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25.3.09

A mesmice das novelas atuais...

Sou um apreciador de novelas e quem lê o blog com frequência sabe que não foram raras as vezes em que dediquei posts ao tema. Só que ontem, chegando mais cedo em casa, dei algumas olhadas nas três produções globais do momento e conclui: nunca a televisão brasileira levou ao ar produções tão mornas quanto agora.
Paraíso, apesar do apuro técnico e estético, não é mais que um Pantanal revisitado, atualizado e melhorado, no qual as imagens opacas e sem cor foram transformadas em cenas vivas, com tratamento de cinema e iluminação impecável. Vendo partes do capítulo, fiquei esperando o Velho do Rio surgir na tela a qualquer instante. Déjà vu total!!!
Três Irmãs, confesso, é um enigma! Por mais que já tenha visto cenas isoladas aqui e ali, sou incapaz de perceber de que raios fala essa trama do Antônio Calmon. Agora, inventaram até poderes sobrenaturais para a personagem da Giovana Antonelli. Ou seja: uma salada indigesta!
E Caminho das Índias? Belos cenários, belos figurinos e...só! Glória Perez teria feito uma novela melhor - e, de fato, inédita - se centrasse sua trama na esquizofrenia do personagem de Bruno Gagliasso; esse sim um ator em franco processo de amadurecimento e cheio de talento. É a única coisa bacana da novela! De resto, uma mistura dos clichês que a autora adotou em O Clone e América - com direito a dancinha o tempo todo e àquelas caóticas misturas de expressões do dialento indiano ao português. Uma maluquice só!
Ainda sobre Caminho, vale dizer que, dia desses, conversando com amigos, cheguei à conclusão que a televisão pasteuriza e trata de forma estereotipada todas as outras nacionalidades. Não importa de onde sejam: quando são retratados em novelas, os estrangeiros sempre são espalhafatosos, brigões, falam alto e gesticulam muito. E são intensos, muito intensos! Ou estão felizes demais - e dançam, dançam, dançam!!! - ou estão tristes demais. Pensem bem: foi assim com os italianos de A Próxima Vítima, com os gregos de Belíssima, e agora o (estranho) fenômeno se repete com os indianos da novela das oito...esquisito!
Não por acaso, nunca a audiência da teledramaturgia nacional esteve tão baixa. Será que o povo está cansando de ver sempre mais do mesmo?
E você? Vê novelas? O que tem achado?

PS.: Falei só das novelas da Globo porque encarar uma terceira temporada de Mutantes da Record é demais! Nem por um post eu faria isso! E Revelação, do SBT, não me diz nada. E nada digo sobre ela...! Mas se alguém tiver comentários sobre essas produções, é só falar...

14.1.09

Terça na TV: A Favorita e Maysa seguem imperdíveis; BBB começa chato como nunca!

Curti muito o desenrolar da trama de A Favorita, e quem acompanha o blog sabe disso. Mas, não sei...essa opção do autor de justificar todas as maldades desmedidas da vilã como consequências dos desajustes de uma menina com complexo de inferioridade tá me soando pouco convincente. Ver Flora, que sempre esbanjou segurança, titubear por conta de um lencinho vermelho e de uma boneca de pano - da qual ela nunca lembrou a novela inteira - ainda me parece meio estranho...
Mas a novela está eletrizante! E tem tudo pra bombar até sexta!
A noite de terça tinha mais surpresas e provou que a Globo é líder e não é à toa - e não julgo a qualidade dos seus produtos nesse momento. Mas olhem a aula de estratégia de programação que a emissora deu ontem: lançou um de seus principais - e mais rentáveis - produtos, o Big Brother Brasil, espremido por dois sucessos de audiência: a novela das oito e Maysa, ambas em seus momentos decisivos. A lógica: pegar uma fatia da audiência de A Favorita e segurar o público fiel que aguardava a minissérie.
Quem critica televisão precisa entender não só do que a tela mostra.
Sobre o BBB: independente do cansaço e da preguiça com o gênero, achei o programa arrastado e pouco sedutor. Pra uma estreia, deveu muito. E fiquei com pena do Bial, coitado, morrendo de calor - e todo suado - na apresentação. Talvez o calorão explique um certo mau humor do apresentador, que chegou a proferir sutis reclamações, a la Fausto Silva, em pleno ar. Coisas da vida...
E só pra fechar o post televisivo: primoroso, mais uma vez, o capítulo de Maysa! A atriz está perfeita; a sequência do show pós-acidente deu a medida exata da personalidade combativa da cantora. Em outra cena de show, quando a cantora foi informada da morte de seu ex-marido, a atriz mais uma vez foi perfeita nos olhares, na voz e nos gestos. Uma prova de que, mesmo sem cantar na minissérie, Larissa Maciel acertou o tom em sua estreia na TV!
Tô curioso pra saber como o Ibope se comportou nessa terça-feira...
E vocês? Viram tudo? Gostaram?
Comentem aê!!!

UPDATED em 14/01, às 11:40: A Favorita teve média de 51 pontos, com a sintonia de 76% dos televisores ligados no horário, o BBB ficou nos 38 pontos. E Maysa, na casa dos 20. Embora esteja sendo noticiado que o BBB teve a mesma média da estreia de 2008, me surpreendeu a derrubada de quase 10 pontos em relação à audiência da novela das oito. Sei não, hein...

21.12.08

Com atraso, blogueiro comenta cena antológica de A Favorita...

Depois de uma avalanche de trabalho, só hoje eu vi, online, a cena da morte de Gonçalo na novela das 8. Caramba! A cena é antológica, digna dos melhores filmes de suspense! Patrícia Pillar é a própria encarnação da loucura e o desempenho de Mauro Mendonça também foi espetacular! Sem falar na parte técnica, com iluminação e sonorização impecáveis!
Sem dúvida, um dos maiores momentos da dramaturgia nacional!
O texto também esteve genial. Com destaque para a frase que Flora proferiu depois de se certificar da morte de sua mais nova vítima: "É...gente velha é um perigo! Morre por qualquer coisinha..."
Sensacional!!!

28.11.08

Cauã Reymond rouba a cena em 'A Favorita'...

Seguro, ator segurou a onda de ver seu personagem crescer e aparecer na novela das oito...

A televisão é um veículo que parece namorar a beleza. Essa paixão pelo belo explica, em parte, que muitos modelos e rostos bonitos acabem ganhando espaço na telinha. Foi assim com Vera Fischer, e, mais recentemente, com Camila Pitanga e, mais recentemente ainda, com Grazi Massafera. Todas demonstraram talento e o tempo tem se encarregado de confirmar que estão longe de ser apenas donas de rostos bonitos e corpos esculturais.
Mas há o rótulo; o peso que vem no pacote da beleza. E é difícil se desvencilhar dele. Ricardo Macchi, que surgiu - como protagonista de novela das oito - até hoje é lembrado pelo fiasco de seu primeiro papel.
Cauã Reymond surgiu como mais um desses caras. Ex-modelo, apareceu na Malhação, conquistou as adolescentes e, aos poucos, foi demonstrando interesse em construir uma carreira sólida. No ar em A Favorita, o jovem galã global dá mostras de fazer jus ao título de ator. Ontem, numa de suas muitas cenas dramáticas, Cauã engoliu a veterana Elizângela - perdida em caras e bocas - e mostrou que a forte carga emotiva da sequência não o assustou. Mais que isso: convenceu - e muito - no papel do jovem que se descobre traído e enganado pela mulher que teve como mãe a vida toda.
Não é por acaso que o personagem de Cauã Reymond se transformou, de mansinho, num dos principais da novela das oito. E o ator dá mostras de que soube agarrar a chance com unhas, dentes e...lágrimas!

PS.: Apesar dos elogios, Lu Ribeiro, ainda estou convencido a não dar nenhum lance pelo tal chiclete mastigado por Cauã Reymond, ok? Mesmo considerando a possibilidade de que a tal goma usada tenha algum resquício do (delicioso) sabor de Grazi Massafera...

PS².: O trabalho tem me impedido de acompanhar a novela das oito. A tal cena, vi por acaso, e porque era a última do capítulo. Mas sempre que vejo algo de A Favorita, gosto muito. É impressão minha ou a novela está boa pra caramba, hein?

4.8.08

Mais um post sobre 'A Favorita'...

Sim, sou fã da novela mesmo! E dessa vez escrevo pra dizer que a Globo sabe fazer! A chamada que está no ar para anunciar as revelações de A Favorita são primorosas! Clima de mistério no ar, a estratégia é conhecida no meio como um "relançamento", quando o público é colocado novamente diante do eixo da trama. Além de lembrar aos telespectadores assíduos que a semana é decisiva para os rumos da história, o objetivo é pegar no laço aqueles que ainda não acompanham a produção...
Aposto que o Ibope vai bombar! E com mérito, porque a novela é, realmente, inovadora. Não tem como trama principal aquele rame-rame do casalzinho que se desacerta o tempo todo; não é nada óbvia e, ainda por cima, vai apresentar um "quem matou?" antes do fim da trama. Muito bem sacado!

3.7.08

O que há com a novela das oito?

Elenco de primeira e história bem construída não conseguem atrair o público do horário...


Glória Menezes vive o melhor papel na TV desde a inesquecível Laurinha Figueroa, de "Rainha da Sucata". Patrícia Pillar usa e abusa de seu talento dramático e - linda como sempre - consegue trabalhar todas as nuances de sua personagem, ora cativando o público, ora deixando uma pulga atrás da orelha do espectador. Cláudia Raia, com um inegável carisma, repete a façanha de manter a dubiedade proposta pelo autor em torno das protagonistas. Lília Cabral em cena com sua absurda capacidade de expressar um oceano de sentimentos com apenas um olhar, dá um show a cada seqüência como a sofredora casada com uma besta quadrada. Ary Fontoura, genial, mostra-se tão traiçoeiro quanto a mais traiçoeira das serpentes.
Muita coisa boa junta, né? E essas são apenas algumas das características de "A Favorita", que ainda conta com uma direção ágil, abertura e trilha sonora caprichadas e um texto muitíssimo bem cuidado.
E, ainda assim, a novela dá sinais de que não "pegou".
Para alguns, a novela é tradicional demais. Para outros, é a Record que ganhou espaço no horário, com sua safra interminável de mutantes de variados modelos e tamanhos.
Para mim, um sinal dos tempos.
E pra você?

3.6.08

Audiência mutante numa segunda-feira de guerra na TV...

Chego em casa e a televisão da sala está ligada em "Caminhos do Coração". Estranho, pois minha mãe, noveleira de mão cheia, não costuma perder estréias como a de "A Favorita". Mas os tempos são outros: ligada na Record, ela deixou a novidade global pra depois. Queria saber qual seria o fim da saga dos mutantes.
Final atípico, pois, como grande parte de seus personagens, a novela também se revelou mutante e vai se transformar em outra. Com direito a um "Continua..." ocupando o lugar do tradicional "Fim" no desfecho do que deveria ter sido o derradeiro episódio da produção.
Fato é que a estratégia da Record foi de guerra: mudar o horário da novela e fazer seu clímax coincidir com o momento em que a emissora rival lança um novo produto. E, ao menos ao que parece, o "fim" de "Caminhos do Coração" deve ter bombado: a global "A Favorita" emplacou apenas 34 pontos, com menos de 50% de televisores sintonizados na trama, segundo a prévia do Ibope. Sábado, no fim de "Duas Caras", 71% dos televisores estavam ligados na aventura de Marconi Ferraço e Maria Paula...
Claros sinais de que o público também anda meio mutante...

2.9.07

Será que o público vai seguir esse caminho?

Nova novela da Record mistura elementos de sucessos nacionais e internacionais e lança no ar uma pergunta: o telespectador brasileiro vai embarcar na trama dos mutantes?


Na semana passada, a Rede Record estreou mais uma novela, "Caminhos do Coração". O elenco é cheio de estrelas e a emissora tem se mostrado capaz de produzir folhetins capazes de conquistar a audiência. O que, diga-se de passagem, eu acho muito positivo. Baseado nisso - e numa propaganda fortíssima de minha mãe, já uma fiel espectadora das novelas do canal, fui dar uma conferida...
Não vi a estréia e, pelo que li, perdi algo bem próximo de uma super-produção. Vi parte do capítulo de sexta e o de sábado. E, nadando contra a maré ou não, não gostei. Primeiro, uma cena do personagem de Walmor Chagas jogando m... no ventilador na própria festa de aniversário, cuspindo marimbondos contra a família, os acionistas da empresa e afins. Achei forçada e ficou nítido um certo constrangimento de alguns atores na seqüência (incluindo o grande Walmor).
Vi algumas cenas de Bianca Rinaldi e não me custa dizer que ela é o destaque positivo da novela. Além de linda, a ex-paquita mostra que há vida inteligente depois da aposentadoria do cargo de ex-assistente da Xuxa. Não deve nada a um monte de atrizes que a gente vê por aí...
Se Bianca é o destaque positivo, o destaque negativo é a história dos mutantes. Sabe o que parece? Que o autor juntou "Barriga de Aluguel" - que já tinha como um dos cenários uma clínica de genética; "O Clone" - com o cientista Albieri; "Heroes" e "X-Man" e deu no que deu. A trama ficou forçada e não há realismo fantástico que salve da catástrofe uma cena na qual a veterana Ana Rosa tem que aturar uma garotinha gritando e estourando todos os vidros da casa. Felipe Folgosi, coitado, também precisou se empenhar para parecer verdadeiramente preocupado com a esquisitice da criança, que acabou por tacar fogo numa parte da casa. E, no capítulo do dia seguinte, ainda repetiu a dose num cemitério - dessa vez, no entanto, numa seqüência de produção infinitamente melhor.
Além da "soprano destruidora", há o menino lobo. Tadinho. Encara um personagem constrangedor..."vou chamar meu cachorro", diz ele, ameaçando um mendigo que lhe perturba. E tome sonoplastia de lobo, de latido e a gritaria da vítima do "Mogli versão Record..."
Também vi trechos de uma seqüência de um outro mutante, um molecote que corre que nem o "The Flash", lembram? Serginho Malheiros vive esse menino e, ao menos na cena que vi, os efeitos da Record mostraram convincentemente o tal poder do garoto.
Outra criança com poderes especiais é uma menininha linda. Que tem asas. Numa das cenas que vi, ela e a irmã chegam em casa e dizem ao pai que o segredo (as asas) quase foram descobertas na escola. "A tia disse que ela está com uma corcunda grande demais, pai", diz a irmã da menina alada.
E ainda tem a Preta Gil - que eu acho divertidíssima - ainda longe do tom de sua personagem. Por aqui, são apenas caras e bocas...
Demais pra minha cabeça...! Vamos ver se o público está preparado pra um realismo fantástico tão fantástico assim...