças e jovens e possa, enfim, desempenhar seu papel educativo. O professor, entende-se, não é mais um transmissor de informações. Ele é mediador! Ele está entre o aluno e o conhecimento. E não há mediação sem troca, sem partilha. Trata-se de um processo permanente em que os sujeitos dão e recebem; dividem saberes para somar conhecimentos. 
Portanto, minha gente, o que o professor Antonio Kubitscheck fez de errado? Ao julgar seu trabalho por um recorte descontextualizado de um teste, erramos todos nós. O professor pode estar brincando? Pode! Aquela pode ter sido uma espécie de "pegadinha"? Sim! Mas também pode ser parte de uma ampla discussão travada em sala de aula. Sobre cultura, sobre a banalização da violência - já que os versos falam sobre "tiro, porrada e bomba", sobre...o que os alunos ouvem. Ou seja: pode haver ali uma discussão muito mais ampla e rica do que essa rasa argumentação de quem acha que "escola não é lugar de ouvir ou de falar de Valesca Popozuda".
A própria cantora se defendeu nas redes sociais. Sagaz, apontou o dedo para a ferida: há muito preconceito envolvido nessa discussão. Se fosse qualquer outra letra, de qualquer outro estilo musical, muito provavelmente a repercussão não seria essa. Acrescento: certamente não seria lançado sobre o trabalho do professor esse olhar pejorativo que paira desde que a notícia ganhou espaço nas redes e nos grandes portais noticiosos. Quem nunca fez uma prova em que um trecho de música tenha sido parte de uma questão que atire a primeira pedra! Ou que dê o primeiro tiro, porrada...ou jogue a primeira bomba!
"Ah, mas isso não é música que preste", dirão alguns. "Isso não é música", afirmarão outros. "Valesca Popozuda é ruim demais, não é cultura", sentenciará outra parte. Aí é que mora o perigo. Tratar o popular e o erudito segundo uma lógica hierarquizada é um equívoco histórico, que traz mais prejuízos que ganhos. A escola pode - e, a meu ver, deve - discutir Valesca Popozuda, Anitta e o que mais vier para dentro do seu cotidiano. É essa a realidade em que muitos dos alunos estão inseridos. Conhecer essa realidade, respeitá-la e, a partir dela, abrir um canal para apresentar outras manifestações da cultura é o caminho para que o professor consiga ter êxito em seu diálogo com os alunos. Mostrar que as expressões da cultura popular são reconhecidas na escola pode contribuir para que a sintonia com os estudantes seja, pouco a pouco, reconquistada. Ninguém gosta de se sentir menos, de se sentir menor. Imaginem como se sentem os alunos que percebem que seus gostos, suas músicas, suas preferências e seus hábitos são considerados "de um nível inferior" no cotidiano escolar...
Por fim, um alerta: essa história toda mostrou muitos críticos, muitos juízes, muitos dedos apontados, ávidos por condenar o professor e por definir o que é cultura. Vi gente que, como eu, também veio das classes populares, de família simples, virar as costas para essas origens e descer o sarrafo no que vem do povo. Turma, se preconceito já é terrível quando parte de quem não conhece a realidade em questão, pra mim, torna-se ainda pior quando vem de iguais. E mais: torna-se ainda mais cruel quando quem condena não tem elementos, conhecimento e informações suficientes para opinar. Educação é coisa séria! O professor é um profissional sério, merece respeito. Estudou para estar ali. Condenar esse profissional e seu trabalho sem sequer ter elementos para tanto é, esse sim, um enorme sinal de falta de preparo, falta de cultura e falta de educação. Sinal de que a escola em que vocês estudaram pode até não ter utilizado versos da Valesca Popozuda em provas, mas, certamente, pecou na construção de alguns valores fundamentais.

PS.: Beijinho no ombro.

6.4.14

Alianças

Em que fração de segundo foi determinado que seguiríamos estradas distintas? E as promessas? E os sonhos, para onde foram todos? E nossas mãos dadas, os filhos que geramos em nossas mentes? E a planta baixa de nossa casa, os passeios de domingo, as noites em claro pra cuidar das crianças que não teremos mais? E o seu sorriso encantador me dizendo o "sim" mais lindo que já ouvi na vida? E nosso beijo coreografado? E o calor dos nossos corpos se amando, e o frescor do teu olhar todas as manhãs? E tuas pernas entrelaçadas nas minhas sob o cobertor? E o teu perfume de flan, sua gargalhada esquisita e seus milhares de pares de sapatos? 
Nossa! Quantas lembranças! Aprendi com a vida que, nesse pra sempre que sempre acaba, algumas memórias ficam eternizadas...

9.3.14

Mais um ano de blog...

No início de março de 2006, quando decidi criar o B@belturbo, a internet era outra coisa. Não havia Twitter, o Facebook ainda não era um fenômeno e o Orkut - bem, nem vale a pena lembrar, quem se importa? Sim, também não vou citar o Google Plus, afinal tem gente que até hoje não sabe do que se trata... 
Enfim, naquele longínquo mês de março, criei esse espaço pra dar um destino às ideias que surgiam e não conseguia aproveitar. Passei a depositá-las aqui, compartilhá-las com os visitantes e dialogar com gente nova. Estreitei laços, conheci gente nova, ganhei admiradores, fui plagiado, um post foi selecionado para fazer parte de um livro, dei autógrafos. Postei, postei, postei...
Aí vieram todas as redes sociais. Aos poucos, as ideias que vinham pro blog foram se dividindo. Parte pro twitter, parte pro Facebook. Mas sempre que algo maior me mobilizava, era aqui que botava as ideias em ordem. 
Oito anos. Se o ritmo das atualizações não é o mesmo de antes, o carinho pelo blog é maior que nunca. Sou viciado na palavra, escrever é minha terapia, minha paixão. E tem sido um prazer visitar o arquivo e descobrir textos que ainda dizem muito de mim, do que sou e de como vejo o mundo. Há outros momentos, igualmente divertidos, em que me noto diferente do autor de outros tempos. Dores que se extinguiram, prazeres que mudaram, opiniões revistas. Novos valores, novos conceitos. Se dizem que a única constância da vida é a impermanência, o blog me mostra vivo: impermanente, em constante (re)construção. Que siga assim! Um canto meu e de quem mais quiser. Em transformação constante. Cheio de ideias. Vivo, como eu e você!

26.2.14

Acorda, Brasil!

Meus amigos me definem como um otimista. Acho que estão certos. Entre tantas formas de ver o mundo, tendo a enxergar sempre a que oferece possibilidades de avanço, crescimento. Creio na melhoria, o que não faz de mim um alienado, claro. Mas é muito difícil pensar dessa forma quando a gente se depara com uma vida real muito, muito diferente do que se acredita ser o melhor. Agora, lendo um post de um amigo, vi um comentário - de um amigo do meu amigo - celebrando a condenação de homossexuais a pena de morte em Gana. 

Sim, celebrando! 

Pode ser uma brincadeira idiota apenas, mas não me engano: muita gente pensa assim. Muita gente acha que as diferenças devem ser eliminadas sempre - como se isso resolvesse problemas criados por ideologias, não pelas pessoas. É gente que quer ver gay morto, pobre exilado em favelas cada vez mais distantes e inóspitas, beneficiários do Bolsa Família voltando a passar fome sem o benefício e menores infratores sendo linchados em praça pública - como voltou a ocorrer hoje. Isso só pra citar alguns exemplos. Gente que coloca o próprio umbigo acima de qualquer valor humanista e que afasta, de pronto, qualquer possibilidade de diálogo e de entendimento com o que lhe parece diverso. Essa gente desorientada que  não vê incoerência entre vaiar o prefeito e celebrar o carnaval atrás do bloco que a prefeitura patrocina - achando o máximo o fato de a folia ter crescido tanto aqui no Rio nós últimos cinco anos. Uma gente de quinta que briga por tudo, que destrata, maltrata e não se retrata. 

Acorda, Brasil. Se o país é essa merda toda, é porque sobra esterco no DNA de todos nós. E não precisa de laboratório nenhum pra constatar: e só sair na rua pra ver. Ou navegar um pouco nas redes sociais...

13.2.14

A política na era das redes sociais x o caos da informação e das opiniões

Se um amigo turista, capaz de entende português, abrisse o Facebook e fosse ler os meus feeds teria imensa dificuldade para fazer uma leitura racional dos últimos acontecimentos. Isso porque as redes sociais se converteram numa miscelânea de leituras - todas pretensamente politizadas - do momento atual. Um post, compartilhado por uma famosa colunista de O Globo, atribui a Dilma, Cabral e Eduardo Paes a "infiltração de baderneiros nas manifestações". Outro, lança dúvidas sobre a isenção de Marcelo Freixo, do PSOL, e aponta para uma suposta leniência da legenda em relação aos "black blocks". Muitos se arvoram no papel de peritos e duvidam da identidade do rapaz de camisa cinza, divulgando - sem parcimônia - fotos de um outro rapaz, como se fosse esse - até então desconhecido - o responsável pelo lançamento do rojão que atingiu e matou Santiago. E por aí vai...
Entendo a avidez pela "verdade". Mas acho que esse furor, potencializado pelo poder e pela velocidade da informação compartilhada em tempo real pode causar muito ruído. O rapaz da camisa cinza, por exemplo, postou um longo desabafo no próprio Facebook, reclamando do compartilhamento de sua foto e alertando para o fato de ter sido acusado sem provas. "Virei bandido?", pergunta. Se quisesse, poderia processar todos os que compartilharam suas imagens e lhe atribuíram a responsabilidade por algo de que se alega inocente.
Quanto ao uso político das manifestações, nitroglicerina pura. Mas supor que, em ano eleitoral, a presidenta da república esteja por trás das ações violentas desses manifestantes me parece uma hipótese fantasiosa - para dizer o mínimo. Será que os defensores desse argumento não imaginam que Dilma será questionada pelos oponentes exatamente pela inda de protestos violentos que tomaram o país? Esqueceram como o governo se mostrou surpreendido pela violência das mesmas manifestações, o que provocou, inclusive, um pronunciamento em cadeia nacional? Isso tudo é desgaste, gente. Desgaste que a presidenta enfrentou ao se posicionar publicamente sobre o tema - o que, aliás, ela tem feito muitas vezes desde então.
Cabral, que parece ter desistido de governar há tempos, sinceramente não me parece em vantagem ao orquestrar um plano como esse. Toda a sua impopularidade só tem crescido desde o início das passeatas. Adicionar à essa mistura um punhado de violência arruinaria ainda mais sua imagem. Seria a pá de cal sobre toda e qualquer pretensão política futura. 
Eduardo Paes tem a simpatia de boa parte do eleitorado. Pode mudar, mas ainda é assim - sobretudo nas comunidades e no subúrbio. O aumento das passagens de ônibus, definido por ele, está na origem das manifestações cariocas. Mas a impressão que se tem é a de que, apesar de tudo isso, o prefeito atravessa esse momento conturbado sem grandes prejuízos em sua imagem. E isso se deve ao caos vivido pelo carioca por conta das obras para as olimpíadas, às constantes mudanças no trânsito e a outras ações que transmitem à boa parte da população a ideia de que o prefeito está fazendo o seu trabalho. 
Freixo, cujo nome apareceu no noticiário numa manchete que envergonha qualquer jornalista sério, parece realmente correto demais para usar recursos tão odiosos em nome de uma eventual chegada ao poder. Se tem um pecado - e, na minha opinião, talvez seja esse seu calcanhar de Aquiles - foi não deixar claro para a opinião pública que seu apoio se limitava aos manifestantes que foram vítimas de ações violentas da polícia, e que, portanto, não se estendia a black blocks saqueadores de loja, depredadores de agências bancárias e afins. Por boa vontade e, talvez, por uma certa inocência política, acaba tendo o nome vinculado a ações que desagradam o eleitorado que poderia migrar para sua candidatura nas próximas eleições. Resta saber como vai virar esse jogo...
Mas há outros importantes atores políticos em jogo. Gente que quer sepultar Cabral, desestabilizar Paes e inviabilizar Freixo. Há de tudo. A coisa é sempre mais complexa do que parece. Por isso, a meu ver, é preciso ter muita cautela antes de sair compartilhando qualquer coisa por aí. Sem querer,  podemos estar cumprindo exatamente um script elaborado por gente da pior espécie, com as piores intenções. 
Mas essa é apenas a minha opinião...

1.2.14

Sobre aquele beijo de Niko e Félix...

Sinal dos tempos: dois homens se beijaram em horário nobre pela primeira vez no Brasil ontem
Walcyr Carrasco é um grande autor. Em seu currículo estão sucessos como "Xica da Silva", "O Cravo e a Rosa", "Chocolate com Pimenta", "Alma Gêmea" e "Caras e Bocas". Êxitos que o credenciaram a entrar no rol seleto dos autores que escrevem para o principal horário de novelas da Globo. A estreia foi morna. Não fosse pelo absoluto acerto na construção de Félix e pelo estupendo desempenho de Mateus Solano na defesa do personagem, talvez a novela tivesse se perdido num mar de tramas um tanto quanto frágeis. Mateus Solano levou a novela e deixou na história da TV brasileira um grande tipo, uma criação que será lembrada por muito tempo.
Com 221 episódios, depois de esticada em quase dois meses - o usual é que as novelas das nove tenham 180 capítulos - "Amor à Vida" conseguiu o improvável: promover a conversão de um vilão em protagonista! Detestável ao longo de 80, 85% da trama, Félix se arrependeu dos seus pecados e se tornou ainda mais querido pelo público. Ganhou um amor e, outrora conservadora, a audiência comprou a ideia e passou a torcer pelo happy end do ex-vilão. A pergunta que pairava no ar, no entanto, era: haverá beijo gay?
Horas antes da exibição do último capítulo de "Amor à Vida", ontem, críticos de televisão já especulavam sobre a exibição da cena envolvendo os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso. Mais que isso: alguns apontavam que a direção da TV Globo estava decidida a romper esse paradigma, derrubando o tabu que ganhou força desde 2005, quando uma cena de beijo da novela "América", entre os personagens de Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro foi surprimida por ordens dos executivos do canal horas antes da transmissão do episódio, frustrando a autora, Gloria Perez, e os demais envolvidos na produção.
Ontem, o Brasil viu um beijo gay em horário nobre. De casa, ouvi gritos de uma torcida anônima, da qual sequer poderia imaginar a existência. Postei isso no twitter e recebi mensagens relatando episódios idênticos em várias partes do Rio, do Brasil. Por telefone, minha mãe contou que foi assim também perto da casa dela. Vejam vocês! Em tempos de tanto preconceito, em tempos cheios de crimes de ódio, há um Brasil que torce pelo amor! E que não se importa se ele une pessoas do mesmo sexo ou não.
Mais do que um desfecho coerente para uma história bem construída entre dois personagens carismáticos, o beijo tem um relevante papel social: ele naturaliza a expressão de uma outra forma de amor, de uma outra possibilidade de ser, de existir e de amar. Há um Brasil que já sabia de tudo isso. Há um Brasil que fingia não ver isso. E há um Brasil que quer negar isso. Ontem, simultaneamente, esses três Brasis viram isso. Hoje, crianças não amanheceram gays. Maridos não largaram suas esposas para ficar com outros homens. Não houve registros de episódios de depravação em locais públicos. Houve, sim, muita gente enaltecendo a beleza do amor, do respeito e da aceitação. Gente impactada pelo beijo sim, mas também - e talvez ainda mais fortemente, pela linda cena final de "Amor à Vida", quando César, o pai homofóbico, aceita e declara seu amor pelo filho gay, fazendo Félix chorar copiosamente. Uma cena antológica, das mais delicadas que a teledramaturgia brasileira já conseguiu produzir. Aliás, vale dizer que quando Walcyr Carrasco apresentou à direção da TV Globo a sinopse de "Amor à Vida" a trama se chamava "Em nome do Pai". Ontem, terminada a exibição do desfecho da novela, percebi que o título original fazia muito mais sentido que o definido para substituí-lo. 
Depois da exibição da cena entre Félix e Niko a Central Globo de Comunicação divulgou uma nota afirmando que a cena acompanha o momento histórico que vivemos. Taí uma verdade: com atraso, sobretudo em relação ao que já vemos nos canais fechados, o beijo de ontem retrata outros tempos, de maior entendimento sobre a diversidade. Um entendimento que está relacionado aos avanços das políticas de Estado, às recentes decisões judiciais e à luta árdua dos militantes sociais, abnegados defensores dos direitos humanos e do respeito à pluralidade. 
O Brasil de 2014 é muito, muito melhor que o de 2005! E quero crer que o Brasil do futuro, daqui a 10, 20, 30 anos, será infinitamente superior ao país que temos hoje. 

23.1.14

Eles riem de nós...

Em foto estampada na capa do Extra de hoje, o secretário de transportes dá uma gargalhada ao conversar com o presidente da SuperVia, empresa responsável pelo nó ferroviário que parou o Rio ontem...


O que acontece no sistema de transportes do Rio de Janeiro é uma temeridade. Talvez seja essa a área mais vergonhosa, a mancha mais difícil de apagar, encravada na alma de cariocas e fluminenses ao longo desses oito anos de governo do Cabral. Desde o bondinho de Santa Teresa, que viveu uma tarde de trem fantasma, matou gente e jamais foi recuperado - ao ônibus que desabou de um viaduto - também deixando vítimas fatais; passando pelas sucessivas falhas operacionais da SuperVia e do Metrô Rio, o que se vê, cotidianamente, nas ruas, avenidas, trilhos e túneis é a mais perfeita tradução do descaso... 
Por isso, confesso: não fiquei chocado ao ver, na capa do Extra de hoje, a gargalhada do secretário Júlio Lopes, flagrada ontem, horas depois do apagão que paralisou a circulação dos trens. A gargalhada desse senhor, logo substituída por aquela cara de puta arrependida que tantos políticos sabem fazer para tentar nos convencer de sua dor; aquela gargalhada, meus amigos, apenas deixou ver o que pode parecer, para muitos, apenas suspeita: eles riem. Eles não se importam com a gente. Eles tratam o contribuinte - que paga as contas dessa porcaria toda - como idiota. E acham graça! Acham graça de nos entulhar de impostos para dar desconto aos donos do monopólio de ônibus, presenteados com 50% a menos nos IPVAs da decrépita frota que circula por aí, caindo aos pedaços, emporcalhando o ar com aquela fumaça imunda, matando de calor a todos e jamais cumprindo horários ou oferecendo a menor qualidade que seja. 
Eles acham graça. Eu acho detestável! Como disse um dos heterônimos de Fernando Pessoa: "homens altos: passai por baixo do meu desprezo!"

14.1.14

A cara do preconceito!

Âncora do SBT Brasil faz comentário sobre os "rolezinhos" e desfila todo o seu rosário de conservadorismo e preconceito
Soube de um comentário de Rachel Sheherazade sobre o fenômeno dos "rolezinhos" em shoppings e me obriguei a assisti-lo. Comprovei o que já havia percebido em outras ocasiões: essa senhora me envergonha! Não é de hoje que percebo o tom conservador, quase reacionário dos seus comentários demagógicos. Rachel Sheherazade não sabe sequer para qual público fala. Afinal, as pesquisas do Ibope comprovam que a audiência do SBT está muito mais para "rolezinho" do que para os frequentadores dos "shoppings de luxo", cuja ordem e "segurança" ela parece tão empenhada em defender. Notem bem: ela se mostra incomodada com a possibilidade de que os "arruaceiros" cheguem aos centros de consumo das elites. Ou seja: considerando que há baderna, que ela fique restrita às periferias. Que vergonha! 
Que vergonha de uma justiça que permite que shoppings se voltem contra pobres - porque é isso o que esses centros comerciais farão - e, assim, justifiquem seus preconceitos. Não vai tardar para que pretos e pobres sejam barrados nesses locais apenas por essas condições. Ou por estarem de havaianas. Ou por estarem de bermudas. Ou por qualquer subjetividade que o preconceito de um idiota qualquer julgue cabível. Assim, meus caros, o que se solidifica é a realidade que todos nós já sabemos: há lugares em que os ricos não querem que os pobres cheguem! Porque não querem olhar a realidade, não querem se sentir parte dela. Querem fingir, em seus templos do artificialismo, que a diversidade não existe, e que seu mundo perfeito não inclui nada que lhes pareça diferente. Uma vergonha! 
Mas ricos escrotos não me surpreendem. O que me surpreende é que um dos poderes da nossa república enfatize essa lógica elitista, excludente e preconceituosa. Como se não houvesse outras prioridades para a Justiça do país. Ou como se não existissem outras (verdadeiras) ameaças aos direitos básicos dos cidadãos por aí - não só nos shoppings de luxo, mas no Brasil da vida real. 
Vergonha, muita vergonha!!!

8.1.14

Saga nossa

Sinto seu peito arfante, suas mãos geladas e os olhos me convidando para que possamos viver uma vez mais o que tantas outras vezes já vivemos.
Cheiro seu pescoço, mordo sua orelha e não demoro até calar sua boca num beijo. 
Mistura-mo-nos num emaranhado de braços, pernas e línguas. 
Somos só nós. 
Só nossos!
Invado você cheio de saudade, carinho...amor. Sou feliz em você. E posso sentir que também é feliz quando estou em ti. De um jeito que só nós experimentamos. Que o mundo desconhece. E que a gente jamais conseguiu explicar ou entender.
A aventura dura pouco. Mais um episódio dessa louca saga nossa. Estamos leves, livres de tudo o que de ruim poderia ainda resistir. 
Agora é só brincadeira. 
Não sei se só bagunça.
Mas só o que restou...

14.12.13

E eu vi, enfim, uma palestra do Lula...

Aproveitei uma tarde livre no meio dessa semana agitada aqui em Brasília e dei um pulo no Fórum Mundial de Direitos Humanos. Estava cansado, arrumado demais pra ocasião e com muito sono, depois de uma noite em que havia dormido apenas por duas horas e meia. Mas a missão merecia o esforço: queria aproveitar a oportunidade de ver, ao vivo, uma palestra do ex-presidente Lula.
Sempre achei Lula um grande comunicador, capaz de conquistar plateias de todos os tipos com suas falas inflamadas, emocionantes e divertidas. Por isso, não hesitei em esperar, apesar do atraso de uma hora no início da mesa que teria a presença do metalúrgico mais famoso da história do Brasil...
E Lula veio em sua melhor forma. De cara, disparou: "Tenho aqui um discurso preparado para essa ocasião mas, de cara, vou abandoná-lo". Aplausos. Lula não tardou a dirigir sua fala aos manifestantes que faziam barulho e erguiam faixas, os mesmos que, pouco antes, haviam vaiado muito o discurso da presidenta Dilma. "Não tenho medo de cara feia, se tivesse, nem teria nascido! E teria morrido assim que me vi no espelho". Em meio às gargalhadas da plateia - que sufocaram e logo puseram fim aos protestos, o ex-presidente se pôs ao lado dos manifestantes: "É natural que se queira mais! O governante tem que saber ouvir críticas, porque muitas vezes está cercado de gente que só faz elogios". E prosseguiu: "Mas não se pode esquecer do quanto esse país avançou nós últimos anos."
O auditório, atento, passou a prestar atenção. Lula citou os mais de 20 milhões de brasileiros retirados de uma situação de extrema pobreza nos dois governos do PT. Lembrou que foi o presidente que mais construiu escolas técnicas na história do Brasil. E disse: "Fui candidato à presidência por três vezes e perdi. Poderia ter desistido, mas não desisti porque eu sabia que eu, um operário sem diploma universitário, poderia entrar para a história como o presidente que mais fez pela diversidade nesse país". Foi ovacionado e o auditório se rendeu a essas inegáveis conquistas.
"Vocês acham que eu não sei que sou odiado por muita gente?" - prosseguiu - "Eu sei! E como sei! Sou odiado por quem acha absurdo o pobre estar na universidade! O Brasil nunca teve tanto pobre estudando ora doutor, minha gente! Sou odiado pela madame que vê sua empregada chegar pra trabalhar na segunda usando o mesmo perfume que a patroa colocava nas noite de sexta pra ir jantar fora! E sou odiadopor aqueles que adorava viajar de avião com a poltrona do meio vazia, mas agora não podem mais fazer isso porque o pobre também tá andando de avião!"
Voltou-se para os jovens manifestantes e disse: "Vocês têm razão de querer mais saúde, mais educação, de quererem o fim da corrupção! Eu já levantei todas essas bandeiras! Tenho bursite de tanta bandeira que carreguei! Mas a desgraça do jovem é negar a política! Se você quer uma política diferente, entre você para a política e faça a diferença! Porque, acreditem: a desgraça de quem não gosta da política é ser governado por quem gosta dela!".
Saí do auditório como quem acaba de ver um show memorável. Aliás: vi mesmo um grande show! Lula é um orador carismático, tem alto poder de comunicação e uma oratória que toca diretamente no coração de todos que estão comprometidos com esse Brasil mais plural, diverso e inclusivo que brota em todos os cantos. Sou um desses. E agora posso dizer que, um dia, numa tarde abafada de Brasília, vi bem de perto o cara que começou a mudar essa história...

6.12.13

Tudo ou nada?

E de tantas promessas que fizeram, de todas as juras de amor, de todos os olhares ternos, de todos os beijos intermináveis, de tudo aquilo a que costumavam chamar de "nós" restou pouco, quase nada. E esse quase nada ainda era mais puro, mais verdadeiro e mais forte que o tudo que muita gente sonha experimentar ao longo da vida...

8.11.13

Vem?

Reviro na cama que não é minha. Estranho o quarto que também não é meu. Estranho os sons que desconheço, as luzes que teimam em entrar pelas frestas das cortinas, o ligar e desligar constante do ar condicionado. Estranho o som das passadas vindas do andar de cima. Estranho tudo...
E te extraño...
Falta-me você. Faltam seu sorriso, falta o brilho dos seus olhos, falta o som da tua voz que ainda desconheço. Faltam as brincadeiras tolas, só nossas, que criaremos para rir juntos. Falta a nossa música, falta o nosso filme preferido, falta te aquecer numa noite fria e pegar fogo quando encostar em você. Faltam o sabor do beijo que ainda não provei, a jura de amor que jamais ouvi e o abraço - cúmplice e igualmente inédito.
Tenho tanto.
Quase tudo...
E ainda falta você. 
Vem?

27.10.13

Ivete Sangalo e Silvio Santos: encontro de gigantes no Teleton 2013




Noite de sábado, em casa, sozinho. Troco de canal e me deparo com o Teleton. Parei pra ver na hora, claro. Como disse no Twitter, acho que essa campanha é um dos maiores acertos do SBT. O programa é um formato importado, criado por emissoras latinas - o que torna ainda maior sua identificação com a emissora de Silvio Santos. Aqui a causa é pra lá de nobre: o dinheiro das doações vai para a AACD,  mantenedora de centros de reabilitação para o tratamento de pessoas com deficiência.
A madrinha do projeto foi Hebe Camargo, como Silvio sempre faz questão de lembrar. Contratada do SBT, ela convenceu o patrão a embarcar na iniciativa. Hebe e Silvio acreditaram na solidariedade do povo brasileiro e, hoje, o tempo mostra que estavam certos...
Nesta noite, no entanto, o show foi de uma outra dupla. Se tradicionalmente Silvio Santos e Hebe encerravam a maratona televisiva juntos, desta vez o previsto era um desfecho em família: ao lado do dono do SBT estavam a filha, Patrícia, e o neto, Tiago Abravanel. E a atração musical era Ivete Sangalo. Mas bastaram poucos minutos em cena para Ivete e Silvio tomarem conta palco. Num bate-bola afiadíssimo, fizeram o auditório e o público de casa gargalhar. O carisma dos dois é incontestável, e resultou num espetáculo que deixou Tiago e Patrícia relegados à figuração. Teve de tudo: Silvio pisando no pé de Ivete durante uma dança, a cantora segurando dálias para o eterno Homem do Baú ler seus textos, poses para fotos do Instagram e muitos momentos hilários. Ao autografar as sandálias doadas para o leilão da campanha, Ivete ouviu Silvio criticar sua assinatura. "Não me venha cobrar caligrafia bonita que eu sou cantora, não preciso!". Ele também fez graça: "Ivete, até que você ainda tá bem...", brincou, pra logo elogiar a forma da baiana.
Mas o momento mais engraçado da noite - além da hora em que Silvio confundiu a marca de cosméticos Nívea com uma suposta convidada, perguntando: "Quem é Nívea? Cadê a Nívea?" - foi quando Ivete, num número digno dos melhores espetáculos de stand up comedy, imitou vários quadros de programas eternizados por Silvio Santos. Às gargalhadas, o dono do SBT não fez questão de esconder o quanto estava gostando da farra. Em um determinado momento, chegou a dizer: "Ivete, além de cantar você pode ser apresentadora".  Ela logo devolveu: "É só você me dar um programa aqui..."
Foi um programa memorável. Ivete Sangalo, goste-se ou não de suas músicas, é uma das personalidades mais carismáticas e versáteis do showbizz brasileiro. Hoje, na minha opinião, ela fez uma de suas melhores apresentações na televisão - e lá se vão 20 anos de carreira. Deixou o maior apresentador do país sem palavras, convertido ao papel de espectador. E comandou a festa da solidariedade com irreverência e alegria, suas marcas registradas. Antológico!
Em tempo: com Ivete no palco, o Teleton permaneceu na liderança da audiência. Por volta de uma da manhã, o SBT marcava 11 pontos. Sinal de que o público entendeu que o momento era mesmo único...  

18.10.13

O que é o amor?

Amor? Dizem que é paz, que é tranquilidade. Que é deitar do lado de quem se ama e ter vontade de sentir o tempo ir congelando até parar. Dizem que é encontrar refúgio em outra alma, aconchego em outros braços, confiança em outro olhar. Também dizem que amor é sintonia, encontro. Destino? Talvez...
Amor também é verdade. É respeito. É parceria. É crer, em dupla, que aquilo que se está construindo a quatro mãos pode se tornar uma das principais certezas da vida - essa sempre tão incerta. Amor é ter saudade, querer sempre mais. É contar segundos até estar novamente perto. Do lado. Dentro de quem se ama...
Amor é tanta coisa. Tem tantos sentidos, tão plurais significados. Dá até pena notar que tanta gente fala dele sem sequer roçar a superfície doce e grandiosa do sentimento traduzido pela bela união dessas quatro letras... 

1.10.13

Passa tão rápido...


Dia desses eu estava enfrentando naves alienígenas jogando Megamania no meu Atari. Ou lançando bombas sobre navios no River Raid. Isso foi pouco depois de ganhar meu primeiro Ferrorama, que, de tão grande, não cabia na sala da casa em que morava...
Foi nessa época em que ganhei um microfone e uma caixa amplificadora, pra brincar de apresentar o Jornal Nacional e o Globo de Ouro - aquele programa musical que os mais jovens descobriram agora, na reprise do Viva...
Meu Deus! Foi outro dia em que minha mãe me ensinou que o R minúsculo era um "caixotinho" e que o E, também minúsculo, parecia uma bailarina em movimento. Pouco depois eu fiz minhas primeiras redações, li os primeiros gibi da Mônica - dentre as centenas de outros que leria em seguida.
Terá sido ontem que aprendi a pintar? A colorir os mapas com bolinhas de papel crepom? A colocar um grão de feijão pra germinar no algodão? A achar o valor do quadradinho?
Ou foi na véspera que aprendi que uma notícia deve dizer sempre como, onde, quando, o quê e o porquê? Talvez tenha sido no mesmo dia em que aprendi a olhar pra lente da câmera como quem olha nos olhos de um querido interlocutor.
Não sei quando foi. Mas troquei de brinquedos e de brincadeiras. Tudo de um dia pro outro, de modo tão veloz que não me parece exagero algum dizer que transcorreu num piscar de olhos.
Cresci, namorei. Conheci o amor. O prazer. E a desilusão. Pedi uma moça em casamento e fiz dela minha esposa. Desenhamos juntos um futuro hipotético e foi lindo até acabar sem que tivéssemos podido ser felizes para sempre. E aprendi que levantar depois de cada tombo é fundamental pra que os passos se tornem cada vez mais firmes e certeiros. Como quando aprendi a andar....
Parece que foi algumas horas atrás que descobri a paixão pelo jornalismo, por contar histórias. Lembro da primeira reportagem. Lembro da sensação, da adrenalina. Da alegria ao ver o fruto do trabalho se materializar na tela da TV. Sensações que carrego comigo e que experimento ainda hoje, talvez até de modo mais intenso...
Nossa! Fecho os olhos e vejo os amigos que fiz por esses tantos dias (anos?!?!), as risadas que demos, as gargalhadas que nos marcaram tão fundo. Também de olhos fechados revivo as perdas que vivi até chegar aqui. E sinto a saudade tão viva como era semana passada. Ou mês passado. Ou há vinte anos.
Minto. A saudade cresceu muito de lá pra cá...
Parece que foi ontem. Semana passada. Talvez um ano atrás. Mas a verdade é que passou tão rápido que nem sei como, quando, o quê, onde e nem o porquê. Só sei que estou aqui, prestes a fazer 33 anos, e diante de uma descoberta devastadora: o tempo do calendário não é o nosso tempo! Fora das folhas de papel ele passa mais rápido! Ele me faz sentir jovem demais para a idade que tenho. E velho demais para a idade que sinto ter. Ardiloso esse tal tempo! Tempo parceiro, abranda dores e angústias. Oferece novas perspectivas conforme vai voando. E, mais que tudo, mostra que, dia após dia, temos sempre a chance de uma nova estreia...