25.4.08

Quando o melhor já passou...

Então é isso: ficou definido em algum lugar que a felicidade não caberia naquela história. Determinou-se, sabe-se lá quem e como, que os destinos de duas pessoas tão próximas deviam permanecer apartados, mesmo quando todas as semelhanças e coincidências pareciam gritar que o melhor a fazer era unir aqueles caminhos numa única estrada...
Então, fez-se cumprir aquela sina. A sina de quem sofre, chora e sente falta de um amor que sofre, chora e sente falta de um (outro) amor. A sina do desencontro, do descompasso e de um amor que não arrefece jamais; só se mostra maior, mais vigoroso e verdadeiro.
Por vezes, olhava como cruel demais aquele desfecho. Em outros instantes, gostava de pensar que aquele ainda não era um desfecho. E sempre, sempre que pensava no assunto - e era das coisas que mais fazia na vida - tinha a certeza de já ter experimentado o melhor que a vida pode oferecer a alguém que, nesses tempos tão insanos, busca apenas o amor...

Piloto automático...*

Depois de alguns meses distante da sobrinha de seis anos, a amorosa tia resolve dar fim à saudade dilacerante. Pega o telefone, abre a agenda eletrônica e disca, ansiosa, para a casa da menina. É um adulto que atende e, depois de um breve e burocrático papo, passa o telefone para a garota. Ao ouvir aquela voz rouquinha dizendo "alô", a tia é só felicidade:
- Meu amor! Que saudade a titia estava de você...
Doce, a menina prontamente responde:
- Eu também, tia!
Segue a tia afetuosa:
- Tem muito tempo que eu não te vejo! Estou louquinha pra te apertar e te encher de beijos...
- Eu também, tia! - rebate a criança.
Exultante diante de tanto carinho demonstrado pela pequena, até então não muito afeita ao estilo "meiguinha", a tia convida:
- Vamos nos ver no sábado?
E a menina, com o mesmo tom de voz e a mesma rapidez de raciocínio:
- Eu também, tia!
* Post inspirado em fatos reais...bem reais...

23.4.08

Desventuras em série...

Os deslizes na cobertura do caso da menina Isabella Nardoni têm sido freqüentes. E, em alguns casos, fica claro que, mais do que a qualidade da informação, o que está em jogo são os famigerados pontos (ou décimos de pontos) no Ibope...


Hoje cedo, na academia, vi da esteira que o "Hoje em Dia", da Record, exibia uma entrevista com o promotor do caso. Depois, na hora do almoço, zapeando, vi que a mesma Record dispunha de repórteres posicionados na frente da casa do avô de Isabella, na porta da delegacia e sabe lá Deus onde mais...
O verdadeiro "festival Isabella" na Record me fez notar que continua, e a todo vapor, a exploração desmedida do caso da menina Isabella em algumas emissoras de televisão. À exceção da Globo, que parece de longe ser a mais preocupada em fazer um trabalho sério entre as redes comerciais, é comum encontrarmos debates requentados, matérias reprisadas, opiniões polêmicas e excessos de demagogia a toda hora do dia e da noite, nos mais variados programas e horários.
Na Band, a falação sobre o crime - bárbaro, sem dúvida - também segue pautando vários programas. Na Rede TV!, Sônia Abrão, Marcelo Rezende e Luciana Gimenez não me convencem de forma alguma de que estão realmente empenhados numa cobertura séria do caso. Sem contar que eles - e tantos outros - têm enchido muita lingüiça! Afinal: será que os repórteres que passam o dia na frente da delegacia têm - o tempo todo - novidades para dizer ao telespectador? Claro que não! E é nesse insano movimento de vender uma agilidade que não existe e, assim, dar ao espectador a sensação de que realizam uma cobertura em tempo integral, que essas redes, em diversos momentos, estão se perdendo...
Vejo isso com tristeza e indignação. Como cidadão e como profissional. É lamentável que parte da mídia se valha de uma história tão triste numa guerra covarde para pontuar bem no Ibope e furar a concorrência. Essa é uma conduta que desrespeita familiares da menina, indiciados, familiares dos indiciados e, também, espectadores.

Salve Jorge!


"E mesmo na era cibernética,
No mundo digital, no holograma
Ali está São Jorge
Triunfante lá na frente de todos nós
É a pipoca da pororoca da imaginação"
(Líder dos Templários - Jorge Vercilo, Jorge Ben Jor, Jorge Mautner e Jorge Aragão)

Pra celebrar o dia do Santo Guerreiro, achei bacana ilustrar o post com esse belo trabalho do Anderson Thives. O Anderson tem um blog e, há uns dois meses, acabei chegando lá e me deparando com a beleza dessa técnica de colagem de milhares de pedacinhos de papel.
Pra conhecer mais do trabalho desse grande artista, que também é ator, cenógrafo e figurinista, clique aqui.
E Salve Jorge, o Santo Guerreiro! O santo com a cara do povo brasileiro!

22.4.08

Ítalo Rossi "é mara"!!!

Vivendo o afetado marido da síndica do "Jambalaya Ocean Drive", Ítalo Rossi cai no gosto do público jovem e flerta com um grande sucesso popular na televisão...
A minha geração se habituou a assistir o grande Ítalo Rossi em papéis menores nas novelas de TV, onde ora aparecia como mordomo, ora como delegado. Sempre muitíssimo elogiado, Ítalo construiu, ao longo de mais de cinco décadas, uma carreira baseada no teatro.
Agora, finalmente um tipo popular para que, ao menos os nascidos a partir dos anos 80 do século passado, como eu, conheçam a genialidade desse grande artista. Hoje, Ítalo esteve impagável ao fazer de seu Ladir, de "Toma lá, dá cá", uma vítima da epidemia de dengue. De pijama cor-de-rosa e abraçado a um bichinho de pelúcia, o afetado esposo de Dona Álvara repetia o seu bordão incessantemente. Pra ele, tudo é "mara". Questionado por Celinha, personagem de Adriana Esteves, Ladir justificou o bordão onipresente: "É que eu já cheguei à essência, Celinha. E a essência é mara!"
Fato é que Ítalo chegou à essência! E é muito bom rir com ele!
Aliás, antes de encerrar o post, preciso dizer que o episódio de hoje da sitcom global foi muito bom! O texto estava ótimo e as sátiras da epidemia que assola o Rio de Janeiro fizeram lembrar que, muitas vezes, as frases ditas por certos políticos rendem boas piadas. Piadas que, no entanto, só têm graça quando levadas para a ficção...

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 3

A notícia é séria e importante: moradores da Grande São Paulo sentiram, há poucos instantes, a terra tremer. A Rede Record foi a primeira a noticiar o fato, em meio ao "Tudo a Ver". Ainda sem muitas informações, a apresentadora Carla Cecato noticiou o tremor e disse que, inicialmente, a sensação foi confundida com a de um trem do metrô passando.
Na Globo, cerca de três minutos depois, William Waack fez uma chamada do "Jornal da Globo" anunciando que, por volta das "vinte uma horas e cinco da noite os moradores da Grande São Paulo sentiram a terra tremer".
Como assim vinte uma horas e cinco da noite? Existe vinte uma horas e cinco da manhã? Da tarde? Será que tamanha redundância serviu para evitar que o espectador mais distraidão confundisse o horário do tremor? Ou será que a sacudidela no chão chacoalhou a cabeça - e as idéias - de algum redator global, hein?

21.4.08

Esperando na coxia...

Era comum ouvir histórias de grandes amores. Histórias lindas e simples, de gente que se encontra no ônibus, a caminho do trabalho, se apaixona e é feliz. Gente que estuda na mesma turma na escola, namora, casa, tem um monte de filhos e é feliz. Gente que esbarra na rua na tal outra parte da laranja; ou que, simplesmente, bate no carro da tampa de sua panela e, enquanto a polícia chega pra registrar a ocorrência, a magia do encantamento surte o efeito e tem início uma longa jornada de felicidade.
Histórias...
Nunca vivera nada que fosse além de um belo ensaio de uma grande história. Como numa grande peça, às vésperas da estréia. Discutia as cenas que viriam, as marcas, a intenção de cada fala; traçava na mente as rotas que seu personagem percorreria em meio à ação. Ensaiava com outros atores desse grande teatro que é viver. Mas a peça dos seus sonhos, no entanto, nunca conseguira encenar...
Sentia-se como o ator que, em meio a oportunidade de estrelar um grande espetáculo, recebe do autor um papel pequeno, com poucas falas. Um artista ciente do próprio talento, sem chance de mostrar o melhor que poderia oferecer. Privado da oportunidade de dividir grandes e inesquecíveis cenas, tentava se mostrar contente e realizado em meio à pequeneza do papel que lhe fora reservado.
Mas seguia ciente da capacidade de viver grandes histórias. Simples ou não. Esperava, apenas, que o autor atentasse para esse seu talento...

Caso Isabella dá novo fôlego ao filão policialesco na TV

José Luiz Datena, da Band, e Geraldo Luis, da Record: no comando de atrações que usam e abusam de reportagens policiais, os dois têm até o mesmo jeito de falar e de emitir opiniões contundentes. Mas Datena chegou primeiro...


Feriado em casa, uma excelente oportunidade para conferir o que anda bombando na TV aberta. E, na hora do almoço, resolvi sintonizar o "Balanço Geral", da Rede Record. Antes, um esclarecimento: graças a operadora de TV paga, recebo em casa o sinal paulista da Record e, por isso, vi o programa comandado por Geraldo Luis e não a versão carioca, comandada pelo não menos polêmico Wagner Montes.
Pra quem não conhece, serei breve na descrição: o "Balanço Geral" nada mais é do que uma nova versão do velho "Cidade Alerta", que a mesma Record extinguiu alegando que não traduzia mais a filosofia do departamento de jornalismo da rede. Até o apresentador, meus caros, tem ares de clone de José Luiz Datena. Mas, como toda cópia, Geraldo - que até fala alto e gesticula como o Datena original - já sai atrás na corrida pelo posto de "mais polêmico apresentador da televisão brasileira".
Hoje, boa parte do programa - se não todo ele, já que troquei de canal antes do fim - foi dedicado ao caso Isabella. E pelo discurso, ficou claro que a Record não engoliu bem o fato de ter perdido a corrida por uma entrevista exclusiva com o casal indiciado pelo crime. Furada pela concorrência, a emissora foi defendida pelo apresentador do "Balanço Geral": "Nós, do jornalismo da Record, estamos do lado da Record, da verdade e da Isabella". Pouco depois, disparou: "Aquela entrevista, a meu ver, foi um depoimento de defesa", dando clara demonstração de que a tática é desmerecer o trabalho levado ao ar pelo "Fantástico" na noite de ontem, que rendeu 42 pontos de pico de audiência para o programa global.
Ao mesmo tempo em que tentava desqualificar o trabalho da concorrência, Geraldo agradecia "ao Brasil e a São Paulo pela confiança e pela audiência". O agradecimento é pertinente: o "Balanço Geral" tem brigado feio pela liderança no Ibope da capital paulista. Hoje, com uma promotora de justiça comentando, no estúdio, os rumos da investigação, a audiência deve ter mesmo ficado lá em cima.
Esse tipo de jornalismo não me agrada. E achei que não agradasse mais ao público também. Mas, infelizmente, além de chocar o país, o caso da menina Isabella também contribui para dar força a um gênero que parecia cada vez mais enfraquecido. Agora, enquanto escrevo esse post, a TV está sintonizada no "Brasil Urgente" e Datena anuncia uma enquete via SMS sobre a entrevista exibida no "Fantástico" de ontem e reprisada há pouco, no próprio programa da Band. E já são mais de 50.000 torpedos enviados por pessoas que querem opinar sobre a sinceridade do casal durante a conversa com o repórter global Valmir Salaro. Impressionante!
Já que o post acabou indo além do "Balanço Geral", vale uma ressalva: muita gente se queixando, nas ruas, na TV e na Internet, da falta de "aperto" do repórter do "Fantástico" durante a entrevista com Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Eu, que prefiro a prudência, pergunto: será que as perguntas mais contundentes fizeram falta? Ou a natureza das declarações dos dois já falam por si só?
Como jornalista, claro que o ímpeto é o de perguntar sobre os pontos mais fundamentais da investigação, sobre as conclusões da perícia que, até aqui, têm derrubado a tese defendida pelo casal. Mas, num caso como esse, ouvir o discurso dos dois indiciados - ainda que em declarações superficiais - é um passo importantíssimo e sinal de que a mídia busca cumprir o papel de levar a conhecimento público os dois lados da história. Por mais que, como estejamos notando até aqui, polícia e público já demonstrem ter encontrado o lado mais próximo do que, de fato, parece ter acontecido...

Da série: "a pergunta que não quer calar" 2

O que faz um padre querer voar pelos ares amarrado a balões de festa, meu Deus? Como diria minha amiga Naila Oliveria, "com que objetivo?". Não sou um exemplo de fiel, mas posso apostar que há meios mais seguros para alcançarmos o Altíssimo!!!
Será que alguém achou que isso poderia dar certo?

20.4.08

O caso...

Eu bem que tento não falar do assunto mas não dá. De tarde, li a versão onlina da Veja e fiquei completamente chocado - ainda mais, claro - com a descrição dos momentos que antecederam o assassinato da menina Isabella Nardoni.
À noite, a Globo levou ao ar o furo do ano: a primeira entrevista com os indiciados pela morte da garota: o pai e a madrasta. Ainda não tenho os dados, mas é certo que a audiência do Fantástico bombou durante a exibição da matéria de Valmir Salaro.
Não dá pra tirar conclusões. Se a Veja bate pesado e chama, já na manchete, o casal de "frio e dissimulado", na Globo eles se mostraram emocionados e vitimados pela tragédia que, incontestavelmente, se abateu sobre suas vidas - e sobre toda a família.
Mas nada me chocou tanto quanto uma ilustração da matéria da Veja, que retrata o momento em que o agressor jogou a menina pela janela. Pensar que alguém teve a coragem de soltar aqueles bracinhos lá do alto ainda é algo que me assusta muito. E penso, honestamente, que merece ser chamado de monstro quem teve a capacidade de cometer um absurdo desses! Um monstro que, independente de quem seja, pra mim, não tem a menor chance de recuperação...

Um banquinho, um violão e um grande amor...

Naquela noite sonhou que era cantor. Estava no palco e podia avistar, na platéia, seu grande amor. A casa de espetáculos estava lotada, o público cantava todas as músicas juntinho; não havia dúvidas de que se tratava de um artista bem sucedido...
Num momento qualquer do show, pediu licença para dedicar "uma canção especial a um alguém igualmente especial". Olhou para a banda e, a capella, cantou os primeiros versos da música que tanto apreciavam e que, ao menos uma vez, cantaram juntos. Uma linda canção que tantas vezes ouvira pensando em seu grande amor; agora ali, na primeira filha, ao alcance dos seus olhos.
E foi assim, olhando para aqueles outros olhos - os mais belos e puros que já pudera avistar - que cantou toda aquela canção. Controlando-se para conter a emoção que poderia comprometer a interpretação, e dizendo, apenas com o olhar, que todos os versos da música e todos os demais, de todas as outras músicas que cantara e que viria a cantar, tinham, para ele, o mesmo significado: eram a síntese do amor que sentia. E que iria sentir pra sempre.
No fim, aplausos. Lágrimas no palco do sonho e no travesseiro da vida real. E um dia inteiro com os versos de "Eu sei que vou te amar" na cabeça...

18.4.08

Bom exemplo...

Ainda sobre o mesmo assunto do post anterior, acho bacana citar um exemplo de cobertura bem feita do caso da menina Isabella Nardoni: a do "Jornal das Dez", da Globonews. Com matérias bem feitas, sem rame-rame e sem encher lingüiça pra prender a atenção do telespectador, André Trigueiro e Mônica Waldvogel comandam os trabalhos sem afetação, sem escorregar no sensacionalismo e, de quebra, ainda realizam boas entrevistas em estúdio, que ampliam o foco das discussões e levam a história para além do maniqueísmo que impera em (boa) parte da mídia que trata do assunto.
A explicação para o acerto é simples: além, é claro, do talento da equipe; num canal fechado não existe a pressão pela audiência em tempo real e, com isso, não há motivo para nivelar (por baixo) os trabalhos para brigar (e derrubar) a concorrência.
Bom para o assinante que, afinal, paga para ter uma informação mais elaborada.

O mais triste e real dos reality-shows da TV brasileira...

Logo cedo, acordei e vi na TV o fim do "Mais você". Com tom grave, Ana Maria Braga se despedia dos convidados e dos telespectadores e justificava a não-apresentação do "conteúdo próprio" do programa. Na hora, percebi que mais uma edição do matinal da Rede Globo tinha sido integralmente dedicada ao caso da menina Isabella.
Em seguida, o "Globo Notícia" entrou no ar e Sandra Annenberg me fez entender as cenas do capítulo de hoje desse caso que a mídia transformou em novela: os principais suspeitos do assassinato da garota iriam sair de casa para depor. As imagens já deixavam claro o investimento na cobertura: tomadas de helicóptero e vários repórteres mobilizados para mostrar o exato momento em que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deixariam a casa rumo à delegacia.
Migrei para a concorrência e, numa rápida passagem pela Rede TV!, vi Olga Bongiovanni com o mesmo tom grave da loira concorrente, dizendo que torcia para não precisar noticiar que o pai e a madrasta de Isabella são os responsáveis pela morte da menina. Em seguida, entra um VT com uma espécie de "comovente homenagem" ao aniversário de Isabella, que seria comemorado hoje. Foi demais pra mim e optei por mudar de canal. Sem contar que é impressionante a capacidade da Rede TV! de errar feio. E quase sempre...
Na Record, que tem liderado a disputa pelo Ibope nas manhãs desde que o caso eclodiu, o "Hoje em dia" também deu adeus ao habitual conteúdo para manter o telespectador informado de todos os passos do casal Nardoni. Britto Jr, um dos apresentadores da "revista eletrônica matinal", chamava repórteres o tempo todo e fazia questão de demonstrar que as "novidades" do caso teriam total prioridade no programa. Novidades que, no entanto, eram raras e obrigaram o programa a exibir à exaustão imagens de reportagens antigas sobre o caso.
Em suma: essa foi uma manhã em que ficou claro que o covarde assassinato de uma menina virou arma da cada vez mais acirrada guerra pela audiência entre as emissoras de televisão. É claro que o caso mobiliza a atenção dos espectadores e que todos querem ser informados dos passos da polícia rumo ao desfecho dessa triste história. Mas, ao menos pra mim, também é claro que as emissoras de televisão poderiam cumprir esse papel de maneira mais serena; sem que os passos da ivnestigação parecessem novos capítulos de uma novela; sem que a opinião pública fosse convidada, a todo o instante, a "dar uma espiadinha" nesse que, até o momento, tem sido uma espécie de reality show transmitido em pool pelas redes televisivas. E, principalmente, sem que tantos e tão diversos programas e jornalistas caíssem na tentação de mandar o casal de suspeitos para o paredão da vida real.

17.4.08

Desfalque no álbum...

Faz quase dois meses que comentei aqui sobre um cara cheio de histórias pra contar e com um jeito todo especial de se relacionar com os companheiros de trabalho. Esse cara era o Feição, cinegrafista da TV Brasil, que naquele dia 21 de fevereiro, estreou aqui o "Álbum de Figuraças". Hoje, Feição faleceu pela manhã...
A notícia pegou todo mundo de surpresa e eu, particularmente, fiquei bem triste. Porque tive a certeza de ter perdido a oportunidade de aprender muita coisa com esse cara que, certamente, teria muito prazer em ensinar.
Vai com Deus, Feição! E muito obrigado pela única e inesquecível externa que fizemos juntos!

16.4.08

Um caminho a não seguir...

Caminhos do Coração: só mesmo "interpretando" um gigante Ricardo Macchi tem condições de encarar um "grande" papel na TV...


Eu não tenho visto novelas ultimamente. E elas não têm feito a menor falta na minha vida. Mas, vez por outra, sou supreendido por um ou outro comentário de minha mãe, noveleira de mão cheia e, de uns tempos pra cá, adepta dos folhetins da Record. A pedida da vez (dela) é Caminhos do Coração...
Só de ouvir falar, minha cabeça dá um nó. É vampiro daqui, lobo de lá, homem invisível, homem que lê pensamentos...os personagens da novela têm mais poder que as Facas Ginsu e as Meias Vivarina juntas!!! Se contar que, num sábado desses, na hora do jantar, olhei pra TV - que minha mãe, fria e calculista, tinha sintonizado no tal folhetim - e avistei um dinossauro! Tosco, incapaz de colocar medo na mais frouxa das criaturas, lá estava o bisavô da lagartixa correndo atrás de um ator qualquer que eu desconheço. Esquisitíssimo!
Eis que hoje, entrou na internet e vejo uma foto do Ricardo Macchi, um dos mais novos integrantes do elenco da novela do Tiago Santiago. O personagem dele - um mutante, óbvio! - é Golias, um gigante.
Aí parei! Se o Ricardo Macchi em tamanho natural, como o cigano Igor, já era ruim de aturar, imagina ampliado pelos efeitos digitais da novela da Record? Não posso deixar de não ver!!!

15.4.08

Uma história que choca cada vez mais...

No fim da tarde, a Folha soltou uma bomba em seu site, que logo se tornou a notícia mais lida do dia. No olho de um furacão onde todos querem ser responsáveis pelo grande furo, ninguém repercutiu o que a Folha publicou. Sinal de prudência ou indício de que, mesmo os editores, estão chocados com a possibilidade de ver configurar-se em verdade o que ao menos até agora soava como suposição?
Fiquei impressionado com a notícia, verdadeiramente chocado. E, vez por outra, acabo pensando que não importa a resposta, não importa a justificativa - que, seja qual for e venha de quem venha, será sempre insuficiente. Nada importa. O que importa é que um criança inocente foi brutalmente assassinada. E nada, nem mesmo a descoberta do(s) autor(es) do crime, mudará o trágico fim da história de uma linda princesinha chamada Isabella...

Na sintonia da saudade...

Mudança de nome e perfil de rádio mergulha o blogueiro numa onda nostálgica...

Ontem no caminho pra TV, fiz algo que não fazia há um tempão: ouvir FM. Entre uma e outra zapeada pelas estações - prefiro as de músicas nacionais e as de notícias - meu dial chegou à 98FM. E, enquanto esperava o locutor anunciar qual seria a próxima canção, ouvi um anúncio de que algo iria mudar na rádio a partir das 10 da manhã.
Aquele anúncio ficou na minha cabeça...
Lembrei de um tempo em que eu só ouvia a 98FM! Era o tempo do Copacabana Beach, das baladas do Roupa Nova, da pioneira gravação de Sandra de Sá para o hit "Sozinho", do Peninha, que explodiu na voz de Caetano Veloso. Era a rádio do "você liga e é só sucesso"...
Era um tempo bom - hoje, com distanciamento, relativizo bastante a qualidade do repertório - mas, enfim, à época era o que me divertia. Era o que eu gostava de escutar...
Tempos depois, bombardeada pelo crescimento da FM O Dia, a 98FM virou uma rádio bem diferente, com pagode o tempo todo, muito funk e umas pitadas generosas de axé music.
Não era mais o meu tempo. Nem a minha rádio...
Pois bem, pensei em tudo isso até dar 10 horas. Sintonizei novamente a 98FM e ouvi um locutor anunciar que "tudo mudo" e com a rádio não seria diferente. A 98FM da minha adolescência, hoje, virou Beat98.
A justificativa dada no ar para a mudança é que o ritmo do carioca mudou. É, pode ser. Mas a transformação da 98FM, que inaugurou a nova fase e o novo nome ao som de "Please don't stop the music", de Rihanna, deve ter algo a ver com a disputa pela audiência. E se, tempos atrás, a rádio virou uma espécie de clone da FM O Dia, hoje, pareceu uma mistura confusa da principal rival - líder de audiência entre as FMs - e a Jovem Pan FM.
À primeira audição, achei que a emissora perdeu a identidade. Mas torço para que a nova cara "pegue". E para que a Beat98 signifique para os ouvintes ao menos um pouco do que a velha 98FM significou para parte da minha geração...

14.4.08

A voz do povo...

As lojas de peças e equipamentos de automóveis estão para o universo masculino assim como o salão de beleza está para o Clube da Luluzinha. É lá, num ambiente perfumado pela graxa, entre porcas, parafusos, lanteras e rolos de insulfilm, que os Bolinhas de plantão trocam figurinhas sobre os mais variados assuntos.
Sábado, lá estava eu numa dessas casas do ramo. Enquanto aguardava a relização do serviço, bati um animado papo com a rapaziada. A prosa ia animada, com todo mundo contando uma história de separação - sim, descobri que a inimiga número um de boa parte da cuecada é a ex-mulher - até que o assunto mudou para a epidemia de dengue que tomou conta do Rio.
Foi quando um dos funcionários do recinto, até então concentrado na missão, resolveu desabafar:
- Essa empidemia tá um troço muito sinistro! Moro lá em Santíssimo, aí vocês já viu, né? Mato pra tudo quanto é lado, uma mosquitada do c*r*lho, lalva de mosquito em tudo que é pouça d'áugua! Eu tô de olho com os meus muleque! Tenho três! E eles tudo tá tomanu repelente toda hora...
Turma, eu sou um cara do bem, juro. E juro, também, que, em condições normais de temperatura e pressão, eu jamais riria do discurso do rapaz. Mas um ser das trevas do meu lado, não satisfeito em me olhar com uma tremenda cara de riso, ainda me deu uma cutucada no braço, com a sutileza de um acasalamento de um casal de rinocerontes. Aí, bicho, não deu: ri pra caramba e ficamos, eu e o mau elemento que me tirou do prumo, arrumando uma desculpa qualquer para não constranger o trabalhador. E ele, que felizmente não percebeu, concluiu:
- Se os pessoal tudo cuidasse dos seus quintaus, e os governo fizesse as partes deles, a gente não precisávamos ficarmos agora gastando os tubo pra tomar repelente!!!
Tirando a parte do xarope-repelente, acho que ninguém pode negar que ele está coberto de razão, né?
E viva a sabedoria popular!!!

Sobre o caso Isabella...

O caso da menina Isabella é das coisas mais aviltantes de que já tive notícia. E igualmente aviltante tem sido o comportamento de algumas emissoras de televisão que insistem em explorar o assunto de forma sensacionalista, novelesca e, com isso, gastam minutos e mais minutos de sua programação sem que nada novo seja somado ao arsenal de informações de que o público já dispõe.
O Fantástico de ontem, por exemplo, dedicou quase dois blocos única e exclusivamente à tragédia. De novo e interessante, no entanto, só as entrevistas com a tia de Isabella e com o desembargador que concedeu a liberdade ao pai e à madrasta da menina. Só! No mais, até uma retrospectiva com os principais fatos da semana foi levada ao ar.
Na Record e na Band a coisa não tem sido nada diferente. Na Rede TV!, abaixo da crítica nessa cobertura, até Marcelo Rezende já fez as vezes de perito.
Fica a certeza de que o compromisso, cada vez mais, é com a audiência.
E também fica a certeza de que quase todos os editores tiveram a mesma "idéia genial": a de terminar todas as matérias sobre o caso com imagens de Isabella sorrindo. Precisa disso?