1.7.06

Sobre uma certa lágrima...

A lágrima marcou-lhe o rosto, deixando pra trás um curso de tristeza e dor. Brotava do coração, e não do cantinho de seus olhos. Não era salgada como são todas as outras; tinha um gosto amargo - o gosto da frustração. O gosto de quem se depara com o eterno mesmo problema de sempre; que, vez por outra, até parece solucionado. Só parece.
A lágrima caiu no chão, pra onde também estavam voltados seus olhos, cansados de sonhar com vôos altos demais - e inatingíveis demais. Caiu no chão aquele pingo e o silêncio da gota batendo na terra pareceu-lhe ensurdecedor. Era o som da ausência, do vazio, de todo um espaço em seu peito que antes parecia preenchido. Só parecia.

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