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3.6.08

Audiência mutante numa segunda-feira de guerra na TV...

Chego em casa e a televisão da sala está ligada em "Caminhos do Coração". Estranho, pois minha mãe, noveleira de mão cheia, não costuma perder estréias como a de "A Favorita". Mas os tempos são outros: ligada na Record, ela deixou a novidade global pra depois. Queria saber qual seria o fim da saga dos mutantes.
Final atípico, pois, como grande parte de seus personagens, a novela também se revelou mutante e vai se transformar em outra. Com direito a um "Continua..." ocupando o lugar do tradicional "Fim" no desfecho do que deveria ter sido o derradeiro episódio da produção.
Fato é que a estratégia da Record foi de guerra: mudar o horário da novela e fazer seu clímax coincidir com o momento em que a emissora rival lança um novo produto. E, ao menos ao que parece, o "fim" de "Caminhos do Coração" deve ter bombado: a global "A Favorita" emplacou apenas 34 pontos, com menos de 50% de televisores sintonizados na trama, segundo a prévia do Ibope. Sábado, no fim de "Duas Caras", 71% dos televisores estavam ligados na aventura de Marconi Ferraço e Maria Paula...
Claros sinais de que o público também anda meio mutante...

16.4.08

Um caminho a não seguir...

Caminhos do Coração: só mesmo "interpretando" um gigante Ricardo Macchi tem condições de encarar um "grande" papel na TV...


Eu não tenho visto novelas ultimamente. E elas não têm feito a menor falta na minha vida. Mas, vez por outra, sou supreendido por um ou outro comentário de minha mãe, noveleira de mão cheia e, de uns tempos pra cá, adepta dos folhetins da Record. A pedida da vez (dela) é Caminhos do Coração...
Só de ouvir falar, minha cabeça dá um nó. É vampiro daqui, lobo de lá, homem invisível, homem que lê pensamentos...os personagens da novela têm mais poder que as Facas Ginsu e as Meias Vivarina juntas!!! Se contar que, num sábado desses, na hora do jantar, olhei pra TV - que minha mãe, fria e calculista, tinha sintonizado no tal folhetim - e avistei um dinossauro! Tosco, incapaz de colocar medo na mais frouxa das criaturas, lá estava o bisavô da lagartixa correndo atrás de um ator qualquer que eu desconheço. Esquisitíssimo!
Eis que hoje, entrou na internet e vejo uma foto do Ricardo Macchi, um dos mais novos integrantes do elenco da novela do Tiago Santiago. O personagem dele - um mutante, óbvio! - é Golias, um gigante.
Aí parei! Se o Ricardo Macchi em tamanho natural, como o cigano Igor, já era ruim de aturar, imagina ampliado pelos efeitos digitais da novela da Record? Não posso deixar de não ver!!!

2.9.07

Será que o público vai seguir esse caminho?

Nova novela da Record mistura elementos de sucessos nacionais e internacionais e lança no ar uma pergunta: o telespectador brasileiro vai embarcar na trama dos mutantes?


Na semana passada, a Rede Record estreou mais uma novela, "Caminhos do Coração". O elenco é cheio de estrelas e a emissora tem se mostrado capaz de produzir folhetins capazes de conquistar a audiência. O que, diga-se de passagem, eu acho muito positivo. Baseado nisso - e numa propaganda fortíssima de minha mãe, já uma fiel espectadora das novelas do canal, fui dar uma conferida...
Não vi a estréia e, pelo que li, perdi algo bem próximo de uma super-produção. Vi parte do capítulo de sexta e o de sábado. E, nadando contra a maré ou não, não gostei. Primeiro, uma cena do personagem de Walmor Chagas jogando m... no ventilador na própria festa de aniversário, cuspindo marimbondos contra a família, os acionistas da empresa e afins. Achei forçada e ficou nítido um certo constrangimento de alguns atores na seqüência (incluindo o grande Walmor).
Vi algumas cenas de Bianca Rinaldi e não me custa dizer que ela é o destaque positivo da novela. Além de linda, a ex-paquita mostra que há vida inteligente depois da aposentadoria do cargo de ex-assistente da Xuxa. Não deve nada a um monte de atrizes que a gente vê por aí...
Se Bianca é o destaque positivo, o destaque negativo é a história dos mutantes. Sabe o que parece? Que o autor juntou "Barriga de Aluguel" - que já tinha como um dos cenários uma clínica de genética; "O Clone" - com o cientista Albieri; "Heroes" e "X-Man" e deu no que deu. A trama ficou forçada e não há realismo fantástico que salve da catástrofe uma cena na qual a veterana Ana Rosa tem que aturar uma garotinha gritando e estourando todos os vidros da casa. Felipe Folgosi, coitado, também precisou se empenhar para parecer verdadeiramente preocupado com a esquisitice da criança, que acabou por tacar fogo numa parte da casa. E, no capítulo do dia seguinte, ainda repetiu a dose num cemitério - dessa vez, no entanto, numa seqüência de produção infinitamente melhor.
Além da "soprano destruidora", há o menino lobo. Tadinho. Encara um personagem constrangedor..."vou chamar meu cachorro", diz ele, ameaçando um mendigo que lhe perturba. E tome sonoplastia de lobo, de latido e a gritaria da vítima do "Mogli versão Record..."
Também vi trechos de uma seqüência de um outro mutante, um molecote que corre que nem o "The Flash", lembram? Serginho Malheiros vive esse menino e, ao menos na cena que vi, os efeitos da Record mostraram convincentemente o tal poder do garoto.
Outra criança com poderes especiais é uma menininha linda. Que tem asas. Numa das cenas que vi, ela e a irmã chegam em casa e dizem ao pai que o segredo (as asas) quase foram descobertas na escola. "A tia disse que ela está com uma corcunda grande demais, pai", diz a irmã da menina alada.
E ainda tem a Preta Gil - que eu acho divertidíssima - ainda longe do tom de sua personagem. Por aqui, são apenas caras e bocas...
Demais pra minha cabeça...! Vamos ver se o público está preparado pra um realismo fantástico tão fantástico assim...