28.1.13

Santa Maria...

Acordei com um alerta no celular. Era uma mensagem no whatsapp. Um amigo dizia que só se falava disso. Liguei a TV e levei um choque: 231 jovens, mortos num incêndio em Santa Maria. Uma noite que seria de diversão, de azaração, deu lugar a um domingo de imensa dor. Dor das famílias, dos amigos. Dor de todos nós.
É difícil buscar explicações para tantos sonhos impedidos, pra tantas vidas interrompidas. Destino? Vontade de Deus?
Creio em Deus e tenho muita fé. Isso me impede de crer que seja fruto do desejo Dele uma tragédia dessas proporções. Atribuo essa nossa dor à irresponsabilidade de alguns, ao descaso de outros. Gente que não imagina que suas atitudes - ou que a falta delas - possa resultar numa pilha de corpos espremidos, empilhados num banheiro qualquer, exalando tristeza por todos os lados. Gente que não pensa que é dolorido saber que os celulares das vítimas seguiriam tocando, horas depois do resgate dos corpos. Chamadas das mães, amputadas depois da morte de seus jovens filhos. Gente que, diante dos próprios interesses, não hesita em cortar custos pequenos, sem perceber que o ônus de uma pequena economia pode ser uma grande tragédia.
Enorme tragédia essa nossa...
Como disse, tenho fé. E peço que a Santa Maria cuide de cada um desses 231 pedaços do nosso povo. Que cubra-os com seu manto e os ajude a entender tudo. Que guie seus caminhos por estradas cheias de luz. E que olhe pelos familiares dilacerados por essa dor tão violenta.
Amém!

23.1.13

Rio Hudson

As fotos traduzem momentos em imagens. Mas eu, que tiro tantas e tão diversas fotografias, tenho pensado que há muito de "não dito" nessas traduções. O que escapa à imagem, o sentimento por trás do clique. Tudo vira uma paisagem, às vezes, um sorriso. E acaba se igualando a tantas outras fotos, de tantas outras paisagens e sorrisos. É essa memória que quero preservar com essa série de posts. Se todos são autobiográficos? Pouco importa. O que importa é que todos são, pra mim, a mais perfeita tradução do que escapou a esses instantes memoráveis que, até hoje, guardava apenas em imagens...



Ali, à margem do rio, vi que água e céu se encontravam num cinza que parecia não ter fim. No meio, a fina linha do horizonte - igualmente acinzentada - mostrava que o que separa coisas tão semelhantes, certas vezes, é apenas a sutileza de uma linha. Uma linha de raciocínio, um traço de personalidade, um risco que se resolve correr e que, só depois, percebe-se que não era nada compensador...
Olhando aquela paisagem de chumbo, notei que também era cinza o meu céu. Era carregado, pesado. Embora a maior tempestade já tivesse ficado pra trás, a calmaria ainda tardaria a vir. É preciso ter sabedoria para enfrentar a revolta dos dias cinzentos, pensava. Buscava na calma daquelas águas a inspiração para saber que mesmo quando a cor se faz ausente - e por mais que não seja possível entender isso - todos os tons continuam a existir em nós. Guardados, talvez. Mas estão ali, num canto qualquer. E mesmo quando tudo parece monótono como naquela paisagem, com muito mais que apenas cinquenta tons de cinza, as águas continuam a correr. A Terra segue a girar e nós, mesmo anestesiados, seguimos a caminhar. Afinal, o movimento é sempre constante...
Hoje, tantas léguas distante daquele rio pálido, sou outro. Cá no meu cais, já não enxergo mais o cinza como tom predominante. Tudo voltou a ter cor e o sol voltou a brilhar, intenso, no meu firmamento. Sim, sinto o céu aberto sobre mim, seus raios iluminam novamente minha existência e seu calor me lembra, a cada instante, que os dias nublados ficaram pra trás, ficaram pra longe. E cá do meu cantinho, mais perto das águas salgadas do que das doces e cinzentas águas daquele rio, posso dizer, finalmente,  que voltei a nadar a favor da correnteza...


21.1.13

Aquele beijo...

Tinha sido só um beijo. Nada de conversa, nada de carinho. Apenas olhares e um beijo. Um beijo intenso e rápido, como as chuvas que costumam cair no verão. Terminado, separaram-se e voltaram à solitária multidão de antes.
Mas quem disse que há regras? Quem disse que há um roteiro a ser seguido? Não há! Quando o assunto é o encontro, quem governa é o imprevisto! O desafio é abrir mão da falsa sensação de que temos algum controle sobre a vida, respirar fundo e se entregar...

17.1.13

Movimento sem fim...

Das estradas que já percorrera, aquela tinha sido a mais difícil. A mais tortuosa, a que dispunha do maior número de obstáculos, a que exigira mais esforço e determinação. Dura é toda estrada que se percorre sem saber o porquê. Dura é a caminhada em que, perdidos, tentamos descobrir para onde, como e porque ir. Duro é saber que a única alternativa é vencer e não dispor da mais vaga ideia sobre como cumprir essa meta.
Diante de uma trilha cheia de adversidades, nunca se sabe ao certo quão extensa ela será. Assim tinha dado o primeiro passo. E poucos pés antes do último, ainda se questionava sobre a finitude da percurso. E as dúvidas se fizeram presentes nos dias seguintes. E nos que se seguiram aos dias seguintes...
Até que um dia, também sem saber como e porque, sentiu que a jornada estava encerrada. Sentiu-se livre das amarras impostas pelas lembranças, pelas dores e pela saudade. E percebeu que os pés já estavam prontos para trilhar caminhos outros. Novos. Quem sabe, mais leves.
E caminhou!

15.1.13

O segundo iPad a gente nunca esquece...

Eu comprei um iPad no ano passado. Pra ser mais preciso, no dia 29 de março do ano passado. Lembro da data perfeitamente porque no mesmo dia fui assaltado, meu carro foi roubado e, com ele, foi junto o tablet que eu sequer havia retirado da caixa. Um brinde para os ladrões.
Ontem, voltei a encarar o desejo de experimentar esse gadget tão popular e comprei um. Escrevo dele. E devo dizer que a experiência é mesmo incrível!
A tela oferece conforto para a leitura, a sensação de "virar páginas" de publicações digitais é saborosa e todos os requintes que a convergência de mídias pode proporcionar oferece ao usuário um grande prazer na interação com esse aparelhinho tão popular - vale dizer que, na loja em que comprei o meu, havia uma fila de pretendentes. Fui o quarto!
Tô completamente encantado! Posso dizer que se trata de um caso de amor à segunda vista! E já fico pensando pra onde mais o futuro poderá nos levar...

8.1.13

RESENHA: De pernas pro ar 2 é diversão garantida!

Comédia estrelada por Ingrid Guimarães atingiu um público de 1,5 milhão de espectadores desde a estreia, em 28 de dezembro de 2012

Eu vi a primeira aventura de Alice, que se torna dona de um sex shop. Lembro de ter dado risada com uma ou outra cena do filme que inagurou a franquia, mas também me lembro de ter saído do cinema com a impressão de que se tratava de uma produção bem irregular. Mesmo Ingrid Guimarães, comediante de talento e carisma já conhecidos do grande público, acabou me parecendo perdida em indas e vindas no primeiro longa, lançado em 2010.
Ontem quando decidi ir ao cinema para conferir a sequência, já sabia de duas informações bem contraditórias: uma diz respeito ao fato de o filme já ter feito mais de um milhão de espectadores em sua primeira semana. A outra, vejam vocês, era um ícone: o bonequinho dorme para De pernas pro ar 2...
Entrei no cinema mais tentado a entender porque mais de um milhão de pessoas já tinham ido ver o filme. E saí convencido de que toda essa gente fez isso porque De pernas pro ar 2 é uma comédia muito divertida! Um blockbuster com cara, cores, piadas e trejeitos brasileiros, que faz rir do início ao fim! Ingrid Guimarães, que me parecera um tanto errante no primeiro filme, está perfeita no papel de uma Alice dividida entre a família e o trabalho - sempre pendendo para o trabalho, afinal, trata-se de uma workaholic! As sequências em que a personagem mistura bebida e tranquilizantes são de chorar de rir, sem falar do momento rehab encarado por essa desvairada mulher do século 21.
Não vou me alongar, porque seria inevitável entregar algumas das surpresas que a comédia reserva ao público. Mas vale ressaltar que Rodrigo Sant'anna surge impagável como garçom brasileiro, num ponto alto da comédia. O cinema veio abaixo quando ele surgiu na tela dizendo que era de...Governador Valadares.
As sequências em Nova Iorque enfeitam o filme, dão glamour à produção e enchem a tela de ritmo. No entanto, há momentos em que os efeitos visuais utilizados na finalização se revelam insuficientes, e é possível perceber que nem tudo foi filmado na Big Apple. Na época da alta definição, acaba parecendo quase amador. Um ponto fraco num filme feito para arrastar legiões aos cinemas...
Saí do cinema leve, relaxado. Cansado de rir. E certo de que a soneca tirada pelo bonequinho de O Globo só pode ter uma justificativa: um baita preconceito com o que tem forte apelo popular. Porque pode-se dizer muita coisa desse filme, menos acusá-lo de não cumprir aquilo a que ele se propõe: divertir!
E se você quer um último argumento pra ir ao cinema ver, guardei o mais forte deles pro fim do post: até a Maria Paula está engraçada!
Recomendo! Aprecie - e ria - sem moderação!

31.12.12

Revisitando 2012...


Olhar para trás nessas últimas horas do ano é revisitar lugares, sensações, dúvidas, temores, planos concretizados e outros, de realização sequer ensaiada. É reviver lembranças, amores, dores, sorrisos, lágrimas. É se perguntar se poderia ter sido diferente e, se, talvez, poderia ter sido melhor se fosse de outro modo. E é, também, silenciar diante de respostas que, quem sabe, podem jamais vir.
Mas hoje, nessas últimas horas de 2012, também é momento de agradecer. Pela graça que é ter saúde, disposição e dom para viver daquilo que escolhi. Pela família amorosa, presente, parceira. Pelos amigos que se somam à essa família e enchem a vida de cor, sorriso e dão a sensação de segurança quando as coisas não vão bem. É hora de agradecer pela leveza que há dentro de mim, por não ter endurecido com as pancadinhas dessa vida doida e tão boa de viver. De agradecer aos amigos do mundo virtual pelas curtidas, pelos compartilhamentos, pelos comentários, replys e retweets; enfim, por essa deliciosa farra que fazemos no cyberespaço! Por muitas vezes, e não há exagero nisso, essas bobagens cotidianas que fazemos por aqui desanuviam a mente, arrancam um sorriso de uma cara atordoada por problemas e impulsionam pra seguir adiante.Obrigado, gente! Mesmo! Que 2013 venha com mais saúde e força. Pra gente seguir leve, pra gente seguir junto! E pra gente ser muito, mas muito mais feliz que nesse 2012 que tá se despedindo!
Feliz Ano Novo!!!

14.12.12

Presentes...


Presente. Diz-se que é o tempo verbal indicado para se falar de tudo o que acontece agora. Também se costuma usar essa palavra pra definir aquilo que damos ou recebemos em ocasiões especiais. Ou mesmo em dias comuns. O mesmo termo aparece em outro contexto, para indicar quem está sempre perto, alguém com quem sempre se pode contar. Alguém que se faz presente. Mas, às vezes, presente é aquilo ou aquele alguém que surge em nosso caminho hoje, só pra sinalizar que o futuro pode ser bem melhor. Melhor até do que aquilo que esperávamos pra ele...
Presente pra mim.
Presente pra você.
Presente...pra nós?

13.11.12

E Maria Rita redescobriu Elis Regina...

Baixei a versão digital de "Redescobrir" na ITunes Store, nos primeiros minutos do aguardado dia seis de novembro. Sim, esse foi, realmente, um disco muito esperado por mim. Primeiro, claro, por conhecer o repertório de belas canções, tesouro maior deixado por Elis Regina. Depois, e não menos importante que isso, pela curiosidade de ouvir como elas soariam na voz da herdeira da Pimentinha. Como não tive a oportunidade de ver nenhuma das apresentações do show aqui no Rio, só me restava conferir a gravação.
Baixei as músicas e ouvi três vezes seguidas. Embaladas em arranjos mais enxutos - em muitos casos, atualizados - as canções de Elis seguem arrebatadoras. Mas, no disco, esse arrebatamento se limita à força do repertório. Maria Rita, grande cantora, dona de momentos consagradores em sua carreira de uma década, enfrenta com altivez o desafio de reler a obra da mãe, mas é impossível evitar a comparação entre elas. E não é apenas a filha de Elis quem sai em desvantagem: toda e qualquer cantora brasileira sairia na mesma situação diante desse desafio.
Elis era magistral. E segue assim: mestra de todas as intérpretes da MPB. Ia do grave ao agudo mais agudo sem titubear, intensa, num fôlego só. Brincava com a melodia, desafiava os músicos, parecia sempre na corda bamba, prestes a cair em cada verso. Nunca caiu! E segue no topo ainda hoje, passados 30 anos de sua morte.
Mas eu quis mais do que ouvir e, no último domingo, comprei o dvd do espetáculo. Achei a edição preguiçosa, e é flagrante que houve pressa no lançamento: há correções de câmera, perdas de foco e outros pequenos detalhes que jamais iriam para a versão final caso houvesse maior cuidado. Maria Rita está leve - apesar do barrigão - e soa um bocado careteira em algumas músicas, mas, apesar de suas interpretações sempre corretas e bem executadas, dosando bem emoção e técnica, fica longe do que a mãe fez em cena.
Há até um momento muito delicado no dvd: quando, em Arrastão, Maria Rita faz uma menção ao movimento frenético dos braços que Elis Regina executou no Festival da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. É delicado porque ali, naquele movimentar de braços, a filha assume o risco de ser comparada à mãe e, mais que isso, se expõe diante dos que pensam que esse projeto é uma tentativa de reeditar, com Maria Rita, o fenômeno Elis. Não creio nisso. Creio, mesmo, na sutileza de uma bonita homenagem à maior cantora que o Brasil já viu. E ouviu...
A grande filha de Elis tem alguns belos momentos. Fascinação, Essa Mulher, Vou deitar e rolar, Águas de Março (número em que parece fazer um cover descarado do improviso final gravado por Elis no disco com Tom Jobim), Onze Tiros, Romaria e Redescobrir estão - até o momento - entre as minhas prediletas. Me Deixas Louca é outro grande momento. Pontos altos de um show que é, sim, memorável. 
Ainda no dvd, vale salientar como são belas as palavras que a cantora dedica à mãe na contracapa do disco e no encerramento do show. Aliás, cabe uma ressalva: o espetáculo soa mais frio do que deve ter sido, uma vez que os momentos em que a artista se direciona ao público foram suprimidos na edição.
Enfim, esse é um projeto arriscado. Para Maria Rita, para a gravadora e para o público: para as duas primeiras, pela comparação inevitável e pelo risco de uma rejeição dos mais puristas. Acho que esses riscos foram superados. Para o público, o risco é não se permitir embarcar na bela voz de Maria Rita e, assim, deixar de aproveitar a grandeza de repertório que o álbum oferece. Sigo firme, vendo e ouvindo de novo, em busca de superar o desafio que me cabe...

7.11.12

Fragmentado


Dessa vez foi lá, no meio da conversa fiada e deliciosa de sempre, entre um aperitivo e outro, beliscando uma porcaria aqui e outra ali que, de repente, veio com a mesma intensidade de sempre a saudade. A certeza de uma lacuna que jamais se poderá preencher, e, mais que isso, a certeza de não querer que o tal vazio seja extinto por uma presença outra...

8.10.12

Palavras do aniversariante mais feliz do mundo...


Quando soube que passaria o aniversário longe de casa, trabalhando, fiquei apreensivo. Tive receio de me bater aquela bad, de me sentir só numa data que, pra mim, sempre é tão festejada.
Acontece que a vida nos prega peças. Viajei com uma equipe incrível e desde os primeiros minutos do meu dia até agorinha, só recebi carinho e demonstrações de afeto de todos os cantos. Debone, o primeiro a ligar, de São Paulo, me fez lembrar que quem é sincero nunca tem o que temer. Fabi, que ligou em seguida, trouxe-me as gargalhadas de sempre, notícias boas, e um amor que quero cultivar enquanto viver...
De Lara, logo pela manhã, veio o primeiro abraço. E com um carinho tão sincero, tão fraterno, que me fez sentir presenteado logo de cara. E vieram os abraços de Ana, amiga tão querida, Cadu e Santhiago, companheiros nessa minha jornada sulista. Aí eu vi que, sim, de um jeito diferente, estava em casa.
Parti pra gravação e ouvi parabéns de uma turma de crianças lindas. Uma banda tocava uma música dos meus tempos de moleque, que reafirma a invencibilidade de quem luta sempre junto dos amigos. Como eu...
Aí vieram os torpedos, inboxes, posts no facebook, mensagens pelo whatsapp, tweets, ligações! Tanta palavra bonita, tantos desejos de coisas boas! De amigos, de colegas de trabalho, da família! Uma avalanche de carinho tão gostosa, tão acolhedora, tão cheia de força que me fez sentir emocionado como há tempos eu não ficava em aniversários meus...
E assim foi por todo o dia de hoje. Fui acolhido, acarinhado e recebi toda a energia boa, de toda a parte do mundo. Energia que vocês, meus amigos, mandaram pra mim. Fiquei achando que devo ser mesmo um cara legal, porque só isso explicaria o tantão de gente boa que tenho ao meu redor; que faz questão de me lembrar o quanto eu sou amado e querido. Se sou legal, devo isso a vocês, que a cada dia me mostram o valor da amizade, me ensinam que o melhor da vida fica ainda melhor se a gente divide com quem ama e que toda essa aventura que é viver só tem sentido de verdade quando a gente compartilha e cultiva sentimentos sinceros. 
Vou dormir certo de ser um cara muito abençoado. E certo, também, de ter sido, hoje, o aniversariante mais feliz do mundo. E devo isso a vocës todos!
Obrigado, turma! De verdade! 

29.9.12

Hebe: a televisão brasileira perde sua maior gracinha

Hebe era uma das poucas unanimidades da televisão brasileira.
Meu sábado desandou desde que soube da morte de Hebe. Recebi uma ligação de minha mãe, já arrasada e surpresa com a notícia. Éramos fãs da vitalidade dessa pioneira da televisão brasileira, do seu carisma, do seu jeitão espontâneo e festivo. Vimos juntos seu último programa no SBT - até escrevi aqui sobre ele - e ficamos entristecidos ao ver aquela grande estrela chorosa, despedindo-se de seu público. Depois, vimos sua estreia na Rede TV! com a nítida impressão de que ela estava usando um palco que não era seu. Nessa semana, quando foi anunciada a assinatura de um novo contrato com a emissora de Silvio Santos, comemorei no Facebook. 
Não sabia que não haveria tempo para que a maior estrela da Anhanguera voltasse a brilhar no seu palco...
É muito estranha a sensação que temos quando um ídolo morre. Há um sentimento de tristeza, de luto, por um alguém que tá lá longe, que, muitas vezes, jamais teremos tido a oportunidade de ver, e por quem, apesar da distância, guardamos tanto carinho, tanta admiração...
Hebe eu vi. Gravei uma reportagem nos bastidores de seu programa anos atrás. E estar ali, diante daquela grande comunicadora, fez de mim um admirador ainda maior de seu talento e, sobretudo, de sua simplicidade. Hebe cumprimentava todos, tirava foto com todos, fazia questão de ser gentil e retribuir a cada um dos acenos, dos beijos, dos sorrisos. Ela, rainha da televisão brasileira, não se escondia atrás do brilho de sua coroa, ou do luxo de suas jóias e vestidos: era humana, acessível. Era gente!
Talvez muita gente duvide da importância de Hebe para a comunicação de massa no Brasil, mas o que ela fez em sua carreira invejável é impressionante: como primeira mulher a apresentar um programa feminino, fundou um estilo. Ajudou a definir como e para quem se faz televisão. E era brasileira demais, no trato com os convidados, na forma de se portar. Ela não inaugurou apenas a televisão: inaugurou um modo de se estar na TV. Modo até hoje seguido por muitos dos profissionais que estão na televisão: à vontade, sem falar de cima pra baixo com o espectador e rindo dos erros - inclusive, e principalmente, dos próprios. 
Sabia tudo! 
Pra mim, Hebe vai ser sempre uma boa lembrança. Ela, que tanto chamou seus convidados de "gracinha" era, sim, a grande graça da televisão brasileira.
Descanse em paz, Loiruda!


21.8.12

Da coragem...

Falo é dessa urgência, dessa necessidade de você! De sentir teu abraço, de ouvir tua voz e de olhar nos teus olhos. De sentir teu cheiro, ver sua boca sorrindo e me encantar com a pintura que essa visão representa na minha vida. 
É disse que falo. Dessa saudade que me preenche quando não estamos perto - e, às vezes, até mesmo quando estamos juntos e sei que não tardará para que deixemos de estar. Dessa secura pelo teu beijo, por mensagens tuas durante o dia ou por aquele sorriso sem vergonha formado pelos dois pontos, pelo hífen e por um parêntese que você manda por inbox só pra me surpreender e me deixar todo bobo...
É isso que sinto: necessidade. De falar, de estar perto...de viver você! De viver essa coisa tão boa e intensa, de gastar essa força pra encarar todo o universo e as outras galáxias, pra enfrentar os  maiores gladiadores e sair com disposição suficiente pra escalar o Himalaia. Ou o Everest. Ou os dois!
Porque você me dá fôlego. 
Só pra me tirar todo o ar depois... 

13.8.12

Viva Elis!

Videoinstalação, com trechos de entrevistas e apresentações de Elis é um dos momentos altos da exposição, em cartaz no CCBB-RJ

A maior cantora brasileira de todos os tempos é tema de uma exposição imperdível para os que amam música e história. Para lembrar os 30 anos de morte de Elis, os filhos da Pimentinha, a mostra traz figurinos, fotos raras, textos, vídeos e, claro, muita música! É um mergulho no universo dessa intérprete que marcou tantas gerações e que, ainda hoje - como lembra um dos textos expostos - segue tão presente em nosso imaginário. E em nossos Ipods...
Quando Elis morreu eu tinha pouco mais de um ano. Mas esse desencontro não me impediu de me tornar um grande fã dessa mulher, dona de interpretações intensas, viscerais e, talvez até mesmo por isso, memoráveis. Dona de um sorriso doce e de um olhar de inquisidor, Elis Regina de Carvalho Costa é, ainda hoje, insuperável! Soube como poucas escolher o que cantar, onde por a voz privilegiada. E deixou um repertório coeso, de bom gosto, diversificado, ousado...único!
Percorrendo os salões do CCBB, vi, mais de uma vez, senhoras e senhores emocionados ao reviver o tempo em que Elis era mais do que uma projeção na tela, mais que uma foto impressa num painel. Choravam aqueles homens e mulheres que carregaram até aqui as marcas que a música dessa grande artista lhes fez na alma. E sei que as carregarão para sempre! 
Esse clima de emoção me sensibilizou. Que poder tem a voz de Elis! Que poder há em suas músicas, eternizadas em nossas memórias e em nossos corações! Que poder tem o artista que sabe zelar por sua obra, por seu dom! 
Enfim, a exposição é uma delícia! Fiquei viajando entre todo o incrível material exposto e imaginei como será daqui a 10, 20 anos, quando uma Elis projetada em holografia poderá cantar em 3D para seus fiéis e saudosos fãs! Se Deus quiser, serei mais um a aproveitar a tecnologia pra matar as saudades da Pimentinha mais doce que já temperou a MPB...

27.7.12

Um amor para sempre...

Poucas vezes na vida a gente se depara com uma possibilidade de uso adequada da expressão "para sempre". Ontem, no entanto, tive uma prova de que há ao menos uma circunstância em que o "para sempre" traduz com perfeição o sonho de um amor sem fim. Mais que isso: tive um exemplo de um amor que será, sem dúvida, para sempre.
Não foi numa circunstância alegre, longe disso! Vi uma amiga muito querida se despedir de sua única filha. Vi em seus olhos toda a dor que uma mãe pode experimentar na vida. Mas também pude sentir, em seu abraço sereno, a tranquilidade de quem pode dizer que viveu um amor de verdade, incondicional, inteiro. Tranquilidade de quem deu tudo. E de quem recebeu tudo de volta. De que viveu toda a intensidade de uma relação, toda a entrega que ela pode permitir. De quem se dedicou a fazer de outra vida uma vida mais feliz, mais confortável, mais digna, mais amorosa...
Minha amiga pode dizer tudo isso de si. Mas não o fará, eu sei disso. Nem precisa fazê-lo. Guardará essa história no peito, para sempre. Guardará todos os momentos com sua filhota no coração, também para sempre. E poderá, para sempre, dizer que viveu um grande amor.  
E esse grande amor não tem fim; é para sempre! Porque ela será, para sempre, a mãe daquela estrelinha que foi brilhar lá em cima. E toda a luz que ela irradiar do céu, para sempre, vai guiar os passos da mãezona que ela encontrou aqui na Terra.

18.7.12

Rush

Curioso esse tempo em que podemos ser encontrados por satélite o tempo todo e em que é cada vez mais rara a façanha de um encontro verdadeiro...
Visito lugares, conheço pessoas, recebo e ofereço abraços sinceros, passeio por caminhos não imaginados e me perco pensando nos rumos incertos dessa vida. Exercício diário esse de olhar para o mundo e pensar em como seria se ainda pudesse dividir o que enxergo contigo, compartilhar dúvidas e angústias, amparar-te em momentos de infortúnio e vibrar com cada uma das tuas conquistas.
Cansativo esse exercício de me inventar sem você. De buscar em mim um eu que não sei ao certo quem é, se existe e no que crê. De fazer a vida desse novo alguém ter graça e leveza, ser interessante e - quem sabe - alegre!
O que ajuda é notar que nosso encontro não foi verdadeiro. Ao menos, não na essência. Foi um esbarrão. E só. E tal como nas tumultuadas estações do metrô, cada um seguiu seu rumo, depois de refeito da trombada.
Até que venha a próxima. Porque a vida, também como as estações do metrô, nunca dá refresco...

12.7.12

Coração não responde...

Nunca haverá respostas. Não vai chegar o dia em que seja público o segredo do sucesso de uma relação. Não se sabe onde é acionado o tal click que faz com que duas pessoas se envolvam, se embolem, se misturem e queiram seguir juntas depois.
É dos segredos mais bem guardados em todos os tempos...
Quem nunca olhou alguém e disse: "taí, poderia ser essa pessoa..." sem que a tal pessoa jamais tenha se tornado, de fato, A pessoa?
Quem nunca se questionou sobre quem determina para onde vai nosso interesse? O que faz com que este - e não aquele - coração passe a ditar o ritmo das batidas dentro do próprio peito?
Nunca haverá respostas. E, verdadeiramente, pouco fazem sentido todas as perguntas. Afinal, quando se fala das coisas do coração, a grandeza é a do sentir. E não a do explicar.
E talvez toda a graça da brincadeira do amor seja exatamente essa...

20.5.12

Sobre o que Xuxa viu da vida...




Há tempos uma atração do Fantástico não repercutia tanto. Em uma longa edição, o quadro "O que vi da vida" exibiu depoimento de Xuxa Meneghel. A loira falou da infância no subúrbio, do começo da carreira como modelo, do  namoro com Pelé, do romance com Ayrton Senna e do preço da fama. Nenhuma novidade. Mas a loira guardou um desabafo para a parte final da entrevista e revelou ter sido vítima de abuso na adolescência.
O depoimento foi marcante. A história, triste como são todas as histórias de violência. E Xuxa pareceu um tanto perturbada. Não demorou até que aparecesse nas redes sociais muita gente duvidando do depoimento exibido no Fantástico. Cada um no seu direito, claro. Mas o fato é que muitas vítimas de abuso sexual passam a vida inteira sem conseguir revelar suas histórias de violência. Por isso, não me surpreende o fato de Xuxa falar do assunto somente às vésperas dos 50 anos. Muita gente também tá associando o tal depoimento à busca pelos holofotes. Ok, Xuxa não é mais o mesmo fenômeno, não rende mais o Ibope dos anos 90, mas...peraí...a loira tá milionária faz tempo, gente! Tem contrato longo em vigor, ou seja: não tem motivo algum pra chamar a atenção pra si com uma história desse tipo. 
Como postei no Facebook assim que acabou a entrevista, acho que ela precisa de um analista. E não é de hoje. Mas, em última análise, todos precisamos. Ficar atribuindo às declarações da loira sentidos incertos e suposições pretensamente críticas é bem esquisitão também! Acho que há uma grande diferença entre ser crítico e ser paranóico, querendo enxergar uma conspiração atrás de tudo o que acontece na TV.

16.5.12

Dicotomia

Recentemente, numa conversa com amigos, recuperei um assunto que há tempos me intriga: as diferenças entre o discurso que adotamos em nosso dia a dia e as ações que praticamos cotidianamente. De forma abrangente, essas discordâncias podem ser percebidas quando analisamos, por exemplo, a questão ambiental: às vésperas da Rio +20, nunca estivemos tão informados sobre a importância da preservação dos recursos naturais. Por outro lado, nunca consumimos tanto, nunca descartamos tantos resíduos de forma inadequada e nunca desperdiçamos tanta água.
Achou o exemplo amplo e complexo demais? Pois bem, lá vai outro: hoje, estamos conectados o tempo todo, ligados entre teias e mais teias de redes sociais. Curtimos, comentamos, compartilhamos, tuitamos, retuitamos; criamos e recriamos laços o tempo todo na esfera virtual. Ao mesmo tempo, parecemos ter perdido a capacidade de estabelecer vínculos mais fortes, sólidos. A própria palavra "amigo", popularizada em redes como Facebook e Twitter, ganha novos sentidos: qualquer um vira seu amigo a um clique. Uma vez dado o "aceito", todos caem na vala simples da "amizade" genérica, virtual, numérica. Em geral, todos valem rigorosamente a mesma coisa e essa mesma coisa é rigorosamente nada!
Polêmico? Talvez. É bom avisar que não sou um reacionário e que adoro usar o Facebook. Mas entendo que essas são questões do nosso tempo. E que têm, todas, reflexos sobre a mais profunda das nossas atuais dicotomias: a que envolve nossos relacionamentos sentimentais.
Note bem: se você tem amigos solteiros, é bem provável que os ouça constantemente falando do desejo de "encontrar alguém". Se ouve isso, você também deve escutá-los discorrendo sobre a necessidade de "estar junto", de "namorar", de "viver uma história de verdade, séria". E por aí vai...
Mas acontece que, embora essa discurso esteja presente de modo muito forte em nossa sociedade, ele é completamente antagônico às práticas que adotamos de uns tempos pra cá. Talvez contaminados pela mesma lógica do "descarte", passamos a rejeitar uns aos outros ao menor sinal de desacordo. É fácil como apertar um imaginário botão de "delete" e, assim, expurgar da vida real um alguém qualquer como se faz com qualquer arquivo inútil de computador. É rápido como clicar na opção "desfazer", quando se volta atrás depois de "curtir" um post do Facebook. Assustador!
Eu me assusto porque já estive casado - e gostei verdadeiramente da experiência. E encaro uma relação como uma construção diária, uma negociação permanente - muitas vezes cansativa, é bem verdade - em que um objetivo comum - a vida a dois - justifica muitos dos percalços. Mas pra que essa vida seja bacana, leve, é preciso que não percamos o foco: há de se fazer escolhas! Para que dure - e que seja eterno enquanto durar - é fundamental ter a coragem de abrir mão do que importa menos e investir na realização de um sonho que até pode acabar logo, mas que vai deixar gostinho bom no fim se essa entrega for verdadeira e menos egoísta. Afinal, se cada um seguir olhando apenas para o próprio umbigo, agindo de forma inconsequente e sem disposição de aprender a conviver, esse cenário de dicotomia só tende a se aprofundar. E aí, perceberemos todos que, no fundo, nossa sociedade está mesmo embolada numa rede que mais lembra uma cama de gato... 

11.4.12

Sobre a polêmica do aborto de fetos anencéfalos...

O Brasil acompanha - de modo menos interessado do que devia - o debate que envolve o julgamento do Supremo sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. Quatro ministros do STF declararam hoje que votarão a favor do projeto que, caso aprovado, permitirá que pais e mães possam escolher como proceder em caso de gestação de um bebê sem cérebro - ou com comprometimento cerebral grave.
Tenho acompanhado as discussões pela mídia - e a TV é, de longe, a que menos tem se dedicado ao tema. Talvez para fugir de polêmicas com grupos religiosos e conservadores. Talvez por não reconhecer que essa seja uma temática de grande relevância. Vi apenas algumas discussões em programas como o Sem Censura e o Repórter Brasil, ambos da TV Brasil, e um debate no Entre Aspas, da Globonews.
Em todos os casos, fiquei surpreso com o nível de argumentação dos que são contrários ao projeto em discussão. Também me surpreende a total falta de sensibilidade à causa das mães que se deparam com um diagnóstico duro e decisivo: gerarão bebês com expectativa de vida limitadíssima. Bebês que podem existir por minutos, talvez horas.
Os que são contrários a descriminalização dos fetos anencéfalos se dizem a favor da vida. Também o sou. Totalmente. Mas fico penalizado ao imaginar que uma família pode ser obrigada a levar em frente uma gravidez que poderá terminar em morte sem que nada possa ser feito para diminuir, abreviar ou simplesmente evitar que tamanho sofrimento se torne ainda maior.
Não se trata de tornar o aborto de fetos anencéfalos uma obrigação. Seria contrário à ideia, caso fosse essa a proposta. Trata-se de oferecer aos familiares que atravessam esse momento tão delicado a possibilidade de escolher qual saída pode ser menos traumática. E só quem pode mensurar a dor que qualquer das escolhas vai ocasionar são aqueles que, de fato, vivenciam a angústia dessa decisão. Não acho justo que o Estado ou que as igrejas se arvorem no papel de defender uma vida para a qual virarão as costas em seguida. Ou alguma proposta e/ou dogma religioso prevê o acompanhamento psicológico para os familiares dos bebês anencéfalos depois que sua inevitável morte se consumar?
Alguns poderão dizer que há casos de crianças sem cérebro que conseguiram - e conseguem - viver por alguns anos. Sim, eu sei. Certamente são crianças amadas por seus pais. Mas também é certo que, infelizmente, elas representam uma exceção à regra. A maior parte jamais terá alta da maternidade.
Enquanto as TVs parecem negligenciar o debate - o que deve mudar nesta quarta, caso o STF chegue a uma conclusão - a Internet segue como tribuna livre. Hoje, no Twitter, os Trending Topics registraram algumas vezes expressões ligadas aos grupos que defendem que o abortamento de fetos anencéfalos deve continuar proibido por lei.
Felizes esses tempos de democracia. Mas sinto falta de argumentos menos "contaminados" por valores ligados à religião e mais sensíveis à delicadeza inerente à situação. Não se está falando de liberar o aborto. O que está em pauta é dar às mães e aos pais que vivenciam a situação a possibilidade de escolher de que forma melhor podem superá-la.