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21.10.08

Quando a TV passa dos limites? 2

Quem tiver interesse nos exageros da cobertura da mídia sobre o caso do sequestro em Santo André precisa dar uma olhada nesse vídeo. Foi editado por um pessoal da comunidade Abertura de Novelas, do Orkut. É um trecho do programa Hoje em Dia, da Record, no qual o promotor do caso passa uma descompostura na mídia em geral e diz, claramente, que as insistententes ligações em busca de entrevistas exclusivas do sequestrador influenciaram no desfecho do caso, uma vez que a própria polícia tinha dificuldades de entrar em contato para negociar com Lindemberg.
Britto Jr saiu em defesa da Record e disse que a emissora faz uma cobertura "intensa, mas nunca sensacionalista". E Cris Flores questiona as razões que levaram a polícia a não cortar a linha do sequestrador para, assim, evitar os abusos da imprensa.
Eu tenho a minha opinião. E discordo da Cris! Acho que a mídia pode - e deve - se controlar sozinha. E, infelizmente, foi tudo o que ela não soube fazer nesse caso...

18.10.08

Quando a TV passa dos limites?

No vídeo acima, uma das polêmicas entrevistas dadas por Lindemberg Alves durante o sequestro lá de Santo André. Foi ao ar no programa da Sônia Abrão. Fiquei impressionado com a "intimidade" que o repórter tenta demonstrar com o sequestrador, chegando a chamá-lo, algumas vezes, de "velho" e "querido".
Depois, num debate realizado no estúdio do programa, um dos convidados diz esperar que o "caso acabe em pizza, com um casamento futuro entre Lindemberg e a namorada".
Como assim, minha gente?
Talvez eu esteja sendo repetitivo, escrevendo muito sobre esse caso, mas é porque o episódio realmente me parece emblemático; dá a exata medida do quanto nós, da mídia televisiva, estamos perdidos numa busca por pontos (no Ibope) e furos (de reportagem). Embora eu ache absurda a abordagem feita pelo A Casa é Sua, da Rede TV!, sei que Globo e Record também exibiram entrevistas com o Lindemberg. Pra mim, as três erraram feio! Principalmente por ocuparem espaços e tempos que deveriam estar sendo utilizados pela autoridade competente para conduzir as negociações.
Vi a entrevista que a Globo exibiu no Mais Você - não sei se era inédita no programa, ou um tape - e, embora descabida, não fugiu à idéia do jornalismo; a repórter se limitou a entrevistar o rapaz sobre as motivações dele e em momento algum se arvorou a negociar qualquer tipo de coisa
Na Record, no Hoje em Dia, eu só vi o apresentador Britto Jr. dizer que Lindemberg não poderia ser tratado como um bandido comum. Sim, claro! Depois de tanta exposição, ele virou um bandido vip, né?
Enfim, muita gente tá perdida na telinha. E, mais uma vez, vale elogiar a surpreendente posição do Datena, que não só não entrevistou o sequestrador como ainda vociferou contra os que o fizeram, em especial a apresentadora Sônia Abrão, da Rede TV!. Pessoalmente, eu também não tenho nada contra Sônia. Só acho que a voz dela, doce e afetuosa, destoa muuuuito de um programa que vive para explorar toda e qualquer tragédia de que se tenha notícia.
Só lamento que, muitas vezes, os telespectadores acabem premiando esse tipo de atração com preciosos pontinhos no Ibope...

E você? O que acha? Em casos como esse, qual deve ser o limite da cobertura da mídia televisiva? Esse debate é fundamental e toda a sociedade deve participar dele! Por isso, botem a boca no mundo!!!

18.6.08

Topa tudo por dinheiro?

Zapeando pelas TVs abertas nessa manhã fria e ensolarada, acabo de me deparar com Mara Maravilha no "Hoje em Dia". A ex-apresentadora infantil participa do quadro "Os donos do jogo", em que deve responder perguntas, digamos, bombásticas sobre a própria vida. Íntima...
Fiquei assustado ao descobrir que a baiana estava sendo questionada sobre a identidade do primeiro homem que passou por sua cama. E não termina aí: os apresentadores, todos com cara de quem está falando de um assunto muito grave, também perguntam quem era o pai do filho que Mara abortou no passado.
Tudo em troca de dinheiro...
O quadro até é interessante. Já vi, em outras edições, entrevistas que pareceram interessantes. Mas futucar assuntos tão íntimos - e velhos - em rede nacional me pareceu muita forçação de barra. Sem falar que, pra topar vender a intimidade dessa forma, a pessoa deve estar com muita vontade de aparecer, né?
Só que nem sempre a exposição acaba sendo positiva. Mara, por exemplo, revelou que já superou as antigas dificuldades de relacionamento com o pai. Textualmente, disse que já o perdoou, Mas, logo em seguida, revelou: quer que o pai assine um documento abrindo mão de uma eventual herança da filha. Sim, Mara perdoou o pai mas não quer que ele ponha a mão no seu cofre. Dá pra entender?
Se tiver entendido esse tipo de perdão, explica aqui nos comentários. Porque eu fiquei boiando...

18.4.08

O mais triste e real dos reality-shows da TV brasileira...

Logo cedo, acordei e vi na TV o fim do "Mais você". Com tom grave, Ana Maria Braga se despedia dos convidados e dos telespectadores e justificava a não-apresentação do "conteúdo próprio" do programa. Na hora, percebi que mais uma edição do matinal da Rede Globo tinha sido integralmente dedicada ao caso da menina Isabella.
Em seguida, o "Globo Notícia" entrou no ar e Sandra Annenberg me fez entender as cenas do capítulo de hoje desse caso que a mídia transformou em novela: os principais suspeitos do assassinato da garota iriam sair de casa para depor. As imagens já deixavam claro o investimento na cobertura: tomadas de helicóptero e vários repórteres mobilizados para mostrar o exato momento em que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deixariam a casa rumo à delegacia.
Migrei para a concorrência e, numa rápida passagem pela Rede TV!, vi Olga Bongiovanni com o mesmo tom grave da loira concorrente, dizendo que torcia para não precisar noticiar que o pai e a madrasta de Isabella são os responsáveis pela morte da menina. Em seguida, entra um VT com uma espécie de "comovente homenagem" ao aniversário de Isabella, que seria comemorado hoje. Foi demais pra mim e optei por mudar de canal. Sem contar que é impressionante a capacidade da Rede TV! de errar feio. E quase sempre...
Na Record, que tem liderado a disputa pelo Ibope nas manhãs desde que o caso eclodiu, o "Hoje em dia" também deu adeus ao habitual conteúdo para manter o telespectador informado de todos os passos do casal Nardoni. Britto Jr, um dos apresentadores da "revista eletrônica matinal", chamava repórteres o tempo todo e fazia questão de demonstrar que as "novidades" do caso teriam total prioridade no programa. Novidades que, no entanto, eram raras e obrigaram o programa a exibir à exaustão imagens de reportagens antigas sobre o caso.
Em suma: essa foi uma manhã em que ficou claro que o covarde assassinato de uma menina virou arma da cada vez mais acirrada guerra pela audiência entre as emissoras de televisão. É claro que o caso mobiliza a atenção dos espectadores e que todos querem ser informados dos passos da polícia rumo ao desfecho dessa triste história. Mas, ao menos pra mim, também é claro que as emissoras de televisão poderiam cumprir esse papel de maneira mais serena; sem que os passos da ivnestigação parecessem novos capítulos de uma novela; sem que a opinião pública fosse convidada, a todo o instante, a "dar uma espiadinha" nesse que, até o momento, tem sido uma espécie de reality show transmitido em pool pelas redes televisivas. E, principalmente, sem que tantos e tão diversos programas e jornalistas caíssem na tentação de mandar o casal de suspeitos para o paredão da vida real.