15.3.12

PARTE 1: Desce!

Sorrateiramente, como quem não quer se deixar perceber, fecha o grande portão. Guarda o molho de chaves no bolso e chama o elevador. Faz frio, o vento é constante e sacode sua barba e a vasta cabeleira branca. Há uma névoa seca e densa no ar. Enquanto espera, caminha de um lado para o outro, cruza e descruza os braços, estala os dedos e faz todo o possível para atenuar a ansiedade daquela espera.
Está exausto. Não tirava férias há milênios e aquela “escapadinha” seria providencial. Deu-se ao luxo de não pensar no destino dos negócios, não queria se preocupar com nada. Cercou-se de todos os cuidados para que seu destino não fosse descoberto e para que a sua fuga, portanto, não pudesse ser evitada.
Foi quando o elevador chegou. As portas se abriram e Gabriel, o ascensorista, nada perguntou. Em muitos anos naquele posto, aprendera que a discrição era um valor imprescindível: nada de olhares, nada de perguntas, nada de conversa! Gabava-se, inclusive, de sequer prestar atenção na fisionomia de seus passageiros. E não foram poucas as vezes em que transportara gente famosa...
Poucos instantes se passaram até que a porta se abriu. O calor que vinha lá de fora assustou o passageiro, mas não chegou a surpreendê-lo. Saiu do elevador e logo seus pés estavam sobre aquelas areias alvas, escaldantes. A luz era abundante e o som das ondas batendo na arrebentação soava como música em seus estressados ouvidos, surpreendidos com aquela voz que não escutava há tempos... 
- E então você veio mesmo! 
- Ãhn...sim, sim! E agradeço-lhe pela gentileza. Como você sabe, eu...
- Não precisa agradecer nada, meu camarada! Talvez você finalmente ser convença de que aqui é bem melhor que...
- Por favor, caríssimo! Não vamos começar a falar disso, certo? 
- Está bem, está bem! Bom, então venha comigo! Vou te mostrar que beleza é isso aqui! 
- Sim! Está tudo muito bonito! Não venho aqui faz séculos... 
- E não sabe o que está perdendo! - disse o anfitrião, colocando o braço tatuado em volta dos ombros do visitante e dando início a uma animada conversa.
Era muita gente! Corpos bem torneados, bronzeados, expostos ao sol e à toda beleza daquele verão que parecia jamais ter fim. A paisagem também era perfeita para um período de férias: céu azul, sem nuvens, mar calmo e verdinho, coqueiros muito altos e uma brisa incessante – bem quente, é verdade. Enquanto ouvia o que dizia o anfitrião, passou a observar várias placas colocadas no início da faixa de areia. O local estava muito bem sinalizado, pronto para receber turistas das mais variadas procedências: Strand der Hölle, sinalizava uma. Outras quatro indicavam, respectivamente: Παραλία της Κόλασης, شاطئ من الجحيم , חוף הגיהנום e ساحل جهنم. Achou curiosa toda aquela diversidade de idiomas: Bãi biển của địa ngục, नर्क का समुद्र तट, Plage de l'Enfer...parecia ter entrado numa espécie de Babel litorânea, com línguas dos mais diversos tipos e lugares! Strand van Hell, Hell's beach, continuavam as placas, até que seu bronzeado guia anunciou:
- Chegamos, meu Senhor! Seja bem-vindo às férias na praia!
- Pelo Meu amor! Ainda não acredito que vou passar férias aqui!, respondeu o ilustre convidado, quando pararam diante da última placa, na qual se podia ler:

PRAIA DO INFERNO


continua >>>

1.3.12

Berço do samba e das lindas canções...

É maravilhosa ou não é?

Amo te ver, minha linda, nos dias de sol e nos chuvosos, ornada de flores ou pela luz dourada do outono. Gosto de caminhar à procura dos teus cheiros, todos, misturados pela brisa que os mares sopram pra te perfumar ainda mais. Gosto dos teus sons, dos teus barulhos, da sinfonia produzida pelos sambas, pelos funks, pelas buzinas, pelas britadeiras, pela tua gente sempre risonha.
Gosto dos teus gostos, do copo de chope suado molhando a mesa num happy hour que parece até pleonástico: contigo, é difícil não haver felicidade nas horas...
Sofro com teus problemas. Dói quando te noto maltratada, esquecida, deixada de lado por aqueles que não sabem reconhecer em você esse grande tesouro que vejo. Sinto medo de, um dia, notar que, uma a uma, tuas maravilhas foram desperdiçadas, destruídas. Sinto medo porque não há, no mundo, nenhuma outra como você!
Não há outra com seus ângulos, com tuas cores, com tua vibração! Não há outra com tua malemolência, com tua ginga, com tua gargalhada e com essa sedução gostosa que você exala. Não há outra com a tua camaradagem, com o teu humor e com a tua capacidade de, dia após dia, surpreender a todos nós com sua infinita beleza.
Porque você sempre nos surpreende. Há 447 anos!
Não há outra cidade como você, Rio! 
Maravilhosa, sem igual. Meu coração e coração do meu Brasil...

14.2.12

We will always miss you, Whitney Houston...

Quando soube da morte de Whitney Houston na noite do último sábado, dia 12, levei um baita susto. Repentina, a saída de cena da cantora me colocou diante de uma série de lembranças de suas músicas. Uma delas, aliás, It's not right but it's ok, eu tinha dançado na noite anterior.
Sou um grande apreciador da música e, sobretudo, das vozes femininas. E acho que quando esse é o assunto, Whitney tem lugar de destaque. Dona de um timbre inconfundível, essa bela cantora tinha identidade: era impossível confundir uma de suas músicas com as de qualquer outra cantora. Mais que isso: Whitney se firmou no topo da indústria fonográfica mundial na década de 90 justamente por cantar - e muito - algo que parece fora de moda hoje em dia.
Tenho várias de suas músicas no Ipod. Try it on my own, I believe in you and me, Greatest love of all, When you believe - essa, em dueto com Mariah Carey - até a mais recente, I look to you. Belas músicas, que se tornaram ainda mais bonitas graças a interpretação dessa grande cantora.
Curiosamente, a música mais popular do repertório de Whitney Houston não fazia parte da minha playlist pessoal. Uma falha grave, uma vez que, mesmo moleque, lembro de ter achado I will always love you uma tremenda balada, já na primeira audição. E continuo a achar, ainda hoje, que esse é um dos mais belos vocais femininos da história da música pop. Um caso raro - e cada vez mais raro - em que interpretação, melodia, arranjos e letra estiveram perfeitamente unidos em torno do objetivo de emocionar. E como emociona...
Quem nunca disse pôs um ponto final a uma história a contragosto? Quem nunca precisou se afastar de alguém  mesmo com a certeza de que essa ausência seria uma dor quase insuportável? Quem nunca ficou de longe, torcendo para que as coisas dessem certo, desejando coisas boas?
Quem nunca disse "eu vou te amar pra sempre"?
Viva Whitney Elizabeth Houston, a dona de uma das vozes mais bonitas, eternizada numa das mais belas músicas de amor que a indústria do entretenimento dos Estados Unidos já ofereceu ao mundo... 

10.2.12

Pro Cecello...

Esse cara inteligente, sem medo da vida, carinhoso e engraçado chega de mansinho e se instala. Vira amigo fácil daqueles que sabem valorizar uma boa conversa, um abraço sincero e o bom humor. 
Com ele descobri como é surpreendente - e divertido - perceber o mau humor de alguém que sempre dá provas de estar de bem com a vida. E ri muito dos desejos de bom dia no Facebook e da ordem fora de hora pra pizza voltar.
Foi esse economista - que nunca poupa carinho e palavras doces - que me mostrou que o fundo do poço não tem mola nenhuma ao me apresentar ao canto de uma gordinha chamada...Adele. Que sofrimento! E que prazer! 
Esse cara corajoso e todas as suas voltinhas me ensinaram que o mundo dá muitas voltas. Mas que elas, todas, são suaves demais quando a gente tá cercado de amigos leais e queridos. Como ele.
Cecello, um grande dia pra você! Que todas as suas conquistas recentes, que se refletem nesse sorriso que não sai dos seus olhos, sejam apenas o início de uma fase de muitas realizações, em todos os campos. E que a gente possa estar junto pra comemorar, uma a uma, todas essas vitórias.
Beijo grande e feliz aniversário!

26.1.12

A invasão...

E aí, de repente, surge aquele alguém. Aquele alguém que poderia ser só mais um alguém, mas , de um jeito que ninguém jamais conseguiu explicar ou definir, pra você vira o alguém.
Quando se dá essa transformação, as coisas complicam! Porque os outros sorrisos não têm a mesma graça, as outras ligações telefônicas não importam mais e os torpedos só atingem o alvo exato se tiverem partido desse determinado remetente.
Esse seu alguém - que talvez possa nunca vir a ser realmente seu - acaba te raptando. Você fica refém, fica inseguro, não sabe onde colocar as mãos.  E numa simples conversa, se pega perdido, capturando detalhes daquela boca, daqueles olhos lindos, sentindo o toque daquelas mãos nas suas mãos. Tudo é único e até a mais boboca das brincadeiras parece incrivelmente original.
Tudo assim, de repente. Contra a sua vontade, contra as previsões. Contra a lei das probabilidades, contra o universo. Contra tudo e contra todos, esse alguém chega e, sem que você perceba ou consiga controlar, finca raízes naquele lugar que você julgava ter dominado. Invadindo seu lote mais precioso, o seu mais valioso lugar. 
Sim...sem anunciar, esse alguém aparece e se instala no terreno tantas vezes arrasado pelas intempéries da vida. Ali, bem no meio do seu coração. E aí, uma vez feita a invasão, só resta torcer para que a construção tenha vista para a felicidade...
Por que não?

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 105

Alguém lembra de um episódio, unzinho, que seja, no qual o plantão da Globo foi usado pra dar uma notícia boa?

25.1.12

Nós, a mídia, Rio e o Oscar...

Assim que soube da indicação da música do filme "Rio" ao Oscar de Melhor Canção Original, fiz um comentário que rendeu polêmica no Facebook. Escrevi o seguinte:
Alguns amigos entenderam a mensagem como uma espécie de depreciação do Oscar. E, mais que isso, argumentaram que a indicação não tem a função de atestar a qualidade das produções nomeadas - no caso, a canção composta por brasileiros.
Como aqui o espaço é maior, volto ao tema. Sei da importância do Oscar, claro. E, obviamente, não sou louco de questionar o talento, a competência e os méritos de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, os compositores da canção-tema ora indicada à premiação. O que me impressiona, sempre, é a abordagem de uma notícia como essa. Soa ufanista demais; praticamente uma galvaobuenização de um fato que, isolado, não vai mudar a história da produção audiovisual brasileira. Falta, a meu ver, deixar claro à população qual o sentido dessa categoria do Oscar, quem vota e o que, a rigor, ela representa dentro do universo hollywoodiano. Mostrar a indicação como uma conquista e, pior, dar à entrega do Oscar um tom de final de campeonato, sim, me parece uma atitude colonialista. Coisa de time com complexo de segunda divisão, que vive querendo uma oportunidade para ser reconhecido. Como se desse reconhecimento, via Oscar, dependesse o futuro da música e da produção cinematográfica no país. Over demais, não acham?
Além disso, algo que ia postar ontem, também no Facebook, mas preferi guardar aqui pro blog. "Rio" tem todos os méritos que a tecnologia pode dar, é um filme bem feito, alegre, colorido, feliz. Mas, fica a reflexão: o Brasil, e a Cidade Maravilhosa, em especial, aparecem na tela exatamente da mesma forma que Walt Disney mostrava, 50 anos atrás, nos célebres desenhos do Zé Carioca. Um grande estereótipo! Somos o país da banana, do samba, da floresta, da mulata e dos malandros. Em pleno terceiro milênio, Hollywood olha pra nós e nos enxerga do mesmo modo que éramos vistos na metade do século passado. E nisso, sinceramente, eu não sei se dá pra achar tanta graça...

24.1.12

Sim, todo amor é sagrado...


Beto Guedes estava coberto de razão ao pensar nesse verso. Há algo de santo nesse sentimento que nos transforma, que muda o compasso das batidas do coração, faz nossa respiração degringolar e que pode, de uma hora pra outra, mudar nossa vida.
De mãe, de pai, de irmão, de avô, de avó, de amigo, de casal...
Sim, todo amor é sagrado!
E exatamente por concordar tanto com o verso de "Amor de índio", acho que pecam feio aqueles que jogam fora um amor por conta das mentiras e das demais oscilações de caráter. E não se trata de um pecado de cunho religioso, sequer de uma infração que possa gerar qualquer tipo de punição divina. Não é nisso que creio. A meu ver, esse pecado representa uma espécie de atentado que flagela o próprio autor, esse ser errante que, num ato de fraqueza, joga fora toda uma história, um vida, os sonhos, todas as conquistas e o que havia por conquistar.
Triste é perceber que não são raros os casos em que esses pecadores passam a vida a se lamentar pelo que tinham de precioso e descartaram...

17.1.12

Aquele abraço...


Ao contrário do que diz a canção famosa, tudo não continuava lindo. Pelo contrário: tudo estava cinza, amargo, triste. Não havia sorrisos iluminando o lugar e, sim, lágrimas que pendiam daqueles dois rostos. Uma cena estranha, já que sempre foram tão habituados a rir juntos...
Pedidos de desculpas, palavras secas, gargantas unidas por um mesmo nó. Não havia dúvidas: tudo anunciava o fim. Mesmo assim havia cordialidade, carinho, até. Talvez, algum resquício de tudo o que puderam viver antes. Talvez, receio de tornar ainda mais dolorido aquele momento. Talvez, a certeza de, em instantes, tudo viraria apenas memória.
De pé, na penumbra, abraçaram-se. Soluçavam, e o ruído parecia traduzir a agonia daquele amor. Sim, eram aqueles os momentos finais de uma longa história, de idas e vindas, escrita por algum autor que não conseguiu criar um fim melhor que toda aquela mágoa. Poderiam ter dito muita coisa e seria tudo verdade: as saudades que já sentiam, a torcida para que fossem felizes mesmo distantes, as dificuldades para viver com a lacuna que um deixaria na vida do outro, o desejo de que tudo fosse diferente, a esperança de que um dia, quem sabe, as coisas voltassem a ficar bem...
Pensavam e sentiam tudo isso. Mas nada disseram. Afastaram-se e, ato contínuo, puseram-se a secar um o rosto do outro. Havia muito afeto ali e era difícil demais perceber tão entristecidos os olhos que sempre desejaram ver cheios de alegria. Olhos que, por tanto tempo, viveram repletos de amor.
Ligados por esses olhos úmidos, despediram-se sem testemunhas. Era fim de madrugada, hora em que sequer sol e lua têm definidos seus lugares no céu. Momento perfeito para encerrarem uma história que também não tivera plateia.
A luz entrou apenas quando a porta foi aberta. E foi embora quando ela se fechou, levando consigo metade de tudo aquilo. À outra metade coube mergulhar na escuridão, esperando o momento em que o sol voltasse a iluminar seu caminho. 
Por ora, sabia apenas que isso não aconteceria ao amanhecer...

16.1.12

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 104

Veja a foto e responda:


Marília Gabriela, por que óculos tão grandes? E tão...roxos???
Cartas para a redação.

15.1.12

Pra minha cálega...

Quem diria que eu, que brincava de apresentar o Jornal Nacional quando criança, um dia ia parar na frente das câmeras? E quem diria que, uma vez na TV, encontraria uma parceira com o mesmo sobrenome, nascida e criada no mesmo bairro, que estudou na mesma escola?
Pois é...a vida nos traz muitas surpresas!
Por obra e graça delas, parei naquela redação e tinha a missão de trabalhar diretamente contigo. E hoje, passado esse tempo todo, acho bacana dizer coisas que nunca te disse. Você, toda durona, foi, sempre, muito paciente. Muito empenhada em me ensinar como aquela engenharia toda funcionava e em me fazer dominar esse processo. Foi muito compreensiva nas vezes em que os problemas da vida me tiraram o foco, como quando me separei e deixei claro que não tinha condições de cumprir os prazos acordados. Ou quando minha vó morreu e precisei ficar uns dias fora...
Sabe, cálega, eu acho que você me adotou. Por ver em mim qualidades que eu nem sabia possuir, mas, talvez, também por saber da importância dessa adoção para alguém que tem uma história como a nossa, que vem de onde viemos e que agarra as oportunidades com todas as unhas e dentes disponíveis. Sou grato de verdade, viu?
Mas nem tudo foi poesia - como, aliás, eu nem acho que deva ser. Não foram poucas as vezes em que, mesmo sendo seu subordinado, discordei de você - sendo até mais veemente do que mandaria o bom senso - e acho que daí nasceu essa confiança que, hoje, temos um no outro. Porque o tempo nos deu essa certeza de que não há reservas e nem pudores para que a gente atue com sinceridade e transparência nessa nossa louca rotina, seja na frente ou atrás das câmeras.
O tempo também nos fez mais próximos, mais cúmplices, mais amigos. Não são poucas as vezes em que a gente percebe no ar o que o outro está pensando, o que é um forte sinal dessa sintonia que nos une. Diante das câmeras, isso resulta harmonioso, integrado. Longe delas, faz o convívio mais fácil e divertido. E faz com que a gente seja uma dupla complementar. Acho que é esse o segredo, viu?
Então, nesse teu dia, além de agradecer por tudo isso que já disse, quero te agradecer por ter se tornado essa amiga leal, carinhosa (do seu jeitinho, claro!), e por permitir que eu também passasse a fazer parte da sua vida.  Quero te dar os parabéns por ser a profissional que você é, mas, mais que isso, por ser guerreira, batalhadora, engraçada e divertida - e por estar se permitindo cada vez mais experimentar a graça e a leveza que estão por trás dessa fama de durona. É tudo casca, sua boba! De ranzinza, você só tem o charme!
Um beijão, titia! Muita poesia na sua vida!
E feliz aniversário!

13.1.12

Amor em tempos de Twitter...

Dei uma passada pelos principais portais de notícias agora e uma nota publicada na home da Globo.com chamou a minha atenção...
Sei pouquíssimo sobre o rapaz e menos ainda sobre a moça em questão. Mas o que me fez pensar mesmo foi a exposição que as redes sociais propiciam nesse momento universal que é a dor-de-cotovelo. Aquela hora triste, que a gente viveu, vive ou viverá um dia, independente da idade, da cor, da condição social, do time, da orientação sexual, da nacionalidade e de ser ou não fã e telespectador assíduo do Big Brother Brasil...
Não critico o que o Pe Lanza fez. Mas acho curiosa essa necessidade de expor os sentimentos assim, de forma tão pública. E essa não é uma característica exclusiva dele. Eu já fiz isso aqui por inúmeras vezes, de modo, digamos, mais discreto, menos direto e muito mais anônimo - até porque não uso roupas coloridas, não canto e nunca namorei uma atriz. Bom, pelo menos, que eu saiba, nenhuma era profissional!
O fato é que amor e desamor são experiências universais, que comovem e, portanto, interessam a todos. Não há quem nunca tenha se identificado com um filme ou com uma música falando das tais coisas do coração. O novo é a possibilidade de qualquer mortal deixar isso registrado na rede. E aberto a julgamentos, opiniões e relativizações tão úteis quanto o célebre processo de enxugamento do gelo.
Como já disse, eu já fiz isso. Já vivi momentos de sofrimento e escrevi inúmeros posts aqui.  Escrever textos nesses momentos é quase terapêutico, funciona como parte do processo de recuperação dos dissabores dessa vida. Mas, além de publicar no blog, também já compartilhei momentos dessa natureza nas incensadas redes sociais, sempre com cuidado pra não dizer nada além daquilo que possa vir a interessar os diferentes tipos de amigos que mantenho nesses espaços. Mas aprendi que essa não é uma escolha que me faça bem. Há gente com que a gente simplesmente não deve compartilhar nada além de alegria. Há pessoas que, mesmo travestidas de amigáveis, não merecem saber dos nossos problemas, pelo simples fato de estarem mais preocupadas com o próprio umbigo ou com a necessidade de julgar, classificar, especular e rotular todos os que estão à sua volta. E, não raro, ainda se arvoram a ridicularizar, tripudiar em cima da fragilidade alheia, esquecendo-se de que, cedo ou tarde, o universal pé na bunda também irá lhes acertar.
Se fosse amigo do Pe Lanza, sugeriria que ele guardasse sua dor para os ombros dos amigos verdadeiros. E a protegesse dos olhos de curiosos. Sairia mais fortalecido e resguardado.
E, claro, se fosse amigo do Pe Lanza, saberia, enfim, se isso é nome, sobrenome ou apelido...


12.1.12

Sobre Dercy de Verdade...

As Dercys de mentirinha: Fafy Siqueira e Heloísa Perissé...

Venho de uma família na qual os palavrões são vistos com naturalidade. São parte do discurso oral, permeiam causos, piadas, conversas leves, desabafos. Não são ofensivos, porque, quando usados - e são muito! - jamais surgem com a proposta de melindrar alguém.
Acho que essa é a razão de, desde muito criança, admirar tanto Dercy Gonçalves. Ver aquela senhora na TV, tão deliciosamente anárquica e desbocada, produzia em mim uma sensação de identificação. Era como se Dercy fosse da família, agisse e se comportasse como nós. Com o passar dos anos, pude perceber que, além daquele escracho todo, a longeva atriz também trazia uma marca única! Entre todos os atores de comédia do país, Dercy se destacava: não há quem confunda o estilo dela com o de qualquer outro comediante brasileiro. E isso não é pouco...
Quando ela morreu, falei dessa admiração aqui.
Por isso, vi com entuasiasmo a iniciativa da TV Globo de produzir uma microssérie sobre a vida de Dercy. E como não poderia deixar de ser, a produção logo se revelou um programão. Primeiro, pela acertada escolha do elenco. Helóisa Perissé e Fafy Siqueira já demonstraram ter entrado em perfeita sintonia com a aura da personagem real, embora, em alguns momentos, Perissé soe um pouco caricata demais. Mas não é nada que comprometa seu desempenho, convincente tantos nos momentos de comédia como nas cenas dramáticas.
Em cena, Fafy resulta curiosa: célebre pelas imitações de outro grande humorista, Ronald Golias, ela parece personificar a cruza desses dois gênios do humor nacional. E o resultado é perfeito: o tempo, a respiração, o jeito ansioso e as famosas repetições de palavras, marcas das falas de Dercy, estão todos na tela.
A anunciada utilização dos palavrões nos diálogos foi mesmo um acerto. Alguém seria capaz de imaginar uma Dercy pudica? Além disso, pesa a favor do roteiro o fato de, ao menos até o momento, esses palavrões não terem surgido gratuitamente na tela. São usados com perspicácia, pontuando falas naturalmente, como bem sabe quem tem o hábito de utilizá-los na vida real. 
O ponto negativo, a meu ver, é a opção por um formato tão micro. Mostrar 101 anos de vida em quatro capítulos está longe de ser tarefa das mais simples e, mesmo com todo o talento e a competência da dupla Maria Adelaide Amaral e Jorge Fernando - autora e diretor da série - os capítulos têm apresentado um ritmo acelerado demais, e episódios interessantes da vida da estrela passam na tela sem maiores explicações - o que ficou ainda mais evidente no segundo capítulo, exibido ontem. Deixa gosto de quero mais, o que talvez seja interessante, uma vez que o resultado das gravações será transformado em um filme previsto para estrear em 2013.
Apesar do ritmo frenético, considero Dercy de Verdade uma das boas surpresas desse início de ano televisivo. Uma homenagem justa e merecida, a começar pela excelente abertura da série, na qual Dercy aparece como o primeiro nome do elenco. Um reconhecimento para a estrela que, nos últimos anos de sua longa trajetória, acabou por ficar rotulada como a velhinha sem-vergonha e desbocada que aparecia na TV dizendo cobras e lagartos. Dercy foi muito mais que isso. E, felizmente, ainda que de maneira tão veloz, o público está podendo descobrir.

11.1.12

Tirando a poeira...

Por cinco anos, enfrentei diariamente o desafio de vencer a página em branco que se apresentava diante dos meus olhos. Não raro, superei essa adversária mais de uma vez ao dia, postando, aqui, textos sobre coisas que via, lia, ouvia...coisas que sentia. 
Mas 2011 foi diferente. Por uma série de razões, eu me vi vencido pela página vazia. Foi como se os acontecimentos que se sucediam na minha vida analógica canalizassem minha atenção, meu pensamento, meus sentimentos de tal forma que, mesmo nas vezes em que decidia parar para escrever sobre eles, acabava por me sentir cansado...deles!
O afastamento do blog me fez mal. Gosto de cultivar esse espaço como o agricultor que cuida, vela e se orgulha da sua roça. Gosto de plantar minhas ideias aqui, de percebê-las crescendo nos comentários - ou nas respostas via twitter e facebook, marcas desse tempo de tantos links. Vivi essa seca com a mesma agonia dos sertanejos que acompanham o minguar de suas plantações. Ano estranho esse que passou. Aqui no B@belturbo, nada mais foi que um período sem chuvas, marcado pela terra seca e rachada.  Infértil.
O bom é que, como dizia na canção o grande Nelson Ned - com o perdão do trocadilho, claro - "tudo passa, tudo passará...". E aquele 2011 tão infrutífero se foi!
Portanto, esperem um blogueiro mais presente nesse 2012 - apesar do atraso deste primeiro post. Quero voltar a plantar - e a colher. Já não sinto sob meus pés a terra tão seca e rachada e o cheiro de chuva demonstra que os tempos de estiagem não vão demorar muito para ficar definitivamente pra trás!
Quem quer se molhar? Vambora tomar banho de chuva?
Feliz 2012, turma!!!

31.12.11

60 momentos de 2011 que não quero esquecer...


O pôr-do-sol que vi na Ribeira, em Salvador. Ver pela internet, de Nova Iorque, a foto em que meus amigos, reunidos, carregavam um cartaz com meu nome, pra me mostrar o quanto eu estava presente entre eles, mesmo lá de longe. Cruzar a Lapa vestido de vampiro, no carnaval, com o rádio do carro tocando Thriller nas alturas. Assustar as pessoas de dentro do carro, vestido de vampiro, no carnaval, a caminho da Lapa.
Quando Larissa Luz cantou o verso “Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, num Chá da Alice. O show de Ivete Sangalo no Rock in Rio. O show de Roberta Sá no Circo Voador. Hair, na Broadway. Domingo de Six Flags, com Pamela, Alvinho e Andre, nos EUA. Os momentos que passei na Igreja do Bonfim, em Salvador. O aniversário de titia Barbara e do maridão, Fernando Molica, com samba, comidinhas gostosas e amigos queridos. O show do Jota Quest no Rock in Rio. O Fantasma da Ópera, na Broadway. O show da Rihanna, no Rock in Rio. Churrasco na casa de Erica, quando voltei de NY. Todos cantando juntos “Nuvem de Lágrimas”. Show de Paul McCartney no Yankee’s Stadium, em Nova Iorque. O Fantasma da Ópera, na Broadway. O show de Amy Winehouse no Rio...
O diálogo com a funcionária da Cia. de aviação panamenha, quando eu disse: “Para Dios, nada és imposible”, num portunhol fajuto de doer. Ser questionado, ao vivo, por uma telespectadora, sobre o significado de um anel que eu usava durante o programa. A apresentação do trabalho sobre música, no MBA. As conversas e risadas com Isabela e Raquel, pelas ruas calorentas e entupidas de gente de Nova Iorque. A peça Estamira, com Fabi e Flávia, no Laura Alvim. Ensaio do Salgueiro com Glaucio, Gustavo e Erica. Ver Serginho e sua turma da CAL interpretando “O inspetor geral”. Que bacana ver um amigo realizando um sonho. E com tanto talento! As baladas de NY, todas inesquecíveis...
A entrevista com Angélica Ivo, para o Salto. Inesquecível, é o momento mais difícil desses meus 12 anos de carreira. Gravar no Complexo do Alemão e ter a sensação de que, embora ainda muito incipiente, a onda de transformações que toma conta da cidade começa a chegar lá. Ouvir uma telespectadora falar, por quase cinco minutos, de um assunto que nada tinha a ver com o tema do programa. Todos os momentos de farra na redação do Salto. Como eu me divirto nesse trabalho!!! Ana Senna me informando, em São Paulo, sobre a existência de um irmão de Cosme & Damião. E eu respondendo com a pergunta: “E por que ele não fez sucesso?” A primeira crise de riso diante de um entrevistado. Um temor antigo que 2011 fez o favor de tornar realidade. Foi mal, seu Peri! Ana Senna, em Porto Alegre, dizendo que tem sempre um (...) pra estragar tudo...
Todas as conversas com Glaucio, antes, durante e depois das festas. As tardes na praia, seja na Barra, no Leblon, em Copa ou Ipanema, com Fabi, Daniel, Raquel, Serginho, Thiago, Tiago, Glaucio, Rodrigo e Barbara. A tarde que passei na Urca, com Daniel, Glaucio e Marcello. Passear com minha mãe pela Urca e ver seus olhos cheios de saudades do tempo em que ela trabalhou e curtiu a juventude ali. Todas as conversas com Vitor, grande amigo que a vida trouxe pra perto de novo. Ter conhecido e me tornado amigo de Daniel, um sujeito que só trouxe alegria e coisas boas para a minha vida. Voltar ao Rio e encontrar minha mãe, minha prima e meus amigos, de surpresa, no Galeão. O almoço com Raquel e Fábio, no Centro. Uma comida deliciosa, uma sobremesa fantástica e um papo tão gostoso quanto! A tarde na casa de Marcello, com ele, Erica e Glaucio, vendo filme, comendo bobagens, rindo da vida e me sentindo protegido por meus amigos. A conversa com Thiago no píer do Bar da Rampa. Uma grande amizade nasceu desse papo. O papo com Daniel, via Skype, enquanto eu estava em Nova Iorque. Perguntei pelas novidades e ele me disse que Itamar Franco tinha morrido. Oi?
Madrugada jogando “Perfil” na casa de Thiago, com Daniel e Erica. Descer Santa Teresa cantando os “dezoito nomes de Glória”, com Paulo Mário. Ter, enfim, conhecido Flavia, a amiga de Vitor. Uma energia boa daquelas que a gente quer sempre sentir mais e mais. Cantar Adele com Tiago Melo – no videokê, no carro...onde for! Porque é quase terapêutico...
Conhecer Washington numa tarde muito quente e, depois de caminhar horas, encontrar uma barraca vendendo água. Pedi duas garrafas sem me dar conta de que cada uma tinha mais de um litro. Rodrigo e eu morremos de rir. Andar de bicicleta no Central Park. O jantar que fizemos antes da minha viagem para Nova Iorque. O passeio a pé na última tarde em Nova Iorque, sozinho.
A pizza de abacaxi no rodízio, com Erica e Glaucio. O boliche com Daniel, Thiago, Glaucio, Erica e Marcello. Marcello mandando a pizza voltar. Um momento ímpar. A cheesecake que comi em NY, com Raquel, Rodrigo e Bella. Ter conhecido Alvinho, Andre, Fernanda, Isabella e Raquel. Amigos que são de longe, que conheci lá longe, mas que, desde então, guardo aqui pertinho. As brigas com os garçons estouradinhos do Tik Tok Dinner. Raquel que o diga. Lanche no Shake Shack, com Joey, na véspera da viagem de volta ao Rio...
O pôr-do-sol que vi no Brooklyn, NY...

28.12.11

Pro meu amigo cereja...

É muito fácil ser amigo nos melhores momentos, quando tudo está bem, quando a vida é festa e quando as conversas sempre acabam em gargalhadas. O difícil é se mostrar - e ser, de fato - amigo quando as coisas não vão bem, quando se está triste e não se sabe muito bem para onde ir. Eu reconheci em você um amigo desse tipo noite dessas, em meu carro, voltando de Campo Grande, quando falei das minhas dores e notei que você as sentia como se fossem também suas. Reconheci em você um amigo desse tipo quando, na véspera da minha viagem, você me deu um abraço e não conseguiu dizer nada, porque a saudade que já sentíamos um do outro impedia qualquer tipo de conversa. Reconheci em você um amigo desse tipo quando recebi um torpedo seu dizendo que toda a turma estaria reunida em breve e eu faria falta. Porque eu, segundo aquela sua mensagem, "sou a cereja do bolo"...
Veja só...eu, que já te fiz passar por alguns bocados. Cereja, eu? Cereja é você, com esse teu sorriso incrível, com as suas tiradas fantásticas - e sempre tão inspiradas! - com suas frases profundas, com suas opiniões polêmicas e com um jeito de falar sério que só você tem. Cereja é você! E não é uma qualquer: é A cereja que, quando falta, deixa o bolo sem graça e sem sabor!
Outro dia falamos que 2011 foi um ano de transformações, né? E eu sou otimista o bastante pra dizer que foram todas positivas. Sobretudo essa, que tanto nos aproximou. E se mais mudanças virão em 2012 - e talvez elas venham - peço para que nada mude entre nós, Marfir! Porque quem mais vai me fazer rir das imitações da jurada do Raul Gil e de Aracy, da Top Therm? Quem mais vai me surpreender com uma frase em portunhol fajutíssimo no meio da balada? Quem vai gritar "misericóóóóóórdia" quando eu fizer uma manobra, digamos, mais radical no trânsito? Quem vai me dizer aquelas verdades contundentes, que incomodam e nos fazem acordar?
Só você, Glaucio! 
Pense! 
Realmeeeeeeente!!!
Nesse teu dia, meu amigo, eu te desejo tudo de bom! Que a festa aconteça no teu apartamento - ou, melhor, que você consiga aproveitá-la aconteça onde acontecer! Que você tenha saúde, sucesso, sorte...e que os seus amigos saibam, sempre, reconhecer o grande cara que é você. São muitos amigos, eu sou um deles...mas acho que todos sabemos que você é único!
Um grande beijo e feliz aniversário!
Sem mais,
Att.

19.12.11

Uma retrospectiva íntima e pessoal...

O ser humano teme o desconhecido. Tem pavor de mudanças, de incertezas e senões. A gente foge do novo e esquece o quão bom é fazer descobertas. Descobrir novos lugares, novas pessoas, novas sensações, novos sentidos, novos gostos, novos prazeres, novos porquês! Talvez por uma falha qualquer no projeto original, todos acabamos nos tornando acomodados demais. E, assim, desperdiçamos dádivas que podem estar atreladas às novidades.
Sob muitos aspectos, 2011 foi um ano atípico para mim - assumidamente um acomodado. Sempre fui de poucas mudanças e, por obra e graça do destino, esse ano que se encerra em alguns dias me encaminhou para muitas mudanças. E se inicialmente elas pareceram assustadoras, acabaram por se revelar importantes fontes de amadurecimento.  
Sábado, numa dessas avaliações que a gente começa a fazer nessa época do ano, um grande amigo definiu 2011 exatamente como um ano de transformações. Sem saber, ele traduziu tudo o que eu sentia...
Saio desse 2011 transformador sem mágoas. Convicto dos meus valores, dos meus sentimentos e de quem quero continuar a ser. Encerro o ano tranquilo, sem pesos, sem dores, sem culpas. Com a certeza de que, em mais um ano, eu agi de acordo com aquilo em que acredito. Com a certeza de que nada, em momento nenhum, me fez apequenar diante dos desafios que o destino pôs em meu caminho. Termino esse ano de transformações inteiro, forte, vigoroso! Mais maduro e mais decidido para escolher bem como, quando e com quem quero gastar meu tempo.
Sobretudo, termino esse ano de 2011 agradecido. Pela família que tenho, pelos amigos que fiz e que, todo dia, em pequenos gestos, demonstram que sou tão importante pra eles quanto eles são pra mim. Pelo trabalho que é, antes de tudo, uma eterna fonte de alegria e prazer. E por ter tanta gente torcendo por mim como eu sei que tenho.
Ao longo desse 2011, algumas vezes eu me disse alguém muito abençoado por Deus. Sou mesmo! E agradeço a Ele por todas as bençãos derramadas sobre mim e sobre a minha família. Acima de tudo pela saúde e pela força para superar as dificuldades que, de vez em quando, surgem por aí.
E agradeço também aos leitores aqui do B@belturbo, que não desistiram do blog mesmo nesse ano de preguiça e crise criativa do blogueiro. Espero que em 2012 seja bem diferente!!!

  

7.11.11

Gelson Domingos...

Tivemos uma única reunião. O objetivo era planejar uma das viagens que a equipe do Salto fez nesse ano. Gelson foi o cinegrafista escalado e, como não trabalhava conosco habitualmente, quis saber mais sobre a nossa linguagem.
Foram alguns minutos de conversa, na qual Gelson falou de sua experiência, ouviu nossas orientações e, empolgado, falou de sua paixão pela cobertura policial.
Partiu pra viagem e fez um belo trabalho. Como era de costume em sua carreira bem sucedida. Carreira abreviada pela bala de fuzil que lhe perfurou o colete e roubou-lhe a vida na manhã de ontem.
Fiquei muito triste com a notícia. Pelo companheiro que se foi e pela crônica de tantas mortes anunciadas nessa cotidiana tragédia carioca. Pelas falhas que repetidas à exaustão, só oferecem oportunidades de reflexão em momentos como esse. Pelo colete que não suporta balas das armas mais usadas pelos traficantes do Rio. À prova de quê? À prova de quem? À prova do bom senso que falta às emissoras que, sedentas por audiência, insistem em arriscar seus recursos humanos nesse tipo de cobertura? Por que vamos, tão vulneráveis, atrás de uma polícia igualmente vulnerável em incursões como a de ontem, em Antares? Pra quem?
Precisamos desse jornalismo? Precisamos correr esse risco?
Não sei, de verdade...

2.11.11

Pro meu pequeno GRANDE amigo...

Quantas conversas, quantas ligações, quantos caracteres digitados nos torpedos, messengers e whatsapps da vida? Quantas fotos, quantas festas, quantas risadas? Quantas partidas de videogame, quantos filmes na madrugada, quantas rodadas de jogos de tabuleiro? Quantos almoços, quantos jantares?
Quantos abraços? 
Quanto apoio?
Quanta força?
É engraçado...nem faz tanto tempo assim. Mas tudo é muito, né? Porque você é um cara muito bacana, Thi. Companheiro, amigo, divertido, presente, preocupado, generoso, paciente, compreensivo! Um cara inteligente, educado, parceiro mesmo! Um cara de quem eu tenho muito orgulho de poder dizer, hoje, que sou amigo de verdade. Por isso, nesse dia de alegria e felicidade, quero te agradecer por ser esse amigo tão importante na minha vida. E aviso logo: não abro mais mão da sua presença nela, tá certo?
E lembra das perguntas do início do texto? Pois é. Respondo a cada uma delas com a frase:
QUERO MUITO MAIS!!!
Um beijo do meu tamanho, amigo! Muita saúde, muitas conquistas, muitas vitórias - dentro e fora das pistas! E muita luz na sua caminhada, sempre! 

30.10.11

Sobre o câncer de Lula e as redes sociais...

Ex-presidente descobre câncer na laringe e notícia mobiliza internautas de todo o Brasil...
A notícia da doença do ex-presidente pegou todos de surpresa no início da tarde desse sábado. Dias antes, um falante e sorridente Lula havia comemorado o aniversário, divulgado mensagem de agradecimento aos tuiteiros; sem que a tal rouquidão se fizesse destacar tanto. Convenhamos: Lula é rouco desde que o mundo é mundo...
Mas havia algo errado e os exames comprovaram a existência de um tumor de cerca de três centímetros de diâmetro na laringe do líder do PT. E como tudo o que acontece hoje em dia repercute numa velocidade impressionante, não tardou para que o fato ganhasse as redes sociais.
Navegando pelo twitter e pelo facebook, percebi que os usuários dessas redes olharam para a notícia de ângulos bem distintos. Enquanto muitos tuiteiros usaram a hastag de apoio #forçalula - alçada a um dos trending topics no Brasil - no facebook ganhava vulto uma campanha pedindo que o ex-presidente fizesse seu tratamento num dos hospitais ligados ao SUS - o Sistema Único de Saúde. Seria uma forma de "lembrar" ao ex-mandatário do estado em que se encontram os serviços públicos de saúde no Brasil.
A internet é livre, as pessoas são livres e, felizmente, vivemos numa democracia. Mas não posso deixar de dizer aqui que fiquei espantado ao notar que - ao menos entre as pessoas que aderiram à campanha e estão em meu facebook - dificilmente alguém optaria por se tratar no SUS em circunstância semelhante. Mas ele é um ex-presidente, deve dar o exemplo - podem dizer alguns. Aos que respondo que não é com campanhas demagógicas e vazias que se poderá mudar a realidade de um país tão complexo quanto o Brasil. E, mais ainda: que não é citando o caos no SUS numa ocasião como essa que faremos as coisas melhores. Quantos dos que aderiram à tal campanha se lembram das propostas de seus candidatos nas últimas eleições para a área da saúde? 
Além do mais, honestamente, acho desumano usar um fato pessoal e tão delicado para agir politicamente. Pega mal. É feio. Tanto que até mesmo adversários históricos de Lula se apressaram em soltar notas de apoio ao ex-presidente. 
Talvez eles saibam que política não se faz com o fígado. E nem com a exploração da doença alheia...

29.9.11

Pro meu amigo SUCESSO!

Quando a vida parecia apenas um exercício de recuperação dos tombos que vamos levando ao longo da caminhada, conheci esse cara de sobrenome parecido com o nome daquele cometa. Chegou sem avisar, se enfiou no meio da turma e, de um jeito que ninguém sabe como, foi conquistando todo mundo. 
Talvez pelo seu sotaque pernambucano made in Mesquita. Talvez pelo companheirismo que parece não ter fim. Talvez pela preocupação com os amigos. Talvez pelo fato de sempre estar disposto a fazer de qualquer programa um programa inesquecível e muito divertido...
Não sei. Só sei que você, velho, não virou meu amigo por seu talento no boliche - lembra? Também não virou meu amigo pela generosidade em oferecer chicletes na balada - porque você guarda todos e só lembra de fazer a oferta na manhã seguinte...
Na verdade, acho que você virou meu amigo por tudo isso. Lembro de um dia em que você se disse muito feliz por ter nos conhecido, por ter feito amizade com a gente. Você me disse que estava precisando de amigos assim. Hoje, depois que seu contrato de membro da turma foi assinado, eu posso te dizer que eu estava precisando de um amigo como você: um cara bacana, carinhoso, divertido, doido e...SUCESSO!!!
Que a vida continue sorrindo pra você, Dani. E que a gente possa, ainda, dividir muitos momentos bacanas nessa estrada!

29.8.11

Sobre cultivar boas lembranças...


A vida segue seu curso mesmo quando o rumo não é o que tínhamos imaginado. Ela apenas segue, impondo curvas, retas, subidas e as consequentes descidas. Altos e baixos que nos lembram da eterna impermanência das coisas, das pessoas, do que sentimos e mesmo do que somos. Afinal, sim, a gente muda. O tempo todo. E tudo muda ao nosso redor.
Mesmo com todas essas mudanças, sempre há coisas que a gente gostaria de cultivar. Pessoas que partiram, a despreocupação dos tempos de criança, o peito acelerado antes, durante e depois do primeiro beijo...e um monte de outros pedacinhos felizes da nossa existência que, com o avançar da caminhada, acabam ficando pra trás.
Nessa grande lista do que gostaríamos de carregar sempre conosco acho que reina a palavra amigo. No singular, no plural ou num plural ainda mais abrangente, que englobaria as amizades. Mas a mudança é soberana, a impermanência é a regra, e mesmo num capítulo tão sagrado das nossas vidas, mesmo essas pessoas tão próximas, tão queridas, que elegemos de um modo tão subjetivo para compartilhar dores, alegrias, conquistas e fracassos; mesmo essas pessoas com quem compartilhamos nosso amor, para quem nos revelamos por inteiro, para as quais nos doamos e de quem tantas vezes recebemos tanto; mesmo essas pessoas ficam pra trás.
Pensar no porquê disso pode não trazer frutos; ou ainda, pode trazer frutos não tão doces. As coisas acontecem porque acontecem, talvez seja mesmo isso. Talvez mudar seja o melhor a fazer e talvez devamos ser mais cautelosos ao empregar palavras como "sempre", que se referem a um tempo sobre o qual não poderemos arbitrar. Talvez o melhor seja aproveitar os momentos, cada um deles, para que, lá na frente, eles possam ser cultivados como adoráveis lembranças de um alguém especial. Lembranças de uma história incrível, cheia de todas as curvas, retas, subidas e consequentes descidas. Cheia de dores, alegrias, conquistas e fracassos. Cheia de amor... 
E que, como todas as histórias, um dia chegou ao fim.

28.8.11

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 103


Angélica, Gisele e a bolsa: sutileza zero!!!

É claro que a televisão tem que se sustentar e que, para isso, na maioria dos casos, conta com recursos vindos da publicidade. É claro que a publicidade pode ser genial, revelar tendências, lançar produtos extraordinários, alterar padrões de comportamento e, não raro, produzir comerciais tão ou mais interessantes que os próprios programas televisivos. É claro que a publicidade brasileira é uma das mais criativas do mundo - e não estou vivendo um momento de exagero patriota.
Dito tudo isso, vamos aos fatos. Ontem, no meio da tarde, liguei a televisão e me deparei com o programa de Angélica, o "Estrelas". Leve, descontraído, não exige grandes interpretações...ideal pra ver na hora do almoço. E lá estava a loira anunciando uma entrevista com Gisele Bündchen. Entre uma garfada e outra, olhava o papo das moças na telinha até que, de repente, estranhei uma bolsa colocada sobre a mesa, no meio da sala do apartamento da übermodel. Achei esquisito, porque celebridades não dão entrevistas em casa sem que tudo esteja cenograficamente disposto em seus devidos lugares. Intrigado, segui vendo o papo sobre a carreira de Gisele até que o rumo da prosa passou a ser os cabelos da top. E ela revela os segredos de fios tão bonitos: uma bisnaga de tratamento intensivo da Pantene.
Pergunta 1: Alguém acredita nisso?
Continuei olhando aquele merchandising tão agressivo quando, do nada, a tal bolsa voltou à cena: Gisele tirou lá de dentro uma necessáire e, como quem não quer nada, pegou dentro dela o tal produto milagroso. Tudo assim, casual. E, com a mesma naturalidade de um elefante sentado na primeira fila de uma ópera, explicou à entrevistadora como o tal produto deve ser aplicado nos cabelos.
Pergunta 2: Não teria um jeito menos grosseiro de fazer esse merchan não, minha gente?
Aí a conversa avança um pouquinho e Angélica revela não ter a tal bisnaguinha milagrosa - sem trocadilhos com o Huck, por favor. E Gisele Bündchen, a modelo mais generosa do mundo, dá um dos produtos para a entrevistadora.
Pergunta 3: Angélica não faz a propaganda dos produtos da Niéle Gold, gente? Como assim assume publicamente que a bisnaga da concorrência é mais poderosa e, como quem não quer nada, ainda pede um produto-rival para a entrevistada?
Eu hein!
PS.: Se quiser ver a entrevista na íntegra - e acompanhar esse nada sutil exemplo de merchandising, clique na foto.
Pergunta 4: Será que Angélica foi de táxi a Boston?

10.8.11

Resenha: Os Smurfs

Dos anos 80 para o cinema 3D: Os Smurfs conquistam o público do século XXI com um filme leve, delicado e divertido
Desde quando li as primeiras notícias que davam conta da realização de um filme sobre esses pequenos seres azuis, fiquei maluco! Os Smurfs são parte saborosa da minha infância, esse tempo que a cada dia fica mais longe, e do qual as memórias, curiosamente, cada vez parecem mais doces. Via as aventuras de Papai Smurf & cia no Xou da Xuxa, sentado no tapete da sala e rindo das trapalhadas do Desastrado - que sempre foi o meu smurf preferido.
Segunda, no cinema, entrei na máquina do tempo e fui reviver aqueles anos. Com muita felicidade, descobri que o azulzinho mais atrapalhado da turma é o protagonista do longa. Desastrado detona a ação e tem um final tipicamente hollywoodiano. E, mais que isso: fiquei surpreso com a magia do filme, que apresenta os Smurfs para as novas gerações sem soar didático ou piegas demais.
Mesmo muito cansado - e cochilando em uma parte ou outra, não por demérito do filme - gostei muito do que vi. Os Smurfs chegam ao século XXI aptos para vencer o desafio do 3D e oferecendo um tanto de doçura e afetividade que a gente não encontra nas animações surgidas nos últimos tempos. O humor é leve, sem apelações, o que não resulta num filme bobo. É produção da melhor qualidade, para crianças das mais variadas idades.
Gargamel, o vilão mais maluco de que se tem notícia, ganha vida num trabalho genial de Hank Azaria. Tão doido e caricato, o feiticeiro que quer acabar com a raça dos smurfs parece tão virtual quantos os seres azuis que tentam escapar de suas garras. E, falando em garras, Cruel, o gato de Gargamel, é outro ponto alto do filme.
Enfim, a viagem no tempo me fez muito bem. E foi dupla: além de lembrar dos meus tempos de moleque, ver Os Smurfs me fez lembrar de Nova Iorque, onde os pequenos azuis vivem as mais loucas aventuras. Ou seja: foi uma forma de matar as saudades em dose dupla. A diferença é que a Nova Iorque eu posso voltar. Já aos tempos de infãncia...só quando vier um filme novo dessa turma tão divertida.

5.8.11

Yes, I ♥ NY



Jamais vou esquecer a primeira visão que tive de você: imponente, com seus edifícios se erguendo no horizonte, cada qual mais alto e impressionante que o outro. Era de tarde, era verão. O céu estava azul e você parecia bem mais quente que nos filmes. Mas te reconheci no Empire States: era você, Nova Iorque, desnudando-se para meus olhos sedentos das aventuras, das paisagens, dos cheiros e dos sabores que, eu já sabia, você trataria de me revelar.

E revelou! Revelou o aroma do hot dog que se espalha por todas as suas esquinas, a explosão de luzes da Times Square, a tranquilidade dos gramados do Central Park e o burburinho da 5th Avenue. Você se mostrou pra mim chuvosa e ensolarada, de noite e de dia. Simples como um passeio de bicicleta e sofisticada como o interior dos teatros de sua Broadway de tão fantásticas produções.

Eu te olhei de cima do Rockfeller Center, vi tua cicatriz mais profunda e dolorida no Ground Zero e sofri com o calor absurdo de tuas entranhas enquanto esperava o metrô nesse verão escaldante. Fui feliz tomando café, smoothies e dançando nos teus clubs, nos teus embalos que vão de segunda a segunda! Comprovei que você realmente não para e nunca dorme! Vi teus táxis passarem por tuas ruas e avenidas e me senti mergulhado num filme. Cruzei você passeando numa limousine e me sentindo dentro de um sonho muito bom. Que, como todos os bons sonhos, também estava fadado ao fim...

Cheguei até aí com os dois pés atrás. Não tinha uma boa imagem da tua gente, tinha receio de não me adaptar ao teu ritmo frenético e me sentia inseguro quanto à capacidade de me comunicar com a tua língua. É com um largo sorriso que assumo: estava triplamente enganado. E é ciente desse triplo equívoco que anuncio: eu te amo, Nova Iorque! E espero te rever logo!



29.6.11

Cupido está de greve!

Sobre a mesa, além de pilhas e pilhas de fotografias, a plaquinha não deixava dúvidas: aquele era o ambiente de trabalho do Cupido. Uma sala pequena, com um grande alvo pintado numa das paredes e uma infinidade de flechas destinadas ao treino diário do arqueiro mais famoso de que se tem notícia quando o assunto é amor. Mas a fama não andava das melhores...
Lá no Andar de Cima, o Departamento de Controle de Qualidade era rigoroso. Trabalhava com alta tecnologia. Toda vez em que alguém, em algum lugar do planeta, citava um dos colaboradores do Paraíso, as caixas de som reproduziam as falas em tempo real. Para Pedro eram comuns os pedidos de sol nos finais de semana, torcida para que as chuvas não fossem tão intensas e para que pusesse em bom lugar os novos habitantes. Cristóvão recebia mensagens de motoristas e familiares preocupados com as viagens pelas estradas. Edwiges, do Departamento Financeiro, vivia com calculadoras nas mãos, tentando resolver os imbróglios econômicos do povo da Terra. Maria - cheia de graça e de apelidos - vivia intercedendo por mães e filhos. E, assim, a grande equipe cuidava de gerir as coisas lá em cima, para que nada fugisse dos trilhos aqui embaixo.
Mas Cupido tinha virado um funcionário-problema. Eram diárias e muito numerosas as mensagens ouvidas no sistema de som do Paraíso. Vinham de todos os cantos! "Querido, a flecha que você enfiou aqui era pra enfiar lá também, na outra parte...INCOMPETENTE!!!", dizia um. "Enfia a flecha no...", bradava um sujeito mais rebelde. "Cego, sem pontaria!", queixava-se um terceiro. "Mantenha distância", clamava alguém traumatizado pelas flechadas equivocadas de outrora. Sem falar nos que tiravam sarro da pontaria errante: ‎"Óticas do Povo. Morou? Hahai".
Pobre Cupido. Raramente ouvia elogios. Ninguém queria saber de suas condições precárias de trabalho, da falta de assistentes, de sua miopia galopante, das lesões por esforço repetitivo e, mais que isso, do quão injustiçado se sentia toda vez em que alguém, depois de ser agraciado por uma flechada caprichada, atribuía os louros da conquista a Antônio - seu concorrente direto no Departamento Afetivo. Antônio tinha até um dia só para ele, ganhava missas e mais missas. E Cupido, em contrapartida, só ouvia queixas.
Foi então que decidira, tempos atrás, deixar correr frouxo. Pendurou o paletó na cadeira, deixou de praticar a pontaria e passava os dias de asas paradas, braços cruzados, deixando os reclamões se virarem aqui na Terra. Se ninguém mais levava fé em seu talento, não havia razão para provar seu dom. Sobrecarregado, Antônio também não dava conta do recado e o Departamento Afetivo entrou em colapso.
O Diretor-Geral andava preocupado com os rumos que a coisa estava tomando com a operação-padrão empreendida por Cupido. Mas não podia demití-lo: eram muitos anos de casa e as indenizações poderiam deixar o Paraíso no vermelho. E vermelho, vocês sabem, tem mais a ver com o laytout do subsolo...
Um dilema sem solução conhecida. E esse é o estado atual das coisas. Cupido segue de braços cruzados, Antônio continua incapaz de suprir a demanda e, cegos, todos nos perdemos e nos achamos aqui na Terra. Vivemos aos esbarrões, ora dando cotoveladas, ora recebendo abraços e beijos. Deixamos as coisas do coração ganharem ares de jogo de azar: apostamos na roleta, vemos nossas fichas serem levadas e, empobrecidos a cada fracasso, voltamos a tentar a sorte, cada vez menos certos de sua existência. De tropeço em tropeço, o cansaço vai nos vencendo e a tendência é valorizar o que não tem valor, e confundir o que realmente é precioso com o que é apenas mais do mesmo. 
É fato que a imprudência do Cupido nos deixou perdidos. Marcados por feridas deixadas por flechadas jamais cicatrizadas, fechamos nossas almas para novos encontros à espera de um momento ideal que, de fato, nunca chegará. Porque não se pode crer num momento oportuno para sentir o coração acelerar, as pernas tremerem e a boca secar só porque aquele alguém especial telefonou. Ou porque deixou de fazê-lo. Não há hora certa para sentir o peito apertadinho de saudade ou para os olhos molharem com a lembrança de um beijo. Não há dia perfeito para que todos os beijos da boca amada pareçam insuficientes diante da enormidade do nosso desejo.
E talvez você se pergunte: o que pode ser feito? Mensagens zangadas para o Cupido de pouco resolvem - há quem diga que os responsáveis pelo sistema de som do Paraíso andam providencialmente fazendo uma triagem para evitar reclamações sobre o tema. Portanto, o melhor a fazer pode ser seguir o conselho de Luzia: cuidar bem dos olhos. Porque, num desses esbarrões da vida, você já pode ter dado de cara com alguém especial sem ter sequer percebido. E deixar passar pode ser perigoso. 
A menos que você seja do tipo que, num cassino, não tem medo de arriscar tudo na roleta...

PS.: Glaucio Marfir, Thiago Dionisio Costa, João Gustavo Mello e Pedro Leonardo: obrigado pela colaboração! ;-)





27.6.11

Um bonde pra nós?

Olha lá você! Rindo pra mim, cantando os versos que eu amo repetir, movendo o corpo com ritmos que pulsam aqui dentro e me mostrando que o tempo não para! Rindo de mim, dos meus enganos, das minhas bobeiras...da minha cara! Lembrando pra esse alguém que andou perdido que nada é mais gostoso que um sorriso que brota do coração...
Olha só...eu! Contente, curtindo, saboreando esse presente da vida. Encontrando a diversão em novas companhias, abrindo o peito para encarar a vida e desencanar dela. Esse sou eu... descobrindo! Descobrindo como é você, como somos nós...e o melhor jeito de desatar nós que atrapalhem o "nós" que pode vir a ser...
Olha só...o bonde! Parado na estação, de portas abertas. 
Vagão vazio, convidativo...
Quem sabe uma viagem não cai bem?

17.6.11

Dicas para quem quer sair da fossa...

É, minha gente, querendo ou não, a fossa tá aí, de boca aberta, pronta pra engolir qualquer um de nós quando a gente menos espera. Mas como ninguém tá nesse mundo pra ser a versão século XXI da Maysa, o B@belturbo preparou algumas dicas bem úteis para quem quer se ver livre desse sentimento ruim e dizer pra depressão: "sai daqui que esse corpo não te pertence!"
Lá vão elas:

1. Assuma que está sofrendo. Todos têm direito à felicidade, mas passar por momentos tristes faz parte da caminhada por essa vida. E fingir que eles não existem quando se está sofrendo é das piores mentiras que você pode tentar contar pra si mesmo.
2. Fuja das músicas que começam com solo de piano.
3. Fuja de Adele. Essa cantora fofinha só apareceu na Terra pra angustiar ainda mais os corações despedaçados.
4. Ocupe sua mente. O trabalho pode ser de grande valia para afastar pensamentos depressivos e preencher o vazio deixado pelo fim de uma relação.
5. Cerque-se de amigos verdadeiros. Atenção: o adjetivo "verdadeiros" não apareceu aqui gratuitamente. Verdadeiros são os amigos que vão enxugar suas lágrimas mas que, também, vão lhe dizer as verdades fundamentais para que você levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima.
6. Vá para a vida. Ficar em casa não vai fazer seus problemas sumirem.
7. Repense a rotina. Evite fazer os mesmos programas, ir aos mesmos lugares e manter as mesmas atividades que eram parte de seu dia-a-dia no período em que a relação estava bem. As lembranças podem ser dolorosas. E desnecessárias.
8. Fotos do casal? Esqueça-as. Nada de radicalismo: rasgar, deletar...é dispensável. Essas imagens são parte da sua vida e de sua história. Mas não fará mal algum deixar tudo longe de seus olhos por um tempo.
9. Faça coisas diferentes, conheça gente nova, visite novos lugares. Aproveitar um momento de mudança para começar a descobrir novas possibilidades para sua existência pode ser bem positivo.
10. Avalie sua presença nas redes sociais. Ou melhor: avalie as relações que você quer manter nas redes sociais. Fingir-se de forte para preservar o que não pode ser mais preservado pode lhe trazer ainda mais dor. Se for preciso, delete da sua vida virtual quem te deletou da vida real. É a garantia de não se ver surpreendido por fotos, declarações de amor e notícias que não são endereçadas à você e que só vão te deixar mais triste.
11. Se tudo isso não for suficiente para estancar esse momento de dor, relaxe. Tudo tem seu tempo e, com certeza, a tristeza também tem o dela. A parte que te cabe nesse latifúndio é tentar tirar lições dessa dor para, quando tudo acabar, você se sentir mais forte e preparado para cair na vida sem medo de ser feliz.

12.6.11

De volta pra mim...

Aconteceu quando eu menos imaginava. Foi assim, numa noite, no meio de uma festa. Ouvindo uma dessas músicas que falam das coisas do amor, dançando no meio da multidão, fechei os olhos e vi. Vi você, leve, entregue ao momento, deixando-se levar por um clima de alegria e diversão. 
Gostei.
Abri os olhos e a visão da cantora boazuda no palco não me distraiu. Continuei pensando em como é gostoso estar na sua companhia, rir contigo e me divertir com os amigos que você escolheu e que verdadeiramente o escolheram. 
Sorri.
Sozinho, dançando, sorri de verdade, como há tempos não fazia. Um riso puro, tranquilo, em paz. Sorri por notar que você, que andou longe de mim, chegou para tomar novamente o seu lugar aqui dentro. Sorri por sentir a força tomar conta de mim novamente. 
Sorri pelo que você é. 
Sorri pelo que eu sou.
E sorri, veja só, por ter voltado a ser você!

29.5.11

Ortografia do amor...

Uma hora se percebe que o estoque de reticências se esgotou. O mesmo vale para a disposição de crer em todos os "mas" que antecedem justificativas descabidas e explicações que mais confundem que esclarecem.
Porque, afinal e ao final, a vida nos mostra que as belas frases repletas de elogios só têm valor quando são sinceras e que, hoje em dia, sentimento sincero é como palavra que sai de circulação: a gente sabe que existe, mas só encontra no dicionário.
Duras as aprendizagens dessa vida. E a mais importante delas é notar que há que se ter coragem para enxergar um ponto final. Mesmo quando existe o desejo de interpretá-lo como mais um reles continuativo...

26.5.11

O aceno e o tapa...

Acenei em sua direção hoje. Porque sou tolo, é verdade. Mas porque me preocupo, porque gosto de você, porque não quero que nada de ruim aconteça e porque, veja só, ainda tinha um pouco de esperança de que fosse possível reconstruir algo nesse terreno arrasado que sobrou depois do furacão.
Acenei pra você e, pouco depois, levei mais um tapa na cara. Não foi o primeiro. Talvez até seja o último. Indifere. O fato é que doeu. Muito. Porque há dores que só aumentam e essa é uma das minhas mais recentes descobertas... 
O tapa que você me deu hoje já estava anunciado. É quase uma espécie de re-tapa. Mas, apesar desse não-ineditismo, ele estalou em meu rosto e me fez pensar no momento que atravesso. Até ontem eu tentei crer num projeto de recuperação desse prédio condenado no qual se transformou nossa "história". Uma reforma baseada em silêncios constrangedores, meias-verdades ditas como se não fossem mentiras inteiras e em mais um caminhão de palavras igualmente repetidas que apenas finjo serem capazes de me convencer. 
Mas isso foi até ontem...
Porque hoje, depois do tapa que não valia a pena ver de novo, vi que há momentos nos quais simplesmente não sabemos como agir. Porque há momentos nos quais a gente apenas não consegue! Não consegue avançar ou retroceder; não consegue esquecer, não consegue fingir ou crer. Não consegue calar, nem falar; ir ou voltar. E nessas horas a gente apenas fica. Fica triste, decepcionado, aborrecido, desorientado, desolado. E forte. Forte o bastante pra saber que quando a correnteza parece puxar pra baixo, nas adversidades em que o afogamento parece inevitável, os valores que guardamos no peito nos sustentam na superfície. E que, mesmo quando o mundo parece balançar forte demais, mãos amigas surgem de onde menos se espera para nos amparar...

18.5.11

A safra do sofrimento...

Plantou amor e nasceu mágoa
Colheu dor e lamento
Dos olhos brotou água
Foi a safra do sofrimento


A roça, agora tão seca
Nem parece a que floresceu
O peito, ora amargurado
Se ressente do que aconteceu


Seguia o lavrador errante
Por caminhos desconhecidos
Clamava, a todo instante
Por tempos menos doloridos


Na lida de todo dia
Sonhava com nova colheita
Que trouxesse de novo flores
Aos olhos de quem espreita


Ansiava por esse momento
Como sertanejo com a chuva sonha
Queria um bocado de alento
Pra ser de novo pessoa tão risonha...

14.5.11

Montando...

E no quebra-cabeça das inverdades, cada nova peça me ajuda a montar esse novo você. Novo pra mim, que sempre pareci disposto a usar os melhores filtros pra enxergar o que quis quando a paisagem me oferecia mais imperfeições que virtudes...

5.5.11

Quando é com a nossa mãe...

Desde quando soubemos da necessidade da cirurgia, eu me mantive confiante. Dava força quando você fraquejava, confortava seus medos, explicava o pouco que sabia e não me negava a informar nada - mesmo que o pedido fosse para vermos um vídeo esquisito no Youtube. 
Os dias passaram e chegou o grande dia. E, confesso, acordei diferente. Se é que posso chamar de acordar aquilo que fiz depois de cochilar por duas horas. Sim, acho que só sé acorda depois de dormir. E isso é algo que pouco tenho feito.
Partimos para o hospital e eu procurava pensar em coisas boas; falar de assuntos leves. Não sou de rezar, mas pedi muito que minha vó não deixasse que nada de ruim acontecesse. Sabia que ela estaria do nosso lado o tempo todo.
Entramos no quarto e esperamos até que chegasse a hora. Então, dei um beijo em sua testa e te entreguei naquelas mãos desconhecidas. Você estava gelada, nervosa. Senti um aperto no peito, um nó danado me apertando a garganta. É duro demais esse momento em que mandamos o que há de mais valioso nas nossas vidas para um caminho incerto! Controlei a vontade de chorar e te vi sumir naquele corredor branco. Fechei os olhos e respirei fundo. Tudo tinha que dar certo. Acho que eu devo ter ainda algum crédito com o povo lá de cima, e, se estiver certo, não seria bacana da parte deles que algo errado acontecesse.
Amigos ligaram, mandaram torpedos, mensagens carinhosas no Facebook. E, na companhia deles, passei a hora mais angustiante da minha vida. Até você surgir novamente, sonolenta e inteira, pra que eu pudesse dar um novo beijo em sua testa.
E para que, finalmente, eu pudesse voltar a respirar...

PS.: Aproveito o post pra, mais uma vez, agradecer a todos os que - de um jeito ou de outro - se mostraram presentes. Vocês realmente fizeram a diferença. :)

7.4.11

Sobre o massacre na escola Tasso da Silveira, em Realengo...

Fui acordado nessa quinta-feira por minha mãe. Isso raramente acontece e, quando acontece, não é bom sinal. Sempre que algo de muito ruim acontece, a rainha do meu lar fica nervosa e me conta - não importa a hora que seja - para dividir a aflição.
Fiquei chocado com a história. Impressionado com as imagens de pais desesperados, acompanhei as notícias pela televisão e sofri com o aumento do número de vítimas. Crianças e adolescentes, meu Deus!!!
O que dizer? O que pensar? 
Acho que cabe torcer para que as famílias recebam todo o conforto possível numa hora de dor como essa. Torcer para que os colegas da imprensa tenham equilíbrio na cobertura dos fatos. Torcer para que os gestores públicos consigam empreender ações que minimizem os riscos de outras tragédias como essa. 
E torcer, sobretudo, para que essas crianças e adolescentes estejam num bom lugar...

6.4.11

Sobre a estreia de Divã...

Mercedes volta a fazer análise e dá origem a seriado lançado pela Globo na noite de ontem
Um programa como Lilia Cabral, na minha opinião, já é um programa imperdível. Com uma carreira consolidada no teatro e na TV, a atriz tem se firmado como um dos maiores nomes de sua geração e sempre consegue imprimir sensibilidade em seus trabalhos. Lilia não é uma atriz óbvia, tem um jeito muito peculiar de fazer pausas e é dona de um dos olhares mais marcantes da televisão brasileira. Pra mim, uma Meryl Streep made in São Paulo.
Em Divã - o filme, a atriz levou para as telonas Mercedes, personagem que já vivera no teatro - e com grande sucesso. Sensível, engraçado e com um texto primoroso, o longa levou multidões às salas de exibição e serviu de embrião para a série que a Globo lançou ontem. E a série promete!
Logo no início do episódio de estreia, as imagens de Nova Iorque exibiram uma Big Apple lindíssima, muito bem fotografada pela equipe responsável pela série. E era só o começo de um programa que ainda traria Lilia Cabral em sua melhor forma, um texto de alto nível, assinado por Marcelo Saback, e um elenco competente - com destaque para Paulo Gustavo. Dando novamente vida ao cabeleireiro René, um dos tipos mais populares do filme, o ator roubou a cena e fez rir com sua fala acelerada e no tempo exato da comédia. Aliás, vale dizer que a TV devia uma grande oportunidade a esse belo comediante que é Paulo Gustavo. 
Enfim, Divã tem tudo para emplacar! É, na minha opinião, um dos maiores achados da TV Globo nos últimos anos.
E você, também gostou?
Comentaê!!!

3.4.11

Estou comprometido...

Foi num fim de noite, andando pelas ruas da Zona Sul. O grupo se distanciou um pouco e eu fiquei para trás. A rua estava silenciosa e o céu já começava a clarear. Batia um ventinho gelado, típico do outono carioca, e eu busquei abrigo para as mãos frias nos bolsos da minha calça. Ali, caminhando, calado, senti falta de você. Da sua companhia, da sua risada...da nossa implicância mútua, de todo o carinho que havia entre nós, das muitas gargalhadas que demos juntos...
E senti falta de quem eu era quando tinha isso tudo.
Senti muita saudade das coisas nas quais acreditava, dos sonhos que tinha e daquela certeza de que você estaria sempre por perto. Sim, eu tinha essa certeza e isso era algo muito forte. Acho que a vida é tão incerta que essas certezas funcionam como um alicerce, uma base sobre a qual a gente trata de se erguer. Mas a verdade é que minha base ruiu. E eu sei disso. 
Estou comprometido como um prédio condenado a vir ao chão. Sigo bamba, caminhando ao sabor do vento, procurando pessoas, coisas e momentos que me devolvam um pouco de mim. E que tragam um pouco de conforto pra esse alguém que sou hoje...
Um pombo levantou voo ao meu lado e o som de suas asas me distraiu dos meus pensamentos. Foi quando alguém me chamou e eu me juntei ao grupo. Fui viver a vida como ela tem se apresentado. Fui em busca desse novo eu que, quem sabe, vai arrumar uma nova base pra se erguer. Ou que, talvez, vai lamentar pra sempre a sorte de ter perdido um de seus mais importantes pilares...

Homofobia nossa de cada dia...

Há quase três semanas, fiz a entrevista mais difícil de toda a minha carreira. Num início de noite, eu e a equipe do Salto cruzamos a Ponte Rio-Niterói para gravar uma entrevista com Angélica Ivo. Angélica é uma mulher jovem, bonita, simpática e, infelizmente, marcada por uma tragédia. Alexandre Ivo, seu filho, foi brutalmente assassinado, aos 14 anos, num dos mais recentes - e bárbaros - casos que envolvem a homofobia no Brasil.
Ali, diante de Angélica, precisei me conter por diversas vezes para não acompanhá-la no choro - embora meu desejo fosse abraçá-la e chorar com ela. Afinal, o que se diz para uma mãe que passa por uma tristeza imensa como essa? 
A blusa de Angélica trazia uma foto do filho. Alexandre, menino que nunca veremos adulto, terá para sempre aquela fisionomia doce, inocente. Ali, durante a gravação, por várias vezes me peguei olhando para aquela fotografia e me perguntando como alguém pode ter coragem de cometer uma atrocidade daquelas. Que sentimentos tem alguém que tortura, maltrata, espanca e mata um garoto de 14 anos?
Voltei para a TV muito triste. Tão triste que não tive cabeça para escrever sobre a entrevista aqui no B@belturbo. Os dias foram passando, comecei a editar a reportagem - tarefa que devo concluir nessa semana - e um episódio envolvendo o deputado Jair Bolsonaro me fez ter disposição para falar no tema aqui no blog.
Acho que é dispensável situar o que o pronunciamento da "excelência" tem a ver com o fato. Afinal, não me parece equívoco algum dizer que quem propaga a homofobia e o preconceito - como fez e faz Jair Bolsonaro - coloca armas nas mãos de criminosos como os que acabaram com a vida de Alexandre Ivo. Quem acha aceitável repudiar homossexuais - condição que não atribuo ao menino, que fique claro - defende que mais e mais assassinatos bárbaros sejam cometidos por quem, na verdade, está em crise com a própria sexualidade.
E pergunto: o que pretende quem hoje argumenta que a homofobia não pode se tornar um crime em nome da "liberdade de expressão"; ou seja, para que lhes seja garantido o direito a "criticar" a orientação sexual alheia? Pretende ditar os preceitos da moral e dos "bons costumes"? Pretende propagar suas visões de "certo" e "errado" e empurrá-las goela abaixo do restante da sociedade? Pretende parar por aí? Ou pretende, no futuro, voltar-se contra os rituais indígenas, as manifestações da cultura afrobrasileira e tudo o mais o que parecer "diferente"?
Não sei o que move essa gente - além do preconceito e da ignorância, claro. Só sei que a sociedade precisa enfrentar essa discussão de frente. Encará-la como um assunto importante, que pode poupar vidas inocentes como a do Alexandre Ivo. Porque uma sociedade que permite que seus jovens sejam barbaramente assassinados não pode se dizer uma sociedade séria. 
No mais, uma profunda vergonha de viver num país que tem representantes do quilate de Jair Bolsonaro...

Reforma!

Tem alguém aí pra dizer se gostou ou não da nova cara do blog???

25.3.11

Glacial...

E fez-se fria a mais calorosa das relações que já havia construído. Ou que achou ter ajudado a erguer...
Esfriaram-se as vozes, elevou-se o volume dos silêncios, multiplicaram-se as pausas e foram subtraídos todos os traços que pudessem fazer lembrar de outros tempos.
Curioso pensar que num intervalo tão pequeno tivessem passado ao estágio de quase desconhecidos. Impessoais, protocolares, distantes. 
Não eram mais os mesmos?
Talvez não fossem. 
Nada era como antes e, pela primeira vez, não havia indícios de que as coisas voltariam ao lugar em que sempre estiveram - ou em que ao menos aparentavam estar.
E era estranha demais aquela sensação...

21.3.11

O triste recadinho de Papai Noel...

Desligou o telefone e o silêncio devastador confirmava: tudo estava deserto, vazio como seu peito. Nada havia mais a fazer, a dizer...a sonhar! Só restava sentir. E sentir aquela dor, sabia, seria o seu destino dali pra frente. Até que toda aquela sensação fosse parar no limbo, num canto qualquer do universo onde ficam guardadas as expectativas frustradas, os amores não-correspondidos e todos os laços que se desfazem nesse mundo tão superficial e descartável.
Já com o rosto deformado e ainda chorando, enfrentou a pior das inimigas de quem sofre: a própria mente! Pôs-se a lembrar de cada momento em que julgou ser tão feliz, das palavras amorosas ditas e das ouvidas. Abriu o álbum de fotos e reviu cada sorriso, cada abraço, cada pixel que parecia traduzir a mais bela e verdadeira das histórias. Verdadeira? - perguntou-lhe seu cérebro. Verdade? Sinceridade? Onde andava tudo isso? Em que momento, sem que pudesse notar, tudo tinha virado fantasia? Quando foi que se distraiu a ponto de confiar que agir bem é a garantia para se ter boas atitudes de volta?
Não achou respostas. E sofreu...
Sofreu só, sem o ombro amigo de todas as horas. Sofreu como nunca havia experimentado na vida. Era inédita a sensação de ver que pior que um castelo de areia que se desfaz e extingue os sonhos é a dor de uma realidade que, de uma hora pra outra, vira pó e se desmaterializa. Uma dor para a qual não estava preparado, porque ela era forte, cruel e pesada demais. Castigava-lhe o coração de forma a tornar impossível a tarefa de fingir que uma das poucas certezas que tinha nessa vida, dali pra frente, não existiria mais.
E lembrou do seu medo. O velho medo que externara numa tarde, na beira do mar. O medo de ser o bom garoto que, após um ano inteiro se comportando bem, veria Papai Noel, cruelmente, entregar seu tão sonhado presente para outro. 
Chorou mais.
Mais que o seu maior presente, Papai Noel também tinha dado um jeito de lhe passar um recadinho com aquela atitude. E ,para quem sempre sonhou, é bem complicado perceber que, assim como os sonhos, os  sentimentos verdadeiros não valem muita coisa hoje em dia...

11.3.11

Coração estragado...

Às vezes sinto saudades da infância. Época boa, na qual a gente ama apenas os pais, não se vê sofrendo por ninguém, não se mete em histórias difíceis de solucionar e acha tudo incrível, colorido, lindo e doce como aquela bala gostosa que sempre dizem que estraga os dentes.
Mas aí a gente cresce e descobre que a pior espécie de cárie é aquela que estraga o nosso coração...

10.3.11

Como?

E vem a vida me dizer que é sem você que devo seguir daqui pra frente. Sem o que somos quando estamos juntos, sem a outra metade do que eu soube ser até aqui...
Como, hein?
Como fingir que não há essa dor e que essa parece uma derrota amarga demais de engolir? Como inventar uma vida nova sem você se só contigo ela parece ter graça e ser, de fato, vida? Como buscar o que eu era antes se acho que me tornei alguém bem melhor depois da existência do nosso nós?
Não tenho respostas. 
Não tenho você. 
Nem tenho um sorriso sequer pra inventar e deixar estampado em meu rosto...
Como, hein?

4.3.11

Vestindo a fantasia...

Se você não está no auge da alegria, se o carnaval tem tudo pra não ser feliz como você imaginou, se as coisas não estão do jeito que gostaria que elas estivessem...não importa! Vista uma fantasia na ALMA e vá pra vida! Se nada muda, a gente é que deve mudar...! 
Bom carnaval, turma!!!

Mais uma primavera do blog...

Esse 2011 começou bem devagar por aqui. Twitter e Facebook, definitivamente, roubam o tempo e as ideias que em outros tempos eu publicava aqui acabam escoando por lá. Mas o B@belturbo é como o samba naquela música, e eu não deixo morrer, não deixo acabar!!!
O blog completou cinco anos essa semana. E muitos outros cinco virão, estejam certos!!!