27.2.13

O dia em que ouvi as histórias e canções de Bibi Ferreira...

No espetáculo, Bibi Ferreira canta em cinco idiomas, emociona e diverte a plateia
Quando surge no palco caminhando vagarosamente ao som de "Malandragem" - canção eternizada na voz de Cássia Eller, na qual ela questiona se ainda é uma garotinha - Bibi Ferreira bota a plateia no bolso. Ovacionada, dona da cena, a atriz, do alto de seus noventa anos, demonstra, desde o primeiro instante que olha para a vida - e para si mesma - com humor.
Humor acido, quando diz que no século dezessete tinha "treze ou catorze anos". Humor ácido utilizado novamente quando uma espectadora grita o ano em que uma de suas peças esteve em cartaz e, de primeira, Bibi devolve: "Você sabe a data? Mas essa coisa de data compromete a gente...", para risadaria geral.
Em "Bibi, Histórias & Canções", o público é conduzido por um passeio pela carreira dessa que é uma das maiores estrelas do teatro nacional. Se não for a maior, Bibi é a mais versátil: atua, canta, dirige; tudo com maestria exemplar! Nesse espetáculo em que passeia por épocas, países e gêneros diferentes, a atriz/cantora também navega por cinco idiomas: canta em inglês, espanhol, italiano e francês, além do português, língua materna. Forjada na escola dos palcos, a estrela tem pleno domínio de cena e demonstra que o tempo não lhe roubou o frescor. Nem no canto e nem no humor. Graciosa, canta temas de musicais americanos que despertaram seu encanto por Hollywood. Emociona ao unir canções de Elizeth Cardoso num medley que remete aos anos de ouro do rádio brasileiro. Seduz ao som dos tangos argentinos, apontados como herança musical da família. E arranca gargalhadas ao cantar árias consagradas com letras de clássicos da MPB. Tudo para voltar a emocionar logo em seguida, interpretando trecho de um de seus maiores sucessos, "Gota d'água". Outra ovação. Sem falar em Piaff, trunfo estrategicamente alocado no fim do roteiro.
Saí do teatro contente, leve. Que bom ver Bibi em cena! Que bom rir e me emocionar com as histórias e canções dessa estrela primeira da nossa arte! Bibi é o teatro brasileiro em sua melhor expressão, é o Brasil de que mais podemos nos orgulhar, é a vitória do talento, do dom, do saber ser e fazer. Ela não parece atriz: é. Das maiores! Não parece cantora: é, das mais hábeis ao interpretar. Não parece jovem, mas brinca em cena. Dá até pra pensar que, de algum jeito, Bibi Ferreira tem mesmo treze ou catorze anos...


26.2.13

Mudança infinita


Tenho calma. Em 32 anos, a vida me ensinou que tudo é transitório. Se é ruim saber que não tardará até que o riso dê lugar a um novo pranto qualquer, é fonte de alívio estar certo de que também as futuras lágrimas já brotarão condenadas ao fim. 
As coisas mudam. As alegrias mudam. As dores mudam. Os desafios mudam. As sensações mudam. 
Nós mudamos. 


Toda hora, todo tempo.
Tenha calma. Viver é um transformar-se sem fim. E, com fé, a mudança sempre há de ser pra melhor...

Salve nós!

Novela das nove tem a menor audiência dos últimos 12 anos
Li no UOL que a autora da novela das nove anunciou que vai reparar, num dos próximos capítulos, mais um furo de sua narrativa, prontamente captado pelos telespectadores. 
Glória Perez já fez belos trabalhos na TV. São parte da história da teledramaturgia obras como "Desejo", "Hilda Furacão", "Carmen" (da extinta TV Manchete); e mesmo trabalhos mais recentes, que não têm minha predileção, mas tiveram grande repercussão e audiência, como "O Clone" e "Caminho das Índias". Em "Salve Jorge", a autora demonstra estar numa baita entressafra. A trama não é das mais inspiradas, os personagens, pouco carismáticos e tudo parece inverossímil demais. Gloria desaprendeu a escrever novelas? Claro que não! Mas acho que o público aprendeu a acompanhar esses folhetins de outros modos... 
Com a internet, um furo numa cena, que antes poderia jamais ser notado, fica eternizado com um print screen. Com tudo online, é fácil dar uma busca e ver se o milionário já conhecia a protagonista ou não. E, sobretudo, em tempos de vida real tão inacreditável, algo que fuja do razoável soa como uma agressão ao espectador, que gosta de se sentir "malandro", caçando furos. "Avenida Brasil", de tom tão realista, também não escapou dessa armadilha: todos ficamos indignados com a ausência de um pendrive para que Nina armazenasse as fotos comprometedoras de Carminha e Max. A diferença é que foi um fato isolado. Um deslize. "Salve Jorge", ao menos até aqui, tem parecido um amontoado deles...

15.2.13

O encontro...


É quando os olhos se miram e se reconhecem. É quando o som da voz parece diferente de todos os outros, mais gostoso de ouvir que todos os outros. É quando o abraço é mais que abraço, é nó, é amarra, é laço! É quando a conversa inebria, flui solta, como as águas do rio em busca do mar. É quando, uma vez unidas, duas bocas parecem de volta ao porto inicial, como se fossem uma extensão da outra e, por conta disso, só unidas tivessem razão de ser...
É quando tudo isso acontece. Quando tudo é assim, gostoso assim, que se pode ter a certeza de ter havido um verdadeiro encontro...

13.2.13

Um carnaval inesquecível...

Se havia alguém mais feliz que eu na avenida o espelho meu não disse. Tomei muitos porres de felicidade, naveguei, naveguei e, mesmo longe do nordeste, fui cabra da peste. Sempre soube que sonhar não custa nada e, nesses dias mágicos, sonhei muito! Vivi uma overdose de alegria, um dilúvio de felicidade; afinal o rei mandou cair dentro da folia...
E lá fui eu...
Fui de Lapa, de Lagoa, de Gamboa. Fui de Aterro, fui de Praça XV, de Ipanema, de Avenida Rio Branco. Fui pelo Largo de São Francisco. Fui muitos! Fui mágico, turista! Voltei no tempo e brinquei de Faraó na lendária Rua do Ouvidor. Tirei onda de Nerd e peguei emprestado o Coalhada do mestre Chico Anysio. Fui esses todos. E fui alguns outros...
Fui atrás da folia onde ela estivesse e onde meus pés aguentaram me levar. E eles foram bravos companheiros! Com eles eu trilhei caminhos de samba, de frevo, de axé. A trilha de um carnaval plural, com funk, Beatles, Mamonas, Roberto, Raul e até sertanejo! Voltei no tempo com as marchinhas que não deixam ninguém parar e parei, na chuva, pra ver a alegria do nascimento de um bloco gigante: o Bloco do Chá, que trouxe um pouco de Salvador aqui pro Rio. Uma mistura perfeita para cariocas que, como eu, têm um bocado de dendê no sangue.
Usei lentes verdes pra me fantasiar de turista. Lentes de contato que me deixaram com os olhos de meu pai. Tive grandes companhias, senti falta de gente querida, e fiz a farra valer a pena nesses dias em que a única preocupação foi me divertir.
E como eu me diverti! É por essas e outras que eu também queria que essa fantasia fosse eterna...
Te vejo em 2014, carnaval!

5.2.13

Sobre Marília Gabriela e Silas Malafaia...

Só no fim da noite de ontem vi a entrevista de Silas Malafaia no De Frente com Gabi, exibida domingo, no SBT. Conhecedor das polêmicas que envolvem o líder religioso, não quis perder a oportunidade de ver seu encontro com a melhor entrevistadora da televisão brasileira.
Gabi perguntou de tudo: dos números envolvendo a suposta fortuna de Malafaia, recentemente divulgados pela Forbes, aos porquês envolvendo toda a eloquência com que ele tem se dedicado a combater a PEC de criminalização da homofobia. Foi uma grande entrevista, portanto, na qual o convidado se viu desafiado a explicar quais os fundamentos da dal Teologia da Prosperidade: "você tem até avião", pontuou Marília Gabriela, num dos momentos de grande tensão do programa.
Malafaia se comparou a Pelé ao dizer que os novos pastores não devem ter a ambição de repetir a sua trajetória. Vangloriou-se do trabalho desenvolvido junto a famílias precarizadas pelo álcool e por outras drogas, "sem dinheiro público", sem considerar que utiliza, para isso, dinheiro do público que lota seus cultos, compra seus livros e DVDs.
Quando o assunto foi a homossexualidade, tratada pelo religioso como "homossexualismo", apesar da tentativa de correção feita por Marília Gabriela, o que se viu foi um show de intolerância. De frente com Gabi, Malafaia berrava como se estivesse num púlpito, fazendo ecoar nos ares seu discurso repleto de contradições e interpretações rasteiras. Reduziu a proposta de lei que quer combater os crimes de ódio contra os homossexuais a uma tentativa de privilégio do Movimento Gay, desconsiderando as milhares de mortes violentas que vitimam cidadãos homossexuais ano a ano. Condenou a adoção de crianças por casais homossexuais ("tem muito casal hetero na fila querendo adotar") e profetizou sobre os casais que já conseguiram o direito à adoção, insinuando que (os problemas) "aparecerão daqui a 50, 60 anos". Gabi não resistiu e exclamou: "Você já tá julgando, você é Deus!"
Sim, é assim que Silas Malafaia se apresenta. E não só ele: muitos outros líderes religiosos também se colocam acima dos interesses humanistas para defender dogmas e preservar nichos de mercado. Um mercado da fé, bilionário, onde os homens que arrebanham multidões dormem em berço de ouro enquanto falta a cama para muitos de seus fiéis. Um mercado em que discursos radicais e extremos alimentam a violência, num caminho completamente impensável para os que acreditam na fé como uma forma de alcançar o bem estar individual e coletivo, o respeito ao próximo e, sobretudo, um convívio harmônico e pacífico. Se Jesus nos mandou amar ao próximo como a nós mesmos, duvido que aprovaria o tom raivoso empregado por tantos desses que falam em seu nome. Fé não combina com tanto ódio. Fé é aquilo que nos devia unir em torno de um bem comum, e não nos segregar.
Terminei de ver o vídeo e fiquei pensando muito. Como Marília Gabriela, também tenho dúvidas se o meu Deus é o mesmo de Silas Malafaia. A diferença é que não espero que o meu Deus o perdoe: quero mais é que lhe pesem sobre os ombros, na alma e onde mais lhe puder pesar todo o peso do ódio e do preconceito que tem ajudado a propagar nessa Terra. Amém!

28.1.13

Santa Maria...

Acordei com um alerta no celular. Era uma mensagem no whatsapp. Um amigo dizia que só se falava disso. Liguei a TV e levei um choque: 231 jovens, mortos num incêndio em Santa Maria. Uma noite que seria de diversão, de azaração, deu lugar a um domingo de imensa dor. Dor das famílias, dos amigos. Dor de todos nós.
É difícil buscar explicações para tantos sonhos impedidos, pra tantas vidas interrompidas. Destino? Vontade de Deus?
Creio em Deus e tenho muita fé. Isso me impede de crer que seja fruto do desejo Dele uma tragédia dessas proporções. Atribuo essa nossa dor à irresponsabilidade de alguns, ao descaso de outros. Gente que não imagina que suas atitudes - ou que a falta delas - possa resultar numa pilha de corpos espremidos, empilhados num banheiro qualquer, exalando tristeza por todos os lados. Gente que não pensa que é dolorido saber que os celulares das vítimas seguiriam tocando, horas depois do resgate dos corpos. Chamadas das mães, amputadas depois da morte de seus jovens filhos. Gente que, diante dos próprios interesses, não hesita em cortar custos pequenos, sem perceber que o ônus de uma pequena economia pode ser uma grande tragédia.
Enorme tragédia essa nossa...
Como disse, tenho fé. E peço que a Santa Maria cuide de cada um desses 231 pedaços do nosso povo. Que cubra-os com seu manto e os ajude a entender tudo. Que guie seus caminhos por estradas cheias de luz. E que olhe pelos familiares dilacerados por essa dor tão violenta.
Amém!

23.1.13

Rio Hudson

As fotos traduzem momentos em imagens. Mas eu, que tiro tantas e tão diversas fotografias, tenho pensado que há muito de "não dito" nessas traduções. O que escapa à imagem, o sentimento por trás do clique. Tudo vira uma paisagem, às vezes, um sorriso. E acaba se igualando a tantas outras fotos, de tantas outras paisagens e sorrisos. É essa memória que quero preservar com essa série de posts. Se todos são autobiográficos? Pouco importa. O que importa é que todos são, pra mim, a mais perfeita tradução do que escapou a esses instantes memoráveis que, até hoje, guardava apenas em imagens...



Ali, à margem do rio, vi que água e céu se encontravam num cinza que parecia não ter fim. No meio, a fina linha do horizonte - igualmente acinzentada - mostrava que o que separa coisas tão semelhantes, certas vezes, é apenas a sutileza de uma linha. Uma linha de raciocínio, um traço de personalidade, um risco que se resolve correr e que, só depois, percebe-se que não era nada compensador...
Olhando aquela paisagem de chumbo, notei que também era cinza o meu céu. Era carregado, pesado. Embora a maior tempestade já tivesse ficado pra trás, a calmaria ainda tardaria a vir. É preciso ter sabedoria para enfrentar a revolta dos dias cinzentos, pensava. Buscava na calma daquelas águas a inspiração para saber que mesmo quando a cor se faz ausente - e por mais que não seja possível entender isso - todos os tons continuam a existir em nós. Guardados, talvez. Mas estão ali, num canto qualquer. E mesmo quando tudo parece monótono como naquela paisagem, com muito mais que apenas cinquenta tons de cinza, as águas continuam a correr. A Terra segue a girar e nós, mesmo anestesiados, seguimos a caminhar. Afinal, o movimento é sempre constante...
Hoje, tantas léguas distante daquele rio pálido, sou outro. Cá no meu cais, já não enxergo mais o cinza como tom predominante. Tudo voltou a ter cor e o sol voltou a brilhar, intenso, no meu firmamento. Sim, sinto o céu aberto sobre mim, seus raios iluminam novamente minha existência e seu calor me lembra, a cada instante, que os dias nublados ficaram pra trás, ficaram pra longe. E cá do meu cantinho, mais perto das águas salgadas do que das doces e cinzentas águas daquele rio, posso dizer, finalmente,  que voltei a nadar a favor da correnteza...


21.1.13

Aquele beijo...

Tinha sido só um beijo. Nada de conversa, nada de carinho. Apenas olhares e um beijo. Um beijo intenso e rápido, como as chuvas que costumam cair no verão. Terminado, separaram-se e voltaram à solitária multidão de antes.
Mas quem disse que há regras? Quem disse que há um roteiro a ser seguido? Não há! Quando o assunto é o encontro, quem governa é o imprevisto! O desafio é abrir mão da falsa sensação de que temos algum controle sobre a vida, respirar fundo e se entregar...

17.1.13

Movimento sem fim...

Das estradas que já percorrera, aquela tinha sido a mais difícil. A mais tortuosa, a que dispunha do maior número de obstáculos, a que exigira mais esforço e determinação. Dura é toda estrada que se percorre sem saber o porquê. Dura é a caminhada em que, perdidos, tentamos descobrir para onde, como e porque ir. Duro é saber que a única alternativa é vencer e não dispor da mais vaga ideia sobre como cumprir essa meta.
Diante de uma trilha cheia de adversidades, nunca se sabe ao certo quão extensa ela será. Assim tinha dado o primeiro passo. E poucos pés antes do último, ainda se questionava sobre a finitude da percurso. E as dúvidas se fizeram presentes nos dias seguintes. E nos que se seguiram aos dias seguintes...
Até que um dia, também sem saber como e porque, sentiu que a jornada estava encerrada. Sentiu-se livre das amarras impostas pelas lembranças, pelas dores e pela saudade. E percebeu que os pés já estavam prontos para trilhar caminhos outros. Novos. Quem sabe, mais leves.
E caminhou!

15.1.13

O segundo iPad a gente nunca esquece...

Eu comprei um iPad no ano passado. Pra ser mais preciso, no dia 29 de março do ano passado. Lembro da data perfeitamente porque no mesmo dia fui assaltado, meu carro foi roubado e, com ele, foi junto o tablet que eu sequer havia retirado da caixa. Um brinde para os ladrões.
Ontem, voltei a encarar o desejo de experimentar esse gadget tão popular e comprei um. Escrevo dele. E devo dizer que a experiência é mesmo incrível!
A tela oferece conforto para a leitura, a sensação de "virar páginas" de publicações digitais é saborosa e todos os requintes que a convergência de mídias pode proporcionar oferece ao usuário um grande prazer na interação com esse aparelhinho tão popular - vale dizer que, na loja em que comprei o meu, havia uma fila de pretendentes. Fui o quarto!
Tô completamente encantado! Posso dizer que se trata de um caso de amor à segunda vista! E já fico pensando pra onde mais o futuro poderá nos levar...

8.1.13

RESENHA: De pernas pro ar 2 é diversão garantida!

Comédia estrelada por Ingrid Guimarães atingiu um público de 1,5 milhão de espectadores desde a estreia, em 28 de dezembro de 2012

Eu vi a primeira aventura de Alice, que se torna dona de um sex shop. Lembro de ter dado risada com uma ou outra cena do filme que inagurou a franquia, mas também me lembro de ter saído do cinema com a impressão de que se tratava de uma produção bem irregular. Mesmo Ingrid Guimarães, comediante de talento e carisma já conhecidos do grande público, acabou me parecendo perdida em indas e vindas no primeiro longa, lançado em 2010.
Ontem quando decidi ir ao cinema para conferir a sequência, já sabia de duas informações bem contraditórias: uma diz respeito ao fato de o filme já ter feito mais de um milhão de espectadores em sua primeira semana. A outra, vejam vocês, era um ícone: o bonequinho dorme para De pernas pro ar 2...
Entrei no cinema mais tentado a entender porque mais de um milhão de pessoas já tinham ido ver o filme. E saí convencido de que toda essa gente fez isso porque De pernas pro ar 2 é uma comédia muito divertida! Um blockbuster com cara, cores, piadas e trejeitos brasileiros, que faz rir do início ao fim! Ingrid Guimarães, que me parecera um tanto errante no primeiro filme, está perfeita no papel de uma Alice dividida entre a família e o trabalho - sempre pendendo para o trabalho, afinal, trata-se de uma workaholic! As sequências em que a personagem mistura bebida e tranquilizantes são de chorar de rir, sem falar do momento rehab encarado por essa desvairada mulher do século 21.
Não vou me alongar, porque seria inevitável entregar algumas das surpresas que a comédia reserva ao público. Mas vale ressaltar que Rodrigo Sant'anna surge impagável como garçom brasileiro, num ponto alto da comédia. O cinema veio abaixo quando ele surgiu na tela dizendo que era de...Governador Valadares.
As sequências em Nova Iorque enfeitam o filme, dão glamour à produção e enchem a tela de ritmo. No entanto, há momentos em que os efeitos visuais utilizados na finalização se revelam insuficientes, e é possível perceber que nem tudo foi filmado na Big Apple. Na época da alta definição, acaba parecendo quase amador. Um ponto fraco num filme feito para arrastar legiões aos cinemas...
Saí do cinema leve, relaxado. Cansado de rir. E certo de que a soneca tirada pelo bonequinho de O Globo só pode ter uma justificativa: um baita preconceito com o que tem forte apelo popular. Porque pode-se dizer muita coisa desse filme, menos acusá-lo de não cumprir aquilo a que ele se propõe: divertir!
E se você quer um último argumento pra ir ao cinema ver, guardei o mais forte deles pro fim do post: até a Maria Paula está engraçada!
Recomendo! Aprecie - e ria - sem moderação!

31.12.12

Revisitando 2012...


Olhar para trás nessas últimas horas do ano é revisitar lugares, sensações, dúvidas, temores, planos concretizados e outros, de realização sequer ensaiada. É reviver lembranças, amores, dores, sorrisos, lágrimas. É se perguntar se poderia ter sido diferente e, se, talvez, poderia ter sido melhor se fosse de outro modo. E é, também, silenciar diante de respostas que, quem sabe, podem jamais vir.
Mas hoje, nessas últimas horas de 2012, também é momento de agradecer. Pela graça que é ter saúde, disposição e dom para viver daquilo que escolhi. Pela família amorosa, presente, parceira. Pelos amigos que se somam à essa família e enchem a vida de cor, sorriso e dão a sensação de segurança quando as coisas não vão bem. É hora de agradecer pela leveza que há dentro de mim, por não ter endurecido com as pancadinhas dessa vida doida e tão boa de viver. De agradecer aos amigos do mundo virtual pelas curtidas, pelos compartilhamentos, pelos comentários, replys e retweets; enfim, por essa deliciosa farra que fazemos no cyberespaço! Por muitas vezes, e não há exagero nisso, essas bobagens cotidianas que fazemos por aqui desanuviam a mente, arrancam um sorriso de uma cara atordoada por problemas e impulsionam pra seguir adiante.Obrigado, gente! Mesmo! Que 2013 venha com mais saúde e força. Pra gente seguir leve, pra gente seguir junto! E pra gente ser muito, mas muito mais feliz que nesse 2012 que tá se despedindo!
Feliz Ano Novo!!!

14.12.12

Presentes...


Presente. Diz-se que é o tempo verbal indicado para se falar de tudo o que acontece agora. Também se costuma usar essa palavra pra definir aquilo que damos ou recebemos em ocasiões especiais. Ou mesmo em dias comuns. O mesmo termo aparece em outro contexto, para indicar quem está sempre perto, alguém com quem sempre se pode contar. Alguém que se faz presente. Mas, às vezes, presente é aquilo ou aquele alguém que surge em nosso caminho hoje, só pra sinalizar que o futuro pode ser bem melhor. Melhor até do que aquilo que esperávamos pra ele...
Presente pra mim.
Presente pra você.
Presente...pra nós?

13.11.12

E Maria Rita redescobriu Elis Regina...

Baixei a versão digital de "Redescobrir" na ITunes Store, nos primeiros minutos do aguardado dia seis de novembro. Sim, esse foi, realmente, um disco muito esperado por mim. Primeiro, claro, por conhecer o repertório de belas canções, tesouro maior deixado por Elis Regina. Depois, e não menos importante que isso, pela curiosidade de ouvir como elas soariam na voz da herdeira da Pimentinha. Como não tive a oportunidade de ver nenhuma das apresentações do show aqui no Rio, só me restava conferir a gravação.
Baixei as músicas e ouvi três vezes seguidas. Embaladas em arranjos mais enxutos - em muitos casos, atualizados - as canções de Elis seguem arrebatadoras. Mas, no disco, esse arrebatamento se limita à força do repertório. Maria Rita, grande cantora, dona de momentos consagradores em sua carreira de uma década, enfrenta com altivez o desafio de reler a obra da mãe, mas é impossível evitar a comparação entre elas. E não é apenas a filha de Elis quem sai em desvantagem: toda e qualquer cantora brasileira sairia na mesma situação diante desse desafio.
Elis era magistral. E segue assim: mestra de todas as intérpretes da MPB. Ia do grave ao agudo mais agudo sem titubear, intensa, num fôlego só. Brincava com a melodia, desafiava os músicos, parecia sempre na corda bamba, prestes a cair em cada verso. Nunca caiu! E segue no topo ainda hoje, passados 30 anos de sua morte.
Mas eu quis mais do que ouvir e, no último domingo, comprei o dvd do espetáculo. Achei a edição preguiçosa, e é flagrante que houve pressa no lançamento: há correções de câmera, perdas de foco e outros pequenos detalhes que jamais iriam para a versão final caso houvesse maior cuidado. Maria Rita está leve - apesar do barrigão - e soa um bocado careteira em algumas músicas, mas, apesar de suas interpretações sempre corretas e bem executadas, dosando bem emoção e técnica, fica longe do que a mãe fez em cena.
Há até um momento muito delicado no dvd: quando, em Arrastão, Maria Rita faz uma menção ao movimento frenético dos braços que Elis Regina executou no Festival da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. É delicado porque ali, naquele movimentar de braços, a filha assume o risco de ser comparada à mãe e, mais que isso, se expõe diante dos que pensam que esse projeto é uma tentativa de reeditar, com Maria Rita, o fenômeno Elis. Não creio nisso. Creio, mesmo, na sutileza de uma bonita homenagem à maior cantora que o Brasil já viu. E ouviu...
A grande filha de Elis tem alguns belos momentos. Fascinação, Essa Mulher, Vou deitar e rolar, Águas de Março (número em que parece fazer um cover descarado do improviso final gravado por Elis no disco com Tom Jobim), Onze Tiros, Romaria e Redescobrir estão - até o momento - entre as minhas prediletas. Me Deixas Louca é outro grande momento. Pontos altos de um show que é, sim, memorável. 
Ainda no dvd, vale salientar como são belas as palavras que a cantora dedica à mãe na contracapa do disco e no encerramento do show. Aliás, cabe uma ressalva: o espetáculo soa mais frio do que deve ter sido, uma vez que os momentos em que a artista se direciona ao público foram suprimidos na edição.
Enfim, esse é um projeto arriscado. Para Maria Rita, para a gravadora e para o público: para as duas primeiras, pela comparação inevitável e pelo risco de uma rejeição dos mais puristas. Acho que esses riscos foram superados. Para o público, o risco é não se permitir embarcar na bela voz de Maria Rita e, assim, deixar de aproveitar a grandeza de repertório que o álbum oferece. Sigo firme, vendo e ouvindo de novo, em busca de superar o desafio que me cabe...

7.11.12

Fragmentado


Dessa vez foi lá, no meio da conversa fiada e deliciosa de sempre, entre um aperitivo e outro, beliscando uma porcaria aqui e outra ali que, de repente, veio com a mesma intensidade de sempre a saudade. A certeza de uma lacuna que jamais se poderá preencher, e, mais que isso, a certeza de não querer que o tal vazio seja extinto por uma presença outra...

8.10.12

Palavras do aniversariante mais feliz do mundo...


Quando soube que passaria o aniversário longe de casa, trabalhando, fiquei apreensivo. Tive receio de me bater aquela bad, de me sentir só numa data que, pra mim, sempre é tão festejada.
Acontece que a vida nos prega peças. Viajei com uma equipe incrível e desde os primeiros minutos do meu dia até agorinha, só recebi carinho e demonstrações de afeto de todos os cantos. Debone, o primeiro a ligar, de São Paulo, me fez lembrar que quem é sincero nunca tem o que temer. Fabi, que ligou em seguida, trouxe-me as gargalhadas de sempre, notícias boas, e um amor que quero cultivar enquanto viver...
De Lara, logo pela manhã, veio o primeiro abraço. E com um carinho tão sincero, tão fraterno, que me fez sentir presenteado logo de cara. E vieram os abraços de Ana, amiga tão querida, Cadu e Santhiago, companheiros nessa minha jornada sulista. Aí eu vi que, sim, de um jeito diferente, estava em casa.
Parti pra gravação e ouvi parabéns de uma turma de crianças lindas. Uma banda tocava uma música dos meus tempos de moleque, que reafirma a invencibilidade de quem luta sempre junto dos amigos. Como eu...
Aí vieram os torpedos, inboxes, posts no facebook, mensagens pelo whatsapp, tweets, ligações! Tanta palavra bonita, tantos desejos de coisas boas! De amigos, de colegas de trabalho, da família! Uma avalanche de carinho tão gostosa, tão acolhedora, tão cheia de força que me fez sentir emocionado como há tempos eu não ficava em aniversários meus...
E assim foi por todo o dia de hoje. Fui acolhido, acarinhado e recebi toda a energia boa, de toda a parte do mundo. Energia que vocês, meus amigos, mandaram pra mim. Fiquei achando que devo ser mesmo um cara legal, porque só isso explicaria o tantão de gente boa que tenho ao meu redor; que faz questão de me lembrar o quanto eu sou amado e querido. Se sou legal, devo isso a vocês, que a cada dia me mostram o valor da amizade, me ensinam que o melhor da vida fica ainda melhor se a gente divide com quem ama e que toda essa aventura que é viver só tem sentido de verdade quando a gente compartilha e cultiva sentimentos sinceros. 
Vou dormir certo de ser um cara muito abençoado. E certo, também, de ter sido, hoje, o aniversariante mais feliz do mundo. E devo isso a vocës todos!
Obrigado, turma! De verdade! 

29.9.12

Hebe: a televisão brasileira perde sua maior gracinha

Hebe era uma das poucas unanimidades da televisão brasileira.
Meu sábado desandou desde que soube da morte de Hebe. Recebi uma ligação de minha mãe, já arrasada e surpresa com a notícia. Éramos fãs da vitalidade dessa pioneira da televisão brasileira, do seu carisma, do seu jeitão espontâneo e festivo. Vimos juntos seu último programa no SBT - até escrevi aqui sobre ele - e ficamos entristecidos ao ver aquela grande estrela chorosa, despedindo-se de seu público. Depois, vimos sua estreia na Rede TV! com a nítida impressão de que ela estava usando um palco que não era seu. Nessa semana, quando foi anunciada a assinatura de um novo contrato com a emissora de Silvio Santos, comemorei no Facebook. 
Não sabia que não haveria tempo para que a maior estrela da Anhanguera voltasse a brilhar no seu palco...
É muito estranha a sensação que temos quando um ídolo morre. Há um sentimento de tristeza, de luto, por um alguém que tá lá longe, que, muitas vezes, jamais teremos tido a oportunidade de ver, e por quem, apesar da distância, guardamos tanto carinho, tanta admiração...
Hebe eu vi. Gravei uma reportagem nos bastidores de seu programa anos atrás. E estar ali, diante daquela grande comunicadora, fez de mim um admirador ainda maior de seu talento e, sobretudo, de sua simplicidade. Hebe cumprimentava todos, tirava foto com todos, fazia questão de ser gentil e retribuir a cada um dos acenos, dos beijos, dos sorrisos. Ela, rainha da televisão brasileira, não se escondia atrás do brilho de sua coroa, ou do luxo de suas jóias e vestidos: era humana, acessível. Era gente!
Talvez muita gente duvide da importância de Hebe para a comunicação de massa no Brasil, mas o que ela fez em sua carreira invejável é impressionante: como primeira mulher a apresentar um programa feminino, fundou um estilo. Ajudou a definir como e para quem se faz televisão. E era brasileira demais, no trato com os convidados, na forma de se portar. Ela não inaugurou apenas a televisão: inaugurou um modo de se estar na TV. Modo até hoje seguido por muitos dos profissionais que estão na televisão: à vontade, sem falar de cima pra baixo com o espectador e rindo dos erros - inclusive, e principalmente, dos próprios. 
Sabia tudo! 
Pra mim, Hebe vai ser sempre uma boa lembrança. Ela, que tanto chamou seus convidados de "gracinha" era, sim, a grande graça da televisão brasileira.
Descanse em paz, Loiruda!


21.8.12

Da coragem...

Falo é dessa urgência, dessa necessidade de você! De sentir teu abraço, de ouvir tua voz e de olhar nos teus olhos. De sentir teu cheiro, ver sua boca sorrindo e me encantar com a pintura que essa visão representa na minha vida. 
É disse que falo. Dessa saudade que me preenche quando não estamos perto - e, às vezes, até mesmo quando estamos juntos e sei que não tardará para que deixemos de estar. Dessa secura pelo teu beijo, por mensagens tuas durante o dia ou por aquele sorriso sem vergonha formado pelos dois pontos, pelo hífen e por um parêntese que você manda por inbox só pra me surpreender e me deixar todo bobo...
É isso que sinto: necessidade. De falar, de estar perto...de viver você! De viver essa coisa tão boa e intensa, de gastar essa força pra encarar todo o universo e as outras galáxias, pra enfrentar os  maiores gladiadores e sair com disposição suficiente pra escalar o Himalaia. Ou o Everest. Ou os dois!
Porque você me dá fôlego. 
Só pra me tirar todo o ar depois... 

13.8.12

Viva Elis!

Videoinstalação, com trechos de entrevistas e apresentações de Elis é um dos momentos altos da exposição, em cartaz no CCBB-RJ

A maior cantora brasileira de todos os tempos é tema de uma exposição imperdível para os que amam música e história. Para lembrar os 30 anos de morte de Elis, os filhos da Pimentinha, a mostra traz figurinos, fotos raras, textos, vídeos e, claro, muita música! É um mergulho no universo dessa intérprete que marcou tantas gerações e que, ainda hoje - como lembra um dos textos expostos - segue tão presente em nosso imaginário. E em nossos Ipods...
Quando Elis morreu eu tinha pouco mais de um ano. Mas esse desencontro não me impediu de me tornar um grande fã dessa mulher, dona de interpretações intensas, viscerais e, talvez até mesmo por isso, memoráveis. Dona de um sorriso doce e de um olhar de inquisidor, Elis Regina de Carvalho Costa é, ainda hoje, insuperável! Soube como poucas escolher o que cantar, onde por a voz privilegiada. E deixou um repertório coeso, de bom gosto, diversificado, ousado...único!
Percorrendo os salões do CCBB, vi, mais de uma vez, senhoras e senhores emocionados ao reviver o tempo em que Elis era mais do que uma projeção na tela, mais que uma foto impressa num painel. Choravam aqueles homens e mulheres que carregaram até aqui as marcas que a música dessa grande artista lhes fez na alma. E sei que as carregarão para sempre! 
Esse clima de emoção me sensibilizou. Que poder tem a voz de Elis! Que poder há em suas músicas, eternizadas em nossas memórias e em nossos corações! Que poder tem o artista que sabe zelar por sua obra, por seu dom! 
Enfim, a exposição é uma delícia! Fiquei viajando entre todo o incrível material exposto e imaginei como será daqui a 10, 20 anos, quando uma Elis projetada em holografia poderá cantar em 3D para seus fiéis e saudosos fãs! Se Deus quiser, serei mais um a aproveitar a tecnologia pra matar as saudades da Pimentinha mais doce que já temperou a MPB...